Escrever para viver!

Tudo que der na telha e que eu achar que vale a pena

20

de
agosto

Gol de placa

Não se animem! Não gosto de futebol. Já gostei um dia, mas faz muito tempo. Depois que o esporte tornou-se essa coisa mercenária, com um monte de gente tresloucada virando ídolo, influenciando (mal muitas vezes) massas, e ganhando zilhões injustificadamente, pendurei as chuteiras.

Maaas…mesmo não tendo mais apreço pelo futebol, não dá para não gostar do Museu do Futebol de S. Paulo, ali no Pacaembu.  Havia visitado o local faz um tempinho (http://www.museudofutebol.org.br/historia/). Gostei muito já daquela vez.  O conceito é ótimo, as informações são passadas de forma amigável (e são muitas!), bem organizadas, a apresentação é bonita, lúdica, eu diria. A interatividade é fantástica!  O museu é bem orientado, i.e., a gente não deixa de visitar nada. É bem mantido, tudo funciona, o que é um milagre por aqui.  O ingresso também é bem razoável: R$ 6 e R$ 3.  A pena é que o acesso não é dos mais fáceis para quem depende de transporte público.  É um museu nota dez, aliás outros museus deveriam tê-lo como modelo.

Um único senão, aliás dois, não, três (eu sou chatinha mesmo): (a) a lojinha tem coisas muito caras (camisas, bolas, chuteiras).  Poderia ter mais itens exclusivos do Museu, com a marca de lá, e de preço mais modesto.  Só tem lápis, caneta, uns chaveiros, estes nem tão baratos assim; (b) o restaurante ocupa uma área privilegiada. Em dia de sol, uma delícia ficar por ali: grande, arejado, iluminado. Só que o local não prima muito pela limpeza. Há um certo desmazelo.  Há pratos e lanches de preço razoável, mas muitos pratos têm o preço de restaurantes muito mais bem montados. O serviço foi bem simpático. Mas o lugar merecia um ambiente mais bem cuidado; (c) na sala em que estão informações, fotos, vídeos de todas as copas (sala ótima, fantástica mesmo!) falta a de 2010 (http://pt.wikipedia.org/wiki/Copa_do_Mundo_FIFA_de_2010). Estamos em meados de 2011!  Não deu para atualizar as informações?

O pessoal do museu também é muito simpático e prestativo.

Ah, e estão com uma exposição temporária: Olhar com outro olhar.  Se o visitante quiser (eu fiz isso e recomendo), ele é vendado e com a ajuda de um monitor faz um percurso com informações em braile, depois uma maquete que a gente tateia é descrita por um narrador para que a gente tente criar a imagem mentalmente (tato + informações orais), e só depois tira a venda. Aí se vai para uma sala escura em que é projetado um filme do futebol de cinco (http://www.cpb.org.br/esportes/modalidades/futebol-de-cinco). O que a gente vê é fantástico!  Só o goleiro enxerga e os jogadores são guiados por uma pessoa atrás do gol adversário, pela bola com guizos, e.g.: para a direita, em frente, junta mais…e por aí vai.  E não é que eles fazem lindos gols?  Olha aí Mano Menezes, quem sabe esse pessoal do futebol de cinco não vai melhor que os “craques” que ganham seu peso em ouro para vestir a camisa da seleção?

O objetivo da exposição é mostrar ao visitante vidente o futebol dos cegos e fazê-lo vivenciar as dificuldades de um deficiente visual que visita uma exposição. Com as informações coletadas, pelo que entendi, a ideia é criar um circuito compatível para portadores de deficiência visual.  Bacana ou não é?

O “espírito” do museu é muito interessante: aberto, simpático, inovador.  Não vai me fazer voltar a gostar de futebol, mas com certeza vai me fazer voltar para outras exposições temporárias.

Detalhes para visitação (atenção! Às quintas é gratuito): http://www.museudofutebol.org.br/historia/visitacao/horarios-e-ingressos.html

E minhas fotos feitas por lá. Estão piores que a média, pois fiz com o celular. Na sexta era Dia do Fotógrafo, então excepcionalmente permitiram fotos sem flash. Infelizmente, eu estava sem minha microcâmera, mas acho que mesmo assim dá para ter uma ideia do lugar. E havia nesse dia também a possibilidade de participar de um concurso, com bons prêmios em $ para a melhor foto. Outra iniciativa bacana.

https://picasaweb.google.com/lh/photo/pRec-j8Lz3U-6ayhtAFBTw?feat=directlink/

(copiar e colar este link)

7

de
agosto

Colocando o blog em dia

Deu preguiça… mas fazer o quê? Todo mundo passa por isso na vida, certo? Mas vamos colocando o blog em dia e rapidinho…

1) Louise Bourgeois e Coleção de Fotos da Telefônica no Tomie Ohtake (http://www.institutotomieohtake.org.br/inicio/teinicio.htm)

Já havia mencionado ter estado no Instituto Tomie Ohtake (http://mskeller.blog.terra.com.br/2011/08/04/andancas-da-semana/) semana passada, mas só falei do restaurante (Santinho).  Obviamente, vi as exposições que estão por ali.  A de fotos da Telefônica tem coisas bem interessantes (Vik Muniz, Helena Almeida, Andreas Gursky, etc.).  Só que foto não é muito a minha. Vejo e até aprecio, mas não sou aqueeeela fã.  De qualquer maneira, vale ver o conjunto exposto no ITO. E lembrando: exposições ali são de graça, o espaço é bacana, tem uma ótima livraria e uma lojinha proibitiva ao “úrtimo”, mas interessante de garimpar.

A outra mostra é das obras de Louise Bourgeois, aquela da aranha do MAM.  Ela faleceu recentemente, teve uma longa vida.  Há obras de que gostei (a top para mim é a que aparece na foto aqui de cima), mas achei tudo escatológico demais para meu gosto, ou ininteligível.  Explico: qual o valor, a não ser o financeiro mesmo por ter sido de uma artista renomada, de retalhos de cartolina com frases comuníssimas escritas com caligrafia claudicante? E a lápis? Podia estar em uma vitrine, mas penduradinho na parede como se fosse obra de arte?  E mesmo assim, para minha mente mediana, pela estética e conteúdo, valorizar isso é um tantinho demais. Enfim…Prepare-se para ver muitas referências eróticas (Da. Louise era fogo ou queria ser e deu um jeito de sublimar seus anseios), materiais bem diversificados, cores, um “aranhão”, e por aí vai.  Apesar de não ter gostado muito do conjunto, acho que vale ver, conhecer. Sempre ajuda a tornar a cabeça da gente mais elástica.

2) 3o. Arq!tour Centro de São Paulo (http://www.arqbacana.com.br/interna.php?id=8709)

Fotos que fiz durante o passeio: http://bit.ly/mUyG1o ou https://picasaweb.google.com/miriamkeller/Tourpredios30072011?authuser=0&feat=directlink.

Tenho feito vários passeios, nos últimos anos, com a Arq!Bacana. O anterior foi este: http://mskeller.blog.terra.com.br/2010/08/22/quase-deprimi/.  Queria há muito fazer o do centro de SP.  Agora deu certo.

