Escrever para viver!

Tudo que der na telha e que eu achar que vale a pena

28

de
outubro

Decadence avec elegance (http://letras.terra.com.br/lobao/446178/)

No caso o mais correto seria SANS (SEM).  Esqueci-me de comentar no post anterior sobre a plateiaprincipalmente no início do espetáculo de ontem, quando há uns 20/30 minutos de dança no silêncio.  Lembrei-me imediatamente da peça Sete Minutos de Antonio Fagundes, lá pelo início da década passada (2002/2003) (http://www.bibi-piaf.com/sete_minutos.htm). Na peça, o ator/autor discorria sobre sua relação com a plateia. Falava dos atrasos, dos ruídos, da tosse, dos pés apoiados sobre o palco, etc., etc.  E olha que nem havia a disseminação atual do celular, hein! Pois é, ator às vezes tem de ter mesmo nervos de aço.  Lembrei-me de um fato emblemático: fui ver Otelo (http://www1.folha.uol.com.br/folha/ilustrada/ult90u359070.shtml) há uns anos com Diogo Vilela no teatro da Fecomércio, ali atrás do MASP.  Imaginem, Otelo…e não é que uma perua na fileira da frente não desligou o celular e aquilo começou a tocar. E nada de ela desligar.  Alguém ligava, tocava, tocava e tentava de novo, e tentava de novo, e nada.  Até que uma amiga acabou se enfezando e disse a ela para desligar ou sair.  Imagino que a debilóide não sabia como desligar o aparelho.  Já pensou? Você no palco, com texto dificílimo, longo, e uma criatura como essa na sua plateia?

E ontem não teve celular, mas teve de tudo: muita, mas muita tosse. Sei que o ar-condicionado acaba favorecendo isso, daí as famosas balinhas distribuídas antes do concerto na Sala SP (eram distribuídas pelo menos, hoje não sei como está). Mas a considerar pela tosse generalizada só me resta uma conclusão: este povo está doente! E as pessoas que bebem sua aguinha com goladas ruidosas, as moças que mexem em suas bolsas (havia duas atrás de mim) achando que aqueles ruídos não serão ouvidos por ninguém sobre a face da Terra. E os que, com aquele silêncio, respiração suspensa de todos, insistem em comentar alguma coisa? Agora o mais divertido foi o seguinte: uma moça, com um super black power sentou na fileira da frente. Sorte que a plateia desse teatro é bem inclinada. Que me desculpe a maravilhosa Elisa Lucinda (http://mskeller.blog.terra.com.br/2011/10/14/ainda-da-tempo/), que diz que não existe cabelo ruim, e mostra as mil e uma utilidades e graças do cabelo crespo, “armado”, em seu espetáculo, mas o cabelo daquela moça era comparável a um capacete de motociclista, ou um chapéu coco.  Alguém iria com esses acessórios ao teatro? Pois é, não é porque é cabelo que não atrapalha.  Uma tiara, uma fita, um lenço, quem sabe, hein? Felizmente a moça não era alta e foi embora em dado momento do espetáculo. E o sem-número de bocejos em alto e bom som?  Somos bárbaros mesmo…

Hoje vi mais uma demonstração de nosso despreparo como público.  Aliás, por mais que eu reconheça que quem sustenta muitos espetáculos é o público de mais idade, não sei se há um problema de audição generalizado, mas é duro aguentar as velhinhas, sobretudo elas, falando alto no cinema, no teatro.

Fui renovar minha carteira do SESC e vi que haveria uma sessão da peça Os amigos do amigos (http://www.sescsp.org.br/sesc/programa_new/mostra_detalhe.cfm?programacao_id=201668http://vejasp.abril.com.br/teatro/os-amigos-dos-amigos), baseada em texto de Henry James (http://pt.wikipedia.org/wiki/Henry_James), às 15h30.  O SESC em geral faz isso: há uma sessão numa quinta, numa sexta nesse horário, de alguma peça, para o pessoal de mais idade. O preço também é mais camarada. Como queria ver a peça, que termina amanhã, e não tinha tido a oportunidade, comprei meu ingresso (essas sessões são tranquilas, em geral / http://mskeller.blog.terra.com.br/2011/08/26/miscelanea-total-ii/) . O teatro não estava cheio, longe disso. Talvez 50% da lotação. E é o teatro pequeno daquele SESC, aproximadamente uns 100 lugares.  Eu e mais um rapaz éramos os caçulas.  E como conversam as senhorinhas. Muitos psius! depois elas se calaram.  Mas não foi fácil.

A peça é muito interessante. Além do texto elegante, as duas atrizes em cena revezam-se em três papéis, sem sair do palco, sem trocar de roupa, apenas com alternância de expressão facial, corporal, e sobretudo vocal.

É a história de um homem e uma mulher que, apesar de tentativas por anos, não se encontram. E aparentemente têm muito em comum. Há um certo mistério, suspense em dados momentos. O desfecho é contido, triste e um tanto inesperado.  O cenário e a trilha agregam bastante.

Ainda bem que pude ver o espetáculo. Só tem sessão hoje à noite e amanhã.

28

de
outubro

Gritos e sussuros

GRITOS

Bem, também não é tudo isso. É mais um “soltar a voz” mesmo.

Terça-feira light e recebo torpedo de um amigo: tenho ingressos para a ópera Il Guarany, quer ir comigo?

Aqueles que acompanham meus posts sabem que sou um pessoa contida, quietinha, caseira, desentusiasmada…portanto, minha resposta imediata foi: YYYEEESSSS!

A ópera estreava no Teatro São Pedro (http://www.apaacultural.org.br/saopedro/), hoje totalmente reformado, porém inserido numa área barra pesadíssima. E põe pesada nisso. Estou acostumada a andar por aí (centro da cidade de dia e de noite - pós-Municipal; entorno da Sala S. Paulo, Pinacoteca, e por aí vai), mas aquilo ali é algo inimaginável.  Verdadeira miséria humana.  Caminhei da República até o teatro, na R. Barra Funda. Se for de metrô, desça na Mal. Deodoro, aí é bem perto, mas não menos feio e decadente. Fui a pé, para acompanhar meu amigo.  Passei por dezenas de pessoas sentadas, se drogando, escapei de umas seringas e agulhas empunhadas por seus usuários já totalmente zuretas, vi uma moça fazendo cocô ali no meio-fio, calças arriadas.  Enfim, excelente região para lembrar quem somos de fato.

Chegando ao teatro (que alívio!), a coisa já é mais amena. Tudo mais tranquilo, limpo, organizado, mas que o poder público deveria estar mais presente na região, sobretudo a polícia, isso não resta dúvida.

Acho que nunca estive naquele teatro. Se estive, foi antigamente demais.  O teatro foi abandonado e recuperado recentemente.  Está bem bonito. Não é muito grande, mas tem uma plateia muito boa (visão ótima), cena até modesta para um teatro de ópera, e balcões que parecem oferecer boa qualidade de visão.  A acústica é muito boa também.

Era estreia para convidados, mas não se justifica não haver um programinha distribuído.  Como não conheço os cantores, imagino que tenha visto Edna d’Oliveira, soprano, no papel de Ceci. Arrasou!  Todos estavam muito bem. Apenas o coro não me agradou no início, mas depois engatou.  Os cenários eram modernos, pragmáticos, e plásticos.  O figurino também estava muito bacana.

