12
de
novembro
Que sorte!
Como comentei por aqui (http://mskeller.blog.terra.com.br/2011/11/03/de-vez-em-quando-a-gente-acerta/), mostras surpreendem para o bem ou para o mal. Na mais recente, vi o que deu por conta de horário e comodidade. Não vi nada que a crÃtica houvesse recomendado.  E não é que lançaram comercialmente um dos filmes indicados da Mostra?
Late Bloomers (http://www.imdb.com/title/tt1572502/) (http://www.screendaily.com/reviews/latest-reviews/late-bloomers/5023986.article). Late bloomer não é só tÃtulo de filme, é expressão como baby boomer, y generation, e por aà vai (http://en.wikipedia.org/wiki/Late_bloomer). E quantos late bloomers houve na história!  Apesar de o termo ter idade (trocadilhinho infame, sorry!), será cada vez mais usado daqui para a frente. O envelhecimento da população mundial é que vai garantir isso. Sempre digo: eu, por exemplo, sou da primeira geração de peso de mulheres que se aposentaram após 30 anos ou mais de trabalho. Há mulheres de mais idade aposentadas após carreira executiva? Claro, mas o grupão é da minha geração. E muitos outros grupões virão.  A Velhice está no limiar de deixar de ser sinônimo de doença, de abandono, de imobilidade.  Ainda causa medo ou desprezo a muitos que estão no pico da vida (prime time) e que, tolamente, acham que nunca passarão pela chegada dos anos. Tadinhos…Velhos, idosos, terceira idade, ou como queiram chamar, já não é limite, não é impedimento por si. E como ouço muito por aÃ: velhice não traz só rugas, traz também sabedoria, pelo menos para muita gente.
O filme trata de um superarquiteto que participa de um projeto inovador. Só que ele confunde o projeto com ele mesmo, i.e., a novidade que procura no trabalho, na verdade está procurando em si.  A mudança, a adaptação.  Talvez até a fuga da velhice que se aproxima.  Sua mulher (a maravilhosa Rossellini) também percebe a chegada da velhice e tenta se adaptar, mas não tem muito sucesso. No final, companheiros de uma vida, ajudados pela famÃlia, por outros velhos que já estavam lá aonde eles iam chegar ainda, acabam se reciclando comme il faudrait.
Os atores (William Hurt, Isabella Rossellini, Doreen Mantle Kate Ashfield, Aidan McArdle, Hugo Speer, Joanna Lumley, Simon Callow) estão ótimos, e a direção de Julie Gavras (também diretora do ótimo A culpa é do Fidel - http://www.imdb.com/title/tt0792966/) é primorosa.
Para mim é emocionante ver um filme dela, afinal o pai, Costa Gavras (http://en.wikipedia.org/wiki/Costa-Gavras), foi um dos meus preferidos.  A gente ia ver os filmes de Gavras e pensava: como ele consegue fazer um filme desses?  Como passam um filme desses? Filmes emblemáticos, corajosos, crÃticos, polÃticos, que a gente via lá pelas décadas de 70, 80, tempos de ditadura por aqui.
E que dizer de William Hurt que acompanho desde O Beijo da Mulher Aranha (1985)? Está ótimo, superclassudo, uma delÃcia de atuação!
Trilha bacana também.
A outra sorte foi ter podido ver Into Paradiso (http://www.imdb.com/title/tt1719496/) (http://www.screendaily.com/reviews/latest-reviews/into-paradiso/5020148.article), na 7a. Semana de Cinema Italiano, no Cine Sabesp. Foi assim, no susto. Perto de casa, eu estava passando, comprei o ingresso antecipadamente (R$9,00 para a mostra), sempre à s 19h.  E surprise!  Um superfilme.  Aliás, acho que fazia um tempo que não via um filme italiano dessa qualidade.  Ao começar a ver o filme, que tem uma trilha sonora fantástica, me deu um click: aaah, agora sei onde os argentinos inspiraram-se para fazer filme tão bem: roteiro, direção, produção, trilha. Só pode ser…O dna deve ser o mesmo.
Ótimo, divertido, com lances comoventes. Passa-se na Nápolis mafiosa.  É um pasticcio só: italianos com cingaleses, polÃticos desonestos (nossa, que surpresa!) envolvidos com o crime, mafiosos se dando bem e se dando mal.  Enfim, uma miscelânea divertidÃssima.
É a história de um cientista napolitano que é demitido. Um homem lento, crédulo, cinquentão acomodado, mas “um amor de pessoa”.  Ele não suporta o ruÃdo do mundo, e para se isolar usa protetores auriculares.  É como se a gente fechasse os olhos para não ver a realidade, não funciona muito, não. No meio de um golpe armado pelo polÃtico, ele acaba encontrando amigos, um amor, descobre quem é de verdade.  Uma delÃcia!  Movimentado, poético.  As atuações de Imparato, Saman Anthony, Peppe Servillo são impagáveis.
Se for para o circuito comercial, não deixe de ver.


