Escrever para viver!

Tudo que der na telha e que eu achar que vale a pena

27

de
novembro

Em dia com a cultura, ura, ura, ura…

Aproveitando uma passadinha pela Paulista, fui ver a exposição Carlos Scliar, Da Reflexão à Criação ((http://pt.wikipedia.org/wiki/Carlos_Scliar)), que está na CEF Cultural do Conjunto Nacional (http://www.caixacultural.com.br/html/main.html). Pintor, ilustrador, gravurista, etc.  Produção de seis décadas. Gostei sobretudo das serigrafias mais recentes. Scliar fez parte do Grupo Santa Helena (http://pt.wikipedia.org/wiki/Grupo_Santa_Helena), lutou pela FEB, viveu em Porto Alegre e São Paulo.

Entre as obras expostas há referências à vida no campo, às personagens do Sul (Chinoca de 1962, Guri de 1962, entre outros). Não conhecia e gostei muito.  A exposição fica até 8/1/2012, entrada gratuita.

E na quinta pela manhã foi a vez de ensaio aberto na Sala S. Paulo.  Sinfonia no.2 - Ressurreição, de Mahler (http://www.osesp.art.br/portal/concertoseingressos/concerto.aspx?c=1758), regida pela maestrina mexicana Alondra de la Parra, com a participação de Ludmilla Bauerfeldt  (soprano) e Jennifer Johnston (mezzo soprano). Participaram também o Coro da Osesp e o Coral Lírico de Minas Gerais.  A maestrina foi brilhante.  Não gosto muito de Mahler, mas essa sinfonia com a OSESP e sob a regência da Sra. de la Parra encantou-me. Ela é muito jovem, de um vigor hipnotizante.  Não tenho dúvida de que no concerto da noite tenha sido ovacionada.

Foi o último ensaio aberto do ano, pelo menos para mim.  Em 2012 tem mais.

E para fechar o roteiro: A Valquíria de Wagner no Municipal (http://www.prefeitura.sp.gov.br/cidade/secretarias/cultura/theatromunicipal/programacao/index.php?p=9164), que é parte da tetralogia O Anel dos Nibelungo ( Das Rheingold (O Ouro do Reno), Die Walküre (A Valquíria), Siegfried e Götterdämmerung (O Crepúsculo dos Deuses)).

O Anel é baseado na mitologia ou lendas nórdicas.  Dê uma lidinha: (http://pt.wikipedia.org/wiki/Die_Walk%C3%BCre). Rings a bell?  Claro!  Tolkien (http://pt.wikipedia.org/wiki/J._R._R._Tolkien), O Senhor dos Anéis.  Muitos beberam na mesma fonte, sem dúvida.

A ópera levou 4,5horas.  Houve um intervalo de 40 minutos (absurdo!) e outro de 20 minutos. O primeiro permitiu que algumas dezenas de pessoas jantassem rapidamente no restaurante do próprio Municipal. Por que não deixaram a opção de jantar ao final do espetáculo? Quem terá tido essa ideia mais que infeliz? Com isso e com o atraso no início, saí de lá à 0h30. É brinca???

Da mesma forma que em Rigoletto (http://mskeller.blog.terra.com.br/2011/09/21/de-mentiras/), impressionou-me a qualidade dos cantores, o cenário fantástico e a iluminação mágica!  Coisa de primeiro mundo mesmo. O figurino também era muito interessante.

A ficha técnica é a seguinte (assisti ao espetáculo de 25/11):

LUIZ FERNANDO MALHEIRO direção musical e regência.
ANDRÉ HELLER-LOPES concepção, direção cênica e cenografia.

RENATO THEOBALDO cenografia. MARCELO MARQUES figurinos. FÁBIO RETTI iluminação.
ARTEMUNDI PRODUÇÕES CULTURAIS LTDA. produção
elenco: MARTIN MUEHLE (Siegmund); LEE BISSET dias 17, 21 e 25 e EIKO SENDA dias 19 e 23 (Sieglinde);
GREGORY REINHART (Hunding); JANICE BAIRD (Brünnhilde);
STEFAN HEIDMANN (Wotan); DENISE DE FREITAS (Fricka);
MONICA MARTINS (Gerhilde); MAÍRA LAUTERT (Ortlinde); KEILA DE MORAES (Waltraute);
LAURA AIMBIRÉ (Schwertleite); VERUSCHKA MAINHARD (Helmwige);
LÍDIA SCHÄFFER (Siegrune); ADRIANA CLIS (Grimgerde); ELAYNE CASEHR (Rossweisse).

E para vocês se situarem, assistam a este vídeo::http://youtu.be/G2ZbYvXGwEI.  Lembraram?  Platoon, Darth Vader…Wagner é mais que update

Foi muito bom o Municipal ter voltado à ativa. Espetáculos chegando a muitos, preços acessíveis em geral.  Tomara que 2012 seja tão bom ou melhor que 2011.

26

de
novembro

Quiéquiéisso…

Pois ééééé…5 dias sem um post!  A semana foi punk!  Bem corrida por conta de um trabalho que estou fazendo,  quase dois na verdade.  Muito imponderável em cena, estressse, prontidão, horários irregulares. Mas já passou…semana que vem ainda tem bastante trabalho, mas mais controlado (espero!).