Não sou de óperas, mas uma boa ópera, uma boa montagem valem sempre a pena (http://mskeller.blog.terra.com.br/2011/09/21/de-mentiras/). Il Guarany (http://pt.wikipedia.org/wiki/Il_Guarany) surpreendeu. O que eu conhecia de fato eram trechos, sobretudo aquele que toca (ou tocava) no início da Hora do Brasil. Aliás, o menos encantador para mim.  O todo da ópera é muito bonito. O libreto é bacana (o texto é traduzido e projetado em um “legendário” acima do palco).  Para quem leu O Guarani (http://pt.wikipedia.org/wiki/O_Guarani) fica a impressão de estar “relendo” o romance em música. Muito interessante.

Sou do tempo em que se lia obrigatoriamente O Guarani na escola (ginásio) e em que se estudava na universidade. Fiz Letras na USP e em um dos semestres de Literatura Brasileira estudamos a fundo a obra. Em minha cabeça, Peri era o grande o astro, sempre.  Na ópera, a bola da vez é a Ceci: disputada por um monte de pretendentes, tem o maior tempo em cena.  A única coisa que estranhei (sempre digo, tem gente crica, viu!) foi a idade dos cantores que representaram Ceci e Peri. Pelo menos da plateia pareciam bem passados dos 20/25, e sempre entendi da obra de Alencar que as duas personagens eram bem jovens. Vai saber… Gosto de ler ou reler livros que são/foram a base de filmes, peças, para tirar dúvidas, comparar, mas neste caso não vai dar. Por mais que ache importante não teria paciência (acho). Quem sabe um dia…

Foram 3 horas e tanto de espetáculo, mas valeu muito. Lindíssimo, sobretudo pelo talento da direção e do pessoal em cena. A orquestra do teatro também é de qualidade ímpar. Pena que a temporada seja curtíssima.

Tomara que possa ver outras espetáculos por ali, mas da próxima vez vou de metrô mesmo.

SUSSUROS

Nem tanto, está mais para “momentos de silêncio”.

Ontem fui ver a companhia Rosas (http://www.rosas.be/) de Anne Teresa de Keersmaker, belga.

E quem diria, está rolando um barracão entre a companhia e a Beyoncée, pode? Vejam a notícia: http://goo.gl/iRzU9. Considerando a linha de trabalho da companhia, se o clipe da cantora chega pelo menos perto, não há muita dúvida: copiaram mesmo.

O Rosas danst rosas, espetáculo de ontem (hoje novamente é esse, sábado e domingo é outro espetáculo - http://www.sescsp.org.br/sesc/programa_new/busca.cfm?conjunto_id=9064), que está no SESC Pinheiros, ficou mais para mim como uma prova de resistência dos bailarinos e do público.  Muita gente saiu durante o espetáculo, mas imagino que a coreógrafa faça um jogo consciente e saiba que isso vai acontecer.

Não sou muito fã de balé “mudernu”, mas Rosas danst rosas não foi um sacrifício, para minha surpresa.  São apenas 4 bailarinas em cena, que repetem milhares (podem crer, são milhares) de vezes os mesmos movimentos.  O figurino é singelo, o cenário idem.  No início, há um movimento ou trecho sem música.  E os movimentos se repetem à exaustão.  Francamente, admirei. Imaginem movimentos totalmente sincronizados sem música, no silêncio!  Tente fazer o mesmo movimento, e.g. levantar um braço e depois outro, baixar um e outro, algumas dezenas de vezes. Lá pela enésima vez você já vai confundir tudo, garanto.  As moças foram um relógio pelas duas horas de espetáculo.  Eu terminei o espetáculo cansada fisicamente! Depois de saírem do palco só com um massagista, e dos bons, para aquelas moças não terem um colapso muscular.

A trilha sonora reforça a mesmice, a rotina, o mecânico.  O espetáculo é originalmente de 1983, portanto a Sra. De Keersmaeker foi corajosa, viu!

O programa do espetáculo apresenta-o assim: “Em rosas danst Rosas, a repetição de música e movimento iniciada em Fase é ainda mais desenvolvida. A música de Thierry De Mey e Peter Vermeersch foi criada siultaneamente e em interação com a coreografia. No espetáculo, quatro bailarinas atual com intenso vigor físico. A condução de seus “corpos-máquina” é incrementada por uma série de movimentos cotidianos, gerando narrativas emocionais reconhecidas pelo espectador.”

Verdade, é o sem horizonte, é o sem saída. Coincidentemente vi um filme da Mostra (Um pouco mais perto - comentarei em outro post), ontem à tarde, que é exatamente isso, só que não tão evidente ou massacrante.

Um amigo achou o negócio chato, eu também não recomendaria e não veria de novo (acho), mas se você gosta de ver coisas diferentes, está com tempo e paciência, vale experimentar, nem que seja para sair no meio.

23

de
outubro

Retorno em grande estilo

Pois é, quase uma semana sem escrever nada. Tudo bem que vocês nem perceberam, mas me dá um peso na consciência, sabe? E foi por um motivo vãozinho: preguiça e uma viagem curtinha a Santos (próximo post).  Mas voltei hoje e já tinha uma peça para ver e me fazer voltar à realidade: A ilusão cômica, de Corneille (http://en.wikipedia.org/wiki/Pierre_Corneille), lá no CCBB (http://www.bb.com.br/portalbb/page511,128,10162,1,0,1,1.bb?dtInicio=10/2011&codigoEvento=4276).

Nunca leu nada de Corneille? Não é grave. Eu mesma só li Le Cid, e quando estava na universidade fazendo francês. Acho que não tenho mais nada em casa para uma futura leitura. Pena, porque o texto L’Illusion Comique de 1636 foi uma descoberta, Tradução excelente de Valderez Cardoso Gomes.

A ilusão cômica (http://vejasp.abril.com.br/teatro/a-ilusao-comica) fica até dia 30 no CCBB. O texto está muito bem adaptado, os atores estão superazeitados. O figurino é interessantíssimo, e não há cenário propriamente. Mas está tudo na medida certinha!

Da trupe, fantásticos Joca Andreazza, Lavinia Pannunzio (http://pt.wikipedia.org/wiki/Lav%C3%ADnia_Pannunzio), Julio Machado, Antônio de Campos.  Eu sabia que já tinha visto algum trabalho da Lavínia, e vi mesmo: A serpente no jardim (http://mskeller.blog.terra.com.br/2011/04/25/finalmente/), outra ótima performance e direção também.

É a história de um pai que quer saber de seu filho que se afastou após uma briga. No palco, o futuro do filho mostrado por um mago. Grandes revelações e surpresas no final. Não despregue o olho, o ouvido, a atenção. Um texto moderníssimo se você pensar na mensagem. Corneille rocks!

