Escrever para viver!

Tudo que der na telha e que eu achar que vale a pena

30

de
setembro

Foi assim um rolê

Em primeiro lugar: feliz dia das secretárias a todas minhas colegas de profissão!

Trabalhei durante 36 anos, dos quais 30 como secretária full time.  Foi uma escolha meio que por acaso, mas que me satisfez pela vida.  Tenho uma personalidade pluralista (não, não é dupla personalidade,não).  Gosto de saber um pouco de tudo. Há pessoas que querem saber muito de uma coisa só, mas eu não sou assim.  Gosto de obter e disseminar informações (não é fofoca, tá?), gosto de aprender.  Acho que a profissão de secretária, ou modernamente assistente, permite uma renovação contínua e ilimitada. É das profissões mais antigas, vem desde os escrivas, começou com a pedra lascada na verdade e chegou ao notebook, ao tablet, e por aí vai.  É uma profissão importante, pois, se bem desempenhada, libera talentos de outras áreas, ou seja, permite que o presidente da empresa foque em temas que requerem suas habilidades de presidente, que o médico também o faça, que o engenheiro, idem, e por aí vai.  É uma profissão de suporte que pode trazer consigo e para os outros benefícios inquestionáveis se desempenhada com comprometimento, com cérebro, com empenho, e se respeitada por quem faz uso de seus serviços.

E não é que coincidentemente,ontem, após quase um ano de aposentadoria, justamente um dia antes do dia das secretárias, voltei a trabalhar em um evento de porte)?  Na verdade, já havia começado meu trabalho no começo de agosto, mas eram ações que podia realizar de casa, na frente do micro, pela internet.  Nem eu teria projetado algo tão conveniente.

Nas últimas semanas foram necessárias algumas reuniões, mas mesmo assim sem grandes deslocamentos.  Levantamentos feitos, materiais de minha responsabilidade preparados, então vamos lá!

O evento foi em um hotel 5 estrelas na região da Vila Olímpia.  200 pessoas! Começava às 9h, mas antes das 7h já estava lá. Eu fazia o mesmo quando trabalhava para outras empresas. Tudo checado, instalado, e funcionando para receber bem os participantes.

Realizar esse trabalho foi interessante, pois, além dos óbvios ganhos financeiros, fez-me retornar, ainda que temporariamente e brevemente, ao convívio do business world. E ele não mudou nada…Parecia que eu não tinha ficado um dia sem trabalhar. Estava tudo lá, igualzinho. E olhem que a área do evento não tinha nada a ver com o negócio da empresa em que trabalhei pelos últimos 17 anos de vida profissional (auditoria, consultoria). Mesmo assim, eu estava em casa.  Foi uma experiência e um sentimento gratificantes.

Algumas observações sobre esse breve retorno aos campos de batalha: para o levantamento que tive de fazer, falei com aproximadamente 800 hotéis (isso, 800) pelo Brasil inteiro.

Privately, eu já havia viajado bastante, aqui e lá fora, e pretendo empreender viagens ainda. Por isso, eu achava que tinha uma noção razoável do que era o negócio de hotelaria e turismo por aqui, até porque, mesmo como secretária, lidei muito com grandes hotéis para organizar reuniões de vários portes. Qual…fiquei surpresa com o que pude depreender desses contatos: nós não estamos atrasados, nós estamos atrasadíssimos na área.  Mesmo com as escolas técnicas e faculdades que existem por aqui, a mão de obra, embora carregue a herança nacional da gentileza, é bem despreparada. Mas não são só os funcionários, os donos/patrões também o são.  Pelo que pude perceber, desenvolvem o negócio do mesmo jeito que pensões ou hotéis ou estalagens do século XIX.  Não adianta só ter a tv mais moderna nos apartamentos, ter fitness center, business center.  Isso é cosmética e agrega, verdade, mas o core do negócio continua de visão tão limitada quanto no século passado.  E como são resistentes a mudanças, sobretudo as tecno de fato, aquelas vinculadas ao negócios pela internet. Parece que tudo isso é meio bobagem, não vale muito a pena.  Engraçado: como será que a super-hotelaria americana e a hotelaria não tão boa, mas bem forte, da Europa continuam florescendo e dando frutos?

O engraçado, é que durante esse meu levantamento, entrei em todos os sites dos hotéis com que falei. Alguns são maravilhosos. Aí você liga para o hotel, pede informações que são de interesse do hotel ter, divulgar, etc., básicas mesmo, e a pessoinha não sabe direito qual o e-mail de contato para o hotel. Isso aconteceu às dezenas.  Com um pouco de insistência e trabalho obtive o que precisava, mas poderia ter sido tão mais fácil e produtivo!

E aí a gente olha para 2014 e imagina o que vai ser isto aqui. Agora mesmo, com o Rock in Rio já tivemos um prenúncio: preços estapafúrdios, querendo arrancar o couro dos hóspedes; falta de segurança (roubos escandalosos); o serviço, então, imagino de que nível terá sido…

E ontem então? No hotel queriam cobrar por ponto de wifi, R$ 45/24 horas!  Como assim?  Em qualquer hoteleco nos EUA ou na grande maioria da Europa, que não cobram as escandalosas diárias que praticam por aqui, tem-se acesso à internet free. Era um evento para 200 pessoas, com alguel de salas, almoço e coffee-break (2) para 200 pessoas!  Como o hotel não pode oferecer meia dúzia de pontos ou acessos wifis gratuitos?  Vejam bem, há exceções em outros países: uma amiga, em viagem ao Japão, achou o serviço em alguns lugares abusivamente caro. Um amigo que viajou recentemente para Jordânia, Turquia e Itália teve problemas de conexão e de acesso. Eu já tive problemas também,  mas há 3-4 anos. Em minhas viagens de 2010 e 2011 (fiz 3 internacionais e uma nacional), problemas só no Brasil mesmo. De novo: o tal hotel tinha preços de diárias nesta semana próximos a R$500.  Nessa diária, só está incluído o café da manhã.  Podeeee???

A desculpa é que a Anatel interfere no que podem oferecer graciosamente Alguém acredita? Ué, vão todos os hoteliers fazer uma passeata na Paulista. Quem cobra o que cobram os hotéis brasileiros, sobretudo nas grandes capitais, não pode dar essa desculpa esfarrapada. Ou seja: o hóspede que pague e pronto. Além do que o core de hotéis não é ganhar com wifi/acesso à internet. Esse é um serviço que deveria ser prestado ao hóspede como parte do core do hotel: hospedagem!

Enfim, a parte de eventos foi razoavelmente bem. Os funcionários, neste caso, mostraram-se bem treinados, sabiam o que fazer, em geral as providências foram rápidas, com uns poucos escorregões inexplicáveis. Só lembrando, embora estejamos num dos BRICs, os preços para toda essa roda girar é de primeiro mundo.

Os participantes, até pelo grande número, formavam um grupo heterogêneo, mas interessante.  Foi um dia bem cansativo, já que começou cedíssimo, mas muito compensador.

