Escrever para viver!

Tudo que der na telha e que eu achar que vale a pena

30

de
dezembro

E se acabou…

Mesmo depois da pauleira da semana de 18 a 23/12, ainda tive forças para ver dois filminhos e terminar bem o ano na área.

Primeiramente: O último dançarino de Mao (http://www.imdb.com/title/tt1071812/). Filme baseado na autobiografia de Li Cunxi.  A maior parte da história se passa nos tempos de Mao (http://pt.wikipedia.org/wiki/Mao_Ts%C3%A9-Tung) e avança até os tempos de Xiaoping (http://pt.wikipedia.org/wiki/Deng_Xiaoping).

O governo chinês, cioso da educação/cultura, ou melhor cioso de criar uma educação e cultura revolucionárias, ia a vilas, aldeias, e fazia uma seleção de meninos e meninas que, sustentados pelo Estado, brilhariam na dança, na música, etc.  Li Cunxi foi separado de seus pais aos 10-11 anos. A partir daí, gostando ou não, foi submetido a um pesado treinamento para se tornar um bailarino de qualidade.  Para um menino nessa idade a coisa não seria fácil, e não foi mesmo. Muito choro, muita dor, mas tudo superado com uma imensa determinação.

Foi bem interessante ver o filme na mesma época em que aconteceu a morte do líder coreano Kim Jong-il (http://pt.wikipedia.org/wiki/Kim_Jong-il).  Isso porque o isolamento em que viviam os chineses, sobretudo na época de Mao, talvez fosse comparável ao que vivem os norte-coreanos. Dá para entender as manifestações que temos visto pela net e tv se temos esse distanciamento em mente.  No filme, quando o bailarino, já rapaz, chega a Houston num momento de aproximação e troca cultural, seu deslumbramento e desconhecimento se coisas corriqueiras é impressionante.  Até achei que o ator, Chi Cao, exagerou um pouco, mas repensando vi que deve ter sido bem assim: olhos esbugalhados, boquiaberto, sustos.  E vejam que Cunxi falava um inglês razoável, aprendido a custa da leitura de dicionário.   Hoje mesmo saiu uma notícia na internet que mostra como essas massas são manipuladas, como o processo de alienação é cruel, esmagador e dá para imaginar o que ele pode produzir: http://goo.gl/p3TPc.

Enfim, há um imbroglio diplomático no meio da história, o bailarino apaixona-se, casa, descasa, recasa. Mas o bonito mesmo é vê-lo falando da família e sua luta para voltar e rever os pais, dançar em seu país.  Todos os atores que fazem o protagonista, de menino a adulto, são muito bonitos. Vejam umas fotos do adulto (Chi Cao) aqui: http://goo.gl/AxCKp.  Ah, e os atores que fazem os pais do bailarino também atuam muito bem. Os demais caucasianos não comprometem e só.

O filme tem trilha linda, os momentos de ensaio, treino, performance dos dançarinos são belíssimos.

É uma forma de ver o comunismo e a sociedade chinesa sob um prisma diferente do que se está acostumado (eu, pelo menos). A produção é australiana, portanto claro que um filme feito por chineses daria um resultado bem diferente. De todo jeito, a autobiografia está à disposição de quem quiser para servir de tira-teima.

Depois:Românticos Anônimos (http://www.imdb.com/title/tt1565958/). O título original é Les émotifs anonymes. Virou românticos por causa do título em inglês, imagino, mas não tem nada a ver, já que émotif = affectif, tendre.  Enfim…mais um filme francês que tem como coadjuvante o chocolate.  Todos devem se lembrar do ótimo Chocolat (http://www.imdb.com/title/tt0241303/) de 2000 sobre o mesmo tema. E como os chocolates franceses são bonitos! Gostosos nem sei se tanto, mas bonitos são.

No filme duas pessoas complexadas, cheias de manias, que penam para conviver em grupo, acabam se esbarrando devido a vários equívocos. Os dois têm a paixão pelo chocolate, são tímidos, “desengonçados” em termos de convivência social, mas acabam se entendendo.

Um filme divertido, simpático, que mostra como tem gente sofrendo para se enquadrar nesse mundo de meu Deus.

Benoit Poelvoorde como Jean-René, o dono da fábrica de chocolate, está impagável e tocante. Isabelle Carré, como a jovem Angélique, também está ótima.  Música bonita, Paris de fundo.  Um filme divertido e bonito para ver a qualquer momento.

28

de
dezembro

Pode vir 2012!

Há um ano, mais ou menos, dei adeus a 2010 desejando que 2011 fosse pelo menos uma parte de 2010 (http://mskeller.blog.terra.com.br/2010/12/24/o-ano-esta-quase-acabando/), e foi. Aliás, muito melhor do que eu poderia imaginar.