Sábado passado, fizemos um passeio a pé (muitos dos integrantes do grupo são arquitetos ou ligados a desenho, design, etc.) pelo centrão. Levou perto de 6 horas. Voltei ao Martinelli (nunca é demais mirar SP dali: http://mskeller.blog.terra.com.br/2011/04/29/matando-vontades/), revi muitos lugares a que já havia estado: Pátio do Colégio, Mosterior de S. Bento, CCBB, etc.  Mas vi o que não enxergava: portais fantásticos, edifícios de sonho ques posso visitar durante a semana, pois hoje abrigam sobretudo bancos ou conjuntos comerciais.  Pude ver a recuperação do Edifíco Guinle, projeto de Hipolyto Pujos, o primeiro arranha-céu de S. Paulo. Pasmem, a Mundial Calçados está bancando a recuperação. Na frente do prédio a proteção é como em NY, por exemplo, traz o desenho do edifício como era originalmente e como deve ficar. Mais, nas sacolas em que os sapatos são embalados, a loja teve o capricho de imprimir a história do edifício e de sua recuperação. Lembrem-se: sapato agora, só Mundial… Vi também o Edifício Ouro para o Bem de S. Paulo, que tem o formato da bandeira paulista, e por aí vai.  Só com o tour mesmo,  pois quem, caminhando pelo centro tão conturbado, e por que não perigoso, da cidade vai ficar de boca aberta olhando para cima para ver essas belezuras? O guia forneceu informações muito interessantes, preciosas. Mesmo já tendo feito tantos tours do gênero pela cidade, sempre há algo a aprender.

Aliás, já de começo: saímos da Praça Antonio Prado, do relógio De Nichile. Vejam a história de algo por que passamos e nem nos damos conta: http://www1.folha.uol.com.br/saopaulo/812482-relogio-de-75-anos-no-centro-e-liberado-da-lei-cidade-limpa-para-sobreviver.shtml.

Da mesmo forma que há empresas como a Mundial, o Magazine Luisa, e outros, que recuperam o espaço, há desleixo absurdo por outras partes (vejam a obra de Di Cavalcanti no Triângulo - depredada absurdamente). Essa irregularidade reflete tão simplesmente a falta de uma política inteligente, laboriosa (o pessoal é preguiçoso mesmo), comprometida de recuperar e/ou manter o patrimônio histórico. Quando temos um prefeito que quer vender quarteirões para poder cumprir promessa de campanha e pavimentar seu caminho político, o que mais podemos esperar da administração que está aí? Ainda mais numa cidade como SP, em que a arrecadação é altíssima, mal utilizada e alimento de corrupção como temos visto em vários casos, mas mais que suficiente para se fazer um bom trabalho. Além o aspecto financeiro, o psicológico é muito importante: a comunidade não trabalha junto com a administração pública, e ela seria o grande motor do bem-estar para a cidade. E por que isso? Porque não confia, não acredita. EU não acredito, infelizmente. Portanto, diante de nossos olhos, o patrimônio histórico da cidade se esvai. A gente fica torcendo para que o empresariado consciente pipoque por aí para retardar esse processo.

Ah, e que desserviço os vários órgãos da Prefeitura instalados em edifícios históricos (e.g. Martinelli e outros à volta). Não só não cuidam como deveriam como impedem o acesso do cidadão. Não podemos visitar a casa onde morou Martinelli,no topo do edifício, porque tal secretária está lá; idem para o jardim do Banespinha; e o mesmo para vários outros prédios pela região. Por que não põem todo esse pessoal junto em algum mastodonte sem graça de que a Prefeitura seja dona (ela o é de montes de prédios) e devolve o que é de valor histórico integralmente para a sociedade?  Sei que vou morrer e não vou ver isso. Uma pena!

No link da Arq!Tour há uma boa descrição de todo o passeio.  Ah, e vejam um vídeo sobre o projeto Bicicloteca (livros para moradores de rua). A pessoa que instituiu o projeto e está no vídeo foi morador de rua também. O homem é superarticulado, inteligente. Ai, eu penso…como pode?  Esse é um daqueles projetos de sonho que a gente torce (e tem de ajudar de alguma maneira) para dar certo. Resgatar a dignidade humana não tem preço!

17

de
julho

Incursões histórica, biológica,gastronômica e religiosa

É, foi uma viagem mesmo. E tudo ali no Ipiranga, tudo pertinho, fácil.

1) Aquário de São Paulo (http://www.aquariodesaopaulo.com.br/index2.html)

Aproveite a estadia de minha amiga dos EUA e fui com ela e o filho ver o aquário. Havia estado lá há um ano e meio (http://mskeller.blog.terra.com.br/2009/12/23/tempos-de-festa-4/). Ele continua bonito, o projeto é impressionante: tanques bem profundos (onde está o peixe-boi, por exemplo, o telhado de vidro por onde passam tubarões, arraias), o cenário, a gama de peixes de regiões do mundo todo, de água doce e salgada.  Até sexta (15/7) a entrada única era R$ 15.  Agora deve voltar ao preço original: R$ 30/inteira e R$ 15/meia - estudantes e seniores.  Vejam que em dezembro de 2009 paguei R$ 20/inteira. Como se justifica um aumento de 50% em menos dois anos? M-i-s-t-é-r-i-o…

Se ainda estivesse muito melhor, mas não.  De novo a palavrinha que me vem à cabeça é aquela que meus pais utilizavam para exigir da gente empenho, boa performance, comprometimento: capricho. Eu não sabia ou entendia plenamente o que queriam dizer com ela. Afinal, a gente tinha de dar (e eu dava mesmo, por perfil, por jeito de ser) o máximo, então capricho era default. Mas agora reconheço o que é de fato, sobretudo pela ausência em quase tudo na terra brasilis. Seguramente isso não faz parte do dna nacional, senão como explicar que, com um preço desses (paguei mais barato no aquário de Dallas), a falta total de monitores, iluminação deficiente, efeitos de iluminação e sonoros que existiam num corredor que imita um submarino desaparecidos, banheiros mais que subdimensionados e de higiene deplorável, falta de informação na maioria dos compartimentos, todas, todas mesmo, as telas de informação/interativas desligadas e pelo jeito há bastante tempo? Em vez de melhorar deixam deteriorar dessa maneira!  E mapa do aquário? Resposta da bilheteria: devido aos feriados e férias acabou.  Claroooo…feriados e férias são uma surpresa, pegam qualquer um desprevenido.  Ninguém controla o estoque dos impressos? Compreensível, é uma atividade rocket science.  Enfim, depois de um ano e meio, com preço inflacionadíssimo, um lugar muito pior em termos de estrutura e manutenção.  Se não houver uma administração competente, de mínima visão, e menos greedy, tenho certeza de que, se voltar lá daqui a uns anos, vou encontrar o negócio em frangalhos, se ainda estiver de portas abertas.

Ah, e não falta público. Lotação enorme.  Muitas famílias, muita criança.  E como o povo da terra gosta de falar alto, gritar, mexer onde não pode, tirar foto com flash quando pedem para não fazer isso, e atropelar, acotovelar.  Acho que a civilidade dessa gente foi dada de comer aos tubarões, às piranhas.  Inenarrável o que presenciei. Houve momentos em que achei que a turba ali presente era mais perigosa que os tubarões e piranhas que desfilavam pelos tanques.

Lembrando daquelas pessoas, vem-me à mente um trechinho de um texto de Lya Luft para a Veja desta semana. “Havia muito eu andava perplexa; agora, começo a sentir aquele profundo desalento do qual falou um político horando, antes de se recolher à vida particular, para pouco depois subitamente morrer.”  O texto refere-se a outro tipo de problema, mas meu desalento sobre no que se transformou o país, sua população, o retrocesso da educação, dos “modos”, da consciência cidadã, é de mesma intensidade. Tenho pena do Brasil de amanhã. O pior é que a recuperação pode demorar séculos, se vier.

Ah, é preciso dizer que o acesso à área onde estão o Museu Paulista, Aquário, etc., é bem fácil. Do metrô Alto do Ipiranga há muitos ônibus (4113) que vão por ali.  Depois é andar pela região, bastante plana, cheia de árvores, com muitas casinhas antigas - a área resiste à aparição de arranha-céus, felizmente.  Um lugar bem gostoso mesmo.