Agradeço aos amigos que se lembraram de mim para ajudá-los nesta empreitada.  Valeu!

27

de
setembro

O último cupom a gente nunca esquece

Pois é, da mesma forma que o primeiro, o último também não.

Faz quase ano e meio, acho, que comecei a comprar cupons dos clubes de desconto virtuais. Um bom negócio, eu diria. Estabelecimentos de boa qualidade, alguns bem conhecidos, para aumentar a clientela, entraram no negócio.  Tudo ia muito bem, mas como na terra brasilis nada é para sempre (Renato Russo sabia disso), o panorama mudou.

Primeiramente as duas ou três empresas que começaram o negócio por aqui passaram a mais de uma dezena.  Os estabelecimentos oferecidos também. Com isso a qualidade ficou muito duvidosa em alguns casos. Explico: cheguei a ir a lugares anunciados com pompa, desconto altíssimo, que eram de um nível muito ruim (este é só um exemplo: )http://mskeller.blog.terra.com.br/2011/06/29/outra-coisa-e-outra-coisa/).  Também aconteceu de ir a um restaurante, perto de casa, e o almoço executivo custar apenas R$ 2 a mais do que o vendido pelo clube de ofertas, o qual se gabava de um desconto enorme.  Tudo bem, quem mandou ser besta. Afinal, não existe milagre, oras!  No entanto, SP está tão absurdamente cara que a tentação de acreditar no improvável é grande. O pessoal perdeu a vergonha e a medida.  Por essa e por outras, fui diminuindo a aquisição dos tais cupons, até que cheguei ao último: uma feijoada no restaurante Red Angus (http://www.restauranteredangus.com.br/). Cupom quase por vencer, então vamos lá.

Fui no sábado com quatro amigos.  O Red Angus é enorme e mais conhecido pela carne, que realmente é de excelente qualidade.  No caso da feijoada, apesar de não ser das melhores que já provei em termos de opção, estava bem gostosa. No caso, foi realmente bem econômico, 1/3 do preço cheio e comemos muito bem.  O serviço também foi eficiente e cortês. Por conta do couvert (que não perguntaram se queríamos ou não, como é obrigatório atualmente), água, café, serviço, saiu R$ 28,00/pessoa. Afinal esta cidade está louca ou não está?  R$ 28,00 por couvert, água, café e serviço (obs.: o serviço é calculado pelo preço cheio da conta, sem desconto, mas mesmo assim..)!

Outro fator para ter diminuído bastante a aquisição de cupons foi ter enjoado um pouco do esquema: comprar, fazer fup para imprimir o bendito, reservar, às vezes com dificuldade dependendo do estabelecimento, ou seja, essa rigidez cansou.  Se a atividade continuar, seguramente comprarei algum no futuro, mas com muito mais ponderação e cuidado.

Aproveitando o gancho: no sábado mesmo, mais tarde, fui ver o Coro Luther King no Auditório Ibirabuera (http://www.lutherking.art.br/lutherking/). Sempre um excelente espetáculo. Desta vez, obras para um espetáculo contra a homofobia (já fizeram contra o racismo também) e a presença de Fábio Caramuru, Quarteto de Metais da Orquestra Villani Côrtes e Rubens B. Alves, Charles Augusto e César Simão - percussão.   Próximo espetáculo em novembro.

E para fechar o final de semana: O homem que sabia demais de Alfred Hitchcock (http://www.imdb.com/title/tt0049470/).  Adoro James Stewart, mas descobri, ou relembrei, como Doris Day era ótima atriz, além de cantar muito bem, claro. O filme, uma refilmagem com adaptações sobre o filme de mesmo título, do mesmo diretor, de duas décadas antes, é cheio de toques bem humorados, a história é bem bacana, um suspense interessante. Além de tudo, pedagógico: como uma parte passa-se no Marrocos, Hitchcock ensina a seu publico modos e costumes locais.  E o momento de maior tensão é durante a execução no Albert Hall, em Londres, de uma obra clássica.  Incrível como o diretor segura a tensão durante uns 5 minutos e, de novo, pedagogicamente mostra a seu público como é boa aquela música.

James Stewart é um médico que, pós-congresso médico em Paris, vai com a família para o Marrocos. Lá começar a se desenhar um plano mirabolante para executar um político importante.  Devido a jogada dos terroristas, o casal Stewart+Day fica de mãos atadas e não pode contar o que descobriu por vias muito tortuosas.  Só lá para os finalmentes é que a trama vai se desenrolando.

O dvd a que assisti tem o making of do filme, até com declarações da filha de Hitchcock.  Bem bacana! Um monte de informações interessantíssimas sobre a idealização e feitura do filme.

Enfim, um filme de 1956 atemporal e de qualidade inquestionável. Só um gênio mesmo.

24

de
setembro

Quantidade também pode ser qualidade

Nesta semana, fui ver mais um Ensaio Aberto na Sala S. Paulo. Esses espetáculos são tudo de bom. A gente vê a orquestra praticamente pronta, de um ângulo interessante (do Coro), a um preço ótimo (R$ 10/inteira).  O ensaio, em geral, leva umas 2 horas mais ou menos. Se há convidados, eles estão ali fazendo o que farão no concerto “de verdade”.  Nesta semana fui ver Kristjan Järvi (http://www.kristjanjarvi.com/), regente, e Yuja Wang ao piano, interpretando Leonard BERNSTEIN - On The Town: Três Danças, Sergei PROKOFIEV - Concerto nº 3 para Piano em Dó maior, Op.26 (a pianista só participou desta),  Sergei RACHMANINOV - Danças sinfônicas, Op.45.

O maestro, que vive nos EUA, é modernoso em sua postura.  É dado como “novidadeiro”.  É carismático, foi simpático com a orquestra, fez suas críticas e correções.  Tem uma postura corporal interessante. A pianista é bem low profile.  Entrou quietinha, tocou sua parte e foi embora sem mais.

No intervalo um café gostoso no meio dos músicos que também são gente, oras!, e precisam de um café, uma água, de um respiro.

A OSESP sempre vale a pena, principalmente nessas condições de preços módicos. O ambiente é ótimo, só que tem gente que vai para esses ensaios e não tem noção de onde está. Conversam, comentam, e em voz alta. É brinca?  Só olhando feio…e olhe lá. Popularizar também tem seu lado ruim.

O próximo grande ensaio será no dia 13/10, com Maria João (pianista).  Tentei comprar, mas já estava esgotado, afinal os lugares no Coro são poucos.  Fica para outra.

Aproveitando a proximidade, fui à Estação Pinacoteca. Primeiramente, almoço no Flor. Gostosinho, barato, i.e., custo x benefício ok, além de ficar num espaço amplo, arejado, tranquilo. Depois passada na lojinha, modesta, mas com umas coisas bacanas. Soube ali que o Paulo von Poser, (http://pt-br.facebook.com/pages/Paulo-von-Poser/119873548300), que tem obras bacanas, doa desenhos para a Pinacoteca produzir itens como lápis, cadernos, etc. Bacana, né?

