Escrever para viver!

Tudo que der na telha e que eu achar que vale a pena

13

de
março

Quase lá!

Hoje viajo para Foz do Iguaçu.  O Escrever para viver vai repousar comigo.  Maaassss…quem bloga, bloga mesmo…portanto, já tem link para a viagem:  http://muitaguavairolar.blogspot.com/2011/03/de-novo.html

Mas antes de ir um resumo do dia, que foi agitadinho.

Primeiramente, exposições no Instituo Tomie Ohtake (http://www.institutotomieohtake.org.br/programacao/expocartaz/tecartaz.htm).  Quatro excelentes:

(1)  Vik Muniz, muito melhor do que a que vi no MASP (http://mskeller.blog.terra.com.br/2009/05/24/ser-e-ter-eis-a-questao/). Na verdade, não sei se não foi meu olhar que mudou. Acho o artista criativo, surpreendente em alguns momentos, mas nesta exposição me diverti a valer, achei muita graça no inusitado de algumas obras. Além disso, tem de tudo: escultura, foto, bonsai, instalação.  Um artista multifacetado. Uma festa!

(2) Cartazes de bonde produzidos pelo Atelier Mirga: peguei o fim dos tempos de bondes. Na verdade, andei umas duas vezes só aqui em SPaulo, portanto lembro-me vagamente dos cartazes. Nos bondinhos de Santos (http://mskeller.blog.terra.com.br/2011/01/19/adoro-essa-cidade/) ainda é possível vê-los. Criativos, divertidos, realistas. Em que outra peça publicitária se poderia ler: “lombrigueiro efficaz, usado há 66 annos”? E o famoso e decantado: Veja, ilustre passageiro / O belo tipo faceiro / Que o senhor tem ao seu lado…/ E, no entretanto, acredite, / Quasi morreu de bronquite, / Salvou-o o RHUM CREOSOTADO!?

(3) Miragens:fotos, vídeos, pinturas, instalações de artistas contemporâneos do universo cultural islâmico. É uma exposição paralela, igualmente patrocinada pelo Banco do Brasil, à que está no Centro Cultural do Banco do Brasil (http://mskeller.blog.terra.com.br/2011/02/12/comecando-pelo-film/), no centro da cidade. Muito interessante, imagens instigantes, vídeos desconcertantes.

(4) Rótulos de Cachaça: tão divertida e interessante quanto os cartazes de bonde. Quanta cachaça tem por aí! E que criatividade para nomes e rótulos.  Até formulei uma teoria para o nome da 51.  Se forem à exposição (eu não perderia um conjunto tão bom e diversificado, e de graça!), vejam se conseguem chegar a uma conclusão também.

Depois, direto para o Galpão do Folias (http://www.galpaodofolias.com.br/site/category/novidades/). Nunca tinha ido ao espaço que, pelo que entendi, tem sempre montagens primorosas.  O acesso é muito fácil, e o local, apesar de ficar ali pela S. João, perto de um viaduto, é bastante tranquilo, limpo, ajeitado. A peça baseia-se em A Dócil de Dostoievski. Dois atores em cena (Dagoberto Feliz e Patrícia Gifford). O espaço é bem interessante. O espetáculo começa na rua (quem for baixinho como eu perde “visualmente” os primeiros cinco minutos, mas não tem importância. Relaxe e ouça, porque ver, não vai ver, não), e vai entrando aos poucos pelo teatro.  O espectador arruma sua cadeira - a plateia é bem irregular e os atores movimentam-se (e como!) entre as cadeiras, os espectadores, escadas, itens de cenário. O texto é muito bonito, e os dois atores estão ótimos. Música ao vivo, iluminação primorosa. Guarda-roupa minimalista, mas não presisa mais.  O cenário também está imerso na plateia.  Já vi formatos de encenações similares, mas este surpreende em muitos momentos e cumpre seu papel com louvor. Interessante ver os passantes, pedestres, já que muitas vezes a cena é visível da rua, o ator sai e canta. 99% passa dando uma espiada, mas alguns vão e voltam, e se pudessem, entrariam.  No início, quando ainda estamos na calçada, um rapaz que passou perguntou: é espiritismo? Se puder vá ver, vale muito a pena.

E por último: Palhaços (http://vejasp.abril.com.br/teatro/palhacos) que, segundo meu amigo me disse, está em cartaz contínuo há anos, migrando por teatros. Vi no Imprensa - Sala Vitrine. E, pasmem! O Dagoberto Feliz também é uma das duas personagens.  Chegamos quase juntos! A peça é de Timochenco Wehbi (queeeemmmm? Essa foi minha pergunta). Pois é, com esse nome todo era de Presidente Prudente. Aqui uma biografia interessante: http://www.itaucultural.org.br/aplicexternas/enciclopedia_teatro/index.cfm?fuseaction=personalidades_biografia&cd_verbete=853.  A peça foi encenada inicialmente na década de 70.  Palhaço e espectador/fã discutem com profundidade as escolhas que fazemos pela vida, e das quais nos tornamos prisioneiros muitas vezes. Muita risada, timing ótimo para o cômico, atores a poucos metros da plateia, interação total. Danilo Grangheia está ótimo (ele fez outra peça a que assisti / http://mskeller.blog.terra.com.br/2010/11/10/para-que-querer-inventar-a-roda//, mas não o havia reconhecido). Quanto a Dagoberto Feliz, o Flash do teatro paulistano - de um teatro a outro em segundos!-, está fantástico. Nada da personagem que eu vira havia uma hora colou no ator. Transformação impressionante!  Estava para ver essa peça há um tempo, ensaiando, ensaiando, ensaiando. Que bom que pude vê-la finalmente. Compensou plenamente a espera. Ah, e não percam de jeito nenhum!

