Escrever para viver!

Tudo que der na telha e que eu achar que vale a pena

14

de
outubro

Ainda dá tempo

Pois é, preguiça, desorganização de minha parte, e só agora comento as peças que vi no final de semana. Mas ainda dá tempo de falar de uma boa peça que continua em cartaz.

1) Crônica da Casa Assassinada (http://www.sescsp.org.br/sesc/programa_new/mostra_detalhe.cfm?programacao_id=202003) (http://vejasp.abril.com.br/teatro/a-cronica-da-casa-assassinada)

Esta peça está no SESC Vila Mariana e fica até domingo (16/10).  Texto de Lúcio Cardoso, adaptação de Dib Carneiro Neto e direção de Gabriel Villela.

O programa da peça revela pedagogicamente o que esperar: “A trama da “Crônica da casa assassinada” nos desafia a olhar pelo buraco da fechadura, identificando as atitudes que nos tornam humanos, demasiadamente humanos”. É isso, vá preparado para ver algo Rodriguiano.  Texto pesado, algo chocante em alguns momentos, atuações densas, mas o conjunto é muito bonito.  Começa pelo cenário: um portal lindo dominando a cena. Está tudo ali: glória, queda, tradições escravizantes, moralidade, ilusão, castigo, etc. O figurino também é bacana. Xuxa Lopes, de quem não gosto muito, está muito bem. Aliás, ela foi premiada pela peça.  O mais fraquinho é o ator que faz o filho dela.

A peça acabou se mostrando um thriller. Surpresa pela narrativa afora é o que não falta. Não é diversão ligeira, mas há momentos bem divertidos. Se puder, vá ver.

2) Parem de falar mal da rotina (http://www.escolalucinda.com.br/parem/)

Este espetáculo terminou em 9/10 (aaaahhhh! que pena). Terceira vez que vejo a peça (http://mskeller.blog.terra.com.br/2009/11/07/um-bis-para-elisa-lucinda/). Não sou disso: ver filme mais de uma vez, peça idem, ler livro de novo, só quando me faz muito bem, me dá muito prazer.  E esta peça de Elisa Lucinda é isso: puro prazer.  O texto segue a mesma linha de espetáculos anteriores, mas como a peça esteve em cartaz com intervalo médio de dois anos e o tema é muito variado, texto inteligente, além de a atriz/autora incorporar sempre coisas novas, dá para divertir bastante sempre.

Desta vez vi a peça naquela lonjura (para mim) do Teatro Vivo. Lotado! Igualmente, presentes várias pessoas que já haviam visto a peça mais de uma vez.

Elisa Lucinda é uma figura bonita, simpática, inteligente, poética.  Antes de ver a peça pela primeira vez havia visto sua atuação em uma ponta na Globo. Somente no teatro soube que ela é também poetisa, dá cursos aqui e no exterior, workshops (e.g. Da utilidade da poesia).  Ah, e canta muito bem também e escreve livros infantis.

Não sei se encaro uma quarta vez, mesmo que daqui a dois anos, vamos ver. Aproveitei e comprei o livro do espetáculo desta vez, já que não havia feito isso nas vezes passadas.

Um espetáculo solo, que preenche mais de duas horas e meia, com humor da melhor qualidade, poesia, música, beleza, e convida o espectador a refletir no teatro e fora dali.

12

de
outubro

Parábola de um paciente

Parábola, originária do grego parabole, significa narrativa curta ou apólogo, muitas vezes erroneamente definida também como fábula. Sua característica é ser protagonizada por seres humanos e possuir sempre uma razão moral que pode ser tanto implícita como explícita. Ao longo dos tempos vem sendo utilizada para ilustrar lições de ética por vias simbólicas ou indiretas. (Wikipedia)

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Apesar da cirurgia bem sucedida, ELE decidira que não continuaria com aquele médico. Consultório bacana, área nobre, mas tratamento de linha de montagem. Indicações daqui, dali, e escolheu outra clínica. Na primeira vez que passou pela médica bonitona, ela foi toda sorrisos. Receitou os óculos rapidinho. Acreditando que com os óculos tudo ficaria ainda mais bonito, providenciou-os rapidamente.  Decepção! Ao experimentá-los quando prontos, a visão continuava igual, como se não os estivesse usando. O pessoal da ótica, que fazia seus óculos há mais de década, mediu, conferiu, e estava tudo certinho como receitado. Deram algumas informações baseadas em sua larga experiência, e ficou o receitado pelo aviado.