Na Estação vi de novo a mostra da Fundação Nemirovsky (http://mskeller.blog.terra.com.br/2011/07/02/ready-steady-go-o-final/) (http://www.pinacoteca.org.br/pinacoteca/default.aspx?c=exposicoes&idexp=539&mn=100). Acho que não vou me cansar nunca de vê-la.  Aliás, só nesse dia uma amiga chamou-me a atenção para o fato (que está em letras garrafais) de que a casa (maravilhosésima) da família foi demolida em 2005.  Que coisa!  Não vi passeata, protestos, nada…Um dia passo na R. Guadelupe 778 para ver o que está por ali agora.

Também vi uma exposição de fotos: http://www.pinacoteca.org.br/pinacoteca/default.aspx?c=exposicoes&idexp=562&mn=100. Gostei de uma coisa ou outra, mas não sou bom termômetro para avaliar mostras de fotos, já que não sou fãzona da mídia.

Voltei à mostra do Memorial da Resistência ali mesmo. Explorei um pouco mais as mídias disponíveis, vi coisas de que não lembrava. E no espaço do Memorial, a grande surpresa: Arpilleras da resistência política chilena (http://www.pinacoteca.org.br/pinacoteca/default.aspx?c=exposicoes&idexp=560&mn=100). Então…você já tinha ouvido falar disso? Eu não.

Uma exposição linda, emocionante.  Segundo folder “a arpillera é uma técnica têxtil que possui raízes numa antiga tradição popular. Foi iniciada por um grupo de bordadeiras de Isla Negra, localizada no litoral central chileno.” E foi uma arma poderosa, reconhecida mundialmente, na luta contra a ditadura chilena. Os painéis são lindos, lindos! Contam tragédias e alegrias de um jeito único. Há até uma animação feita com base nas telas.  Fiquei boquiaberta, encantada! Só vendo ali de pertinho para ter a dimensão do que esse trabalho representou/representa. Há peças de várias partes do mundo. Gente que viu no trabalho das bordadeiras seu verdadeiro valor. Vale muito conhecer, ou ver/rever.

E para arrematar: Eu te amo mesmo assim, no repaginado Teatro Itália (http://teatroitalia.com.br/). Mas antes, claaroo, uma passadinha no Dona Onça que, não me perguntem por que, ainda não tem sua página…em tempos tão internéticos e considerando a qualidade da casa não dá para entender. De todo jeito, a casa é ótima. Experimentei um dos pratos novos, ótimo para a noite em vias de esfriar: capeletti num brodo de funghi neri e musse de morango. Ambos deliciosos. A coisa não é barata: pratos (sem couvert), água, serviço, quase R$ 75.  Mas a comida e o lugar compensam, eu acho, uma visita de vez em quando.

O espetáculo Eu te amo mesmo assim (http://vejasp.abril.com.br/teatro/eu-te-amo-mesmo-assim) foi recomendado por um amigo. Como confio no taco dele, fui. Ainda bem, senão teria perdido um musical de altíssima qualidade. Nenhum cenário, sem troca de figurino, dois atores no palco (Laila Garin - voz maravilhosa, ótimas interpretações de músicas e texto; Osvaldo Mil - voz não tão maravilhosa, mas muito boa, interpretações idem, carismático), Banda Podre (hein?), linda iluminação. Não precisou mais que isso para conquistar a plateia. Quem diria: textos de A arte de amar de Ovídio (isso, ele mesmo, 43AC-17DC) com poucas adaptações, intercalados por músicas muito bem escolhidas e interpretadas.  Uma hora e meia aproximadamente de um espetáculo delicioso.

O teatro recebeu uma ajeitada, o café é bacaninha e com bom atendimento. Faltou mexer nas poltronas que são vetustas, mas ainda assim não desconfortáveis de todo. No mais, atendimento cortês, bom preço, palco bacana, banheiro limpo, mas antiquésimo.

Interessante a escolha do texto. Coincidentemente, li A Arte de Amar há 3 anos quase que exatamente (http://mskeller.blog.terra.com.br/2008/10/29/o-que-e-o-que-e-ou-melhor-quem-e-quem-e/) e, à época, surpreendi-me com as certezas, modernidade, coragem do autor milenário. Tudo que está por todas as revistas femininas, livros que tratam de relacionamento homem x mulher, auto-ajuda na área tem um pézinho em Ovídio.  Vale ler o livro que, além de tudo, é bem humorado.

Se puder, veja o musical que fica até meados de outubro por aqui. Pertinho do metrô, local de fácil acesso.

21

de
setembro

De mentiras…

Coincidência daquelas!  Uma ópera e dois filmes que tratam sobretudo de mentiras, de engodos, e que mostram que é difícil esse negócio dar certo.

1) Rigoletto (http://en.wikipedia.org/wiki/Rigoletto)

Mais um espetáculo no repaginado Municipal (http://www.prefeitura.sp.gov.br/cidade/secretarias/cultura/teatromunicipal/programacao/index.php?p=5813). Quando comprei os ingressos, lá em julho, já não tinham os lugares de que gosto. Tudo bem, comprei uns próximos, muito bons.  Aí a gente chega ao teatro (cheguei umas 20h15 e o espetáculo começava às 21h) e tem montes de cambistas vendendo ingressos. Claro que isso é possível porque os ingressos, felizmente!, são vendidos pela internet também, então vários cpf’s podem comprar vários ingressos. Também podem ter feito fila quando as vendas foram abertas. O que prova uma coisa: in cambistas we trust. Acho que é a única instituição em que se pode confiar sempre. Eles vão estar lá, de um jeito ou de outro.

A ópera foi apresentada pela primeira vez no Municipal.  A direção de Felipe Hirsch e a cenografia de Felipe Tassara e Daniela Thomas fizeram toda a diferença. Na verdade tudo um primor: figurinos, iluminação, direção musical, regência do coro, i.e., nenhum senão.

Havia dois elencos. Vi a ópera com o “segundo” time. Segundo, porque consta em segundo lugar no programa, mas de primeiríssima qualidade. O Rigoletto de Rodolfo Giugliani, a Gilda de Lina Mendes, comoveram. O Duque de Marcos Paulo deu uma raaaiiivaaa! Enfim, todos estiveram ótimos. O Coro foi brilhante.

O palco vestiu-se com um cenário moderno, leve, bonito. Até um “laguinho”, com água de verdade, montaram para as cenas finais, também emocionantes.

Bacana demais! Ah, e o programa distribuído graciosamente pelo Municipal a todos é da melhor qualidade. Além de contar a história do municipal, traz a história da ópera representada, informações completas sobre todos os cantores, maestros, diretor, etc., o programa do espetáculo em si. Tudo com uma qualidade gráfica admirável. Parabéns ao Municipal!

Antes do espetáculo tomei um capuccino na cafeteria do teatro (tenho de almoçar lá para ver como é o restaurante). Apesar do sistema complicadinho, como já comentei, i.e.: em um balcão pedem-se, pagam-se e recebem-se as bebidas e em outro os “comes”, o atendimento é muito cortês, rápido. Os preços são os de mercado.