E agora vou mesmo…até a volta!

nota: texto bacana sobre as duas peças: http://iracenna.blogspot.com/2011/03/docil-palhacos-2x-dago.html?spref=fb

11

de
março

Sem título

Caiu a ficha! Fui ver a ótima exposição de obras de Dionísio Del Santo (concretismo) (http://www.pitoresco.com.br/brasil/delsanto/delsanto.htm) na CEF da Paulista (http://www.caixacultural.com.br/html/main.html) e percebi que o artista (vários), quando não sabe o que dizer, não põe título nenhum na obra. Claro que algumas que não têm título, a gente consegue captar,mas outras…um título ajudaria muito (lembrem-se, eu sou aficionada, leiga, cidadã comum, então uma ajudinha é bem-vinda de vez em quando).  Obras lindas de Del Santo: xilogravuras, serigrafias, óleos sobre tela; a grande maioria bate tão fundo que não precisa de título, explicação, e muitas são “sem título” mesmo.

Escrever um blog é um prazer, um exercício em vários níveis e de várias naturezas. Normalmente, quando penso no post o título vem imediatamente, às vezes tenho de pensar um pouco mais, dá um trabalho.  De agora para diante: Sem Título, e pronto…brinca, não quero, não, é um desafio interessante e muito prazeroso arrumar um  título novo e interessante a cada post.

Voltando: a exposição é linda, as obras intrigantes. Gratuita, ali no Conjunto Nacional. Não deixe de ver. Dê uma sapeada nos links acima.  Ah, e o catálogo da exposição é mais que primoroso!

Depois fui ver Incêndios (http://www.imdb.com/title/tt1255953/), outro indicado ao Oscar e baseado na peça de Wajdi Mouawad. Ensaiei, ensaiei, não deu certo, mas ontem foi o dia.  Maravilha de filme. Dos atores, só conheço Lubna Azabal que fez Exils de 2004, que vi no Reserva durante o ano da França no Brasil (http://mskeller.blog.terra.com.br/2009/07/26/un-autre-dimanche-particulier/). Não gostei do filme, aliás, em minha opinião, foi o mais fraco de toda a série que passou pelo Reserva em comemoração ao ano.

Incendies (http://www.incendies-thefilm.com/#/synopsis) tem o mesmo formato de outros filmes que vi (não me lembro exatamente quais): cada parte ou personagem tem o nome/título destacado, como se fossem capítulos. Apesar do bom desempenho dos atores, o filme funciona diferente de Em um Mundo melhor (http://mskeller.blog.terra.com.br/2011/03/08/socorro/). Neste filme, além da boa história revisitada com com boa direção e enfoque, a atuação dos atores faz diferença. Em Incêndios acho que poderia ser João, Maria ou José, porque a grande coisa é a história, o roteiro. Hipnotizante! A gente não vá intuindo o que vem pela frente, mas mesmo assim tem ineditismo, surpresa em vários momentos, e um apelo interessante.

O filme trata de uma cristã que se envolve na guerra com muçulmanos, passando para o lado do inimigo. Mãe solteira, é considerada vergonha para a família, para o povoado mesmo décadas depois. Lá na frente é capturada e punida. Mas tem muito mais!

O filme é rodado na Jordânia parcialmente, e se fala em Oriente Médio apenas, mas na verdade trata da guerra do Líbano (http://pt.wikipedia.org/wiki/Guerra_do_L%C3%ADbano_de_1982) - acho!: cristãos x muçulmanos/refugiados. Falanges, várias facções, destruição. Depois disso, o Líbano se reconstruiu - até o embate seguinte.  A história é emocionante e demonstra como heróis surgem sem querer, sem saber, apenas porque querem sobreviver, e as circunstâncias transformam-nas em líderes, personalidades notáveis. Na guerra há máquinas de guerra, gente sem nenhuma noção de civilidade, de solidariedade e o contrário também. Interessante também ver como ainda recentemente a visão extremista, extremada, intolerante grassa pela região.  Um thriller, com grandes toques sociopolíticos e antropológicos. Em resumo: um filmaço!

E para terminar: que o terremoto e tsunami deixem o Japão. Há pouco, ouvi que uma usina nuclear sofreu vazamento. Muito triste! E as ondas em Sendai? Que isso pare já e que o país consiga se recuperar o mais rápido possível. O Japão não merece isso.

12

de
fevereiro

Começando pelo fim

Que marravilha!!! Como diria o premiado chefe francês.  Assim foi o dia. Relato as atividades do período da tarde primeiramente.

Como fiz um programa no centrão pela manhã (próximo post), resolvi aproveitar a proximidade e visitar o Centro Cultural Banco do Brasl e a CEF Cultural da Sé.  Já escrevi várias vezes sobre esses dois espaços. Visitei inúmeras exposições por lá. Sempre são interessantes e bem montadas, sobretudo no CCBB.

Mas first things first.  Quase 13h, então almoço no restaurante do Pátio do Colégio. Fazia tempo que não ia por ali.  Para minha surpresa estava relativamente vazio.  Ao fazer meu pedido, fui informada pela garçonete que a casa tinha mudado de donos ou comando.  De qualquer forma, o cardápio pareceu-me com o de outrora, os preços também.  Pedi um nhoque de abóbora ao sugo, que estava bem bonzinho; uma sobremesa de goiabada cascão com musse de queijo, ótima; um café, água.  Continha básica: $43,56.  É mole?  A garçonete não me avisou no início, mas não estavam passando cartão. Estavam com problema nas máquinas. Isso já me aconteceu lá numa outra vez. Acho que a coisa é endógena, e o pessoal nem aí.  Afinal, ali NÃO é local turístico, NINGUÉm paga com cartão, TODO MUNDO anda com grana no bolso…O amadorismo do povo é fogo, torcida brasileira!

