Escrever para viver!

Tudo que der na telha e que eu achar que vale a pena

28

de
janeiro

Arrazoado teatral - antes que eu me esqueça…

Resuminho:

  1. Vi, no final de semana passado, Sombras - A nossa tristeza é uma imensa alegria ( http://www.tnsj.pt/home/espetaculo.php?intShowID=253) com a trupe do Teatro São João do Porto.  Apresentaram-se no SESC Pinheiros. Bonito ver o português dito por nossos colonizadores. Muito fado, muita projeção, iluminação bacana, figurino idem, músicas lindas, danças inquietantes.  Na verdade, o espetáculo é um jeito de colocar o fado em cena de várias formas, mostrando a alma nostálgica e poética do povo português.  Há também história (D. João de Portugal, Madalena de Vilhena, D. Sebastião, Alcácer-Quibir, Inês de Castro…). Para entender o que vai pela cena é importante ler o programa do espetáculo ou as projeções que já estão on quando se entra na sala de teatro antes de tudo começar.  O espetáculo ficou pouquíssimo tempo em cartaz. A companhia esteve no Brasil há uns anos. Se voltar, vale conhecer.
  2. No feriado, fui ver  R&J de Shakespeare- Juventude Interrompida (http://www.sescsp.org.br/sesc/programa_new/mostra_detalhe.cfm?programacao_id=209517 ), no SESC Belenzinho. Sessão lotada.  E não é para menos. A peça do escritor Joe Calarco (http://www.joecalarco.net/index.htm ) é uma releitura interessante da obra de Shakespeare.  Quatro rapazes em cena que se alternam em todos os papéis da tragédia. Especial destaque a Rodrigo Pandolfo que atua como Julieta/Benvólio/Frei João.  Não há trocas de roupa, só um outro adereço é agregado; o cenário é sempre o mesmo (aliás, muito interessante pelo tamanho da sala e distribuição dos espectadores).  Texto+ atuações + direção + iluminação criam a mágica necessária. Há riso, há tensão, e sobretudo muita poesia.  O espetáculo fica mais umas semanas em cartaz. Se puderem, vejam!
  3. E ontem foi dia de ver Cyrano de Bergerac no CCBB (http://www.bb.com.br/portalbb/page511,128,10168,1,0,1,1.bb?codigoMenu=9904&codigoEvento=4445&codigoRetranca=184 ).  O texto é bem conhecido, sobretudo por filmes (http://pt.wikipedia.org/wiki/Cyrano_de_Bergerac_(pe%C3%A7a_de_teatro) ). Acho que o mais recente e famoso foi o filme em que Depardieu (1990) interpreta a personagem.  A tradução/adaptação do texto está magnífica.  Os atores também (a temporada começou em dezembro, foi interrompida no final do ano, e vai até 5/2) estão muito bem.  Bruce Gomlevsky que faz o Cyrano está estupendo!  Há algumas trocas de roupas, essenciais, o cenário é o mesmo de começo a fim mas usado de forma pragmática e criativa. Cyrano de Bergerac Além da simpatia que Cyrano desperta por sua aparência, criatividade, poesia, há muito humor. A plateia ri bastante com um texto sem obviedades. A peça vai até 5/2, mas vai ser difícil conseguir ingressos. Por sorte, comprei o meu na sexta e foi o últiminho para sábado. Vale muito ver. O espetáculo tem mais de 2,5 horas, mas não cansa, encanta.  Se tiverem sorte de conseguir um ingresso (os preços no CCBB são imbatíveis de tão baratos), não percam!

27

de
janeiro

They ride again

Millennium - Os Homens que Não Amavam as Mulheres Poster

Quem viu o filme anterior (http://mskeller.blog.terra.com.br/2010/05/18/um-filmao-e-um-filminho/) de 2009, da mesma trilogia, vai gostar ainda mais deste.  A nova produção é globalizada: Daniel Craig, Christopher Plummer além dos vários atores nórdicos. Novo diretor: David Fincher.

O filme é longuinho, umas 2,5horas, mas dá para ver sem problemas. De novo um crime a ser desvendado, daqueles que seguem por anos sem solução. Conversa daqui, conversa dali, e as evidências vão surgindo.  O final é bacana, mas dá para antever um pouquinho lá atrás, o que não diminui o brilho do enredo.  A grande estrela, a partir de um determinado momento, passa a ser Rooney Mara, atriz americana que substitui uma sueca do filme de 2009 como Lisbeth Salander. A “gênia” problemática cresce muito no filme e estabelece o ritmo do thriller.

A trilha é assim, assim. A fotografia é bonita: neve, neve, neve…brrrrr…Craig e Plummer estão ótimos. Igualmente ótimo Stellan SkarsgÃ¥rd, que está em todas: Melancolia, Piratas do Caribe, Mamma Mia…é um secundário indispensável sempre.

Mesmo só com dois anos de diferença (um é de 2009 e outro de 2011), o fato de um ter sido produzido na Suécia e outro ser uma produção americana estabelece uma distância enorme em termos técnicos. Pelo que eu tinha na memória, a diferença em anos seria maior tal a diferença de imagem, cores, enquadramentos, etc., etc.

Um ótimo filme para dias de sol ou chuva.

