20
de
fevereiro
Boas e más
1) Reis e Ratos (http://www.imdb.com/title/tt2182085/)

Nem vou escrever muito. Valho-me desta crÃtica: http://omelete.uol.com.br/reis-e-ratos/cinema/reis-e-ratos-critica/.  Eu não pensava em ver o filme de imediato, não era prioridade. Um amigo preferiu esta opção entre outras que ofereci, então vamos lá. Não seria sacrifÃcio, afinal Selton Mello (http://mskeller.blog.terra.com.br/2011/11/10/brilhos-diferentes/) de quem gosto muito, também Rodrigo Santoro  (http://mskeller.blog.terra.com.br/2011/10/11/nada-a-ver-com-nada/) que goza de minha simpatia, faziam parte do elenco. Igualmente Cauã Reymond (http://mskeller.blog.terra.com.br/2011/10/11/nada-a-ver-com-nada/), aquele tipo bonito, mas menos que mediano como ator, Otávio Muller (não gosto, nem desgosto).  Surpresas boas para mim foram Rafaela Mandelli e Seu Jorge. Mais um quilo de secundários que se comportaram bem.
É o relato escrachado do golpe de 1964.  Está tudo lá (mas duvido que 90% dos espectadores jovens se deem conta/entendam): a mão da CIA, do governo americano, a cooperação militar Brasil/Estados Unidos, as quecas devido ao onipresente amadorismo nacional.  Como sempre digo: a ideia (do filme) é boa, o delivery é ruim.
Para mim foi um déjà vu do começo ao fim. Desde as falas sincopadas que me remetem a uma história em quadrinhos (quantos filmes já não se utilizaram disso) ou filme de super-herói; olhos semicerrados que pertencem a homens duros; muito palavrão, mas muito mesmo não sei para quê (tudo bem, a realidade é essa, mas isso é ficção, não documentário, então sejam criativos E refinados). Enfim, como diz a crÃtica do link acima, um filminho B e olhe lá.  Até a personagem de Rodrigo Santoro, over demais na desfiguração que eu já vi em tantos filmes por aà feita com mais competência.  O conceito é bom, mas o produto final é patético.
Único mérito: contar a história da época sem puxar para um lado ou para outro, com realismo (comédia DOS erros cometidos pela intelligentsia nacional) suficiente, com toque de bom humor. Pela qualidade discutÃvel, o filme é longo demais. Pena que um plantel de atores bastante razoável tenha sido submetido a um resultado tão tosco.
2) Hugo (http://www.imdb.com/title/tt0970179/)

