Escrever para viver!

Tudo que der na telha e que eu achar que vale a pena

2

de
fevereiro

Dois pais, mas quanta diferença

O Pai dos Meus Filhos Poster Os Descendentes Poster

Em princípio tudo meio igual: pais de filhas (só meninas), vivendo em lugares privilegiados: Havaí e Paris e cercanias, classe média alta ou coisa parecida, gente bonita, com problemas familiares comuns.  Mas quanta diferença!

1) Os Descendentes (http://www.imdb.com/title/tt1033575/)

De famoso mesmo só o Clooney. Como sóóóó??? Adoro o G. Clooney, não pelo motivo mais evidente (boniteza), mas porque o acho corajoso e competente como ator (http://mskeller.blog.terra.com.br/2012/01/02/um-e-pouco-dois-e-bom-2/), diretor, dublador (e.g. Toy Story). Como alguns outros: Brad Pitt, Tom Cruise, Damon, não foi dado como galã e se deitou na cama. Pelo contrário. Tenho a impressão de que todos eles querem que cada trabalho os desmistifique como bonitões ou tipões. É aquela coisa de “quero ser reconhecido pelo que sou ou posso e não pelo que aparento”.  Há muitas atrizes/diretoras assim também, evidentemente.

Mas com tudo isso (eu gostar, Clooney ter conteúdo), o filme é duro de aguentar. Nem Clooney salva!, seria meu bordão.

Trata-se da história de um homem que se vê só para cuidar de suas duas filhas (uma pós-adolescente e outra de 8 anos). A mulher sofre um acidente, bate a cabeça, entra em coma.  Clooney, o pai, que nunca tinha tido a menor proximidade com suas filhas (a razão é a de sempre: muito trabalho. Sei,sei…) tem de cuidar delas o tempo todo. Três estranhos que começam a se conhecer do 0 praticamente. Há vários imbroglios no meio do caminho, mas com tudo isso, o filme é lento, pouco tocante, o que é uma surpresa por toda a situação.  Enfim, duro de ver.  O que salva, além de Clooney, Shailene Woodley (uma das filhas) que está ótima e Nick Krause, que apesar do papel micro encanta, é o visual, as paisagens, e a música havaiana. Ah, sim, e aquele jeito colorido de vestir.

Um filme bem aquém do que eu esperava, eu diria até abaixo da média do que tenho visto. Único grande mérito: bater na tecla do pai-ausente por motivos pouco reais ou justificáveis.

2) O pai dos meus filhos (http://www.imdb.com/title/tt1356928/)

Filme da mesma diretora e roteirista de Adeus, primeiro amor (http://www.imdb.com/title/tt1356928/). Um dos atores também estava lá e está neste filme (Magne-Havard Brekke).

Trata-se também de um filme bem familiar: personagem central o pai, mas este bem atento e que convive com as filhas (3) de modo admirável, tem autoridade sem sufocar, dialoga.

Ele, Grégoire, é um produtor de filmes e sua empresa está com problemas seriíssimos, quase quebrada.  Até uns 20 minutos de filme é um tal de atender celular a cada dois minutos, às vezes dois. No carro, em casa, no banheiro…A coisa vai num crescendo, mesmo havendo momentos familiares (casal + 3 filhas) tocantes.  Um tal de falar de filmes, diretores, custos, atores, investidores que cansa um pouco. No entanto, lá pelas tantas acontece algo muito grave. Na verdade, isso é anunciado pela personagem principal (Grégoire) várias vezes, mas eu pensei: nãããooo, isso não vai acontecer. Pois é, mas acontece e da forma mais abrupta que se poderia imaginar. Depois desse ponto culminante lá pelo meio do filme é um tal de advogado, acordos financeiros, e mais outra descoberta rocambolesca na vida de Grégoire.  As meninas que fazem as filhas são lindas, uma graça. Ótimas atrizes.  Louis-Do de Lencquesaing (que também participou de Casamento a três-http://mskeller.blog.terra.com.br/2011/10/11/nada-a-ver-com-nada/, mas não como protagonista) e Chiara Caselli (Sylvia, a esposa/mãe) também estão ótimos. Só que apesar de alguns clímax a coisa não engata. Sabe a sensação de patinar, patinar, e não sair do lugar? A gente pensa: agora vai. E nada. Agora vai, e nada…Pelo menos essa foi minha sensação. Ainda assim achei o filme melhor que Os Descendentes. Pareceu-me mais sólido, mais rico.

Agora,  como americanos bebem e como franceses fumam nos filmes…impressionante!

Mas uma delícia ver as cenas em que Grégoire e demais personagens andam por Paris, atravessam ruas, dirigem, flanam. Claro que não é tudo 100%. Há algumas cenas em que se vê muito lixo pela calçada, ou seja, cá como lá os problemas urbanos não estão ausentes, mas mesmo assim as imagens que a cidade produz são bonitas demais e fazem bem aos olhos e ao coração.

Bottom line: vá ver A Separação, Os homens que não amavam as mulheres, ou até Sherlock Holmes. De realidade familiar, vocês já devem ter o suficiente e até de melhor qualidade.

27

de
janeiro

They ride again

Millennium - Os Homens que Não Amavam as Mulheres Poster

Quem viu o filme anterior (http://mskeller.blog.terra.com.br/2010/05/18/um-filmao-e-um-filminho/) de 2009, da mesma trilogia, vai gostar ainda mais deste.  A nova produção é globalizada: Daniel Craig, Christopher Plummer além dos vários atores nórdicos. Novo diretor: David Fincher.