Fui para a CEF da Sé.  Estão no ar 3 mostras e uma instalação (http://www.caixacultural.com.br/html/main.html). A instalação Lágrimas de São Pedro, de Vinícius S.A., é muito bonita! Vai do último andar até o térreo.  Geraldo de Barros e suas fotos: uma mostra dirigida ao público infanto-juvenil, mas que não tem idade que não a aprecie. Obras selecionadas do acervo da CEF: o acervo foi exposto no final do ano passado, em vários lotes por várias capitais,  e o público foi convidado a votar em 3 obras, se não me engano, que gostaria de ver expostas novamente.  A CEF apurou os votos e compôs vários conjuntos com as obras escolhidas para percorrer capitais.  Na seleção de S. Paulo tem Di Cavalcante, Poteiro, Tarsila, Djanira e muitos outros. E last but not least: 60 anos de tv no Brasil. De novo, quem é do meu tempo (se não é, azar seu!) vai se deliciar com muitas fotos, equipamentos da época do início da tv no Brasil, histórias de como tudo começou, compilações de vários comerciais que marcaram época. Só acho que deveria ter uns dois ou três vídeos mais cobrindo os primórdios da tv.  Nossa, gente de quem eu nem me lembrava mais, mas que fez parte de boa parte da minha vida. É o tal negócio, c.q.d.: longe dos olhos, longe do coração.  Walter Forster, que meu grupo do Fernão entrevistou para um trabalho; Ayres Campos, o Capitão 7; Márcia Maria (queeemmm??? Google, pls); Vida Alves, até hoje fantástica!; Kalil Filho, do Repórter Esso, e muitos, muitos mais.  E teve um momento de pura emoção: veja abaixo a foto de um quiz show de que participei (sim, já estive algumas vezes em frente às câmeras!) na TV Cultura, conduzido pelo guapíssimo Blota Junior: De Olho na Notícia. Na verdade, a foto é o Blota segurando o cartão com as perguntas do programa. Coincidência grande, já que o Blota Junior participou de milhões de programas, sobretudo na Record, e a foto dele poderia ser de um monte de outras ocasiões.  Emocionei!

Miracolo! Mas hoje consegui pegar folder de toda as exposições.  Aliás, muito bacanas. Ah, e tem até uma maquineta meio escondida para você deixar sua avaliação da exposição de viva-voz.

E agora, a caminho do CCBB. Lá está a exposição Islã, Arte e Civilização (http://www.bb.com.br/portalbb/page511,128,10164,1,0,1,1.bb?dtInicio=1/2011&codigoEvento=3897). Tem de tudo: de publicações (Alcorão), a roupas, utensílios domésticos, escrita, jóias, armas, tapetes.  Um belo retrato da cultura árabe, da produção artística e científica.  Impressionante a habilidade, a beleza, o conceito de itens produzidos no século X, XI. Muito interessante uma sala quase que dedicada unicamente à caligrafia. Não imaginava que essa prática fosse tão importante para a cultura árabe. Na verdade ocupa um lugar muito maior do que o desenho de kandjis (sorry, não me lembro do termo agora. Alguém ajuda?) para o japonês. As filigranas são fantásticas. As incrustações, as gravações em metal, os tapetes…por isso adoro os meus. Sou fã dos tapetes tipo persa, produzidos lá pelo Irã sobretudo.  Nunca me canso de olhar os meus, tal a complexidade do trabalho, os motivos, os desenhos, as cores. Os que estão expostos no CCBB são de babar. Aliás, leve um babador, pois várias vezes me peguei boquiaberta, quase babando mesmo. Impressionante o que produziram há mais de milênio.

Por isso tudo, fica ainda mais difícil de entender como tantos países do bloco árabe ou muçulmano estão na situação em que se encontram.  Na exposição há uma frase atribuída a Maomé que diz mais ou menos assim: Search for knowledge even in China.  Parece que seus descendentes não entenderam o recado. Senão como é possível que se tenham erguido muros tão resistentes e abrangentes de intolerância, violência, desmandos, ignorância, discriminação?  Uma pena!  A todo momento veem-se trabalhos colocando Deus no meio, louvando-o, louvando sua sabedoria, justiça, bondade. O mesmo com Maomé. Como é possível? A cultura, o grupo humano que produziu o que está exposto ali merecia destino melhor, descendência melhor.

Não deixe de ver de jeito nenhum.

E para terminar, café na Cafezal (http://vejasp.abril.com.br/comidinhas/cafeteria-cafezal), cafeteria do CCBB. Já mencionei que o lugar melhorou muito de uns tempos para cá. Deu para dar uma descansadinha, depois de 4 horas de andanças vespertinas.

(Olha o Blota Junior aí com a ficha do De Olho na Notícia - Programa da TV Cultura, acho que pelo começo da década de 80, ou algo assim. Eu respondia perguntas junto com outros 3 participantes)

16

de
dezembro

Quase pedi água

Exageraaadaaaa! Mas que foi uma terça trepidante, ah, isso foi!

A tarde começou com uma visita ao Paço das Artes (http://www.pacodasartes.org.br/) lá na USP.  Estudei lá, me formei lá, mas havia décadas que não ia por ali.  O lugar está muito mais bonito (a entrada pelo menos) do que quando eu vagava pelo CRUSP, Colméias, faculdades diversas.  Precisei de um tempo para me localizar.  Ainda é tudo muito ermo, mal aproveitado, sem transporte/acesso de qualidade, mas pareceu-me um pouco mais civilizado.