Um mês, dois, três, quatro, e apareceu uma irritação nos olhos. Marcou com a mesma profissional. Aproveitaria para falar dos óculos que não deram resultado.  Chamado, percebeu que a médica simpática da primeira consulta tinha desaparecido e no lugar dela surgira uma mulher impaciente.   Sempre achara que médicos deveriam fazer terapia diária, eles têm transtornos de humor absurdos, e não se dão conta disso.  E doentes somos nós…

Explicou o que estava acontecendo, a médica fez de novo exames e disse que o grau receitado estava certo, mas algo deveria ter acontecido para não estar funcionado mais como o esperado.  Verificou que os olhos estavam mesmo inflamados (poluição, algum agente químico, etc.) e receitou um colírio e exames mais específicos com outro médico da clínica. Só que a tal doutora esqueceu-se de algo que dissera quando receitou os óculos e de que ELE se lembrava perfeitamente: vou passar um grau menor, pois seu astigmatismo vai diminuir com certeza. E essa decisão ela não havia anotado (soube depois, por outro médico), e o grau que acabara de medir e que não estava funcionando era aquele que ela optara por receitar, e não o grau que o equipamento havia indicado na consulta anterior.  ELE ficou em dúvida: menciono isso ou não? Optou por não se desgastar ainda mais, pois jamais,com aquele humor, a médica admitiria o possível problema. Não ia fazer mesmo outros óculos tão rapidamente,além do que, como o pessoal da ótica havia dito, até um ano ou pouco mais o olho operado se acomodaria, então seguramente a visão ficaria melhor ainda, e era exatamente o que estava acontecendo. Isso não fora mencionado nem pelo cirurgião, nem pela doutora de agora.

De todo jeito, decidiu fazer os exames indicados. Afinal, não custa verificar se está tudo em ordem de fato.

Exame mercado, apresenta-se um pouco mais cedo para o processo de dilatação.

Antes de ser chamado pelo médico, chega um casal muito distinto, acima dos 60. A mulher, de uma beleza serena e madura, disse que tinha diabetes. Estava um dia, há cinco anos, corrigindo provas quando ficou sem visão de um momento para o outro. Correu a um pronto-socorro oftalmológico, onde não lhe deram grande atenção. Como sua filha é médica, pressionou o pessoal para ver o que estava acontecendo. Aparentemente o nervo ótico secara devido ao diabetes.  Essa senhora passou por um procedimento cirúrgico que deteve o processo, mas já havia perdido totalmente a vista direita e ficou só com 20% da esquerda.  Dali para a frente, correu para todos os médicos que lhe indicavam. Nem os medalhões entenderam o que havia acontecido. Cura ou retroceder a perda, nenhum médico conseguiu. E eles estavam ali, em sua enésima tentativa de ser ouvidos. Quem sabe o oftalmo da hora tivesse a receita para curá-la.

ELE já havia deprimido um pouco com essa história quando o médico finalmente o chama. Médico pouco gentil, parecia meio apressado. Virou seus olhos de ponta-cabeça, de dentro para fora e vice-versa.  Depois do exame o médico disse que não havia visto nenhum problema. Que precisaria de outros dois exames para certificar-se de que não havia nada mais grave. Um dos exames não era coberto pelo plano de saúde. Mais essa!

ELE perguntou ao médico o que poderia estar causando aquele não enxergar bem mesmo com os óculos. Resposta: não sei, temos de investigar. Pelo meu exame, não vi nada que pudesse indicar algum problema, mas melhor verificar mais profundamente. E o médico disse que ELE comprasse um colírio para aplicar ainda naquela noite (eram quase 18h), pois com o final da dilatação poderia ocorrer algo catastrófico, um tipo de glaucoma. Como assim? Pois é, a doutora anotou uma característica de seus olhos que podem ocasionar isso, então é preciso pingar o tal colírio para eliminar a possibilidade do problema.  ELE disse ao médico que já havia dilatado os olhos quase uma dezena de vezes pela vida, então poderia ter tido o problema das outras vezes?  Resposta: talvez sim.  Como a doutora anotou esta característica, não poderia deixar de receitar o colírio, pois se algo acontecesse seria taxado de negligente.

ELE saiu do consultório com a espada do tal problema sobre a cabeça. Teria de se virar para conseguir o colírio rapidamente. Vai que…

E, sim, chegou a marcar os exames solicitados, afinal melhor verificar mesmo, já que aparentemente ninguém sabia muito de muita coisa.   E tudo isso porque a doutora simpático-antipática, de uma clínica respeitada, em um centro desenvolvido, havia se equivocado ao anotar o grau de seus óculos.

Encontrei-o saindo da farmácia, com o tal colírio, e depois de relatado o caso ELE quis bater uma aposta comigo como todo problema havia sido gerado pelo erro primário de anotações mal feitas.  Eu não aceite apostar. Tive certeza de que perderia.

11

de
outubro

Nada a ver com nada

Assim foram os dois filmes que vi nestes dias.

1) Meu país (http://www.imovision.com.br/meupais/)

Não entendi bem por que o título. Podia ser: minha irmã, meus irmãos, adeus a meu pai, reencontro, agora meu país é um pouco forte para mim.

