5
de
dezembro
Aaaah, agora entendi
Imaginem só! Depois de mais de meio século de vida finalmente entendi como é que as coisas acontecem no dia de Natal.  Precisei ver Operação Presente (http://www.imdb.com/title/tt1430607/), ou Arthur Christmas. Uma delÃcia de animação. Pena que só tenha dublada por aÃ, mas a dublagem não está mal.  O desenho apresenta o Natal, Papai Noel, a distribuição de presentes, tudo num nÃvel muito tecno. Aquele negócio de trenó, renas, etc., é só para enganar a gente. É tudo muito hightech como nem podemos imaginar.
Muita criatividade, diversão, “discussão” de valores.  Colorido, música bacanas. E adivinhem quem tem lugar de honra na trilha sonora, sim, ele: Justin Bieber.  Mas não causa grande dano.
É a história da sucessão de Papai Noel desde São Nicolau. Arthur é o filho mais novo, desajeitado, um tanto trapalhão, mas que carrega o verdadeiro espÃrito do Natal. No inÃcio do filme a gente fica até meio tonto de tanto movimento, tanta tecnologia para assimilar.  É quase uma “Missão ImpossÃvel” de Natal. Fantástico o número de detalhes a que assistimos nos primeiros cinco minutos do filme.  Apesar da “aula” de princÃpios, não tem nada piegas, dá para rir muito e se emocionar.  Muito efeito bonito de começo a fim.
A pena é não ter versão dublada - não pelo menos em horários razoáveis. A voz de Arthur é do ótimo James Mcvoy (http://mskeller.blog.terra.com.br/2011/04/21/todo-mundo-tem-um-robesputin-dentro-de-si/), e tem até o maravilhoso Hugh Laurie, que faz a voz do irmão de Arthur, seu contraponto.
De todo jeito, vale ver. Diversão garantida.  Ah, e aposto se vocês não vão finalmente entender como é que a coisa toda funciona na noite de 24 de dezembro. Eu entendi!
Outra boa pedida é A chave de Sara (http://www.imdb.com/title/tt1668200/), no original: Elle s’appelait Sarah.  O filme discute a participação do governo e sociedade franceses na II Grande Guerra, ou seja, como cooperaram durante um bom tempo com o avanço nazista de Hitler.
Vi na Alemanha do século XXI como eles se punem, desculpam-se, batem no peito o “mea culpa” até hoje.  As novas gerações conhecem bem a história da época. É tudo muito presente, documentado. O lado bom é que isso deverá impedir erros ou insanidade semelhante. Let’s hope!  O mesmo não acontece com a França. Claro que a participação e amplitude das ações cooperacionistas (acho que essa palavra não existe, mas foi o melhor que consegui) dos franceses não se compara à s dos alemães, mas mesmo assim muitos judeus foram conduzidos à morte pelas mãos cruéis de muitos franceses. Mas o assunto está bem enterradinho.
A história conta em paralelo o passado de uma famÃlia e o presente de outra, ambas ocupando o mesmo imóvel em Paris.  Kristin Scott Thomas, que já vi em tantos filmes (http://mskeller.blog.terra.com.br/2010/01/10/noel-coward-e-o-cara/), está ótima. Ela não é uma atriz de arroubos, é contida, elegante, e uma das poucas no mundo, que eu saiba, que transita com perfeição entre o francês e o inglês.  Julia, a personagem de Kristin, começa a desenterrar literalmente o passado depois de passar a desconfiar que a famÃlia do marido ajudou o sistema a prender e destruir uma famÃlia judia.  Ela investiga, investiga, investiga para achar Sara.  Os desdobramentos são muito bonitos, interessantes.  Um filme comovente e historicamente rico.  A gente não consegue deixar de pensar nos tantos que passaram por todo aquele sofrimento.
A trilha sonora é bonita, a fotografia também. O elenco está ótima. Especial menção: Mélusine Mayance, que faz a pequena Sara.  Da mesma forma que Thomas Doret em O Garoto da Bicicleta (http://mskeller.blog.terra.com.br/2011/11/19/para-rir-e-para-chorar/), a competência da menina é impressionante.  Coisa de gigante.
O filme está em poucas salas. Veja antes que suma. Afinal dezembro está aÃ, e começa aquela série insuportável de filmes/desenhos feitos para a época e que nem sempre primam pela qualidade e invadem a maioria das salas da cidade.



