Escrever para viver!

Tudo que der na telha e que eu achar que vale a pena

14

de
junho

Mais um texto de Elessandra Paula


Sou escritor de histórias

Sou escritor de memórias

Sou escritor de passagens

Sou escritor de vantagens

Mas não falo de mim

Falo dos outros

Vivo daqueles que tem mais do que eu

Viram mais do que eu

Eu vivo pelos olhos dos outros

Falo pela boca dos outros

Respiro o ar dos outros

Sou eu pelo eu dos outros

Não sou eu, enfim

Sou o mundo

29

de
maio

Texto by Elessandra Paula

Transgressor de sentimentos. Quase assim um fora da lei.

Era assim que ele se sentia. O anjo que sempre escorregava das nuvens e caía aqui na terra em meio a nós, mundanos, e que sempre parava para bater um papo antes de voltar a ter com seus afazeres lá no céu, pois de nós gostava muito – dizia, não sem antes limpar a boca suja de café na manga da angelical batina branca.

Voltando ao seu posto, pensava:

Talvez eu sorria hoje, mas somente depois de secar estas lágrimas aqui, ó. Estas que não param de cair e encharcar os meus amigos lá embaixo. O pior é que toda vez que sorrio por muito tempo, reclamam com meu chefe querendo que eu chore de novo. Vai entender, né?

Mas talvez amanhã chova. Faça aquele arco-íris bonito. O céu estrelado e a lua tímida por detrás das nuvens, mas deixando aparente seu sorriso amarelo.

Amarelo de estrelas. De coisas que não entendemos.

Dormirei feliz assim. Deixarei meu turno com tudo na mais perfeita ordem para o próximo.

E aquele que chegue que faça cumprir os seus deveres.

Que deixe a casa em ordem.

Que faça do céu azul. Claro pela manhã e escuro à noite.

Que permeie o dia com o humor dos deuses e dos humanos.

Que permita ao sol que clareie o dia e que traga a noite. Que faça do dia o prolongamento da noite e da noite o sossego do dia.

Pois amanhã estarei aqui novamente, depois da minha folga.

Pois sou empregado dos deuses. Sou destinatário e mensageiro dos humanos. Sou mero componente da natureza.

E sou só partícula ínfima do universo.

10

de
novembro

Para que querer reinventar a roda?

Eu ia começar a escrever sobre as várias exposições que vi ontem (MASP, Itaú Cultural) quando li o blog Iracenna (http://www.iracenna.blogspot.com/?zx=f1ae1cf473907a89) que acompanho (está há muito tempo entre os links do blog - ali do lado direito da tela).  Seu autor, Fabrício, além de postar coisas bem interessantes, textos informativos, críticos, e até algumas crônicas/contos, fotografa muito bem. As fotos que acompanham os textos são primorosas.

Li os textos sobre Quem tem medo de Curupira?, peça sobre a qual já tinha escrito (http://mskeller.blog.terra.com.br/2010/11/07/e-nao-e-que-o-curupira-quase-encontra-a-pororoca/), sobre algumas exposições que visitei (http://mskeller.blog.terra.com.br/2010/11/08/tudo-do-mesmo-muito-diferente/), além das mencionadas acima, e cheguei à conclusão de que está tudo tão bem escrito, aliás como eu gostaria de ter escrito, que não há função em tentar criar outro texto. Já incluí textos de outros amigos (estão todos no tag ou categoria: generosidade de amigos) aqui no blog, e valem muito a pena conhecer também.

E um dos meus “mottoes” é justamente esse: para quê tentar reinventar a roda? Melhor focar em melhorar, agregar ao que já existe. Leiam os textos do Iracenna. Vocês vão gostar, eu tenho certeza!

Mas tem uma coisa que não está lá no blog do Fabrício. Ah,ah! Minha aula-almoço de ontem.

