Escrever para viver!

Tudo que der na telha e que eu achar que vale a pena

31

de
outubro

Como eu gostaria de poder elogiar

Como relatei no post de 5/10/2011 (http://mskeller.blog.terra.com.br/2011/10/05/burocracia-faz-parte/), tirar minha nova carteira de identidade foi quase um passeio. No entanto, eu já havia ouvido horrores de pessoas que tiveram que renovar seu passaporte recentemente, então a expectativa não era nada boa.

Primeiro, procurei na internet e achei o site da PF. Surpresa!  Tudo fácil, bem explicadinho: http://www.dpf.gov.br/servicos/passaporte/requerer-passaporte. Segundo passo: marcar o dia de dar entrada na renovação. Tinha ouvido de várias pessoas que não havia datas próximas, só lá longe, e fora de São Paulo. Tentei primeiramente o endereço mais conveniente: Shopping Eldorado. Horário só em 30/12. Não que eu tivesse pressa, mas 30/12?  De repente aparece alguma coisa para fazer, uma viagem e aí toca remarcar.  Meio desanimada, antevendo o desastre, procurei outro posto: Shopping Light. Montes de datas!  Imediatas ou mais adiante. Escolhi 18/10 - 9h50.  Belê!

Dia 18/10 lá estou eu com toda minha documentação. Cheguei por volta de 9h30, já havia fila, e se percebia que era meio bagunçado. Gente que tinha horário às 10h estava na minha frente, 9h40 atrás, enfim, um sambinha do crioulo doido.  Apesar de haver duas estações de pré-check para os documentos, só uma estava funcionando. Piorou na área da foto e registro final de dados: umas 8 estações, só duas trabalhando.  Aí chega uma terceira funcionária, isso depois das 10h. E a moça pergunta: E fulana não veio? E sicrana? Ou seja, duas funcionárias que deveriam estar ali faltaram. Mesmo assim, OITO estações e quatro funcionários, se todos estivessem ali?

E aí me ocorreu o seguinte: para que gastar tanto dinheiro em equipamentos (e isso a gente vê na PF, nos Correios - sobretudo onde não é franquia, e em todas as outras repartições públicas) se não tem gente para ocupar aquelas estações de trabalho?  Vejam que interessante: não é roubo, nem corrupção claramente, mas alguém vendeu todos aqueles equipamentos, mobiliário, etc., sendo que quem comprou sabia que nunca aquilo tudo seria utilizado. Bom negócio e não se pode acusar ninguém de malversação, no máximo de incompetência, falta de visão, etc., mas isso não dá cadeia. Bacana, né? Esse é o caminho…

Voltando: pelo menos lá dentro tinha uns sofazinhos para a gente esperar mais comodamente.  Resumo: saí com protocolo para retirar o passaporte em 26/10 (rápido, né?) às 10h30. Não foi um horror, afinal foi uma hora, mas podia ser menos, certo? É o que digo: por que essa gente gosta de fazer o povo sofrer mesmo que com tão pouco tudo poderia funcionar feito um relógio? Ah, e no caso de passaporte utilizam um negócio mais moderninho que para carteira de identidade: leitores de digitais com infravermelho. Isso ajudar a tornar o atendimento bem mais rapidinho.

Ao sair, percebi que a fila dos que iam dar entrada no processo tinha crescido bastante, mas pior, aliás muito pior, estava a fila da retirada de passaporte.

Como continuo um tanto descrente (vejam que motivos não faltam) quanto ao serviço público, dei um tempinho e deixei para pegar o passaporte hoje.  A operação “entrega” começa só às 10h. Óbvio, o Brasil começa a trabalhar às 10h, então…  Atrasei-me um pouco, ou seja, bobeei.  Cheguei lá por volta de 10h30. Umas 30 pessoas na minha frente.  E quantos funcionários atendendo? Quantos, quantos, quantos? Um, isso, uma moça apenas. Até que ela foi esperta. Em determinado momento saiu (ou seja, nesse momento era nenhum atendendo), pegou os protocolos dos 30 e tantos que estavam na fila e foi lá dentro pegar os passaportes. Isso, ela e elazinha só para organizar a coisa, pegar os passaportes em armários, conferir tudo e entregar os documentos.  Sorte que ela era espertinha senão estaria lá até agora.  Conclusão: saí perto de 12h.  Uma hora e meia para pegar um documento!  Como o passaporte só é entregue após conferência de digital, tem de botar o dedão no infravermelho para ser lido. Sabem, como fazem quando a gente entra nos EUA. Mas aqui a coisa complica.   Uma moça que estava na minha frente levou quase cinco minutos. O tal do equipamento não pegava a digital da moça direito.  A minha demorou um minuto, pois teve de passar álcool para eliminar parte da gordura natural da pele. Pois é, e tanto quando fiz meu visto americano há 5 anos e ao entrar nos EUA duas vezes nos últimos anos, não dispendi mais que 10 segundos.  E pensa que tem alguém para atender os idosos, cadeirantes, deficientes? Nada, com sorte a funcionária percebe que estão por ali e os chama mais rapidamente.

Não dá para colocarem mais funcionários? Eu deixo, eu que estou pagando mesmo.  Tudo bem que tem muito bandido por aí para ser investigado pela PF, agora então com Ministérios sendo agregados a coisa fica ainda mais pesada. Mas a gente, arraia-miúda pagadora, merece um tratamento melhorzinho, pelo menos até que se prove o contrário…

30

de
outubro

Parede + tela + palco

1) Queremos Miles (http://www.sescsp.org.br/sesc/programa_new/busca.cfm?conjunto_id=9054), SESC Pinheiros

Como já mencionei tantas vezes, o SESC monta exposições primorosas. A exposição sobre Miles Davis (http://pt.wikipedia.org/wiki/Miles_Davis) não é diferente. Não sou muito de jazz, blues, e por aí vai, mas não deixo de ver espetáculos, mostras, filmes sobre o tema (http://mskeller.blog.terra.com.br/2011/05/09/que-semaninha/).  Fiquei surpresa com a produtividade desse ícone do jazz, que transitou também por beebop, blues, funk (isso, quem diria!), cool, música eletrônica, “n” instrumentos, não só o famoso trompete. O acervo exposto é imenso: instrumentos personalizados e de uso do músico e de um de seus grupos musicais; fotos, fotos, fotos; partituras com anotações de Miles e companheiros; cartas, bilhetes; quadros pintados pelo músico; roupas; várias gravações que podemos ouvir com ou sem fone de ouvido; projeção de filmes; capas de discos; vários objetos pessoais. Enfim, é preciso ir com tempo para apreciar com calma.

A exposição foi montada seguindo a linha cronológica da vida do artista, mas de uma maneira lúdica, muito interessante, com várias ilhas para os momentos mais marcantes, e.g., seu trabalho com Charlie Parker, Gil Evans, sua passagem pela Prestige, Columbia, a evolução ou movimento para a realização de cada LP, de cada lançamento.

Como tantas pessoas do mesmo quilate, Miles subiu aos céus e desceu ao inferno: talento a qualquer prova; dinheiro; drogas; mulheres; problemas graves de saúde. 65 anos repletos do melhor e do pior.