Comecei o ano em Buenos Aires, cidade de que gosto tanto.  Foi uma delícia voltar para lá depois de vários anos (http://miriamk-buenosaires2010.blogspot.com/), antes tendo passado pela Patagônia pela primeira vez..  Em termos de viagem ainda veio Foz (40 anos depois da primeira/última visita ou quase) (http://muitaguavairolar.blogspot.com/) e last but not least, Dallas (http://jraivoueu.blogspot.com/) para rever minha amiga Elva após 10 anos. Gostei demais da cidade! Depois ainda veio um pinguinho de Santos (outubro) após dois anos, visitando amigos queridos. Tá bom, ou querem mais?

E durante todo o ano pude fazer o que gosto: museus, cinema, muito teatro (graças ao SESC que tenho cantado e decantado por aqui e à generosidade de amigos).

Pude estar com amigos, família.  Houve perdas, infelizmente, como meu querido Antonio, marido de minha prima, que se foi tão rapidamente e chocantemente.

Mas na balança foi tudo muito bem. Operei minha catarata, um melanoma foi descoberto e retirado a tempo, continuo cuidando de minha saúde preventivamente.  Meu dever de casa, eu fiz/faço.

Além  de tudo isso, trabalhei episodicamente graças à generosidade de algumas pessoas. Primeiro um evento como eu já havia feito tantos, mas com um componente diferenciador (http://mskeller.blog.terra.com.br/2011/09/30/foi-assim-um-role/), depois showbiz: inicialmente, backstage de um show tipo musical para uma empresa, depois acompanhar cantores a um show no Guarujá, e por último ajudar num show de Natal linha Broadway no Club Homs (Um pedacinho que foi ao ar no Programa da Hebe - http://youtu.be/GZDgx2-T_Nc). De bilheteira a vendedora de guloseimas, carregadora de mesas e cadeiras, atendendo espectadores contentes/descontentes, e por aí vai. Uma coisa!  Já entendi, só não acho que seja meu “negócio”. O pessoal sobre o palco é bacana, quem dá o suporte no camarim também, é bom trabalhar com o público, fazer coisas diferentes, mas para meu jeito de ser preciso de estrutura, de planejamento, e vi que produção de shows  para quem não está na mídia, não é conhecido, não tem patrocínio é um ato de coragem e de altíssimo risco.  E tem de improvisar para fazer face à falta de estrutura.  O que valeu é que o show foi muito bonito, bem acima da média do que vejo por aí, mesmo com todas as dificuldades. Tomara que aconteça no ano que vem também pois, de bom nível e voltado para o Natal, só esse por aqui.

Bem, agora é sossegar um pouco, receber 2012 com cara boa, desejando que seja pelo menos como 2011, o que já vai ser bom demais!

Ótimo 2012 a todos: saúde, alegrias, paz e prosperidade.

21

de
dezembro

A abstinência bateu

Não vai ter jeito. Tenho de esperar até o dia 24 para voltar a uma sala de cinema. Por um trabalho que estou fazendo nesta semana, não deu nem para chegar perto de um cine. Horário irregular, com muitas horas picadas, aliás isso é extremamente pouco produtivo. Sempre digo: não é o que se faz, é como se faz. E, em geral, salvo em pouquíssimas ocasiões (e eu sei do que estou falando pois trabalhei 36 anos sempre como final da linha de produção - secretária, ou seja, o que o outro deixou de fazer direito e em tempo lá atrás acaba se refletindo em meu trabalho em termos de carga e urgência), trabalha-se muito porque se trabalha mal. Dito isto,  já estou tremendo de abstinência.

Felizmente, antes de começar o trabalho, consegui ver um filminho muito bom: Margin Call (http://www.imdb.com/title/tt1615147/). É aquilo que a gente já sabe: gente que se acha acima do bem e do mal, acha-se infalível, aí faz aquela queca, e os outros é que acabam pagando.

O filme conta o que aconteceu na pré-crise de 2007-2008. As referências ao Lehman Brothers são bem claras.  Não é nada contundente como Inside Job (http://mskeller.blog.terra.com.br/2011/02/22/isso-e-que-e-filme-de-terror/), mas é bem realista.

São cobertas entre 24 e 36 horas de um achado inquietante: quando uma leva de pessoas é demitida, um dos executivos “saídos” lança no ar (literalmente) informações que estava analisando e que remetiam a um crash se nada fosse feito.  As perdas da companhia seriam tão grandes que, embora fosse um negócio bem sucedido, o patrimônio só cobriria um tiquinho delas.