O filme é longuinho, umas 2,5horas, mas dá para ver sem problemas. De novo um crime a ser desvendado, daqueles que seguem por anos sem solução. Conversa daqui, conversa dali, e as evidências vão surgindo.  O final é bacana, mas dá para antever um pouquinho lá atrás, o que não diminui o brilho do enredo.  A grande estrela, a partir de um determinado momento, passa a ser Rooney Mara, atriz americana que substitui uma sueca do filme de 2009 como Lisbeth Salander. A “gênia” problemática cresce muito no filme e estabelece o ritmo do thriller.

A trilha é assim, assim. A fotografia é bonita: neve, neve, neve…brrrrr…Craig e Plummer estão ótimos. Igualmente ótimo Stellan SkarsgÃ¥rd, que está em todas: Melancolia, Piratas do Caribe, Mamma Mia…é um secundário indispensável sempre.

Mesmo só com dois anos de diferença (um é de 2009 e outro de 2011), o fato de um ter sido produzido na Suécia e outro ser uma produção americana estabelece uma distância enorme em termos técnicos. Pelo que eu tinha na memória, a diferença em anos seria maior tal a diferença de imagem, cores, enquadramentos, etc., etc.

Um ótimo filme para dias de sol ou chuva.

25

de
janeiro

Só para contrariar

A Separação Poster

Não o grupo musical, mas para contrariar mesmo…Agora que tinha decidido ir mais devagar, escrever só que o não conseguisse segurar, aparecem montes de coisas prementes. Francamente!

Hoje vi A separação (http://www.imdb.com/title/tt1832382/), um filmaço.

Neste caso também tenho de fazer considerações sobre o cinema. Fui ao Unibanco Augusta. Não sei se sonhei, mas entendi que vão aos poucos renovar as salas. E não é mais Unibanco, mas Itaú.  Está precisando mesmo. E que confusão! Normalmente não vou ao cinema às 18h, 19h. São horários selvagens: filas, demora, multidão. Mas hoje deu um tilt e fui.  Chegando lá, uma fila enorme. Não era para compra de ingressos, mas para entrar na sala. Esse cinema não tem assentos marcados, então já viu…A fila para compra também era grande. Aliás, eram: uma para compra em dinheiro e outra para cartão. O pessoal da bilheteria até que se vira nos 30, mas o cinema tinha de ter uma estrutura melhor, sobretudo considerando que essa confusão deve acontecer todo final de semana nesses horários.  A sala em que está o filme é bem grande, mas tem uma inclinação ruim. Sentou alguém mais alto na sua frente, babau.  Consegui sentar na terceira fileira, na lateral, mas deu para ver bem o filme.  Parece que foi tudo bem, mas não foi. Com esse negócio de duas megafilas na calçada, quem tinha de passar por ali só descambando para o asfalto. Detesto quando vou passar por uma calçada e pessoas folgadas barram o caminho. Esconjuro até a 100a. encarnação. Hoje eu é que merecia isso, pois apesar de tentar atrapalhar o mínimo possível, não dava para não atrapalhar as pessoas ou até deixar de impedir sua passagem.  Shame on me! Que o cinema, nessa sua repaginada, tente encontrar um jeito de resolver esse problema. Quem vê aquela bagunça, até pode pensar, erroneamente, que é fila para algum megashow, ou para comprar ingresso para algum superevento tal a barafunda. Lamentável!

O filme é iraniano. Surpreendi-me com a civilidade em todos os níveis: social, familiar, religioso. Não que eu achasse que por lá havia selvagens. Afinal é uma civilização milenar. Mas tanta guerra, tanto conflito, tanto desgoverno na região, que sobra a imagem de gente belicosa acima de tudo, gente desesperada e por aí vai. Mesmo o viés religioso nem de longe é o condutor do filme.  São retratadas relações familiares, sociais, escolares, policiais, empregatícias de um jeito muito interessante. Extremamente realista. São as mesmas relações que existem mundo afora, sem tirar nem por: casais que se desentendem, patrões x empregados ou o contrário, filhos no meio de imbroglios maritais, as doenças degenerativas que estão cada dia mais presentes pela longevidade que adquirimos continuamente, etc.

Fiquei imensamente surpresa com a civilidade com que tudo é tratado, lidado. Eu diria que os ditames familiares, sociais e religiosos acabam garantindo essa “retidão” de conduta. Vê-se o atendimento judicial sobrecarregado, o atendimento médico também, mas ainda assim as estruturas, comparativamente com as nossas, por exemplo, parecem em melhor forma.  Tudo bem, é ficção, pode ser propaganda do regime. Inegável que o que está na tela revela uma sociedade muito organizada e civilizada. Vai saber.

Quase não há trilha sonora, fotografia nada (100% das cenas são em ambientes fechados ou ruazinhas com carros estacionados. Nada de praça, de vista, de verde).