Agora, nota 0 para o público. Não sei o que está havendo com o público de teatro. Já havia notado em peças anteriores: o pessoal conversa, acha que tem de participar, sabe aquela coisa interativa? Na peça Conversando com mamãe (http://mskeller.blog.terra.com.br/2011/10/01/eu-nao-sou-do-contratalvez-so-um-pouquinho/) não comentei mas aconteceu isso.  O pessoal completa frases, comenta, antecipa o lance, em tom mais que audível. E o tal celular acendendo aqui e ali? Ai, por favor… Inacreditável!  Hoje, um casal conversando. Numa sala como aquela, com 50 lugares no máximo na plateia?!  Por mais baixo que você ache que está falando, incomoda, ouve-se.  Não dá para segurar ou até sair da sala? No cinema a coisa já degringolou de vez. Difícil conter os selvagens. Agora, no teatro…pelamor… Isso já havia acontecido em outros espetáculos (celular e participação voluntária): http://mskeller.blog.terra.com.br/2011/04/29/matando-vontades/http://mskeller.blog.terra.com.br/2011/07/16/mundando-conceitos/. Como sempre digo: o que adianta você ver ou ler ou estudar Corneille se continua lá no fundinho um ser das cavernas?

Bem, se puderem, vejam a peça. R$ 10/inteira.

16

de
outubro

E os deuses equivocaram-se

Começando pelo fim.

1) Os Altruístas (http://www.teatroaugusta.com.br/programacao/os-altruistas)

Esta peça, que está no horrível Teatro Augusta (não tem como alguém passar pela fileira se as pessoas não se levantarem; a inclinação é ruim - alguém mais alto senta-se na sua frente, babau; banheiro minimalista), tem a Mariana Ximenes como atriz principal. Gosto muito dela. Faz anos que não vejo novela (recentemente vi a Cordel Encantado, muito diferente do que normalmente é apresentado. E se acabou…), mas do tempo em que as via lembro-me de sempre gostar da atuação de Mariana.  Primeiro mocinha, menina mesmo, depois mais adulta. Uma figura bonita, competente atriz. Esse foi um fator que me levou ao teatro; outro foi a direção de Guilherme Weber (http://mskeller.blog.terra.com.br/2011/06/28/uma-coisa-e-uma-coisa/), um darling para mim.  O texto é do mesmo autor de Pterodátilos (http://mskeller.blog.terra.com.br/2011/03/27/todos-somos-sos/), mais um fator positivo.  Independentemente de críticas, vejo o que achar que possa ser interessante. Comprei o ingresso e só depois li a crítica na Vejinha (e olha que eu gosta da publicação): “Após a temporada de Pterodátilos, o dramaturgo americano Nicky Silver ocupa novamente os palcos com um exemplar bem inferior de sua obra. Eficiente, mas sem se entregar totalmente ao papel, Marina Ximenes interpreta a consumista Sydney. …A interessante premissa não sobrevive diante da fragilidade do texto, que parece mais preocupado em chocar que em estabelecer uma reflexão. O diretor guilherme Weber recrutou um bom elenco, completado por Kiko Mascarenhas, Jonathan Haagensen e Stella Rabello, porém não imprimiu ritmo e personalidade na encenação. ”

Então…achei exatamente o contrário, bem como, creio, a grande maioria dos espectadores presentes. Eu pago ingresso, não vou de graça, então minha opinião vale tanto ou mais que a de críticos, pelo menos para mim. E o que está acima não tem nada de matemático, de exato, é uma visão baseada em experiência. Pode ter acontecido também que os atores não estivessem bem justamente durante a visita do(s) crítico(s). Isso acontece, mas não se pode definir julgamento em cima de uma única experiência. Não sei como são estruturadas as críticas de cinema, teatro, etc., mas achar que alguém, um serzinho apenas, a partir de uma única observação, possa definir o que é bom ou ruim parece-me um tantinho demais.   Imagino que o crítico-mor e seus asseclas vejam o espetáculo em duas oportunidades diferentes pelo menos, e que sejam várias pessoas a fazê-lo. Caso contrário, a validade de uma crítica, por mais que o cidadão conheça o assunto, tenha visto peças, etc., etc., fica bem comprometida. E acho que isso vale para tudo: cinema, música, gastronomia, etc. Pelo sim, pelo não, prefiro basear-me em meu cérebro mesmo, afinal, de novo, eu é que pago meu ingresso e ninguém mais. Eu gosto é de independência mesmo.

Como vi os dois espetáculos, digo que gostei de Pterodátilos, mas gostei ainda mais de Os Altruístas. O texto é ótimo, tem humor, faz refletir, sim.  E mais, justamente pela direção do GWeber e a atuação de Marina, Kiko (maravilhoso), Miguel Thiré, Stella Rabello, o espetáculo torna-se grandioso. Gostei menos de JHaagensen.  O texto vai num crescendo, mas não agride, não choca, não, mesmo tratando de relações amorosas, sexuais, homossexuais.  É a vida: somos nós, nossos conhecidos, amigos tão simplesmente. Os atores estão muito azeitados, em cena o tempo inteiro num espaço bem exíguo. Cenário da maravilhosa Daniela Thomas. Figurino bacana de Emília Duncan e Antonio Frajado. Iluminação, trilha tudo ótimo.

Fui ao teatro com a menor expectativa, saí de lá, como muitos, achando que vi uma peça excelente, atuações primorosas, direção idem.  A única é o preço: com tanto patrocínio não precisava cobrar $80/inteira.  Vale ver, com certeza!

2) Orquestra Sinfônica Municipal e Antonio Meneses, sob regência de Abel Rocha, no Teatro Municipal (http://www.prefeitura.sp.gov.br/cidade/secretarias/cultura/theatromunicipal/) (http://www.prefeitura.sp.gov.br/cidade/secretarias/cultura/theatromunicipal/programacao/index.php?p=9164)

Choveu ontem de monte, choveu à noite também, e hoje pela manhã igualmente.  Mesmo assim, o teatro estava bem cheio. Eu estava lá, claaarooo!  Adoro Antonio Meneses (http://www.antoniomeneses.com/index.htm). Para mim não há violoncelo mais emocionante que o tocado por ele (http://mskeller.blog.terra.com.br/2010/10/28/aleluia/). Regência da orquestra pelo elegante Abel Rocha.

Programa:
Wolfgang Amadeus MOZART
Abertura da ópera “A Flauta Mágica”
Dimitri SHOSTAKOVITCH
Sinfonia no  9, Op. 70
Serguei PROKOFIEV
Sinfonica concertante, op.125

O programa que está no site não corresponde ao que foi executado e está no programa impresso. Só a coisa municipal para não fazer a devida alteração no site, i.e., se houve tempo para imprimir um programa obviamente havia mais que tempo e condições para colocar o programa correto no site. Mas, para quê, né?  A coisa é lenta e paquidérmica mesmo, infelizmente, e todos nós pagamos por essa ineficiência, esse descuido.

Enfim…não tenho ouvido ou gosto apurado para apreciar devidamente Prokófiev, Shostakovitch, mas o AMeneses me arrasta.  Mozart (Adoro! Quem não?) com a orquestra foi lindo. A segunda obra, Shostakovich, muito bonita também, mas não é a minha. Prokófiev com Meneses foi lindo, e o bis idem.  Ou seja, valeu muito estar lá, mesmo tendo de enfrentar a mudança de horário, a chuvarada (deu uma preguiça…).  Momentos de beleza pura!

Bottom line: um domingo coroado!

15

de
outubro

Teatros

Duas apresentações tão diferentes na mesma semana!

1) Mostra Italiana de Teatro de Rua / Teatro Due Mondi

Foi ali no Páteo do Colégio, na praça, aberto, umas 100 cadeiras, debaixo de chuva mesmo.  O link mostra um pouco do que aconteceu. goo.gl/UXrtt (há 3 filminhos de uma mostra no CCBB - Mariko Mori, que fará parte do próximo post).