Então vamos lá:como já mencionei (http://mskeller.blog.terra.com.br/2010/10/17/conto-primeiro-a-parte-boa-ou-a-meio-ruim/), fiz uma espécie de “investimento” nos cupons de desconto que pipocam pela net. Ontem fui aproveitar um cupom que dava direito a uma aula-almoço no Atelier Gourmand (http://www.ateliergourmand.com.br/br/receitas.aspx?ukeyReceita=5286). A empresa em que eu trabalhava havia feito uma atividade lá, mas eu estava em férias e não pude comparecer. Os comentários foram positivos, então resolvi apostar. Realmente têm uma estrutura para cursos bem interessante. Espelho no teto, para não se perder nenhum detalhe do que está sendo feito, vários fogões, fornos, muito instrumento/equipamento, auxiliares de cozinha, espaço amplo, mas muito aconchegante, limpo. Ontem só havia 3 alunas-comensais para a aula, o que foi ótimo pois, além de saborearmos uma refeição muito bem preparada, todas as dúvidas foram sanadas, detalhes puderam ser bem observados.  Foi uma delícia de aula e de almoço. O Marcelo, chef que nos deu a aula, é muito articulado, simpático, e daquelas pessoas que valorizam tudo o que faz mas sem complicar. Ele sabe, então é fácil para ele, e a se a gente se esforçar (muuitooo) e tiver algum talento consegue chegar perto. Mas só perto…

Foi um cardápio bem brasileiro: salada de batatinha e folhas verdes com aioli, picadinho com arroz caipira, ovo frito, banana empanada e farofa crocante. Vinho, água, refri para acompanhar. E finalmente: trio de brigadeiros.  Tudo muito bem explicado, e alguns acompanhamentos bastante fáceis de fazer. Mas não se enganem, pois como dizia minha mãe, que fazia coisas deliciosas, “não pode ter pressa na cozinha”.  O picadinho tem seu tempo, o arroz tem seu tempo, o molho de tomate também, e por aí vai. Foi uma refeição bem gostosa, com a simpatia de nosso professor e de minhas duas acompanhantes.  Relaxante! demais! Além de ótimas dicas para tornar a vida mais fácil e os pratos saborosos e bonitos.

Esta é a receita do aioli, um molho muito fácil e saboroso. Já havia provado em algum restaurante, mas agora dá para fazer em casa. Adapte a seu gosto. Vale a pena:

3 dentes de alho inteiros / 240ml de leite temp ambiente / 700 ml óleo girassol / 3g de sal

Corte o alho em pedaços pequenos, coloque no liquidificador com o leite / bata bem / junte o óleo em fio com o liquidificador ligado / quando o óleo terminar, fica como uma maionese / tempere com sal. Melhor se feito no dia de servir (acompanha saladas e alimentos mais neutros - na verdade, imagino que fique gostoso com muita coisa. Um exemplo dado pelo chef: cenoura, pepino, erva-doce, etc., cortados em tiras, crus, para servir como entradinha).

Aula e almoço aprovadíssimos!

27

de
julho

Aloísio (Elessandra Paula)

- Estou cheio de mastigar vidro.

- Como assim?

- Isso. Mastigar vidro. Não enxergo o que tenho em minha frente e acabo mastigando vidro. E o pior, só percebo depois que engulo.

Este é a penitência de Aloísio. Sujeito rebelde, nervoso, que vivia nos confins do Judas. Nunca soube segurar sua revolta e sua indignação perante o mundo. Com ele era tudo resolvido na bala.

No tiro seco. No pé d’ ouvido. Dialogar não era com ele. Não gostava sequer de dizer palavra. Uns dizem que ouvia demais. Que muitos sofreram pela sua mão o que sequer expressaram pela boca.

Mas a vida é assim. Nem sempre quem ouve escuta, nem sempre quem fala diz alguma coisa. Mas o pior, o pior mesmo, é escutar o que não foi dito.

E Aloísio vivia assim. Sem nervos. Sua intolerância era tão grande, mas tão grande, que nem o próprio som de seu respiro ele suportava.

Vivia às turras com sons, com vozes, com tudo que se mexesse. Não era infeliz. Isso, não. Vivia bem, dizia aos dois seres esquisitos com o qual se dignava a dirigir palavra.

Olhava para os lados, apertava as pálpebras, respirava fundo (se irritava com o som, é claro), e mirava todos à sua volta, olho no olho. Ninguém em sã consciência sustentava essas encaradas, até que um dia alguém se atreveu a olhá-lo de frente, de lado, de tudo quanto é jeito. Foi aí que surgiu uma incrível discussão sem palavras.