As exposições no Paço estavam lindas. Primeiramente a dos formandos da ECA de 2010. Muita criatividade, peças fantásticas. Destaque para Camila Mizutani e seus tecidos, Cintia Nishida e suas cerâmicas, Branco Chiacchio e suas fotos, Ana Chun e seu livro de colagens.  Todos os outros artistas também são muito interessantes, mas esses chamaram minha atenção. Além dos formandos, Tiago Judas e Rodrigo Bivar. Este com lindas telas.  Deem uma olhada no link acima para apreciar algumas obras.

Depois foi a vez de visitar a recém-reinaugurada casa de Guilherme de Almeida, ali na r. Macapá (http://www.casaguilhermedealmeida.org.br/).  Eu conhecia bem pouco do GAlmeida (http://pt.wikipedia.org/wiki/Guilherme_de_Almeida). Só lembrava do nome de algumas obras e do bendito hino do Expedicionário que tive de decorar e cantar.  A casa só pode ser visitada com monitor e 4 pessoas por vez com cada monitor (melhor ligar e agendar).  A casa fica num lugar privilegiado, ainda hoje, e é um aconchego.  GAlmeida, soube pela monitora bem preparada que nos conduziu, era um expoente sobretudo para seus contemporâneos e como gostava de S. Paulo (cidade e estado)!  Tinha cultura extensa, foi exímio e reconhecido tradutor, e era consideradíssimo por figuras como Mário de Andrade.  A casa está lotada de obras de artes (adquiridas e muitas presenteadas, e.g., por Brecheret, Anita Malfati, Lasar Segall).  O mobiliário é original em sua quase totalidade.

Casas-museu são sempre muito interessantes, pois ali se pode identificar a verdadeira personalidade do artista, mecenas. GAlmeida pegou em armas pela Revolução de 32, escreveu coisas lindas, ajudou a firmar a turma da Semana de 22, viveu, entendeu e influenciou seu tempo como poucos.  Sua casa reflete comedimento, apreço pela tradição e pelo novo. Tudo junto, numa harmonia inquestionável. Agora, bacana mesmo é a mansarda, onde ele escrevia, pensava, onde está o seu íntimo.  Por mim, moraria nela a vida toda. Um ambiente tranquilizador e inquietante ao mesmo tempo.

A Casa tem um Centro de Estudos de Tradução Literária, oferece cursos, e está se organizando para levar outros eventos.  Apesar de menor do que se pode imaginar é um mundo de beleza, cultura, encantamento. Vale a visita muitas vezes. E nem preciso dizer…atrás de publicações de GAlmeida djá!

Vejam os 3 posts mais recentes deste link. que interessante: http://iracenna.blogspot.com/?zx=da4ab5685a97a887

Depois disso, inspira, expira, inspira, expira…e um café, que ninguém é de ferro.   Fui conhecer Maison de Marie (http://www.maisondemarie.com.br/index.asp). Um microlugar, gracinha, à beira da Av. Faria Lima, pertinho do Instituto Tomie Ohtake.  Um atendimento simpático, café bem tirado, e doces muito bons.  Meu amigo e eu provamos o bolo de chocolate meio amargo (levíssimo) e uma torta de amêndoas.  Têm também salgados e fazem uns combinados para almoço.  Serei OBRIGADA a voltar, infelizmente…

E last, but not least: Instituto Tomie Ohtake.  Surpresa!!! O restaurante Santinho (filhote do Capim Santo) havia sido aberto ao público naquele dia.  Muito bem montado, bonito mesmo, lá no espaço onde ficava há anos o  outro restaurante do Instituto.  Único senão: eram umas 17h e as salas de exposição estavam impregnadas de cheiro de gordura.  O Instituto promete tomar providências. Vamos ver.

Já disse várias vezes por aqui como aprecio as exposições que levam no ITO.  Desta vez havia obras novas de TOhtake, fotos de Christian Cravo (algumas bem bonitas), e uma mostra de projetos arquitetônicos japoneses (Paralle Nippon).  O que me chamou a atenção nesta última foi o número de projetos de museus no Japão. Considerando o tamanho do Japão (a grande maioria dos projetos apresentados está no Japão mesmo), o número de museus que têm é impressionante.  Tomara tivéssemos um centésimo do que têm por lá. Foi uma visita agradável, encerrada onde, onde, onde? Na lojinha, claro, que tem preços proibitivos, mas coisas lindas.   Desta vez nem me embrenhei pela livraria, melhor não.

7

de
dezembro

Qué pasó?

Todos saben que me gusta el cine argentino (http://mskeller.blog.terra.com.br/2010/03/07/duas-boas-noticias-e-outra-melhor-ainda/). Darín es mi preferido, y películas con otros actores también me gustan mucho. Pero Carancho (http://www.imdb.com/title/tt1542852/) fue una sorpresa!

Bom, deixando de lado esse meu lado “gardelona”, vamos para o idioma pátrio que é melhor. Gosto muito do cinema argentino, tenho escrito sobre isso muitas vezes (http://mskeller.blog.terra.com.br/2010/11/05/e-se-acabou/) (http://mskeller.blog.terra.com.br/2010/10/12/uma-coisa-e-uma-coisa-outra-coisa-e-outra-coisa/). Mesmo se o filme não é ótimo, em geral é pelo menos bom. Eles conseguem ter uma regularidade que a filmografia brasilis não alcançou ainda. Gosto dos temas, dos atores, das produções contidas, mas que cumprem seu papel. Não rejeito um filme que venha de los hermanos.