25

de
janeiro

Só para contrariar

A Separação Poster

Não o grupo musical, mas para contrariar mesmo…Agora que tinha decidido ir mais devagar, escrever só que o não conseguisse segurar, aparecem montes de coisas prementes. Francamente!

Hoje vi A separação (http://www.imdb.com/title/tt1832382/), um filmaço.

Neste caso também tenho de fazer considerações sobre o cinema. Fui ao Unibanco Augusta. Não sei se sonhei, mas entendi que vão aos poucos renovar as salas. E não é mais Unibanco, mas Itaú.  Está precisando mesmo. E que confusão! Normalmente não vou ao cinema às 18h, 19h. São horários selvagens: filas, demora, multidão. Mas hoje deu um tilt e fui.  Chegando lá, uma fila enorme. Não era para compra de ingressos, mas para entrar na sala. Esse cinema não tem assentos marcados, então já viu…A fila para compra também era grande. Aliás, eram: uma para compra em dinheiro e outra para cartão. O pessoal da bilheteria até que se vira nos 30, mas o cinema tinha de ter uma estrutura melhor, sobretudo considerando que essa confusão deve acontecer todo final de semana nesses horários.  A sala em que está o filme é bem grande, mas tem uma inclinação ruim. Sentou alguém mais alto na sua frente, babau.  Consegui sentar na terceira fileira, na lateral, mas deu para ver bem o filme.  Parece que foi tudo bem, mas não foi. Com esse negócio de duas megafilas na calçada, quem tinha de passar por ali só descambando para o asfalto. Detesto quando vou passar por uma calçada e pessoas folgadas barram o caminho. Esconjuro até a 100a. encarnação. Hoje eu é que merecia isso, pois apesar de tentar atrapalhar o mínimo possível, não dava para não atrapalhar as pessoas ou até deixar de impedir sua passagem.  Shame on me! Que o cinema, nessa sua repaginada, tente encontrar um jeito de resolver esse problema. Quem vê aquela bagunça, até pode pensar, erroneamente, que é fila para algum megashow, ou para comprar ingresso para algum superevento tal a barafunda. Lamentável!

O filme é iraniano. Surpreendi-me com a civilidade em todos os níveis: social, familiar, religioso. Não que eu achasse que por lá havia selvagens. Afinal é uma civilização milenar. Mas tanta guerra, tanto conflito, tanto desgoverno na região, que sobra a imagem de gente belicosa acima de tudo, gente desesperada e por aí vai. Mesmo o viés religioso nem de longe é o condutor do filme.  São retratadas relações familiares, sociais, escolares, policiais, empregatícias de um jeito muito interessante. Extremamente realista. São as mesmas relações que existem mundo afora, sem tirar nem por: casais que se desentendem, patrões x empregados ou o contrário, filhos no meio de imbroglios maritais, as doenças degenerativas que estão cada dia mais presentes pela longevidade que adquirimos continuamente, etc.

Fiquei imensamente surpresa com a civilidade com que tudo é tratado, lidado. Eu diria que os ditames familiares, sociais e religiosos acabam garantindo essa “retidão” de conduta. Vê-se o atendimento judicial sobrecarregado, o atendimento médico também, mas ainda assim as estruturas, comparativamente com as nossas, por exemplo, parecem em melhor forma.  Tudo bem, é ficção, pode ser propaganda do regime. Inegável que o que está na tela revela uma sociedade muito organizada e civilizada. Vai saber.

Quase não há trilha sonora, fotografia nada (100% das cenas são em ambientes fechados ou ruazinhas com carros estacionados. Nada de praça, de vista, de verde).

É a história de um casal que se separa civilizadamente porque a mulher quer ir para o exterior e o marido, que cuida de um pai com Alzheimer, não quer. Há ainda a agravante de uma filha de 11 anos (vai com a mãe ou fica com o pai?). Pela partida da mãe para a casa de familiares é necessário contratar alguém para ficar com o pai doente. E aí começam os problemas.  Há momentos em que a gente acha que sabe a verdade, mas dali a pouco duvida. É aquela história de “Lies may lead to truth”. Ou abrasileirando e dando um sentido um pouco diferente: mentiras, se ditas muitas vezes, podem se tornar verdades.

Um filme denso de começo a fim. Não dá nem para piscar. E o final e bem interessante. Ah, e é longuinho, pouco mais de duas horas.

24

de
janeiro

Não foi arrependimento

O Jogo de Sombras Poster

Nossa, nem parei e já recomecei? Nãããõoo.  Por ora, só vou escrever mesmo aquilo que não der para deixar passar, mas já aviso que não vou elaborar muito,não.