2) Memorial de Santa Paulina (http://www2.ciic.org.br/index.php?option=com_content&task=view&id=16&Itemid=33)

Saindo do aquário, fomos em direção à Nazaré, região do Museu Paulista.  Estávamos procurando um restaurante por ali para comer. Já estávamos azuis de fome.

Quase chegando a um restaurante, passamos em frente de uns jardins lindos, uma edificação muito bonita, bem cuidada, que tinha uma capela de porte.  Como nunca vou para aqueles lados, estávamos por ali mesmo, decidimos ver o que era. Era a capela e memorial de Santa Paulina. isso, a primeira santa brasileira. E eu que nem imaginava!

Uma capela bonita, erigida onde Irmã Paulina estabeleceu-se inicialmente por aqui. Se vocês vissem a estrutura do lugar, a organização! E como fomos bem recebidos! Santa Paulina criou a Congregação das Irmãzinhas da Imaculada Conceição. Estão presentes em 11 países e cuidam de hospitais, abrigos, lar para crianças. Tudo de forma independente e bastante eficiente pelo jeito.  Na parte superior de um dos edifícios há um memorial em que objetos, roupas, documentos contam a história da Santa. De Trento na Itália, a Nova Trento, em SC, e S. Paulo, e depois pelo mundo. A canonização deu-se em 2002.  Um lugar muito interessante, cheio de CAPRICHO, que conta uma linda história de fé, dedicação, luta.  E eu que nem sabia que tínhamos uma santa desde 2002!

A obra de Santa Paulina continua a crescer, a prosperar, pelo bem dos outros.  Isso, sim, é um milagre.

3) Feijão de Corda (http://feijaodecordaipiranga.com.br/)

Bem, depois de duas horas flanando pelo aquário, e quase uma hora pelo memorial, fomos almoçar no restaurante Feijão de Corda, ali na Av. Nazaré. Um lugar grande, quase vazio lá pelas 15h30. Cardápio variado, com pratos menores e maiores (estes servem 3 a 4 pessoas), ótimos preços.  Atendimento simpático, meio perdido como em todo o território nacional, ótima comida. Comemos uma picanha com arroz, feijão de corda, couve, linguiça bem sequinha.   Muito saboroso, uma delícia mesmo. Com couvert, cerveja, água, suco, serviço, café (pulamos a sobremesa, não dava…): R$ 40/pessoa. Não é barato, evidentemente, mas considerando o cenário de custos atual foi um ótimo preço. E olhem que sobrou muito arroz e algum feijão.

4) Museu Paulista (http://www.mp.usp.br/index.html)

Também estive lá há um ano e meio (http://mskeller.blog.terra.com.br/2009/12/23/tempos-de-festa-4/). Continuam valendo todas as observações que fiz à época.  Engraçado o imobilismo que temos por aqui.  É caso de estudo, com certeza. Neste caso pelo menos não piorou.

Deu para visitar 80% do museu, pois chegamos perto de 16h (fecha às 17h) e o espaço é bem grande. Deu para ver muita coisa interessante, importante para nossa história. Aliás, esperava, considerando minha experiência no aquário, encontrar algo mais depauperado que há ano e meio, mas felizmente o lugar estava limpo, ordenado. Ainda sem nada interativo, verdade, sem monitores. Para agendar visitas, só para escolas, e tem de ser feito na primeira semana do mês anterior em que se pretende a visita. É brinca, ou quer mais? É precisão suíça, praticamente!

Ali também grassa a praga nacional: seguranças para todos os lados. O custo disso daria para colocar telas touch para os visitantes de monte. E, seguramente, um sistema de câmera bem projetado resolveria as necessidades do local.

Não chegamos a circular pelos jardins, que são bonitos e estão bem mantidos. No entanto, vê-se de longe mesmo que há muita sujeira. As fontes não estavam funcionando e percebia-se muita sujeira nos tanques de água. Um negócio nojento mesmo. Acho que a saúde pública deveria verificar aquilo, pois deve representar até risco para a população.  Francamente, dá a impressão de que as fontes não funcionam mesmo. Uma pena, diante do que se gastou na reforma do museu, dos jardins, e tudo por falta de CAPRICHO.

Houve até um evento hilariante: eu estava mascando um chiclete, pós-almoço. Em dado momento queria desfazer-me dele. Peguei um lenço de papel e o depositei ali.  Andei 40 minutos com aquilo na mão. Não havia um único, isso, NENHUM, lixo, dispenser.  Provavelmente há nos banheiros, que ficam no subsolo, mas não entrei ali.  Só vi um cestinho de lixo junto a um balcãozinho de informações no térreo ( vi na saída, pois não fica junto à entrada, mas no caminho para o subsolo), e do lado de fora na saída.  Devo ter batido algum recorde mundial…40 minutos rodando por três andares de um prédio público e não havia um cestinho de lixo!  Como é que se quer que a população aprenda sobre onde jogar o lixo, não descartar detritos indevidamente, manter o bem público, se quem deveria ensiná-la não o faz?

Saímos na hora do fechamento mesmo e demos uma voltinha pelo parque que fica atrás do prédio do museu. Bem agradável.

O dia esteve lindo, ensolarado, calorzinho bom.  Ajudou muito no passeio, que foi muito bom.

11

de
julho

Dois nuncas em um mesmo dia

Tenho acompanhado o blog 365 Nuncas (http://365nuncas.wordpress.com/).  Cada coisa que essas meninas escrevem ou fazem…Verdade que os 365 nuncas delas são de propósito, mas todo mundo, pensando bem, tem seu nunca algum dia na vida e nem se dá conta.  Os meus nuncas aconteceram no sábado, i.e., pelo menos os mais recentes: visitar o Museu da TAM em S. Carlos e assistir a uma peça na ECA/USP.

1) Museu TAM (http://www.museutam.com.br/home.php)

Um amigo estava querendo visitar este museu há um tempinho. Como sou difícil, no que ele convidou, eu fui.  O museu fica a uns 15 minutos do centro de S. Carlos que, por sua vez, fica a umas 3 horas de S. Paulo.

A estrada ou estradas para S. Carlos são ótimas (Anhanguera ou Bandeirantes e depois Washington Luis): um tapete, bem sinalizadas, mantidas, com telefones para socorro. Tem um monte de pedágio (a viagem saiu por R$ 70), mas acho que não tem muito jeito de ter estradas de primeiro mundo se não for assim.

Fomos tranquilamente, demos uma parada no meio do percurso, tanto na ida quanto na volta. Como não dirijo há mais de década, para meu bem e o da humanidade, a carga das seis horas de volante ficou para meu amigo que, obviamente, ficou um tanto quanto cansadinho…e com dores nas costas…(poor thing!).

Com mapas, gps, chegamos direitinho.  O museu é bem organizado, tem estacionamento, lanchonete. A entrada inteira custa R$ 25 (o pessoal que tem cartão vermelho, verde, azul da TAM não dá desconto…tsc, tsc, tsc).  A entrada do museu é bem bacana, um túnel bacana, parece que a gente está entrando em uma pista de aeroporto.  Sons, luzes, depois vem a história da aviação muito bem documentada (fotos, vídeos bacanas, maquetes, textos, trilha sonora).

Depois de tudo isso, ei-los: os aviões. Há de tudo.  A maioria dos aviões (e são aviões mesmo, inteirinhos, com seus motores mantidos e prontos para voar - a maioria pelo menos). Não tenho grande interesse pelo tema, mas bacana ver aqueles aviões antiquésimos, mais ainda pensar na coragem dos construtores e, sobretudo, de quem voou naquelas coisas. Eu não teria arriscado nunquinha…Os aviões têm toda a parte técnica (ano de fabricação, fabricante do avião, do motor, onde o aquele espécime foi utilizado e por aí vai) muito bem documentada.  Valeu, bacana mesmo!