Trata-se da história de um rapaz que saiu de casa e do país há vários anos. Trabalha e se casa na Itália e após a morte do pai é chamado ao Brasil. A família tem dinheiro, empresa, o irmão mais novo é preguiçoso e irresponsável, mas isso não é o pior. Durante o enterro, uma pessoa apresenta-se a Marcos (Rodrigo Santoro).  A partir daí a vida muda: uma irmã com problemas psicológicos, enclausurada, aparece e se torna um problema para a família.

O filme é bonito, eu diria. A trilha sonora e os cenários são bacanas. Incrível: durante todo o filme não vi um empregado na mansão da família: nem motorista, nem mordomo, nem arrumadeira, nem cozinheira, nadaaaa…incrível! Parece até filme americano!  Aquilo me deu um vazio…

O tema da irmã inesperada e indesejada é tratado de maneira interessante, comovente, sem pieguice. Muito da beleza, da medida certa, deve-se a Débora Falabella. Quando eu via novelas, gostava muito das participações da atriz.  No filme ela está em grande forma. Mesmo com mais de 30 convence na pele de uma moça no início dos 20.  Quanto aos irmãos: Cauã Raymond, tão bonitinho, tão simpatiquinho, mas fraquinho.  E Rodrigo Santoro, de quem gosto bastante, acho um rapaz cabeça, está igualmente insosso.  Faltam rugas a seu personagem. Pode vir a crise que for e dá a impressão de que ele aplicou botox: nada se mexe, nem um músculo, nem um tremorzinho de lábios. Pelo menos ele chora, verte umas lágrimas, mas é muito pouco. Se a intenção era passar a imagem de um homem duro, refratário a dores, a sentimentalismo, mas que se abranda por amor, não deu muito certo.  My humble opinion, of course.

O filme conta com pouquíssimos personagens, e da mesma forma que 180 graus (http://mskeller.blog.terra.com.br/2011/09/21/de-mentiras/) isso não cansa ou torna o filme pior. O pessoal por aqui faz filmes bem razoáveis com pouquíssima gente em cena sem comprometer o resultado. Interessante. Isso tem o lado bom (criatividade, produtividade), mas tem o lado ruim, i.e., não cria profissionais da área, não dá chance aos que estão no mercado, restringe as opções quanto a profissionais.

Bem, acho que o filme é pungente, é o retrato de tantas famílias, de tantas relações, muito próximo de todos nós. O trabalho de DFalabella vale ser visto, admirado.

2) Casamento a três (http://www.alfamafilms.com/index.php?rub=productions&idProjet=Le-mariage-a-trois)

Eu gosto de filme francês, vocês sabem, mas às vezes a coisa fica difícil.  O começo de Le mariage à trois foi lento, confuso, muito, mas muito longe mesmo de qualquer referencial que eu tenha de relações humanas. Mas lá pelos 20 minutos a coisa melhorou um pouco e aí foi.  Da mesma forma que Meu País, este filme é feito com pouquíssimos personagens. Em cena apenas 5 o tempo todo. Comportamentos bem confusos, até doentios eu diria, mesmo assim o jogo, o vaivém, os diálogos afiados acabam dando vida à trama, ou pseudotrama. O que existem são personagens, suas fraquezas, suas paixões, e por aí vai. Um filme bem erotizado também.

Ah, e é incrível como o filme é silencioso. Trilha micro.  Os cenários são bonitos (um casarão bacana no campo, muito verde, muito som de passarinho).

A filhe de Depardieu, muito bonita e com traços identificáveis do pai, começa meio sem graça, mas vai se firmando.  Os outros atores estão bem também, até Louis Garrel, de quem não gosto muito. E interessante:o filme me lembra algum texto que li, ou algum filme que já vi, e não me lembro qual.  Será Calígula?

Resumindo: um filme interessante, mas lento, e precisa estar in the mood para ir até o fim.

8

de
outubro

Arte imitando a vida

Os quatro filmes que vi nesta semana, mesmo com temas tão variados, ratificaram isso para mim.

1) Medianeras (http://www.imdb.com/title/tt1235841/)

Disse e repito, los hermanos sabem fazer filme. E muitas vezes, do nada ou quase nada.  Medianeras trata do encontro de duas pessoas que vivem em Buenos Aires, perdidas na metrópole.  Um rapaz que trabalha com internet, sites; uma moça que é arquiteta e ganha a vida com decoração de vitrines.  Dois solitários, que tiveram seus amores, que têm seus problemas (Martín, o ótimo Javier Drolas, teve síndrome do pânico).  Vão vivendo, sobrevivendo, até que um dia, depois de se esbarrarem muito, se enxergam.

Interessante a review que está no IMDB (link acima). O filme não tem ápices, não tem clímax, ele é bastante linear, mas nem por isso menos interessante: textos lindíssimos, narrados pelas personagens principais (Mariana e Martín), uma visão interessante de Buenos Aires (sempre linda), música ótima, humor na medida (os blind dates são hilários).

O filme tem, na verdade, três personagens: Mariana, Martín e a solidão, esta a protagonista.  Mesmo com tão pouca variação de tipos não aborrece absolutamente.

