31
de
outubro
Como eu gostaria de poder elogiar
Como relatei no post de 5/10/2011 (http://mskeller.blog.terra.com.br/2011/10/05/burocracia-faz-parte/), tirar minha nova carteira de identidade foi quase um passeio. No entanto, eu já havia ouvido horrores de pessoas que tiveram que renovar seu passaporte recentemente, então a expectativa não era nada boa.
Primeiro, procurei na internet e achei o site da PF. Surpresa! Tudo fácil, bem explicadinho: http://www.dpf.gov.br/servicos/passaporte/requerer-passaporte. Segundo passo: marcar o dia de dar entrada na renovação. Tinha ouvido de várias pessoas que não havia datas próximas, só lá longe, e fora de São Paulo. Tentei primeiramente o endereço mais conveniente: Shopping Eldorado. Horário só em 30/12. Não que eu tivesse pressa, mas 30/12? De repente aparece alguma coisa para fazer, uma viagem e aí toca remarcar. Meio desanimada, antevendo o desastre, procurei outro posto: Shopping Light. Montes de datas! Imediatas ou mais adiante. Escolhi 18/10 - 9h50. Belê!
Dia 18/10 lá estou eu com toda minha documentação. Cheguei por volta de 9h30, já havia fila, e se percebia que era meio bagunçado. Gente que tinha horário às 10h estava na minha frente, 9h40 atrás, enfim, um sambinha do crioulo doido. Apesar de haver duas estações de pré-check para os documentos, só uma estava funcionando. Piorou na área da foto e registro final de dados: umas 8 estações, só duas trabalhando. Aí chega uma terceira funcionária, isso depois das 10h. E a moça pergunta: E fulana não veio? E sicrana? Ou seja, duas funcionárias que deveriam estar ali faltaram. Mesmo assim, OITO estações e quatro funcionários, se todos estivessem ali?
E aí me ocorreu o seguinte: para que gastar tanto dinheiro em equipamentos (e isso a gente vê na PF, nos Correios - sobretudo onde não é franquia, e em todas as outras repartições públicas) se não tem gente para ocupar aquelas estações de trabalho? Vejam que interessante: não é roubo, nem corrupção claramente, mas alguém vendeu todos aqueles equipamentos, mobiliário, etc., sendo que quem comprou sabia que nunca aquilo tudo seria utilizado. Bom negócio e não se pode acusar ninguém de malversação, no máximo de incompetência, falta de visão, etc., mas isso não dá cadeia. Bacana, né? Esse é o caminho…
Voltando: pelo menos lá dentro tinha uns sofazinhos para a gente esperar mais comodamente. Resumo: saí com protocolo para retirar o passaporte em 26/10 (rápido, né?) às 10h30. Não foi um horror, afinal foi uma hora, mas podia ser menos, certo? É o que digo: por que essa gente gosta de fazer o povo sofrer mesmo que com tão pouco tudo poderia funcionar feito um relógio? Ah, e no caso de passaporte utilizam um negócio mais moderninho que para carteira de identidade: leitores de digitais com infravermelho. Isso ajudar a tornar o atendimento bem mais rapidinho.
Ao sair, percebi que a fila dos que iam dar entrada no processo tinha crescido bastante, mas pior, aliás muito pior, estava a fila da retirada de passaporte.
Como continuo um tanto descrente (vejam que motivos não faltam) quanto ao serviço público, dei um tempinho e deixei para pegar o passaporte hoje. A operação “entrega” começa só às 10h. Óbvio, o Brasil começa a trabalhar às 10h, então… Atrasei-me um pouco, ou seja, bobeei. Cheguei lá por volta de 10h30. Umas 30 pessoas na minha frente. E quantos funcionários atendendo? Quantos, quantos, quantos? Um, isso, uma moça apenas. Até que ela foi esperta. Em determinado momento saiu (ou seja, nesse momento era nenhum atendendo), pegou os protocolos dos 30 e tantos que estavam na fila e foi lá dentro pegar os passaportes. Isso, ela e elazinha só para organizar a coisa, pegar os passaportes em armários, conferir tudo e entregar os documentos. Sorte que ela era espertinha senão estaria lá até agora. Conclusão: saí perto de 12h. Uma hora e meia para pegar um documento! Como o passaporte só é entregue após conferência de digital, tem de botar o dedão no infravermelho para ser lido. Sabem, como fazem quando a gente entra nos EUA. Mas aqui a coisa complica. Uma moça que estava na minha frente levou quase cinco minutos. O tal do equipamento não pegava a digital da moça direito. A minha demorou um minuto, pois teve de passar álcool para eliminar parte da gordura natural da pele. Pois é, e tanto quando fiz meu visto americano há 5 anos e ao entrar nos EUA duas vezes nos últimos anos, não dispendi mais que 10 segundos. E pensa que tem alguém para atender os idosos, cadeirantes, deficientes? Nada, com sorte a funcionária percebe que estão por ali e os chama mais rapidamente.
Não dá para colocarem mais funcionários? Eu deixo, eu que estou pagando mesmo. Tudo bem que tem muito bandido por aí para ser investigado pela PF, agora então com Ministérios sendo agregados a coisa fica ainda mais pesada. Mas a gente, arraia-miúda pagadora, merece um tratamento melhorzinho, pelo menos até que se prove o contrário…