Interessante saber de sua educação musical refinada desde moleque, principalmente considerando um país envolto em racismo, e de como ele não parava ou se contentava e sempre procurava novas linguagens para se expressar musicalmente. Mais interessante ainda: eu só conheci um Miles mais velho (de uns 50 anos). Cristalizei-o dessa maneira na cabeça. Surpresa ao ver o rapaz negro pimpão, bonito, charmoso, elegante, low profile, em tantas fotos. Justamente depois da depressão, drogas, etc., veio aquela aparência que ficou em minha memória: um homem um tanto folclórico, de roupas chamativas, cabelo esculpido, rosto vincado. Tão diferente do jovem que encantou o mundo lá pelos idos de 1945/50.

Para os aficionados, uma viagem deliciosa. Para quem não conhece ou gosta tanto do gênero musical, uma descoberta!

A mostra vai até janeiro, no 2o. andar do SESC Pinheiros.

2) Um pouco mais perto (A little closer - http://www.imdb.com/title/tt1528309/)

E tome Mostra (http://mskeller.blog.terra.com.br/2011/10/26/ceu-e-terra/)!

3 personagens: mãe, filhos adolescentes (um de 16 e outro de 12).  Cidadezinha americana. Mulher sem marido (pelo filme não dá para saber se ele morreu, evadiu-se, ou o quê). Um filme lento, mas interessante. Produção baratíssima, seguramente.

Mulher de uns 30 que trabalha para sustentar a casa, os filhos. Vê-se que não tem qualificação e faz trabalho braçal. Meninos, sobretudo o mais velho, descobrindo sua sexualidade. O mais novo, dispersivo, com problemas na escola.  O filme começa com uma cena bizarra: um acidente com uma furadeira. No começo parece que é uma família totalmente desestruturada, mas nada disso: gente comunzinha, que enfrenta problemas que muitos enfrentam. Dinheiro curtíssimo. Mas o que dói mesmo é ver a falta de horizonte, o porvir massacrante que se abate sobre todos: a mulher que procura um companheiro e ganha sexo rápido; o menino que tem sua primeira relação sexual com uma amiguinha e, se nada de muito diferente acontecer, vai transar com outras amigas, conhecidas, casar com uma delas, arrumar um trabalho, ter filhos iguais a ele; o mais novo que tem problemas de foco, atenção, é mimado, vai aprontar sempre e ser amparado pela mãe e pelo irmão, afinal não é má pessoa.  Ooooh, vidinha besta!

No entanto, no meio de tudo há, por incrível que possa parecer, carinho, atenção, amor sólidos.  A cena final (aliás, como esses filmes da Mostra gostam de terminar abruptamente, sem mais essa nem aquela…) é isso que transparece: o APESAR DE TUDO…

O filme poderia ser uma tese sobre a vida do americano médio, não aquele de grandes centros, mas aquele que constitui de fato a população e força do país.  Mais esclarecedor, impossível!

3) Eu era tudo pra ela e ela me deixou (http://www.faap.br/teatro/index.htm), no teatro FAAP

Primeiramente uma observação sobre o FAAP. Acho que já comentei como o teatro em si é ruim, desconfortável, mesmo depois de reformado há um tempo.  No entanto, não posso deixar de comentar um aspecto importantíssimo atualmente (acho que não mencionei claramente antes): a venda de ingressos. É o único teatro (fora os alternativos) que conheço que faz a venda de entradas por telefone, no próprio teatro. Não cobram taxa! Isso faz com que os ingressos ali raramente passem dos R$ 50, mesmo com gente que está na mídia em cena. Chega-se ao teatro, está tudo lá, organizado, certinho. E sem taxa! E mais: nos dias de espetáculo, disponibilizam estacionamento gratuito. É limitado, evidentemente, mas gratuito. Ou seja, quem chegar antes estaciona de graça com toda segurança. O teatro, entre plateia e mezanino, deve ter uns 350 lugares, pouco mais ou menos.

Agora a pergunta que não quer calar: se eles podem fazer tudo isso, sem lançar na conta do espectador preços, taxas escorchantes, sobretudo considerando o “plus a mais” do estacionamento, por que os outros teatros não podem? Hein, hein, hein, hein??? Mistério daqueles para os quais sabemos a resposta: incompetência, preguiça de fazer o dever de casa, desejo de lucro fácil, e mais que tudo falta de respeito pela inteligência e bem-estar do público de teatro.  E interessante que nunca vi nenhum movimento da classe teatral, tão cônscia, participativa, informada, sobre o tema.  Com preços justos, realistas, adeus à meia-entrada estudantil. Com essa combinação, todos ganharíamos.

A peça tem Marcelo Médici em uma dezena de papéis e Ricardo Rathsam que está muito bem. Direção de Mira Haar (http://mskeller.blog.terra.com.br/2010/11/15/musica-musica-musica/).

Havia visto Marcelo Médici em Cada um com seus pobrema (http://mskeller.blog.terra.com.br/2009/02/19/cada-um-com-seus-pobrema/). Espetáculo divertido, mas que exigia menos do ator em termos de troca de figurinos, adaptação à personagem. O ator é uma figura simpática, pelo menos foi essa a impressão que me ficou de algumas entrevistas a que assisti. Seu carisma conquista a plateia.

A peça explora algo muito parecido com O Mistério de Irma Vap (http://mskeller.blog.terra.com.br/2009/03/30/o-domingo-prometia-mas-nem-tanto/), com o próprio Médici e Cassio Scapin, a que também assisti.  Uma reedição do ótimo espetáculo encenado por Nanini e Latorraca na década de 80.  Em Irma Vap havia uma centena de trocas de roupas, pois os dois atores representavam meia dúzia de personagens cada um, ou pouco mais.  E essa é a fórmula de Eu era tudo pra ela.  Médici, que aprendeu direitinho o ofício, transita por uma dúzia de personagens, homens e mulheres, e faz trocas de figurinos em segundos. Claro que só trocar a roupa não é tudo. Ele encarna mesmo a nova personagem como mágica.  O espetáculo é divertido, todo personagem agrega um riso à peça. E na mesma linha de Irma Vap há uma história com sequência tresloucada e envolta em mistério crescente.

Interessantíssimo o cenário de Marco Lima!  Tudo se passa ali, diante dos olhos da plateia. Uma casa que se transforma em várias; áreas externas que se transformam em internas; tudo manipulado por um dos atores, sem esforço, em segundos. Super bem bolado!  A iluminação também faz a diferença. E palmas para quem idealizou e para quem confeccionou o figurino: funciona feito relógio.

Um espetáculo levinho, cumpre o prometido, i.e., fazer o espectador rir (uns mais, outros menos), e não é dos mais caros. Quer diversão descompromissada e de bom nível? Vale ver.