Fui ver Sherlock Holmes, o jogo de sombras (http://www.imdb.com/title/tt1515091/).  Estava em dúvida se ia ou não. Vi o primeiro filme (http://mskeller.blog.terra.com.br/2010/01/20/nossa-que-movimento-de-novo-domingo-final-de-tarde-e-noitee-se-acabou/) e não achei lá essas coisas. Mas várias pessoas disseram que o segundo era bacana, então…

Primeiro o cinema: Playarte Marabá. Já estive algumas vezes lá (http://mskeller.blog.terra.com.br/2011/03/06/confetes-e-serpentinas/). E quem recupera qualquer coisa em SP, sobretudo no centrão, merece minha admiração, mas nem por isso precisa fazer mal feito.  A entrada continua feia, largada; o segurança fuma enquanto os espectadores entram para comprar a entrada; as bilheteiras são no mínimo fellinianas; os banheiros largados (papel higiênico pendendo de arames); os tapetes vermelhos (quem teve a ideia infeliz de revestir escadas com isso?) já estão negros; o pessoal da limpeza não gera confiança…maaasss, custa R$ 11/inteira.  A projeção é bem razoável (som, imagem). Mesmo assim, custo  x benefício poderia ser bem melhor.É aquela coisa de relaxo, falta de capricho que está no gene nacional…

O filme: continuo não gostando do Downey Jr. e olha que tenho visto vários filmes com ele, então sei do que estou falando. Para mim continua o mesmo canastrão, todos os papéis são iguais. Sorte que a personagem é boa, tem muito efeito especial, e o diretor, Guy Ritchie (http://mskeller.blog.terra.com.br/2008/11/03/guy-ritchie-welcome-back/), é ótimo. Então ele não estraga o filme. Jude Law está ótimo, ainda melhor que no primeiro filme. E há a participação marcante de Stephen Fry (http://mskeller.blog.terra.com.br/2010/12/23/que-dupla/). Uma caricatura dele mesmo, mas ainda assim soberbo.

Bottom line: eu gosto mesmo é do Sherlock de Conan Doyle. Li montes de livros com o detetive. O que me encanta nele, em Poirot, e outras personagens do gênero, é o que em inglês se chama: cunning (showing or made with ingenuity. artfully subtle or shrewd; crafty; sly; Informal. charmingly cute or appealing: a cunning little baby; Archaic. skillful; expert.). Sem socos, sem tiros, sem sangue, sem violência, e voilà!  O Sherlock Holmes de Downey é um Indiana Jones Brit e só.  Bacanas as sequências em câmera lenta, quando ele explica os embates/ações antes, passo-a-passo.  Mas é isso, não tem nada a ver com o velho Holmes.  Nem Watson, mas JLaw torna-o um pouco mais palatável e crível.

Achei este filme melhor que o primeiro. Sem dúvida vale ver. Mas se, como eu, você conhece Sherlock Holmes, deixe-o em casa e vá curtir uma outra personagem que não tem nada a ver com o detetive de Doyle.

22

de
janeiro

Em férias…um dia eu volto!

Depois de 3 anos e 3 meses, resolvi dar uma paradinha. Repensar. Twitter, Face, mails, e otras cositas…muito movimento.

Quem sabe eu volte a escrever daqui uns tempos. Por enquanto volto a meu diário pessoal. Ótima terapia, podem acreditar.

Cuidem-se e até!

17

de
janeiro

Quem diria

Quando meu pai ia pescar em Mato Grosso, e ia de carro, diante das “n” horas de viagem e dos poucos dias de estadia (3, 4), eu invariavelmente dizia: Por que não fica mais?  Uma viagem tão longa e não vai aproveitar…Deus me livre…viajar tanto, para ficar tão pouco.

Aí, a gente esquece das coisas que diz, e faz o quê? A mesmíssima coisa, como diz a música: “como nossos pais”.

Explico: um amigo originário de Itumbiara (http://pt.wikipedia.org/wiki/Itumbiara) - não fiquem envergonhados, eu também não sabia onde era -, no sul de Goiás, ia visitar a família, rever o sobrinho recém-nascido e me convidou para ir junto, fazer companhia. Eu, pessoa difícil e contida que sou, aceitei na hora…Aí me inteirei dos detalhes: aproximadamente 9 horas de viagem (de carro, hein!), ou seja, mais de 700 km (http://www.emsampa.com.br/wwrota1363.htm).  Acho que faz uns 35/40 anos que viajei 9h de carro, de ônibus. Mais recentemente, só de avião mesmo.  Deu um medo, mas eu que NÃO sou teimosa não refutei. Itumbiara que me aguardasse.

Saímos no sábado às 7h aproximadamente e chegamos lá umas 18h. Demorou mais, pois paramos em Ribeirão Preto para visitar uma amiga de meu amigo.  Foi uma parada ótima, divertida, num condomínio bonito, mas isso não fez as 9 horas diminuírem, pelo contrário.  Paramos mais duas outras vezes para banheiro e boquinha.  Felizmente, as estradas, principalmente em SP, são excelentes e o trânsito estava mais que tranquilo.  Em MG as estradas ainda são boas, mas não tanto. Há vários trechos bem esburacados. O trecho final entre MG e GO é terrível (era pior, segundo meu amigo). De todo jeito, chegamos muito bem, um pouco “quadrados”, mas em boa forma.

A cidade tem uma terra vermelha que gruda na alma. Apesar do tempo chuvoso pelo caminho, em Itumbiara o tempo estava bom: sábado ainda céu azul, domingo nebuloso, mas quente e continuou assim no domingo. Só ontem apresentou-se chuvoso.