Não deu para escrever, mas deu para viver, o que é o principal.  Começando pela área gastronômica:

1) Le Jazz Brasserie (nem posto mais o link, porque continua pobrinho demais - http://mskeller.blog.terra.com.br/2011/07/17/o-mundo-magico-dos-cupons/)

Gosto muito do lugar, da comida, da frequência, mas o atendimento é pavoroso.  Tivemos muita sorte com o garçom que nos atendeu, mas a gente vê que o conceito é o seguinte: casa bacana, cuidada, cosy, boa trilha sonora, comida ótima, e atendimento de boteco e dos piores.  Minha amiga fez a reserva e mencionou o péssimo atendimento telefônico dado por uma moça. Quando fui pegar minha nota fiscal no caixa, uma moça também, sem nenhuma gentileza. Deve ser a mesma…Acho que, considerando que estão no mercado há um tempão, e sempre com casa cheia (pelo que mencionei acima, seguramente), a ficha não caiu e talvez nem caia. Uma pena. Podia ser uma casa no limiar da perfeição.

2) La Bombe (ainda não tem site / R. dos Pinheiros 223 - tel. 26287667))

Quase em frente ao Le Jazz, abriu há pouco tempo. O horário de funcionamento está sendo ajustado, bom ligar antes de ir.  Deixamos de comer sobremesa e tomar café no Le Jazz para conhecer a casa. Minúscula, mas bem ajeitada e bonitinha. Fica num espaço em que havia uma loja da Cometa. Era um posto de coleta de encomendas da empresa.  Foi por décadas isso, depois nem me lembro no que se transformou. O espaço é pequeniníssimo mesmo.

Como o nome revela, só bombas, café, água, refri.  Há vários tipos (vi uns 10 ou 12).  Carinhas (não sei se todas têm o mesmo preço, mas dois cafés e duas bombas (que são minibombas) saiu por R$ 13).  Como são bem recheadas (eu peguei uma bomba-brigadeiro que estava ótima), uma pode satisfazer, a não ser que você seja uma formigona daquelas de ficção científica, bem voraz. Não achei doce em excesso, na medida.  O atendimento é simpático.  Ótimo lugar para dar uma passada no meio da tarde (eu posso, eu posso…), tomar um café e comer um docinho.

3) Buttina (http://www.buttina.com.br/)

Fazia muito tempo que não ia a este restaurante.  Fui num dia não muito bonito (dias ensolarados valorizam o lugar, que fica num casarão da R. João Moura e tem um jardim de fundos maravilhoso), mas mesmo assim estava gostoso, agradável.  Terça-feira, almoço, estava com pouca lotação.  Têm um bufê interessante de saladas complementado por uma massa + sobremesa a R$ 31,00.  Preço bastante bom.  Comi uma passa com ragu excelente.  Em vez de me servir do bufê de sobremesas, quis provar o sorvete de jabuticaba do pé (sim, eles têm uma linda jabuticabeira lá) com calda da fruta.  Gostoso, mas um pouco doce demais para mim. Bem carinho: sorvete mais calda = R$ 10 aproximadamente. Matei a vontade, já entendi, então acho que não vai ter segunda vez.

Quando cheguei à casa, tive um atendimento bem ruinzinho. Fiquei com péssima impressão. No entanto, durante o almoço, o garçom que nos atendeu redimiu o contato inicial.  Gentil, eficiente, simpático.

E houve um fato interessante: um amigo conferiu a conta, achou que estava tudo certo, pagamos. Dia seguinte esse amigo liga dizendo que o restaurante se equivocou na conta e ia devolver o dinheiro cobrado a mais.  Momento “ainda há esperança” sem igual!!

Se puder ir em um dia bonito de verão, o impacto sensorial vai ser muito bom. As massas são de ótima qualidade, então vale ir.

4) The Gourmet Tea (http://www.thegourmettea.com.br/)

Não dispense a introdução do site: muito bonita. Parece que a gente está degustando uma ótima xícara de chá.

A casa existe há um tempinho, mas não tinha tido a oportunidade de conhecer, embora fique tão perto de casa. E olha que eu gosto muito de chá.

Fui na semana retrasada (sorry, esqueci de colocar aqui) e gostei. Fui num horário meio movimentado, perto de 13h.  A casa é pequena, mas muito simpática, bonita, transada, mas sem ostentação. Colorida, clara.  Atendimento excelente e um balcão de chás que deixa a gente boquiaberto.

Há pratos rápidos, mas muito saborosos (comi um prato thai na primeira vez e uma torta quase veggie com salada na segunda vez. A torta estava simplesmente fantástica).  Nas duas vezes acompanhei os pratos com chás gelados (têm só 3 opções no cardápio, pois a maioria é para tomar quente mesmo).  Uma delícia!  As sobremesas podem ser interessantes para um lanche à tarde, mas para pós-pranzo não me apeteceram, i.e., provei mas acho melhor terminar a refeição com chá quente ou gelado e uma porção de biscotti. Muito mais barato, gostoso e satisfaz.

Os pratos vão de $ 21 a $30, há lanches também, mais em conta.

Trilha sonora tranquilinha.  Vale muito visitar e voltar. Virei fã.

Próximo post: andanças culturais acumuladas.

20

de
novembro

Pulando de SESC em SESC

Não há dúvida: o SESC, com suas produções, é que sustenta e dá vida ao teatro e shows em SP atualmente. E não falo pelos grandes nomes que ocupam seus palcos, mas justamente pelos que não estão na mídia, não são conhecidos do grande público. Sem o suporte do SESC eles não teriam a chance de mostrar seu trabalho, focar na criatividade, já que bilheteria não é o problema.  E isso não é impressão, absolutamente. É só pegar a Vejinha, por exemplo, nos dois últimos meses e ver quantas peças que estão ou passaram pelos palcos do SESC foram destacadas como sendo de boa ou ótima qualidade.  E não são só as adultas, as infantis também. E o preço então?  Para os comerciários é até covardia, nem vou dizer para não deprimir o pessoal, mas mesmo os preços para o grande público são muito acessíveis. Os teatros são bons, a infra à volta é boa, enfim, melhor impossível.