28

de
outubro

Decadence avec elegance (http://letras.terra.com.br/lobao/446178/)

No caso o mais correto seria SANS (SEM).  Esqueci-me de comentar no post anterior sobre a plateiaprincipalmente no início do espetáculo de ontem, quando há uns 20/30 minutos de dança no silêncio.  Lembrei-me imediatamente da peça Sete Minutos de Antonio Fagundes, lá pelo início da década passada (2002/2003) (http://www.bibi-piaf.com/sete_minutos.htm). Na peça, o ator/autor discorria sobre sua relação com a plateia. Falava dos atrasos, dos ruídos, da tosse, dos pés apoiados sobre o palco, etc., etc.  E olha que nem havia a disseminação atual do celular, hein! Pois é, ator às vezes tem de ter mesmo nervos de aço.  Lembrei-me de um fato emblemático: fui ver Otelo (http://www1.folha.uol.com.br/folha/ilustrada/ult90u359070.shtml) há uns anos com Diogo Vilela no teatro da Fecomércio, ali atrás do MASP.  Imaginem, Otelo…e não é que uma perua na fileira da frente não desligou o celular e aquilo começou a tocar. E nada de ela desligar.  Alguém ligava, tocava, tocava e tentava de novo, e tentava de novo, e nada.  Até que uma amiga acabou se enfezando e disse a ela para desligar ou sair.  Imagino que a debilóide não sabia como desligar o aparelho.  Já pensou? Você no palco, com texto dificílimo, longo, e uma criatura como essa na sua plateia?

E ontem não teve celular, mas teve de tudo: muita, mas muita tosse. Sei que o ar-condicionado acaba favorecendo isso, daí as famosas balinhas distribuídas antes do concerto na Sala SP (eram distribuídas pelo menos, hoje não sei como está). Mas a considerar pela tosse generalizada só me resta uma conclusão: este povo está doente! E as pessoas que bebem sua aguinha com goladas ruidosas, as moças que mexem em suas bolsas (havia duas atrás de mim) achando que aqueles ruídos não serão ouvidos por ninguém sobre a face da Terra. E os que, com aquele silêncio, respiração suspensa de todos, insistem em comentar alguma coisa? Agora o mais divertido foi o seguinte: uma moça, com um super black power sentou na fileira da frente. Sorte que a plateia desse teatro é bem inclinada. Que me desculpe a maravilhosa Elisa Lucinda (http://mskeller.blog.terra.com.br/2011/10/14/ainda-da-tempo/), que diz que não existe cabelo ruim, e mostra as mil e uma utilidades e graças do cabelo crespo, “armado”, em seu espetáculo, mas o cabelo daquela moça era comparável a um capacete de motociclista, ou um chapéu coco.  Alguém iria com esses acessórios ao teatro? Pois é, não é porque é cabelo que não atrapalha.  Uma tiara, uma fita, um lenço, quem sabe, hein? Felizmente a moça não era alta e foi embora em dado momento do espetáculo. E o sem-número de bocejos em alto e bom som?  Somos bárbaros mesmo…

Hoje vi mais uma demonstração de nosso despreparo como público.  Aliás, por mais que eu reconheça que quem sustenta muitos espetáculos é o público de mais idade, não sei se há um problema de audição generalizado, mas é duro aguentar as velhinhas, sobretudo elas, falando alto no cinema, no teatro.

Fui renovar minha carteira do SESC e vi que haveria uma sessão da peça Os amigos do amigos (http://www.sescsp.org.br/sesc/programa_new/mostra_detalhe.cfm?programacao_id=201668http://vejasp.abril.com.br/teatro/os-amigos-dos-amigos), baseada em texto de Henry James (http://pt.wikipedia.org/wiki/Henry_James), às 15h30.  O SESC em geral faz isso: há uma sessão numa quinta, numa sexta nesse horário, de alguma peça, para o pessoal de mais idade. O preço também é mais camarada. Como queria ver a peça, que termina amanhã, e não tinha tido a oportunidade, comprei meu ingresso (essas sessões são tranquilas, em geral / http://mskeller.blog.terra.com.br/2011/08/26/miscelanea-total-ii/) . O teatro não estava cheio, longe disso. Talvez 50% da lotação. E é o teatro pequeno daquele SESC, aproximadamente uns 100 lugares.  Eu e mais um rapaz éramos os caçulas.  E como conversam as senhorinhas. Muitos psius! depois elas se calaram.  Mas não foi fácil.

A peça é muito interessante. Além do texto elegante, as duas atrizes em cena revezam-se em três papéis, sem sair do palco, sem trocar de roupa, apenas com alternância de expressão facial, corporal, e sobretudo vocal.

É a história de um homem e uma mulher que, apesar de tentativas por anos, não se encontram. E aparentemente têm muito em comum. Há um certo mistério, suspense em dados momentos. O desfecho é contido, triste e um tanto inesperado.  O cenário e a trilha agregam bastante.

Ainda bem que pude ver o espetáculo. Só tem sessão hoje à noite e amanhã.

28

de
outubro

Gritos e sussuros

GRITOS

Bem, também não é tudo isso. É mais um “soltar a voz” mesmo.

Terça-feira light e recebo torpedo de um amigo: tenho ingressos para a ópera Il Guarany, quer ir comigo?

Aqueles que acompanham meus posts sabem que sou um pessoa contida, quietinha, caseira, desentusiasmada…portanto, minha resposta imediata foi: YYYEEESSSS!

A ópera estreava no Teatro São Pedro (http://www.apaacultural.org.br/saopedro/), hoje totalmente reformado, porém inserido numa área barra pesadíssima. E põe pesada nisso. Estou acostumada a andar por aí (centro da cidade de dia e de noite - pós-Municipal; entorno da Sala S. Paulo, Pinacoteca, e por aí vai), mas aquilo ali é algo inimaginável.  Verdadeira miséria humana.  Caminhei da República até o teatro, na R. Barra Funda. Se for de metrô, desça na Mal. Deodoro, aí é bem perto, mas não menos feio e decadente. Fui a pé, para acompanhar meu amigo.  Passei por dezenas de pessoas sentadas, se drogando, escapei de umas seringas e agulhas empunhadas por seus usuários já totalmente zuretas, vi uma moça fazendo cocô ali no meio-fio, calças arriadas.  Enfim, excelente região para lembrar quem somos de fato.

Chegando ao teatro (que alívio!), a coisa já é mais amena. Tudo mais tranquilo, limpo, organizado, mas que o poder público deveria estar mais presente na região, sobretudo a polícia, isso não resta dúvida.

Acho que nunca estive naquele teatro. Se estive, foi antigamente demais.  O teatro foi abandonado e recuperado recentemente.  Está bem bonito. Não é muito grande, mas tem uma plateia muito boa (visão ótima), cena até modesta para um teatro de ópera, e balcões que parecem oferecer boa qualidade de visão.  A acústica é muito boa também.

Era estreia para convidados, mas não se justifica não haver um programinha distribuído.  Como não conheço os cantores, imagino que tenha visto Edna d’Oliveira, soprano, no papel de Ceci. Arrasou!  Todos estavam muito bem. Apenas o coro não me agradou no início, mas depois engatou.  Os cenários eram modernos, pragmáticos, e plásticos.  O figurino também estava muito bacana.

Não sou de óperas, mas uma boa ópera, uma boa montagem valem sempre a pena (http://mskeller.blog.terra.com.br/2011/09/21/de-mentiras/). Il Guarany (http://pt.wikipedia.org/wiki/Il_Guarany) surpreendeu. O que eu conhecia de fato eram trechos, sobretudo aquele que toca (ou tocava) no início da Hora do Brasil. Aliás, o menos encantador para mim.  O todo da ópera é muito bonito. O libreto é bacana (o texto é traduzido e projetado em um “legendário” acima do palco).  Para quem leu O Guarani (http://pt.wikipedia.org/wiki/O_Guarani) fica a impressão de estar “relendo” o romance em música. Muito interessante.