Atores de primeiríssima: Stanley Tucci, Kevin Spacey, Paul Bettany (de repente ele está virando queridinho de diretores? Eu gosto dele, mas não acho que seja para protagonizar nada), Jeremy Irons (a primeira atuação, depois de muito tempo, de que gosto -http://mskeller.blog.terra.com.br/2009/02/25/dia-de-alimentar-a-alma-porque-o-corpoesse-ja-foi/ ). Agora a Demi Moore…o que é aquilo? Uma voz rouca, sem expressão, rosto idem, é uma Cher na vida.  Se chorei, ou se sorri, como canta Beto Carlos, tanto faz, porque nada muda no rosto da atriz. E para uma atriz que se cuida tanto e nem tanta idade tem, o rosto está marcado com rugas, bolsas…tudo bem que ela representa uma executiva em crise numa empresa falimentar, sem dormir há horas, mas peraí…Enfim: o filme é dinâmico, bacana, dá para entender que, com raras exceções, se tem tanta gente ganhando dinheiro grosso e rapidamente por aí e com a vida de outros (inclusive a minha, né?) em suas mãos é porque a sorte é benfazeja, já que esse pessoal passa a se achar à medida que algumas tacadas dão certo e perda a noção de sua falibilidade.  Síndrome de Deus no campo financeiro também.

Vale ver o filme, com certeza!

Bom, acho que só consigo escrever depois no Natal - dia 24 vou tomar um chá de cinema, espero! - então bom Natal a todos que partilham a fé e fazem a festa.  Que passem dias tranquilos, alegres, de saúde e paz com suas famílias e amigos.

13

de
dezembro

Adorei esse funeral

Por favor, sem Ave! Nossa! Credo! e similares nacionais. Verão que o título é justificado.

Antes, gostaria de voltar brevemente a outro assunto: saúde nacional (http://mskeller.blog.terra.com.br/2011/12/02/medicos-e-monstros/), só para arrematar o tema.

Graças à mão do médico e a meu dna privilegiado que facilita cicatrizações, em poucos dias nem me lembrava de minha operação.  Não doeu, não ardeu, eu cuidei direitinho. Tirei parte dos pontos ontem (os últimos vão embora na próxima segunda), e quase não se tem notícia do corte de uns 15 cm.  E, felizmente, a biópsia acusou eliminação total do melanoma.

Mas queria comentar um fato vinculado a minha passagem pelo hospital. Escrevi, no posto de 2/12, que a enfermeira responsável pelo andar fez uma bateria de perguntas. Entre elas: se eu sou destra ou canhota. Resposta: destra.  Na hora o tico e o teco não atinaram o motivo. Fui para a sala de cirurgia já relaxada e dali a apagar foi um pulinho.  Acordo com o soro em que mão? Hein, hein, hein? Claarooo, na DIREITA! Já fiz muitas outras cirurgias, mas sempre fiquei deitada de costas e o soro ia na veia, no meio do braça. Desta vez, como a cirurgia era nas costas, fiquei de bruços, por isso o soro foi aplicado no dorso da mão.

Saí do hospital e não notei nada, mas a partir do dia seguinte meu braço + mão ficaram inchadíssimos e mais que doloridos ao toque, e olha que meu limiar de dor é bom, hein! Hoje, 13 dias depois da cirurgia, o corte está uma beleza, cicatrizando a mil, e minha mão continua inchada e dolorida. Claro que melhorou muito, mas ainda está dolorida e inchada.  Felizmente, a rata na aplicação do soro (claro que houve um problema, pois o resultado normal não poder ser esse pra uma simples aplicação de soro) não gerou hematomas ou dificultou os movimentos de minha mão direita, aquela que uso para tudo, onde está minha força e destreza.  Exatamente para que perguntam se não leem ou respeitam informações tão valiosas passadas pelo paciente?

Ah, e na sexta-feira (Diário de SP), leio as seguintes notícias in a row: Jundiaí / Médicos negam socorro e idoso morre; Pedreira / Bebê morre após receber remédio errado (de novo! Seguramente, o/a enfermeira ou auxiliar estava no seu celular combinando o churras de domingo…o celular desses profissionais deveria ser deixado sob guarda armada…) e por último: SP/Ambulância atropela paciente que transportava (heeeiiiinnn?). Ainda bem que não preciso voltar a ambientes médicos in a short time.

E agora voltando ao funeral. Fui ver Inquietos (Restless - http://www.imdb.com/title/tt1498569/), de Gus Van Sant, que apesar desse nome esquisito é americano da gema.  É o mesmo diretor de Gênio Indomável, Milk. De novo, um ótimo filme.  Os atores principais: Henry Hopper e Mia Wasikowska estão ótimos. Sobretudo MW.  Já escrevi por aqui que não gostei dela em Alice, mas sua evolução foi mais que visível (http://mskeller.blog.terra.com.br/2010/11/14/so-queria-acrescentar-uma-coisinha/), pelo menos para mim.   Em Inquietos, ela está em um papel difícil que facilmente poderia descambar para o lacrimejante descontrolado, para o patético, mas ela o desempenha com tanta sensibilidade, com tanta delicadeza, com tanta maestria que Annabel torna-se irretocável. A personagem de Hopper também não é fácil.   No começo um rapaz desequilibradinho, deprimido, rebelde, etc. etc., mas aos poucos ele vai ganhando humanidade, sensibilidade. Até a figura “fantasmagórica” de Hiroshi (Ryo Kase) só agrega beleza ao drama de Enoch e Annabel.