Depois da visita, que leva bem umas 2,5/3 horas, fomos almoçar no Frei Damião (quilo no centro - acho que era o centro - de S. Carlos).  Bem gostoso, barato, ótimo atendimento.

Passando pela cidade, deu para ver que há muitas coisas para visitar (http://www.visitesaocarlos.com.br/). Deu para ver que ela é bem espalhada, alguns prédios, mas muitas casas ou edifícios baixos.

Nunca havia ido a S. Carlos, ou seja, foram dois nuncas em um…quem sabe um dia volto para ver a cidade mesmo.

2) ECA - Lavoura Arcaica (http://www3.eca.usp.br/ /  http://pt.wikipedia.org/wiki/Lavoura_Arcaica)

Um amigo queria ver Lavoura Arcaica encenada por alunos da EAD (uma amiga dele faz parte do grupo). Peguntou: vamos? E eu, difícil como eu só, disse: vamos, oras!

Faz tempo que não entro lá pela USP. Estudei lá, fui uma vez para uma formatura, alguma outra vez para não sei o quê, e nunca mais. É de dar medo à noite: deserto, nem um carro, nem uma pessoinha, nem um policialzinho…Tudo bem que era sábado, mais de 20h, mas um espaço como aquele tão subutilizado, que não rende atividade social, cultural, ou o que for para a população de uma cidade tão populosa e carente de espaços como aquele é terrível ou não é?  Enfim…e depois da violência ocorrida por ali (morte de um aluno), a coisa ficou folclórica: põem um cone enorme na entrada da cidade, onde há uma guarita com seguranças. A gente chega, diz aonde vai, e eles deixam passar.  Dá uma segurançaaaa…É brinca?

E lá fomos nós para a ECA. E olha que tinha bastante gente para assistir à peça. O ingresso é free e há um programa bem bacana - feita pelo próprio grupo, a R$ 1,00.

O filme de uns anos e a peça são baseados no livro de Raduan Nassar.   Texto forte, bonito. O cenário ou ambientação começava já fora da sala de teatro. Bacana!  O cenário estendia-se pelo palco e pela plateia. Muito interessante.

Gostei muito da peça, o grupo estava azeitadíssimo, o figurino era bacana, a iluminação idem.  Valeu ver. Lembrete: o espetáculo vai até 17/7 - todos os dias (2a. a sábado - 21h. e domingo - 18h). Tem de chegar uma hora antes de o espetáculo começar para garantir um ingresso.

Pois é, outro nunca: assistir a uma peça dentro da USP, à noite, num sábado.

5

de
julho

Ruim x Bom, o grande duelo

1) MASP (http://masp.art.br/masp2010/)

Como havia mencionado em post anterior (http://mskeller.blog.terra.com.br/2011/06/20/de-mostrinhas/), tencionava voltar para ver com mais calma a exposição 6 Bilhões de Outros.  Aproveitei a gratuidade da terça e lá fui eu.  Acho que por ter entrada gratuita, haver turistas (sim, os há!) pela cidade, a meninada estar em férias, havia um montão de gente quando cheguei e quando saí.

Queria ver com mais calma os vídeos nas tendas armadas no espaço da exposição.  Vi: Felicidade, Perdão, Significado da Vida, Making Of, e um vídeo, nos moldes daqueles feitos pela equipe de Yann Arthus-Bertrand, mas feito por uma equipe brasileira com personagens de S. Paulo.  Realmente é um trabalho interessantíssimo. Os dados do projeto são estes (retirados do site do Masp):

3,5 milhões já viram a exposição desde janeiro de 2009
5.600 entrevistados
78 países visitados
5 anos de filmagem
40 mesmas questões postuladas a cada um dos entrevistados
15 questões suplementares sobre a problemática da mudança climática
50 línguas (sem contar os dialetos)
11 horas de testemunhos no MASP
500 testemunhos no catálogo da exposição
150 programas curtos de televisão, de 2 minutos cada, difundidos em mais de 20 países
13 documentários temáticos em difusão televisiva em uma centena de países.

E se o assunto diz mais para a gente, fica difícil desgrudar o olho, ir para outra tenda.  Hipnotizante.  E há declarações emocionadas, chorosas, corajosas, alegres, notionless, enfim, de tudo!

Ia tudo muito bem quando percebi que duas tendas estavam fechadas, com banquinhos empilhados nas entradas. A do Amor e a dos Eventos Climáticos (ou algo parecido). Para minha sorte, na visita anterior havia ficado mais tempo nessas duas mesmo.

Notinha: os tais bancos são feitos de papelão (creio que reciclado) e são dobraduras na verdade. Eu peso um bocado e eles aguentam tranquilamente. Aliás, aguentaram todo mundo que tem passado por ali, e não deve ter sido pouca gente. Um banco ecologicamente correto de durabilidade inquestionável.  Infelizmente, já há vários sem condições de receber novas nádegas.  Claro que se fosse num país civilizado, em que houvesse gente cuidadosa, comprometida, que se importasse, gostasse de fato do que faz, os mais destruídos já teriam sido retirados, até para evitar acidentes. Mas aqui…como já mencionei, o pessoal envolvido em ações para a população, ações públicas sempre pensa: ah, para quem é tá bom demais…pra que ter trabalho…

Voltando: vendo as duas tendas fechadas e considerando que a exposição só termina no próximo domingo e deverá receber um tantão de gente ainda, perguntei a um meganha se as tendas não seriam reabertas. O dito, sem olhar para mim, caminhando, de costas praticamente disse: É, deu POBREMA. A TV pifou. E, claaarooo, não havia um aviso, uma plaquinha tipo: desculpe pelo transtorno, ou coisa que o valha.  Elucubrando: aposto e ganho que o salário do ciclope que me deu a informação seria suficiente para consertar ou até comprar as duas tvs, telas, o que for, e eu não precisaria ouvir POBREMA dito de boca cheia. Ademais, um museu como esse, com uma exposição tão importante, cobrando a entrada mais cara de S. Paulo, não tem equipamentos de reserva? Não tem um plano B?  Quase uma semana de exposição ainda por vir. Lamentável!

Pelo menos consegui ver boa parte do que pretendia.  Para quem quer saber mais e participar do projeto (sim, é possível!), este é o link. Vale ver: http://www.6milliardsdautres.org/index.php.

2) CEF Cultural - Paulista (http://www.caixacultural.com.br/html/main.html)

Já que estava pela Paulista, aproveitei para ver a nova exposição da CEF Cultural, no Conjunto Nacional. Gratuita, de terça a domingo: O Universo Gráfico de Glauco Rodrigues.

Adorei a exposição de litogravuras, serigrafias, linóleogravuras, desenhos, capas de discos, etc. Um gaúcho de Bagé que produziu muito, virou mundo, e foi morrer no RJ aos 75 anos (2004). Tudo é muito colorido, muito alegre, muito bonito, sedutor, mesmo havendo obras do tempo da ditadura.  Um prazer flanar por ali. Vale ver mais de uma vez. Fica até 21 de agosto, então dá tempo.

Mããããs, como já mencionei, a CEF Cultural, tanto na Paulista, quanto da Sé, sofre da notionlessness de seus funcionários. Lá, como cá, falam alto, gargalham, falam ao celular, discutem vida privada, reclamam do chefe, tudo bem alto, e não se intimidam com os visitantes. Melhor, não respeitam o visitante.  Por bem menos que isso, um visitante seria lançado na rua em instituições em países de primeiro mundo.  Uma pena! Aliás, hoje mesmo, o monitor (um rapazinho) estava conversando tão animadamente com uma moça e o segurança, as risadas eram tantas durante toda a minha visita, que preferi abreviá-la de tanta algazarra que havia por ali. Já reclamei inúmeras vezes, mas aparentemente quem cuida da área não se sensibiliza. Imagino que ache natural que os funcionários reproduzam nos dois espaços seus universos (tipo conversa com a “patroa”, com os amigos de boteco, clima de churrasco com pagode e cerveja, muita risada, gritos, etc.). Assim nunca vamos chegar lá…

E a saga continua…

2

de
julho

Ready, steady, go - o final

E vamos, que vamos!