A mostra teve espetáculos em abril e vários agora em outubro. Três companhias apresentaram-se.  Na quinta, das 12h às 13h, vi a Teatro Due Mondi.  São 8 ou 10 atores/atrizes.  Tudo é montado e feito à vista dos espectadores.  Figurino bonito, máscaras bifrontais que mostram caras diferentes. Utilizaram-se de escadas para dar movimento à trama.  Tocam instrumentos diversos, cantam, declamam.  Uma delícia, mesmo debaixo da chuva fina que ia e vinha a todo momento. O espetáculo do dia foi Ay l’amor!.Lindas músicas, lindos textos.  Para mim foi ainda mais interessante, pois deu para entender quase tudo o que os atores disseram, mesmo com meu italiano ainda em fase de recuperação.

Já vi vários espetáculos de rua, mas mesmo em viagem nunca tinha assistido a nada parecido. Gostei demais.  Devido à chuva, acho, metade das cadeiras estava vazia.  Muitos moradores de rua aproximaram-se e puderam apreciar mesmo sem entender direito do que acontecia.  Aliás, como é num lugar tão central, mesmo com mau tempo, pensei que mais pessoas estariam por ali, já que há tantos bancos, escritórios, cartórios, comércio, na região. Verdade que algumas pessoas paravam por uns minutos e depois partiam. Vai ver que estavam em horário de almoço e não podiam ficar por muito tempo. Pena para eles…

A mostra é uma parceira do CCBB, das companhias que se apresentaram, da SP Escola de Teatro e Teatro da USP. Tomara que venha mais por aí, já que o Momento Itália / Brasil vai de oubutro 2011 a junho 2012.

2) Os Náufragos da Louca Esperança - Théatre du Soleil

Este filminho fiz na saída do espetáculo.  São os “camarins”.  goo.gl/TSf0s

É muita gente, talvez uns 40 atores, e tem o pessoal administrativo, também.  Os atores fazem de tudo, além de atuar: iluminação, trilha sonora, cenário.  São quase 4 horas de espetáculo, com um pequeno intervalo. E montam e desmontam cenários, carregam “neve”, limpam chão, acomodam objetos, retiram objetos. Enfim, um lufa-lufa sem tamanho.

A ida a este espetáculo começou traumaticamente. A peça é encenada em uma mega-tenda. Dá para umas 700 pessoas.  O palco é enorme, justamente por toda a estrutura de que fazem uso. A tenda começou a ser montada no SESC Belenzinho há meses.  A companhia, que tem 47 anos, veio a SP em 2007 e o sucesso foi grande. Justamente por isso, acho, agora o negócio ficou ainda mais aguerrido.  O SESC anunciou a venda dos ingressos para 15/09, a partir de 14h.  Aproximadamente 20% dos ingressos seriam vendidos pela internet, o que não é comum.  Fui para a fila por volta de 13h, às 15h30 todos os ingressos haviam sido vendidos, e ainda havia umas 20 pessoas na minha frente na fila.  As entradas foram vendidas em todos os SESCs, daí a velocidade do término.  Para o padrão SESC é uma entrada cara: R$ 50/inteira, mas mesmo assim foi tudo embora. Façam a continha: 5 espetáculos por semana x 700 pessoas x 3. Se não me engano dá 10.500 ingressos. E mesmo assim, não sobrou nada!

Diante do fato consumado, só restava esperar por encaixes ou prolongação da temporada. Um amigo arriscou no domingo e conseguiu entrar.  Segundo ele, o staff destinado ao espetáculo começava uma lista de espera às 15h.  A lista tinha 30 nomes. Quem não tivesse o nome na lista poderia esperar também, mas sem nenhuma garantia de entrar. Os 30 também não tinham garantia, mas a probabilidade era boa.   Às 17h30 ou pouco mais começavam a vender ingressos. Meu amigo e mais um monte de gente entrou, então também resolvi arriscar.

Segundo pessoas que estavam por ali, a quinta-feira tinha sido caótica: muita confusão, entrou gente demais, o que não fez bem nem aos artistas, nem ao público.  Ontem, quando fui até lá, não foi um horror, mas poderia ser bem menos sofrido. Houve uma lista, feita pelo próprio público, éramos 65 na lista, mas acabaram entrando uns 80 espectadores.  Sala lotadaça!

Agora, era o que eu já antecipara: muita gente não sabia da duração da peça, do que se tratava, em que se baseava, em que língua era,  etc., mas nem minimamente, e mesmo assim comprou.  Na sexta, poucas pessoas foram embora no intervalo, mas segundo meu amigo, no domingo, pelo menos 30% das pessoas saíram no intervalo.  Uma pena, pois muita gente que tinha real interesse acabou ficando sem acesso ao espetáculo. De todo jeito, imagino que tenha valido para ilustrar o povo…

O espetáculo é majestoso, não resta dúvida, mããããs há algumas coisas que não consigo compreender:

  1. começando pela organização da lista paralela: por que o SESC mesmo não assume isso? Por que deixa na mão da produção do espetáculo, que não tem absolutamente tempo ou estrutura para cuidar disso?  Ontem, por exemplo, não fosse a iniciativa de uma moça de começar a lista (havia pessoas desde 14h ali para tentar um ingresso), teria havido um banho de sangue (usei a expressão só para combinar com os clímax dramáticos do espetáculo); mais: com toda a chuva pelo dia todo, não apareceu ninguém da trupe até umas 17h15 para dizer como ocorreria o processo;
  2. a companhia é francesa. Há uma narrativa em português, e legendas para a parte “muda” da peça, mas muitos diálogos são em francês SEM LEGENDA, SEM TRADUÇÃO. Meu francês é muito bom, então não tive problema, mas isso não acontece para a grande maioria, evidentemente. Pourquoi? Pourquoi? Pourquoi?
  3. as legendas da parte “muda”, que é bem extensa, além de rodar em uma velocidade absurda em alguns momentos, estava numa fonte difícil de ler. E muitas legendas projetadas no telão do palco (havia outro telão menor no meio da plateia para que quem estivesse mais atrás pudesse ler também, devido à distância) não tinha contraste, ou seja, era branco com azul claro, ou branco com branco, o que dificultava sobremaneira a leitura.

Bem, para minha sorte, meu francês é bom, leio rápido, deu para intuir o que possa ter perdido, consegui entrar após horas de espera, mas não precisava ser assim, certo?

De todo jeito o espetáculo é grandioso, muito interessante, algo novo para mim.  Se vierem outra vez, vou tentar ver. Acho que vale ver pelo menos mais um.

Depois de tanta espera, peça tão longa, pude jantar no restaurante do SESC (lindo! Mobiliário fantástico).  Cardápio limitado, mas muito bom, qualidade x preço.  A sexta valeu por duas, com certeza.

14

de
outubro

Ainda dá tempo

Pois é, preguiça, desorganização de minha parte, e só agora comento as peças que vi no final de semana. Mas ainda dá tempo de falar de uma boa peça que continua em cartaz.