Por isso fui ver Abutres, com meu queridíssimo Darín. O filme não tem cenários bonitos (tudo muito escuro, bem simples, bem comum: hospitais, ruas escuras, casas simples, escritórios amarfanhados, bares ou restaurantes sem nenhum glamour); tem uma trilha sonora de arrepiar (rock pesadíssimo, e um bolerinho ingrato). Os atores também são poucos: Darín e Matina Gusman que estão ótimos, e tem mais uma meia dúzia de atores que não me lembro de ter visto antes, mas que cumprem seu papel muito bem.

Trata-se da história, violentíssima, de um advogado, que perdera sua licença, operando com um escritório advocatício que explora os milhares de acidentes automobilísticos e suas vítimas em B. Aires. Alguém foi atropelado, lá estão eles junto com o SAMU local - aliás antes algumas vezes; houve uma batida, um ferido, idem; forjam acidentes. É uma grande máfia (será que tem isso por aqui?) com informantes e “colaboradores” em todos os níveis: hospitais, ambulâncias, polícia, judiciário, seguradoras e por aí vai. Uma rede digna de qualquer Complexo do Alemão, só que de terno e gravata, mas com a mesma sede de ganho, sem respeito pela vida, violenta, sanguinária.  Para complicar, o filme mostra um monte de relações humanas bem complicadas: gente que tem de achar um jeito de escapar da realidade para não surtar; gente solitária, não por viver sozinha, mas por que não tem ninguém lá dentro delas.  De novo veio-me a ideia de como sou normalzinha (http://mskeller.blog.terra.com.br/2010/11/19/i-am-so-normal/ ), minha vida é ótima, nada a reclamar no momento.

O filme é pesado, um tanto arrastado, violento, mas surpreendente até o final.  Lembrou-me um pouco Amores Perros (http://www.imdb.com/title/tt0245712/), de 2000, pelo emaranhado que vai se formando e anunciando momentos bem amargos.  Foi só um link, saído do nada mesmo.

Dito tudo isto, um filme que tensiona muito, mas vale ver.

Depois fui queimar mais um cupom de desconto no Santa Pizza, ali da V. Madalena (http://www.santapizza.com.br/). Apesar de 3a., 21h, casa bem cheia.  Pelo jeito muita gente faz sua reunião de final de ano (amigos, empresas) ali.  O atendimento foi razoável, as pizzas escolhidas estavam bastante saborosas. Só que é caro, mesmo considerando o tamanho das pizzas individuais.  Fazia bastante tempo que não ia ali, e acho que vou me ausentar por outro longo período.

Ah,sim, e antes de todo este tango, fui ver a exposição das obras de Carlos Oswald (http://pt.wikipedia.org/wiki/Carlos_Oswald) na CEF Cultural da Paulista. Para mim, que não conhecia o artista,  foi muito interessante. Muitas gravuras de grande beleza e expressão.  A mostra, gratuita, fica ate fevereiro de 2011.

11

de
novembro

Um pouco mais de tudo

Apesar do dia feioso de ontem, em que fui colhida por várias pancadas de chuviscos, deu para ver um monte de coisas.

Havia tempo, eu estava querendo ver Mulheres que Bebem Vodka (http://www.estadao.com.br/noticias/arteelazer,ligia-cortez-estreia-mulheres-que-bebem-vodka-em-sp,603574,0.htm), lá no Centro Cultural Banco do Brasil. Entra semana, sai semana, e nada. O horário alternativo é excelente: 3a. a 5a., às 19h30. Para quem tem acesso à região por metrô, ônibus, trabalha por ali, é ótimo. O teatro do CCBB é bem pequenino. Talvez uns 100 lugares, máximo, máximo. Mas bem confortável, palco bom, som, luz, projeções. Tudo do melhor.  Como a temporada da peça termina hoje, era ontem ou ontem, já que hoje tenho outro compromisso. E lá fui eu.

Em geral, os ingressos para os espetáculos no CCBB são bem em conta (média de $15/inteira). Cheguei um pouco mais cedo e consegui meu lugarzinho. É preciso dizer que o teatro estava lotado.

A peça é de um autor mexicano (Victor Hugo Rascón Banda) e foi dirigida por Ligia Cortez. O tema é o encontro de 5 mulheres: duas têm um passado em comum, as outras três não se conhecem.  Todas imigrantes: 4 polonesas e uma guatemalteca.  O assunto é a inclusão, o ser reconhecido como indivíduo, não ser discriminado. O problema do imigrante para ser visto como um igual, o que está mais difícil a cada dia (vide ideias do Tea Party (http://en.wikipedia.org/wiki/Tea_Party_movement) nos EUA, por exemplo). O encontro dá-se devido a um teste de atrizes para uma peça.  As duas postulantes ao papel principal (Martha Nowill e Maria Manoella), além da empregada (Regina França) estão impagáveis. As duas atrizes mais maduras também estão ótimas  A grande surpresa para mim foi Selma Egrei (Evva).  Vi-a em algumas produções na tv, mas nem gostava tanto dela. Achava que tinha um rosto marcante, diferente, mas se me perguntarem onde a via, fazendo o quê, não tenho a menor lembrança de detalhes.  Na peça, ela está fantástica! Segura, bonita, convincente, para mim a personagem mais bem construída. Iluminação, música, gadgets (projeção, vídeos), cenário foram bons coadjuvantes. O texto tem boas tiradas, mistura bem humor e drama. Ainda bem que deu para assistir. Valeu a pena.

Antes de ver a peça, aproveitei para ver tanto a exposição que está no CCBB quanto na CEF da Sé. No CCBB está Laurie Anderson (http://www.bb.com.br/portalbb/page501,128,10164,0,0,1,1.bb?&codigoMenu=9904&codigoMenu=9900), com I in U / Eu em Tu. Tem de tudo: pinturas, desenhos, obras interativas, esculturas (?), instalações, vídeos. Uma artista multi, com certeza. A exposição ocupa os três andares do CCBB e vai até 26/12.  Vale ver. Tem coisas inusitadas, criativas, instigantes. E, claro, as ininteligíveis também, mas estas são poucas. Ah, e não tenho dúvida, a montagem a exposição deve ter deixado gente de cabelo em pé, pois ela é bem complexa e requer bastante conhecimento técnico.