3) Museu da Língua Portuguesa (http://www.museulinguaportuguesa.org.br/)

Adoro esse lugar. Além de ter sido montado com muita criatividade e plasticidade (quando inauguraram, eu só pensava: o que pode apresentar, como pode ser um museu de língua para o público em geral, não estudiosos, mas cidadãos comuns?).  Além da área em que há o histórico das línguas, as influências sofridas pelo português, muitos equipamentos interativos, há o Beco das Palavras - joguinho bacana que move a meninada, ajuda a ampliar vocabulário, e, espero, atiça a curiosidade para aprender. Há também projeções fantásticas no paredão do corredor do segundo andar.

No terceiro andar há um ótimo auditório, onde projetam filme de uns 10 minutos, narrado por Fernanda Montenegro, sobre as origens de nossa língua (nota: podiam mudar isso. Afinal já faz uns anos que o museu apresenta o mesmo filme. Eu já vi umas quatro vezes).  Depois, passa-se a um salão onde se ouvem personalidades (artistas, cantores, escritores) recitando/izendo textos.  Tudo acompanhado por lindas projeções (vale a mesma observação sobre o filminho. É preciso mudar, reinventar, minha gente!).

Ontem havia muitos estudantes, faixa etária de 14 a 18 anos, acho.  Um barulho infernal! Os professores até tentam segurar a turba, mas sem sucesso. E na sala onde se ouvem as leituras muito barulho, desrespeito, palavras de baixo calão. Os monitores ficaram metade do tempo da apresentação (20 minutos) pedindo silêncio, coibindo a fuzarca.  Um absurdo!  E não venham me dizer que isso é normal, que não é, não.  Fui a museus em vários lugares e com estudantes por lá. A selvageria, ignorância, não chega nem perto. Uma pena!

Atualmente não há nenhuma exposição temporária. A última foi sobre Fernando Pessoa. Seguramente, virá alguma coisa bem bonita por aí.

4) Sala São Paulo (http://www.osesp.art.br/portal/home.aspx) (http://www.saopaulo.sp.gov.br/conhecasp/cultura_teatro-sala-saopaulo)

Havia checado no site da sala os horário das visitas guidadas. Como poderão ver neste link (http://www.osesp.art.br/portal/paginadinamica.aspx?pagina=educacaovisitamonitorada), há uma informação de que há visita todos os dias, em vários horários. Embaixo do quadro, em letrinhas, há a menção de que pode haver alterações e que é aconselhável informar-se. Eu não fiz isso, pois já visitei a sala duas vezes, sem problema (isso na administração anterior, do Maestro Neschling.  Quando chegamos à sala, umas 16h15, fomos informados por recepcionistas bem ruinzinhas que não haveria visita. Reclamei. Uma delas fez questão de me mostrar a tal micronota. O fato é que da forma como a mocinha se portou diante de minha reclamação e a insistência em me mostrar a micronota, baseando sua argumentação somente nela, ficou claro para mim que as visitas são erráticas. Não acontecem regularmente mesmo, e mais que dias e horários informados a sala deveria ressaltar a necessidade de procurar informações. Faria bem ao respeito à inteligência e tempo do visitante mudar o que está no site, já que não corresponde à realidade, i.e., as visitas não ocorrem mesmo nos dias e horários informados.  Não seria mais fácil e produtivo reduzir a grade? Visitas 3a. e 5a. ou 4a. e 6a., num horário apenas, mas com segurança, certeza de ocorrerão para o visitante. Assim o visitante não precisa ficar perdendo tempo em checar algo que não tem regularidade ou ainda perder a viagem.  Uma pena o amadorismo do pessoal que cuida das instituições culturais.Ah, e precisa melhorar muito a qualidade do pessoalzinho de frente (recepção).

Dito isto, vamos para outra.

5) Estação Pinacoteca (http://www.pinacoteca.org.br/pinacoteca/default.aspx?c=336)

Apesar de ser bem menor que a Pinacoteca, o prédio recuperado do DEOPS é muito bonito, agradável, e também tem sempre coisas interessantes para ver. O que está ali há longo tempo é a Coleção Nemirovsky.  Riquíssima em variedade e qualidade das obras.

Como fazia algum tempo que não ia à Estação, surpreendi-me com as mudanças. Para melhor, felizmente. Reduziram o número de obras expostas e o salão ficou mais bonito, com paredes em verde escuro, que dão mais destaque às obras apresentadas.  Além da exposição fixa (reduzida), há uma exposição das obras sacras da coleção (seleção fantástica!) e A Casa da Rua Guadelupe, em que estão expostos itens do mobiliário da residência dos Nemirovskys.  Um prazer flanar por essa exposição.

Além desta, há outra exposição com obras da coleção contemporânea do Museo de Arte de Lima.  Não é muito a minha, mas valeu conhecer.

Tanto no Museu de Arte Sacra, quanto na Estação e na Pinacoteca, os monitores/seguranças são bem informados e conseguem atender bem o público. Milagre!

Ah, sim, ali há de forma permanente o Memorial da Resistência, em que se vê a história da repressão em vários períodos. É possível visitar as celas em que os presos ficavam durante a ditadura que começou em 64.  Há agora uma exposição sobre Rubens Paiva também.  Vale ver. Só conhecendo, só aprendendo, só lembrando é que é possível não repetir o erro.

6) CPTM / Luz (http://www.cptm.sp.gov.br/E_OPERACAO/ExprTur/)

Como minha amiga e eu estávamos interessadas em fazer o passeio de trem a Paranapiacaba, liguei na quinta para a CPTM.  Muito gentilmente (e aqui não há ironia, foi gentil mesmo), informaram-me que estava tudo vendido para julho e agosto.  Hein??? Pois é. A pessoa que me atendeu até queria verificar se havia alguma desistência, data disponível. Eu disse que não era necessário, já que iria próximo à Estação da Luz no dia seguinte (maratona acima). Eu verificaria lá mesmo e, se fosse o caso, já compraria a passagem.  Eita, doce ilusão.

Pois bem, lá pelas 17h30 fomos até o guichê do Expresso Turístico, que não fica no prédio central da Estação da Luz, mas junto à entrada para a estação do metrô da Luz.  Ali informaram que realmente não havia nada para julho e agosto. O dia 21/8 havia sido colocado à venda, mas já não restava mais nada.

Pergunta ao funcionário: sabem quando vão abrir outras vendas? Não. O trem sai todo domingo? Em geral, sim.  Como fazemos para saber das vendas? Olhe o site todo dia.  Fala sério!

Bem, não há venda pela internet ou por telefone. Então, o negócio é olhar todo dia mesmo. E vamos rezar para que apareça uma data livre. Acho que não vai dar para minha amiga, mas eu vou de todo jeito, mesmo que bem mais adiante. O passeio começa às 8h30 e a volta é às 16h30.

E a pergunta que não quer calar: se tem tanta procura, é tão difícil conseguir lugares, se os lugares se esgotam tão rapidamente, por que não fazem o passeio, pelo menos no período de férias,  em outros dias da semana além do domingo? Com tanto aposentado na praça (eu, por exemplo), querendo esse tipo de atividade, não seria mal ter um dia na semana para o pessoal que tem mais disponibilidade, oras!  Mais um mistééériooo…

2

de
julho

Ready, steady, go - O começo

Foi uma maratona! Mostrar para minha amiga de Dallas e seu filho, que estão por aqui, coisas que não viam há década, está requerendo fôlego. Primeiramente, porque ela tem seus compromissos e eu tenho minhas coisinhas, então temos de fazer os dias livres comuns render. Ontem foi um desses dias.