É a história de um rapaz que perdeu os pais em um acidente, revoltado contra o mundo, e com manias estranhas.  Ao encontrar Annabel (MW),  redescobre a alegria de viver, o amor juvenil.  Não vão pensando que vem um happy end por aí.   Podem levar o lencinho.  Annabel tem uma doença incurável, então já viu.  É preciso viver um dia de cada vez, e bem, e saber lidar com a perda.  Fácil não é, mas o filme joga uma luz interessante sobre como é possível ou menos doloroso fazer esse exercício.  A visão da menina quanto a sua doença é muito realista, mas um tanto irreal. Quem de fato vê seu fim daquele jeito?  Bom, a ficção está aí para isso.  Annabel extrai a seiva da vida a cada momento e com ela se alimenta e fortalece.  As transformações por que cada um dos dois jovens passa são muito bem retratadas na tela, o que as torna muito interessantes.

A fotografia é bacana, e a trilha mais ainda. Vai um pouquinho aqui: http://youtu.be/nXM4YLlijA8 e  http://youtu.be/djtpQdqAx30 / .  Não perca.

Ah, sim, o funeral: é que tem um superbacana, com aquela coisa de americano: contido em lágrimas e com uma mesa fartíssima. Comidas deliciosas!  Huumm, se eu estive por lá, acho que, como Enoch, arrumaria alguns para ir…

11

de
dezembro

Não tem jeito

Quem tem minha idade ou mais sempre passa por isso: a gente vê muita coisa que remete a outra, e a outra, e a outra: déjà vu. É que já vimos tanto!  Se a gente focou, prestou atenção e tem certa memória não há escapatória. Devo ter escrito por aqui, em algum momento, que um filme me lembrava outro lá detrás, ou um ator lembrava outro, e por aí vai. Mesmo com os bilhões de terráqueos, não somos tão exclusivos, criativos, geniais. Batidinho mas verdadeiro: nada se cria de fato.

E mais uma vez tive a sensação de déjà vu ao assistir a Os nomes do amor (http://www.imdb.com/title/tt1646974/). Um filme de Michel Leclerc. Acho que não vi nada desse diretor antes. Estrela o ótimo Jacques Gamblin, que vi em Enfim viúva (http://mskeller.blog.terra.com.br/2010/09/15/enfim/). Acho que só ele mesmo para segurar o rojão.

A história é mais déjà vu ainda: quarentão sério, solteirão, encontra mocinha tresloucada (e põe tresloucada nisso), apaixona-se, ela dá uma canseira no homem, mas ao final dá tudo certo, afinal ela apresenta a ele a vida que ele nem sabia que existia.

Sara Forestier, que faz a mocinha trop liberée, está bem, o papel é que trop. Sabe postura tipo anos 60/70, sobretudo por conta de droga, falta de referência, contracultura, revolta, etc., etc.?  Pois é: deu-me a impressão de ver um filme um tanto idos de 70 ou algo assim. Aliás, olhando para o rosto bonito de La Forestier dá até para ver Bardot rondando por ali. Não é loirinha, mas tem muito a ver. O que reforça esse parâmetro é a nudez da moça, usada de uma maneira tão gratuita que nem dá para acreditar que isso ainda seja feito em pleno século XXI.  Claro que o corpo da moça é lindíssimo, mas não era para tudo isso, até porque a barreira do nu no cinema já foi vencida lá atrás, com Marilyn, com Bardot, com Welch e tantas outras.  Vejam que post interessante: http://ofalcaomaltes.blogspot.com/2011/07/o-cinema-e-o-nu-pura-gema-feminina.html.

Mesmo a história sendo tão batidinha, poderia ter um olhar criativo mas não teve. Há momentos divertidos, outros em que se percebe a confusão, ou conflito pessoal da personagem de Forestier, mas tudo bem rasinho.  A fotografia tem momentos inspirados, e a trilha é boazinha. O que sobra mesmo é a lição de que é preciso dialogar sempre, vida em comum requer abertura, sinceridade para dar certo. Ah, e em vez de querer ter razão, melhor baixar a bola e escutar o coração (Nooossaaa! Ficou lindo isso!).

Dito isto, não recomendo o filme, não. Tem coisa melhor por aí (http://mskeller.blog.terra.com.br/2011/12/05/aaaah-agora-entendi/).