1) Crônica da Casa Assassinada (http://www.sescsp.org.br/sesc/programa_new/mostra_detalhe.cfm?programacao_id=202003) (http://vejasp.abril.com.br/teatro/a-cronica-da-casa-assassinada)

Esta peça está no SESC Vila Mariana e fica até domingo (16/10).  Texto de Lúcio Cardoso, adaptação de Dib Carneiro Neto e direção de Gabriel Villela.

O programa da peça revela pedagogicamente o que esperar: “A trama da “Crônica da casa assassinada” nos desafia a olhar pelo buraco da fechadura, identificando as atitudes que nos tornam humanos, demasiadamente humanos”. É isso, vá preparado para ver algo Rodriguiano.  Texto pesado, algo chocante em alguns momentos, atuações densas, mas o conjunto é muito bonito.  Começa pelo cenário: um portal lindo dominando a cena. Está tudo ali: glória, queda, tradições escravizantes, moralidade, ilusão, castigo, etc. O figurino também é bacana. Xuxa Lopes, de quem não gosto muito, está muito bem. Aliás, ela foi premiada pela peça.  O mais fraquinho é o ator que faz o filho dela.

A peça acabou se mostrando um thriller. Surpresa pela narrativa afora é o que não falta. Não é diversão ligeira, mas há momentos bem divertidos. Se puder, vá ver.

2) Parem de falar mal da rotina (http://www.escolalucinda.com.br/parem/)

Este espetáculo terminou em 9/10 (aaaahhhh! que pena). Terceira vez que vejo a peça (http://mskeller.blog.terra.com.br/2009/11/07/um-bis-para-elisa-lucinda/). Não sou disso: ver filme mais de uma vez, peça idem, ler livro de novo, só quando me faz muito bem, me dá muito prazer.  E esta peça de Elisa Lucinda é isso: puro prazer.  O texto segue a mesma linha de espetáculos anteriores, mas como a peça esteve em cartaz com intervalo médio de dois anos e o tema é muito variado, texto inteligente, além de a atriz/autora incorporar sempre coisas novas, dá para divertir bastante sempre.

Desta vez vi a peça naquela lonjura (para mim) do Teatro Vivo. Lotado! Igualmente, presentes várias pessoas que já haviam visto a peça mais de uma vez.

Elisa Lucinda é uma figura bonita, simpática, inteligente, poética.  Antes de ver a peça pela primeira vez havia visto sua atuação em uma ponta na Globo. Somente no teatro soube que ela é também poetisa, dá cursos aqui e no exterior, workshops (e.g. Da utilidade da poesia).  Ah, e canta muito bem também e escreve livros infantis.

Não sei se encaro uma quarta vez, mesmo que daqui a dois anos, vamos ver. Aproveitei e comprei o livro do espetáculo desta vez, já que não havia feito isso nas vezes passadas.

Um espetáculo solo, que preenche mais de duas horas e meia, com humor da melhor qualidade, poesia, música, beleza, e convida o espectador a refletir no teatro e fora dali.

1

de
outubro

Eu não sou do contra…talvez só um pouquinho

Eu tento, tento mesmo. Meus escritos por aqui são a prova de que eu já vi alguns filmes nacionais bons (e.g.http://mskeller.blog.terra.com.br/2011/09/21/de-mentiras/) e um monte de ruins (e.g. http://mskeller.blog.terra.com.br/2010/09/22/vade-retro/).  Eu gostaria muito que o cinema nacional, despertado há umas três décadas tão-somente da inexistência, florescesse, tivesse muito sucesso e reconhecimento, crescesse em qualidade. Vem uma ondinha, uma produção um pouco melhor, e em seguida um monte de produções mambembes.  Pois é, esse adjetivo surgiu para mim nesta semana. Mambembe!   E não é questão de ser produção hollywoodiana, i.e., cenários, locações, tecnologia, figurinos, mas de produções que respeitem minimamente a inteligência e o gosto do espectador. Tudo bem, tudo bem: somos um país de analfabetos, em que a educação formal está falida (não sou eu que digo, está em todos os jornais, tvs, rádios, todos os dias); o povo é ignorante em sua maioria; temos miséria e não só pobreza. Então…por isso mesmo, a responsabilidade social, cultural e educacional da tv, cinema, teatro e literatura nacionais é ainda mais crucial  Há momentos em que penso: quem fez esse filme (atores, diretor, produtor, etc.) não tem vergonha, não? Acho que não mesmo.  E lendo matérias como esta (http://colunistas.ig.com.br/monadorf/2011/09/30/familia-vende-tudo-novo-filme-de-alain-fresnot-e-pura-diversao/) é que acho que sou do contra.

Fui ver Família vende tudo (http://cinema10.com.br/filme/familia-vende-tudo). Atores de que gosto muito: Vera Holtz, Lima Duarte, Caco Ciocler. Até gosto de Luana Piovani, de Ailton Graça. Mas há outros bem fraquinhos. Tudo bem, até ganharam prêmio por aí, mas pelamor…

É a história de uma família pobrinha, que vive numa comunidade pobrinha. Ninguém tem trabalho seguro, fazem biscates, que nem sempre dão certo.  Emprestam dinheiro de um chefão da área para comprar produtos no Paraguai e trazer para vender no Brasil. Perdem tudo numa blitz da polícia. A banca de camelô trabalhada pelo filho (Webster), é apreendida pela prefeitura. Numa conversa “familiar” encontram a saída para o sufoco: a filha Lindinha (uma menina bonita mesmo) teria de procurar alguém com dinheiro para engravidar e poder tirar dinheiro do incauto. E quem é essa vítima? O garanhão Ivan Carlos (Caco Ciocler). Um homem metido a garanhão, de uma credulidade atroz.  Ele é casado com Luana Piovani.

Lindinha aproxima-se dele após um show, com o suporte técnico de toda a família; faz sexo com ele e a partir daí o imbroglio vai de vento em popa. Mas é uma história tão rasinha, que até irrita.  Há momentos divertidos sobretudo por conta das atuações dos grandes atores presentes, e só.  Ah, sim, a trilha sonora ajuda a divertir tal a bizarrice das letras, das músicas, das performances bailadas. In short: dá para ingolir, é só.  Por incrível que pareça, o que achei mais bacana foi a apresentação da equipe no final (não conto para não estragar um dos melhores momentos da produção).  Pois é, aí a gente assiste a Um Conto Chinês (http://mskeller.blog.terra.com.br/2011/09/05/uma-festa/) que trata igualmente de coisas simples, sem grande fotografia, sem grandes cenários, mas com uma história magnificamente trabalhada e se dá conta de quão mambembes ainda somos nós.  Oooh, dóóóó!

A única coisa positiva mesmo do filme (e não me diga que isso estava nos planos do diretor, que não estava, não) foi pensar que as pessoas retratadas no filme, suas vidas, seus comportamentos, sua visão de mundo, de sociedade, do outro, são os mesmos da grande massa com que cruzo no metrô, que está na indústria de serviços, que está no ônibus a meu lado. O cidadão médio comum é aquilo.  Analisando um pouco mais, não dá para achar graça, só para se perguntar: quem é essa gente? Gente que vejo todos os dias, ignoro, dou por inexistentes, mas que estão ali, são a grande realidade do país.  Voltando para casa, prestei atenção à conversa de dois rapazes (um de 20 e outro de 22 - eles é que se disseram as idades): conhecidos do mesmo bairro, simpáticos, falantes. Nunca ouvi tanto “meo”, “da hora”, tantas frases truncadas às quais só um leitor de mentes poderia dar algum sentido, mas que eles entendiam perfeitamente. E como eles os tantos conhecidos que mencionaram devem ter essa capacidade.  Que coisa, eles são a realidade, eu não!