Uma verdadeira noite de gala!

O Felipe Hirsch e a qualidade do time da ópera fazem a gente pensar que estamos no primeiro mundo, aí, a caminho do ponto de ônibus, passo pela Barão, imunda, com o calçamento todo arrebentado, com cheirinho de xixi. Não há ilusão que dure desse jeito…

2) Uma Doce Mentira (http://www.imdb.com/title/tt1529569/)

Por que, por que, por que De vrais mensonges - Mentiras verdadeiras virou Uma doce mentira? Mistééériooo…

A atriz principal é Audrey Tautou, a eterna Amélie Poulain. Claro que já a vi em ouros filmes (Código Da Vinci, vocês se lembram?), mas ela sempre será Amélie.  E neste filme não é diferente.  Émilie, sua personagem, tem resquícios inquestionáveis de Amélie. A impressão que me dá é que ou a atriz não consegue ou não quer se desvincular da antiga personagem. Vai saber… De qualquer maneira, ela está muito bem no papel. A surpresa fica por conta dos dois secundários: Nathalie Baye, mãe de Émilie, e Sami Bouajila, o enamorado.  Os terceiros também são ótimos: a sócia de Émilie, a recepcionista do salão de cabeleireiros também arrasam.

A trilha sonora e a fotografia são muito bacanas.

A história é bem levinha, divertida, mas bem bolada: para ajudar a mãe a sair do fundo do poço, depois de se separar do marido, Émilie usa uma carta anônima apaixonada que recebera de Jean (Bouajila) e engana a mãe.  Esta pensa que a carta era para ela e, claro, quer mais. Aí a coisa degringola. De engano em engano, algumas rusgas, muita risada, e, apesar de ameaçado, um final feliz, comme il faut! Delícia de filme para qualquer hora.

3)  180 Graus (http://180grausofilme.com.br/)

Este filme foi uma loteria: fui assisti-lo pensando que ia ver outro. Li as sinopses e acabei fazendo uma confa.  Mas ainda bem, viu?  O filme é muito bom!  Não só tive a oportunidade de ver o maravilhoso Eduardo Moscovis, como também um filme muito bom.  Três atores principals (Moscovis, Malu Galli e Felipe Abib) dão mais que conta do recado. Só acho que a diferença está mesmo na direção de Eduardo Vaisman e no roteiro de Cláudia Mattos.  Um filme de produção aparentemente modesta, mas de excelente qualidade. Na mão de Hollywood viraria Oscar.

A fotografia é muito bonita, cenários bacanas - mesmo os ambientes fechados são muito bem tratados e aproveitados-, a trilha de Fernando Moura também é linda, linda.

Conclusão: foi ótimo ter visto este filme nacional. Sempre fico um tanto desconfiada com as produções locais. Claro que há aquelas excelentes, mas o resultado ainda é muito irregular, então se tem cada surpresa desagradável…mas não foi o caso de 180 Graus.

É a história de 3 jornalistas que criam uma certa amizade. Moscovis rompe com Malu, que acaba se relacionando com Felipe. Bernardo (Felipe) escreve um livro a partir de uma caderneta que chega a ele involuntariamente, um bestseller, e a partir daí o imbroglio entre Bernardo, Russel (Moscovis) e Anna (Malu) vai num crescendo.  O vaivém da história das três personagens dá um ritmo ótimo ao filme.  A história nem é tão rocambolesca se a gente pensar um pouquinho, mas pelos desencontros acaba se transformando num quase thriller.  Apesar do ritmo um tanto lento, eu diria que é um bom filme e vale ser visto.

18

de
setembro

Restaurant Week - final

Como mencionei no post inicial sobre o tema (http://mskeller.blog.terra.com.br/2011/09/10/restaurant-week-i/), fiz uma escolha totalmente “acomodada” para aproveitar o evento nesta edição: restaurantes que já conhecia, de que gosto, e a uma distância alcançável a pé, i,e., próximos de casa.  O custo x benefício foi excelente.

1) La Marie (http://www.restaurantweek.com.br/default.asp?id=45#[ajax]rest.asp?Cod=152&;pagina=1)

Gosto muito do La Marie, como já mencionei em vários posts.  No entanto, foi o mais fraco dos seis restaurante a que fui desta vez.  O ambiente é caprichado, bonito, a comida é boa também, mas no caso do prato que escolhi faltou o brilho a que estou acostumada por ali.  Gostoso, mas não especial. Além disso, como já mencionei anteriormente, o serviço ali é bem fraquinho. E para um ambiente tão pequeno, alguém deveria dizer àquelas pessoas, inclusive pessoal de cozinha, já que eles não conseguem ter essa noção, que não devem falar aos brados (no salão a gente participa da conversa do pessoal da cozinha), os garçons ficam papeando (mas isso já é marca nacional), são de cortesia duvidosa.  Claro que o dono, que é muito atencioso e simpático, não está sempre por ali, então a coisa pega.  No dia em que fui ao restaurante, também não emitiram a nota fiscal paulista pois a máquina estava quebrada. Saí às 13h do restaurante, não dava para um técnico ter visto isso logo cedo? Ou ter um plano B?

Quando cheguei ao restaurante, por volta de 12h15, só havia mais uma senhora por ali. Um rapaz e uma moça com várias tatuagens atrás do balcão. Entrei, não houve um “boa tarde”, um “pois não”. Eu é que tive de me manifestar e dizer que tinha reserva, etc. Lamentável.

Depois disso o serviço foi rápido e nada especial, ou seja, cortesia mínima desejável.  Pedi o carpaccio (vários pedaços estavam com as bordas queimadas e ainda congelados, tanto que deixe parte no prato); o Saint Peter ao molho de vinho branco e arroz no alho-poró, muito gostoso, saboroso, mas nada de especial - acho que minha expectativa é que estava descabida, pensando bem; e de sobremesa manga brûlée com calda de laranja e aniz, esta, sim, simples e muito gostosa: aprovadíssima!

Claro que vou voltar ao La Marie, mesmo fora da RW, como já o fiz várias vezes, pois é um restaurante de que gosto muito, mas o tema atendimento tem de ser mais cuidado. Ah, e uma musiquinha de fundo musical não faria mal.

2) Emprestado (http://www.restaurantweek.com.br/default.asp?id=45#[ajax]rest.asp?Cod=857&;pagina=1)

Este é outro restaurante de que gosto bastante. Da primeira vez em que fui lá, logo depois da inauguração, não gostei. Achei pretensioso, e o prato que experimentei estava até ruim para meu gosto.  Voltei novamente pela RW e a partir daí já fui várias vezes, mesmo fora do evento. O restaurante é bem decorado, bonito, e a comida é muito gostosa.  Lembro que o Emprestado tem esse nome porque não reinventa a roda, empresta.   Faz pratos consagrados de restaurantes pelo Brasil.