Por etapas:

1) Museu de Arte Sacra (http://www.museuartesacra.org.br/)

Depois de reformado, recuperado, um dos museus mais bonitos e agradáveis de visitar.  Além da coleção permanente, ontem vimos Vestes Sagradas e Arte Sacra Popular. Ambas muito bonitas.  É um prazer ver retábulos, turíbulos, ostensórios, etc.; tudo muito bem mantido. Um trabalho de alta qualidade em termos de pesquisa, catalogação, exposição.

A recepção não é informatizada, a entrada é tirada na mão (R$ 6,00/inteira, meia só para estudante, acima de 60 não se paga, não há dia gratuito).  É preciso deixar tudo no guarda-volumes.  E há duas instruções ou solicitações: não se pode fotografar e não se pode tomar notas no interior do museu. Hein?

Este museu, até onde fui informada quando estive lá pela última vez (http://mskeller.blog.terra.com.br/2009/04/22/de-aleijadinho-a-verdi/), em 2009, tem a mesma empresa prestadora de serviços que a Pinacoteca e Estação Pinacoteca, para segurança, vigilância.  Há vários facilitadores pelos corredores, nas salas.  Há câmeras espalhadas.  Mas tudo isso não foi suficiente para deter vândalos.  A proibição de tomar notas é porque usaram lápis e canetas para danificar paredes e peças expostas.  É brinca, ou quer mais?  Não há salvação para este pobre país…

Bem, tanto minha amiga quanto o filho dela ficaram encantados com as peças expostas.  Os espaços são muito bem preparados. Até a trilha sonora é de muito bom gosto e agrega ao clima sacro. O atendimento é muito bom (monitores, pessoal de recepção, segurança).

Além do acervo fixo, das temporárias, pode-se ver a exposição de presépios no subsolo (há de muitos lugares, sobretudo países da América do Sul. Mas há também da Àsia, África (um lindo, lindo da Nigéria), dos EUA, México). Além destes há o Presépio napolitano, do século XVIII, cujas peças (mais de 1600) foram adquiridas por Ciccillo Matarazzo. Depois de rodar por muitos lugares, acabou tendo sua morada definitiva ali (1999).  É muito bonito, ocupa um espaço amplo, o cenário foi feito com muito capricho e criatividade, tudo foi recuperado com esmero. Um prazer observar com calma os detalhes.

O Museu tem sua lojinha (pequena, com algumas coisas interessantes), e há outra da ordem das irmãs concepcionistas, reclusas, que vivem em áreas reservadas do prédio. Esta última é ruinzinha, pobrinha mesmo.  Por que não juntam as duas e dão uma incrementada?  Enfim…na da ordem estão as pílulas do Frei Galvão. Quando estive por ali em 2009, peguei as pílulas na roda (como aquelas em que mães abandonavam os filhos na Santa Casa, por exemplo). No entanto, como há horários definidos para isso e pensando nos que vêm de fora, ou não conseguem estar por ali nos horários em que as irmãs estão na roda, resolveram deixar pílulas na lojinha para distribuição. Santa decisão!  Lá é que pegamos as nossas. Como dizia sabiamente minha mãe: mal não faz.

Senão: como comentei em outros posts, depois de usar banheiros lá fora, a gente se dá conta como os daqui são ruins. E sujos, e mal mantidos. Os do museu, que ficam ao lado do superpresépio são assim.  Uma catástrofe. Se cobram R$ 6,00, como não conseguem manter os banheiros? E são só três cabines.  Mas tudo quebrado, sujo demais!  Vergonhoso!  E vejam que era um dia de semana, seguramente com bem menos visitantes que nos finais de semana ou dias de festas. Nesses dias a coisa deve ficar bem crítica. Não dá para entender esse desleixo. Isso é questão de saúde pública.

Enfim, tirando a questão higiene sanitária, vale muito visitar o museu. Ah, e lembro que o prédio foi construído em taipa de pilão, sendo a terceira construção mais antiga existente nesse material. Da mesma forma que no Pátio do Colégio, pode-se ver a estrutura do prédio em toda uma sala.

2) Pinacoteca do Estado de São Paulo (http://www.pinacoteca.org.br/pinacoteca/default.aspx?c=exposicoes&mn=100)

O prédio, projetado por Ramos de Azevedo (http://www.sampa.art.br/biografias/ramosdeazevedo/), é um dos mais bonitos que conheço.  Depois de amargar idas e vindas sob más gestões, a Pinacoteca renasceu.  Seu acerto é pujante, sempre há exposições interessantes.

Estão fazendo uma alteração profunda da exposição de longa duração (acervo fixo).  Há até um vídeo no Youtube muito interessante (http://youtu.be/DFVkELxboNc).  Só que ali também grassa a síndrome da Copa de 2014: não saiu na data anunciada. Está escrito, está impresso: quando começará a nova exposição de longa duração da Pinacoteca? Terá início no segundo trimestre de 2011. Então, hoje já estamos no terceiro trimestre e nem sinal.  Uma coisa o descompromisso, a falta de planejamento, a falta de respeito com o público.  E olhem que a Pinacoteca é um dos museus públicos mais profícuos e bem geridos por aqui. Enfim…só nos resta aguardar.

Ontem vimos Paulo Werneck, muralista brasileiro.  Trabalhos lindos no RJ, em SP, em Santos, em BH.  Obras que a gente até admira, mas não sabe (eu pelo menos não sabia) de quem são.

A outra exposição, um tantinho hermética para mim, foi a de Sérvulo Esmeraldo. Interessante, mas não me encantou como a de Werneck.

Além destas há uma instalação de Iole de Freitas (leve, fluída) e outra de Paulo Ramirez Jonas (divertida e interativa).

A lojinha passa por altos e baixos. Atualmente tem sobretudo publicações, poucos itens “pragmáticos” com a marca da Pinacoteca.  Os itens são poucos e caros. Poderiam dar uma caprichada.  Não entendo por que esse pejo em juntar arte e dinheiro. Se se vai a museus fora daqui, a registradora não pára de tilintar, e tudo que entra acaba ajudando a instituição seguramente.  Será que um dia vão deixar essa mentalidade suburbana  e/ou amadora de lado?

Felizmente, a cafeteria, que estava em reforma, reabriu (http://www.pinacoteca.org.br/pinacoteca/default.aspx?mn=179&c=300&s=0).  Agora é a mesma empresa que já prestava serviços na Estação Pinacoteca que cuida do local. Pudemos almoçar ali (os pratos do dia são bem bonzinhos e baratos - salada, prato principal, sobremesinha).  O atendimento é simpático, mas nem preciso dizer que é errático.  Houve até um momento “piada de português”: pedi a opção de massa. Quando trouxeram o prato, perguntei: Teriam um queijinho? A garçonete disse: Temos, sim! E saiu dasabaladamente. Estou esperando o queijo até agora!  Ou seja, ter, têm, agora trazer já e outra história.  De todo jeito, pelo dia lindo, por termos almoçado na área aberta, com calma, uma boa refeição, a preço razoável, além da ótima conversa, valeu.

29

de
junho

Isso é da vida

Coisas bonitas, coisas feias, mas a gente tem de saber viver com isso, oras!

1) Museu da Casa Brasileira (http://www.mcb.org.br/index.asp?sMenu=P000)

Além de o Museu ter uma área linda e estar num lugar privilegiado, há sempre exposições interessantes e apresentações musicais de qualidade (tudo gratuito). O restaurante é um plus a mais, superaprazível, com bom cardápio, serviço bom, preços não muito chocantes.