É a história de um casal que se separa civilizadamente porque a mulher quer ir para o exterior e o marido, que cuida de um pai com Alzheimer, não quer. Há ainda a agravante de uma filha de 11 anos (vai com a mãe ou fica com o pai?). Pela partida da mãe para a casa de familiares é necessário contratar alguém para ficar com o pai doente. E aí começam os problemas.  Há momentos em que a gente acha que sabe a verdade, mas dali a pouco duvida. É aquela história de “Lies may lead to truth”. Ou abrasileirando e dando um sentido um pouco diferente: mentiras, se ditas muitas vezes, podem se tornar verdades.

Um filme denso de começo a fim. Não dá nem para piscar. E o final e bem interessante. Ah, e é longuinho, pouco mais de duas horas.

24

de
janeiro

Não foi arrependimento

O Jogo de Sombras Poster

Nossa, nem parei e já recomecei? Nãããõoo.  Por ora, só vou escrever mesmo aquilo que não der para deixar passar, mas já aviso que não vou elaborar muito,não.

Fui ver Sherlock Holmes, o jogo de sombras (http://www.imdb.com/title/tt1515091/).  Estava em dúvida se ia ou não. Vi o primeiro filme (http://mskeller.blog.terra.com.br/2010/01/20/nossa-que-movimento-de-novo-domingo-final-de-tarde-e-noitee-se-acabou/) e não achei lá essas coisas. Mas várias pessoas disseram que o segundo era bacana, então…

Primeiro o cinema: Playarte Marabá. Já estive algumas vezes lá (http://mskeller.blog.terra.com.br/2011/03/06/confetes-e-serpentinas/). E quem recupera qualquer coisa em SP, sobretudo no centrão, merece minha admiração, mas nem por isso precisa fazer mal feito.  A entrada continua feia, largada; o segurança fuma enquanto os espectadores entram para comprar a entrada; as bilheteiras são no mínimo fellinianas; os banheiros largados (papel higiênico pendendo de arames); os tapetes vermelhos (quem teve a ideia infeliz de revestir escadas com isso?) já estão negros; o pessoal da limpeza não gera confiança…maaasss, custa R$ 11/inteira.  A projeção é bem razoável (som, imagem). Mesmo assim, custo  x benefício poderia ser bem melhor.É aquela coisa de relaxo, falta de capricho que está no gene nacional…

O filme: continuo não gostando do Downey Jr. e olha que tenho visto vários filmes com ele, então sei do que estou falando. Para mim continua o mesmo canastrão, todos os papéis são iguais. Sorte que a personagem é boa, tem muito efeito especial, e o diretor, Guy Ritchie (http://mskeller.blog.terra.com.br/2008/11/03/guy-ritchie-welcome-back/), é ótimo. Então ele não estraga o filme. Jude Law está ótimo, ainda melhor que no primeiro filme. E há a participação marcante de Stephen Fry (http://mskeller.blog.terra.com.br/2010/12/23/que-dupla/). Uma caricatura dele mesmo, mas ainda assim soberbo.

Bottom line: eu gosto mesmo é do Sherlock de Conan Doyle. Li montes de livros com o detetive. O que me encanta nele, em Poirot, e outras personagens do gênero, é o que em inglês se chama: cunning (showing or made with ingenuity. artfully subtle or shrewd; crafty; sly; Informal. charmingly cute or appealing: a cunning little baby; Archaic. skillful; expert.). Sem socos, sem tiros, sem sangue, sem violência, e voilà!  O Sherlock Holmes de Downey é um Indiana Jones Brit e só.  Bacanas as sequências em câmera lenta, quando ele explica os embates/ações antes, passo-a-passo.  Mas é isso, não tem nada a ver com o velho Holmes.  Nem Watson, mas JLaw torna-o um pouco mais palatável e crível.

Achei este filme melhor que o primeiro. Sem dúvida vale ver. Mas se, como eu, você conhece Sherlock Holmes, deixe-o em casa e vá curtir uma outra personagem que não tem nada a ver com o detetive de Doyle.

13

de
janeiro

Mais um Hitchcock em minha vida

Desta vez foi Agonia de Amor, ou The Paradine Case (http://www.imdb.com/title/tt0039694/). O pessoal da titulagem é demais. I rest my case…

Como nos últimos filmes de Hitchcock que comentei (http://mskeller.blog.terra.com.br/2012/01/02/um-e-pouco-dois-e-bom-2/) (http://mskeller.blog.terra.com.br/2011/09/27/o-ultimo-cupom-a-gente-nunca-esquece/) neste também a origem de tudo é um crime. Na verdade, é só o ponto de partida, pois os crimes não têm taaanta importância assim. O negócio é a intriga toda no meio do caminho, os embates psicológicos.   Agonia de Amor começa com uma mulher elegantésima, com aquela cara de “bege”, sendo presa pelo assassinato do marido, um cego rico ou um rico cego. A casa é um palacete, tem mordomo, e a moça vai para a cadeia. Dá para crer?  Enfim: com aquele seu coque mantido à base de gordura de porco aromatizada (deve ter gente lendo que é desse tempo. Um filme com George Clooney, O borther, where art thou?-http://www.imdb.com/title/tt0190590/ - mostra bem o uso que se fazia dessa pasta), ou Glostora (eu sou desse tempo), ela vai é presa, veste o uniforme da casa, tem os cabelos despenteados, e comporta-se como se aquilo nada fosse. Gente fina é uma coisa!