Ontem fui ver uma peça no SESC Pinheiros: Nariz pra fora d’água (http://www.sescsp.org.br/sesc/programa_new/mostra_detalhe.cfm?programacao_id=206155).  A peça está muito bem na imprensa (http://www.globoteatro.com.br/em_cartaz/index/1016/). O SESC tem esse condão mágico mesmo que não haja atores conhecidos no palco. Sorte de quem tem peça por lá.

A peça é curtinha (uma hora mais ou menos). O texto é de Gabi Brites, que ocupa o palco sozinha. É a história com referências autobiográficas da atriz/autora: como o pânico chegou, como ela consegue viver com ele, ou sobreviver a ele. Tema conhecido também, certo? Verdade, mas no palco mostrado de um jeito muito interessante. Filmes, projeções, iluminação, cenário minimalista, tudo agrega.  Primeira vez que assisto a uma projeção atuando em tempo real. Apesar do tema sério, dá para rir muito. Gabi está muito à vontade em cena, usa com maestria os recursos tecnológicos.  Só acho que faltou uma finalização melhor. Fica até 17/12 no ar, e acho que vale dar uma olhada.

10

de
dezembro

Olha a baciada

Devido às atividades profissionais atuais, um tanto “despadronizadas” em termos de dia/hora, tenho ido ao teatro e cinema, claaarooo, mas está um tanto complicado escrever sobre minhas andanças.  Daí que…estou escrevendo menos (alguém notou?), mas com conteúdos mais extensos. Mas isso passa…

Primeiramente, Prêt-à-porter 10 no SESC Consolação (http://www.sescsp.org.br/sesc/programa_new/mostra_detalhe.cfm?programacao_id=200547). Um projeto coordenado por Antunes Filho. E por que 10? Porque já teve o 1, 2, 3…fácil assim.

Esta crítica é muito boa e dá a dimensão do que vi: http://www.estadao.com.br/noticias/impresso,antunes-filho-busca-naturalismo-em-seu-pret-a-porter-10,763806,0.htm.  Foram três cenas, escritas e interpretadas pelos atores do Centro de Pesquisa Teatral do SESC. A primeira, Adorável Callas, prometia, mas para mim não chegou lá.  Uma enfermeira cuida de uma artista aparentemente famosa. A intenção era boa, mas o resultado não decolou.  Não sei se pelas atrizes, pelo texto em si. A segunda cena, O homem das viagens, foi bem melhor. Não só pelo texto inusitado (o homem revela em dado momento um desequilíbrio pessoal pouco comum - pelo menos acho e espero que pouco comum), como pela atuação do casal em cena. Cruzamentos, a terceira cena, em que um empresário judeu, com traumas devido a sua participação em algum momento dos conflitos no Oriente, relaciona-se de maneira pouco usual com um de seus funcionários, foi a mais divertida, mas para mim o melhor texto ainda foi o da segunda cena.  Enfim, quase duas horas de espetáculo, com cenários pragmáticos montados ali na frente da plateia pelos próprios atores, figurino sem grandes firulas, e que passaram muito rapidamente e prazerosamente.

Depois foi a vez de Hécuba (http://vejasp.abril.com.br/revista/edicao-2245/gabriel-villela-acerta-na-recriacao-da-tragedia-hecuba), lá no longíssimo Teatro Vivo. Espantosa a energia, o domínio de cena contínuo e na medida de Walderez de Barros.  O pessoal da terceira idade está arrasando, viu? Walderez, Fernanda Montenegro (http://mskeller.blog.terra.com.br/2011/11/06/diferentes-mas-iguais/), Beatriz Segall (http://mskeller.blog.terra.com.br/2011/10/01/eu-nao-sou-do-contratalvez-so-um-pouquinho/)…A meninada que se cuide…

Lembro-me de Walderez de Barros, que foi mulher de Plínio Marcos, na tv desde sempre, e em algumas peças no Aliança Francesa, se não me engano. Sempre apreciei seu trabalho, mas a encontrei soberba em Hécuba.

Quanto ao Gabriel Villela, vi há uns dois meses Crônica da Casa Assassinada (http://mskeller.blog.terra.com.br/2011/10/14/ainda-da-tempo/), também sob sua direção.  Um diretor criativo, produtivo e que tem sua marca inequívoca.

O texto de Eurípides é forte, trágico (ué, chama-se tragédia grega, ou não?). Hécuba, mulher de Príamo, tem dois filhos mortos e se vinga por isso.  Traição, agressão, dor, muuuitaaa dor.   O texto é muito bonito, pesado, sim, mas bonito.

Figurinos e máscaras do coro muito coloridos (lindos, lindos!) contrastam com as roupas e maquiagem de Hécuba.  O efeito no palco é maravilhoso.

O espetáculo fará pausa durante o período de Natal e Ano Novo, mas retorna em meados de janeiro de 2012.  Vale ver por Villera, por Eurípides, e sobretudo por Walderez.

