Escrever para viver!

Tudo que der na telha e que eu achar que vale a pena

30

de
outubro

Parede + tela + palco

1) Queremos Miles (http://www.sescsp.org.br/sesc/programa_new/busca.cfm?conjunto_id=9054), SESC Pinheiros

Como já mencionei tantas vezes, o SESC monta exposições primorosas. A exposição sobre Miles Davis (http://pt.wikipedia.org/wiki/Miles_Davis) não é diferente. Não sou muito de jazz, blues, e por aí vai, mas não deixo de ver espetáculos, mostras, filmes sobre o tema (http://mskeller.blog.terra.com.br/2011/05/09/que-semaninha/).  Fiquei surpresa com a produtividade desse ícone do jazz, que transitou também por beebop, blues, funk (isso, quem diria!), cool, música eletrônica, “n” instrumentos, não só o famoso trompete. O acervo exposto é imenso: instrumentos personalizados e de uso do músico e de um de seus grupos musicais; fotos, fotos, fotos; partituras com anotações de Miles e companheiros; cartas, bilhetes; quadros pintados pelo músico; roupas; várias gravações que podemos ouvir com ou sem fone de ouvido; projeção de filmes; capas de discos; vários objetos pessoais. Enfim, é preciso ir com tempo para apreciar com calma.

A exposição foi montada seguindo a linha cronológica da vida do artista, mas de uma maneira lúdica, muito interessante, com várias ilhas para os momentos mais marcantes, e.g., seu trabalho com Charlie Parker, Gil Evans, sua passagem pela Prestige, Columbia, a evolução ou movimento para a realização de cada LP, de cada lançamento.

Como tantas pessoas do mesmo quilate, Miles subiu aos céus e desceu ao inferno: talento a qualquer prova; dinheiro; drogas; mulheres; problemas graves de saúde. 65 anos repletos do melhor e do pior.

Interessante saber de sua educação musical refinada desde moleque, principalmente considerando um país envolto em racismo, e de como ele não parava ou se contentava e sempre procurava novas linguagens para se expressar musicalmente. Mais interessante ainda: eu só conheci um Miles mais velho (de uns 50 anos). Cristalizei-o dessa maneira na cabeça. Surpresa ao ver o rapaz negro pimpão, bonito, charmoso, elegante, low profile, em tantas fotos. Justamente depois da depressão, drogas, etc., veio aquela aparência que ficou em minha memória: um homem um tanto folclórico, de roupas chamativas, cabelo esculpido, rosto vincado. Tão diferente do jovem que encantou o mundo lá pelos idos de 1945/50.

Para os aficionados, uma viagem deliciosa. Para quem não conhece ou gosta tanto do gênero musical, uma descoberta!

A mostra vai até janeiro, no 2o. andar do SESC Pinheiros.

2) Um pouco mais perto (A little closer - http://www.imdb.com/title/tt1528309/)

E tome Mostra (http://mskeller.blog.terra.com.br/2011/10/26/ceu-e-terra/)!

3 personagens: mãe, filhos adolescentes (um de 16 e outro de 12).  Cidadezinha americana. Mulher sem marido (pelo filme não dá para saber se ele morreu, evadiu-se, ou o quê). Um filme lento, mas interessante. Produção baratíssima, seguramente.

Mulher de uns 30 que trabalha para sustentar a casa, os filhos. Vê-se que não tem qualificação e faz trabalho braçal. Meninos, sobretudo o mais velho, descobrindo sua sexualidade. O mais novo, dispersivo, com problemas na escola.  O filme começa com uma cena bizarra: um acidente com uma furadeira. No começo parece que é uma família totalmente desestruturada, mas nada disso: gente comunzinha, que enfrenta problemas que muitos enfrentam. Dinheiro curtíssimo. Mas o que dói mesmo é ver a falta de horizonte, o porvir massacrante que se abate sobre todos: a mulher que procura um companheiro e ganha sexo rápido; o menino que tem sua primeira relação sexual com uma amiguinha e, se nada de muito diferente acontecer, vai transar com outras amigas, conhecidas, casar com uma delas, arrumar um trabalho, ter filhos iguais a ele; o mais novo que tem problemas de foco, atenção, é mimado, vai aprontar sempre e ser amparado pela mãe e pelo irmão, afinal não é má pessoa.  Ooooh, vidinha besta!

No entanto, no meio de tudo há, por incrível que possa parecer, carinho, atenção, amor sólidos.  A cena final (aliás, como esses filmes da Mostra gostam de terminar abruptamente, sem mais essa nem aquela…) é isso que transparece: o APESAR DE TUDO…

O filme poderia ser uma tese sobre a vida do americano médio, não aquele de grandes centros, mas aquele que constitui de fato a população e força do país.  Mais esclarecedor, impossível!

3) Eu era tudo pra ela e ela me deixou (http://www.faap.br/teatro/index.htm), no teatro FAAP

Primeiramente uma observação sobre o FAAP. Acho que já comentei como o teatro em si é ruim, desconfortável, mesmo depois de reformado há um tempo.  No entanto, não posso deixar de comentar um aspecto importantíssimo atualmente (acho que não mencionei claramente antes): a venda de ingressos. É o único teatro (fora os alternativos) que conheço que faz a venda de entradas por telefone, no próprio teatro. Não cobram taxa! Isso faz com que os ingressos ali raramente passem dos R$ 50, mesmo com gente que está na mídia em cena. Chega-se ao teatro, está tudo lá, organizado, certinho. E sem taxa! E mais: nos dias de espetáculo, disponibilizam estacionamento gratuito. É limitado, evidentemente, mas gratuito. Ou seja, quem chegar antes estaciona de graça com toda segurança. O teatro, entre plateia e mezanino, deve ter uns 350 lugares, pouco mais ou menos.

Agora a pergunta que não quer calar: se eles podem fazer tudo isso, sem lançar na conta do espectador preços, taxas escorchantes, sobretudo considerando o “plus a mais” do estacionamento, por que os outros teatros não podem? Hein, hein, hein, hein??? Mistério daqueles para os quais sabemos a resposta: incompetência, preguiça de fazer o dever de casa, desejo de lucro fácil, e mais que tudo falta de respeito pela inteligência e bem-estar do público de teatro.  E interessante que nunca vi nenhum movimento da classe teatral, tão cônscia, participativa, informada, sobre o tema.  Com preços justos, realistas, adeus à meia-entrada estudantil. Com essa combinação, todos ganharíamos.

A peça tem Marcelo Médici em uma dezena de papéis e Ricardo Rathsam que está muito bem. Direção de Mira Haar (http://mskeller.blog.terra.com.br/2010/11/15/musica-musica-musica/).

Havia visto Marcelo Médici em Cada um com seus pobrema (http://mskeller.blog.terra.com.br/2009/02/19/cada-um-com-seus-pobrema/). Espetáculo divertido, mas que exigia menos do ator em termos de troca de figurinos, adaptação à personagem. O ator é uma figura simpática, pelo menos foi essa a impressão que me ficou de algumas entrevistas a que assisti. Seu carisma conquista a plateia.