Filme bonito, simpático, leve, mesmo tratando de um tema denso. Trilha sonora ótima. Vale ver.

Ah, e como a mulherada fuma…deu até aflição ao vê-las acender um cigarro depois do outro.

Aqui uma crítica sobre o filme e uma entrevista com o diretor:

http://guia.folha.com.br/cinema/973114-medianeras-mostra-solidao-do-delivery-e-do-sms-diz-diretor.shtml

2) Amizade Colorida (Friends with Benefits - http://www.imdb.com/title/tt1632708/)

Escolhi meio ao acaso. Gosto bastante da Mila Kunis, sobretudo depois que ela foi para a tela grande, i.e., desvinculou-se dos seriados. Justin Timberlake, que aparentemente “vi” mais como dublador, também está ótimo no filme.

É uma história mais que água com açúcar: headhunter, new yorker, que acaba se envolvendo com o supergênio que ajuda a contratar.  O envolvimento é divertido, e até acho que para o bem da humanidade as relações deveriam ser, na medida do possível, como a de Dylan e Jamie: sem maiores compromissos além do sacramento da amizade.  Afinal o mundo já está superpopulado, então não há necessidade de complicar, comprometer-se demais, essas coisas.   Tudo muito bom, tudo muito bem, mas a vida, ou melhor, o ser humano não é assim.  Está no dna: ele é gregário (adj. diz-se dos animais que vivem em bandos ou em grupos.Que é próprio das multidões: ilusão gregária. Instinto gregário, tendência que leva os homens ou os animais a se juntarem, perdendo, momentaneamente, suas características individuais) e ponto. Ou seja, nem preciso dizer que a fórmula perfeita encontrada pelo casal no início não vai funcionar.  Obviamente, a gente sabe disso desde o primeiro minuto, mesmo assim o filme diverte, encanta.  No meio da trama ainda há um pai (de Dylan) com uma doença degenerativa, que emociona  e é pedagógico- o mundo está envelhecendo e a cada dia aumenta a ocorrência desse tipo de problema. Hoje é parte da paisagem.

Tilha sonora simpática.

Enfim, um filme para ver a qualquer hora. Diversão garantida.

3) O dia em que eu não nasci (Das lied in mir - http://www.imdb.com/title/tt1398029/) (http://www.dasliedinmir.de/)

Haja paciência: um filme que trata da Argentina e tem um título desses. Precisa dizer mais?  Já cantaram a bola, os conflitos, etc.  Em alemão o título é (aproximado) A canção em mim.  Claro que também dá para intuir a questão, sobretudo após as cenas iniciais, mas não é um negócio tão  dããã quanto o título nacional. Enfim…

A produção é germano-argentina, mas o resultado é germânico 80%. Não fosse por algumas personagens argentinas, a mudança de tom quando aparecem, por ser rodado basicamente em Buenos Aires, ouvir-se espanhol., é um filme alemão.  O tema é bem interessante: uma moça que reencontra seu passado. Vai pouco a pouco, com muita disciplina e à custa de sofrimento e reviravoltas internas, recuperando uma vida perdida, a verdade sobre si, sua família.

Achei interessante porque, até onde me lembre, nunca vi nenhum filme ou li algum livro que trata-se dessa empreitada: um adulto (filho) que ignorasse seu passado de criança raptada durante o regime militar, vindo a descobri-lo e, a partir daí, ir atrás de suas origens.   A aceitação da família argentina, a emoção do reencontro, a insegurança e dificuldade de compreensão de Maria (Jessica Schwarz) são comoventes e perturbadores.  Reinventar a própria vida é barra, principalmente nas circunstâncias discutidas pelo filme.

Um aspecto interessante é a indecisão sobre o que fazer: a família argentina quer que o suposto “algoz” (pai adotivo) seja punido, mas a vítima (Maria) não está tão certa de que esse seja o caminho. E o “algoz” não vê suas ações com o mesmo rigor. Afinal, a situação durante a ditadura era caótica, exigia ações urgentes, e tantos anos haviam se passado…Terrível a oscilação entre ódio e amor por que passa a personagem principal, à qual se agrega a necessidade de decidir sobre o futuro de seu pai e seu próprio porvir.

Realmente, um filme muito interessante, bonito, denso, mas bem pesado.  Ao final, só resta um sentimento de muita tristeza por todos.  Todos os atores estão bastante bem e acho que nunca vi nenhum deles na telona anteriormente.

4) Trabalhar cansa (http://www.imdb.com/title/tt1686328/)

Dúvida: Meu país ou Trabalhar cansa?  Pensei assim: depois de O dia em que eu não nasci, melhor um filme um pouco mais leve.  Ledo engano…Trabalhar cansa tem história/roteiro ótimos, atores na medida para seus personagens, mas que não levanta voo.  Não sou técnica, mas me parece que com direção mais competente poderia ser um arrasa-quarteirão. Tem tudo para isso: um enredo interessante, intrigas, mistério, e um desfecho inusitado, mas carece de alguma coisa e não atinge todo seu potencial.