A cidade tem perto de 100 mil habitantes, tem escolas, faculdades, poucos prédios, mangueiras como nunca vi (vejam as fotos no link abaixo).  Tem um bom comércio, uma feira que vara a noite de sábado e madrugada de domingo, encerrando-se lá pelas 12/13h do domingo.  Feira-livre mesmo.  Não têm as frutas que temos em nossas feiras, nem todas as  verduras e legumes. É tudo mais forte (milho, mandioca, repolho, etc.). Imagino que seja pela qualidade da terra e pelo clima.  Até domingo havia uma barraca grande na praça central para um tipo de “festa da pamonha”.  Eu só tinha comido pamonha doce até hoje, lá comi a salgada e frita.  Continuo gostando mais da doce mesmo.  Outros pratos que provei: Chica Doida (uma mistura de curau com presunto, queijo, pimenta, que se come quente. Bem gostoso, é uma refeição - http://tudogostoso.uol.com.br/receita/42664-chica-doida-goiana.html); Mané Pelado (uma espécie de bom-bocado);  a própria pamonha salgada e frita, além de um palmito amargoso, mas saboroso (palmito gariroba).

A cidade é, aparentemente, bem rica, e tem seu ar de interior mantido e forte. Tem modernidades, mas não é modernosa. Muitos saem de lá para estudar e trabalhar em Uberlândia, Ribeirão, Brasília, Goiânia e por aí vai. Tive a impressão de que todo mundo se conhece. É aquela coisa, que até me deixou meu zonza, de: você sabia de fulano? Quem? Fulano, filho de sicrano, primo de beltrana!  Ahhh, pensei que fosse fulano1, tio de sicrano1…e por aí vai.  Até eu entender a árvore genealógica de meu amigo gastei muita massa cinzenta. Aliás, só compreendi mesmo na viagem de volta, após 9 horas de explicações detalhadas.  Não pedi para desenhar, mas seria bom…

Outra coisa que trouxe para casa foi o pequí.  Só tomei licor de pequí faz décadas e lá no Paraguai! Talvez tenha tomado depois, mas não me lembro.   Ontem mesmo pus o pequí para cozinhar para usar no arroz, com carne. Que cheiro é aquele?  Maravilhoso!  Nem precisa comer, só o cheiro já é prazeroso demais!

A cidade ainda está crescendo, modernizando-se, mas está muito suja, o asfalto é terrível em vários lugares, o rio Paranaíba, lindo e majestoso, que faz a divisa de Goiás e Minas, margeando a cidade, é pouco valorizado. O passeio na beira do rio está maltratado, foi feito e ficou.  Numa parte onde não havia esse passeio, fizeram (ainda estão ampliando) novas instalações: caminhos, gramados, jardins, brinquedos para as crianças, e por aí vai, mas muito tímido pela extensão que o rio propicia.  Uma pena!  Dava para ser um mini-Reno, para a população aproveitar mais, atrair turismo.  Há poucos bancos pela orla, em alguns partes poucas árvores.  O piso do passeio antigo tem rachaduras de dar medo. A impressão que se tem é que a qualquer momento parte daquilo vai ruir para dentro do rio; as grades de proteção estão comidas pela ferrugem, não existem mais pintura.  A iluminação na beira do rio parece bem recente e é igual à que temos em Santos, Guarujá.  Disseram-me que o prefeito, que está no segundo mandato, fez muito no primeiro, mas depois largou a cidade.

A cidade é bonita, tranquila, mas já ocorrem muitos assaltos a residências. Muita gente tem portão, muro alto e cerca elétrica. Muitos, mas muitos carros circulando, e a velocidade alta para a cidade. E o sonzão?  Como gostam disso!  Carros circulando ou estacionados com portas abertas e o batidão rolando ferozmente.  Um negócio interessante.

Agradeço a meu amigo, e sobretudo a seus familiares que abriram as portas de sua casa para mim, trataram-me com carinho e gentileza indescritíveis.  Conheci muita gente que os visitou e fomos à casa de outros parentes. E nunca faltava um café, um docinho, um queijinho. Gente de uma atenção e cortesia indiscutíveis.

Na estrada, paramos para banheiro e boquinhas. Com exceção de um Frango Assado em cidade distante de SP, todos os locais estavam meio derrubados, banheiros deteriorados e sujos.  Uma pena, porque havia movimento em todos. Pegamos chuva na ida em alguns pontos e durante quase toda a volta, mas nos dois casos fizemos uma vigem bem tranquila.

O percurso que fiz foi o seguinte: SP / Campinas / Jundiaí / Sumaré / Americana / Limeira / Leme / Araras / Pirassununga / Porto Ferreira / Santa Rita do Passa Quatro / Cravinhos / Ribeirão Preto / Orlândia / São Joaquim da Barra / Ituverava / Igarapava (aqui acabou SP) / Uberaba / Uberlândia / Tupaciguara / Arapuã (aqui acabou MG) / Itumbiara.  Posso até ter invertido alguma coisa, mas é muita cidade, algumas cidades pelas quais nunca passei.

Fotos da viagem. tirei as fotos do rio em Itumbiara, portanto o que se vê do outro lado, na outra margem, é Arapuã (MG).  Bacana, né?  O pessoal dali pode dizer: hoje à tarde vou à Minas, ou amanhã cedo vou à Goiás.  No mínimo divertido.

http://goo.gl/TJz5c.

E só para fechar e entenderem meu privilégio, uma poesia do anfitrião, Sr. Nelson, retirada de seu livro Centelhas.  Enjoy!

Viver livre, sem pensar

Pensar, prá que pensar, / o pensamento dói, / quero só amar,/ existir, sem penar.