Em 3 SESCs vi 3 boas produções nesta última semana:

1) As Desgraçadas (http://www.sescsp.org.br/sesc/programa_new/mostra_detalhe.cfm?programacao_id=203804) - fica até 6/12 no SESC Consolação

A peça é apresentada às segundas e terças às 21h, no Espaço Beta, um teatro pequenino no 3o. andar. Horário alternativo, sem dúvida, mas bem interessante.

A peça baseia-se em As Criadas de Jean Genet. A Cia. Auroras leu, burilou, procurou em adaptação de Zé Celso (As Boas) um caminho e chegou lá.

Três atrizes em cena: duas empregadas domésticas e a patroa.  Uma das empregadas é a malandrona que cutuca, obtém informações, usa seu conhecimento para obter privilégios. A outra, a babá, idolatra a patroa, gosta e respeita a casa em que trabalha, e acaba se tornando vítima das maquinações da outra empregada.  A patroa, desestabilizada por um rompimento com o marido, vitimiza-se e nem do filho quer saber de fato. Usa-o também para dominar sobretudo a babá. O texto é fluido, muito próximo de nossa realidade. A empatia é grande.

Tem riso, suspense, drama, tudo muito bem balanceado.  O espaço de representação é pequenino mesmo, mas o cenário, muito criativo, agrega à cena.  O figurino é contido, mas interessante.

Uma noite de segunda-feira muito proveitosa.

2) Bicho Monjaleu (http://www.sescsp.org.br/sesc/programa_new/mostra_detalhe.cfm?programacao_id=205859) - fica até 18/12 no SESC Pinheiros, sempre aos domingos às 15h e 17h.

Eu adoro uma peça infantil e as do SESC são, em geral, muito boas. A história é comum: um pai vende as filhas sob ameaça, tem um quarto filho que, crescido, vai atrás das irmãs.  Gira o mundo, encontra um amor e passa por perigos para casar com sua amada.   A peça é uma adaptação de conto popular recolhido por Silvio Romero.

Apenas Wanderley Piras em cena, e não precisa de mais nada. Ele faz dois personagens de carne e osso, a voz de bonecos (sim, eles são parte importantíssima da apresentação), manipula-os, monta o cenário, enfim, é um mil-e-um.  Muita movimentação, muita energia. Nem imagino como é que ele consegue fazer duas sessões na mesma tarde.

A coisa começa lentinha, assustei-me com o vocabulário, sobretudo porque havia basicamente crianças bem pequenas no teatro. Bem rebuscado. Mas depois o texto ameniza, e há bordões, refrões, que ajudam a garotada a entender a história.  As personagens são muito carismáticas, sobretudo os bonequinhos.

Só achei que duas coisas poderiam ser diferentes: mesmo que com base num conto popular, os tempos são outros e o público é muito especial (mirim).  Penso que o pai vendendo as filhas poderia ser mudado para “o pai dando as filhas em casamento”, ou “o pai permitindo que as filhas vão trabalhar com os cavaleiros”.  A venda não me passou boa impressão, imagino para as crianças. Gostaria também que os bonecos fossem maiores.  Eles têm o tamanho de Barbies um pouco maiores.  O teatro era pequeno, mas mesmo assim o pessoal do fundão não deve ter conseguido ver direito os lindos bonecos. Se fossem maiorzinhos, o público aproveitaria mais.

Uma delícia de peça.

3) Tio Vânia (http://www.sescsp.org.br/sesc/programa_new/mostra_detalhe.cfm?programacao_id=206682) - acabou hoje; estava no SESC Vila Mariana

Peça de Tchekhov (http://pt.wikipedia.org/wiki/Anton_Tchekhov) da virada do século XIX/XX. A diretora, Yara de Novaes, também dirigiu A Mulher que Ri (http://mskeller.blog.terra.com.br/2011/06/18/de-pecinhas/), que vi n’Os Fofos há um tempo. A encenação é pelo Grupo Galpão (http://www.grupogalpao.com.br/port/home/).

Conflito familiar, que se passa na propriedade rural da família. Tio Vânia que ama Helena, que ama o médico, que é amado por Sonia, e assim vai. Oras, a vida é assim, ou não é?  Ontem, hoje e sempre. Rússia rural, o pessoal bebendo vodka até quase ter um coma alcoólico, pobreza, arrogância, desilusão amorosa, mas há muitos momentos bem humorados. Tchekhov é assim. Felizmente.

Os atores estão bem azeitados. A montagem é quadradinha a meu ver, mas funciona e bem.  O cenário é uma personagem a mais.  Pragmático, criativo, leve, plástico.  Aliás, um dos itens dos espetáculos que tenho visto que mais tem me encantado é o cenário: minimalista ou grandioso, não importa, agrega muitíssimo.  A iluminação de Tio Vãnia também estava linda.

Ainda bem que deu para ver.

19

de
novembro

Para rir e para chorar

Consegui ver mais um filme da 7a. Semana de Cinema Italiano, lá no Cine Sabesp (http://mskeller.blog.terra.com.br/2011/11/12/que-sorte/).  Pena que não deu para ver mais, mas valeu de todo jeito.

Vi Nessuno mi puó giudicare (Ninguém pode me julgar - http://www.imdb.com/title/tt1866205/). Mais escrachado e, verdade, bem menos sofisticado em termos de roteiro e atuações que o filme anterior (Into Paradiso).

Historinha boba: mulher enviúva, fica na pior, tem de se virar para sobreviver, sustentar o filho.  Difícil achar lugar no mercado de trabalho quando não se esteve nele nunca.  Ainda mais ameaçada de prisão por uma dívida-monstro deixada pelo marido em seu nome. O caminho qual é? Escort! Ou similar. Com tudo isso, drama passa longe.  Muita diversão com personagens carismáticos. O diretor (Massimiliano Bruno) tirou água de pedra.