Mas nem tudo estava perdido: fui ver Conversando com mamãe (http://vejasp.abril.com.br/teatro/conversando-com-mamae) (http://www.estadao.com.br/noticias/arteelazer,conversando-com-mamae-retrata-amor-de-mae-e-filho,767576,0.htm), no Teatro Folha.

O Teatro Folha, como já mencionei, é ruinzinho mesmo.  Desta vez comprei no piso superior/lateral pelo custo.  Nunca havia visto uma peça dali. Só mesmo na primeira fileira ou nas 3 últimas, fora isso, impossível ver todo o palco das laterais superiores. E mais: quem foi o descerebrado que colocou aquelas grades àquela altura e distância?  Elas ficam exatamente no meio da visão da cena, ou seja, ou você tem de ser um anão ou ter mais de 170cm para conseguir não ver o palco cortado ao meio. Faça-me o favor! Não dava para dar um jeito naquele negócio?

Quanto à peça, muito divertida. Beatriz Segall (maravilhosa, as usual) e Herson Capri estão ótimos. A peça esteve pelo RJ e lá fez muito sucesso. Justificadíssimo! É o mesmo texto que deu origem a um filme em 2004 (não vi por aqui, infelizmente).  O texto de Santiago Carlos Oves é delicado, leve, mas emocionante.

Trata-se de uma conversa, aliás várias, entre um filho quarentão que perdeu seu emprego, e uma mãe amorosa, consciente, com humor, inteligente.  O filho tenta resolver seus problemas vendendo o apartamento em que mora a mãe.  Há os conflitos de praxe: sogra x sogra, sogra x nora, nora x sogra.  Jaime, o filho, não conhece seus próprios filhos; seu relacionamento com a mulher vai muito mal; seu futuro financeiro é sombrio. Mesmo com tantos indícios nefastos, a gente ri muito. O timing é perfeito. No entanto, como mencionei em post de 2009 (http://mskeller.blog.terra.com.br/2009/04/12/coelhinho-da-pascoa-que-trazes-pra-mim-um-otimo-domingo-legal/), BSegall tropeça algumas vezes nas falas, nas reações, mas é coisa micromilésima, e que não atrapalha em nada a performance, mas a gente percebe, pelo menos eu notei (sou do contra ou não sou?). Mas é bom lembrar: ela está com 85 anos.  Quisera eu chegar lá com toda essa memória, postura, elegância, beleza, essa maravilhosidade toda…

Uma peça curta (80 minutos), boa para se ver em qualquer dia, a qualquer hora.  Ah, e prepare-se para as emoções finais. Lindas, lindas, lindas!

24

de
setembro

Quantidade também pode ser qualidade

Nesta semana, fui ver mais um Ensaio Aberto na Sala S. Paulo. Esses espetáculos são tudo de bom. A gente vê a orquestra praticamente pronta, de um ângulo interessante (do Coro), a um preço ótimo (R$ 10/inteira).  O ensaio, em geral, leva umas 2 horas mais ou menos. Se há convidados, eles estão ali fazendo o que farão no concerto “de verdade”.  Nesta semana fui ver Kristjan Järvi (http://www.kristjanjarvi.com/), regente, e Yuja Wang ao piano, interpretando Leonard BERNSTEIN - On The Town: Três Danças, Sergei PROKOFIEV - Concerto nº 3 para Piano em Dó maior, Op.26 (a pianista só participou desta),  Sergei RACHMANINOV - Danças sinfônicas, Op.45.

O maestro, que vive nos EUA, é modernoso em sua postura.  É dado como “novidadeiro”.  É carismático, foi simpático com a orquestra, fez suas críticas e correções.  Tem uma postura corporal interessante. A pianista é bem low profile.  Entrou quietinha, tocou sua parte e foi embora sem mais.

No intervalo um café gostoso no meio dos músicos que também são gente, oras!, e precisam de um café, uma água, de um respiro.

A OSESP sempre vale a pena, principalmente nessas condições de preços módicos. O ambiente é ótimo, só que tem gente que vai para esses ensaios e não tem noção de onde está. Conversam, comentam, e em voz alta. É brinca?  Só olhando feio…e olhe lá. Popularizar também tem seu lado ruim.

O próximo grande ensaio será no dia 13/10, com Maria João (pianista).  Tentei comprar, mas já estava esgotado, afinal os lugares no Coro são poucos.  Fica para outra.

Aproveitando a proximidade, fui à Estação Pinacoteca. Primeiramente, almoço no Flor. Gostosinho, barato, i.e., custo x benefício ok, além de ficar num espaço amplo, arejado, tranquilo. Depois passada na lojinha, modesta, mas com umas coisas bacanas. Soube ali que o Paulo von Poser, (http://pt-br.facebook.com/pages/Paulo-von-Poser/119873548300), que tem obras bacanas, doa desenhos para a Pinacoteca produzir itens como lápis, cadernos, etc. Bacana, né?

Na Estação vi de novo a mostra da Fundação Nemirovsky (http://mskeller.blog.terra.com.br/2011/07/02/ready-steady-go-o-final/) (http://www.pinacoteca.org.br/pinacoteca/default.aspx?c=exposicoes&idexp=539&mn=100). Acho que não vou me cansar nunca de vê-la.  Aliás, só nesse dia uma amiga chamou-me a atenção para o fato (que está em letras garrafais) de que a casa (maravilhosésima) da família foi demolida em 2005.  Que coisa!  Não vi passeata, protestos, nada…Um dia passo na R. Guadelupe 778 para ver o que está por ali agora.

Também vi uma exposição de fotos: http://www.pinacoteca.org.br/pinacoteca/default.aspx?c=exposicoes&idexp=562&mn=100. Gostei de uma coisa ou outra, mas não sou bom termômetro para avaliar mostras de fotos, já que não sou fãzona da mídia.

Voltei à mostra do Memorial da Resistência ali mesmo. Explorei um pouco mais as mídias disponíveis, vi coisas de que não lembrava. E no espaço do Memorial, a grande surpresa: Arpilleras da resistência política chilena (http://www.pinacoteca.org.br/pinacoteca/default.aspx?c=exposicoes&idexp=560&mn=100). Então…você já tinha ouvido falar disso? Eu não.

Uma exposição linda, emocionante.  Segundo folder “a arpillera é uma técnica têxtil que possui raízes numa antiga tradição popular. Foi iniciada por um grupo de bordadeiras de Isla Negra, localizada no litoral central chileno.” E foi uma arma poderosa, reconhecida mundialmente, na luta contra a ditadura chilena. Os painéis são lindos, lindos! Contam tragédias e alegrias de um jeito único. Há até uma animação feita com base nas telas.  Fiquei boquiaberta, encantada! Só vendo ali de pertinho para ter a dimensão do que esse trabalho representou/representa. Há peças de várias partes do mundo. Gente que viu no trabalho das bordadeiras seu verdadeiro valor. Vale muito conhecer, ou ver/rever.