Estar no sol, na lua, / no mar, à água do riacho / que bate às pedras sem se machucar;/ rolar, deitar, abraçar, / gritar ao mundo, cantar; / amo!…amo!…amo!…/ livre, sem pensar, sem penar,/ sem dor, só o amor.

Quero minh ‘alma livre, / livre estar, em todo lugar, / sem ferir, sem a ninguém machucar;/ sem ter que ter, sem ter que doar, / nada, nada a se magoar.

13

de
janeiro

Mais um Hitchcock em minha vida

Desta vez foi Agonia de Amor, ou The Paradine Case (http://www.imdb.com/title/tt0039694/). O pessoal da titulagem é demais. I rest my case…

Como nos últimos filmes de Hitchcock que comentei (http://mskeller.blog.terra.com.br/2012/01/02/um-e-pouco-dois-e-bom-2/) (http://mskeller.blog.terra.com.br/2011/09/27/o-ultimo-cupom-a-gente-nunca-esquece/) neste também a origem de tudo é um crime. Na verdade, é só o ponto de partida, pois os crimes não têm taaanta importância assim. O negócio é a intriga toda no meio do caminho, os embates psicológicos.   Agonia de Amor começa com uma mulher elegantésima, com aquela cara de “bege”, sendo presa pelo assassinato do marido, um cego rico ou um rico cego. A casa é um palacete, tem mordomo, e a moça vai para a cadeia. Dá para crer?  Enfim: com aquele seu coque mantido à base de gordura de porco aromatizada (deve ter gente lendo que é desse tempo. Um filme com George Clooney, O borther, where art thou?-http://www.imdb.com/title/tt0190590/ - mostra bem o uso que se fazia dessa pasta), ou Glostora (eu sou desse tempo), ela vai é presa, veste o uniforme da casa, tem os cabelos despenteados, e comporta-se como se aquilo nada fosse. Gente fina é uma coisa!

O filme todo gira em torno da defesa dessa mulher, a Sra. Paradine, pelo advogado Tom Keane, representado por Gregory Peck. Este filme é de 1947, ou seja, dois anos após Spellbound (post de 2/1/2012) e quanta diferença!  Gregory Peck, não só pelas madeixas tingidas para dar um ar mais senhorial, está mais firme, mais seguro.  Não desmaiou nenhuma vez!  Percebe-se que Hitchcock deu uma igualada na importância das duas personagens: Alida Valli (Sra. Paradine) e Gregory Peck (Tom Keane). Nos filmes anteriores, deu-me a impressão de o diretor ter privilegiado e muito as personagens femininas.  Ann Todd, que faz a Sra. Keane, também tem um papel bem destacado.  Dois outros atores, Charles Loughton (lembram-se? Aquele do clássico Corcunda de Notre Dame e tantos outros filmes) e Charles Coburn (outro superastro), estão ótimos.  Talvez seja isso também, o GPeck teve sua carga aliviada pela distribuição mais equânime entre as personagens.  Por que aconteceu o crime a gente sabe lá pela metade do filme. Aliás, só o GPeck é que não sabe…mas o embate, o julgamento, a luta contra uma atração fatal garantem a atenção do espectador. Não é um super thriller, mas é bem interessante.

Algumas coisas interessnate:

  • Como o caso passa-se na Inglaterra, a Justiça ou promotoria é mencionada como “The Crown”. isso nunca tinha visto/ouvido.
  • Alguém se oferece para levar livros para a presa, e ela diz: não precisa, a biblioteca daqui (da prisão) tem coisas muito interessante. Nossa!
  • Em dado momento, como em tantos filmes que já vi mas não tinha atinado, o juiz diz aos jurados (que são pessoas comuns, em geral, não têm nenhum treinamento de fato para exercer a função): esqueçam o que foi dito pelos dois advogados. Isso não deve ser levado em conta.  Como assim, esqueçam? O que vi em outros filmes, depois me lembrei, foi: desconsiderem o que foi dito, apresentado…de novo: como dá para esquecer, não considerar de fato?
  • Na apresentação do valete do assassinado, claro que um francês, Latour (representado por Louis Jourdan - parece nome de marca de bolsa, sapato), o mistério é criado porque não se vê o rosto da personagem por um bom tempo.  Esse efeito é criado só com penumbra, pouca iluminação. Fá-lhe Hitchcock!
  • Tem umas ventanias, janelas batendo, para criar um clima de susto. Um negócio meio forçado.
  • O cabelo da mulherada é tão “firme” que dá a impressão de ser talhado na madeira.  Haja laquê.
O filme é em branco e preto, tem uma fotografia até interessante, o fausto das casas é uma coisa.  Valeu ver.

10

de
janeiro

2 x 1

Pensei que ia ser 3×0, mas aos 45 do segundo tempo a coisa mudou. Explico: depois de ver Adeus, primeiro amor e Façam-me feliz, estava à beira de ver outro filme francês, mas um amigo queria ver Cavalo de Guerra, então adiei o filme francês para semana que vem.

1) Adeus, primeiro amor (http://www.allocine.fr/film/fichefilm_gen_cfilm=185687.html). Vejam que não é implicância: em francês o título é Un amour de jeunesse.  Com esse título fica a dúvida: será o amor de toda a vida? Separação + reencontro? Mas com o título Adeus, primeiro amor sobra alguma dúvida? Já contaram o final. É mole?