Há duas exposições atualmente: (1) Produtos imperfeitos, com itens de design interessantes, divertidos; (2) Arquitetura da madeira para o século XXI.  Esta última é bem inusitada (pelo menos para mim). Há fotos, plantas, maquetes de casas enormes feitas somente de madeira.  Nem poderia imaginar quantas há em S. Paulo nessa linha. Mostram como as madeiras são fixadas, encaixadas. A justificativa para o uso vai desde menos emissão de CO2 no processo de utilização da madeira, até o fato de ser mais econômico, rápido. Obviamente trata-se de madeira certificada.  Fiquei bem surpresa com o conteúdo da exposição.

Mas fui lá para ver a apresentação do Metrópole Quarteto de Saxofones (http://www.myspace.com/metropolequartetosax). Na verdade eu nem sabia que havia quarteto de saxofone de câmara.  Gosto do instrumento lá no meio da orquestra, ou num solo de jazz, de MPB, mas não gostei muito do quarteto, não pela qualidade dos músicos, evidentemente, mas é que o conjunto  (sax barítono, tenor, alto e soprano) não resultou num som muito agradável para meus ouvidos.  Gosto é gosto…

A seleção musical foi ótima: Lennon e McCartney, Elton John, Bach, Noel Rosa, Gershwin, Pixinguinha, etc. O responsável pelo grupo, Ed Fogaça (http://edfogaca.com.br/index02.html), é um músico experiente, simpático, explicou o funcionamento do grupo, as músicas escolhidas.  Mesmo não sendo meu grupo de câmara favorito, valeu muito ver o espetáculo.

O dia estava nublado. Quase ao final do espetáculo, o vento começou a desfolhar as árvores, as folhas amarelas começaram a voar lá atrás do quarteto. Era como se a gente estivesse assistindo a uma chuva de ouro. Apesar do frio, do vento que chegava até a plateia, a imagem que funcionava como pano de fundo para a apresentação era mesmerizante.

Único senão: cheguei um pouco mais cedo (a apresentação começava às 11h), pois sempre há muita gente e se não se chega um pouco mais cedo corre-se o risco de ter de assistir ao show em pé ou na área aberta, que em dias como domingo passado, feioso, não é muito agradável. Perguntei aos pseudosseguranças se poderia entrar: Fale com a recepcionista, pois não sabemos (hein?!).  Perguntei à mocinha da recepção, que seguramente nunca assistiu a nenhum espetáculo por gosto, e ela disse que a sala de concertos só abriria às 11h. Argumentei que isso era estranho, pois em todas as outras vezes em que estive ali (e foram dezenas de vezes) foi diferente. Ademais, não tinha cabimento ficar de pé por 30 minutos por uma regra tão irracional.  Resposta: eu não faço as regras. É assim que funciona.  É duro ou não é? E lá estavam os meganhas, que devem custar mais do que outras despesas básicas do Museu, para garantir que o público selvagem esperasse desconfortavelmente a abertura do espaço.  Bem, acabou abrindo lá pelas 10h40. Até em áreas voltadas à cultura, está difícil conviver e raciocinar com a patula que grassa por lá.

2) Quebrando o tabu (http://www.quebrandootabu.com.br/) / (http://www.imdb.com/title/tt1951090/)

Depois de ver o excelente documentário Inside Job (http://mskeller.blog.terra.com.br/2011/02/22/isso-e-que-e-filme-de-terror/), e o fraquinho Lixo Extraordinário (http://mskeller.blog.terra.com.br/2011/02/08/luxo-e-lixo-ou-vice-versa/), fiquei meio na dúvida sobre ver ou não este novo documentário nacional.  Lendo a sinopse, achei que poderia dar samba, então lá fui eu.

Os enfoques, as personalidades (Fernando Henrique Cardoso, Bill Clinton, Jimmy Carter, e muitas outras autoridades internacionais), as informações estatísticas, tudo bem alivanhado e apresentado.  Verdade que ver gente daquela estatura, com a experiência de vida, administrativa e política que eles têm, discutindo algo tão sério como o avanço das drogas e o combate a esse caminho é intrigante.  Faz a gente ver os vários prismas da questão e refletir de forma objetiva, ampla.

Vê-se que o problema não dobrou apenas o Brasil, mas quase todos os países do mundo. A diferença evidente é a capacidade de outras sociedades (Suíça, Holanda, por exemplo) de tratarem a questão de maneira profícua, menos policialesca, mais cidadã. Mesmo países com grande estrutura, dinheiro, e.g. USA, ainda não encontraram o melhor caminho. Investiram zilhões, mas não obtiveram o resultado de países europeus.  Não resta dúvida que é o grande câncer de qualquer país e precisa ser enfrentado com inteligência, eficiência, coragem, persistência.

Estava conversando com um amigo sobre essas experiências com drogas e disse a ele (antes de ver o filme) que não havia me permitido jamais experimentar nada do que está por aí (de cigarro a outras drogas) porque minha liberdade está acima de qualquer coisa, e qualquer vício elimina essa liberdade. Aliás, Paulo Coelho, que também dá alguns depoimentos, resume bem a questão (vou parafrasear. pois não me lembro das palavras exatas): é preciso que quem recorre às drogas, ao vício em geral, entenda que o que essa pessoa está perdendo é o direito de fazer escolhas, de decidir.  Em suma, em última análise. a liberdade.

O filme é relativamente curto, dinâmico, agradável de assistir. Aborda a questão por prismas bem interessantes. Vale ver.

26

de
junho

Dia de boas e poucas

Atividades variadas no sábado.

1) Fundação Ema Klabin (http://www.emaklabin.org.br/)

Além de a Fundação ter um acerto ótimo, visitas guiadas (http://mskeller.blog.terra.com.br/2009/02/28/um-dia-insolitamente-lindo/), também tem promovido apresentações musicais (http://emaklabin.org.br/component/content/article/44-tardes-musicais–centenario-do-piano-erard/65-tardes-musicais) - gratuitas. Ontem fui ouvir Mendelssohn Melges (pianista)  interpretando jazz (Gershwin, Berlin, Porter, etc.). Além de o lugar ser uma delícia (o dia também ajudou, claro), o artista esteve primoroso, os arranjos estavam lindos.  Os concertos começam, em geral, às 16h30. Chegando uma hora antes é possível visitar a linda casa de Ema Klabin.  A série do primeiro semestre terminou. A programação para o segundo semestre deve sair já, já.

2) MUBE (http://www.mube.art.br/?Expo)

Depois do lindo concerto, bastou atravessar a rua e ver as exposições do MUBE. Demos sorte, porque já aconteceu de eu ir por ali, tentar aproveitar a proximidade para ver alguma coisa e não haver nada pronto ainda. Explico:é que como vou pouco para aqueles lados, difícil ter na cabeça o que está ou estará e quando. My fault, afinal mídia e internet estão aí para ser consultados.

Havia exposições bem interessantes.  Uma sobre as obras de Niemeyer, histórico sobre o artista; outras com obras bem inusitadas, pelo menos para mim: cerâmica, madeira, vidro, instalações. Nada pesado ou elucubrante. Exposições divertidas e gostosas de ver.