Nesta semana o atendimento foi cortês, rápido, simpático. Pedi a Salada Brasileirinha (mix de folhas, abóbora, carne seca, cebola, queijo coalho e vinagrete de limão), muito saborosa e bem farta (sobrou); peixe com banana (Banana da Terra – Paraty – RJ) (peixe com manteiga de alho e ervas, coberto com tirinhas de alho-poró servido com banana da terra e arroz com amêndoas), delicioso!; pudim de leite com calda de goiabada: bom, mas doce demais para meu gosto.  Um restaurante para voltar sempre. Ah, e a trilha sonora é ótima.

3) AK (http://www.restaurantweek.com.br/default.asp?id=45#[ajax]rest.asp?Cod=124&;pagina=1)

Eu fui ao AK há uns dois ou três anos, lá na R. Mato Grosso (http://mskeller.blog.terra.com.br/2009/03/14/e-a-restaurant-week-esta-terminando/). Gostei bastante.  Agora o restaurante está na R. Fradique Coutinho. Lugar bem mais amplo, arejado, mais bonito, eu diria. O atendimento para a reserva foi muito cortês e descomplicado.

Cheguei ao restaurante por volta de 12h15; estava ainda praticamente vazio. Atendimento: a hostess, muito simpática não estava na porta para receber a gente e checar reservas (aprendam com o Monet como se faz, por favor); ela me indicou a mesa e ali fiquei: passou garçom, passou maitre, e nada. Até que que pedi o cardápio…O mal nacional também está por ali: dozens of people se trombando, com olhar no horizonte, e falta de atenção ou percepção.

Durante o almoço, o atendimento foi simpático, eu diria, mas não confiável. Pedi croquetes de pato com geléia picante (maravilhosos!); ragú de lingüiça picante, com polenta rústica e salada de ervas frescas e taça merengue de morangos e calda de mirtilo (uma delícia! Ideal para terminar uma refeição). E sabem por que não comentei o prato principal? Porque não veio.  Veio o spaguettini com pesto de manjericão,com cabeça de lulas provençais. Claro que eu poderia ter pedido a troca, mas olhei para o prato e achei que o desgaste não valeria a pena. Felizmente estava excelente. Mas pode um negócio desses? 3 pratos, uma água com gás e erram o pedido, num restaurante àquele momento vazio?

Quando saí, por volta de 13h15, estava lotado e com espera. Entende-se, a comida vale muito a pena. Não vi os preços no cardápio normal, mas mesmo assim acho que vale uma nova visita.

Ah, e mesmo com fila de espera, portanto do interesse do restaurante liberar mesas rapidamente, tive de pedir a conta duas vezes.

Saldo positivíssimo, portanto, para esta RW. Pena que, por atenderem somente à noite, não fui ao Le Petit Trou (saudade de lá!), ao Vinheria Percussi.  Na próxima RW talvez eu use o mesmo princípio (conhecidos + bons + próximos), só que para a noite. Vamos ver.

14

de
setembro

Em Casa

Faz tempo que não escrevo sobre um livro.  Tenho lido vários, mas deu preguiça de escrever. Vamos mudar essa atitude, certo?

Então vamos lá: acabei de ler Em Casa de Marilynne Robinson (http://pt.wikipedia.org/wiki/Marilynne_Robinson), pela Nova Fronteira. A escritora que, imagino, não é muito conhecida por aqui, escreveu poucas obras e começou nos livros tardiamente, segundo sua biografia.  Mesmo assim, teve seus livros premiados, os três…

Não me lembro bem por quê, mas devo ter lido em algum lugar a sinopse do livro e achei que valeria a pena lê-lo.  Consegui com meus quase ex-vizinhos (Bibliomania), de quem vou sentir saudades.  Um catatau, quase 400 páginas. Mas esse não foi o problema, o problema é a qualidade da versão em português. Mesmo a editora informando que houve revisão de tradução, de texto, o negócio não flui. Não sei se dou azar ou leio muito, mas já li vários livros da Nova Fronteira que me deixaram irritada pelo descuido.  Neste caso não foi diferente.  Não posso imaginar que a autora tenha produzido um texto tão desconjuntado. Há trechos inteiros em que a gente consegue entender por “inércia” o que se quer dizer. Não sei onde aconteceu o problema, mas percebe-se que há algo canhestro do meio do caminho.

Além da falta de sentido, que é o mais grave para mim, há vários errinhos na estrutura de frases, e.g., faltam palavras algumas vezes.  Uma pena, não é? E ao preço que são vendidos os livos, inaceitável. Este, por exemplo, está por mais de R$ 40 na net.

A história é bem interessante. Um romance de personagens, poucas, mas bem bonitas. Não há aventuras, não há grandes lances, mistério, só a alma de três pessoas e outras poucas personagens que gravitam em torno delas: o pai, um pastor idoso, chegando ao final da vida; a filha, Glory, emotiva, sofrida, generosa, amorosa; e Jack, o filho pródigo, problemático, que nunca vai ter jeito, mas de grande doçura.  Seu esforço para fazer o certo é tocante. Há cenas/diálogos entre os três que dão nó na garganta, mesmo considerando o texto ruinzinho em português. Acho que se tivesse lido em inglês teria gostado ainda mais. De todo jeito, recomendo o livro/a autora.

13

de
setembro

De grão em grão…

Ou de filme em filme, de peça em peça…e por aí vai.

1) Viagem de Lucia (Il Richiamo - http://www.imdb.com/title/tt1463167/)

Por que um filme não tem informação no Imdb, nem em sites italianos comme il faut?  Porque grande coisa não deve ser, oras!

O filme acabou sendo bem agradável para mim, porque boa parte se passa em Buenos Aires e é falada em espanhol, e depois passa ao italiano. As duas protagonistas, Lucia e Lea, são italianas que vivem e se conhecem na Argentina.  Foi interessante porque voltei a estudar italiano e a contaminação pelo espanhol é meu drama.  No entanto, ver as duas línguas juntinhas, em alternância, foi muito interessante e gostoso. Realmente são irmãs.  Pudera a gente fazer desse jeito.  Mas não, então dá-lhe estudar para eu não fazer o maior pasticcio ou lio.

A história é um tanto confusa. Há uma parte específica em que até me perguntei se eu tinha perdido alguma coisa, dormido, ou sei-lá-eu-o-quê, tal o salto ou a quebra injustificados, eu diria. Duas mulheres de perfis completamente diferentes: uma jovial, alegre, meio irresponsável, novinha, e a outra séria, profissional, casada.  Elas se conhecem porque uma quer ter aulas de piano e a outra, devido a problemas de saúde, deixa o trabalho de aeromoça e passa a dar aulas de? P I A N O.  Olha que coisa…

As diferenças ficam evidentes no início da relação e parecem intransponíveis, evoluindo rapidamente para uma relação homossexual. Um negócio bem vertiginoso.  Pronto, contei.  Bem, espero que vocês não vejam o filme. Não que seja pior do que muitos a que assisti, mas tem coisa melhor por aí.

A fotografia é bonita em vários trechos, a música assim-assim, agora o enredo, que até pode ser a vida de muita gente, é mal costurado, então vira um negócio inverossímil. Achei as atrizes principais até que simpáticas, bonitas, mas há momentos em que, sobretudo Francesca Inaudi, Lea, perde a oportunidade de sair do raso. Não foi um filme ruim, mas eu esperava muito mais.