E para arrematar: Eu te amo mesmo assim, no repaginado Teatro Itália (http://teatroitalia.com.br/). Mas antes, claaroo, uma passadinha no Dona Onça que, não me perguntem por que, ainda não tem sua página…em tempos tão internéticos e considerando a qualidade da casa não dá para entender. De todo jeito, a casa é ótima. Experimentei um dos pratos novos, ótimo para a noite em vias de esfriar: capeletti num brodo de funghi neri e musse de morango. Ambos deliciosos. A coisa não é barata: pratos (sem couvert), água, serviço, quase R$ 75.  Mas a comida e o lugar compensam, eu acho, uma visita de vez em quando.

O espetáculo Eu te amo mesmo assim (http://vejasp.abril.com.br/teatro/eu-te-amo-mesmo-assim) foi recomendado por um amigo. Como confio no taco dele, fui. Ainda bem, senão teria perdido um musical de altíssima qualidade. Nenhum cenário, sem troca de figurino, dois atores no palco (Laila Garin - voz maravilhosa, ótimas interpretações de músicas e texto; Osvaldo Mil - voz não tão maravilhosa, mas muito boa, interpretações idem, carismático), Banda Podre (hein?), linda iluminação. Não precisou mais que isso para conquistar a plateia. Quem diria: textos de A arte de amar de Ovídio (isso, ele mesmo, 43AC-17DC) com poucas adaptações, intercalados por músicas muito bem escolhidas e interpretadas.  Uma hora e meia aproximadamente de um espetáculo delicioso.

O teatro recebeu uma ajeitada, o café é bacaninha e com bom atendimento. Faltou mexer nas poltronas que são vetustas, mas ainda assim não desconfortáveis de todo. No mais, atendimento cortês, bom preço, palco bacana, banheiro limpo, mas antiquésimo.

Interessante a escolha do texto. Coincidentemente, li A Arte de Amar há 3 anos quase que exatamente (http://mskeller.blog.terra.com.br/2008/10/29/o-que-e-o-que-e-ou-melhor-quem-e-quem-e/) e, à época, surpreendi-me com as certezas, modernidade, coragem do autor milenário. Tudo que está por todas as revistas femininas, livros que tratam de relacionamento homem x mulher, auto-ajuda na área tem um pézinho em Ovídio.  Vale ler o livro que, além de tudo, é bem humorado.

Se puder, veja o musical que fica até meados de outubro por aqui. Pertinho do metrô, local de fácil acesso.

21

de
setembro

De mentiras…

Coincidência daquelas!  Uma ópera e dois filmes que tratam sobretudo de mentiras, de engodos, e que mostram que é difícil esse negócio dar certo.

1) Rigoletto (http://en.wikipedia.org/wiki/Rigoletto)

Mais um espetáculo no repaginado Municipal (http://www.prefeitura.sp.gov.br/cidade/secretarias/cultura/teatromunicipal/programacao/index.php?p=5813). Quando comprei os ingressos, lá em julho, já não tinham os lugares de que gosto. Tudo bem, comprei uns próximos, muito bons.  Aí a gente chega ao teatro (cheguei umas 20h15 e o espetáculo começava às 21h) e tem montes de cambistas vendendo ingressos. Claro que isso é possível porque os ingressos, felizmente!, são vendidos pela internet também, então vários cpf’s podem comprar vários ingressos. Também podem ter feito fila quando as vendas foram abertas. O que prova uma coisa: in cambistas we trust. Acho que é a única instituição em que se pode confiar sempre. Eles vão estar lá, de um jeito ou de outro.

A ópera foi apresentada pela primeira vez no Municipal.  A direção de Felipe Hirsch e a cenografia de Felipe Tassara e Daniela Thomas fizeram toda a diferença. Na verdade tudo um primor: figurinos, iluminação, direção musical, regência do coro, i.e., nenhum senão.

Havia dois elencos. Vi a ópera com o “segundo” time. Segundo, porque consta em segundo lugar no programa, mas de primeiríssima qualidade. O Rigoletto de Rodolfo Giugliani, a Gilda de Lina Mendes, comoveram. O Duque de Marcos Paulo deu uma raaaiiivaaa! Enfim, todos estiveram ótimos. O Coro foi brilhante.

O palco vestiu-se com um cenário moderno, leve, bonito. Até um “laguinho”, com água de verdade, montaram para as cenas finais, também emocionantes.

Bacana demais! Ah, e o programa distribuído graciosamente pelo Municipal a todos é da melhor qualidade. Além de contar a história do municipal, traz a história da ópera representada, informações completas sobre todos os cantores, maestros, diretor, etc., o programa do espetáculo em si. Tudo com uma qualidade gráfica admirável. Parabéns ao Municipal!

Antes do espetáculo tomei um capuccino na cafeteria do teatro (tenho de almoçar lá para ver como é o restaurante). Apesar do sistema complicadinho, como já comentei, i.e.: em um balcão pedem-se, pagam-se e recebem-se as bebidas e em outro os “comes”, o atendimento é muito cortês, rápido. Os preços são os de mercado.

Uma verdadeira noite de gala!

O Felipe Hirsch e a qualidade do time da ópera fazem a gente pensar que estamos no primeiro mundo, aí, a caminho do ponto de ônibus, passo pela Barão, imunda, com o calçamento todo arrebentado, com cheirinho de xixi. Não há ilusão que dure desse jeito…

2) Uma Doce Mentira (http://www.imdb.com/title/tt1529569/)

Por que, por que, por que De vrais mensonges - Mentiras verdadeiras virou Uma doce mentira? Mistééériooo…

A atriz principal é Audrey Tautou, a eterna Amélie Poulain. Claro que já a vi em ouros filmes (Código Da Vinci, vocês se lembram?), mas ela sempre será Amélie.  E neste filme não é diferente.  Émilie, sua personagem, tem resquícios inquestionáveis de Amélie. A impressão que me dá é que ou a atriz não consegue ou não quer se desvincular da antiga personagem. Vai saber… De qualquer maneira, ela está muito bem no papel. A surpresa fica por conta dos dois secundários: Nathalie Baye, mãe de Émilie, e Sami Bouajila, o enamorado.  Os terceiros também são ótimos: a sócia de Émilie, a recepcionista do salão de cabeleireiros também arrasam.

A trilha sonora e a fotografia são muito bacanas.

A história é bem levinha, divertida, mas bem bolada: para ajudar a mãe a sair do fundo do poço, depois de se separar do marido, Émilie usa uma carta anônima apaixonada que recebera de Jean (Bouajila) e engana a mãe.  Esta pensa que a carta era para ela e, claro, quer mais. Aí a coisa degringola. De engano em engano, algumas rusgas, muita risada, e, apesar de ameaçado, um final feliz, comme il faut! Delícia de filme para qualquer hora.

3)  180 Graus (http://180grausofilme.com.br/)

Este filme foi uma loteria: fui assisti-lo pensando que ia ver outro. Li as sinopses e acabei fazendo uma confa.  Mas ainda bem, viu?  O filme é muito bom!  Não só tive a oportunidade de ver o maravilhoso Eduardo Moscovis, como também um filme muito bom.  Três atores principals (Moscovis, Malu Galli e Felipe Abib) dão mais que conta do recado. Só acho que a diferença está mesmo na direção de Eduardo Vaisman e no roteiro de Cláudia Mattos.  Um filme de produção aparentemente modesta, mas de excelente qualidade. Na mão de Hollywood viraria Oscar.