Enfim, o filme conta a história da primeira grande paixão de um casal de adolescentes. A vida muda, o rapaz quer se aventurar pelo mundo. Promessas de que nada vai mudar, mas muda, né? A menina deprime, mas levanta, sacode a poeira e dá a volta por cima. Forma-se, enceta um novo relacionamento, mas o antigo amor assombra-a pela vida.  É um filme bem bonito, interessante, trabalha bem os sentimentos, mas é muuitooo lento.  Os atores (não conhecia nenhum) estão bem. Tem uma miscelânea de nórdicos, franceses, árabes, ou seja, um filme globalizado.  Pelo nome dos atores (http://www.imdb.com/title/tt1618447/), vê-se essa mistura.

Camille (Lola Créton), a protagonista, fica mais nua do que eu diria que é necessário. Bonita, jovem, mas não precisava disso. O filme, pela temática, já seria inquietante o suficiente.  O exagero elimina a justificativa do ato, i.e., tem hora que a gente se pergunta: mas para quê exatamente ela está nua agora? O espectador já entendeu…Fica um negócio um tanto vulgar e meio anos 60/70 demais, ou déjà vu.

O filme é mediano, e o ritmo lento demais.

2) Faça-me feliz (http://www.allocine.fr/film/fichefilm_gen_cfilm=139835.html)

O faz-tudo (ator principal, diretor, roteirista) é Emmanuel Mouret. Ele me lembra um monte de gente (não pelo físico, mas pelo jeitão/atuação): Peter Sellers, Louis de Funès. Ele faz cara de bobo, provoca quilos de trapalhadas, mas em geral sai-se bem. Aliás, só um francês ou em um filme francês para alguém ter aquele cabelo e passar por “chic”, moderno.

Outro filme em que não conhecia nenhum ator.  Outro filme mediano. Como para um país com tantos atores bons, consagrados, veem-se caras novas ou não tão conhecidas na tela de monte! O filme é divertido; foi feito para ser um pastelão. Dá para rir, passar uma horinha, mas só. Não tenham grandes expectativas.

A sinopse que li em algum lugar por aqui não tem nada a ver com o filme. Acho que algum crítico ou sinopseiro não fez a lição de casa…É a história de um casal em crise (Jean-Jacques e Aneth).  Ele compreensivo, querendo demonstrar seu amor à namorada, ela questionando, questionando, questionando sei-lá-o-quê. Sem querer, JJ (Mouret) é jogado nos braços de outra mulher.  Quase se enreda, mas o destino salva-o.  Depois de muita patacoada, ele volta para os braços da amada. Surge uma crise (mínima) e os dois voltam às boas.

Se estiverem com tempo, não querendo pensar muito, e com vontade de dar umas risadas, pode ser uma boa opção.

3) Cavalo de guerra (http://www.imdb.com/title/tt1568911/)

Spielberg é Spielberg, então vale, em geral, apostar em seus filmes.  Ele tem produzido mais do que dirigido.  Vi sua direção mais recentemente em O Terminal, Indiana Jones, Prenda-me se for capaz.  E como produtor: Bravura Indômita (http://mskeller.blog.terra.com.br/2011/02/14/bandidos-e-mocinhos-para-ninguem-botar-defeito/), Além da Vida (http://mskeller.blog.terra.com.br/2011/01/10/voltando-a-ativa/). E pelo jeito vêm algumas coisas como diretor, mas muitas mesmo como produtor. No caso de Cavalo de Guerra, ele é os dois.

Podem dizer que sua extensa produção tem altos e baixos. Tal seria não ter com a listona de realizações.  Mas o fato é que já vi coisas bem melhores que Cavalo de guerra.  Achei o filme edulcorante, melado, dramalhão de arrancar lágrimas (e haja fungação…).  Over…O filme me deu a impressão de uma colcha de retalhos, i.e., referências a filmes de todos os tempos e da carreira do próprio Spielberg.  Impossível não ligar algumas imagens a E.T., E o vento levou, Lista de Schindler, e por aí vai.  E é compriiidooo. Mais de duas horas. Tem uma hora que a gente ora para que o cavalo se salve, volte para casa, e a guerra acabe.

A fotografia e a trilha sonora são bacanas, épicas mesmo.  Os atores estão bastante bem, com um único senão: alemães falando inglês com sotaque alemão, franceses falando inglês som sotaque francês…para quê?  Põe a língua original e as legendas duplas…Achei isso totalmente tolo e irritante.

Enfim, é uma produção milionária, bem feita, mas a gente não tem grandes surpresas, é tudo meio o esperado.  Na verdade, surpresas só em algumas ações do (ou será dos) cavalo.  Um animal (ou animais?) especial. Excelente ator!

Peter Mullan, David Thewlis, Niels Arestrup e Emily Watson estão ótimos!  Alguns secundários também fazem bem bonito. O menino Jeremy Irvine, protagonista, é uma promessa a ser conferida.

Ah, sim, é a história de um moleque que se encanta por um potro, treina-o, o animal supera-se a cada momento, os dois separam-se, o animal passa por um zilhão de aventuras durante a I Guerra, e os dois reencontram-se. Tudo isso eu não precisaria contar, vocês já tinham intuído. O recheio é que faz a diferença.

Bonito filme, bem emocionante! Só que o que ficou mesmo para mim foi a sensação de já ter visto tudo aquilo. Nota 7, e só porque gosto muito do Spielberg.