Apesar da simplicidade cenográfica, de figurino, musical, não é uma produção mambembe. É só aquela história do podia ter sido, mas não foi.

O filme trata da vida de um casal que passa pela perda do emprego do marido, pelos percalços do novo negócio da mulher, por uma empregada dos sonhos, pela visita da mãe/sogra, e por aí vai. Parece tudo bem comum, mas os atores, principalmente Helena Albergaria (que nunca vi em outra produção) com seu olhar esgazeado, perdido, inseguro, conseguem inquietar o espectador. A gente não sabe muito bem o que virá em seguida.

O mistério resolvido no final e a cena do marido num workshop são bem interessantes. Já viu tudo que queria, pode ver este aqui também.

7

de
outubro

Insights de um cidadão - VIII

  1. Esqueci de mencionar no post de 5/10 (http://mskeller.blog.terra.com.br/2011/10/05/burocracia-faz-parte/), mas andar pelo centro da cidade deu uma tristeza imensa.  Tudo muito abandonado, sujo, calçadas e calçadões num estado lamentável.  Nunca tinha visto tanta gente pela rua em dia claro, dia de semana.   Gente suja, drogada, bêbada, ali, à vista. Antes pelo menos eles se acanhavam e só surgiam para se aboletar pelas calçadas no final do dia, à noitinha. Hoje, há muitos  por todos os lados.  E o cheiro?  Coitada da cidade.  Fui da Praça Alfredo Issa até a Rua Marconi, e cadê as lixeiras?  Se tinha uma ou outra daquelas plásticas, pequenas, porcaria total, foi muito.  E aí querem que as pessoas não joguem lixo na rua, que se eduquem.  Isso sim seria um milagre brasileiro! Judieira total.  A cidade não merecia tanto descaso. Obrigada, Kassabinho!
  2. De novo o metrô, Linha Amarela:  uma maravilha as novas estações República e Luz, dez minutos da estação Faria Lima à República, e quinze máximo até a Luz, sem troca de trem, sem passar pelo calvário da Sé.  Só queria saber quem projetou as estações, os acessos e saídas, sobretudo da estação Paulista.  Não há momento em que não haja confusão, lentidão, gente se batendo (quem quer sair da estação cruza em X com quem vai embarcar).  E faixa para deficientes visuais? Se um deficiente precisar utilizá-la, ele só pode ir para um dos lados, ou irá enfrentar sozinho uma massa humana enfurecida, i.e., em vez de fazerem duas, sendo uma em cada lateral dos corredores, fizeram uma no meio. Bacana, né? Deviam fazer os projetistas dessa maravilha andar por ali de olhos fechados para ver se eles sobrevivem.  Como eu já disse, pior sem ele, mas que a gente merecia coisa melhor depois de tanto atraso na entrega das novas linhas, ah, isso merecia. Outra coisa: não há dia em que uma das escadas ou das esteiras não esteja fora de funcionamento.  Todo esse tempo de testes não deu para acertar esse tipo de coisa?  E a bendita linha não abre de domingo nem em horário reduzido, e tanta gente poderia utilizar a linha para acesso a lazer…why, why, why? Além disso, os anúncios pelos alto-falantes não são bem audíveis, os seguranças têm de ficar gritando ordens para segurar a turba, aumentando assim a bagunça. Bottom-line: o pessoal é incompetente demais por aqui ou se o projeto veio de fora, aceita-se qualquer coisa, justamente porque não se sabe fazer. E as autoridades? Mais incompetentes ainda, além de covardes, pois não intervêm, não exigem uma solução, vão deixando a coisa correr solta, e o usuário, o cidadão que se dane.
  3. Novamente tentei comprar entradas no Municipal para um espetáculo de novembro.  Como é um espetáculo internacional (a trupe vem de fora), de novo não estão vendendo ainda e nem sabem informar quando venderão. Bacana isso, né? Isso é que é competência, planejamento, respeito ao consumidor/frequentador, coisa de profissionais mesmo.
  4. E last but not least: abaixo os pedestres!  Não me entendam mal, eu sou pedestre, não dirijo há mais de 15 anos e não quero saber dessa atividade nunca mais.  A possibilidade de ir e vir com meus próprios pés anima-me, envaidece, orgulha.  Portanto, sou isenta para tratar do assunto.  Como tantos pedestres, e antes da lei que obriga motoristas a respeitar faixas ou serão multados, eu também calculava, atravessava mesmo quando o farol não estava aberto para mim, arriscava-me, e por aí vai.  Com a nova lei que foi muito mal trabalhada pela Prefeitura, pois focou só o motorista, o que tenho visto pedestres fazerem é de dar raiva. Hoje mesmo, na esquina da Campinas com a Paulista, vi montes de pedestres em apenas alguns minutos atravessando quando o farol estava vermelho para eles, obrigando carros a brecar, diminuir a velocidade, o que poderia, naquela esquina, até causar um acidente, já que a coisa não tem de funcionar assim.  Alguns até desacataram os motoristas.  Um negócio de louco e de dar vergonha. Eu ali, esperava meus dois minutos (isso, não 20, 200, 2000, só 2), e atravessava tranquilamente. E sabem o que isso provocou em minha vida, além da segurança da travessia? Nada! Não perdi nada, não melhorei ou piorei minha vida. Que coisa, né?  Aliás, até inspirei, expirei, inspirei, expirei tranquilamente. E tenho visto isso diariamente: pedestres que não esperam o sinal ficar verde para eles para que possam atravessar em segurança.  Eu ando muito, então tenho visto comportamentos absurdos. Sabe o quê?  Estou quase torcendo para os inimigos, i.e., motoristas.  Já passou da hora de a Prefeitura fazer uma campanha esclarecedora para os pedestres, pois o mais forte ainda está atrás do volante e pedestre não nasceu em  Krypton. Então, melhor corrigir a rota o quanto antes. Só para terminar este tema, gostaria de contar algo que guardei bem:dois homens, com uniforme de tênis, suas raquetes, etc., atravessaram uma das travessas da Paulista indevidamente, rapidamente, obrigando um motorista a brecar fortemente. E eu lá, esperando meus minutinhos. Verde para mim, atravesso, e quem encontro no caminho, flanando pela calçada, conversando tranquilamente, aliás até ultrapassei?  Os dois que estavam com tanta pressa que poderiam ter ocasionado um acidente, ou até ter se ferido, perdido a vida, ou acabado com a vida de um motorista mais distraído. Claro que a Prefeitura foi incompetente na campanha, nas ações (antes de aprovar a lei deveriam ter feito uma varredura e colocar sinais para pedestres em pontos vitais - e.g., em um dos locais de travessia, em frente ao Hospital Osvaldo Cruz, não sinal para pedestre. Eu sei porque estive lá hoje e tive de ter coragem para atravessar -, regular tempos dos semáforos, e por aí vei, mas a vida é do pedestre, ele é o grande interessado em não se colocar em risco desnecessariamente.  Tomara que a ficha caia o quanto antes.