Quem inventou a frase “olho no olho”, nem sequer imaginou como as coisas podiam se seguir desta maneira. Era um verdadeiro desafio. Aloísio se sentira invadido. Como que engolido por um não sei que, vindo de não sei onde. Pela primeira vez na vida Aloísio se sentiu gente. Mas não arredou pé, ou melhor, olho. Continuo fitando a estranha figura até que decidiu se aproximar.

E ficou surpreso ao notar que desta outra boca não saía som. Que seu respirar era leve, silencioso. Deixou cair o olhar por uma fração de segundo e ao voltar os olhos sentiu um frio na espinha. Tentou falar. Passou a mão nos bolsos, mas não encontrava arma alguma. De repente, sentiu-se despido. Desprovido de sua confiança e de sua alteza.

Foi quando do nada, sentiu um dedo em seus lábios. Fechou os olhos por segundos e ao abri-los não mais via ali a personificação daquilo que mais o havia apavorado em toda sua vida. Pavor, adoração, já não mais sabia.

Aloísio perdera-se. Confuso, aturdido, não soube o que recém lhe acontecera.

Sentiu que pela primeira vez havia encontrado alguém por quem se identificara. Sentiu-se menos rebelde, menos revoltado.

- Neste mundo que é só meu pode ser que caiba mais alguém – pensava

Foi quando decidiu ter com o seu amigo (se é que podemos chamá-lo assim) no bar da esquina. Sentou-se, nem precisou chamar ninguém, e lá veio o prato que comia todos os dias.

Na primeira garfada sentiu um trincar na boca, mas pouco se importou. Foi ao engolir que viu que algo estava errado. A comida lhe raspava a garganta, como se cortasse seu esôfago e chegasse em cacos ao estômago.

Pensou haver engolido uma pequena pedra ou algo parecido e deu uma olhada fulminante na direção do dono do bar.

Mais uma garfada e a mesma sensação. Deixou os talheres no prato e tomou um grande gole d’água. Foi a mesma coisa. A partir deste dia, Aloísio mal se alimentava, lembrava continuamente do momento anterior ao fatídico almoço, de quando tudo para ele havia virado vidro.

Aloísio não era um sujeito perspicaz. Nada nele se assemelhava a inteligência, astúcia ou sagacidade. Era um sujeito simples e bruto. Contudo, fora suficientemente atento de se lembrar do leve toque em seus lábios e dos distantes olhos que o fitaram.

Passou a acreditar que fora enfeitiçado.

Mas nada, nem ninguém nesse mundo pode dizer que o que Aloísio vira fora verdade. Ninguém assistiu a cena. Nada foi revelado a ninguém além do próprio Aloísio.

Nossa imaginação possui asas, é verdade. E talvez tenha sido este o fim de Aloísio.

O homem que não suportava ouvir tornara-se um torturador de si mesmo.

Não, esta estória não tem um final feliz, nem um final infeliz. Não possui moral, não possui fadas, feiticeiras, mandingas, nem lições éticas.

Palavras machucam, é verdade. Seja quando ditas, seja quando ouvidas, seja, principalmente, quando presas lá no fundo da garganta, no fundo da alma.

Ao nosso Aloísio, pouco podemos oferecer. Em pouco podemos correr a seu socorro. Pois pior que mastigar e engolir vidro, é dizer a alguém que o que se sente seja somente arte de sua imaginação.

20

de
novembro

Gramática - Elessandra Paula

Gramática

Cansei de amar, escrevia o poeta

Enfadado e triste, entre uma palavra e outra repensava o que recém havia escrito

Mais que enfadado, mais que triste, pensava no amar verbo, no amar transitivo

No alguém depois do verbo

E sentira enfim, que amar era um absurdo da gramática

Que qual análise sintática mais simplista poderia separar sujeito de objeto. Meu Deus, objeto!

Amar requeria dois sujeitos

E se revoltava com a estrutura rígida da língua. Quem ama, ama alguém ou alguma coisa. Mas que coisa é essa, se perguntava?

E se propunha, ele mesmo, a reinventar o verbo amar. A reinventar a análise sintática. A reinventar o próprio sujeito.

Era o poeta, enfim, subordinado a si próprio.

////////////////////////////

nota: eu já estava com saudade dos textos da Elê. Obrigada pela generosidade tão pouco comum.

28

de
agosto

O Poeta Suicida - Elessandra Paula

Homero era poeta. Desde criança. Desde pequenino.