O filme todo gira em torno da defesa dessa mulher, a Sra. Paradine, pelo advogado Tom Keane, representado por Gregory Peck. Este filme é de 1947, ou seja, dois anos após Spellbound (post de 2/1/2012) e quanta diferença!  Gregory Peck, não só pelas madeixas tingidas para dar um ar mais senhorial, está mais firme, mais seguro.  Não desmaiou nenhuma vez!  Percebe-se que Hitchcock deu uma igualada na importância das duas personagens: Alida Valli (Sra. Paradine) e Gregory Peck (Tom Keane). Nos filmes anteriores, deu-me a impressão de o diretor ter privilegiado e muito as personagens femininas.  Ann Todd, que faz a Sra. Keane, também tem um papel bem destacado.  Dois outros atores, Charles Loughton (lembram-se? Aquele do clássico Corcunda de Notre Dame e tantos outros filmes) e Charles Coburn (outro superastro), estão ótimos.  Talvez seja isso também, o GPeck teve sua carga aliviada pela distribuição mais equânime entre as personagens.  Por que aconteceu o crime a gente sabe lá pela metade do filme. Aliás, só o GPeck é que não sabe…mas o embate, o julgamento, a luta contra uma atração fatal garantem a atenção do espectador. Não é um super thriller, mas é bem interessante.

Algumas coisas interessnate:

  • Como o caso passa-se na Inglaterra, a Justiça ou promotoria é mencionada como “The Crown”. isso nunca tinha visto/ouvido.
  • Alguém se oferece para levar livros para a presa, e ela diz: não precisa, a biblioteca daqui (da prisão) tem coisas muito interessante. Nossa!
  • Em dado momento, como em tantos filmes que já vi mas não tinha atinado, o juiz diz aos jurados (que são pessoas comuns, em geral, não têm nenhum treinamento de fato para exercer a função): esqueçam o que foi dito pelos dois advogados. Isso não deve ser levado em conta.  Como assim, esqueçam? O que vi em outros filmes, depois me lembrei, foi: desconsiderem o que foi dito, apresentado…de novo: como dá para esquecer, não considerar de fato?
  • Na apresentação do valete do assassinado, claro que um francês, Latour (representado por Louis Jourdan - parece nome de marca de bolsa, sapato), o mistério é criado porque não se vê o rosto da personagem por um bom tempo.  Esse efeito é criado só com penumbra, pouca iluminação. Fá-lhe Hitchcock!
  • Tem umas ventanias, janelas batendo, para criar um clima de susto. Um negócio meio forçado.
  • O cabelo da mulherada é tão “firme” que dá a impressão de ser talhado na madeira.  Haja laquê.
O filme é em branco e preto, tem uma fotografia até interessante, o fausto das casas é uma coisa.  Valeu ver.

10

de
janeiro

2 x 1

Pensei que ia ser 3×0, mas aos 45 do segundo tempo a coisa mudou. Explico: depois de ver Adeus, primeiro amor e Façam-me feliz, estava à beira de ver outro filme francês, mas um amigo queria ver Cavalo de Guerra, então adiei o filme francês para semana que vem.

1) Adeus, primeiro amor (http://www.allocine.fr/film/fichefilm_gen_cfilm=185687.html). Vejam que não é implicância: em francês o título é Un amour de jeunesse.  Com esse título fica a dúvida: será o amor de toda a vida? Separação + reencontro? Mas com o título Adeus, primeiro amor sobra alguma dúvida? Já contaram o final. É mole?

Enfim, o filme conta a história da primeira grande paixão de um casal de adolescentes. A vida muda, o rapaz quer se aventurar pelo mundo. Promessas de que nada vai mudar, mas muda, né? A menina deprime, mas levanta, sacode a poeira e dá a volta por cima. Forma-se, enceta um novo relacionamento, mas o antigo amor assombra-a pela vida.  É um filme bem bonito, interessante, trabalha bem os sentimentos, mas é muuitooo lento.  Os atores (não conhecia nenhum) estão bem. Tem uma miscelânea de nórdicos, franceses, árabes, ou seja, um filme globalizado.  Pelo nome dos atores (http://www.imdb.com/title/tt1618447/), vê-se essa mistura.

Camille (Lola Créton), a protagonista, fica mais nua do que eu diria que é necessário. Bonita, jovem, mas não precisava disso. O filme, pela temática, já seria inquietante o suficiente.  O exagero elimina a justificativa do ato, i.e., tem hora que a gente se pergunta: mas para quê exatamente ela está nua agora? O espectador já entendeu…Fica um negócio um tanto vulgar e meio anos 60/70 demais, ou déjà vu.

O filme é mediano, e o ritmo lento demais.

2) Faça-me feliz (http://www.allocine.fr/film/fichefilm_gen_cfilm=139835.html)

O faz-tudo (ator principal, diretor, roteirista) é Emmanuel Mouret. Ele me lembra um monte de gente (não pelo físico, mas pelo jeitão/atuação): Peter Sellers, Louis de Funès. Ele faz cara de bobo, provoca quilos de trapalhadas, mas em geral sai-se bem. Aliás, só um francês ou em um filme francês para alguém ter aquele cabelo e passar por “chic”, moderno.

Outro filme em que não conhecia nenhum ator.  Outro filme mediano. Como para um país com tantos atores bons, consagrados, veem-se caras novas ou não tão conhecidas na tela de monte! O filme é divertido; foi feito para ser um pastelão. Dá para rir, passar uma horinha, mas só. Não tenham grandes expectativas.