5

de
outubro

Burocracia faz parte

Todo mundo que vive em alguma sociedade organizada, mesmo que só um pouquinho organizada, acaba percorrendo, em um momento ou outro da vida, meandros burocráticos (nossa, ficou lindo isso!).

Estava eu quietinha, cuidando muito, mas muito bem mesmo de meu rg, e alguma mente criativa, inquieta, achou que eu deveria tirar um novo. Meu rg foi emitido em 1970, isso, há 41 anos. Mas está como novo, perfeitinho, já que só saio com cópia autenticada dele por aí.  Outro ponto importante: não mudei nada nesses anos todos (uiaaa, não via a hora de escrever isto!). Verdade que minha assinatura no documento é de uma pessoa de 15 anos, mas nunca tive problema quanto a isso (assinatura antiga x nova).  Consegui tirar meu passaporte em final de 2006 com esse rg, mas já haviam me prevenido que eu deveria tirar outro ou teria problema no futuro.  Para não criar celeuma, perder tempo, e poder renovar meu passaporte em paz, resolvi tirar uma cédula de identidade nova que, espero, vá durar outros 40 anos…Pena que ainda não estão emitindo aquela inteligente, com chip, ou código de barra.  Acho que essa não vou ter nunca, não, infelizmente.

Ensaiei, ensaiei, ensaiei, e resolvi ir à luta, ou ao Poupatempo.  Na internet (http://www.poupatempo.sp.gov.br/perguntas/index.asp) está tudo bem explicadinho. O atendimento desde a marcação foi ótimo.  Rapidinho.  Marquei para dia 30 às 11h. Pediram para chegar lá 15 minutos antes. Ah, sim, marquei no Poupatempo da Luz, ali na Praça Alfredo Issa.  Achei que seria melhor, pois é menor que a Sé, menos gente. E realmente é mais organizado, mais amplo, arejado, iluminado, e perto do metrô Luz (a Linha Amarela rolls! Ainda bem!).  Cheguei 10h40, saí 11h11. Isso!  E só demorou tanto porque tive de tirar as impressões digitais três vezes. Ainda temos aquele sistema pré-histórico de molhar os dedos em tinta e “limpá-los” num papel. Eu tenho dedos calorentos, que suam um pouco, então borram a impressão. Não dava para colocar umas máquinas modernas, tipo infravermelho ou algo parecido? Já pensou quanto tempo e papel seria economizado?

Apesar de o posto da Luz não ser tão movimentado como a Sé, tinha bastante gente , mas sem bagunça.  Fiz meu cadastro, tirei as impressões digitais, paguei a taxa de perto de R$ 30, e marcaram meu retorno para hoje.  E não é que minha nova identidade estava prontinha? Num plástico protetor e tudo?  E havia milhares a serem entregues no setor de entrega de documentos. Nossa! Será que o pessoal esquece ou o quê?  Enfim, o processo todo foi eficiente, rápido, sem dor.  Muito melhor do que eu esperava. Agora é partir para a sessão tortura do passaporte.  Tenho ouvido horrores. Vamos ver no que dá.