E last but not least, O Grande Inquisidor (http://www.sescsp.org.br/sesc/programa_new/mostra_detalhe.cfm?programacao_id=208591), no SESC Pompeia, com Celso Frateschi. Não é preguiça, gente, mas para que vou reinventar a roda? Esta crítica também está bem completa: http://www.estadao.com.br/noticias/arteelazer,o-grande-inquisidor-mais-um-dostoievski-nos-palcos,538868,0.htm.

O texto magnífico, retirado de Os Irmãos Karamazov de Dostoiévski, apesar de curtinho (a adaptação leva uns 45 minutos), faz pensar, é denso, dinâmico.  Estão ali: regimes totalitários, manipulação de massas, certezas/incertezas de crenças e muito mais.   A atuação forte de Frateschi (primeira vez que o vejo no palco, antes só na tv), a maquiagem contundente, a música inicial, a iluminação, o cenário minimalista, hipnotizam o espectador. Bom, pelo menos eu fiquei hipnotizada.  A grandiosidade das ideias: liberdade, livre arbítrio, natureza humana, dominação, poder, manipulação, idealismo, é acachapante. Incrível como de repente minha visão de mundo no que se refere a esses conceitos foi sacudida.

A peça fica até 18 de dezembro, então dá tempo de ver.

5

de
dezembro

Aaaah, agora entendi

Imaginem só! Depois de mais de meio século de vida finalmente entendi como é que as coisas acontecem no dia de Natal.  Precisei ver Operação Presente (http://www.imdb.com/title/tt1430607/), ou Arthur Christmas. Uma delícia de animação. Pena que só tenha dublada por aí, mas a dublagem não está mal.  O desenho apresenta o Natal, Papai Noel, a distribuição de presentes, tudo num nível muito tecno. Aquele negócio de trenó, renas, etc., é só para enganar a gente. É tudo muito hightech como nem podemos imaginar.

Muita criatividade, diversão, “discussão” de valores.  Colorido, música bacanas. E adivinhem quem tem lugar de honra na trilha sonora, sim, ele: Justin Bieber.  Mas não causa grande dano.

É a história da sucessão de Papai Noel desde São Nicolau. Arthur é o filho mais novo, desajeitado, um tanto trapalhão, mas que carrega o verdadeiro espírito do Natal. No início do filme a gente fica até meio tonto de tanto movimento, tanta tecnologia para assimilar.  É quase uma “Missão Impossível” de Natal. Fantástico o número de detalhes a que assistimos nos primeiros cinco minutos do filme.  Apesar da “aula” de princípios, não tem nada piegas, dá para rir muito e se emocionar.  Muito efeito bonito de começo a fim.

A pena é não ter versão dublada - não pelo menos em horários razoáveis. A voz de Arthur é do ótimo James Mcvoy (http://mskeller.blog.terra.com.br/2011/04/21/todo-mundo-tem-um-robesputin-dentro-de-si/), e tem até o maravilhoso Hugh Laurie, que faz a voz do irmão de Arthur, seu contraponto.

De todo jeito, vale ver. Diversão garantida.  Ah, e aposto se vocês não vão finalmente entender como é que a coisa toda funciona na noite de 24 de dezembro. Eu entendi!

Outra boa pedida é A chave de Sara (http://www.imdb.com/title/tt1668200/), no original: Elle s’appelait Sarah.  O filme discute a participação do governo e sociedade franceses na II Grande Guerra, ou seja, como cooperaram durante um bom tempo com o avanço nazista de Hitler.

Vi na Alemanha do século XXI como eles se punem, desculpam-se, batem no peito o “mea culpa” até hoje.  As novas gerações conhecem bem a história da época. É tudo muito presente, documentado. O lado bom é que isso deverá impedir erros ou insanidade semelhante. Let’s hope!  O mesmo não acontece com a França. Claro que a participação e amplitude das ações cooperacionistas (acho que essa palavra não existe, mas foi o melhor que consegui) dos franceses não se compara às dos alemães, mas mesmo assim muitos judeus foram conduzidos à morte pelas mãos cruéis de muitos franceses. Mas o assunto está bem enterradinho.

A história conta em paralelo o passado de uma família e o presente de outra, ambas ocupando o mesmo imóvel em Paris.  Kristin Scott Thomas, que já vi em tantos filmes (http://mskeller.blog.terra.com.br/2010/01/10/noel-coward-e-o-cara/), está ótima. Ela não é uma atriz de arroubos, é contida, elegante, e uma das poucas no mundo, que eu saiba, que transita com perfeição entre o francês e o inglês.  Julia, a personagem de Kristin, começa a desenterrar literalmente o passado depois de passar a desconfiar que a família do marido ajudou o sistema a prender e destruir uma família judia.  Ela investiga, investiga, investiga para achar Sara.  Os desdobramentos são muito bonitos, interessantes.  Um filme comovente e historicamente rico.  A gente não consegue deixar de pensar nos tantos que passaram por todo aquele sofrimento.

