30
de
setembro
Foi assim um rolê
Em primeiro lugar: feliz dia das secretárias a todas minhas colegas de profissão!
Trabalhei durante 36 anos, dos quais 30 como secretária full time. Foi uma escolha meio que por acaso, mas que me satisfez pela vida. Tenho uma personalidade pluralista (não, não é dupla personalidade,não). Gosto de saber um pouco de tudo. Há pessoas que querem saber muito de uma coisa só, mas eu não sou assim. Gosto de obter e disseminar informações (não é fofoca, tá?), gosto de aprender. Acho que a profissão de secretária, ou modernamente assistente, permite uma renovação contínua e ilimitada. É das profissões mais antigas, vem desde os escrivas, começou com a pedra lascada na verdade e chegou ao notebook, ao tablet, e por aí vai. É uma profissão importante, pois, se bem desempenhada, libera talentos de outras áreas, ou seja, permite que o presidente da empresa foque em temas que requerem suas habilidades de presidente, que o médico também o faça, que o engenheiro, idem, e por aí vai. É uma profissão de suporte que pode trazer consigo e para os outros benefícios inquestionáveis se desempenhada com comprometimento, com cérebro, com empenho, e se respeitada por quem faz uso de seus serviços.
E não é que coincidentemente,ontem, após quase um ano de aposentadoria, justamente um dia antes do dia das secretárias, voltei a trabalhar em um evento de porte)? Na verdade, já havia começado meu trabalho no começo de agosto, mas eram ações que podia realizar de casa, na frente do micro, pela internet. Nem eu teria projetado algo tão conveniente.
Nas últimas semanas foram necessárias algumas reuniões, mas mesmo assim sem grandes deslocamentos. Levantamentos feitos, materiais de minha responsabilidade preparados, então vamos lá!
O evento foi em um hotel 5 estrelas na região da Vila Olímpia. 200 pessoas! Começava às 9h, mas antes das 7h já estava lá. Eu fazia o mesmo quando trabalhava para outras empresas. Tudo checado, instalado, e funcionando para receber bem os participantes.
Realizar esse trabalho foi interessante, pois, além dos óbvios ganhos financeiros, fez-me retornar, ainda que temporariamente e brevemente, ao convívio do business world. E ele não mudou nada…Parecia que eu não tinha ficado um dia sem trabalhar. Estava tudo lá, igualzinho. E olhem que a área do evento não tinha nada a ver com o negócio da empresa em que trabalhei pelos últimos 17 anos de vida profissional (auditoria, consultoria). Mesmo assim, eu estava em casa. Foi uma experiência e um sentimento gratificantes.
Algumas observações sobre esse breve retorno aos campos de batalha: para o levantamento que tive de fazer, falei com aproximadamente 800 hotéis (isso, 800) pelo Brasil inteiro.
Privately, eu já havia viajado bastante, aqui e lá fora, e pretendo empreender viagens ainda. Por isso, eu achava que tinha uma noção razoável do que era o negócio de hotelaria e turismo por aqui, até porque, mesmo como secretária, lidei muito com grandes hotéis para organizar reuniões de vários portes. Qual…fiquei surpresa com o que pude depreender desses contatos: nós não estamos atrasados, nós estamos atrasadíssimos na área. Mesmo com as escolas técnicas e faculdades que existem por aqui, a mão de obra, embora carregue a herança nacional da gentileza, é bem despreparada. Mas não são só os funcionários, os donos/patrões também o são. Pelo que pude perceber, desenvolvem o negócio do mesmo jeito que pensões ou hotéis ou estalagens do século XIX. Não adianta só ter a tv mais moderna nos apartamentos, ter fitness center, business center. Isso é cosmética e agrega, verdade, mas o core do negócio continua de visão tão limitada quanto no século passado. E como são resistentes a mudanças, sobretudo as tecno de fato, aquelas vinculadas ao negócios pela internet. Parece que tudo isso é meio bobagem, não vale muito a pena. Engraçado: como será que a super-hotelaria americana e a hotelaria não tão boa, mas bem forte, da Europa continuam florescendo e dando frutos?
O engraçado, é que durante esse meu levantamento, entrei em todos os sites dos hotéis com que falei. Alguns são maravilhosos. Aí você liga para o hotel, pede informações que são de interesse do hotel ter, divulgar, etc., básicas mesmo, e a pessoinha não sabe direito qual o e-mail de contato para o hotel. Isso aconteceu às dezenas. Com um pouco de insistência e trabalho obtive o que precisava, mas poderia ter sido tão mais fácil e produtivo!
E aí a gente olha para 2014 e imagina o que vai ser isto aqui. Agora mesmo, com o Rock in Rio já tivemos um prenúncio: preços estapafúrdios, querendo arrancar o couro dos hóspedes; falta de segurança (roubos escandalosos); o serviço, então, imagino de que nível terá sido…
E ontem então? No hotel queriam cobrar por ponto de wifi, R$ 45/24 horas! Como assim? Em qualquer hoteleco nos EUA ou na grande maioria da Europa, que não cobram as escandalosas diárias que praticam por aqui, tem-se acesso à internet free. Era um evento para 200 pessoas, com alguel de salas, almoço e coffee-break (2) para 200 pessoas! Como o hotel não pode oferecer meia dúzia de pontos ou acessos wifis gratuitos? Vejam bem, há exceções em outros países: uma amiga, em viagem ao Japão, achou o serviço em alguns lugares abusivamente caro. Um amigo que viajou recentemente para Jordânia, Turquia e Itália teve problemas de conexão e de acesso. Eu já tive problemas também, mas há 3-4 anos. Em minhas viagens de 2010 e 2011 (fiz 3 internacionais e uma nacional), problemas só no Brasil mesmo. De novo: o tal hotel tinha preços de diárias nesta semana próximos a R$500. Nessa diária, só está incluído o café da manhã. Podeeee???
A desculpa é que a Anatel interfere no que podem oferecer graciosamente Alguém acredita? Ué, vão todos os hoteliers fazer uma passeata na Paulista. Quem cobra o que cobram os hotéis brasileiros, sobretudo nas grandes capitais, não pode dar essa desculpa esfarrapada. Ou seja: o hóspede que pague e pronto. Além do que o core de hotéis não é ganhar com wifi/acesso à internet. Esse é um serviço que deveria ser prestado ao hóspede como parte do core do hotel: hospedagem!
Enfim, a parte de eventos foi razoavelmente bem. Os funcionários, neste caso, mostraram-se bem treinados, sabiam o que fazer, em geral as providências foram rápidas, com uns poucos escorregões inexplicáveis. Só lembrando, embora estejamos num dos BRICs, os preços para toda essa roda girar é de primeiro mundo.
Os participantes, até pelo grande número, formavam um grupo heterogêneo, mas interessante. Foi um dia bem cansativo, já que começou cedíssimo, mas muito compensador.
Agradeço aos amigos que se lembraram de mim para ajudá-los nesta empreitada. Valeu!