De novo abordam a questão dos imigrantes e como eles são muitos e bastante amalgamados à vida do italiano.  Os dois filmes que vi lembraram-me muito da cinematografia francesa que tem quase obsessão pelo tema.  Só que o tom italiano, pelo menos nesses dois filmes, é beeem diferente.  Uma delícia (sobretudo porque estou bem longe) ver aquela gritaria toda, aquela gesticulação, caras e bocas.  A trilha sonora também é bem bacana.  No mais: casarios, cortiços, vilinhas sobretudo. Mais que simplicidade, pobreza.

Interessante que uma das personagens mais divertidas menciona filmes de Nanni Moretti (http://www.imdb.com/name/nm0604335/) jocosamente, criticamente. Eu vi uns poucos filmes (http://mskeller.blog.terra.com.br/2008/10/12/assim-nao-aguentooutro-filmaco/) de NM e gostei bastante. Vai ver que a menção é pelo “humor” dos filmes de Moretti, mais tristonho, sombrio. Ou os diretor/ator tem algum problema com Moretti. Vai saber…

Valeu ver os dois filmes. Na 8a. Semana vou ficar atenta e tentar assistir a alguns.

Depois de muita risada, hora de refletir: O garoto da bicicleta (http://www.imdb.com/title/tt1827512/). Até separei os lencinhos para uma eventual derrapagem, mas não foram usados.  O filme incomoda, sobretudo porque sabemos que há muitos casos similares, talvez não tão escancarados, mas a crueldade é a mesma. Só não é a mesma, muitas vezes, a força de quem sofre a violência, e aí o agredido, o destratado sucumbe.

Trata-se de um menino que vive num abrigo para crianças sem pais.  O ator de uns 12 anos (é o que aparenta), Thomas Doret, é de uma competência assustadora!  O moleque carrega o filme juntamente com Cécile de France, que trabalhou em Além da vida (http://www.imdb.com/title/tt1212419/).  Aliás, foi desse filme que lembrei (http://mskeller.blog.terra.com.br/2011/01/10/voltando-a-ativa/) conforme o filme O garoto ia avançando. A persistência do menino, Cyril em encontrar o pai, que não quer nada com ele, simplesmente o abandonou e ponto, é tão grande quanto a do menino que busca seu irmão gêmeo morto no Além da vida.  Comovente a determinação, o fé, os caminhos por que se arriscam.

No caso de Cyril, depois de tanta pancada, ele quase envereda por um vias de autodestruição, mas graças ao amor de Samantha (Cécile) a vida do garoto tem futuro. É um filme inquietante, doloroso, mas necessário.  Prova de que a força está dentro da gente, ou não está em lugar nenhum, e só se pode ajudar quem quer ser ajudado.

Obviamente, a direção também é admirável para conseguir de poucos atores, a maioria secundários, com nenhum glamour (Cyril veste a mesma calça e acho que a mesma camiseta do começo ao fim), o resultado que obtém. Um ótimo filme.

16

de
novembro

Dançando conforme a música

Coincidentemente, nesta semana, vi dois espetáculos de dança muito diferentes.  Um em dvd e outro no SESC Pinheiros.

1) Naturalmente - Antônio Nóbrega (http://www.conectedance.com.br/materia.php?id=9)

Pasmem! Apesar de ter lido e visto várias entrevistas com Antônio Nóbrega (http://pt.wikipedia.org/wiki/Ant%C3%B4nio_N%C3%B3brega), nunca tinha visto um espetáculo com ele.  Em uma passagem por um dos SESCs comprei o DVD de um espetáculo realizado no Pinheiros no ano passado: Naturalmente - Teoria e Jogo de uma Dança Brasileira.

Uma delícia!  E que multiperformer e pessoa interessante é o ANóbrega!

O espetáculo tem de tudo: “pedagogia” - o performer instrui o público sobre como chegou ao espetáculo, explica músicas e movimentos utilizados; dança - claaarooo, de várias naturezas, populares mas diferentes entre si, ou seja, um conjunto rico; instrumental - tanto ANóbrega, quanto o grupo que o acompanha são ótimos.

Movimentos vigorosos, harmoniosos e fluidos. Três bailarinos mágicos no palco (além de A. Nóbrega, as bailarinas Maria Eugênia e Marina).  O figurino é singelo e belíssimo, incrementado por adereços e máscaras muito interessantes.

Enfim, um dvd que vou guardar para rever, tal sua suavidade, alegria, beleza.

E a partir de agora atenção redobrada para tentar ver Antônio Nóbrega em ação ao vivo.

2) 2Mundos (http://www.sescsp.org.br/sesc/programa_new/mostra_detalhe.cfm?programacao_id=205936), no SESC Pinheiros

O espetáculo (http://www.marianamuniz.ato.br/agenda2.html) só é apresentado às quartas-feiras durante o mês de novembro.  Eu não conhecia o trabalho de Mariana Muniz e o achei muito interessante.

Está no programa:

“2MUNDOS é um projeto de Dança-Teatro inspirado no universo da cultura surda, fruto de investigações da bailarina e atriz Mariana Muniz - responsável pela Cia. Mariana Miniz de Teatro e Dança -, e que dá continuidade à pesquisa da Cia. sobre as intersecções entre dança e teatro, movimento e palavra, poesia e dança, numa exploração radical da comunicação através do corpo/voz.”

Movimentos encantadores. Músicas tocadas, declamadas, Libras (Língua Brasileira de Sinais): um conjunto muito harmonioso.  Figurino único, mas bem bonito.  Só achei falta de algo mais como cenário. O palco estava muito peladinho.