Não sei por que o pessoal que titula filmes continua fazendo isso comigo. No original: Hugo, por aqui A inveção de Hugo Cabret. Que invenção??? O moleque não inventou nada! Ainda vão criar problemas legais para a personagem: o verdadeiro inventor pode querer processá-lo. Tenha dó!
O filme é um bom Scorsese, que até faz uma pontinha (prestem atenção ao fotógrafo de cartola) como Hitchcock fazia.
O cast é de cegar de tantos talentos: Ben Kingsley, Sacha Baron Cohen (aka Borat), Christopher Lee, Helen McCrory, Jude Law (numa aparição rapidinha). O ator que faz Hugo, Asa Butterfield (o pessoal que dá nome à s crianças pelo mundo afora poderia dar a mão ao pessoal da titulagem por aqui), que fez O menino do pijama listrado, Nanny Mcphee, está bem, mas não é tudo isso. Um tantinho inexpressivo, ‘mild”, só olhos, se é que me entendem.  Quem domina a cena é Chloë Grace Moretz, que faz a amiga de Hugo.  A menina dá de 10 a 3 no moleque.
O filme trata da história de Hugo (aquele não inventou nada), um menino de seus 12 anos. Já havia perdido a mãe e tudo ia razoavelmente até perder o pai.  Aà passa a morar na estação de trem e sua meta é consertar o autômato que seu pai lhe deixou. A história, da mesma forma que O Artista (http://mskeller.blog.terra.com.br/2012/02/06/ainda-resta-uma-esperanca/), também trata das mudanças na indústria do cinema e suas consequências. Em O Artista, o ator do cinema mudo não se adapta à nova realidade do cinema falado e bate no fundo do poço; em Hugo, é o diretor/ator que vê o mundo mudar, os gostos, mas também não consegue se adaptar e também bate lá no fundo.  Interessante que num mesmo ano, dois filmes concorrendo a Oscars tenham uma temática incomum comum.
Gostei do filme, mas não acho que seja emblemático. A produção é riquÃssima (em todos os sentidos), a trilha é bacana, a fotografia/cenário idem, figurinos refinados, mas é isso, tudo muito bom, tudo muito bem, mas já vi iguais e melhores com certeza. Achei o ritmo também um tanto lentinho em alguns trechos. E não é má vontade, hein! Vi o filme duas vezes: uma dublado e outra  legendado. É que o dublador do Hugo é ruim demais. Não me conformei e fui ver o legendado. Muito melhor. Na versão dublada, as personagens em geral, apesar do sotaque carioca carregado (gente, não dá para fazer o pessoal usar o padrão norma culta ou chegar perto pelo menos? Para isso é que têm talento, arte…), até que estão bem, mas o menino…um horror! Vejam bem, se como em outros paÃses (França, Portugal, Alemanha) vamos começar a ter filmes sobretudo dublados (a transformação já está instalada), então há que se restaurar e desenvolver a classe de dubladores. Os de verdade, como os que ouvi em minha infância e juventude dublando tudo na tv com galhardia, competência.  Não é só botar alguém da Globo e achar que está tudo dominado. Não está. Isso acaba com uma boa produção.  Os dubladores de carreira, que conseguiam dar vida a várias personagens com categoria, tiveram que achar outras formas de viver, já que o pessoal da telinha começou a invadir, sem nenhuma competência, a seara alheia.  Com isso, destruiu-se a carreira, não se desenvolveram novas vozes, novos talentos dedicados integralmente à dublagem,  não pelo menos no volume necessário.  Não adianta botar essa meninada chatinha, com voz de fuinha (nem sei se fuinha tem voz), porque a prezada criatura aparece em sei-lá-eu que programa, ou é sobrinho de não-sei-quem, ou a mãe mata se ele não entrar no filme.
Lembro-me de um caso emblemático, entre tantos. Quando menina (12 - 14 anos), assistia a um programa chamado Zás Trás (http://memoriaglobo.globo.com/Memoriaglobo/0,27723,GYN0-5273-249657,00.html).  A apresentadora, Márcia, fazia “n” vozes de criança nos desenhos animados, em  filmes.Uma perfeição! É isso, tão simplesmente: um adulto que consegue fazer uma boa dublagem de uma personagem infantil. Não adianta querer que uma criança tenha o mesmo desempenho. Insistir dá nessa queca do Hugo.  E mais, crianças dubladoras, só se tiverem a competência (infelizmente não temos no paÃs a mesma gama e variedade de crianças boas de palco, de representação que há lá fora, embora o ufanismo nacional creia que sim) de atores-mirins como Rock Duer, Jasper Newell, Ezra Miller, Malonn Lévana, ou a própria Choë Moretz e olhe lá, senão não dá.
Como há muitas cópias dubladas, para ver a legendada só no Shopping Frei Caneca, que eu odeio de paixão. Detesto aquela região e o shopping também. Que fazer? O atendimento dos cines Unibanco, que já está se transformando em Itaú, sempre foi ruim apesar de uma programação bem boazinha, mas conseguiram se superar e sobretudo nesse shopping. Além do mau atendimento, estão reformando a sala 2, contÃgua de alguma forma à 1.  E tome marteladas de monte no meio do filme, um baticumbum para ninguém botar defeito. Imagine se a administração, gerência, funcionários do cinema está aà para o tema. Qual o quê? A sala está cheia, tem gente de montão pagando para essa queca toda, então “dane-se”.  Se eu puder, ali nunca mais.
Enfim, um filme bonito, cheio de sonho, com emoção, que permite ao espectador viajar e se encantar. Vale ver seguramente.






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