A peça explora algo muito parecido com O Mistério de Irma Vap (http://mskeller.blog.terra.com.br/2009/03/30/o-domingo-prometia-mas-nem-tanto/), com o próprio Médici e Cassio Scapin, a que também assisti.  Uma reedição do ótimo espetáculo encenado por Nanini e Latorraca na década de 80.  Em Irma Vap havia uma centena de trocas de roupas, pois os dois atores representavam meia dúzia de personagens cada um, ou pouco mais.  E essa é a fórmula de Eu era tudo pra ela.  Médici, que aprendeu direitinho o ofício, transita por uma dúzia de personagens, homens e mulheres, e faz trocas de figurinos em segundos. Claro que só trocar a roupa não é tudo. Ele encarna mesmo a nova personagem como mágica.  O espetáculo é divertido, todo personagem agrega um riso à peça. E na mesma linha de Irma Vap há uma história com sequência tresloucada e envolta em mistério crescente.

Interessantíssimo o cenário de Marco Lima!  Tudo se passa ali, diante dos olhos da plateia. Uma casa que se transforma em várias; áreas externas que se transformam em internas; tudo manipulado por um dos atores, sem esforço, em segundos. Super bem bolado!  A iluminação também faz a diferença. E palmas para quem idealizou e para quem confeccionou o figurino: funciona feito relógio.

Um espetáculo levinho, cumpre o prometido, i.e., fazer o espectador rir (uns mais, outros menos), e não é dos mais caros. Quer diversão descompromissada e de bom nível? Vale ver.

17

de
outubro

Assim que eu gosto

Montes de coisas interessantes, lindas, e de graça.

1) Mariko Mori no CCBB (http://www.bb.com.br/portalbb/page508,128,10168,0,0,1,1.bb?&codigoMenu=9904)

A exposição terminou ontem (domingo).  Fiquei muito curiosa pela nave espacial imensa montada no saguão do centro cultural.  E a gente podia embarcar nela. Então não poderia perder.

As obras da Sra. Mori (http://en.wikipedia.org/wiki/Mariko_Mori) são bacanas, “mudernas”, interativas (disso gostei muito).  Mais que de valor artístico, imagino, suas obras são lúdicas, estão aí para intrigar, encantar, divertir.  Mais que isso, não.

Além dos vídeos um tanto quanto sem pé nem cabeça, pelo menos para meu intelecto e que não deixam de ser interessantes, há instalações com luzes que se alternam, ETs que adquirem vida quando tocados (muito simpatiquinhos- vejam neste link goo.gl/UXrtt), aquarelas e vídeos pelos andares, e a espaçonave. Aaaah, a espaçonave…ninguém soube informar direito (shame!) mas parece que ela é feita de fibra de carbono. O interior é de um material que parece um gel denso: confortável, molinho. Entram apenas 3 pessoas de cada vez, a sessão leva uns 10 ou 15 minutos.  Há uma área de preparo em que se deve vestir uma meia antiderrapante e um chinelo, além de eletrodos.  Na base da escada, dexa-se o chinelo e aí só de meia. A portinhola é meio baixa, incômoda de passar, mas nada dramático. Os eletrodos são conectados a um equipamento no interior na nave e interferem nas projeções: se a pessoa está nervosa ou ansiosa as projeções assumem tal e tal cor e forma, se está tranquila tal e tal, e funciona, viu!  Uma experiência no mínimo curiosa.  Valeu ver.

2) Caixa Cultural - Sé (http://www.caixacultural.com.br/html/main.html)

Lá vi três mostras interessantes (vai entrar uma nova no dia 22).

Primeiramente Gian Calvi (http://www.giancalvi.com.br/). Ilustrações lindas, lindas: para selos, para revistas, para livros, para tudo.  Imagens bonitas, coloridas, criatividade a toda. O título da mostra, Gian Calvi - 50 anos vendo as coisas de outro jeito, não poderia ser mais apropriado. Reinvenção constante, plástica, lúdica, e que faz refletir.  Para minha sorte consegui um catálogo da mostra que não tem farta distribuição. Dá para ver e rever muitas vezes e se encantar sempre. A exposição fica até novembro.

Depois  Rubens Gerchman (http://pt.wikipedia.org/wiki/Rubens_Gerchman). Outra mostra colorida, que faz bem aos olhos. A série Beijo é fantástica.  Não conhecia a obra do artista (serigrafia, litografia), fiquei fã.  Fica até dezembro, vale ver.

E por último: Direitos humanos - imagens do Brasil.  Um conjunto de umas 50/60 imagens sobretudo do período da ditadura recente.  Há fotos chocantes, sem dúvida.  Para quem visitou as exposições dedicadas ao tema na Estação Pinacoteca é um bom complemento. Há fotos inéditas inclusive, segundo a CEF.  A identificação das fotos está muito bem feita, portanto, mesmo para quem não conhece o tema, a exposição é bastante pedagógica, instrutiva. Também fica até novembro.

13

de
setembro

De grão em grão…

Ou de filme em filme, de peça em peça…e por aí vai.

1) Viagem de Lucia (Il Richiamo - http://www.imdb.com/title/tt1463167/)

Por que um filme não tem informação no Imdb, nem em sites italianos comme il faut?  Porque grande coisa não deve ser, oras!

O filme acabou sendo bem agradável para mim, porque boa parte se passa em Buenos Aires e é falada em espanhol, e depois passa ao italiano. As duas protagonistas, Lucia e Lea, são italianas que vivem e se conhecem na Argentina.  Foi interessante porque voltei a estudar italiano e a contaminação pelo espanhol é meu drama.  No entanto, ver as duas línguas juntinhas, em alternância, foi muito interessante e gostoso. Realmente são irmãs.  Pudera a gente fazer desse jeito.  Mas não, então dá-lhe estudar para eu não fazer o maior pasticcio ou lio.

A história é um tanto confusa. Há uma parte específica em que até me perguntei se eu tinha perdido alguma coisa, dormido, ou sei-lá-eu-o-quê, tal o salto ou a quebra injustificados, eu diria. Duas mulheres de perfis completamente diferentes: uma jovial, alegre, meio irresponsável, novinha, e a outra séria, profissional, casada.  Elas se conhecem porque uma quer ter aulas de piano e a outra, devido a problemas de saúde, deixa o trabalho de aeromoça e passa a dar aulas de? P I A N O.  Olha que coisa…

As diferenças ficam evidentes no início da relação e parecem intransponíveis, evoluindo rapidamente para uma relação homossexual. Um negócio bem vertiginoso.  Pronto, contei.  Bem, espero que vocês não vejam o filme. Não que seja pior do que muitos a que assisti, mas tem coisa melhor por aí.

A fotografia é bonita em vários trechos, a música assim-assim, agora o enredo, que até pode ser a vida de muita gente, é mal costurado, então vira um negócio inverossímil. Achei as atrizes principais até que simpáticas, bonitas, mas há momentos em que, sobretudo Francesca Inaudi, Lea, perde a oportunidade de sair do raso. Não foi um filme ruim, mas eu esperava muito mais.