A sinopse que li em algum lugar por aqui não tem nada a ver com o filme. Acho que algum crítico ou sinopseiro não fez a lição de casa…É a história de um casal em crise (Jean-Jacques e Aneth).  Ele compreensivo, querendo demonstrar seu amor à namorada, ela questionando, questionando, questionando sei-lá-o-quê. Sem querer, JJ (Mouret) é jogado nos braços de outra mulher.  Quase se enreda, mas o destino salva-o.  Depois de muita patacoada, ele volta para os braços da amada. Surge uma crise (mínima) e os dois voltam às boas.

Se estiverem com tempo, não querendo pensar muito, e com vontade de dar umas risadas, pode ser uma boa opção.

3) Cavalo de guerra (http://www.imdb.com/title/tt1568911/)

Spielberg é Spielberg, então vale, em geral, apostar em seus filmes.  Ele tem produzido mais do que dirigido.  Vi sua direção mais recentemente em O Terminal, Indiana Jones, Prenda-me se for capaz.  E como produtor: Bravura Indômita (http://mskeller.blog.terra.com.br/2011/02/14/bandidos-e-mocinhos-para-ninguem-botar-defeito/), Além da Vida (http://mskeller.blog.terra.com.br/2011/01/10/voltando-a-ativa/). E pelo jeito vêm algumas coisas como diretor, mas muitas mesmo como produtor. No caso de Cavalo de Guerra, ele é os dois.

Podem dizer que sua extensa produção tem altos e baixos. Tal seria não ter com a listona de realizações.  Mas o fato é que já vi coisas bem melhores que Cavalo de guerra.  Achei o filme edulcorante, melado, dramalhão de arrancar lágrimas (e haja fungação…).  Over…O filme me deu a impressão de uma colcha de retalhos, i.e., referências a filmes de todos os tempos e da carreira do próprio Spielberg.  Impossível não ligar algumas imagens a E.T., E o vento levou, Lista de Schindler, e por aí vai.  E é compriiidooo. Mais de duas horas. Tem uma hora que a gente ora para que o cavalo se salve, volte para casa, e a guerra acabe.

A fotografia e a trilha sonora são bacanas, épicas mesmo.  Os atores estão bastante bem, com um único senão: alemães falando inglês com sotaque alemão, franceses falando inglês som sotaque francês…para quê?  Põe a língua original e as legendas duplas…Achei isso totalmente tolo e irritante.

Enfim, é uma produção milionária, bem feita, mas a gente não tem grandes surpresas, é tudo meio o esperado.  Na verdade, surpresas só em algumas ações do (ou será dos) cavalo.  Um animal (ou animais?) especial. Excelente ator!

Peter Mullan, David Thewlis, Niels Arestrup e Emily Watson estão ótimos!  Alguns secundários também fazem bem bonito. O menino Jeremy Irvine, protagonista, é uma promessa a ser conferida.

Ah, sim, é a história de um moleque que se encanta por um potro, treina-o, o animal supera-se a cada momento, os dois separam-se, o animal passa por um zilhão de aventuras durante a I Guerra, e os dois reencontram-se. Tudo isso eu não precisaria contar, vocês já tinham intuído. O recheio é que faz a diferença.

Bonito filme, bem emocionante! Só que o que ficou mesmo para mim foi a sensação de já ter visto tudo aquilo. Nota 7, e só porque gosto muito do Spielberg.

2

de
janeiro

Um é pouco, dois é bom…

Três é melhor ainda!

Pela ordem:

1) Spellbound - Quando fala o coração (http://www.imdb.com/title/tt0038109/) de 1945, de Alfred Hitchcock.

Filme estrelado por Gregory Peck (quase bebê) e Ingrid Bergman.  Incrível! Hitchcock privilegiava mesmo suas atrizes do coração. A IB dá de 10 a 0 no GP.  Ele, aquele bonitão, e só. Ela, a mulher linda independente, determinada, corajosa, insinuante.  Uma personagem gigantesca. O que a personagem do GP mais faz no filme é desmaiar.  Um desmaio a cada 10 minutos. É até engraçado.

Trata-se da história da troca de comando de uma clínica psiquiátrica, ou em bom e velho português: manicômio.  Para os que analisam, são analisados, interessam-se pelo tema (psicologia, psicoterapia, psiquiatria e correlatos) é um prato cheio ver/ouvir as teorias, linhas de ação, conceitos da época. Até para mim, distante e leiga, foi bem interessante.

GP apresenta-se como novo diretor da clínica. A partir de alguns comportamentos estranhos a história complica-se de monte, chegando a um crime. Bem interessantes o roteiro e as personagens. Tem uma trilha sonora bacana, as usual.  Realmente Hitchcock era um mestre. E como sempre faz sua pontinha em seus filmes.

O filme é em preto e branco.

2) Triângulo Amoroso ou simplesmente 3, no original (http://www.imdb.com/title/tt1517177/), do mesmo diretor de Paris, te amo e Corra, Lola, Corra (Tom Tykwer).

