28
de
outubro
Decadence avec elegance (http://letras.terra.com.br/lobao/446178/)
No caso o mais correto seria SANS (SEM). Esqueci-me de comentar no post anterior sobre a plateiaprincipalmente no início do espetáculo de ontem, quando há uns 20/30 minutos de dança no silêncio. Lembrei-me imediatamente da peça Sete Minutos de Antonio Fagundes, lá pelo início da década passada (2002/2003) (http://www.bibi-piaf.com/sete_minutos.htm). Na peça, o ator/autor discorria sobre sua relação com a plateia. Falava dos atrasos, dos ruídos, da tosse, dos pés apoiados sobre o palco, etc., etc. E olha que nem havia a disseminação atual do celular, hein! Pois é, ator às vezes tem de ter mesmo nervos de aço. Lembrei-me de um fato emblemático: fui ver Otelo (http://www1.folha.uol.com.br/folha/ilustrada/ult90u359070.shtml) há uns anos com Diogo Vilela no teatro da Fecomércio, ali atrás do MASP. Imaginem, Otelo…e não é que uma perua na fileira da frente não desligou o celular e aquilo começou a tocar. E nada de ela desligar. Alguém ligava, tocava, tocava e tentava de novo, e tentava de novo, e nada. Até que uma amiga acabou se enfezando e disse a ela para desligar ou sair. Imagino que a debilóide não sabia como desligar o aparelho. Já pensou? Você no palco, com texto dificílimo, longo, e uma criatura como essa na sua plateia?
E ontem não teve celular, mas teve de tudo: muita, mas muita tosse. Sei que o ar-condicionado acaba favorecendo isso, daí as famosas balinhas distribuídas antes do concerto na Sala SP (eram distribuídas pelo menos, hoje não sei como está). Mas a considerar pela tosse generalizada só me resta uma conclusão: este povo está doente! E as pessoas que bebem sua aguinha com goladas ruidosas, as moças que mexem em suas bolsas (havia duas atrás de mim) achando que aqueles ruídos não serão ouvidos por ninguém sobre a face da Terra. E os que, com aquele silêncio, respiração suspensa de todos, insistem em comentar alguma coisa? Agora o mais divertido foi o seguinte: uma moça, com um super black power sentou na fileira da frente. Sorte que a plateia desse teatro é bem inclinada. Que me desculpe a maravilhosa Elisa Lucinda (http://mskeller.blog.terra.com.br/2011/10/14/ainda-da-tempo/), que diz que não existe cabelo ruim, e mostra as mil e uma utilidades e graças do cabelo crespo, “armado”, em seu espetáculo, mas o cabelo daquela moça era comparável a um capacete de motociclista, ou um chapéu coco. Alguém iria com esses acessórios ao teatro? Pois é, não é porque é cabelo que não atrapalha. Uma tiara, uma fita, um lenço, quem sabe, hein? Felizmente a moça não era alta e foi embora em dado momento do espetáculo. E o sem-número de bocejos em alto e bom som? Somos bárbaros mesmo…
Hoje vi mais uma demonstração de nosso despreparo como público. Aliás, por mais que eu reconheça que quem sustenta muitos espetáculos é o público de mais idade, não sei se há um problema de audição generalizado, mas é duro aguentar as velhinhas, sobretudo elas, falando alto no cinema, no teatro.
Fui renovar minha carteira do SESC e vi que haveria uma sessão da peça Os amigos do amigos (http://www.sescsp.org.br/sesc/programa_new/mostra_detalhe.cfm?programacao_id=201668 / http://vejasp.abril.com.br/teatro/os-amigos-dos-amigos), baseada em texto de Henry James (http://pt.wikipedia.org/wiki/Henry_James), às 15h30. O SESC em geral faz isso: há uma sessão numa quinta, numa sexta nesse horário, de alguma peça, para o pessoal de mais idade. O preço também é mais camarada. Como queria ver a peça, que termina amanhã, e não tinha tido a oportunidade, comprei meu ingresso (essas sessões são tranquilas, em geral / http://mskeller.blog.terra.com.br/2011/08/26/miscelanea-total-ii/) . O teatro não estava cheio, longe disso. Talvez 50% da lotação. E é o teatro pequeno daquele SESC, aproximadamente uns 100 lugares. Eu e mais um rapaz éramos os caçulas. E como conversam as senhorinhas. Muitos psius! depois elas se calaram. Mas não foi fácil.
A peça é muito interessante. Além do texto elegante, as duas atrizes em cena revezam-se em três papéis, sem sair do palco, sem trocar de roupa, apenas com alternância de expressão facial, corporal, e sobretudo vocal.
É a história de um homem e uma mulher que, apesar de tentativas por anos, não se encontram. E aparentemente têm muito em comum. Há um certo mistério, suspense em dados momentos. O desfecho é contido, triste e um tanto inesperado. O cenário e a trilha agregam bastante.
Ainda bem que pude ver o espetáculo. Só tem sessão hoje à noite e amanhã.