2) Trio Canzona - SESI Paulista (http://www.sesisp.org.br/home/2006/centrocultural/Prog_Music_Result5.asp?id=83)

Tenho ido outras vezes ao SESI para os espetáculos de música gratuitos (http://mskeller.blog.terra.com.br/2011/09/05/uma-festa/).  Desta vez, música barroca. Bem interessante sobretudo pelas explicações que os músicos nos dão ao interpretar as peças.  O trio alterou um pouco a programação, tocando mais Bach do que estava no programa. Foi muito bom!

Nunca tinha visto um cravo como o que utilizaram, nem havia estucado o fagote barroco (acho).  Uma horinha de música às 12h, no domingo. Uma delícia!

3) Nelson Leirner (http://www.sesisp.org.br/home/2006/centrocultural/Prog_expo.asp)

Também no SESI Paulista, e gratuita.  Novamente uma exposição muito bem montada.  Olhando para os milhares de itens de “coleção” ali expostos, dá até uma “angústia” de pensar no trabalho para arrumar e desmontar tudo aquilo.

A exposição é colorida, bonita, divertida.  Gostei mesmo das gravuras e nanguins, mas o restante da exposição também é muito interessante.  Ah, e a Disney, Super Poderosas, Turma da Marvel, etc., agradecem. Vá ver para entender.

7

de
agosto

Colocando o blog em dia

Deu preguiça… mas fazer o quê? Todo mundo passa por isso na vida, certo? Mas vamos colocando o blog em dia e rapidinho…

1) Louise Bourgeois e Coleção de Fotos da Telefônica no Tomie Ohtake (http://www.institutotomieohtake.org.br/inicio/teinicio.htm)

Já havia mencionado ter estado no Instituto Tomie Ohtake (http://mskeller.blog.terra.com.br/2011/08/04/andancas-da-semana/) semana passada, mas só falei do restaurante (Santinho).  Obviamente, vi as exposições que estão por ali.  A de fotos da Telefônica tem coisas bem interessantes (Vik Muniz, Helena Almeida, Andreas Gursky, etc.).  Só que foto não é muito a minha. Vejo e até aprecio, mas não sou aqueeeela fã.  De qualquer maneira, vale ver o conjunto exposto no ITO. E lembrando: exposições ali são de graça, o espaço é bacana, tem uma ótima livraria e uma lojinha proibitiva ao “úrtimo”, mas interessante de garimpar.

A outra mostra é das obras de Louise Bourgeois, aquela da aranha do MAM.  Ela faleceu recentemente, teve uma longa vida.  Há obras de que gostei (a top para mim é a que aparece na foto aqui de cima), mas achei tudo escatológico demais para meu gosto, ou ininteligível.  Explico: qual o valor, a não ser o financeiro mesmo por ter sido de uma artista renomada, de retalhos de cartolina com frases comuníssimas escritas com caligrafia claudicante? E a lápis? Podia estar em uma vitrine, mas penduradinho na parede como se fosse obra de arte?  E mesmo assim, para minha mente mediana, pela estética e conteúdo, valorizar isso é um tantinho demais. Enfim…Prepare-se para ver muitas referências eróticas (Da. Louise era fogo ou queria ser e deu um jeito de sublimar seus anseios), materiais bem diversificados, cores, um “aranhão”, e por aí vai.  Apesar de não ter gostado muito do conjunto, acho que vale ver, conhecer. Sempre ajuda a tornar a cabeça da gente mais elástica.

2) 3o. Arq!tour Centro de São Paulo (http://www.arqbacana.com.br/interna.php?id=8709)

Fotos que fiz durante o passeio: http://bit.ly/mUyG1o ou https://picasaweb.google.com/miriamkeller/Tourpredios30072011?authuser=0&feat=directlink.

Tenho feito vários passeios, nos últimos anos, com a Arq!Bacana. O anterior foi este: http://mskeller.blog.terra.com.br/2010/08/22/quase-deprimi/.  Queria há muito fazer o do centro de SP.  Agora deu certo.

Sábado passado, fizemos um passeio a pé (muitos dos integrantes do grupo são arquitetos ou ligados a desenho, design, etc.) pelo centrão. Levou perto de 6 horas. Voltei ao Martinelli (nunca é demais mirar SP dali: http://mskeller.blog.terra.com.br/2011/04/29/matando-vontades/), revi muitos lugares a que já havia estado: Pátio do Colégio, Mosterior de S. Bento, CCBB, etc.  Mas vi o que não enxergava: portais fantásticos, edifícios de sonho ques posso visitar durante a semana, pois hoje abrigam sobretudo bancos ou conjuntos comerciais.  Pude ver a recuperação do Edifíco Guinle, projeto de Hipolyto Pujos, o primeiro arranha-céu de S. Paulo. Pasmem, a Mundial Calçados está bancando a recuperação. Na frente do prédio a proteção é como em NY, por exemplo, traz o desenho do edifício como era originalmente e como deve ficar. Mais, nas sacolas em que os sapatos são embalados, a loja teve o capricho de imprimir a história do edifício e de sua recuperação. Lembrem-se: sapato agora, só Mundial… Vi também o Edifício Ouro para o Bem de S. Paulo, que tem o formato da bandeira paulista, e por aí vai.  Só com o tour mesmo,  pois quem, caminhando pelo centro tão conturbado, e por que não perigoso, da cidade vai ficar de boca aberta olhando para cima para ver essas belezuras? O guia forneceu informações muito interessantes, preciosas. Mesmo já tendo feito tantos tours do gênero pela cidade, sempre há algo a aprender.

Aliás, já de começo: saímos da Praça Antonio Prado, do relógio De Nichile. Vejam a história de algo por que passamos e nem nos damos conta: http://www1.folha.uol.com.br/saopaulo/812482-relogio-de-75-anos-no-centro-e-liberado-da-lei-cidade-limpa-para-sobreviver.shtml.

Da mesmo forma que há empresas como a Mundial, o Magazine Luisa, e outros, que recuperam o espaço, há desleixo absurdo por outras partes (vejam a obra de Di Cavalcanti no Triângulo - depredada absurdamente). Essa irregularidade reflete tão simplesmente a falta de uma política inteligente, laboriosa (o pessoal é preguiçoso mesmo), comprometida de recuperar e/ou manter o patrimônio histórico. Quando temos um prefeito que quer vender quarteirões para poder cumprir promessa de campanha e pavimentar seu caminho político, o que mais podemos esperar da administração que está aí? Ainda mais numa cidade como SP, em que a arrecadação é altíssima, mal utilizada e alimento de corrupção como temos visto em vários casos, mas mais que suficiente para se fazer um bom trabalho. Além o aspecto financeiro, o psicológico é muito importante: a comunidade não trabalha junto com a administração pública, e ela seria o grande motor do bem-estar para a cidade. E por que isso? Porque não confia, não acredita. EU não acredito, infelizmente. Portanto, diante de nossos olhos, o patrimônio histórico da cidade se esvai. A gente fica torcendo para que o empresariado consciente pipoque por aí para retardar esse processo.

Ah, e que desserviço os vários órgãos da Prefeitura instalados em edifícios históricos (e.g. Martinelli e outros à volta). Não só não cuidam como deveriam como impedem o acesso do cidadão. Não podemos visitar a casa onde morou Martinelli,no topo do edifício, porque tal secretária está lá; idem para o jardim do Banespinha; e o mesmo para vários outros prédios pela região. Por que não põem todo esse pessoal junto em algum mastodonte sem graça de que a Prefeitura seja dona (ela o é de montes de prédios) e devolve o que é de valor histórico integralmente para a sociedade?  Sei que vou morrer e não vou ver isso. Uma pena!

