11
de
outubro
Nada a ver com nada
Assim foram os dois filmes que vi nestes dias.
1) Meu paÃs (http://www.imovision.com.br/meupais/)
Não entendi bem por que o tÃtulo. Podia ser: minha irmã, meus irmãos, adeus a meu pai, reencontro, agora meu paÃs é um pouco forte para mim.
Trata-se da história de um rapaz que saiu de casa e do paÃs há vários anos. Trabalha e se casa na Itália e após a morte do pai é chamado ao Brasil. A famÃlia tem dinheiro, empresa, o irmão mais novo é preguiçoso e irresponsável, mas isso não é o pior. Durante o enterro, uma pessoa apresenta-se a Marcos (Rodrigo Santoro).  A partir daà a vida muda: uma irmã com problemas psicológicos, enclausurada, aparece e se torna um problema para a famÃlia.
O filme é bonito, eu diria. A trilha sonora e os cenários são bacanas. IncrÃvel: durante todo o filme não vi um empregado na mansão da famÃlia: nem motorista, nem mordomo, nem arrumadeira, nem cozinheira, nadaaaa…incrÃvel! Parece até filme americano!  Aquilo me deu um vazio…
O tema da irmã inesperada e indesejada é tratado de maneira interessante, comovente, sem pieguice. Muito da beleza, da medida certa, deve-se a Débora Falabella. Quando eu via novelas, gostava muito das participações da atriz.  No filme ela está em grande forma. Mesmo com mais de 30 convence na pele de uma moça no inÃcio dos 20.  Quanto aos irmãos: Cauã Raymond, tão bonitinho, tão simpatiquinho, mas fraquinho.  E Rodrigo Santoro, de quem gosto bastante, acho um rapaz cabeça, está igualmente insosso.  Faltam rugas a seu personagem. Pode vir a crise que for e dá a impressão de que ele aplicou botox: nada se mexe, nem um músculo, nem um tremorzinho de lábios. Pelo menos ele chora, verte umas lágrimas, mas é muito pouco. Se a intenção era passar a imagem de um homem duro, refratário a dores, a sentimentalismo, mas que se abranda por amor, não deu muito certo.  My humble opinion, of course.
O filme conta com pouquÃssimos personagens, e da mesma forma que 180 graus (http://mskeller.blog.terra.com.br/2011/09/21/de-mentiras/) isso não cansa ou torna o filme pior. O pessoal por aqui faz filmes bem razoáveis com pouquÃssima gente em cena sem comprometer o resultado. Interessante. Isso tem o lado bom (criatividade, produtividade), mas tem o lado ruim, i.e., não cria profissionais da área, não dá chance aos que estão no mercado, restringe as opções quanto a profissionais.
Bem, acho que o filme é pungente, é o retrato de tantas famÃlias, de tantas relações, muito próximo de todos nós. O trabalho de DFalabella vale ser visto, admirado.
2) Casamento a três (http://www.alfamafilms.com/index.php?rub=productions&idProjet=Le-mariage-a-trois)
Eu gosto de filme francês, vocês sabem, mas à s vezes a coisa fica difÃcil.  O começo de Le mariage à trois foi lento, confuso, muito, mas muito longe mesmo de qualquer referencial que eu tenha de relações humanas. Mas lá pelos 20 minutos a coisa melhorou um pouco e aà foi.  Da mesma forma que Meu PaÃs, este filme é feito com pouquÃssimos personagens. Em cena apenas 5 o tempo todo. Comportamentos bem confusos, até doentios eu diria, mesmo assim o jogo, o vaivém, os diálogos afiados acabam dando vida à trama, ou pseudotrama. O que existem são personagens, suas fraquezas, suas paixões, e por aà vai. Um filme bem erotizado também.
Ah, e é incrÃvel como o filme é silencioso. Trilha micro.  Os cenários são bonitos (um casarão bacana no campo, muito verde, muito som de passarinho).
A filhe de Depardieu, muito bonita e com traços identificáveis do pai, começa meio sem graça, mas vai se firmando.  Os outros atores estão bem também, até Louis Garrel, de quem não gosto muito. E interessante:o filme me lembra algum texto que li, ou algum filme que já vi, e não me lembro qual.  Será CalÃgula?
Resumindo: um filme interessante, mas lento, e precisa estar in the mood para ir até o fim.