Não sou muito de balé/dança, como já mencionei por aqui, mas não desperdiço a oportunidade de ver/conhecer.  Recomendo o espetáculo pelo inusitado (pelo menos assim achei).

Na plateia havia um casal de surdos (não sei se mudos também).  Vendo-os ali, da mesma forma que já vi cegos entre os que veem, é que a gente percebe de fato quão difícil é o mundo para essas pessoas. Heróis! Além dos vários filmes sobre cegos, os menos lembrados surdos ou mudos também estão em filmes interessantes que nos despertam para esses mundos paralelos.  Nesta semana (outra coincidência), revi uns trechos de Filhos do Silêncio (http://www.imdb.com/title/tt0090830/), de 1986, com um William Hurt jovem e lindíssimo (eu acho, né?!).  Vale ver ou rever.

14

de
novembro

A gente até duvida

A vida faz a gente menos crédula.  Quando vi pela primeira vez o anúncio da ação do Itaú, que doa livros infantis, pensei: aí tem.

Como mexeu com livro, mexeu comigo, fui atrás.  Entrei no site (http://www.itau.com.br/itaucrianca/), li a política da campanha, alimentei meus dados e esperei.  Sempre com aquele pensamento positivo: isso não vai funcionar…

Além de oferecer uma trinca de livros graciosamente, o site pede dados de domicílio para enviar os livros sem custo de remessa.  O quêêêê?  Tá querendo me enganar?

E não é que minha primeira experiência foi um sucesso? Livros ótimos. Não me lembro quais foram, mas li com prazer.  Sim, porque não dou livro a criança antes de lê-lo e aprová-lo.  Tem muita coisa ruim por aí.

Desta vez decidi registrar. Recebi Chapeuzinho Amarelo, de Chico Buarque (lindo, lindo!); Adivinha quanto eu te amo, Sam McBratney (de chorar), e A festa no céu de Angela Lago.  Todos lindamente ilustrados, sobretudo A festa no céu.  Nada de capa dura, folhas grossas. Tudo sem requinte nesse aspecto, mas edições não menos cuidadas, bonitas, com textos de recheio que encantam.  Uma delícia!

Chapeizinho trata do medo das crianças de um jeito mágico, lúdico. Até eu entendi como é que a coisa funciona. Adivinha quanto eu te amo é o relato de um amor imenso entre pai e filho. A festa no céu trata da esperteza e de como surgiu o casco da tartaruga. Muito bom!

Claro que peço os livros para depois repassar a algum pequeno.  Sempre depois de lê-los, claro.  Ganhamos todos, eu e os pequenos que vão recebê-los.  A campanha é lançada anualmente e a esta altura os livros já se esgotaram.  Então ponha na agenda para acompanhar o link acima em 2012.

Agora vou ver quem será o felizardinho ou felizardinha que receberá os livros de presente.

Ações como a do banco é que fazem a diferença de fato.  Não sou correntista, mas não posso deixar de parabenizá-los pela iniciativa.

12

de
novembro

Que sorte!

Como comentei por aqui (http://mskeller.blog.terra.com.br/2011/11/03/de-vez-em-quando-a-gente-acerta/), mostras surpreendem para o bem ou para o mal. Na mais recente, vi o que deu por conta de horário e comodidade. Não vi nada que a crítica houvesse recomendado.  E não é que lançaram comercialmente um dos filmes indicados da Mostra?

Late Bloomers (http://www.imdb.com/title/tt1572502/) (http://www.screendaily.com/reviews/latest-reviews/late-bloomers/5023986.article). Late bloomer não é só título de filme, é expressão como baby boomer, y generation, e por aí vai (http://en.wikipedia.org/wiki/Late_bloomer). E quantos late bloomers houve na história!  Apesar de o termo ter idade (trocadilhinho infame, sorry!), será cada vez mais usado daqui para a frente. O envelhecimento da população mundial é que vai garantir isso. Sempre digo: eu, por exemplo, sou da primeira geração de peso de mulheres que se aposentaram após 30 anos ou mais de trabalho. Há mulheres de mais idade aposentadas após carreira executiva? Claro, mas o grupão é da minha geração. E muitos outros grupões virão.  A Velhice está no limiar de deixar de ser sinônimo de doença, de abandono, de imobilidade.  Ainda causa medo ou desprezo a muitos que estão no pico da vida (prime time) e que, tolamente, acham que nunca passarão pela chegada dos anos. Tadinhos…Velhos, idosos, terceira idade, ou como queiram chamar, já não é limite, não é impedimento por si. E como ouço muito por aí: velhice não traz só rugas, traz também sabedoria, pelo menos para muita gente.

O filme trata de um superarquiteto que participa de um projeto inovador. Só que ele confunde o projeto com ele mesmo, i.e., a novidade que procura no trabalho, na verdade está procurando em si.  A mudança, a adaptação.  Talvez até a fuga da velhice que se aproxima.  Sua mulher (a maravilhosa Rossellini) também percebe a chegada da velhice e tenta se adaptar, mas não tem muito sucesso. No final, companheiros de uma vida, ajudados pela família, por outros velhos que já estavam lá aonde eles iam chegar ainda, acabam se reciclando comme il faudrait.

Os atores (William Hurt, Isabella Rossellini, Doreen Mantle Kate Ashfield, Aidan McArdle, Hugo Speer, Joanna Lumley, Simon Callow) estão ótimos, e a direção de Julie Gavras (também diretora do ótimo A culpa é do Fidel - http://www.imdb.com/title/tt0792966/) é primorosa.