É a história de um casal que sai do quadrado depois de conhecer separadamente um homem bem “aberto”, Adam. Uma jornalista (é o que dá para entender), um construtor de obras de arte e um pesquisador médico = mistura explosiva. Casal de 40 anos que vive junto há 20, encontra um jeito de romper a rotina. Os dois apaixonam-se por Adam, sem que um saiba do outro. Isso mesmo…Na verdade, sobretudo para a mulher, é o tipo de relação sexual ideal, desde que ela não faça questão de repartir o marido e o amante com o amante e o marido. O filme é alemão e em alemão.  Não tem uma fotografia fantástica, mas é agradável. A trilha é boa e tem até David Bowie-Space Oddity:http://youtu.be/rKE3FSPJu-4.  Enfim, um negócio modernoso em vários níveis.

Adam, Devid Striesow, pareceu-me muito familiar. Realmente eu o vi em Os Falsários (http://mskeller.blog.terra.com.br/2009/05/30/golden-friday/) há uns anos.  Ele tem um semblante bem marcante.  Os 3 atores (dois homens + uma mulher) estão muito bem.  Há muitas reviravoltas pelo caminho, o que dá a impressão de o filme ser mais longo do que é de fato. A gente tensiona…

Se vocês não estão preparados para ver relações sexuais abertas, homem com homem, mulher com dois homens, não vão ver. O assunto é tratado com certa leveza, não há vulgaridade, mas acho que vocês não vão se divertir.

3) Tudo pelo poder (http://www.imdb.com/title/tt1124035/), que originalmente era The Ides of March.

Ides = ides (#dz), n. (used with a sing. or pl. v.) (in the ancient Roman calendar) the fifteenth day of March, May, July, or October, and the thirteenth day of the other months.

(segundo Random House Webster’s Unabridged Dictionary)

Ou seja, “num intendi nada…”

O tema é bem batido: bastidores de uma campanha eleitoral, com todas as baixarias morais que sabemos ou intuímos. O que faz a diferença é a direção de George Clooney, e a atuação soberba de Ryan Gosling (http://mskeller.blog.terra.com.br/2011/06/15/quem-sabe-sabe-mesmo/), Saymour Hoffman (http://mskeller.blog.terra.com.br/2011/07/27/uma-linda-surpresa/), Paul Giamatti (http://mskeller.blog.terra.com.br/2011/04/21/todo-mundo-tem-um-robesputin-dentro-de-si/). Marisa Tomei (http://mskeller.blog.terra.com.br/2011/06/02/quanta-emocao/) também está muito bem. Além do próprio Clooney (http://mskeller.blog.terra.com.br/2010/06/25/to-infinity-and-beyond/), claaroo!

Um filme que repete em muitos sentidos o que já vimos antes na telona, e sobretudo na vida real. Conclusão: podemos pouco, muito pouco diante dos interesses de figurões, de empresas, e do poder de fogo dessa gente.  Se vemos alguma “justiça” por aí é porque há interesse de alguém em fazê-la. Nada, nem mesmo o castigo, a punição de quem achamos que deva ser castigado ou punido, são desinteressados. O cinismo é palavra de ordem.

Interessante ver o filme já com a campanha americana começando, aliás no mesmo estágio do filme praticamente, e olhar para os políticos, suas ações, posturas, ouvir os discursos com olhos e ouvidos despoluídos.  Disgusting!

Um filme acima da média.

30

de
dezembro

E se acabou…

Mesmo depois da pauleira da semana de 18 a 23/12, ainda tive forças para ver dois filminhos e terminar bem o ano na área.

Primeiramente: O último dançarino de Mao (http://www.imdb.com/title/tt1071812/). Filme baseado na autobiografia de Li Cunxi.  A maior parte da história se passa nos tempos de Mao (http://pt.wikipedia.org/wiki/Mao_Ts%C3%A9-Tung) e avança até os tempos de Xiaoping (http://pt.wikipedia.org/wiki/Deng_Xiaoping).

O governo chinês, cioso da educação/cultura, ou melhor cioso de criar uma educação e cultura revolucionárias, ia a vilas, aldeias, e fazia uma seleção de meninos e meninas que, sustentados pelo Estado, brilhariam na dança, na música, etc.  Li Cunxi foi separado de seus pais aos 10-11 anos. A partir daí, gostando ou não, foi submetido a um pesado treinamento para se tornar um bailarino de qualidade.  Para um menino nessa idade a coisa não seria fácil, e não foi mesmo. Muito choro, muita dor, mas tudo superado com uma imensa determinação.

Foi bem interessante ver o filme na mesma época em que aconteceu a morte do líder coreano Kim Jong-il (http://pt.wikipedia.org/wiki/Kim_Jong-il).  Isso porque o isolamento em que viviam os chineses, sobretudo na época de Mao, talvez fosse comparável ao que vivem os norte-coreanos. Dá para entender as manifestações que temos visto pela net e tv se temos esse distanciamento em mente.  No filme, quando o bailarino, já rapaz, chega a Houston num momento de aproximação e troca cultural, seu deslumbramento e desconhecimento se coisas corriqueiras é impressionante.  Até achei que o ator, Chi Cao, exagerou um pouco, mas repensando vi que deve ter sido bem assim: olhos esbugalhados, boquiaberto, sustos.  E vejam que Cunxi falava um inglês razoável, aprendido a custa da leitura de dicionário.   Hoje mesmo saiu uma notícia na internet que mostra como essas massas são manipuladas, como o processo de alienação é cruel, esmagador e dá para imaginar o que ele pode produzir: http://goo.gl/p3TPc.