No link da Arq!Tour há uma boa descrição de todo o passeio.  Ah, e vejam um vídeo sobre o projeto Bicicloteca (livros para moradores de rua). A pessoa que instituiu o projeto e está no vídeo foi morador de rua também. O homem é superarticulado, inteligente. Ai, eu penso…como pode?  Esse é um daqueles projetos de sonho que a gente torce (e tem de ajudar de alguma maneira) para dar certo. Resgatar a dignidade humana não tem preço!

2

de
julho

Ready, steady, go - o final

E vamos, que vamos!

3) Museu da Língua Portuguesa (http://www.museulinguaportuguesa.org.br/)

Adoro esse lugar. Além de ter sido montado com muita criatividade e plasticidade (quando inauguraram, eu só pensava: o que pode apresentar, como pode ser um museu de língua para o público em geral, não estudiosos, mas cidadãos comuns?).  Além da área em que há o histórico das línguas, as influências sofridas pelo português, muitos equipamentos interativos, há o Beco das Palavras - joguinho bacana que move a meninada, ajuda a ampliar vocabulário, e, espero, atiça a curiosidade para aprender. Há também projeções fantásticas no paredão do corredor do segundo andar.

No terceiro andar há um ótimo auditório, onde projetam filme de uns 10 minutos, narrado por Fernanda Montenegro, sobre as origens de nossa língua (nota: podiam mudar isso. Afinal já faz uns anos que o museu apresenta o mesmo filme. Eu já vi umas quatro vezes).  Depois, passa-se a um salão onde se ouvem personalidades (artistas, cantores, escritores) recitando/izendo textos.  Tudo acompanhado por lindas projeções (vale a mesma observação sobre o filminho. É preciso mudar, reinventar, minha gente!).

Ontem havia muitos estudantes, faixa etária de 14 a 18 anos, acho.  Um barulho infernal! Os professores até tentam segurar a turba, mas sem sucesso. E na sala onde se ouvem as leituras muito barulho, desrespeito, palavras de baixo calão. Os monitores ficaram metade do tempo da apresentação (20 minutos) pedindo silêncio, coibindo a fuzarca.  Um absurdo!  E não venham me dizer que isso é normal, que não é, não.  Fui a museus em vários lugares e com estudantes por lá. A selvageria, ignorância, não chega nem perto. Uma pena!

Atualmente não há nenhuma exposição temporária. A última foi sobre Fernando Pessoa. Seguramente, virá alguma coisa bem bonita por aí.

4) Sala São Paulo (http://www.osesp.art.br/portal/home.aspx) (http://www.saopaulo.sp.gov.br/conhecasp/cultura_teatro-sala-saopaulo)

Havia checado no site da sala os horário das visitas guidadas. Como poderão ver neste link (http://www.osesp.art.br/portal/paginadinamica.aspx?pagina=educacaovisitamonitorada), há uma informação de que há visita todos os dias, em vários horários. Embaixo do quadro, em letrinhas, há a menção de que pode haver alterações e que é aconselhável informar-se. Eu não fiz isso, pois já visitei a sala duas vezes, sem problema (isso na administração anterior, do Maestro Neschling.  Quando chegamos à sala, umas 16h15, fomos informados por recepcionistas bem ruinzinhas que não haveria visita. Reclamei. Uma delas fez questão de me mostrar a tal micronota. O fato é que da forma como a mocinha se portou diante de minha reclamação e a insistência em me mostrar a micronota, baseando sua argumentação somente nela, ficou claro para mim que as visitas são erráticas. Não acontecem regularmente mesmo, e mais que dias e horários informados a sala deveria ressaltar a necessidade de procurar informações. Faria bem ao respeito à inteligência e tempo do visitante mudar o que está no site, já que não corresponde à realidade, i.e., as visitas não ocorrem mesmo nos dias e horários informados.  Não seria mais fácil e produtivo reduzir a grade? Visitas 3a. e 5a. ou 4a. e 6a., num horário apenas, mas com segurança, certeza de ocorrerão para o visitante. Assim o visitante não precisa ficar perdendo tempo em checar algo que não tem regularidade ou ainda perder a viagem.  Uma pena o amadorismo do pessoal que cuida das instituições culturais.Ah, e precisa melhorar muito a qualidade do pessoalzinho de frente (recepção).

Dito isto, vamos para outra.

5) Estação Pinacoteca (http://www.pinacoteca.org.br/pinacoteca/default.aspx?c=336)

Apesar de ser bem menor que a Pinacoteca, o prédio recuperado do DEOPS é muito bonito, agradável, e também tem sempre coisas interessantes para ver. O que está ali há longo tempo é a Coleção Nemirovsky.  Riquíssima em variedade e qualidade das obras.

Como fazia algum tempo que não ia à Estação, surpreendi-me com as mudanças. Para melhor, felizmente. Reduziram o número de obras expostas e o salão ficou mais bonito, com paredes em verde escuro, que dão mais destaque às obras apresentadas.  Além da exposição fixa (reduzida), há uma exposição das obras sacras da coleção (seleção fantástica!) e A Casa da Rua Guadelupe, em que estão expostos itens do mobiliário da residência dos Nemirovskys.  Um prazer flanar por essa exposição.

Além desta, há outra exposição com obras da coleção contemporânea do Museo de Arte de Lima.  Não é muito a minha, mas valeu conhecer.

Tanto no Museu de Arte Sacra, quanto na Estação e na Pinacoteca, os monitores/seguranças são bem informados e conseguem atender bem o público. Milagre!

Ah, sim, ali há de forma permanente o Memorial da Resistência, em que se vê a história da repressão em vários períodos. É possível visitar as celas em que os presos ficavam durante a ditadura que começou em 64.  Há agora uma exposição sobre Rubens Paiva também.  Vale ver. Só conhecendo, só aprendendo, só lembrando é que é possível não repetir o erro.

6) CPTM / Luz (http://www.cptm.sp.gov.br/E_OPERACAO/ExprTur/)

Como minha amiga e eu estávamos interessadas em fazer o passeio de trem a Paranapiacaba, liguei na quinta para a CPTM.  Muito gentilmente (e aqui não há ironia, foi gentil mesmo), informaram-me que estava tudo vendido para julho e agosto.  Hein??? Pois é. A pessoa que me atendeu até queria verificar se havia alguma desistência, data disponível. Eu disse que não era necessário, já que iria próximo à Estação da Luz no dia seguinte (maratona acima). Eu verificaria lá mesmo e, se fosse o caso, já compraria a passagem.  Eita, doce ilusão.

Pois bem, lá pelas 17h30 fomos até o guichê do Expresso Turístico, que não fica no prédio central da Estação da Luz, mas junto à entrada para a estação do metrô da Luz.  Ali informaram que realmente não havia nada para julho e agosto. O dia 21/8 havia sido colocado à venda, mas já não restava mais nada.