Sou do tempo em que se lia obrigatoriamente O Guarani na escola (ginásio) e em que se estudava na universidade. Fiz Letras na USP e em um dos semestres de Literatura Brasileira estudamos a fundo a obra. Em minha cabeça, Peri era o grande o astro, sempre.  Na ópera, a bola da vez é a Ceci: disputada por um monte de pretendentes, tem o maior tempo em cena.  A única coisa que estranhei (sempre digo, tem gente crica, viu!) foi a idade dos cantores que representaram Ceci e Peri. Pelo menos da plateia pareciam bem passados dos 20/25, e sempre entendi da obra de Alencar que as duas personagens eram bem jovens. Vai saber… Gosto de ler ou reler livros que são/foram a base de filmes, peças, para tirar dúvidas, comparar, mas neste caso não vai dar. Por mais que ache importante não teria paciência (acho). Quem sabe um dia…

Foram 3 horas e tanto de espetáculo, mas valeu muito. Lindíssimo, sobretudo pelo talento da direção e do pessoal em cena. A orquestra do teatro também é de qualidade ímpar. Pena que a temporada seja curtíssima.

Tomara que possa ver outras espetáculos por ali, mas da próxima vez vou de metrô mesmo.

SUSSUROS

Nem tanto, está mais para “momentos de silêncio”.

Ontem fui ver a companhia Rosas (http://www.rosas.be/) de Anne Teresa de Keersmaker, belga.

E quem diria, está rolando um barracão entre a companhia e a Beyoncée, pode? Vejam a notícia: http://goo.gl/iRzU9. Considerando a linha de trabalho da companhia, se o clipe da cantora chega pelo menos perto, não há muita dúvida: copiaram mesmo.

O Rosas danst rosas, espetáculo de ontem (hoje novamente é esse, sábado e domingo é outro espetáculo - http://www.sescsp.org.br/sesc/programa_new/busca.cfm?conjunto_id=9064), que está no SESC Pinheiros, ficou mais para mim como uma prova de resistência dos bailarinos e do público.  Muita gente saiu durante o espetáculo, mas imagino que a coreógrafa faça um jogo consciente e saiba que isso vai acontecer.

Não sou muito fã de balé “mudernu”, mas Rosas danst rosas não foi um sacrifício, para minha surpresa.  São apenas 4 bailarinas em cena, que repetem milhares (podem crer, são milhares) de vezes os mesmos movimentos.  O figurino é singelo, o cenário idem.  No início, há um movimento ou trecho sem música.  E os movimentos se repetem à exaustão.  Francamente, admirei. Imaginem movimentos totalmente sincronizados sem música, no silêncio!  Tente fazer o mesmo movimento, e.g. levantar um braço e depois outro, baixar um e outro, algumas dezenas de vezes. Lá pela enésima vez você já vai confundir tudo, garanto.  As moças foram um relógio pelas duas horas de espetáculo.  Eu terminei o espetáculo cansada fisicamente! Depois de saírem do palco só com um massagista, e dos bons, para aquelas moças não terem um colapso muscular.

A trilha sonora reforça a mesmice, a rotina, o mecânico.  O espetáculo é originalmente de 1983, portanto a Sra. De Keersmaeker foi corajosa, viu!

O programa do espetáculo apresenta-o assim: “Em rosas danst Rosas, a repetição de música e movimento iniciada em Fase é ainda mais desenvolvida. A música de Thierry De Mey e Peter Vermeersch foi criada siultaneamente e em interação com a coreografia. No espetáculo, quatro bailarinas atual com intenso vigor físico. A condução de seus “corpos-máquina” é incrementada por uma série de movimentos cotidianos, gerando narrativas emocionais reconhecidas pelo espectador.”

Verdade, é o sem horizonte, é o sem saída. Coincidentemente vi um filme da Mostra (Um pouco mais perto - comentarei em outro post), ontem à tarde, que é exatamente isso, só que não tão evidente ou massacrante.

Um amigo achou o negócio chato, eu também não recomendaria e não veria de novo (acho), mas se você gosta de ver coisas diferentes, está com tempo e paciência, vale experimentar, nem que seja para sair no meio.

26

de
outubro

Céu e terra

A 35a. Mostra Internacional de Cinema (http://35.mostra.org/) começou nesta semana. Ainda não tinha visto nada, só havia comprado a programação (R$ 1) para ver horários. Saíram vários artigos sobre os melhores filmes, mas muitas vezes não dá para ver, afinal são vários cinemas, e nem sempre dá para chegar no horário. De todo jeito, por minha experiência com Mostras anteriores, acho que até vale ir meio pelo feeling, ou por comodidade mesmo (o que convém em termos de localização e horário), porque tem de tudo e arriscar é preciso.  A empreitada torna-se uma aventura.  Aliás, sempre conto a história de uma Mostra há décadas.  A crítica, até onde me lembre, elegeu o filme Possession (http://www.imdb.com/title/tt0082933/), com a linda Isabelle Adjani, como o melhor da Mostra naquele ano (1981 ou por aí).  Fui ver o filme: oooh, coisa ruim…Por essa e por outras, até vale ver alguma coisa indicada, mas no mais, dê uma olhada na sinopse e vá.

Hoje era para ver Jogos de verão (http://www.imdb.com/title/tt1753865/), lá no Cine Sabesp, mas como sempre acontece nas Mostras, substituíram esse filme por outro. Nem perguntei o motivo. Já estava lá mesmo, achei que o substituto poderia valer, então vamos que vamos. E vi Bollywood, a maior história de amor (http://35.mostra.org/filme/bollywood-the-greatest-love-story-ever-told/).

Vi alguns filmes indianos pela vida. Os mais recentes foram estes (também de Mostras e o Oscar Quem quer ser um milionário?):

http://mskeller.blog.terra.com.br/2009/10/29/cooking-with-stella-33a-mostra-internacional-de-cinema/

http://mskeller.blog.terra.com.br/2009/03/14/por-ordem-alfabetica-cinema-depois-gastronomia/

http://mskeller.blog.terra.com.br/2008/11/15/licao-de-casa-ainda-nao-terminada/.

Não são filmaços, mas filmes interessantes, no mínimo medianos.  Idem, idem Bollywood, a maior história…É um documentário sobre a história de Bollywwod.  Começa lá atrás com a independência do país, e vai pelas tendências posteriores, i.e., para que e como o cinema foi usado pelo país, pela população, e o desenvolvimento da indústria.  O que dá para perceber é que até no tempo do branco e preto já tinham, digamos, personalidade.  Tudo com muita dança e cantoria (ator/atriz que não cante ou dance por lá está perdido), muita cor, e muita, muita gente!  Nada de um, dois, dez, ou vinte cantando ou dançando. O negócio é de centenas!  Megaproduções.   E que gente bonita: homens e mulheres.  E muita maquiagem (viva o kajal!).