Enfim, há um imbroglio diplomático no meio da história, o bailarino apaixona-se, casa, descasa, recasa. Mas o bonito mesmo é vê-lo falando da família e sua luta para voltar e rever os pais, dançar em seu país.  Todos os atores que fazem o protagonista, de menino a adulto, são muito bonitos. Vejam umas fotos do adulto (Chi Cao) aqui: http://goo.gl/AxCKp.  Ah, e os atores que fazem os pais do bailarino também atuam muito bem. Os demais caucasianos não comprometem e só.

O filme tem trilha linda, os momentos de ensaio, treino, performance dos dançarinos são belíssimos.

É uma forma de ver o comunismo e a sociedade chinesa sob um prisma diferente do que se está acostumado (eu, pelo menos). A produção é australiana, portanto claro que um filme feito por chineses daria um resultado bem diferente. De todo jeito, a autobiografia está à disposição de quem quiser para servir de tira-teima.

Depois:Românticos Anônimos (http://www.imdb.com/title/tt1565958/). O título original é Les émotifs anonymes. Virou românticos por causa do título em inglês, imagino, mas não tem nada a ver, já que émotif = affectif, tendre.  Enfim…mais um filme francês que tem como coadjuvante o chocolate.  Todos devem se lembrar do ótimo Chocolat (http://www.imdb.com/title/tt0241303/) de 2000 sobre o mesmo tema. E como os chocolates franceses são bonitos! Gostosos nem sei se tanto, mas bonitos são.

No filme duas pessoas complexadas, cheias de manias, que penam para conviver em grupo, acabam se esbarrando devido a vários equívocos. Os dois têm a paixão pelo chocolate, são tímidos, “desengonçados” em termos de convivência social, mas acabam se entendendo.

Um filme divertido, simpático, que mostra como tem gente sofrendo para se enquadrar nesse mundo de meu Deus.

Benoit Poelvoorde como Jean-René, o dono da fábrica de chocolate, está impagável e tocante. Isabelle Carré, como a jovem Angélique, também está ótima.  Música bonita, Paris de fundo.  Um filme divertido e bonito para ver a qualquer momento.

21

de
dezembro

A abstinência bateu

Não vai ter jeito. Tenho de esperar até o dia 24 para voltar a uma sala de cinema. Por um trabalho que estou fazendo nesta semana, não deu nem para chegar perto de um cine. Horário irregular, com muitas horas picadas, aliás isso é extremamente pouco produtivo. Sempre digo: não é o que se faz, é como se faz. E, em geral, salvo em pouquíssimas ocasiões (e eu sei do que estou falando pois trabalhei 36 anos sempre como final da linha de produção - secretária, ou seja, o que o outro deixou de fazer direito e em tempo lá atrás acaba se refletindo em meu trabalho em termos de carga e urgência), trabalha-se muito porque se trabalha mal. Dito isto,  já estou tremendo de abstinência.

Felizmente, antes de começar o trabalho, consegui ver um filminho muito bom: Margin Call (http://www.imdb.com/title/tt1615147/). É aquilo que a gente já sabe: gente que se acha acima do bem e do mal, acha-se infalível, aí faz aquela queca, e os outros é que acabam pagando.

O filme conta o que aconteceu na pré-crise de 2007-2008. As referências ao Lehman Brothers são bem claras.  Não é nada contundente como Inside Job (http://mskeller.blog.terra.com.br/2011/02/22/isso-e-que-e-filme-de-terror/), mas é bem realista.

São cobertas entre 24 e 36 horas de um achado inquietante: quando uma leva de pessoas é demitida, um dos executivos “saídos” lança no ar (literalmente) informações que estava analisando e que remetiam a um crash se nada fosse feito.  As perdas da companhia seriam tão grandes que, embora fosse um negócio bem sucedido, o patrimônio só cobriria um tiquinho delas.

Atores de primeiríssima: Stanley Tucci, Kevin Spacey, Paul Bettany (de repente ele está virando queridinho de diretores? Eu gosto dele, mas não acho que seja para protagonizar nada), Jeremy Irons (a primeira atuação, depois de muito tempo, de que gosto -http://mskeller.blog.terra.com.br/2009/02/25/dia-de-alimentar-a-alma-porque-o-corpoesse-ja-foi/ ). Agora a Demi Moore…o que é aquilo? Uma voz rouca, sem expressão, rosto idem, é uma Cher na vida.  Se chorei, ou se sorri, como canta Beto Carlos, tanto faz, porque nada muda no rosto da atriz. E para uma atriz que se cuida tanto e nem tanta idade tem, o rosto está marcado com rugas, bolsas…tudo bem que ela representa uma executiva em crise numa empresa falimentar, sem dormir há horas, mas peraí…Enfim: o filme é dinâmico, bacana, dá para entender que, com raras exceções, se tem tanta gente ganhando dinheiro grosso e rapidamente por aí e com a vida de outros (inclusive a minha, né?) em suas mãos é porque a sorte é benfazeja, já que esse pessoal passa a se achar à medida que algumas tacadas dão certo e perda a noção de sua falibilidade.  Síndrome de Deus no campo financeiro também.

Vale ver o filme, com certeza!

Bom, acho que só consigo escrever depois no Natal - dia 24 vou tomar um chá de cinema, espero! - então bom Natal a todos que partilham a fé e fazem a festa.  Que passem dias tranquilos, alegres, de saúde e paz com suas famílias e amigos.

