14
de
outubro
Ainda dá tempo
Pois é, preguiça, desorganização de minha parte, e só agora comento as peças que vi no final de semana. Mas ainda dá tempo de falar de uma boa peça que continua em cartaz.
1) Crônica da Casa Assassinada (http://www.sescsp.org.br/sesc/programa_new/mostra_detalhe.cfm?programacao_id=202003) (http://vejasp.abril.com.br/teatro/a-cronica-da-casa-assassinada)
Esta peça está no SESC Vila Mariana e fica até domingo (16/10).  Texto de Lúcio Cardoso, adaptação de Dib Carneiro Neto e direção de Gabriel Villela.
O programa da peça revela pedagogicamente o que esperar: “A trama da “Crônica da casa assassinada” nos desafia a olhar pelo buraco da fechadura, identificando as atitudes que nos tornam humanos, demasiadamente humanos”. É isso, vá preparado para ver algo Rodriguiano.  Texto pesado, algo chocante em alguns momentos, atuações densas, mas o conjunto é muito bonito.  Começa pelo cenário: um portal lindo dominando a cena. Está tudo ali: glória, queda, tradições escravizantes, moralidade, ilusão, castigo, etc. O figurino também é bacana. Xuxa Lopes, de quem não gosto muito, está muito bem. Aliás, ela foi premiada pela peça.  O mais fraquinho é o ator que faz o filho dela.
A peça acabou se mostrando um thriller. Surpresa pela narrativa afora é o que não falta. Não é diversão ligeira, mas há momentos bem divertidos. Se puder, vá ver.
2) Parem de falar mal da rotina (http://www.escolalucinda.com.br/parem/)
Este espetáculo terminou em 9/10 (aaaahhhh! que pena). Terceira vez que vejo a peça (http://mskeller.blog.terra.com.br/2009/11/07/um-bis-para-elisa-lucinda/). Não sou disso: ver filme mais de uma vez, peça idem, ler livro de novo, só quando me faz muito bem, me dá muito prazer.  E esta peça de Elisa Lucinda é isso: puro prazer.  O texto segue a mesma linha de espetáculos anteriores, mas como a peça esteve em cartaz com intervalo médio de dois anos e o tema é muito variado, texto inteligente, além de a atriz/autora incorporar sempre coisas novas, dá para divertir bastante sempre.
Desta vez vi a peça naquela lonjura (para mim) do Teatro Vivo. Lotado! Igualmente, presentes várias pessoas que já haviam visto a peça mais de uma vez.
Elisa Lucinda é uma figura bonita, simpática, inteligente, poética.  Antes de ver a peça pela primeira vez havia visto sua atuação em uma ponta na Globo. Somente no teatro soube que ela é também poetisa, dá cursos aqui e no exterior, workshops (e.g. Da utilidade da poesia).  Ah, e canta muito bem também e escreve livros infantis.
Não sei se encaro uma quarta vez, mesmo que daqui a dois anos, vamos ver. Aproveitei e comprei o livro do espetáculo desta vez, já que não havia feito isso nas vezes passadas.
Um espetáculo solo, que preenche mais de duas horas e meia, com humor da melhor qualidade, poesia, música, beleza, e convida o espectador a refletir no teatro e fora dali.