3) Festa junina na Perpétuo Socorro (http://paroquiaperpetuosocorro.net/)

Fazia uns dois anos que não ia por ali. Uma das festas de que mais gosto ( e eu adoro uma festa junina!). Ontem estava bem tranquilo. A festa é superorganizada, fica num lugar bem bacana, comidinhas (montes!) ótimas e a bom preço, brincadeiras também (pescaria, boca do palhaço, árvore da sorte…).  Pena que algumas coisas haviam acabado (era o penúltimo dia da festa). Parece que iam até repor, mas demoraaaa.  As prendas também já estavam meio fracas em uma barraca, mas nas outras foi um arraso. Delícia!  Ontem havia um trio que animou o povo durante horas, mas é diferente dos consagrados que se apresentaram/apresentarão: Jair Rodrigues e família, Simoninha, Luiz Airão, Angelo Máximo (como assim, quem são? Google, pls!), etc. com eles, a “casa” sempre fica mais cheia.  De todo jeito, a noite estava bonita, tinha bastante gente. Deu para andar pela quermesse, comprar as delícias com calma, ouvir música sossegado. Tinha até uma quadrilha bem ajeitada.

A festa da Perpétuo é uma das poucas de rua que sobrevivem com qualidade.  Claro que há as dos clubes, a do Calvário (vai até final da semana que vem, então ainda dá para aproveitar), mas ainda acho que a mais simpática é da Perpétuo mesmo.

Agora só para o ano que vem…

25

de
junho

Dia de poucas e boas

Ontem fui levar minha amiga que mora nos EUA para um rolê.  Fomos ao Ibirapuera, já que ela está fora há 10 anos e não lembrava ou conhecia algumas coisas.

Demos uma passada no Auditório Ibirapuera, sempre interessante. Depois Museu AfroBrasil (http://www.museuafrobrasil.org.br/).

Já fui algumas vezes ao museu e o acho fantástico.  O acervo dá uma canseira, no bom sentido. Num espaço relativamente limitado tem zilhões de peças. Acho que se tivesse uma área três vezes maior, conseguiria estar mais bem montado. É tanta coisa que dá um certo ar de atulhamento. De repente é a intenção, não sei. O visitante tem de se organizar, senão acaba perdendo espaços/montagens interessantes, justamente porque está tudo muito junto.  É um museu para umas duas a três horas no mínimo.  Ah, e são tantos itens mesmo, que muitos não estão identificados, descritos. Pena!

Como em todos os locais do gênero por aqui, há dezenas de seguranças pelo museu. No horário em que estive por lá, havia mais meganhas que público. Devem estar esperando alguma invasão de bárbaros, só pode ser…E o duro é que quando se recorre a essa mão-de-obra, além de serem descorteses, olharem o visitante como se fosse bandido, não dominam o lugar em que estão. Explico: já quase ao final da visita, queríamos ir ao banheiro. Perguntamos a um rapaz no térreo. Ele nos enviou sei lá para onde. Chegando próximo à saída, outro meganha disse que o banheiro não era por ali, não, era no terceiro andar. Não queria nem dar diretrizes mais precisas, enfim, aquela má vontade. Bem, resumindo: quase cinco minutos para chegar ao tal banheiro. Sobe a rampa, passa por toda a exposição do andar superior, e lá num canto um banheiro bem mal cheiroso e maltratado.  Ah, sim, e nenhuma sinalização indicando onde ficava, nem mesmo no andar em que está localizado. Como assim? Num edifício público pode não ter banheiro em todos os andares? Se um cadeirante, idoso precisar ir ao banheiro não vai dar.  Impressionante que quem teoricamente faz cumprir leis, faz exigências para os outros, em suas próprias coisas não tenha o mesmo cuidado e bom-senso.  Não dá para pensar um pouquinho no conforto do público? Lamentável!

Então já sabe: visite, mas leve seu peniquinho. Há duas exposições temporárias imperdíveis: Mulheres Negras da Irmandade da Boa Morte de Cachoeira e Hereros Angola de Sérgio Guerra.

Depois, almoço no restaurante do MAM (http://www.mam.org.br/paginas/ver/restaurante). Gosto muito de lá. A comida e atendimento são bem bons e a vista para o parque é impagável. Ontem o bufê estava muito bom. Havia um peixe com banana e amêndoas de babar.

Para os que não a conhecem, digo que minha amiga Elva é tão calada quanto eu. Acho que talvez até mais…então muuuitaaa conversa depois, mais uma andadinha antes de ir embora.  Passamos em frente à Oca e vi que a porta estava entreaberta (a mostra Água acabou recentemente). Havia dois seguranças sentados preguiçosamente ali (eles estão em toda parte…). Perguntei se poderíamos dar só uma voltinha pelo térreo, pois minha amiga vinha de fora e fazia muito tempo que não ia por ali. Os dois disseram que não, pois havia trabalhos de desmontagem e havia risco.  Verdade, eu ouvia barulhos, mas nos andares superiores. Se em outro lugar do planeta, tenho certeza de que um deles nos acompanharia ali pelo andar térreo, só para uma curta volta. Um ato de gentileza e que não traria nenhum risco, obviamente. Mas aqui? Os dois marmajões nem de longe pensaram em um dia tirar seus bumbuns das cadeiras. Aliás, devem estar sentados lá até agora.

Vamos ver se chega o dia em que negócios, instituições entendam que esse aparato todo, custoso e agressivo, não tem mais função nenhuma. Acho que nem para os tempos de terrorismo, considerando a qualidade humana empregada, resolveria.  Há formas mais efetivas e mais baratas de se assegurar integridade pessoal e patrimonial. Mas nossos gestores são míopes demais. A coisa vai por inércia. Uma pena. Aliás, nem tanto, porque o dia em que alguém botar o cérebro para funcionar, vai haver uma horda de desempregados pelas ruas. Gente sem nenhuma habilidade, competência, civilidade, etc.

Sorte que o dia estava lindo, foi muito divertido estar com minha amiga, muita conversa, vimos coisas bonitas, comemos bem. Meio da tarde, cada uma para seu lado.

À noite havia marcado com uma amiga (outra de minhas queridas) filminho e jantar.  E lá fomos nós ver Potiche (http://www.imdb.com/title/tt1521848/) no Reserva Cultural (http://www.reservacultural.com.br/).

Como mencionei algumas vezes, gosto muito do Reserva. Esse é um benchmark de cinema. Prova viva e rentável de que cinema não precisa estar em shopping, aliás nem deveria, para conforto do público. O Reserva tem uma pâtisserie ótima e um restaurante razoável. As salas são boas, e a programação é, em geral, muito interessante.  Apenas os banheiros deixam a desejar em termos de tamanho, localização, equipamentos,e até limpeza. Deram um tapa neles há alguns meses, mas não resolveu grande coisa.

Após o filme, jantamos no restaurante do Reserva mesmo. A comida de lá não é cara e é razoável.  Deu R$ 38,50/pessoa e acho que comemos bem.  Agora o serviço…um horror! Os garçons dão trombada, dão voltas em si mesmos…impressionante como só muda o endereço, mas a péssima qualidade desses serviços é constante.

O filme foi uma delícia, em minha opinião. Catherine Deneuve, embora não seja aqueelaa atriz, estã ótima. Linda, elegante, witty, enfim o ícone que já conhecemos. Fazia tempo que não a via em uma produção com atuação tão longa ou presente. Ela faz par com o darling Gérard Depardieu. Imbatível como ator, põe qualquer galã no bolso. Nele é tudo fantástico.  Como está bem gorducho, acho que ele se transformou num caso de vida imitando a arte. Afinal hoje ele é ou não é  um Cyrano (http://www.imdb.com/title/tt0099334/) real, de carne e osso?

Potiche é um filme ambientado no final da década 70, uma comédia francesa como eu não via há algum tempo. Donos de uma fábrica de guarda-chuvas enfrenta dificuldades com trabalhadores. O diretor da fábrica (Fabrice Luchini, em ótima atuação) tem um peripaque e se afasta do comando da empresa. Aí, abre-se a possibilidade de a personagem de Deneuve deixar de ser uma bonequinha de luxo e tudo muda na vida de todos. Não tem elucubrações  antropológicas ou sociológicas. Só diverte com qualidade.

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