13

de
dezembro

Adorei esse funeral

Por favor, sem Ave! Nossa! Credo! e similares nacionais. Verão que o título é justificado.

Antes, gostaria de voltar brevemente a outro assunto: saúde nacional (http://mskeller.blog.terra.com.br/2011/12/02/medicos-e-monstros/), só para arrematar o tema.

Graças à mão do médico e a meu dna privilegiado que facilita cicatrizações, em poucos dias nem me lembrava de minha operação.  Não doeu, não ardeu, eu cuidei direitinho. Tirei parte dos pontos ontem (os últimos vão embora na próxima segunda), e quase não se tem notícia do corte de uns 15 cm.  E, felizmente, a biópsia acusou eliminação total do melanoma.

Mas queria comentar um fato vinculado a minha passagem pelo hospital. Escrevi, no posto de 2/12, que a enfermeira responsável pelo andar fez uma bateria de perguntas. Entre elas: se eu sou destra ou canhota. Resposta: destra.  Na hora o tico e o teco não atinaram o motivo. Fui para a sala de cirurgia já relaxada e dali a apagar foi um pulinho.  Acordo com o soro em que mão? Hein, hein, hein? Claarooo, na DIREITA! Já fiz muitas outras cirurgias, mas sempre fiquei deitada de costas e o soro ia na veia, no meio do braça. Desta vez, como a cirurgia era nas costas, fiquei de bruços, por isso o soro foi aplicado no dorso da mão.

Saí do hospital e não notei nada, mas a partir do dia seguinte meu braço + mão ficaram inchadíssimos e mais que doloridos ao toque, e olha que meu limiar de dor é bom, hein! Hoje, 13 dias depois da cirurgia, o corte está uma beleza, cicatrizando a mil, e minha mão continua inchada e dolorida. Claro que melhorou muito, mas ainda está dolorida e inchada.  Felizmente, a rata na aplicação do soro (claro que houve um problema, pois o resultado normal não poder ser esse pra uma simples aplicação de soro) não gerou hematomas ou dificultou os movimentos de minha mão direita, aquela que uso para tudo, onde está minha força e destreza.  Exatamente para que perguntam se não leem ou respeitam informações tão valiosas passadas pelo paciente?

Ah, e na sexta-feira (Diário de SP), leio as seguintes notícias in a row: Jundiaí / Médicos negam socorro e idoso morre; Pedreira / Bebê morre após receber remédio errado (de novo! Seguramente, o/a enfermeira ou auxiliar estava no seu celular combinando o churras de domingo…o celular desses profissionais deveria ser deixado sob guarda armada…) e por último: SP/Ambulância atropela paciente que transportava (heeeiiiinnn?). Ainda bem que não preciso voltar a ambientes médicos in a short time.

E agora voltando ao funeral. Fui ver Inquietos (Restless - http://www.imdb.com/title/tt1498569/), de Gus Van Sant, que apesar desse nome esquisito é americano da gema.  É o mesmo diretor de Gênio Indomável, Milk. De novo, um ótimo filme.  Os atores principais: Henry Hopper e Mia Wasikowska estão ótimos. Sobretudo MW.  Já escrevi por aqui que não gostei dela em Alice, mas sua evolução foi mais que visível (http://mskeller.blog.terra.com.br/2010/11/14/so-queria-acrescentar-uma-coisinha/), pelo menos para mim.   Em Inquietos, ela está em um papel difícil que facilmente poderia descambar para o lacrimejante descontrolado, para o patético, mas ela o desempenha com tanta sensibilidade, com tanta delicadeza, com tanta maestria que Annabel torna-se irretocável. A personagem de Hopper também não é fácil.   No começo um rapaz desequilibradinho, deprimido, rebelde, etc. etc., mas aos poucos ele vai ganhando humanidade, sensibilidade. Até a figura “fantasmagórica” de Hiroshi (Ryo Kase) só agrega beleza ao drama de Enoch e Annabel.

É a história de um rapaz que perdeu os pais em um acidente, revoltado contra o mundo, e com manias estranhas.  Ao encontrar Annabel (MW),  redescobre a alegria de viver, o amor juvenil.  Não vão pensando que vem um happy end por aí.   Podem levar o lencinho.  Annabel tem uma doença incurável, então já viu.  É preciso viver um dia de cada vez, e bem, e saber lidar com a perda.  Fácil não é, mas o filme joga uma luz interessante sobre como é possível ou menos doloroso fazer esse exercício.  A visão da menina quanto a sua doença é muito realista, mas um tanto irreal. Quem de fato vê seu fim daquele jeito?  Bom, a ficção está aí para isso.  Annabel extrai a seiva da vida a cada momento e com ela se alimenta e fortalece.  As transformações por que cada um dos dois jovens passa são muito bem retratadas na tela, o que as torna muito interessantes.

A fotografia é bacana, e a trilha mais ainda. Vai um pouquinho aqui: http://youtu.be/nXM4YLlijA8 e  http://youtu.be/djtpQdqAx30 / .  Não perca.

Ah, sim, o funeral: é que tem um superbacana, com aquela coisa de americano: contido em lágrimas e com uma mesa fartíssima. Comidas deliciosas!  Huumm, se eu estive por lá, acho que, como Enoch, arrumaria alguns para ir…

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