Pergunta ao funcionário: sabem quando vão abrir outras vendas? Não. O trem sai todo domingo? Em geral, sim.  Como fazemos para saber das vendas? Olhe o site todo dia.  Fala sério!

Bem, não há venda pela internet ou por telefone. Então, o negócio é olhar todo dia mesmo. E vamos rezar para que apareça uma data livre. Acho que não vai dar para minha amiga, mas eu vou de todo jeito, mesmo que bem mais adiante. O passeio começa às 8h30 e a volta é às 16h30.

E a pergunta que não quer calar: se tem tanta procura, é tão difícil conseguir lugares, se os lugares se esgotam tão rapidamente, por que não fazem o passeio, pelo menos no período de férias,  em outros dias da semana além do domingo? Com tanto aposentado na praça (eu, por exemplo), querendo esse tipo de atividade, não seria mal ter um dia na semana para o pessoal que tem mais disponibilidade, oras!  Mais um mistééériooo…

2

de
julho

Ready, steady, go - O começo

Foi uma maratona! Mostrar para minha amiga de Dallas e seu filho, que estão por aqui, coisas que não viam há década, está requerendo fôlego. Primeiramente, porque ela tem seus compromissos e eu tenho minhas coisinhas, então temos de fazer os dias livres comuns render. Ontem foi um desses dias.

Por etapas:

1) Museu de Arte Sacra (http://www.museuartesacra.org.br/)

Depois de reformado, recuperado, um dos museus mais bonitos e agradáveis de visitar.  Além da coleção permanente, ontem vimos Vestes Sagradas e Arte Sacra Popular. Ambas muito bonitas.  É um prazer ver retábulos, turíbulos, ostensórios, etc.; tudo muito bem mantido. Um trabalho de alta qualidade em termos de pesquisa, catalogação, exposição.

A recepção não é informatizada, a entrada é tirada na mão (R$ 6,00/inteira, meia só para estudante, acima de 60 não se paga, não há dia gratuito).  É preciso deixar tudo no guarda-volumes.  E há duas instruções ou solicitações: não se pode fotografar e não se pode tomar notas no interior do museu. Hein?

Este museu, até onde fui informada quando estive lá pela última vez (http://mskeller.blog.terra.com.br/2009/04/22/de-aleijadinho-a-verdi/), em 2009, tem a mesma empresa prestadora de serviços que a Pinacoteca e Estação Pinacoteca, para segurança, vigilância.  Há vários facilitadores pelos corredores, nas salas.  Há câmeras espalhadas.  Mas tudo isso não foi suficiente para deter vândalos.  A proibição de tomar notas é porque usaram lápis e canetas para danificar paredes e peças expostas.  É brinca, ou quer mais?  Não há salvação para este pobre país…

Bem, tanto minha amiga quanto o filho dela ficaram encantados com as peças expostas.  Os espaços são muito bem preparados. Até a trilha sonora é de muito bom gosto e agrega ao clima sacro. O atendimento é muito bom (monitores, pessoal de recepção, segurança).

Além do acervo fixo, das temporárias, pode-se ver a exposição de presépios no subsolo (há de muitos lugares, sobretudo países da América do Sul. Mas há também da Àsia, África (um lindo, lindo da Nigéria), dos EUA, México). Além destes há o Presépio napolitano, do século XVIII, cujas peças (mais de 1600) foram adquiridas por Ciccillo Matarazzo. Depois de rodar por muitos lugares, acabou tendo sua morada definitiva ali (1999).  É muito bonito, ocupa um espaço amplo, o cenário foi feito com muito capricho e criatividade, tudo foi recuperado com esmero. Um prazer observar com calma os detalhes.

O Museu tem sua lojinha (pequena, com algumas coisas interessantes), e há outra da ordem das irmãs concepcionistas, reclusas, que vivem em áreas reservadas do prédio. Esta última é ruinzinha, pobrinha mesmo.  Por que não juntam as duas e dão uma incrementada?  Enfim…na da ordem estão as pílulas do Frei Galvão. Quando estive por ali em 2009, peguei as pílulas na roda (como aquelas em que mães abandonavam os filhos na Santa Casa, por exemplo). No entanto, como há horários definidos para isso e pensando nos que vêm de fora, ou não conseguem estar por ali nos horários em que as irmãs estão na roda, resolveram deixar pílulas na lojinha para distribuição. Santa decisão!  Lá é que pegamos as nossas. Como dizia sabiamente minha mãe: mal não faz.

Senão: como comentei em outros posts, depois de usar banheiros lá fora, a gente se dá conta como os daqui são ruins. E sujos, e mal mantidos. Os do museu, que ficam ao lado do superpresépio são assim.  Uma catástrofe. Se cobram R$ 6,00, como não conseguem manter os banheiros? E são só três cabines.  Mas tudo quebrado, sujo demais!  Vergonhoso!  E vejam que era um dia de semana, seguramente com bem menos visitantes que nos finais de semana ou dias de festas. Nesses dias a coisa deve ficar bem crítica. Não dá para entender esse desleixo. Isso é questão de saúde pública.

Enfim, tirando a questão higiene sanitária, vale muito visitar o museu. Ah, e lembro que o prédio foi construído em taipa de pilão, sendo a terceira construção mais antiga existente nesse material. Da mesma forma que no Pátio do Colégio, pode-se ver a estrutura do prédio em toda uma sala.

2) Pinacoteca do Estado de São Paulo (http://www.pinacoteca.org.br/pinacoteca/default.aspx?c=exposicoes&mn=100)

O prédio, projetado por Ramos de Azevedo (http://www.sampa.art.br/biografias/ramosdeazevedo/), é um dos mais bonitos que conheço.  Depois de amargar idas e vindas sob más gestões, a Pinacoteca renasceu.  Seu acerto é pujante, sempre há exposições interessantes.

Estão fazendo uma alteração profunda da exposição de longa duração (acervo fixo).  Há até um vídeo no Youtube muito interessante (http://youtu.be/DFVkELxboNc).  Só que ali também grassa a síndrome da Copa de 2014: não saiu na data anunciada. Está escrito, está impresso: quando começará a nova exposição de longa duração da Pinacoteca? Terá início no segundo trimestre de 2011. Então, hoje já estamos no terceiro trimestre e nem sinal.  Uma coisa o descompromisso, a falta de planejamento, a falta de respeito com o público.  E olhem que a Pinacoteca é um dos museus públicos mais profícuos e bem geridos por aqui. Enfim…só nos resta aguardar.

Ontem vimos Paulo Werneck, muralista brasileiro.  Trabalhos lindos no RJ, em SP, em Santos, em BH.  Obras que a gente até admira, mas não sabe (eu pelo menos não sabia) de quem são.

A outra exposição, um tantinho hermética para mim, foi a de Sérvulo Esmeraldo. Interessante, mas não me encantou como a de Werneck.

Além destas há uma instalação de Iole de Freitas (leve, fluída) e outra de Paulo Ramirez Jonas (divertida e interativa).