8

de
janeiro

Experimentando e voltando

Semana de ver e rever.  Na quarta, fui com amigas ao Chef Vivi  (http://www.chefvivi.com.br/web/), na Vila Madalena. Casa pequena, mas bonita.  Apesar de porta fechada, sem janelas abertas, nenhum cheiro de comida. Já era alguma coisa…  Havia pouca gente quando chegamos (12h30). O restaurante encheu mesmo depois das 13h.

Atendimento ótimo (milagre) e primeira grande surpresa: o menu composto de entrada, prato principal e sobremesa = R$ 39,50 no almoço.  Havia opções interessantíssimas!  Segunda grande surpresa: o cardápio é diferente no almoço e no jantar todos os dias!  Busca-se o que estiver mais interessante em termos de verduras, legumes, peixe, carne, temperos.  Não há frituras, apenas pratos grelhados ou cozidos, e buscam utilizar produtos sem agrotóxicos.  Como prato principal sempre uma carne, um peixe e um prato vegetariano. Bacana, hein! Tudo muito bom, tudo muito bem, mas e a comida? Uma delícia e mais que suficiente para satisfazer o comensal em termos de quantidade.  Não pedimos, mas oferecem um couvert com pães feitos na casa. Vi em outra mesa e parece bem gostoso, mas se tivéssemos pedido já seria demais.

Comi uma salada muito gostosa, com folhas, queijo coalho no maçarico, molho leve. Depois um escalope de mignon com verduraas/legumes e uma salada de frutas coloridíssima. Tudo muito bem apresentado e saboroso.  Valeu conhecer. A chef estava por ali atendendo clientes, muito simpática. Vale ir, sem dúvida!

No link acima, vejam a história interessante da chef.

E na sexta, com amigas também, voltei ao Portal da Coréia (http://pt-br.facebook.com/portaldacoreia) (http://mskeller.blog.terra.com.br/2011/05/06/de-0-a-10/), lá na Liberdade.  Como a cidade ainda não despertou para seu ritmo normal, foi fácil chegar, comer, voltar para casa. O restaurante é grande, muito confortável, com “churrasqueiras” embutidas nas mesas e exaustores potentes para a gente não sair defumada.  A comida é excelente e, para os padrões atuais da cidade, barata.  Comemos carnes no grill (panceta e picanha) com molhinho especial, várias verduras e legumes que acompanham a refeição e pode-se repetir à vontade, sopa fria, arroz. Consumimos o saquê coreano, cerveja, refris, águas, chás.  Não cabia sobremesa, então: entradinhas, pratos principais e acompanhamentos, bebidas, serviço = R$ 50/pessoa. Mas isso porque exageramos messsmooo! O preço dos pratos gira em torno de R$ 22/R$27 e servem bem duas pessoas. É um lugar que vale conhecer e voltar até pelo sabor muito especial da comida coreana.

Acho que para a semana deu!

5

de
janeiro

Mais um nunca

Em 2011, acompanhei um blog bem interessante: http://365nuncas.wordpress.com/. Duas moças resolveram fazer a cada dia do ano algo que nunca tinham feito na vida. Várias ideias achei muito iluminadas, outras menos, de algumas não gostei, mas o conceito é muito bacana! As autoras do blog fizeram tudo de propósito, mas a gente faz vários nuncas sem nem perceber pelo ano todo.

Eu já fiz muitos. Alguns relatei aqui: (a) assistir à S. Silvestre (http://mskeller.blog.terra.com.br/2010/01/01/mais-um-sonho-realizado-menos-ne/); (b) desfilar numa escola de samba (http://mskeller.blog.terra.com.br/2009/02/24/reminiscencias-carnavalescas-que-loucura/); (c) voar de balão (http://mskeller.blog.terra.com.br/2010/03/20/voar-voar-subir-subir/); (d) ir à Patagônia (http://miriamk-buenosaires2010.blogspot.com/) e muito mais!  Há muitas coisas que ainda quero fazer: pular de pára-quedas, conhecer mais países; rever muita gente; rever lugares, etc., etc.

E dia 31/12/2011 foi dia de riscar um “nunca” da lista: participar de uma S. Silvestre. Podem fechar olhos e bocas, não corri, não, mas caminhei.  Amigos que participaram da corrida algumas vezes animaram-me, insistiram e me acompanharam. Fiz a inscrição, retirei meu kit, e lá fui eu.  No dia 31 choveu muito (noite e dia). Lá pelas 14h30 parou.  Se continuasse chovendo, nem sei se teria ido para a Paulista.