O filme, além de mostrar entrevistas com várias pessoas envolvidas com o cinema indiano, é um acumulado de clipes (sei lá, centenas, com certeza).  Muito close, muita dança, muita cantoria. No mínimo o filme é divertido e informativo.  Como escrevi, dá até para perceber a personalidade da filmografia indiana. Tema principal: amor, amor, amor…Affeee!  Eu imaginava que ia ver muito de tradições na tela, mas não: a mulherada, bonita de corpo, com roupas reduzidas, rebolando muito (mesmo nos filmes bem antigos).  Tem até um 007 indiano que é tosco, mas simpático. Ah, e um diálogo surpreendente e hilariante apareceu em dado momento do documentário:

Homem 1-Eu tenho tudo: casa, riqueza, propriedades e você? O que tem?

Homem 2 (irmão) - Eu tenho minha mãe!  (Heeeiiiinnn???!!!)

Mas o desenrolar mostra vários filmes em que a figura materna é cultuada. Aaaah, bom!

Valeu ver o filme. Não recomendo, mas valeu no meu caso para conhecer um pouco mais dessa indústria portentosa:o  cinema indiano.

E passando da terra para o céu…ontem vi Hubble (http://www.imdb.com/title/tt1433813/) em 3D, lá no Imax.  Caríssimo!  O filme tem uns 50 minutos e o cinema tem a cara-de-pau de cobrar os R$ 37 como se fosse um filme de hora e meia ou duas horas.  Tenha dó!  Não dá para fazer um preço um pouco mais razoável?  Além do que, ali no Unibanco Bourbon a gente ainda recebe os óculos, teoricamente desinfetados, e os devolve na saída.  Já tem coisa mais “muderna” por aí e, sobretudo, mais higiênica e segura para o público. E com esse preço…

O filme mostra como o Hubble (http://pt.wikipedia.org/wiki/Telesc%C3%B3pio_espacial_Hubble) foi construído, colocado no espaço, seus problemas e como foi consertado. Um negócio gigantesco, não dá para o cidadão comunzinho nem imaginar como é isso. Ver os astronautas em ação nos consertos, lá no espaço, dá um meeedooo! Impressionante como um equipamento construído há mais de 20 anos já era tão avançado.  A NASA é responsável por muitos desenvolvimentos que estão presentes em nossa vidinha, i.e., graças às pesquisas feitas por eles temos aparelhos ortodônticos invisíveis, lentes resistentes a arranhões, espuma inteligente, termômetro de ouvido, palmilhas especiais de tênis, telecomunicações de longa distância, detector de fumaça ajustável, ferramentas sem fio, ranhuras de segurança e muito mais. Ver como astronautas são treinados e encaram o trabalho no espaço é muito interessante.  A coragem e entusiasmo dessas pessoas é emocionante.  O fato de o filme ser em 3D também encanta: milhões de estrelas voando para a gente, astronautas movimentando-se a centímetros de distância, etc. O filme é dublado, não tem jeito, mas dá para aguentar, as imagens compensam.  Vida longa ao Hubble!

24

de
outubro

Isso é um vício

Como já mencionei tantas vezes, adoro Santos (http://mskeller.blog.terra.com.br/2011/01/19/adoro-essa-cidade/).  Depois de ficar mais de 30 anos sem colocar os pés por lá, voltei e a partir daí tem sido uma relação de amor.  Nesta última visita fiquei um pouco chateada.  Antes de parar de trabalhar, há um ano, talvez eu devesse ter pensado um pouco em me estabelecer por lá.  Teria de ter tomado alguma providência imobiliária de lá e de cá, mas acho que bobeei.  Hoje a cidade sofre um boom em termos de preços de imóveis que deve durar muito. Além do Pré-sal, tem também os eventos que lotam a cidade.  Hotel nesses períodos é pelo em ovo.  E tudo muito caro mesmo, preços de grandes centros. Uma pena…quem sabe um dia.

Com a idade, com a tranquilidade da cidade, independentemente de toda sua pujança comercial, industrial, de serviços (http://www.santos.sp.gov.br/nsantos/index.php) / (http://www.santoscidade.com.br/), os jardins (estão no Guiness!), cada vez vou com mais vontade de ficar. E é tão perto de SP! Uma hora contadinha. Com trânsito pode dar um pouco mais, mas não mais do que leste/oeste ou norte/sul na capital. Acho que muito menos na verdade.

Algumas fotos que fiz nestes três dias em que fiquei pela cidade: http://goo.gl/gAClt / http://www.flickr.com/photos/11661804@N04/sets/72157627966886744/.

Acho que não dá para ver ou notar pelas fotos, mas depois de dois anos de minha última estadia (passei por lá em novembro e janeiro passados, mas foi um dia corrido, visitando monumentos, museus, etc., com amigos) notei a água mais bonita.   O mar de Santos ficou gravado como marrom, cinza, algo bem escuro em minha mente. Aparentemente, com os projetos recentes da SABESP, maior conscientização e supervisão sobre os navios, a coisa melhorou.  O mar estava de uma cor azul-esverdeada. Bonito mesmo!  A faixa de areia, como sempre, limpíssima!  Os jardins bem cuidados.  As ruas planas, um prazer para caminhar. Eu bato horas andando sem esforço.

Podia ser melhor ainda? Claro que sim:

1) há poucos postos de coleta seletiva espalhados pela cidade. Andei com um jornal um tempão e acabei descartando no lixo comum;

2) os banheiros públicos poderiam ser um pouco melhores, mais bem cuidados. Que cobrassem, mas que mantivessem com mais capricho. Talvez até banheiro VIP cobrado e outro gratuito. Por que não?

3) muitas calçadas, inclusive à beira-mar, estão precisando de manutenção urgente. Claro que para quem, como eu, bate SP, as calçadas de Santos são um refrigério, o céu, mas se deixar degringolar fica difícil ajeitar depois. Palavra de caminhante…

4) no Gonzaga a limpeza é boa (ruas, calçadas), mas já para o lado do Embaré a coisa começa a complicar. Muito lixo pelas ruas, água empoçada (e isto significa que quando chover vai encher/inundar).  A Prefeitura precisa agir e educar, senão vai vira um São Paulinho, e aí é triste, hein!

Fora isso, chuveiros ótimos por toda a orla para os banhistas se limparem, refrescarem. Iluminação fantástica para a gente poder usufruir dos jardins e  da orla à noite. Quiosques, feirinhas pelos jardins bem fiscalizados. Tudo muito organizado.

Desta vez fui mesmo para flanar, visitar dois casais de amigos. Viagem zen. O único lugar que gostaria de visitar seria o Orquidário, mas continua fechado há mais de dois anos, infelizmente.  Quem sabe na próxima viagem.

Desta vez tive tempo de ver vitrines (há um comércio bem diferenciado e sofisticado por lá), almoçar em restaurantes de que gosto (Restaurante São Paulo, e.g.), tomar meu sorvete, minha água de coco.  Meus amigos disseram que está se consolidando uma rua de restaurantes refinados e uma “Oscar Freire”.  Pode ser bom, pode ser ruim. Só o tempo dirá.

