7
de
agosto
Colocando o blog em dia
Deu preguiça… mas fazer o quê? Todo mundo passa por isso na vida, certo? Mas vamos colocando o blog em dia e rapidinho…
1) Louise Bourgeois e Coleção de Fotos da Telefônica no Tomie Ohtake (http://www.institutotomieohtake.org.br/inicio/teinicio.htm)
Já havia mencionado ter estado no Instituto Tomie Ohtake (http://mskeller.blog.terra.com.br/2011/08/04/andancas-da-semana/) semana passada, mas só falei do restaurante (Santinho).  Obviamente, vi as exposições que estão por ali.  A de fotos da Telefônica tem coisas bem interessantes (Vik Muniz, Helena Almeida, Andreas Gursky, etc.).  Só que foto não é muito a minha. Vejo e até aprecio, mas não sou aqueeeela fã.  De qualquer maneira, vale ver o conjunto exposto no ITO. E lembrando: exposições ali são de graça, o espaço é bacana, tem uma ótima livraria e uma lojinha proibitiva ao “úrtimo”, mas interessante de garimpar.
A outra mostra é das obras de Louise Bourgeois, aquela da aranha do MAM.  Ela faleceu recentemente, teve uma longa vida.  Há obras de que gostei (a top para mim é a que aparece na foto aqui de cima), mas achei tudo escatológico demais para meu gosto, ou ininteligÃvel.  Explico: qual o valor, a não ser o financeiro mesmo por ter sido de uma artista renomada, de retalhos de cartolina com frases comunÃssimas escritas com caligrafia claudicante? E a lápis? Podia estar em uma vitrine, mas penduradinho na parede como se fosse obra de arte?  E mesmo assim, para minha mente mediana, pela estética e conteúdo, valorizar isso é um tantinho demais. Enfim…Prepare-se para ver muitas referências eróticas (Da. Louise era fogo ou queria ser e deu um jeito de sublimar seus anseios), materiais bem diversificados, cores, um “aranhão”, e por aà vai.  Apesar de não ter gostado muito do conjunto, acho que vale ver, conhecer. Sempre ajuda a tornar a cabeça da gente mais elástica.
2) 3o. Arq!tour Centro de São Paulo (http://www.arqbacana.com.br/interna.php?id=8709)
Fotos que fiz durante o passeio: http://bit.ly/mUyG1o ou https://picasaweb.google.com/miriamkeller/Tourpredios30072011?authuser=0&feat=directlink.
Tenho feito vários passeios, nos últimos anos, com a Arq!Bacana. O anterior foi este: http://mskeller.blog.terra.com.br/2010/08/22/quase-deprimi/.  Queria há muito fazer o do centro de SP.  Agora deu certo.
Sábado passado, fizemos um passeio a pé (muitos dos integrantes do grupo são arquitetos ou ligados a desenho, design, etc.) pelo centrão. Levou perto de 6 horas. Voltei ao Martinelli (nunca é demais mirar SP dali: http://mskeller.blog.terra.com.br/2011/04/29/matando-vontades/), revi muitos lugares a que já havia estado: Pátio do Colégio, Mosterior de S. Bento, CCBB, etc.  Mas vi o que não enxergava: portais fantásticos, edifÃcios de sonho ques posso visitar durante a semana, pois hoje abrigam sobretudo bancos ou conjuntos comerciais.  Pude ver a recuperação do EdifÃco Guinle, projeto de Hipolyto Pujos, o primeiro arranha-céu de S. Paulo. Pasmem, a Mundial Calçados está bancando a recuperação. Na frente do prédio a proteção é como em NY, por exemplo, traz o desenho do edifÃcio como era originalmente e como deve ficar. Mais, nas sacolas em que os sapatos são embalados, a loja teve o capricho de imprimir a história do edifÃcio e de sua recuperação. Lembrem-se: sapato agora, só Mundial… Vi também o EdifÃcio Ouro para o Bem de S. Paulo, que tem o formato da bandeira paulista, e por aà vai.  Só com o tour mesmo,  pois quem, caminhando pelo centro tão conturbado, e por que não perigoso, da cidade vai ficar de boca aberta olhando para cima para ver essas belezuras? O guia forneceu informações muito interessantes, preciosas. Mesmo já tendo feito tantos tours do gênero pela cidade, sempre há algo a aprender.
Aliás, já de começo: saÃmos da Praça Antonio Prado, do relógio De Nichile. Vejam a história de algo por que passamos e nem nos damos conta: http://www1.folha.uol.com.br/saopaulo/812482-relogio-de-75-anos-no-centro-e-liberado-da-lei-cidade-limpa-para-sobreviver.shtml.
Da mesmo forma que há empresas como a Mundial, o Magazine Luisa, e outros, que recuperam o espaço, há desleixo absurdo por outras partes (vejam a obra de Di Cavalcanti no Triângulo - depredada absurdamente). Essa irregularidade reflete tão simplesmente a falta de uma polÃtica inteligente, laboriosa (o pessoal é preguiçoso mesmo), comprometida de recuperar e/ou manter o patrimônio histórico. Quando temos um prefeito que quer vender quarteirões para poder cumprir promessa de campanha e pavimentar seu caminho polÃtico, o que mais podemos esperar da administração que está aÃ? Ainda mais numa cidade como SP, em que a arrecadação é altÃssima, mal utilizada e alimento de corrupção como temos visto em vários casos, mas mais que suficiente para se fazer um bom trabalho. Além o aspecto financeiro, o psicológico é muito importante: a comunidade não trabalha junto com a administração pública, e ela seria o grande motor do bem-estar para a cidade. E por que isso? Porque não confia, não acredita. EU não acredito, infelizmente. Portanto, diante de nossos olhos, o patrimônio histórico da cidade se esvai. A gente fica torcendo para que o empresariado consciente pipoque por aà para retardar esse processo.
Ah, e que desserviço os vários órgãos da Prefeitura instalados em edifÃcios históricos (e.g. Martinelli e outros à volta). Não só não cuidam como deveriam como impedem o acesso do cidadão. Não podemos visitar a casa onde morou Martinelli,no topo do edifÃcio, porque tal secretária está lá; idem para o jardim do Banespinha; e o mesmo para vários outros prédios pela região. Por que não põem todo esse pessoal junto em algum mastodonte sem graça de que a Prefeitura seja dona (ela o é de montes de prédios) e devolve o que é de valor histórico integralmente para a sociedade?  Sei que vou morrer e não vou ver isso. Uma pena!
No link da Arq!Tour há uma boa descrição de todo o passeio.  Ah, e vejam um vÃdeo sobre o projeto Bicicloteca (livros para moradores de rua). A pessoa que instituiu o projeto e está no vÃdeo foi morador de rua também. O homem é superarticulado, inteligente. Ai, eu penso…como pode?  Esse é um daqueles projetos de sonho que a gente torce (e tem de ajudar de alguma maneira) para dar certo. Resgatar a dignidade humana não tem preço!