2) Trio Canzona - SESI Paulista (http://www.sesisp.org.br/home/2006/centrocultural/Prog_Music_Result5.asp?id=83)

Tenho ido outras vezes ao SESI para os espetáculos de música gratuitos (http://mskeller.blog.terra.com.br/2011/09/05/uma-festa/).  Desta vez, música barroca. Bem interessante sobretudo pelas explicações que os músicos nos dão ao interpretar as peças.  O trio alterou um pouco a programação, tocando mais Bach do que estava no programa. Foi muito bom!

Nunca tinha visto um cravo como o que utilizaram, nem havia estucado o fagote barroco (acho).  Uma horinha de música às 12h, no domingo. Uma delícia!

3) Nelson Leirner (http://www.sesisp.org.br/home/2006/centrocultural/Prog_expo.asp)

Também no SESI Paulista, e gratuita.  Novamente uma exposição muito bem montada.  Olhando para os milhares de itens de “coleção” ali expostos, dá até uma “angústia” de pensar no trabalho para arrumar e desmontar tudo aquilo.

A exposição é colorida, bonita, divertida.  Gostei mesmo das gravuras e nanguins, mas o restante da exposição também é muito interessante.  Ah, e a Disney, Super Poderosas, Turma da Marvel, etc., agradecem. Vá ver para entender.

10

de
setembro

Restaurant Week (I)

E começou a Restaurant Week, 2011, capítulo II (http://www.restaurantweek.com.br/default.asp?id=45).

Como me aposentei, os ganhos são limitados, não dá para desperdiçar nada.  Portanto, resolvi apostar em time que ganha.  Nesta edição limitei-me a restaurantes que já conhecia, que são bons, segundo minha avaliação e, last but not least, alcançáveis a pé de casa.  Sucesso total!

!) Consulado da Bahia (http://mskeller.blog.terra.com.br/2011/05/06/de-0-a-10/)

Dia calorento, ensolarado, lindo mesmo.  Não precisei reservar. Cheguei por volta de 12h (o restaurante abre nesse horário), fui a primeira cliente. O cardápio do almoço é bem representativo.  Escolhi pastéis de camarão (3 pequenos, bem saborosos), muqueca (muito boa, suave, fartíssima), cocada cremosa. Opa! Esta última estava em falta. Hein?  Mas tudo bem, fui de quindim mesmo.  Atendimento cortês, bem razoável se comparado ao restante do que está por aí. Com suco, água, café, serviço saiu por R$ 48,50. Não é barato, mas não chega a ser um absurdo.  Como o restaurante tem pratos muito bem servidos, talvez duas pessoas, em dias normais, dividindo prato e agregando algo paguem isso (por pessoa) ou até menos.  De todo jeito matei a vontade de comer uma boa comida baiana.

2) Monet (antes Casinha de Monet) (http://mskeller.blog.terra.com.br/2011/04/02/restaurant-week-cambio-final/)

Um dos meus favoritos, pela comida, pelo lugar, pelo atendimento. Neste tive de reservar. O Monet é daqueles negócios em que sempre há um avanço, uma melhoria. Desta vez, além de um antedimento bem profissional por telefone, a hostess, muito simpática, recebe as pessoas e as encaminha às mesas. Lá comi a salada Monet (tomates frescos em cubos, rúcula, azeitonas pretas e manjericão, envoltos em manta de mussarela de búfala regada no azeite); entrecôte com Capellini, acompanhado de Sauté de tomate pêra, tomilho e manteiga de limão (a massa estava um pouco mais gordurosa do que eu gostaria, mas mesmo assim saborosíssima e a carne, divina); e para terminar: crème brûlée. Com café, serviço, uma água= R$ 44,00.  A partir de 19/9, o almoço executivo será vendido a R$ 29. Pelo que conheço da comida de lá, vai valer a pena experimentar.

3) Suri Ceviche Bar (http://mskeller.blog.terra.com.br/2010/10/09/vou-vomitar-ali-e-ja-volto/)

Apesar de o restaurante ser bem perto de casa, de ter achado o lugar bom, não voltei lá.  Foi a oportunidade.   Atendimento cortês desde a reserva por telefone.  Hoje o restaurante abre às 13h.  Cheguei 13h05, já estava bem cheio.  Acomodei-me no balcão, o que foi muito bom, confortável.  O atendimento continuou bom e a comida não decepcionou, pelo contrário. Só achei que demorou um pouco. Eu tinha problema, tinha tempo, estava tranquila e pude apreciar meu pisco sour com prazer, mas tinha gente reclamando (várias pessoas).  Mesmo assim, não duvido que muitos voltarão, pois a casa vale a pena. Lá comi: arepas (massa de milho frita com costelinha de porco desfiada e guacamole), uma delícia!; ceviche Mediterrâneo (camarões polvo e lula com tomates salteados, manjeric]ao e azeite de pepperonccino), bom demais!; e por El Tropico (cocadinha com sorvete de creme), muito gostosa. E café…na, na, ni, na, não…a máquina quebrou ontem, então nada de café. Oooh, dó!  O almoço ficou em R$ 58, porque o pisco é caro (R$ 16,50), mas valeu cada centavo.  Um lugar que recomendo.

8

de
setembro

Guilherme de Almeida

Sim, eu sei, eu sei…quem???? Pois é, apesar do nome, de ser considerado o “Príncipe dos Poetas”, de ter uma produção extensa, etc., etc., etc., quem aí leu de fato um livro ou livros de Guilherme de Almedia? (meu amigo Fabrício não vale). Um pouco de informação: http://pt.wikipedia.org/wiki/Guilherme_de_Almeida.

Eu conhecia o autor desde a escola, mas beeem por cima. Sempre essa cara séria, de poucos amigos. E o que ele fez? Participou da Semana de 22; teve um trabalho conjunto com vários modernistas; lutou na Revolução Constitucionalista; tem um monte de livros e poemas, livros aliás avançados em termos de conceito, em termos gráficos; traduziu de monte em várias línguas; é o autor do texto que está lá no Obelisco do Ibirapuera e está enterrado ali;escreveu hinos como A Canção do Expedicionário - eu sabia de cor e sabia que ele escreveu a letra (ouçam: é bem bacana - http://www.suacara.com/expedicionario.htm). E só!  Sóóóóó?

Em dezembro, pouco após a reabertura, fui visitar a Casa de Guilherme de Almeida (http://www.casaguilhermedealmeida.org.br/). Pertence ao Estado, foi vendida por sua esposa após sua morte. Post da época: http://mskeller.blog.terra.com.br/2010/12/16/quase-pedi-agua/.

Voltei lá nesta semana. A casa está linda (acho que mais que antes). Muito bem cuidada, a área para atividades culturais ganhou bancos, está muito bem estruturada. Pude rever o “pequeno tesouro”, como disse meu amigo: obras de Tarsila, Anita, Brecheret, Di Cavalcanti, Segall…G. de Almeida era respeitado, querido e esteio de muitos pelo visto.  Foi um prazer voltar à casa. A visita monitorada, como da outra vez, foi excelente. Pessoal preparado, que gosta daquilo, que quer valorizar o espaço.