O grande problema atual é a hotelaria com certeza. Cara, lotada com eventos, não atende bem. Eu fiquei no único hotel em que achei lugar para o período. Um horror. Aquilo não é hotel, no máximo pensão. Quarto limpinho, bom café da manhã, mas R$ 130/noite!  Sabem o que é isso? Euros 50 ou US$ 80 aproximadamente. E no apartamento, bem amplo, tudo da pior qualidade, secular: torneira, pia, cama, armário. A tv, de 14 polegadas, daquelas de tubo; o ar-condicionado daqueles enormes barulhentos. Uma mísera tomada no quarto. Frigobar nem pensar. E para piorar estavam pintando os corredores. Com tinta à óleo!  Tem tanta tinta sem cheiro, até à base de água, resistente, lavável hoje, por que usar esse material? O cheiro era insuportável, pois não havia ventilação para dissipar o odor.  Uma coisa! E pelo preço…E o hotel encheu no sábado, por conta de um casamento, esvaziando bem no domingo.  Percebe-se que é um tipo de hotelaria antiquada, um negócio de família, ou segundo negócio, que continua dando, é certo, mas até quando?  Falta visão mesmo. A localização desse hotel (Caiçara) é excelente, então poderiam caprichar um pouco mais.  O fato é que mesmo assim lota. Acaba de abrir um Mercure e está por abrir um Ibis no Gonzaga. Vamos ver se a concorrência faz com que a hotelaria local se mexa, mas acho difícil.  A situação é muito favorável a eles. Uma pena!

Ah, e imagino o que vai acontecer na COPA.  Verdade que o hotel disponibiliza wifi gratuito, mas a coisa ia de sinal baixo, para muito baixo e nenhum, e isso porque duvido que houvesse muito mais gente usando o sistema.  Bom, infra vai ser um tormento para os brasileiros durante o evento, com certeza. Se hoje é ruim, podem crer, vai ficar bem pior.

De todo jeito, a cidade é minha queridinha. Cada dia mais.  Quem sabe um dia mudo pra lá. Vai saber…

23

de
outubro

Retorno em grande estilo

Pois é, quase uma semana sem escrever nada. Tudo bem que vocês nem perceberam, mas me dá um peso na consciência, sabe? E foi por um motivo vãozinho: preguiça e uma viagem curtinha a Santos (próximo post).  Mas voltei hoje e já tinha uma peça para ver e me fazer voltar à realidade: A ilusão cômica, de Corneille (http://en.wikipedia.org/wiki/Pierre_Corneille), lá no CCBB (http://www.bb.com.br/portalbb/page511,128,10162,1,0,1,1.bb?dtInicio=10/2011&codigoEvento=4276).

Nunca leu nada de Corneille? Não é grave. Eu mesma só li Le Cid, e quando estava na universidade fazendo francês. Acho que não tenho mais nada em casa para uma futura leitura. Pena, porque o texto L’Illusion Comique de 1636 foi uma descoberta, Tradução excelente de Valderez Cardoso Gomes.

A ilusão cômica (http://vejasp.abril.com.br/teatro/a-ilusao-comica) fica até dia 30 no CCBB. O texto está muito bem adaptado, os atores estão superazeitados. O figurino é interessantíssimo, e não há cenário propriamente. Mas está tudo na medida certinha!

Da trupe, fantásticos Joca Andreazza, Lavinia Pannunzio (http://pt.wikipedia.org/wiki/Lav%C3%ADnia_Pannunzio), Julio Machado, Antônio de Campos.  Eu sabia que já tinha visto algum trabalho da Lavínia, e vi mesmo: A serpente no jardim (http://mskeller.blog.terra.com.br/2011/04/25/finalmente/), outra ótima performance e direção também.

É a história de um pai que quer saber de seu filho que se afastou após uma briga. No palco, o futuro do filho mostrado por um mago. Grandes revelações e surpresas no final. Não despregue o olho, o ouvido, a atenção. Um texto moderníssimo se você pensar na mensagem. Corneille rocks!

Agora, nota 0 para o público. Não sei o que está havendo com o público de teatro. Já havia notado em peças anteriores: o pessoal conversa, acha que tem de participar, sabe aquela coisa interativa? Na peça Conversando com mamãe (http://mskeller.blog.terra.com.br/2011/10/01/eu-nao-sou-do-contratalvez-so-um-pouquinho/) não comentei mas aconteceu isso.  O pessoal completa frases, comenta, antecipa o lance, em tom mais que audível. E o tal celular acendendo aqui e ali? Ai, por favor… Inacreditável!  Hoje, um casal conversando. Numa sala como aquela, com 50 lugares no máximo na plateia?!  Por mais baixo que você ache que está falando, incomoda, ouve-se.  Não dá para segurar ou até sair da sala? No cinema a coisa já degringolou de vez. Difícil conter os selvagens. Agora, no teatro…pelamor… Isso já havia acontecido em outros espetáculos (celular e participação voluntária): http://mskeller.blog.terra.com.br/2011/04/29/matando-vontades/http://mskeller.blog.terra.com.br/2011/07/16/mundando-conceitos/. Como sempre digo: o que adianta você ver ou ler ou estudar Corneille se continua lá no fundinho um ser das cavernas?

Bem, se puderem, vejam a peça. R$ 10/inteira.

17

de
outubro

Assim que eu gosto

Montes de coisas interessantes, lindas, e de graça.

1) Mariko Mori no CCBB (http://www.bb.com.br/portalbb/page508,128,10168,0,0,1,1.bb?&codigoMenu=9904)

A exposição terminou ontem (domingo).  Fiquei muito curiosa pela nave espacial imensa montada no saguão do centro cultural.  E a gente podia embarcar nela. Então não poderia perder.

As obras da Sra. Mori (http://en.wikipedia.org/wiki/Mariko_Mori) são bacanas, “mudernas”, interativas (disso gostei muito).  Mais que de valor artístico, imagino, suas obras são lúdicas, estão aí para intrigar, encantar, divertir.  Mais que isso, não.

Além dos vídeos um tanto quanto sem pé nem cabeça, pelo menos para meu intelecto e que não deixam de ser interessantes, há instalações com luzes que se alternam, ETs que adquirem vida quando tocados (muito simpatiquinhos- vejam neste link goo.gl/UXrtt), aquarelas e vídeos pelos andares, e a espaçonave. Aaaah, a espaçonave…ninguém soube informar direito (shame!) mas parece que ela é feita de fibra de carbono. O interior é de um material que parece um gel denso: confortável, molinho. Entram apenas 3 pessoas de cada vez, a sessão leva uns 10 ou 15 minutos.  Há uma área de preparo em que se deve vestir uma meia antiderrapante e um chinelo, além de eletrodos.  Na base da escada, dexa-se o chinelo e aí só de meia. A portinhola é meio baixa, incômoda de passar, mas nada dramático. Os eletrodos são conectados a um equipamento no interior na nave e interferem nas projeções: se a pessoa está nervosa ou ansiosa as projeções assumem tal e tal cor e forma, se está tranquila tal e tal, e funciona, viu!  Uma experiência no mínimo curiosa.  Valeu ver.

2) Caixa Cultural - Sé (http://www.caixacultural.com.br/html/main.html)

Lá vi três mostras interessantes (vai entrar uma nova no dia 22).

Primeiramente Gian Calvi (http://www.giancalvi.com.br/). Ilustrações lindas, lindas: para selos, para revistas, para livros, para tudo.  Imagens bonitas, coloridas, criatividade a toda. O título da mostra, Gian Calvi - 50 anos vendo as coisas de outro jeito, não poderia ser mais apropriado. Reinvenção constante, plástica, lúdica, e que faz refletir.  Para minha sorte consegui um catálogo da mostra que não tem farta distribuição. Dá para ver e rever muitas vezes e se encantar sempre. A exposição fica até novembro.