A trilha sonora é bonita, a fotografia também. O elenco está ótima. Especial menção: Mélusine Mayance, que faz a pequena Sara.  Da mesma forma que Thomas Doret em O Garoto da Bicicleta (http://mskeller.blog.terra.com.br/2011/11/19/para-rir-e-para-chorar/), a competência da menina é impressionante.  Coisa de gigante.

O filme está em poucas salas. Veja antes que suma. Afinal dezembro está aí, e começa aquela série insuportável de filmes/desenhos feitos para a época e que nem sempre primam pela qualidade e invadem a maioria das salas da cidade.

2

de
dezembro

Médicos e monstros

Todo mundo, ou pelo menos a grande maioria da Humanidade, um dia põe os pés num hospital. Uns com dor, outros para resolver problemas menos doloridos mas importantes, tem gente até que vai aos hospitais para trocar um ideia, gosta do ambiente tão simplesmente, sente-se só.

Eu nasci num hospital; fiz uma cirurgia para retirada das amídalas em tenra idade (não me lembro de nada); fiz uma histeroscopia cirúrgica há uns 12-13 anos que não levou nem 15 minutos; uma blefaroplastia (tirar gordura da pálpebra, que começou a ralar meu olho) rapidíssima também; uma catarata em 3 minutos (mas numa clínica, não em hospital). Ah, e tive uma vez uma alergia (bronquite alérgica) que me fez recorrer ao Nove de Julho num final de ano, para poder respirar.  Para tantas décadas de vida, bem pouquinho.  Claro que doei muito sangue, plaquetas, mas aí é diferente: fui a um hospital porque quis.

Mas minha relação com o mundo hospitalar nunca foi das melhores: fui várias vezes a hospitais porque minha avó materna e minha mãe tiveram graves problemas de saúde. Fui visitar outras pessoas em situação difícil também, mas sabe como é, mãe é mãe…então marcou.

Como fazia um bocado de tempo que eu não ia a um hospital por necessidade, imaginava que, considerando os avanços técnicos, químicos, exigências dos formadores de profissionais, e o valor que o mercado de saúde cobra de ponta a ponta, tudo estaria diferente, para melhor,claro.  Verdade que minha prima teve um convívio recente e longo com esse mundo e esteve longe de algum grau de satisfação e confiança. E não era qualquer hospital, não, mas um daqueles que mais parecem hotel cinco estrelas.

Eu sou uma pessoa que acredita nas pessoas, nas instituições, no mundo. Esse é meu default.  Assim sendo, lá fui eu para meu revival hospitalar com a maior boa vontade.

Tudo começou com a identificação de um melanoma bem no início. Tive uma sorte danada. A dermato retirou a pinta e, felizmente, a biópsia indicou que ela havia retirado todo o câncer.  Para segurança do paciente, o protocolo é alargar as bordas, como dizem os médicos, e aprofundar a extirpação de tecido.  Procurei um plástico, pedi autorização ao convênio. O convênio não permitiu que eu fizesse o procedimento na clínica do cirurgião (aliás, uma superclínica). Decidiu que eu deveria fazer tudo em um hospital. O médico opera no Einstein e no Nove de Julho, optei por este último.  FYI: minha mãe passou um mês lá (e eu 30 noites, enquanto meu irmão passou 30 dias) antes de morrer.

Ontem foi o dia: levei papéis, documentos, e muita tranquilidade comigo.  Eu não me altero com essas coisas, felizmente. Se tem de fazer, vamos fazer e ponto.

Recepção bonitona, meio conturbada (ouvindo conversas soube que tinha fila para internação, ie, mais pacientes que quartos). Fui para o setor de internação: cheguei umas 13h30,  3 funcionários, só eu de paciente.  Todos os papéis na mão, nada faltando. E lá se foi quase quarenta minutos para eu assinar uns 3kgs de papéis, receber manual do paciente, direitos e deveres, etc., etc., etc., e ser encaminhada ao quarto 438, na ala velha. Francamente, pareceu-me tudo muito igual aos tempos de minha mãe, e olha que já faz 18 anos!  Construíram uma ala nova, e deram uns tapas cosméticos e olhe lá na antiga!  Pelo menos wifi tinha, mesmo o funcionário da internação não tendo ideia de como funcionasse.  É preciso dizer que, dentro das limitações esperadas, os funcionários foram todos muito cuidadosos e gentis de começo a fim.

Primeira surpresa: quando a enfermeira foi fazer as perguntas de praxe, perguntei (só para confirmar) a que horas seria minha cirurgia, ela disse: às 18h.  Como assim? Quando marquei a cirurgia, o consultório do médico disse-me que seria às 16h.  Um dia antes da cirurgia, ligaram para casa para dizer que seria às 17h., e quando chego lá passou para 18h?  E eu em jejum total desde 9h?  É brinca?