A lojinha passa por altos e baixos. Atualmente tem sobretudo publicações, poucos itens “pragmáticos” com a marca da Pinacoteca.  Os itens são poucos e caros. Poderiam dar uma caprichada.  Não entendo por que esse pejo em juntar arte e dinheiro. Se se vai a museus fora daqui, a registradora não pára de tilintar, e tudo que entra acaba ajudando a instituição seguramente.  Será que um dia vão deixar essa mentalidade suburbana  e/ou amadora de lado?

Felizmente, a cafeteria, que estava em reforma, reabriu (http://www.pinacoteca.org.br/pinacoteca/default.aspx?mn=179&c=300&s=0).  Agora é a mesma empresa que já prestava serviços na Estação Pinacoteca que cuida do local. Pudemos almoçar ali (os pratos do dia são bem bonzinhos e baratos - salada, prato principal, sobremesinha).  O atendimento é simpático, mas nem preciso dizer que é errático.  Houve até um momento “piada de português”: pedi a opção de massa. Quando trouxeram o prato, perguntei: Teriam um queijinho? A garçonete disse: Temos, sim! E saiu dasabaladamente. Estou esperando o queijo até agora!  Ou seja, ter, têm, agora trazer já e outra história.  De todo jeito, pelo dia lindo, por termos almoçado na área aberta, com calma, uma boa refeição, a preço razoável, além da ótima conversa, valeu.

26

de
junho

Dia de boas e poucas

Atividades variadas no sábado.

1) Fundação Ema Klabin (http://www.emaklabin.org.br/)

Além de a Fundação ter um acerto ótimo, visitas guiadas (http://mskeller.blog.terra.com.br/2009/02/28/um-dia-insolitamente-lindo/), também tem promovido apresentações musicais (http://emaklabin.org.br/component/content/article/44-tardes-musicais–centenario-do-piano-erard/65-tardes-musicais) - gratuitas. Ontem fui ouvir Mendelssohn Melges (pianista)  interpretando jazz (Gershwin, Berlin, Porter, etc.). Além de o lugar ser uma delícia (o dia também ajudou, claro), o artista esteve primoroso, os arranjos estavam lindos.  Os concertos começam, em geral, às 16h30. Chegando uma hora antes é possível visitar a linda casa de Ema Klabin.  A série do primeiro semestre terminou. A programação para o segundo semestre deve sair já, já.

2) MUBE (http://www.mube.art.br/?Expo)

Depois do lindo concerto, bastou atravessar a rua e ver as exposições do MUBE. Demos sorte, porque já aconteceu de eu ir por ali, tentar aproveitar a proximidade para ver alguma coisa e não haver nada pronto ainda. Explico:é que como vou pouco para aqueles lados, difícil ter na cabeça o que está ou estará e quando. My fault, afinal mídia e internet estão aí para ser consultados.

Havia exposições bem interessantes.  Uma sobre as obras de Niemeyer, histórico sobre o artista; outras com obras bem inusitadas, pelo menos para mim: cerâmica, madeira, vidro, instalações. Nada pesado ou elucubrante. Exposições divertidas e gostosas de ver.

3) Festa junina na Perpétuo Socorro (http://paroquiaperpetuosocorro.net/)

Fazia uns dois anos que não ia por ali. Uma das festas de que mais gosto ( e eu adoro uma festa junina!). Ontem estava bem tranquilo. A festa é superorganizada, fica num lugar bem bacana, comidinhas (montes!) ótimas e a bom preço, brincadeiras também (pescaria, boca do palhaço, árvore da sorte…).  Pena que algumas coisas haviam acabado (era o penúltimo dia da festa). Parece que iam até repor, mas demoraaaa.  As prendas também já estavam meio fracas em uma barraca, mas nas outras foi um arraso. Delícia!  Ontem havia um trio que animou o povo durante horas, mas é diferente dos consagrados que se apresentaram/apresentarão: Jair Rodrigues e família, Simoninha, Luiz Airão, Angelo Máximo (como assim, quem são? Google, pls!), etc. com eles, a “casa” sempre fica mais cheia.  De todo jeito, a noite estava bonita, tinha bastante gente. Deu para andar pela quermesse, comprar as delícias com calma, ouvir música sossegado. Tinha até uma quadrilha bem ajeitada.

A festa da Perpétuo é uma das poucas de rua que sobrevivem com qualidade.  Claro que há as dos clubes, a do Calvário (vai até final da semana que vem, então ainda dá para aproveitar), mas ainda acho que a mais simpática é da Perpétuo mesmo.

Agora só para o ano que vem…

20

de
junho

De mostrinhas

De comidinhas, de pecinhas, de mostrinhas…o que a gente não faz para dar uma de engraçadinha. Até rima besta a gente cria…mas já deu!

1) Mães de Umbigo (http://www.cidadedesaopaulo.com/sp/br/gratis/1759-maes-de-umbigo-parteiras-da-amazonia-brasileira)

Quando fui ver Otros (http://mskeller.blog.terra.com.br/2011/06/18/de-pecinhas/), aproveitei para ver esta exposição fotográfica sobre as parteiras da Amazônia.  Fotos lindas, em branco e preto. Textos explicativos interessantes. Lendas. As massagens que essas mulheres simples e sábias aplicam para colocar o bebê na posição certa dentro da barriga da mãe, os métodos, os “equipamentos”, as beberagens. E lá vem uma linda criança das entranhas da ribeirinha.  Uma mostra lindíssima, mágica de tão distante de minha realidade.  Vale ver. Vai até 26/6 lá no SESC Pompeia.

Uma amigo de BH veio para SP, então lá fomos nós ver e rever algumas mostras que estão por aqui.

2) A arte na mecânica do movimento (http://mskeller.blog.terra.com.br/2011/05/29/nem-tudo-sao-dores/)

Já havia visto há umas duas semanas, mas aproveitei o visitante e fui de novo.  É uma exposição lindíssima! Além de bem montada, os itens que estão ali (caixinhas de música - aliás algumas são caixonas, e autômatos) são fantásticos.  Como mencionei no post acima, é preciso um monitor para aproveitar ao máximo a mostra, pois só ele pode colocar as peças em movimento.

Uma amiga de Dallas está por aqui. Vou levá-la lá também.  Sem nenhum problema, pois dá vontade de ver e rever aquelas joias indefinidamente.

3) MASP (http://masp.art.br/masp2010/exposicoes_emcartaz.php)

Como meu amigo já esteve por lá há não muito tempo, demos um giro pelo terceiro andar (acervo do museu). Depois fomos ver Papéis brasileiros - gravura/ 1910-2008 (http://masp.art.br/masp2010/exposicoes_integra.php?id=83&periodo_menu=). Um acervo lindíssimo: Lívio Abramo, Mario Gruber, Cildo Meirelles, e muitos outros.

Aí fomos para o subsolo, onde está 6 Bilhões de Outros (http://masp.art.br/masp2010/exposicoes_integra.php?id=86&periodo_menu=), de Yann Arthus-Bertrand. Dele já havia visto Home (http://mskeller.blog.terra.com.br/2009/08/10/e-muito-tarde-para-ser-pessimista/). Um filme excelente.

A exposição é muito interessante. Um trabalho fantástico: depoimentos, fotos de todos os cantos do mundo.  Há tendas montadas e em cada uma delas depoimentos sobre um tema (amor, sonhos,  desastres naturais,etc).  É para dedicar uma tarde no mínimo.  Há depoimentos crus, outros poéticos, muitos emocionadíssimos.  Vale ver.  Aliás eu volto lá para passar umas horinhas e ver mais.