Depois de retirar o rg no Poupatempo, fui buscar um documento num cartório de notas, ali na Marconi.  Cartório é um negócio mais que pré-histórico. A gente sente no ar aquela coisa de “funcionalismo público” (embora seja privado) da pior qualidade e caro.  Sorte que cheguei 11h50, pois o (sim, O) funcionário que entrega os documentos solicitados almoça de 12 às 13h. Até aí, mais que justo, mas não dava para o cartório pensar nos clientes, cidadãos, trabalhadores, e colocar alguém para atender durante o almoço?   Afinal, é o horário que muita gente tem para pedir ou buscar um documento no cartório.  Infelizmente, acho que isso nunca vai mudar por aqui. É coisa pré-estabelecida há muito tempo, quem pegou essa boquinha não quer largar, tem público e ganho cativo, então já viu, né?

Bem, de todo jeito saí dali rapidinho.  Aproveitei e fui almoçar no restaurante do Teatro Municipal (http://ww2.prefeitura.sp.gov.br/albumdefotos/teatromunicipal/album001/asp/album_tm047.asp).  Já havia tomado uns cafés por ali (durante uma visita e durante espetáculos).  O restaurante tem projeto dos irmãos Campana, até o mobiliário é design deles.  Tudo muito bonito.  Cheguei umas 12h15.  Ainda bem, pois após 12h30 tem de amargar longa espera, mesmo o salão sendo muito grande. É self-service. Não há muita variedade, mas variedade suficiente e de excelente qualidade. O bufê sai por R$ 40.  A sobremesa é à parte. Comi uma taça de iogurte batido com calda de frutas vermelhas e de maracujá intercaladas ótima. O atendimento também é atenciosíssimo (milagre nos tempos de hoje…).  Só o café achei caríssimo: R$ 5.  O público também é bem diferenciado: engravatados que trabalham pela região, moças bem vestidas, muita gente de mais idade, e eu…A única coisa é o barulho do próprio salão, por conta do pé-direito e de o local não estar preparado acusticamente. Além disso, as janelas abertas permitem que o ruído da rua, que não é pouco, invada a sala. Colocando na balança, valeu muito conhecer. E dá para voltar.

1

de
outubro

Eu não sou do contra…talvez só um pouquinho

Eu tento, tento mesmo. Meus escritos por aqui são a prova de que eu já vi alguns filmes nacionais bons (e.g.http://mskeller.blog.terra.com.br/2011/09/21/de-mentiras/) e um monte de ruins (e.g. http://mskeller.blog.terra.com.br/2010/09/22/vade-retro/).  Eu gostaria muito que o cinema nacional, despertado há umas três décadas tão-somente da inexistência, florescesse, tivesse muito sucesso e reconhecimento, crescesse em qualidade. Vem uma ondinha, uma produção um pouco melhor, e em seguida um monte de produções mambembes.  Pois é, esse adjetivo surgiu para mim nesta semana. Mambembe!   E não é questão de ser produção hollywoodiana, i.e., cenários, locações, tecnologia, figurinos, mas de produções que respeitem minimamente a inteligência e o gosto do espectador. Tudo bem, tudo bem: somos um país de analfabetos, em que a educação formal está falida (não sou eu que digo, está em todos os jornais, tvs, rádios, todos os dias); o povo é ignorante em sua maioria; temos miséria e não só pobreza. Então…por isso mesmo, a responsabilidade social, cultural e educacional da tv, cinema, teatro e literatura nacionais é ainda mais crucial  Há momentos em que penso: quem fez esse filme (atores, diretor, produtor, etc.) não tem vergonha, não? Acho que não mesmo.  E lendo matérias como esta (http://colunistas.ig.com.br/monadorf/2011/09/30/familia-vende-tudo-novo-filme-de-alain-fresnot-e-pura-diversao/) é que acho que sou do contra.

Fui ver Família vende tudo (http://cinema10.com.br/filme/familia-vende-tudo). Atores de que gosto muito: Vera Holtz, Lima Duarte, Caco Ciocler. Até gosto de Luana Piovani, de Ailton Graça. Mas há outros bem fraquinhos. Tudo bem, até ganharam prêmio por aí, mas pelamor…

É a história de uma família pobrinha, que vive numa comunidade pobrinha. Ninguém tem trabalho seguro, fazem biscates, que nem sempre dão certo.  Emprestam dinheiro de um chefão da área para comprar produtos no Paraguai e trazer para vender no Brasil. Perdem tudo numa blitz da polícia. A banca de camelô trabalhada pelo filho (Webster), é apreendida pela prefeitura. Numa conversa “familiar” encontram a saída para o sufoco: a filha Lindinha (uma menina bonita mesmo) teria de procurar alguém com dinheiro para engravidar e poder tirar dinheiro do incauto. E quem é essa vítima? O garanhão Ivan Carlos (Caco Ciocler). Um homem metido a garanhão, de uma credulidade atroz.  Ele é casado com Luana Piovani.