A fotografia é muito bonita, cenários bacanas - mesmo os ambientes fechados são muito bem tratados e aproveitados-, a trilha de Fernando Moura também é linda, linda.

Conclusão: foi ótimo ter visto este filme nacional. Sempre fico um tanto desconfiada com as produções locais. Claro que há aquelas excelentes, mas o resultado ainda é muito irregular, então se tem cada surpresa desagradável…mas não foi o caso de 180 Graus.

É a história de 3 jornalistas que criam uma certa amizade. Moscovis rompe com Malu, que acaba se relacionando com Felipe. Bernardo (Felipe) escreve um livro a partir de uma caderneta que chega a ele involuntariamente, um bestseller, e a partir daí o imbroglio entre Bernardo, Russel (Moscovis) e Anna (Malu) vai num crescendo.  O vaivém da história das três personagens dá um ritmo ótimo ao filme.  A história nem é tão rocambolesca se a gente pensar um pouquinho, mas pelos desencontros acaba se transformando num quase thriller.  Apesar do ritmo um tanto lento, eu diria que é um bom filme e vale ser visto.

5

de
setembro

Uma festa!

Foi assim, num domingo ensolarado, várias escolhas acertadas.

Primeiramente, fui ver um concerto no SESI da Paulista. Eles promovem o Música em Cena (http://www.sesisp.org.br/home/2006/centrocultural/programacao.asp) aos domingos, 12h, gratuitamente. Só uma observação: apesar de o site do Centro Cultural do SESI ser muito bom, sempre cuidado, deve ter dado um tilt. Inexplicavelmente ainda consta a programação de agosto! Bobeada federal!  Enfim, nos próximos domingos vão estar por lá: 11/9 -Trio Canzona (música barroca - programa parece fantástico); 18/9 - Los Impossibles (música barroca - não conheço as peças, mas deve ser bom); 25/9 -Quinteto brasileiro de sopros com Haydn, Piazzola, Tchaikovsky, etc. É preciso chegar uma meia horinha antes para retirar o ingresso. Neste domingo, o teatro tinha 2/3 de lotação.

Apresentou-se o Voz Ativa Madrigal. Um grupo erudito, mas que resolveu cantar spirituals, jazz, como Amazing Grace, Down by the riverside, Elijah rock (lindo), Ride the chariot, etc. Foram 16 músicas lindíssimas e um bis. As vozes são lindas. Engraçado, sempre achei voz feminina o máximo se comparada às masculinas num coro, coral, mas no caso de spirituals o Baixo é imbatível.  O Edison de Matos esteve fantástico. Claro que as sopranos, contraltos, tenores, estavam ótimos, mas o baixo fez a diferença.

Aprendi que os negros americanos combinavam fugas ou golpes em seus senhores, algozes cantando seus spirituals. Heaven não era o céu propriamente, mas o lugar alto onde ficava o quilombo que promovia os resgates, as fugas.  Quando o rio fazia parte de uma música, podia ser uma simples referência a água boa, fresca, limpa ou um conselho: fuga pelo rio é melhor, assim as pegadas somem.  Os negros foram catequizados, mas mantiveram suas raízes musicais, adaptando-as para poderem continuar a apreciá-las e cantã-las sem problemas. Bacana, né?

O show levou pouco mais de uma hora. Então, time for a bite.  Resolvi comer alguma coisa no Pain de France, dentro do Reserva Cultural.  A coisa estava uma bagunça total. Acho que faltaram funcionários. Os que estavam por ali se desdobravam.  Bem, pedi um quiche de queijo de cabra, uma água, um café e uma chou au chocolat pequena. Total R$ 17.  Depois de comer meu lanchinho, fui comprar minha entrada. A barafunda de quando eu havia chegado, continuava. Acho que faltaram funcionários no caixa do cinema também.

Depois de amargar uma certa fila, comprei meu ingresso para ver  Um Conto Chinês (http://www.imdb.com/title/tt1705786/), com meu ídolo: Darín. Já mencionei aqui, várias vezes, que adoro o ator argentino (http://mskeller.blog.terra.com.br/?s=dar%C3%ADn). O filme é ótimo. Divertido, mas comovente.  No final dá até para verter uma lagriminha.  Se tiverem voglia, leiam esta entrevista com o ator, sobre o filme: http://blogs.estadao.com.br/ariel-palacios/tag/un-cuento-chino/.

O filme trata de um ermitão que vive em Buenos Aires. Um homem pra lá de amargo, mas de repente cai um chinês na sua cabeça, ou quase. Roberto, a personagem de Darín, tem bons companheiros no chinês, que não fala uma palavra de espanhol do começo ao fim do filme,  em Muriel Santana, que faz uma Mari encantadora, e nas outras personagens menores que agregam o tempo todo. Muita, mas muita risada mesmo, e uma pintura humana como poucas. A história é boa e a mão do diretor melhor ainda.  E não tem fotografia bacana (muito se passa nas ruas mais simples de B. Aires e na casa simples de Roberto), mas tem uma música bacana.  Darín é fantástico, e prova isso em dramas e comédias, sem nunca deixar de ser fiel a si. Seu talento está lá o tempo todo.

Se puder vá ver em qualquer dia, a qualquer hora.  Não há como não gostar, nem que seja um pouquinho. Mesmo que você não aprecie os hermanos, o que não é meu caso.

E last, but not least: teatro com minha prima. Fomos ao Raul Cortez, da Fecomércio, para ver A Escola do Escândalo (http://www.fecomercio.com.br/?option=com_institucional&view=interna&Itemid=28), uma adaptação da peça de Richard B. Sheridan. Adaptação e direção de de Caco Antibes, ou Miguel Falabella.  Até gostei do ator em cena na Globo, nos tempos do Cala a boca, Magda, mas foi só. Nunca gostei, simpatizei, etc., mas não posso dizer que a adaptação esteja ruim. Está até que boazinha. A peça é de 1777 e conta com zilhões de globais.  O custo: R$ 80/inteira. Então…por muito, mas muito menos, eu vi peças iguais ou bem melhores no SESI, SESC, e sem globais em cena. Na verdade, para mim eles são um fator mais para o negativo que o positivo.

No caso, o esforço deles é patente, tentam acertar mesmo, mas um teatro com apenas 2/3 de lotação mostra que não tiveram sucesso total.  O figurino é muito bonito, requintado, de bom gosto. O cenário também é bem bolado e de bom gosto. Vai até 18/9, mas eu não indico, não.

Ah, antes da peça resolvi tomar um cafezinho e comer um docinho no café do teatro. Uma média e um bownie = R$11, ou seja caríssimo se comparado com o que consumi no Pain de France.

Depois da peça, fomos fazer uma boquinha na Galeria dos Pães. Quase 21h, domingo, e lotadaça. Ficamos na parte de baixo, comi um sanduba, um suco e fiz um arrastão em pães para levar para casa e congelar.  Estava gostoso, mas o lugar estava bem tumultuado. O serviço é mínimamente atencioso. As caixas da Galeria são mal-encaradas demais (sempre que vou lá, vejo isso e sempre me surpreendo. Why?).  Mas ainda assim, a Galeria é sempre um bom lugar para fazer uma boquinha.

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