Homero não chorava de fome, declamava sua insatisfação à sua mãe.

Homero não via as coisas como as pessoas comuns. Enxergava nelas algo além do que qualquer um poderia ver.

Homero dizia para os amigos que não era poeta. Sentia-se poeta. Não escrevia sobre o que sentia, mas sentia o que escrevia.

Era amante do romantismo, do simbolismo. De rimar dor com amor. Emoção com coração.

Mas hoje, havia se deixado consumir pelo realismo. Não aquele machadiano, belo, inteligente, sarcástico, detalhista, impecável, mas aquele das revistas semanais, aquele da leitura fácil, do folhetim, inverossímil sem ser fantástico.

Escrevia sobre fast food, fast track, fast shopping, fast reading, fast work, fast life, fast living.

Não mais sentia o que escrevia, apenas o fazia. “Ossos do ofício”, pensava.

E a cada dia, menos do poeta e mais do Homero transparecia. Até que um dia, deixou de existir o poeta.

Homero o havia matado. Estrangulado com as duas mãos e a força de um teclado, não do bico da pena.

Repousava esquecido ao lado da cama seu velho caderno de notas, longe de tudo o que o havia levado a matar o poeta. Muito longe, inclusive, de suas mãos nuas.

Foi quando Homero lembrou-se um dia de que ainda deixara seu velho caderno na cabeceira da cama. Caneta presa no arame. Tomou-o. Começou a escrever. Escreveu como há muito não o fazia. Mas não rimava mais dor com amor, não escrevia nada que sequer lembrasse emoção.

Foi jornalisticamente sucinto. Claro e contundente como jamais fora. Analiticamente perfeito.

Sentiu-se feliz, apesar de sua mão doer tanto (perdera o costume de escrever, pois não usava mais a tinta em seus escritos).

E concluiu, com um misto de alegria, arrependimento e tristeza: “durante anos viveu em mim um poeta e sem cerimônias, descuidado da vida e da morte, o matei. O poeta deixou seus escritos, seus ensaios e contos, que junto a ele agora os enterro”.

Para Homero, o poeta havia morrido. De morte morrida, sabe? Aquela inexorável e que, mais dia menos dia, chega para qualquer um.

Mas ainda hoje, quando se deita e lembra-se do velho caderno, que não mais está ao lado da cama, reflete consigo mesmo sobre a causa mortis do poeta. O poeta havia deixado de lado a vida, não mais se importava, não mais a sentia. Haveria sido mesmo aquela morte a morte morrida que Homero tanto dizia a si mesmo? Quem haveria desistido de quem?

Afinal, o que dizer quando de uma vida vai-se o poeta e fica apenas o homem?

16

de
junho

Mosaico - Elessandra Paula

Elizete voltava para casa após um dia extenuante de trabalho. Suas costas doíam, seus braços doíam, suas pernas doíam. Todo aquele cansaço levou-a ao sono profundo.

Cabeça batendo contra o vidro do ônibus lotado. Sonhos. Sonhos que lá no fundo eram um resumo de sua vida. Restos. Sim, Elizete vivia de restos, das sobras do mundo. Ora de roupas, ora de comida, ora de carinho, ora de vida.

Foi acordada no ponto final pelo cobrador. Havia perdido seu ponto.

Não procurou uma desculpa. Passou a mão nos olhos, borrou ainda mais a maquiagem que já se esvaía. Abraçada à sua bolsa, desceu, atravessou a rua e esperou por um outro ônibus. Um que pudesse levá-la em casa.

Desta vez sonhava acordada. Pensava naquilo que havia visto em seu sonho. Olhou para o céu, olhou para a calçada, para as pessoas no ponto. Ao seu olhar, todos eram sobras. Vidas que mal começavam e que precisavam remontar-se. Olhares tristes, vidas tristes. Bocejos e conversas nos celulares lembravam-na de que, apesar da visão de miséria, as vidas continuavam. Corriam soltas pelas ruas e pontos de ônibus. E de que sobras eram feitas essas vidas, afinal? Ou seria somente a sua vida, resto entre restos?

Sim, morava num resto de casa, num bairro que era um resto de bairro.

Suspirou profundamente. Mas não se deixou tocar pela epifânia que lhe havia acometido.