Lindinha aproxima-se dele após um show, com o suporte técnico de toda a família; faz sexo com ele e a partir daí o imbroglio vai de vento em popa. Mas é uma história tão rasinha, que até irrita.  Há momentos divertidos sobretudo por conta das atuações dos grandes atores presentes, e só.  Ah, sim, a trilha sonora ajuda a divertir tal a bizarrice das letras, das músicas, das performances bailadas. In short: dá para ingolir, é só.  Por incrível que pareça, o que achei mais bacana foi a apresentação da equipe no final (não conto para não estragar um dos melhores momentos da produção).  Pois é, aí a gente assiste a Um Conto Chinês (http://mskeller.blog.terra.com.br/2011/09/05/uma-festa/) que trata igualmente de coisas simples, sem grande fotografia, sem grandes cenários, mas com uma história magnificamente trabalhada e se dá conta de quão mambembes ainda somos nós.  Oooh, dóóóó!

A única coisa positiva mesmo do filme (e não me diga que isso estava nos planos do diretor, que não estava, não) foi pensar que as pessoas retratadas no filme, suas vidas, seus comportamentos, sua visão de mundo, de sociedade, do outro, são os mesmos da grande massa com que cruzo no metrô, que está na indústria de serviços, que está no ônibus a meu lado. O cidadão médio comum é aquilo.  Analisando um pouco mais, não dá para achar graça, só para se perguntar: quem é essa gente? Gente que vejo todos os dias, ignoro, dou por inexistentes, mas que estão ali, são a grande realidade do país.  Voltando para casa, prestei atenção à conversa de dois rapazes (um de 20 e outro de 22 - eles é que se disseram as idades): conhecidos do mesmo bairro, simpáticos, falantes. Nunca ouvi tanto “meo”, “da hora”, tantas frases truncadas às quais só um leitor de mentes poderia dar algum sentido, mas que eles entendiam perfeitamente. E como eles os tantos conhecidos que mencionaram devem ter essa capacidade.  Que coisa, eles são a realidade, eu não!

Mas nem tudo estava perdido: fui ver Conversando com mamãe (http://vejasp.abril.com.br/teatro/conversando-com-mamae) (http://www.estadao.com.br/noticias/arteelazer,conversando-com-mamae-retrata-amor-de-mae-e-filho,767576,0.htm), no Teatro Folha.

O Teatro Folha, como já mencionei, é ruinzinho mesmo.  Desta vez comprei no piso superior/lateral pelo custo.  Nunca havia visto uma peça dali. Só mesmo na primeira fileira ou nas 3 últimas, fora isso, impossível ver todo o palco das laterais superiores. E mais: quem foi o descerebrado que colocou aquelas grades àquela altura e distância?  Elas ficam exatamente no meio da visão da cena, ou seja, ou você tem de ser um anão ou ter mais de 170cm para conseguir não ver o palco cortado ao meio. Faça-me o favor! Não dava para dar um jeito naquele negócio?

Quanto à peça, muito divertida. Beatriz Segall (maravilhosa, as usual) e Herson Capri estão ótimos. A peça esteve pelo RJ e lá fez muito sucesso. Justificadíssimo! É o mesmo texto que deu origem a um filme em 2004 (não vi por aqui, infelizmente).  O texto de Santiago Carlos Oves é delicado, leve, mas emocionante.

Trata-se de uma conversa, aliás várias, entre um filho quarentão que perdeu seu emprego, e uma mãe amorosa, consciente, com humor, inteligente.  O filho tenta resolver seus problemas vendendo o apartamento em que mora a mãe.  Há os conflitos de praxe: sogra x sogra, sogra x nora, nora x sogra.  Jaime, o filho, não conhece seus próprios filhos; seu relacionamento com a mulher vai muito mal; seu futuro financeiro é sombrio. Mesmo com tantos indícios nefastos, a gente ri muito. O timing é perfeito. No entanto, como mencionei em post de 2009 (http://mskeller.blog.terra.com.br/2009/04/12/coelhinho-da-pascoa-que-trazes-pra-mim-um-otimo-domingo-legal/), BSegall tropeça algumas vezes nas falas, nas reações, mas é coisa micromilésima, e que não atrapalha em nada a performance, mas a gente percebe, pelo menos eu notei (sou do contra ou não sou?). Mas é bom lembrar: ela está com 85 anos.  Quisera eu chegar lá com toda essa memória, postura, elegância, beleza, essa maravilhosidade toda…

Uma peça curta (80 minutos), boa para se ver em qualquer dia, a qualquer hora.  Ah, e prepare-se para as emoções finais. Lindas, lindas, lindas!

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