Para mim é emocionante ver um filme dela, afinal o pai, Costa Gavras (http://en.wikipedia.org/wiki/Costa-Gavras), foi um dos meus preferidos.  A gente ia ver os filmes de Gavras e pensava: como ele consegue fazer um filme desses?  Como passam um filme desses? Filmes emblemáticos, corajosos, críticos, políticos, que a gente via lá pelas décadas de 70, 80, tempos de ditadura por aqui.

E que dizer de William Hurt que acompanho desde O Beijo da Mulher Aranha (1985)? Está ótimo, superclassudo, uma delícia de atuação!

Trilha bacana também.

A outra sorte foi ter podido ver Into Paradiso (http://www.imdb.com/title/tt1719496/) (http://www.screendaily.com/reviews/latest-reviews/into-paradiso/5020148.article), na 7a. Semana de Cinema Italiano, no Cine Sabesp. Foi assim, no susto. Perto de casa, eu estava passando, comprei o ingresso antecipadamente (R$9,00 para a mostra), sempre às 19h.  E surprise!  Um superfilme.  Aliás, acho que fazia um tempo que não via um filme italiano dessa qualidade.  Ao começar a ver o filme, que tem uma trilha sonora fantástica, me deu um click: aaah, agora sei onde os argentinos inspiraram-se para fazer filme tão bem: roteiro, direção, produção, trilha. Só pode ser…O dna deve ser o mesmo.

Ótimo, divertido, com lances comoventes. Passa-se na Nápolis mafiosa.  É um pasticcio só: italianos com cingaleses, políticos desonestos (nossa, que surpresa!) envolvidos com o crime, mafiosos se dando bem e se dando mal.  Enfim, uma miscelânea divertidíssima.

É a história de um cientista napolitano que é demitido. Um homem lento, crédulo, cinquentão acomodado, mas “um amor de pessoa”.  Ele não suporta o ruído do mundo, e para se isolar usa protetores auriculares.  É como se a gente fechasse os olhos para não ver a realidade, não funciona muito, não. No meio de um golpe armado pelo político, ele acaba encontrando amigos, um amor, descobre quem é de verdade.  Uma delícia!  Movimentado, poético.  As atuações de Imparato, Saman Anthony, Peppe Servillo são impagáveis.

Se for para o circuito comercial, não deixe de ver.

10

de
novembro

Brilhos diferentes

É assim mesmo, filme de primeiro mundo brilha mais que de terceiro (só para se localizarem: terceiro mundo somos nós, tá?).

Qualidade ímpar, ótimos atores, enredos bacanas, direção excelente, trilhas ótimas, mas o filme de lá brilha mais que o de cá. Não tem jeito.

É a produção, é o acabamento, sei lá?  Nem no IMDB o negócio funciona igual. Pena!

1) O Palhaço (http://g1.globo.com/pop-arte/noticia/2011/10/e-um-filme-analogico-diz-selton-mello-sobre-o-palhaco.html)

Adoro Selton Mello. Vi a primeira novela que ele fez lááá atrás! Um menininho que já projetava o bom ator e diretor que ele seria.  Vi vários filmes com ele, como ator ou “voz” (http://mskeller.blog.terra.com.br/2010/09/11/momentum-i/). Gosto de suas entrevistas, de sua postura.  Portanto, não poderia perder O Palhaço.

Um filme lindo!  Bom roteiro, interpretações soberbas. Aliás, a generosidade e esperteza de Selton Mello impressionam.  Quem ele chamou para o filme? Paulo José, nos títulos como ator principal; Teuda BaraMoacyr Franco (impagável); Jorge Loredo (http://pt.wikipedia.org/wiki/Jorge_Loredo), o Zé Bonitnho.  E esse mix, o Brasil “mambembe”, a dúvida existencial do palhaço, a vida dura de quem teima em sobreviver no/com o circo, de quem sabe é fazer circo dão um resultado fantástico.

Não há exageros, tudo é muito lírico, mesmo com todo aquele miserê. Deu para chorar um bocadinho.

É a história de um velho palhaço (Paulo José) que está passando o bastão para o filho (Selton).  O rapaz é um ótimo palhaço na frente do público, mas é aquele palhaço triste, angustiado, não está satisfeito com a vida que leva. Ele acha que seu negócio não são as palhaçadas. Deixa o circo, vai atrás de uma moça, arruma outra atividade. Tudo com muita graça, muito encantamento. O final é comovente. O filme lembrou-me aqui e ali Bye, Bye, Brazil (http://pt.wikipedia.org/wiki/Bye_Bye_Brazil). Acho que foi o ambiente mambembe, o caminhão, o poeirão, as lonas rasgadas, mas gostei muito mais de O Palhaço.

Chaplin, Scola, Fellini aplaudiriam.

Vale ver, sem dúvida!

Aleatória: vi o filme no Cine Livraria Cultura (Cinearte).  O que é aquele cheiro permanente de esgoto? Já reclamei com a Liv. Cultura e nada. Tudo bem, eles não são os donos do cinema mas o dito leva o nome da empresa!  Incrível que no séc. XXI, com tantos recursos técnicos, desodorizantes e por aí vai não consigam resolver a questão.

2) A pele que habito (http://www.imdb.com/title/tt1189073/)

Almodóvar é um dos diretores de que mais gosto.  Ele é da grandeza de Allen, dos Coens.  Um diretor sempre em mutação, em evolução.  E evolução (*) não quer dizer necessariamente fazer melhor, mas a busca da superação.  E isso é que é bom nesses diretores: a gente nunca sabe o que vem pela frente de fato, só sabe que vai valer a pena ver, vai se sentir respeitado como espectador.

((*) Dic. Aulete:

(e.vo.lu.ção)

sf.