Chegou em casa já tarde da noite, como de costume. Beijou os filhos que se amontoavam na cama improvisada no chão. Eram boas crianças. Cuidavam de si. Amparados pela filha mais velha, do alto de seus 7 anos, ficavam em casa, iam à escola, enquanto Elizete madrugava todos os dias. Mas era o mais novo, de apenas 13 meses que mais a comovia.

Chorava todas as manhãs, quando o céu ainda se fazia escuro e corria de encontro ao dia, pois sabia se que sua mãe partia e que não a veria até a madrugada seguinte.

A cada madrugada, um pedaço de Elizete ficava em sua casa. Pedaços que, sabia ela, nunca se recompunham. Uma hora ou outra voltavam a fazer parte de si, mas nunca no mesmo lugar.

Elizete deixava estas sobras de si ao sair de casa, no caminho do trabalho e perdia-se em tristezas e amarguras durante o dia. Pensava em escolhas, em como não as tinha tido. E dos pedaços que faziam de sua vida, uma vida.

Parte mãe, parte empregada, parte mulher, parte que não se encaixava em nenhum contexto.

Mas não era uma mulher comum. A tudo isto se sobrepunha aquela que conseguia recolher as sobras do dia e fazer do dia seguinte mais um dia.

Mais um dia, que de restos em restos lhe trariam o prazer de voltar para casa. A dor de não ter o que gostaria se esvaía ao ver olhos, bocas, braços e pequenas pernas que a faziam sentir-se mais completa, mais inteira.

Foram estes restos de vida, estes restos de desejo e alegria incontida que a fizeram, pela primeira vez em muitos anos, sentir-se mais do que um apanhado de acontecimentos infelizes. Fizeram com que visse sua vida como um mosaico - feito dos retalhos que o mundo resistia a lhe oferecer e que tão cuidadosamente eram colados, pedaço a pedaço, até que seu mundo fosse um só.

Passou a chave na porta, acendeu a luz que vinha da pequena lâmpada pendurada por um fio descascado, olhou por inteiro para os seus pequenos no chão e disse a si mesma: e que vida não é feita de sobras? E que vida não é, em si, um grande mosaico?

24

de
maio

O livro do mal - Keizo

28

de
abril

Foi a Elê que me deu de presente!

À minha amiga querida…

Porque amigos não se fazem

Vêm prontos

Porque amigos não marcam hora

Ao tempo pertencem

Porque amigos não têm confidências

Têm coincidências

Porque amigos não têm dor

Têm momentos

Porque amigos não avisam

Esclarecem

Porque amigos não existem

Persistem

Porque amigos…

Ora bolas, amigos são amigos. Companheiros da alma. Companheiros do medo. Companheiros da ilusão, da desilusão. Do que existe, do que não existe.

São pessoas, são humanos

São preciosos

São raros

E são a racionalidade no mais irracional dos momentos

E são puro sentimento, no mais vil dos acontecimentos.

(Elessandra Paula)

10

de
abril

Só o Z! Elessandra Paula

E lá estavam eles, Zircônio e Zaratustra, pai filósofo e mãe química, o que mais poderiam ser? Felizes eram com suas alcunhas, afinal, ele não era um Zé qualquer (ou alguém imagina José como nome próprio?) e ela não seria uma Zulmira, Zuleica, Zoraide… Eram gêmeos, inseparáveis. Ele, um aspirante a pensador, ela, radicalmente lógica. Duas cabeças, vários pensamentos e um único propósito - descobrir o que era “a” matéria.Ensaiavam uma ida ao Egito, ao Tibete, a Jerusalém, mas os afazeres daqui não lhes permitiam largar a vidinha medíocre que tinham. Idas e vindas, carregavam consigo o desejo do mais, do ir além. Por fim, chegaram à conclusão de que o infinito dava muito trabalho para ser desvendado, de que as comoções humanas eram por demais chatas, de que o homem, enfim, era um bicho mimado, perturbado e preguiçoso. Deram-se por satisfeitos, enfim, em frequentar aulas de culinária.

Posts mais antigos »

Report abuse Close
Am I a spambot? yes definately
http://mskeller.blog.terra.com.br
 
 
 
Thank you Close

Sua denúncia foi enviada.

Em breve estaremos processando seu chamado para tomar as providências necessárias. Esperamos que continue aproveitando o servio e siga participando do Terra Blog.