Depois  Rubens Gerchman (http://pt.wikipedia.org/wiki/Rubens_Gerchman). Outra mostra colorida, que faz bem aos olhos. A série Beijo é fantástica.  Não conhecia a obra do artista (serigrafia, litografia), fiquei fã.  Fica até dezembro, vale ver.

E por último: Direitos humanos - imagens do Brasil.  Um conjunto de umas 50/60 imagens sobretudo do período da ditadura recente.  Há fotos chocantes, sem dúvida.  Para quem visitou as exposições dedicadas ao tema na Estação Pinacoteca é um bom complemento. Há fotos inéditas inclusive, segundo a CEF.  A identificação das fotos está muito bem feita, portanto, mesmo para quem não conhece o tema, a exposição é bastante pedagógica, instrutiva. Também fica até novembro.

16

de
outubro

E os deuses equivocaram-se

Começando pelo fim.

1) Os Altruístas (http://www.teatroaugusta.com.br/programacao/os-altruistas)

Esta peça, que está no horrível Teatro Augusta (não tem como alguém passar pela fileira se as pessoas não se levantarem; a inclinação é ruim - alguém mais alto senta-se na sua frente, babau; banheiro minimalista), tem a Mariana Ximenes como atriz principal. Gosto muito dela. Faz anos que não vejo novela (recentemente vi a Cordel Encantado, muito diferente do que normalmente é apresentado. E se acabou…), mas do tempo em que as via lembro-me de sempre gostar da atuação de Mariana.  Primeiro mocinha, menina mesmo, depois mais adulta. Uma figura bonita, competente atriz. Esse foi um fator que me levou ao teatro; outro foi a direção de Guilherme Weber (http://mskeller.blog.terra.com.br/2011/06/28/uma-coisa-e-uma-coisa/), um darling para mim.  O texto é do mesmo autor de Pterodátilos (http://mskeller.blog.terra.com.br/2011/03/27/todos-somos-sos/), mais um fator positivo.  Independentemente de críticas, vejo o que achar que possa ser interessante. Comprei o ingresso e só depois li a crítica na Vejinha (e olha que eu gosta da publicação): “Após a temporada de Pterodátilos, o dramaturgo americano Nicky Silver ocupa novamente os palcos com um exemplar bem inferior de sua obra. Eficiente, mas sem se entregar totalmente ao papel, Marina Ximenes interpreta a consumista Sydney. …A interessante premissa não sobrevive diante da fragilidade do texto, que parece mais preocupado em chocar que em estabelecer uma reflexão. O diretor guilherme Weber recrutou um bom elenco, completado por Kiko Mascarenhas, Jonathan Haagensen e Stella Rabello, porém não imprimiu ritmo e personalidade na encenação. ”

Então…achei exatamente o contrário, bem como, creio, a grande maioria dos espectadores presentes. Eu pago ingresso, não vou de graça, então minha opinião vale tanto ou mais que a de críticos, pelo menos para mim. E o que está acima não tem nada de matemático, de exato, é uma visão baseada em experiência. Pode ter acontecido também que os atores não estivessem bem justamente durante a visita do(s) crítico(s). Isso acontece, mas não se pode definir julgamento em cima de uma única experiência. Não sei como são estruturadas as críticas de cinema, teatro, etc., mas achar que alguém, um serzinho apenas, a partir de uma única observação, possa definir o que é bom ou ruim parece-me um tantinho demais.   Imagino que o crítico-mor e seus asseclas vejam o espetáculo em duas oportunidades diferentes pelo menos, e que sejam várias pessoas a fazê-lo. Caso contrário, a validade de uma crítica, por mais que o cidadão conheça o assunto, tenha visto peças, etc., etc., fica bem comprometida. E acho que isso vale para tudo: cinema, música, gastronomia, etc. Pelo sim, pelo não, prefiro basear-me em meu cérebro mesmo, afinal, de novo, eu é que pago meu ingresso e ninguém mais. Eu gosto é de independência mesmo.

Como vi os dois espetáculos, digo que gostei de Pterodátilos, mas gostei ainda mais de Os Altruístas. O texto é ótimo, tem humor, faz refletir, sim.  E mais, justamente pela direção do GWeber e a atuação de Marina, Kiko (maravilhoso), Miguel Thiré, Stella Rabello, o espetáculo torna-se grandioso. Gostei menos de JHaagensen.  O texto vai num crescendo, mas não agride, não choca, não, mesmo tratando de relações amorosas, sexuais, homossexuais.  É a vida: somos nós, nossos conhecidos, amigos tão simplesmente. Os atores estão muito azeitados, em cena o tempo inteiro num espaço bem exíguo. Cenário da maravilhosa Daniela Thomas. Figurino bacana de Emília Duncan e Antonio Frajado. Iluminação, trilha tudo ótimo.

Fui ao teatro com a menor expectativa, saí de lá, como muitos, achando que vi uma peça excelente, atuações primorosas, direção idem.  A única é o preço: com tanto patrocínio não precisava cobrar $80/inteira.  Vale ver, com certeza!

2) Orquestra Sinfônica Municipal e Antonio Meneses, sob regência de Abel Rocha, no Teatro Municipal (http://www.prefeitura.sp.gov.br/cidade/secretarias/cultura/theatromunicipal/) (http://www.prefeitura.sp.gov.br/cidade/secretarias/cultura/theatromunicipal/programacao/index.php?p=9164)

Choveu ontem de monte, choveu à noite também, e hoje pela manhã igualmente.  Mesmo assim, o teatro estava bem cheio. Eu estava lá, claaarooo!  Adoro Antonio Meneses (http://www.antoniomeneses.com/index.htm). Para mim não há violoncelo mais emocionante que o tocado por ele (http://mskeller.blog.terra.com.br/2010/10/28/aleluia/). Regência da orquestra pelo elegante Abel Rocha.

Programa:
Wolfgang Amadeus MOZART
Abertura da ópera “A Flauta Mágica”
Dimitri SHOSTAKOVITCH
Sinfonia no  9, Op. 70
Serguei PROKOFIEV
Sinfonica concertante, op.125

O programa que está no site não corresponde ao que foi executado e está no programa impresso. Só a coisa municipal para não fazer a devida alteração no site, i.e., se houve tempo para imprimir um programa obviamente havia mais que tempo e condições para colocar o programa correto no site. Mas, para quê, né?  A coisa é lenta e paquidérmica mesmo, infelizmente, e todos nós pagamos por essa ineficiência, esse descuido.

Enfim…não tenho ouvido ou gosto apurado para apreciar devidamente Prokófiev, Shostakovitch, mas o AMeneses me arrasta.  Mozart (Adoro! Quem não?) com a orquestra foi lindo. A segunda obra, Shostakovich, muito bonita também, mas não é a minha. Prokófiev com Meneses foi lindo, e o bis idem.  Ou seja, valeu muito estar lá, mesmo tendo de enfrentar a mudança de horário, a chuvarada (deu uma preguiça…).  Momentos de beleza pura!