Se lançassem um box de dvds com o material da mostra, eu compraria sem pestanejar.  Muito bom conhecer tantos outros e saber que eu gostaria de muitos deles.

Depois almoço no restaurante do museu, sempre muito bom. Cheio, mas não lotado. Uma delícia! Atendimento certinho também. Só o caixa é que engripa. Fila, demora. Podiam dar um jeito nisso.

4) Grace Kelly (http://www.faap.br/hotsites/hotsite_grace_kelly/)

Uma exposição linda, que fica até 10 de julho no Museu da Faap. Coisa de rainha mesmo, de sonho.  As exposições na FAAP são sempre muito bem montadas. Há a Sala Hollywood, a do Encontro, a do Casamento, dos Bailes, etc.  Documentação que não acaba mais. Fotos, reprodução de capas de revista, vestidos (uauuuu!), joias (uaauuuuuuuuuu!), centenas de cartas. Enfim, uma exposição completíssima.

Eu conhecia a GKelly dos filmes (Hitchcock sobretudo) e das notícias do reino…Além de linda, nunca um affair escabroso, nenhum tema nebuloso, só realeza, elegância, beleza.  Depois de ver a exposição, é essa a impressão que fica. Se ela foi feliz, ou se deprimiu, como tantas moças que se tornam princesas ou rainhas, não dá para saber. O que se vê é muita serenidade, quase uma platitude.

Bem, nunca fui de acompanhar revistas de fofoca, ou as celebridades que grassam por aí, mesmo assim gostei bastante da exposição.  Termina em 10/7, é de graça.

5) Escher no CCBB (http://mskeller.blog.terra.com.br/2011/04/29/matando-vontades/)

Já havia visto a exposição. Fui apenas para me encontrar com meu amigo mineiro. Isso no domingo, por volta de 11h. O local estava lotado!  Que bom!  Meu amigo gostou bastante da exposição, conseguiu ver um dos vídeos.  Depois um café na cafeteria de lá. Estava um dia bonito, ficamos no lado de fora. O serviço estava um pouco lento, mas no final deu tudo certo.

A exposição fica até 17 de julho. Vale muito ver. E não deixe de assistir aos dois vídeos.

6) CEF Cultural Sé (http://www.caixacultural.com.br/html/main.html)

A CEF também tem sempre mostras interessantes. Basicamente mostras fotográficas.  Agora há 3 em cartaz:

-Na Foto 20 anos - comemorando os 20 anos do Núcleo dos Amigos da Fotografia. Fotos de profissionais conhecidos. Um universo bem diversificado e interessante.

-Condenados - no meu país, minha sexualidade é um crime.

Um trabalho corajoso do fotógrafo e jornalista francês Philippe Castelbon. Na verdade, as fotos não são tão fantásticas, diferentes. O acervo de depoimentos e da legislação das nacionalidades abrangidas, sim.  Há países em que eu não poderia imaginar que a restrição à homossexualidade fosse tão severa.  Impressionante!

É interessante também ler qual foi o critério ou método para que o jornalista obtivesse as fotos.  Fica claro que se para homens a homossexualidade é um problema em termos de aceitação, para as mulheres as limitações são ainda piores e mais críticas. Notarão que não há sequer uma foto feminina, isso porque além do medo, nos países retratados, elas nem sequer conseguem chegar à internet, o que os homens fazem com certa facilidade para descobrir parceiros, participar de chats ou sites dirigidos aos homossexuais. Enfim, duas realidades que parecem óbvias, mas das quais eu não tinha uma visão clara.

-São Pauo Século XXI - Fausto Chermont

Lindas fotos de minha cidade. E como ela fica bonita na foto!  Interessante tentar descobrir de onde são determinados closes. Para quem gosta da cidade, circula por aí, um prazer ver essa exposição.

As exposições ficam até meados de julho. De graça, então não há por que perder.

23

de
março

Ônus e bônus

Depois de ficar irada com o atendimento da clínica oftalmológica em que fiz minha cirurgia de catarata ( o atendimento é ruim desde o telefone - marcação de consulta, continua com o pessoal de balcão/recepção, e até o técnico, fora o cirurgião, que também fez algo de que não gostei absolutamente, é displicente), um refresco: voltar ao Casinha de Monet ()http://mskeller.blog.terra.com.br/2010/12/12/era-um-sabado-como-outro-qualquer/).

Começou a Restaurant Week (http://www.restaurantweek.com.br/default.asp?id=24&CIDADE=23&cozinha=0&edicaon=24&BAIRROS=0), um amigo ainda não conhecia o restaurante (http://www.casinhademonet.com.br/#/pt - o site está muito bacana), então vamos lá. Escolhemos a brandade de bacalhau, confit de pato ao mel e especiarias e pêra ao zambaione (divina!).  Também provamos o vinho em taça (Sauvignon Blanc, El Descanso), que estava bastante bom.  Atendimento muito cortês, e comida ótima. O lugar também é muito agradável. R$ 54/pessoa, incluindo vinho, água, café, serviço.  Nada é barato em SP, mas o custo x benefício no Casinha é sempre muito bom.

Depois, pernas para que te quero? Primeiramente, a Casa Modernista (http://www.museudacidade.sp.gov.br/casamodernista.php), que foi construída em 1928 e reformada em 1935, quando várias características foram alteradas. Mesmo estando ali na Rua Santa Cruz, ainda há silêncio pelos jardins, ouvem-se os pássaros, as árvores são maravilhosas, mas quanta displicência com o patrimônio histórico. A casa é cuidada (aliás, DEScuidada) pelo patrimõnio histórico municipal. Um espaço fantástico, em que se faziam saraus antigamente, usado para nada. Visitar a casa é um prazer, mas não há uma exposição, uma mostra, o espaço não é utilizado para atividades culturais.E os jardins? Pobres jardins! Não há grama em lugar nenhum, só terra meio barrenta por todo o terreno, forrada de folhas secas que caem das árvores.  Uma coisa triste demais!  Um espaço desses, com essa localização, em qualquer lugar civilizado que respeite sua história estaria borbulhando. Hoje, às 15h30, meu amigo, eu, e um casal que chegou depois. Dois monitores para atender visitantes.  É brinca?

Depois para o Museu Lasar Segall (http://www.museusegall.org.br/index.asp), ali pertinho. Em frente: casas modernistas que, aparentemente, estão sendo ameaçadas pela construção de um prédio nos fundos.  Se for isso mesmo, mais um descuido da municipalidade quanto ao patrimônio histórico.

O museu, construído pelo mesmo Gregori Warchavchik que construiu a casa modernista (concunhado de Oscar Klabin Segall), está em melhores condições. É órgão federal, tem uma associação de amigos, é centro de estudos (biblioteca, cursos, ateliê), tem um pequeno café, e leva exposições temporárias.  O acervo de obras do próprio Segall é grande. Muito interessante ver também as realizações de Jenny Klabin Segall, viúva do artista, que idealizou o museu.  Imaginem que várias obras que li durante os tempos de colégio e faculdade foram traduzidos por ela. Uma mulher muito ativa e determinada, sem dúvida. Seus filhos atenderam os desejos de Jenny após sua morte. E fêz-se o museu.  Jardins agradáveis, várias esculturas de Segall por ali, várias obras sobre o artista à venda.  Um lugar bastante bem organizado, bem mantido, que cumpre seu papel cultural com sua extensa biblioteca, exposições, cinema e cursos.