1  Ação, processo ou resultado de evoluir [ Antôn.: involução, retrocesso]

2  Processo de transformação progressiva e gradual que indica ger. um grau de aperfeiçoamento (evolução tecnológica; evolução científica); PROGRESSO; DESENVOLVIMENTO [ Antôn.: retrocesso]

3  Desenvolvimento, crescimento: “(…) nos tempos de hoje, em que se insiste na preparação do ambiente e na apresentação das experiências, como suficientes para a evolução da criança.” (Cecília Meireles, Eduquemos a criança, In: Crônicas de educação)

4  Movimento harmonioso e progressivo: Os dançarinos fizeram uma bela evolução.

5  Mil.  Série de movimentos desenvolvidos por soldados das forças armadas para compor desfile militar ou para simular confrontos, batalhas etc. [Mais us. no pl.]

6  Biol.  Série de transformações por que passam os seres vivos (evolução das espécies)

7  Biol.  Série de transformações biológicas por que teriam passado os seres vivos, conforme o processo de seleção natural [Cf.: darwinismo]

8  Astron.  Movimento periódico feito por um corpo celeste em torno de um outro.)

Já vi muitos filmes de Almodóvar (http://mskeller.blog.terra.com.br/2009/12/06/aaah-melhorou-muito/) e não gostei de todos igualmente.  Da mesma forma, Allen, irmãos Coen. Mas A pele que habito terá um lugar entre os mais queridos para mim.

Um filmaço: ficção científica (será?); romance; picardia (Martha, Zeca); surpresas de monte; o choque. Dá para intuir parte do enredo, mas há algumas saídas inesperadas.

É a história de um médico, que vira monstro, para vingar uma agressão a sua filha.  É a “síndrome do Criador” em toda sua potência, escravizando o homem e o profissional.  E o que começa como uma punição, vai caminhando para a moldagem de alguém para se amar, para se ter junto pela vida.

A fotografia é bacana, a música então…E os atores, alguns queridinhos de Almodóvar, estão ótimos: Banderas (na medida); Marisa Parede (ótima); Elena Anaya e Jan Cornet (soberbos!). Tem até um espanhol abrasileirado, bem malandro (claaroo!): Roberto Alamo (Zeca).  Ele faz muito bem um sotaque espanhol diferente e usa algumas expressões/palavras em português puxando para o sotaque carioca. A trupe que conta é bem enxuta, mas está superazeitada.

Uma boa colcha de retalhos do que o diretor já fez pela vida. Um dos melhores Almodóvar que já vi.

8

de
novembro

Apertando a tecla pause

Sempre estou lendo alguma coisa.  Nem tudo, como já escrevi por aqui, vale a pena comentar. Além disso, tem montes de blogs ótimos especializados em literatura/livros. Este é um bom exemplo: http://incursoesliterarias.blogspot.com/.  Tem muita gente boa lendo e opinando.

Já faz um tempinho, terminei um livro e uma publicação interessantíssima.

1) Arte e Letra Estórias (C) (estão mexendo no link, mas vale dar uma olhada na home antiga: http://www.arteeletra.com.br/antigo.php)

Uma colega do escritório é que me apresentou a publicação há uns 3 anos.  Já escrevi sobre a revista anteriormente (http://mskeller.blog.terra.com.br/2009/07/03/o-bom-do-resfriado/).

O conceito é muito interessante: publicações trimestrais com textos cedidos ou de domínio público. Por isso acham que a coisa é meia-boca?  Nada disso!  Textos ótimos, tanto os de autores consagrados quanto os cedidos/doados.  A edição C de 2008 - Primavera (que lindo…) é primorosa: O conto de Natal de Auggie Wren de Paul Auster; Longe daqui de Amy Bloom; A desconhecida de Arthur Schnitzler; o ótimo Um pouco de ar fresco de F. Thackeray, e por aí vai.  Como a editora é de Curitiba não se acha a publicação em todo lugar, mas dá para assinar a um preço muito razoável.

As excelentes traduções também são feitas por colaboradores, imagino que a custos módicos ou até graciosamente. Outro ponto forte da publicação é a parte gráfica. As ilustrações são muito boas!

2) George’s Marvelous Medicine - Roald Dahl e ilustrações de Quentin Blake (http://en.wikipedia.org/wiki/George’s_Marvellous_Medicine)

Bem, gosto de RDahl (http://en.wikipedia.org/wiki/Roald_Dahl) desde sempre. Meu primeiro contato com o autor foi lá pelos 17/18 anos. Seus contos encantaram-me. E só para localizar: ele é o autor de Gremlins, Charlie and the chocolat factory (aquela do Willy Wonka), The witches, Matilda, e mais literatura infantil, e montes de contos, e scripts de filmes , etc., etc.  Um autor superprodutivo.

O estilo é uma soma de mágica+tragédia+suspense. Nada é bonitnho, certinho.  Os textos inquietam e são uma delícia.  As ilustração também são nessa linha.

O livro George’s Marvelous Medicine conta a história de uma família simples, que cultiva alimentos, tem seus animais para vender e consumir. Pai, mãe, George e a avó.  O menino consegue produzir acidentalmente uma mistureba que altera o tamanho dos seres vivos (humanos ou não).  O pai enlouquece com as possibilidades do achado.  E aí começa a confusão…Ao final, a avó vai para o espaço (não literalmente), mas ninguém fica muito triste, chateado. Afinal a mulher era uma chatonilda mesmo.  O parágrafo final do livro ratifica o que escrevi acima. Vejam só:

“George didn’t say a word. He felt quite trembly. He knew something tremendous had taken place that morning. For a few brief moments he had touched with the very tips of his fingers the edge of a magic world.”

Bacanésimo, certo?