Bem, perguntas daqui, de lá, assina daqui, de lá, e ela me avisa que eu teria de tomar banho, pois poderia levar bactérias ou outros seres para a sala de cirurgia, um ambiente estéril. E ninguém no consultório me avisou disso: não levei um chinelo, um desodorante (para o pós), enfim…Sendo assim, pedi um chinelo. Não temos, foi a resposta.  Eu: como assim? aquele chinelinho que dão de graça nos salões de beleza quando a gente faz o pé, não tem?  Não!  Então vejam que coisa fantástica: tomei banho, andei descalça pelo banheiro, e depois coloquei meu sapato. Eu não tinha rolado na rua, mas meu sapato teve um contato íntimo com quilômetros de calçadas, ruas por aí. E com ele, tomado o banho, andei para lá e para cá.  E as tais bactérias?   Sei que, somente depois de pronta para ser levada para a sala de cirurgia, colocaram aquelas sapatilhas de tecido que dão em qualquer laboratório para proteção do paciente.  Pelo menos meus sapatos ficaram para trás. E precisam ver a camisolinha de pano sem-vergonha, bem gastinha, e metade do meu tamanho que me deram. Não estou falando de SUS (e mesmo que fosse), estou falando de um hospital grande, caro, localizado em área nobre da cidade, com preços de primeiro mundo.

Ah, no quarto tinha um armarião.  Na porta dele, uma fechadurona. Pedi a chave para guardar minhas coisas. Não tinha.  Tinha um cofrinho lá dentro e só. Agora imaginem, eu ia tomar anestesia local, um relaxante, e se ponho uma senha no tal cofre e fico confusa e me esqueço qual era? Não importa se você está só ou acompanhada, não é a melhora saída. Qual a dificuldade de dar uma chave para a gente?  Bem, dei o jeito que pude, e torci para que nada sumisse.

Passados estes momentos inquietantes, aliás, irritantes, relaxante na veia (veia, não véia, tá?) e vamos lá.  A que horas? 19h! A cirurgia terminou 19h30. 19h40, eu já despertando totalmente, médico e equipe já haviam se evadido. Ficaram comigo dois enfermeiros para me ajeitar, ajeitar a sala.  Acho que todos saíram fugidos, pois não ficou anestesista, médico, assistente, nada, para ver como eu estava. Tudo bem que foi um procedimento simples, na verdade poderia ter sido feito em clínica, mas já que estou ali, né?

Para o quarto e tome esperar comida. A enfermeira de plantão pediu uma vez, duas, três…aí veio. Comi meu lanchinho e me apronto para ir embora. Fugida se necessário. Se o médico e sua equipe podem, por que eu não? Aí vem uma das enfermeiras e me diz para passar na Tesouraria, pois havia uma pendência. Hein?  Pois é, esqueci de contar. Logo na entrada, apresentaram-me uma lista de materiais que o convênio Amil/Blue Life e Dix não cobre, entre eles: óleo de amêndoas (?), extrato de camomila, cetaphil, manteiga de cacau (?), lençol descartável (bom saber, tem de levar de casa). caneta estéril Codman, e mais um montão de coisas. Pois é, e o cirurgião usou justamente a tal caneta estéril.  Ainda bem que foi bem baratinho…

E as moças do andar insistiam que meu/minha acompanhante é que teria de ir à Tesouraria. Aí perguntei: por quê? Se eu é que pagaria a conta, por que o/a acompanhante era imprescindível?  Meio sem muita vontade permitiram que eu fosse até a Tesouraria acertar minha “pendência”.  Paguei, assinei (de novo…), e fui embora.

Felizmente, deu tudo certo. O core, o cirurgião fez (não tenho dor, estou muito confortável). Vamos ver a segunda biópsia. Não tenho dúvida de que vou estar zerada.

Fiquei pensando nas pessoas que com dor, com sofrimento, em urgência, têm de entrar num hospital.  Têm de ter atendimento médico, lidar com assuntos comezinhos.  Nos familiares que, às vezes, acompanham como zumbis todo o périplo do atendimento de um familiar, de um amigo. Impotentes!  Difícil mesmo.

Episódios como o meu são bons porque ensinam: 1) que não dá para descuidar, nunca. É preciso fazer o preventivo, cuidar-se tanto quanto possível.  A responsabilidade maior sobre nossa saúde, é nossa mesmo. Minha mãe dizia: o melhor médico da gente, é a gente mesmo. E é preciso duvidar, questionar, exigir; 2) que não se deve esperar demais de homens e instituições ligados à saúde, são apenas homens e instituições humanas. Nada além disso.

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