Na CEF da Sé há quatro exposições: Quem é você? de Renata Massetti. Exposição fotográfica montada durante alguns anos (acho que dois) com os mesmos “modelos”. Interessante, mas só. Rubem Grilho: xilogravuras e colagens. Gostei de alguns trabalhos, mas não é a minha. De todo jeito, uma mostra extensiva do trabalho do artista (de 1985 a 2010). Exposição Caixa Brasil: mostra que está presente nas CEFs culturais de todas as capitais. É o acervo da CEF sendo exposto em sua (imagino) quase totalidade. Tem de tudo: Manabu Mabe, Di Cavalcanti, Carybe, Djanira, Antonio Poteiro, Aldemir Martins, e por aí vai. Aqui em SP a exposição está bem interessante. Vale ver. Fica até 28/11.

Agora a mais surpreendente para mim foi a de Gerda Brentani: A graça de um Século Sério (http://www.gerdabrentani.com.br/). Vejam algumas obras no link. Bom demais! Muito interessante mesmo. A gente percebe claramente a evolução que a artista fez desde sua chegada ao Brasil em 1939. Ela é viva, witty, sagaz, e apreendeu nossa alma perfeitamente, afinal ela criou Terra Papagalorum. Além disso as pessoas com que ela trabalhou, ou aprendeu, ou desenvolveu seus projetos é um caleidoscópio de qualidade inquestionável.

A artista morreu em 1998 aos 93 anos. Lá na exposição tem um frase sobre isso da qual não me lembro exatamente, mas dizia mais ou menos isto: morreu velhinha, mas de espírito jovem.  Pelos traços, pela concepção, por seu histórico, não resta dúvida: uma personalidade criativa, inquieta, trepidante. Perceber a artista em cada obra é emocionante. Também até 28/11 na CEF da Sé.

10

de
novembro

Para que querer reinventar a roda?

Eu ia começar a escrever sobre as várias exposições que vi ontem (MASP, Itaú Cultural) quando li o blog Iracenna (http://www.iracenna.blogspot.com/?zx=f1ae1cf473907a89) que acompanho (está há muito tempo entre os links do blog - ali do lado direito da tela).  Seu autor, Fabrício, além de postar coisas bem interessantes, textos informativos, críticos, e até algumas crônicas/contos, fotografa muito bem. As fotos que acompanham os textos são primorosas.

Li os textos sobre Quem tem medo de Curupira?, peça sobre a qual já tinha escrito (http://mskeller.blog.terra.com.br/2010/11/07/e-nao-e-que-o-curupira-quase-encontra-a-pororoca/), sobre algumas exposições que visitei (http://mskeller.blog.terra.com.br/2010/11/08/tudo-do-mesmo-muito-diferente/), além das mencionadas acima, e cheguei à conclusão de que está tudo tão bem escrito, aliás como eu gostaria de ter escrito, que não há função em tentar criar outro texto. Já incluí textos de outros amigos (estão todos no tag ou categoria: generosidade de amigos) aqui no blog, e valem muito a pena conhecer também.

E um dos meus “mottoes” é justamente esse: para quê tentar reinventar a roda? Melhor focar em melhorar, agregar ao que já existe. Leiam os textos do Iracenna. Vocês vão gostar, eu tenho certeza!

Mas tem uma coisa que não está lá no blog do Fabrício. Ah,ah! Minha aula-almoço de ontem.

Então vamos lá:como já mencionei (http://mskeller.blog.terra.com.br/2010/10/17/conto-primeiro-a-parte-boa-ou-a-meio-ruim/), fiz uma espécie de “investimento” nos cupons de desconto que pipocam pela net. Ontem fui aproveitar um cupom que dava direito a uma aula-almoço no Atelier Gourmand (http://www.ateliergourmand.com.br/br/receitas.aspx?ukeyReceita=5286). A empresa em que eu trabalhava havia feito uma atividade lá, mas eu estava em férias e não pude comparecer. Os comentários foram positivos, então resolvi apostar. Realmente têm uma estrutura para cursos bem interessante. Espelho no teto, para não se perder nenhum detalhe do que está sendo feito, vários fogões, fornos, muito instrumento/equipamento, auxiliares de cozinha, espaço amplo, mas muito aconchegante, limpo. Ontem só havia 3 alunas-comensais para a aula, o que foi ótimo pois, além de saborearmos uma refeição muito bem preparada, todas as dúvidas foram sanadas, detalhes puderam ser bem observados.  Foi uma delícia de aula e de almoço. O Marcelo, chef que nos deu a aula, é muito articulado, simpático, e daquelas pessoas que valorizam tudo o que faz mas sem complicar. Ele sabe, então é fácil para ele, e a se a gente se esforçar (muuitooo) e tiver algum talento consegue chegar perto. Mas só perto…

Foi um cardápio bem brasileiro: salada de batatinha e folhas verdes com aioli, picadinho com arroz caipira, ovo frito, banana empanada e farofa crocante. Vinho, água, refri para acompanhar. E finalmente: trio de brigadeiros.  Tudo muito bem explicado, e alguns acompanhamentos bastante fáceis de fazer. Mas não se enganem, pois como dizia minha mãe, que fazia coisas deliciosas, “não pode ter pressa na cozinha”.  O picadinho tem seu tempo, o arroz tem seu tempo, o molho de tomate também, e por aí vai. Foi uma refeição bem gostosa, com a simpatia de nosso professor e de minhas duas acompanhantes.  Relaxante! demais! Além de ótimas dicas para tornar a vida mais fácil e os pratos saborosos e bonitos.