É um lugar para visitar muitas vezes, já que o acervo é interessantíssimo.

Desta vez ganhei cópia de dois textos do poeta.  Transcrevo abaixo, pois acho que vale muito lê-los. Espero que gostem tanto quanto eu.

obs.: grafia atual

A Casa da Colina

-Que ideia a sua, ir morar naquele fim de mundo!

Era o que me diziam os amigos quando, há doze anos, construí a minha casa nesta colina, a oeste do vale do Pacaembu.

Fim de mundo?…-Podia mesmo parecer isso. Rua curva, corcovada, de um só quarteirão e com três casas somente (a minha foi a quarta) separadas por terrenos sem muro nem cerca e eriçados de mato hirsuto e anônimo – era apenas uma estrada rústica. A nota agreste: - ponto alto e deserto exposto a descabeladas ventanias que assobiavam noite e dia; e, numa árida escarpa, a uns quarenta metros dos meus muros, o ninho de todos os gaviões que erguiam voo – Pinhé! Pinhé! – e iam, lá longe, fisgar os pardais da Praça da República. A nota fúnebre: - no jardim da casa fronteira, uma lâmpada triste, única iluminação da rua, pendia de um “L” invertido feito de fortes vigas de perobas que formavam exatamente uma forca; e atrás, em pano-de-fundo, parte pobre de um cemitério, uma encosta semeada de túmulos e cruzes. A nota gloriosa: - no horizonte, ao norte, fechando a perspectiva de rua, o recorte pontudo do Jaraguá, o “Senhor do Plaino”, primeira numeração de ouro no Brasil, e, sobrelevando o apinhado central, a sudeste, o Banco do Estado, ascensional, alo obus de louça, com a sua ogiva de luz fluorescente nas noites caladas. A nota simbólica: - com o Estádio Municipal, que é toda a alegria da Vida, de um lado, e , de outro, a necrópole do Araçá, que é toda a tristeza da Morte, assim, entre os dois extremos da contingência humana, a minha rua ia indo filosófica, indiferentemente. A nota pessoa: - aí assentei a minha casa, porque o lugar era tão alto e tão sozinho, que eu nem precisava erguer os olhos para olhar o céu, nem baixar o pensamento para pensar em mim.

E a minha casa me fez fazer, entre os meus “Dez Versos para a Casa da Colina”, este verso:” A estrada sobe,pára, olha um instante, e desce”…

Ora, eu subi, parei, olhei, um instante, e fiquei. Fiquei vivendo a vida daquele suposto fim de mundo, que era de fato um começo. Começo de um pequeno mundo que eu vi, dia a dia, ir-se fazendo em torno de mim. Todo aquele caos primitivo foi-me pouco a pouco, encantando. Quando das grandes chuvas, o lamaçal, escorrendo pela rampa, fazia atolar-se ali embaixo, nas valetas de confluência, automóveis e guinchos. Os “chauffeurs” de praça deixavam a gente na esquina, recusando-se a subir, com medo da derrapagem. Um muro do cemitério ruiu, certa noite, minado pela enxurrada a gorgolejar, levando ladeira abaixo ossadas humanas…

Assim mesmo, mais duas ou três casas ergueram-se, bonitas e corajosas, na minha estrada. E, por uma bela manhã do ano 1950, surgiram autoniveladoras, rolos compressores, caminhões despejando pedra britada e tambores de piche, aplainou-se o leito carroçável; assentaram-se os meios-fios; e, de ponta a ponta, desdobrou-se pela estrada uma grossa, negra e lisa passadeira de borracha.

Asfaltada a rua, multiplicaram-se logo, nos terrenos baldios, as tabuletas com uma designação de metragem e um número de telefone. E foram desaparecendo as tabuletas e aparecendo uns homens que abatiam o mato e deitavam-lhe fogo. Outros, com caminhões descarregando enormes tábuas servidas. Mais outros, construindo com tijolos usados uma espécie de maloca, que tinha um fogareiro dento, fumegando. Outros mais, que nivelavam o terreno, esticavam barbantes presos a pequenas estacas, desenhando no chão um problema geométrico. E ainda outros, trazendo pedras, tijolos, telhas, cal, cimento, areia e cerâmica, e abrindo fossas retilíneas das quais subiam, verticais ao mando de um fio de prumo, puras, viçosas, claras, as casas novas. Não tardou muito, a Light plantava, ao longo dos passeios cimentados e gramados, oito postes de concreto: e na ponta dos seus braços de cano de ferro, acenderam-se, numa só noite, as oito lâmpadas. Foi a festa da rua.

Começou a haver, então, criançada batendo bola, empinando papagaios, pedalando bicicletas, riscando a giz no asfalto a “amarelinha”. Carros estacionados a frente das casas. Gente conversando nos portões. A buzina do tripeiro e o pregão do fruteiro. Domingos de “short”. Corretores e interessados, que chegam de automóvel, param junto aos poucos lotes restantes à venda, farejam, tomam nota e…

Que ideia, a minha, vir morar tão perto do centro!

Ela está ali mesmo, a Cidade Desumana, a seis minutos de auto e quinze de ônibus. Ali mesmo, onde a joalheria dos cartazes-luminosos enfeita as noites turbulentas. Ali mesmo…Que ideia a minha!

Mas, não. Eis o noturno da minha mansarda encarapitada nesta colina, isolada na altura. Corro os caixilhos da janela. E ouço São Paulo. O bojo acústico do Pacaembu está aí embaixo. Ausculto-o. Nele reboa e chega-me aos ouvidos – como se escuta nas conchas um oco marulho de distante oceano – o surdo murmúrio da urbs absurda. E ela me parece tão longe, tão longe, que isto aqui, graças a Deus, é mesmo um fim de mundo.

Guilherme de Almeida / sem referência de data ou fonte

Escada de Minha Mansarda

Março, 28

Íngreme, estreita, escura e curva é a escada que sobe para minha mansarda.

Capaz de desanimar os velhos fôlegos cardíacos, nunca, entretanto, intimidou meu já muito vivido coração. Pelo contrário: leva-me leve, alado como os anjos da escada de Jacó.

Jamais me arrependi de tê-la subido. Sempre me arrependi de tê-la descido. Porque é mesmo uma ascensão ir pelos seus degraus acima: um desprendimento do rasteiro, numa ânsia de quietude, isolamento e sonho, para o pleno ingresso nos meus Paraísos Interiores. E porque sempre uma degringolada ir pelos degraus abaixo: uma humilhante devolução ao mundo de todo o mundo, uma expulsão de réprobo atirado impiedosamente às ganas da caterva.