Bottom line: um domingo coroado!

15

de
outubro

Teatros

Duas apresentações tão diferentes na mesma semana!

1) Mostra Italiana de Teatro de Rua / Teatro Due Mondi

Foi ali no Páteo do Colégio, na praça, aberto, umas 100 cadeiras, debaixo de chuva mesmo.  O link mostra um pouco do que aconteceu. goo.gl/UXrtt (há 3 filminhos de uma mostra no CCBB - Mariko Mori, que fará parte do próximo post).

A mostra teve espetáculos em abril e vários agora em outubro. Três companhias apresentaram-se.  Na quinta, das 12h às 13h, vi a Teatro Due Mondi.  São 8 ou 10 atores/atrizes.  Tudo é montado e feito à vista dos espectadores.  Figurino bonito, máscaras bifrontais que mostram caras diferentes. Utilizaram-se de escadas para dar movimento à trama.  Tocam instrumentos diversos, cantam, declamam.  Uma delícia, mesmo debaixo da chuva fina que ia e vinha a todo momento. O espetáculo do dia foi Ay l’amor!.Lindas músicas, lindos textos.  Para mim foi ainda mais interessante, pois deu para entender quase tudo o que os atores disseram, mesmo com meu italiano ainda em fase de recuperação.

Já vi vários espetáculos de rua, mas mesmo em viagem nunca tinha assistido a nada parecido. Gostei demais.  Devido à chuva, acho, metade das cadeiras estava vazia.  Muitos moradores de rua aproximaram-se e puderam apreciar mesmo sem entender direito do que acontecia.  Aliás, como é num lugar tão central, mesmo com mau tempo, pensei que mais pessoas estariam por ali, já que há tantos bancos, escritórios, cartórios, comércio, na região. Verdade que algumas pessoas paravam por uns minutos e depois partiam. Vai ver que estavam em horário de almoço e não podiam ficar por muito tempo. Pena para eles…

A mostra é uma parceira do CCBB, das companhias que se apresentaram, da SP Escola de Teatro e Teatro da USP. Tomara que venha mais por aí, já que o Momento Itália / Brasil vai de oubutro 2011 a junho 2012.

2) Os Náufragos da Louca Esperança - Théatre du Soleil

Este filminho fiz na saída do espetáculo.  São os “camarins”.  goo.gl/TSf0s

É muita gente, talvez uns 40 atores, e tem o pessoal administrativo, também.  Os atores fazem de tudo, além de atuar: iluminação, trilha sonora, cenário.  São quase 4 horas de espetáculo, com um pequeno intervalo. E montam e desmontam cenários, carregam “neve”, limpam chão, acomodam objetos, retiram objetos. Enfim, um lufa-lufa sem tamanho.

A ida a este espetáculo começou traumaticamente. A peça é encenada em uma mega-tenda. Dá para umas 700 pessoas.  O palco é enorme, justamente por toda a estrutura de que fazem uso. A tenda começou a ser montada no SESC Belenzinho há meses.  A companhia, que tem 47 anos, veio a SP em 2007 e o sucesso foi grande. Justamente por isso, acho, agora o negócio ficou ainda mais aguerrido.  O SESC anunciou a venda dos ingressos para 15/09, a partir de 14h.  Aproximadamente 20% dos ingressos seriam vendidos pela internet, o que não é comum.  Fui para a fila por volta de 13h, às 15h30 todos os ingressos haviam sido vendidos, e ainda havia umas 20 pessoas na minha frente na fila.  As entradas foram vendidas em todos os SESCs, daí a velocidade do término.  Para o padrão SESC é uma entrada cara: R$ 50/inteira, mas mesmo assim foi tudo embora. Façam a continha: 5 espetáculos por semana x 700 pessoas x 3. Se não me engano dá 10.500 ingressos. E mesmo assim, não sobrou nada!

Diante do fato consumado, só restava esperar por encaixes ou prolongação da temporada. Um amigo arriscou no domingo e conseguiu entrar.  Segundo ele, o staff destinado ao espetáculo começava uma lista de espera às 15h.  A lista tinha 30 nomes. Quem não tivesse o nome na lista poderia esperar também, mas sem nenhuma garantia de entrar. Os 30 também não tinham garantia, mas a probabilidade era boa.   Às 17h30 ou pouco mais começavam a vender ingressos. Meu amigo e mais um monte de gente entrou, então também resolvi arriscar.

Segundo pessoas que estavam por ali, a quinta-feira tinha sido caótica: muita confusão, entrou gente demais, o que não fez bem nem aos artistas, nem ao público.  Ontem, quando fui até lá, não foi um horror, mas poderia ser bem menos sofrido. Houve uma lista, feita pelo próprio público, éramos 65 na lista, mas acabaram entrando uns 80 espectadores.  Sala lotadaça!

Agora, era o que eu já antecipara: muita gente não sabia da duração da peça, do que se tratava, em que se baseava, em que língua era,  etc., mas nem minimamente, e mesmo assim comprou.  Na sexta, poucas pessoas foram embora no intervalo, mas segundo meu amigo, no domingo, pelo menos 30% das pessoas saíram no intervalo.  Uma pena, pois muita gente que tinha real interesse acabou ficando sem acesso ao espetáculo. De todo jeito, imagino que tenha valido para ilustrar o povo…

O espetáculo é majestoso, não resta dúvida, mããããs há algumas coisas que não consigo compreender:

  1. começando pela organização da lista paralela: por que o SESC mesmo não assume isso? Por que deixa na mão da produção do espetáculo, que não tem absolutamente tempo ou estrutura para cuidar disso?  Ontem, por exemplo, não fosse a iniciativa de uma moça de começar a lista (havia pessoas desde 14h ali para tentar um ingresso), teria havido um banho de sangue (usei a expressão só para combinar com os clímax dramáticos do espetáculo); mais: com toda a chuva pelo dia todo, não apareceu ninguém da trupe até umas 17h15 para dizer como ocorreria o processo;
  2. a companhia é francesa. Há uma narrativa em português, e legendas para a parte “muda” da peça, mas muitos diálogos são em francês SEM LEGENDA, SEM TRADUÇÃO. Meu francês é muito bom, então não tive problema, mas isso não acontece para a grande maioria, evidentemente. Pourquoi? Pourquoi? Pourquoi?
  3. as legendas da parte “muda”, que é bem extensa, além de rodar em uma velocidade absurda em alguns momentos, estava numa fonte difícil de ler. E muitas legendas projetadas no telão do palco (havia outro telão menor no meio da plateia para que quem estivesse mais atrás pudesse ler também, devido à distância) não tinha contraste, ou seja, era branco com azul claro, ou branco com branco, o que dificultava sobremaneira a leitura.

Bem, para minha sorte, meu francês é bom, leio rápido, deu para intuir o que possa ter perdido, consegui entrar após horas de espera, mas não precisava ser assim, certo?

De todo jeito o espetáculo é grandioso, muito interessante, algo novo para mim.  Se vierem outra vez, vou tentar ver. Acho que vale ver pelo menos mais um.

Depois de tanta espera, peça tão longa, pude jantar no restaurante do SESC (lindo! Mobiliário fantástico).  Cardápio limitado, mas muito bom, qualidade x preço.  A sexta valeu por duas, com certeza.

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