Esta é a receita do aioli, um molho muito fácil e saboroso. Já havia provado em algum restaurante, mas agora dá para fazer em casa. Adapte a seu gosto. Vale a pena:

3 dentes de alho inteiros / 240ml de leite temp ambiente / 700 ml óleo girassol / 3g de sal

Corte o alho em pedaços pequenos, coloque no liquidificador com o leite / bata bem / junte o óleo em fio com o liquidificador ligado / quando o óleo terminar, fica como uma maionese / tempere com sal. Melhor se feito no dia de servir (acompanha saladas e alimentos mais neutros - na verdade, imagino que fique gostoso com muita coisa. Um exemplo dado pelo chef: cenoura, pepino, erva-doce, etc., cortados em tiras, crus, para servir como entradinha).

Aula e almoço aprovadíssimos!

24

de
outubro

Silêncio!

Essa tem sido a grande coisa desta primeira semana de aposentadoria. Silêncio! Sem telefone tocando a toda hora, sem gente falando, sem ser chamada a curtos intervalos, sem ter de falar sem vontade.  Estar consigo é um  prêmio, pelo menos eu acho. Lembro-me perfeitamente da preocupação de meu pai logo após a morte de minha mãe: se eu morrer, você vai ficar com quem? E eu dizia: não se preocupe, eu me dou muito bem comigo mesma.  E sabem que isso é um verdadeiro tesouro!

Mas não vamos exagerar, oras! Não estou no claustro, então claro que tive que cuidar de um monte de coisas que estavam sendo adiadas havia tempos, estive com vários amigos queridos, saí de monte, mas mesmo assim foi diferente, foi redentor!

Os ouvidos agradeceram e os olhos também. Afinal, fui ver o Festival de Jardins do MAM, no Ibirapuera (http://www.mam.org.br/2008/portugues/exposicaoDetalhes.aspx?id=103). Vai até 31/12 e vale ver.  Vejam as fotos no link abaixo.  Há alguns muito bonitos. A única coisa é que a informação é pífia, os tais “jardineiros”  (=facilitadores, monitores) que deveriam ser proativos e abordar visitantes ficam mais conversando e brincando que prestando atenção às necessidades dos visitantes. Os mapas, adivinhem, ontem só tinham em inglês. Para mim tudo bem, mas e para a maioria da gente deste “paiz” que nem português sabe muito bem?  E mais, como os jardins ficam distantes uns dos outros, para não correr o risco de ir por lados indevidos, perguntei a pessoas que estavam pelo parque: agentes da CET (multando feito loucos…), pessoal que trabalha na Bienal, seguranças, e quase todos ignoravam onde os jardins ficavam de fato, mesmo estando a pouquíssima distância deles.  Incrível a falta de preparo, de visão das possíveis necessidades dos visitantes.  O mapinha ajuda, mas a área é grande, então custa sinalizar melhor, exigir que quem trabalha no parque esteja a par do que ocorre por ali? É o amadorismo endógeno. Aaah, tá bom, para quem é deixa assim…

De qualquer forma, os jardins valem a visita. A grande vedete, o de B. Milhazes, que aparece em todas as fotos da mídia pelo colorido dos girassóis estão feinho, já que as flores feneceram.  Mas dentro de pouco tempo deve estar tudo amarelinho de novo. Planto girassóis na varanda de casa e eles crescem e florescem com muita facilidade, com a mesma que morrem.  Não sei como foi feito o jardim desta artista plástica, mas imagino que seja tudo plantado, até para durar até dezembro.  Há outros bem bonitos e até mais criativos. E é tudo de graça. Depende apenas da disposição do visitante andar um bocadinho pelas áreas do parque.

Aproveitei para ver também as exposições do MAM: Raymundo Colares  e Dengo (http://www.mam.org.br/2008/portugues/exposicaoDetalhes.aspx?id=101) de Ernesto Neto.  Esta última é uma delícia. Interativa até a medula (vejam o vídeo no link abaixo): é possível tocar, balançar, pisar, galgar, sentar, tirar sons de instrumentos. Tudo de um colorido, de uma leveza, de uma plasticidade encantadores.  Gostoso demais!  Crianças enlouquecem por ali. Vale muito ver. Aqui podem ver algumas fotos de outros trabalhos do artista: http://tiny.cc/8i22c.

Depois um café no restaurante do MAM, sempre muito bom, e rumo ao Auditório Ibirapuera para apreciar o ensaio do Coro Luther King, mas isto já é história para outro post.

Link fotos jardins e filme Dengo: http://picasaweb.google.com.br/miriamkeller/FestivaljardinsMAM2010?feat=directlink

7

de
setembro

Que venha a chuva

Fazia muito tempo que não chovia por aqui (S. Paulo).  O ar seco, olhos irritados, gargantas em fogo, quem tem problema alérgico sofre. Mas, finalmente, veio a chuva como devia. Choveu de madrugada, choveu durante o dia, parou, choveu de novo.  Dá para sentir o ar mais leve, mais puro.  A temperatura também baixou bem, mas que seja, não dá para se ter tudo e a volta de qualidade do ar, nem que limitada, é mais importante para todos.  O interessante é que não choveu tanto assim e apareceram vários pontos de alagamento.  Que coisa…já vão vendo como será a época das chuvas de verdade.  A administração pública não muda, não consegue fazer nada a respeito com competência, não consegue se antecipar.