16h30, meus amigos e eu estávamos na frente da FIESP. Enquanto fazíamos o reconhecimento da área (onde era a partida, onde nos posicionaríamos) o céu começou a escurecer. Ficou plúmbeo. A elite feminina largou, e uns minutos antes de a elite masculina largar (às 17h30) começou uma chuva bem forte. Claaaroo que eu tinha um guarda-chuva na bolsa, e quem consegue abrir um guarda-chuva no meio daquela multidão? Segundo fontes oficiais, foram 25 mil inscritos. Não tenho dúvida: o paredão humano, o cheirinho de bebida e suor não deixavam dúvida, 25 mil ou mais…

Ok, quem está na chuva é para se molhar, e foi o que aconteceu. Ensopamos mesmo antes de dar o primeiro passo. E como demora para a gente começar a se mexer após a largada da elite!  Resultado de muita, mas muita gente mesmo. Começamos a marchar lá pelas 17h50, daí a acelerar o passo foram alguns minutos.  E chovendo…Passamos na frente de várias câmeras de tv, o pessoal fazendo graça, tudo muito divertido. O único senão desse início, além da chuva, foi a sujeira pelo chão. Mesmo com tênis, era necessário muito cuidado para não escorregar. Tinha de tudo: garrafas plásticas, embalagens, papel, pets cheias de urina, copos plásticos, latinhas.  Não precisava ser assim, i.e., mesma com a falta de educação dos participantes, a organização da prova poderia encontrar um jeito de manter a saída limpa e não colocar os corredores em risco.

Aliás, por falar em organização:1) a inscrição pela internet foi bem fácil, as informações disponibilizadas aos participantes foi de bom nível. Também com o precinho camarada que cobram…é o mínimo! 2) a retirada de kits no Ibirapuera  até que não foi o caos que eu imaginava, mas ainda assim poderia ser beem melhor; 3) infelizmente quem paga uma nota (aprox. US$ 60) para se inscrever acaba correndo numa misturança só: homens, mulheres, terceira idade (como ainda não pensaram em fazer uma saída diferenciada?), pessoas não-inscritas.  Poderiam fazer os não-inscritos correr por fora do percurso, como nos trios elétricos do nordeste, ou obrigá-los a sair bem depois de todos os inscritos largarem. Um amigo disse-me que o fato de estar inscrito faz diferença na hora de precisar de alguma ajuda/amparo do pessoal da organização durante o percurso. Mesmo assim, pelo preço, devia ser algo bem mais “exclusivo”; 4) havia bastante policiamento pelo caminho, não vi os banheiros anunciados, nem distribuição de água. Mas vi serviços de socorro médico; 5) terminar a prova no Ibirapuera é um crime. Sobretudo em um dia de chuva. Eu não fui até lá, mas quem foi testemunhou o lamaçal, o pisoteamento da grama, além da falta de transporte eficiente para que a multidão fosse dispersada convenientemente (poderiam ter colocado uns ônibus gratuitos para levar o povo de volta para a Paulista, por causa do metrô e fatura de transporte público). Além dos atletas, a árvore de Natal e a dança de luzes atraiu muita gente. Ou seja, 25 mil transformaram-se em muito mais gente. Claro que o final, sem atrapalhar a organização da virada, poderia ser atrás do MASP, na Nove de Julho, ou lá para o lado da Praça Osvaldo Cruz, mas os iluminados que andam pela Prefeitura decidiram diferente. Aliás, vários atletas reclamaram do novo percurso, que foi definido sem grandes consultas. Mais longo e muito mais  perigoso, principalmente pela descida do Pacaembu.  Vamos ver se para o ano os iluminados fazem meia volta; 6) quem não devolveu o chip tem de ir até ou enviar para um endereço no Parque Continental. Isso, praticamente Osasco. Como assim? Por que a Cásper Líbero não colocou um posto, um balcão, ali na Paulista mesmo para receber esses chips de volta, say de 9 a 20 de janeiro?  Parque Continental? Tás brincando!!!

Bem, pelos itens acima, vê-se que somos mesmo é amadores, mesmo com todo o tempo da prova, os exemplos pelo mundo, o dinheiro que um evento desses gera, envolve, e considerando sua importância atual para o mundo esportivo. Falta cérebro e competência, não tem jeito.

Voltando à minha participação: aqui estão algumas fotos e vídeos (http://goo.gl/b8vnk).  Depois da chuva do início, passando pelo viaduto sob a Av. Dr. Arnaldo (primeira vez na vida. Alguém já passou por lá andando?), a coisa amainou. Aí…um tombaço. Tropecei num toblerone na calçada e cai feito um saco de batatas. Sorte que caí no estilo “peixinho”. Machucou, doeu (o braço direito ainda está doendo), mas deu para continuar.  Subida saindo do túnel, e tinham sido consumidos uns 25 minutos de prova.  Eu só caminhei rapidamente, mas toda aquela multidão correu ou no mínimo trotou.  Bacana de ver!

Iniciando a descida para o Pacaembu, ao lado do Araçá, recomeça a chuva. Chuva fortíssima! Se alguma coisa (a alma talvez?) não estava molhada, molhou naquela hora.  E desce com chuva, e sobe a lateral do Pacaembu, e desce ao lado da Charles Miller. Aí embicamos pela Pacaembu. Acho que éramos os últimos da S.Silvestre toda…Mais um pouco e desviamos para a casa de um amigo. Graças!Foram uns 40 minutos e 3,5 kms bem medidos.

Chegando lá: toalha para secar o que dava, troca de blusa, vodca e caviar…Essa é a S. Silvestre perfeita, podem crer.  Enquanto estava na casa de meu amigo, mais outra pancada de chuva, e depois mais outra…

Foi ótimo ter participado.  Se meus amigos forem de novo neste ano, vou lá para fotografar, incentivar, acompanhar um pouquinho.  Guardei meu número de peito e meu chip (não devolvo nem sob tortura, tá?).  Graças a meus amigos, me diverti demais. Obrigada e valeu!

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