E last, but not least: Leonilson (http://itaucultural.org.br/leonilson/index.cfm/f/exposicao) no Itaú Cultural (http://itaucultural.org.br/index.cfm?cd_pagina=2688), ali na Paulista.

Leonilson é aquele tipo de artista que não entenderei jamais, mas de quem gosto, com quem me divirto. Muito de sua obra parece-me angustiada, doída. Mas aí vêm as cores, os materiais inusitados, os bordados, e não há como não sorrir e se encantar. Como tantos de sua geração e opção sexual morreu cedo (aos 36 anos).  Outros tempos.  Fez Panamericana, FAAP, e foi espalhar sua arte pelo mundo. Viajou e expôs bastante. Foi muito produtivo.

A montagem da exposição é muito criativa também, valorizando as obras. Vale ver a exposição que ocupa três pisos do prédio.

Essa foi a programação de ontem, mas hoje tem mais.  Depois conto.

13

de
março

Quase lá!

Hoje viajo para Foz do Iguaçu.  O Escrever para viver vai repousar comigo.  Maaassss…quem bloga, bloga mesmo…portanto, já tem link para a viagem:  http://muitaguavairolar.blogspot.com/2011/03/de-novo.html

Mas antes de ir um resumo do dia, que foi agitadinho.

Primeiramente, exposições no Instituo Tomie Ohtake (http://www.institutotomieohtake.org.br/programacao/expocartaz/tecartaz.htm).  Quatro excelentes:

(1)  Vik Muniz, muito melhor do que a que vi no MASP (http://mskeller.blog.terra.com.br/2009/05/24/ser-e-ter-eis-a-questao/). Na verdade, não sei se não foi meu olhar que mudou. Acho o artista criativo, surpreendente em alguns momentos, mas nesta exposição me diverti a valer, achei muita graça no inusitado de algumas obras. Além disso, tem de tudo: escultura, foto, bonsai, instalação.  Um artista multifacetado. Uma festa!

(2) Cartazes de bonde produzidos pelo Atelier Mirga: peguei o fim dos tempos de bondes. Na verdade, andei umas duas vezes só aqui em SPaulo, portanto lembro-me vagamente dos cartazes. Nos bondinhos de Santos (http://mskeller.blog.terra.com.br/2011/01/19/adoro-essa-cidade/) ainda é possível vê-los. Criativos, divertidos, realistas. Em que outra peça publicitária se poderia ler: “lombrigueiro efficaz, usado há 66 annos”? E o famoso e decantado: Veja, ilustre passageiro / O belo tipo faceiro / Que o senhor tem ao seu lado…/ E, no entretanto, acredite, / Quasi morreu de bronquite, / Salvou-o o RHUM CREOSOTADO!?

(3) Miragens:fotos, vídeos, pinturas, instalações de artistas contemporâneos do universo cultural islâmico. É uma exposição paralela, igualmente patrocinada pelo Banco do Brasil, à que está no Centro Cultural do Banco do Brasil (http://mskeller.blog.terra.com.br/2011/02/12/comecando-pelo-film/), no centro da cidade. Muito interessante, imagens instigantes, vídeos desconcertantes.

(4) Rótulos de Cachaça: tão divertida e interessante quanto os cartazes de bonde. Quanta cachaça tem por aí! E que criatividade para nomes e rótulos.  Até formulei uma teoria para o nome da 51.  Se forem à exposição (eu não perderia um conjunto tão bom e diversificado, e de graça!), vejam se conseguem chegar a uma conclusão também.

Depois, direto para o Galpão do Folias (http://www.galpaodofolias.com.br/site/category/novidades/). Nunca tinha ido ao espaço que, pelo que entendi, tem sempre montagens primorosas.  O acesso é muito fácil, e o local, apesar de ficar ali pela S. João, perto de um viaduto, é bastante tranquilo, limpo, ajeitado. A peça baseia-se em A Dócil de Dostoievski. Dois atores em cena (Dagoberto Feliz e Patrícia Gifford). O espaço é bem interessante. O espetáculo começa na rua (quem for baixinho como eu perde “visualmente” os primeiros cinco minutos, mas não tem importância. Relaxe e ouça, porque ver, não vai ver, não), e vai entrando aos poucos pelo teatro.  O espectador arruma sua cadeira - a plateia é bem irregular e os atores movimentam-se (e como!) entre as cadeiras, os espectadores, escadas, itens de cenário. O texto é muito bonito, e os dois atores estão ótimos. Música ao vivo, iluminação primorosa. Guarda-roupa minimalista, mas não presisa mais.  O cenário também está imerso na plateia.  Já vi formatos de encenações similares, mas este surpreende em muitos momentos e cumpre seu papel com louvor. Interessante ver os passantes, pedestres, já que muitas vezes a cena é visível da rua, o ator sai e canta. 99% passa dando uma espiada, mas alguns vão e voltam, e se pudessem, entrariam.  No início, quando ainda estamos na calçada, um rapaz que passou perguntou: é espiritismo? Se puder vá ver, vale muito a pena.

E por último: Palhaços (http://vejasp.abril.com.br/teatro/palhacos) que, segundo meu amigo me disse, está em cartaz contínuo há anos, migrando por teatros. Vi no Imprensa - Sala Vitrine. E, pasmem! O Dagoberto Feliz também é uma das duas personagens.  Chegamos quase juntos! A peça é de Timochenco Wehbi (queeeemmmm? Essa foi minha pergunta). Pois é, com esse nome todo era de Presidente Prudente. Aqui uma biografia interessante: http://www.itaucultural.org.br/aplicexternas/enciclopedia_teatro/index.cfm?fuseaction=personalidades_biografia&cd_verbete=853.  A peça foi encenada inicialmente na década de 70.  Palhaço e espectador/fã discutem com profundidade as escolhas que fazemos pela vida, e das quais nos tornamos prisioneiros muitas vezes. Muita risada, timing ótimo para o cômico, atores a poucos metros da plateia, interação total. Danilo Grangheia está ótimo (ele fez outra peça a que assisti / http://mskeller.blog.terra.com.br/2010/11/10/para-que-querer-inventar-a-roda//, mas não o havia reconhecido). Quanto a Dagoberto Feliz, o Flash do teatro paulistano - de um teatro a outro em segundos!-, está fantástico. Nada da personagem que eu vira havia uma hora colou no ator. Transformação impressionante!  Estava para ver essa peça há um tempo, ensaiando, ensaiando, ensaiando. Que bom que pude vê-la finalmente. Compensou plenamente a espera. Ah, e não percam de jeito nenhum!

E agora vou mesmo…até a volta!

nota: texto bacana sobre as duas peças: http://iracenna.blogspot.com/2011/03/docil-palhacos-2x-dago.html?spref=fb

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