Bom, aproveitando esses dias frios, feios, a chuva de hoje, fiz um programa light (cinema, claaaroo - próximo blog), dvd em casa (Anima Mundi 6 -http://www.2001video.com.br/detalhes_produto_extra_dvd.asp?produto=17253 ) e exposições no Tomie Ohtake (http://www.institutotomieohtake.org.br/inicio/teinicio.htm).

Começando pelo dvd do Anima Mundi.  Vol. 6.  Procurei outros, mas só este está disponível na praça parece-me. Lá no começo de agosto (http://www.2001video.com.br/detalhes_produto_extra_dvd.asp?produto=17253) fui ao festival. Muito bom, vi 3 sessões lá no CCBB.  Vi lá dvds do festival, mas na hora resolvi não comprar.  Tooontaaa!  Depois de um tempo procurei algum dvd e achei (aliás a Cultura achou para mim) o que acabo de assistir. Uma delícia! Duas produções nacionai, sendo uma (Vida Maria) ótima. Esta produção inclusive, consideradas as devidas proporções, é como Napoli Napoli Napoli (http://mskeller.blog.terra.com.br/2010/09/06/ui-que-susto/). Mostra um círculo vicioso, quase eterno, do qual não se sai sem ajuda, sem atenção estatal pesada. Uma produção russa que é uma pintura, literalmente! É como se um impressionista estivesse fazendo a animação quadro a quadro. Há uma argentina bem curtinha, mas muito interessante; uma americana divertida; uma francesa bem arguta, divertida. Enfim, valeu muito ter assistido ao dvd.  E vale rever.

E hoje fui ao Instituto Tomie Ohtake.  Lá estão Alechinsky (http://pt.wikipedia.org/wiki/Pierre_Alechinsky), gravurista belga que pertenceu ao grupo COBRA (http://pt.wikipedia.org/wiki/COBRA). Interessante. Trabalhos em preto e branco e coloridos. Muita litogravura.  Gostei, sobretudo, da série Le Volturno (um navio).  Depois fui ver Jan Fabre. Eca, eca, eca!  Há até um aviso informando que várias obras não são recomendáveis para crianças. Já viu, né?  Não sou suscetível a esse tipo de coisa, mas é bem disgusting: instalações com animais empalhados, osso, carne, e figuras, quando desenhadas apenas, bem cruas, fortes de mais.  Gostei mesmo foi da série do cérebro (a figura aqui de cima é dessa série). No mínimo divertida.  Leiam este artigo do Estadão (a foto também indica o espírito da coisa): http://www.estadao.com.br/noticias/arteelazer,jan-fabre-a-arte-de-um-belga-fascinado-pelo-grotesco,593709,0.htm.  Eu diria que é modernoso demais para mim, mas tem gente que gosta (o articulista, por exemplo). De todo jeito, valeu ver.

5

de
setembro

Que cabeça a minha!

Como é que eu esqueci de contar sobre essas duas exposições: Keith Haring ((http://pt.wikipedia.org/wiki/Keith_Haring)) e Portinari (http://pt.wikipedia.org/wiki/Cândido_Portinari)?  Ai,ai,ai,ai,ai…é que tem muito assunto, não é, não? Mais ou menos: é que dei uma corrida nas duas exposições entre um compromisso e outro e apagou, não a impressão que as exposições me deixaram, mas a inclusão no blog. Sooorryyyyyy!

Bem, as duas terminam hoje (pena!) e são ótimas.  A primeira é de Keith Haring (http://www.haring.com/). Mesmo que você não se lembre de primeira, vendo as obras vai identificar de imediato. Ele está por todo lado em NY, pelos EUA, pela Europa, acho que até por aqui. Com cor, traços simples, e a dramaticidade necessária defendeu causas (algumas de interesse próprio): contra a homofobia, combate à Aids, racismo e outros tipos de discriminação. Um ativista acirrado por meio de sua arte.  É interessante, porque algumas obras do artista são tão cruas para mim que até doem. Parecem desenhadas por criança (os traços são limpos, poucos, simples, na maioria das obras), grande parte é muito colorida, cores alegres, mas mesmo assim de uma contundência inegável.  A exposição esteve na CEF Cultural da Paulista (Conjunto Nacional) (http://www.caixacultural.com.br/html/main.html). Ficou lá pouco mais de um mês.  Uma pena mesmo, pois é uma exposição bem interessante, para ver mais de uma vez.  Quanto a folder da exposição: nem preciso dizer, não é? Acabou antes que a exposição terminasse…as usual.

A outra exposição estava no Centro de Cultura Judaica (http://culturajudaica.uol.com.br/).  Já havia visto alguns espetáculos no teatro do CCJ, bem como exposição de fotos, sobretudo. Esta do Portinari (http://www.portinariemisrael.org.br/VidaEobra/VidaEobra.aspx) estava linda! Muito bem montada. A exposição ocupava 3 andares.  Térreo: linha do tempo, localizando Portinari no mundo; 1o. andar: as obras propriamente; 2o. andar (e aqui é que estava o diferencial):  vários micros com acesso às obras expostas, com imagens bem definidas, em que dá para ver detalhes, olhar o tempo que se quiser, comodamente.  Também há alguns vídeos muito interessantes.  Aliás, um deles mudou um pouco minha visão do artista, melhor dizendo, alargou minha visão.  As obras inspiradas e feitas em Israel são muito bonitas, um Portinari diferente do que estamos acostumados a ver. O mesmo traço forte, categórico, comovente, mas ainda assim diferente.  Vi trabalhos que desconhecia completamente. Ah, havia várias publicações expostas que contavam sobre a exposição em Israel (1956), sua repercussão. Muita correspondência entre as partes: autoridades de Israel e Portinari.  Bacana mesmo!

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