6

de
novembro

Diferentes, mas iguais

Às vezes a gente tem essa sensação: pessoas muito diferentes que causam sentimentos, impressões parecidos; livros, filmes também; fatos que, embora diferentes em local, natureza, tempo, deixam a mesma marca.  E foi assim com estas duas peças.

Na semana passada, vi no Teatro Raul Cortez (http://www.fecomercio.com.br/?option=com_institucional&view=interna&Itemid=28), Viver sem tempos mortos com Fernanda Montenegro. Um banquinho e um violão ou quase: uma cadeira no centro do palco, iluminação focada na atriz vestida em branco e preto, bem singelamente. Sem música, sem nada mais em cena.  Só a grande dama.  Evidente que temos muitas grandes atrizes, mas hoje FM é a grande dama do teatro nacional, e em seus mais de 80 anos está impecável: voz, discurso, postura.  Fechando os olhos (eu fiz isso várias vezes durante a peça), não dá para saber se ela tem 30, 40, 50…é atemporal. Aliás daria para ficar ouvindo aquela voz modulada por horas, horas e horas…

A peça de aproximadamente 60 minutos, dirigida por Felipe Hirsch ( o mesmo que dirigiu maravilhosamente Rigoletto -http://mskeller.blog.terra.com.br/2011/09/21/de-mentiras/ ), é uma compilação do pensamento e vida de Simone de Beauvoir (http://pt.wikipedia.org/wiki/Simone_de_Beauvoir).  Apesar de monólogo, por ser um apanhado da vida da intelectual, o texto é dinâmico. E com aquelas modulações usadas por FM torna-se mesmerizante.  Mesmo tendo estudado francês na USP, e ter no currículo leituras de Beauvoir e Sartre eu sempre escapava ou lia de má vontade. Não me perguntem por quê, mas não nutria simpatia pela dupla.  Talvez ainda dê tempo de corrigir essa falha de caráter. Vamos ver.  De todo jeito, acho que era liberdade demais, desprendimento demais para meu coraçãozinho burguês.  Claro que hoje, passadas décadas, vejo tudo com mais naturalidade: a experiência, ou a idade se preferirem, faz isso com a gente.  Ainda assim, tudo me parece um tanto artificial, ou angustiado demais.

Ainda bem que a peça é curta, pois como já mencionei o público de teatro nacional está sendo destruído pouco a pouco.  O pessoal vai pelo happening.  Lá pelos 30/40 minutos já tinha gente acendendo seus celulares para ver não sei o quê (a hora imagino…).  Naquela escuridão e silêncio acham que o ator não vê aquele monte de vaga-lumes pela plateia? Aliás, achar que vê, acham, mas não se importam.  Mesmo com a grande performance ali na frente as pessoas não se contêm.  E celulares tocando?  Dois, lá pelos 45/50 minutos da peça.  É mole?   Como sempre digo: para que ir ao teatro, ver uma superatriz, ter contato com textos cultos, importantes, se não descolou do macaquinho lá detrás?   A gente também vê muito desse comportamento pouco civilizado ao sair de um teatro mesmo se com entrada a R$ 80/inteira: as pessoas não têm bom senso de dar passagem, deixar idosos saírem primeiro, racionalizarem a questão.  Uma coisa de dar vergonha à pessoa alheia.

E o Teatro Raul Cortez, hein?  Confortável, verdade, mas o que fizeram? Retiraram todos os assentos/bancos do andar do teatro. Mais, apenas os banheiros do teatro funcionando (e para o feminino é uma tortura!), quando há outros dois (masc+fem) no andar de baixo alcançável facilmente pela escada rolante.  Filas em banheiros antes da peça sem a menor necessidade!  E o café dali?  Os preços?  As opções parcas?  Meca do comércio nacional, a Fecomércio deveria olhar para isso com um pouco mais de atenção, respeito e competência. E, de novo, ao preço que cobram…

Valeu muito ver a peça e FM em ação!  Tomara que eu tenha outras oportunidades.

E ontem fui ver, no SESI Paulista (http://www.sesisp.org.br/cultura/), O silêncio depois da chuva (http://www.sesisp.org.br/Cultura/Teatro/O-silencio-depois-da-chuva.html) de Gustavo Colombini, direção de Leonardo Moreira.  Espetáculo suportado pelo Núcleo de Dramaturgia do SESI-British Council.

Já vi outros espetáculos ótimos por ali. O mais recente foi O casamento suspeitoso (http://mskeller.blog.terra.com.br/2011/08/26/miscelanea-total-ii/).  Normalmente, os do Núcleo são gratuitos. É só retirar o ingresso com antecedência no próprio dia e comparecer 15 minutos do início da peça.  Em geral são de ótima qualidade.

O texto da peça é muito interessante: montado, colado, fragmentado, dinâmico e mesmo assim muito lógico.  Vários pontos de vista do mesmo instante transmitidos ou por falas que se superpõem ou pela repetição em tons e momentos diferentes do mesmo texto.

Uma família que vive e é assombrada pela ausência do pai: mãe e dois filhos. A desagregação é paulatina, e vem a dor, a doença, a loucura ou quase.  Se olhado de longe, o texto é o que vai por famílias em todas as partes: aparência  x realidade o tempo todo, o ser humano nuzinho.

Além de um texto complexo, os atores têm uma performance física que deixa a gente cansada. Muito movimento, muito vigor num espaço reduzido.  Estão azeitadíssimos (parabéns!). O cenário é bem interessante e a iluminação agrega muito. Agora, a trilha sonora é ótima! Linda, linda!

A direção também foi soberba. Lêssemos apenas um texto como aquele, sem a mão de uma direção criativa e capaz, e perderíamos muito da qualidade da peça.

Uma peça bonita, humana, tocante.  Fica até dezembro, então ainda dá tempo de ver com calma.

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