Escada de minha mansarda…

Chego, pesado, do dia cretino e pornográfico, esbanjado entre interesses desinteressantes, palavrórios e palavrões, mandos e desmandos, incompreensíveis incompreensões…

Chego. O fardo é exaustivo. Enfrento a escada. Parado, um instante, deixo ir por ela o olhar e o pensamento. Já isso é um alívio. O mundo, que eu piso, assume, então, certa importância: a de um capacho. Na sua áspera fibra limpo a sola dos meus sapatos. Lá, no topo, está a libertação.

E subo, contando os degraus, que vão ficando cada vez mais fáceis. E eu vou ficando cada vez mais leve. Mais fáceis…Mais leve…Mais…

Pronto!

Aqui não há leis: nem mesmo a da gravitação terrestre.

Aqui é um ponto fixo no espaço. Talvez aquele por que suspirava Arquimedes: - “Dê-me um ponto fixo no espaço que, com uma alavanca, eu moverei a terra!”

Eu tenho esse ponto. E basta. Não quero alavanca. Porque a terra não me interessa.

Guilherme de Almeida (Coluna “Ontem – Hoje – Amanhã”, no jornal Diário de São Paulo)

5

de
setembro

Uma festa!

Foi assim, num domingo ensolarado, várias escolhas acertadas.

Primeiramente, fui ver um concerto no SESI da Paulista. Eles promovem o Música em Cena (http://www.sesisp.org.br/home/2006/centrocultural/programacao.asp) aos domingos, 12h, gratuitamente. Só uma observação: apesar de o site do Centro Cultural do SESI ser muito bom, sempre cuidado, deve ter dado um tilt. Inexplicavelmente ainda consta a programação de agosto! Bobeada federal!  Enfim, nos próximos domingos vão estar por lá: 11/9 -Trio Canzona (música barroca - programa parece fantástico); 18/9 - Los Impossibles (música barroca - não conheço as peças, mas deve ser bom); 25/9 -Quinteto brasileiro de sopros com Haydn, Piazzola, Tchaikovsky, etc. É preciso chegar uma meia horinha antes para retirar o ingresso. Neste domingo, o teatro tinha 2/3 de lotação.

Apresentou-se o Voz Ativa Madrigal. Um grupo erudito, mas que resolveu cantar spirituals, jazz, como Amazing Grace, Down by the riverside, Elijah rock (lindo), Ride the chariot, etc. Foram 16 músicas lindíssimas e um bis. As vozes são lindas. Engraçado, sempre achei voz feminina o máximo se comparada às masculinas num coro, coral, mas no caso de spirituals o Baixo é imbatível.  O Edison de Matos esteve fantástico. Claro que as sopranos, contraltos, tenores, estavam ótimos, mas o baixo fez a diferença.

Aprendi que os negros americanos combinavam fugas ou golpes em seus senhores, algozes cantando seus spirituals. Heaven não era o céu propriamente, mas o lugar alto onde ficava o quilombo que promovia os resgates, as fugas.  Quando o rio fazia parte de uma música, podia ser uma simples referência a água boa, fresca, limpa ou um conselho: fuga pelo rio é melhor, assim as pegadas somem.  Os negros foram catequizados, mas mantiveram suas raízes musicais, adaptando-as para poderem continuar a apreciá-las e cantã-las sem problemas. Bacana, né?

O show levou pouco mais de uma hora. Então, time for a bite.  Resolvi comer alguma coisa no Pain de France, dentro do Reserva Cultural.  A coisa estava uma bagunça total. Acho que faltaram funcionários. Os que estavam por ali se desdobravam.  Bem, pedi um quiche de queijo de cabra, uma água, um café e uma chou au chocolat pequena. Total R$ 17.  Depois de comer meu lanchinho, fui comprar minha entrada. A barafunda de quando eu havia chegado, continuava. Acho que faltaram funcionários no caixa do cinema também.

Depois de amargar uma certa fila, comprei meu ingresso para ver  Um Conto Chinês (http://www.imdb.com/title/tt1705786/), com meu ídolo: Darín. Já mencionei aqui, várias vezes, que adoro o ator argentino (http://mskeller.blog.terra.com.br/?s=dar%C3%ADn). O filme é ótimo. Divertido, mas comovente.  No final dá até para verter uma lagriminha.  Se tiverem voglia, leiam esta entrevista com o ator, sobre o filme: http://blogs.estadao.com.br/ariel-palacios/tag/un-cuento-chino/.

O filme trata de um ermitão que vive em Buenos Aires. Um homem pra lá de amargo, mas de repente cai um chinês na sua cabeça, ou quase. Roberto, a personagem de Darín, tem bons companheiros no chinês, que não fala uma palavra de espanhol do começo ao fim do filme,  em Muriel Santana, que faz uma Mari encantadora, e nas outras personagens menores que agregam o tempo todo. Muita, mas muita risada mesmo, e uma pintura humana como poucas. A história é boa e a mão do diretor melhor ainda.  E não tem fotografia bacana (muito se passa nas ruas mais simples de B. Aires e na casa simples de Roberto), mas tem uma música bacana.  Darín é fantástico, e prova isso em dramas e comédias, sem nunca deixar de ser fiel a si. Seu talento está lá o tempo todo.

Se puder vá ver em qualquer dia, a qualquer hora.  Não há como não gostar, nem que seja um pouquinho. Mesmo que você não aprecie os hermanos, o que não é meu caso.

E last, but not least: teatro com minha prima. Fomos ao Raul Cortez, da Fecomércio, para ver A Escola do Escândalo (http://www.fecomercio.com.br/?option=com_institucional&view=interna&Itemid=28), uma adaptação da peça de Richard B. Sheridan. Adaptação e direção de de Caco Antibes, ou Miguel Falabella.  Até gostei do ator em cena na Globo, nos tempos do Cala a boca, Magda, mas foi só. Nunca gostei, simpatizei, etc., mas não posso dizer que a adaptação esteja ruim. Está até que boazinha. A peça é de 1777 e conta com zilhões de globais.  O custo: R$ 80/inteira. Então…por muito, mas muito menos, eu vi peças iguais ou bem melhores no SESI, SESC, e sem globais em cena. Na verdade, para mim eles são um fator mais para o negativo que o positivo.

No caso, o esforço deles é patente, tentam acertar mesmo, mas um teatro com apenas 2/3 de lotação mostra que não tiveram sucesso total.  O figurino é muito bonito, requintado, de bom gosto. O cenário também é bem bolado e de bom gosto. Vai até 18/9, mas eu não indico, não.

Ah, antes da peça resolvi tomar um cafezinho e comer um docinho no café do teatro. Uma média e um bownie = R$11, ou seja caríssimo se comparado com o que consumi no Pain de France.

Depois da peça, fomos fazer uma boquinha na Galeria dos Pães. Quase 21h, domingo, e lotadaça. Ficamos na parte de baixo, comi um sanduba, um suco e fiz um arrastão em pães para levar para casa e congelar.  Estava gostoso, mas o lugar estava bem tumultuado. O serviço é mínimamente atencioso. As caixas da Galeria são mal-encaradas demais (sempre que vou lá, vejo isso e sempre me surpreendo. Why?).  Mas ainda assim, a Galeria é sempre um bom lugar para fazer uma boquinha.

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