Escrever para viver!

Tudo que der na telha e que eu achar que vale a pena

16

de
agosto

De crianças e outras coisinhas (I)

Já escrevi zilhões de vezes que gosto de teatro e literatura infantil. E sempre que há uma peça que pareça interessante (a maioria o é, a bem da verdade), lá vou eu. E desta vez enrolei, enrolei, enrolei, mas consegui ver Birili e o Pote Vazio (http://www.bb.com.br/portalbb/page511,128,10162,1,0,1,1.bb?codigoEvento=4210) (http://vejasp.abril.com.br/teatro/biliri-pote-vazio) no penúltimo dia.  A peça foi levada no teatro do Centro Cultural do Banco do Brasil.  Gratuita. Começavam a distribuir os ingressos às 10h para a sessão das 11h e às 14h para a sessão das 15h.  Pelo menos à tarde, tinha de chegar bem antes das 14h para pegar fila e garantir o ingresso.  O teatro tem 130 lugares, se não me engano, então não dá para bobear.

Cheguei 13h20. Primeira! Peguei meu ingresso e fui tomar um café no Cafezal, cafeteria boazinha do CCBB.  Depois subi para outra fila.  Como no hallzinho de entrada do teatro há mesas e cadeiras (ali funciona um restaurante/café), preferi sentar-me, afinal ainda faltava quase uma hora para a peça. Como eu, outras pessoas sentaram por ali.  As mesas são para 4 lugares. Escolhi uma num canto e fiquei lá lendo minha revista. De repente percebo alguém mexendo nas cadeiras da mesa. Obviamente, eu não pretendia monopolizar uma mesa de 4 lugares, mas do jeito que um rapaz (pai) e sua filha (de uns 6 anos) apossaram-se dos lugares foi emblemático: sem cumprimentar, sem pedir licença, sem perguntar. Foram se sentando.  Olhei os dois nos olhos. Nem uma palavra.  O mesmo quando se levantaram para pegar a fila de entrada. Pode?  Por isso essa criançada não tem limites, não tem noção de limites, do que pode, não pode. Com esses modelos…e olha que não parou por aí. Dentro do teatro crianças chutando os assentos da frente, movimentando-se sem parar em suas cadeiras e com isso prejudicando a visão de quem estava atrás. O pior: nem um pio de pais, tios, avós, ou o que for.  Eles olham e permitem que os semideuses mirins façam de tudo.  Será que dói ou dá tanto trabalho passar conceitos básicos de civilidade, respeito às crianças?  Acho que os adultos pensam assim, senão como explicar a situação a que chegamos? E não é implicância minha. Uma das coisas mais mencionadas por visitantes oriundos de países desenvolvidos é a percepção de que aqui não se diz por favor, obrigado, com licença, desculpe. Sobretudo crianças. Outro ponto é a birra da criançada, ou o poder exercido.  O pior é que essas crianças serão os adolescentes, adultos que se apoderarão de lugares vazios sem pedir licença, sem perguntar, sem dizer boa tarde!

À peça: ótima! A adaptação, o cenário, o figurino, a iluminação, tudo muito elaborado.  Usaram técnica muito sofisticada, como a que vi no espetáculo do Pilobolus (http://mskeller.blog.terra.com.br/2011/06/01/dancando-conforme-a-musica/). Sombras, imagens, movimentos, diálogos, tudo mágico.  Uma delícia! Pelo menos conseguiram segurar a turba infantil pela hora da peça.  Pena que a temporada terminou. Se voltar, não percam.

É a história de um menino muito jeitoso com plantas, flores. O imperador lança um desafio. Quem fizer florescer, de sementes que ele distribuiria, a flor mais bela seria seu sucessor, já que ele não tinha herdeiros. Todas as crianças ganham sementes. No dia de apresentar o resultado todas as crianças, menos Birili, tinham lindas flores para mostrar.  O menino tentou, tentou, não conseguiu nada, e ficou muito envergonhado. Mesmo assim, foi até o imperador com seu vaso vazio.  Surpresa…todos haviam trapaceado, só ele tinha sido honesto. As sementes não poderiam florescer mesmo. Para um mundo de vale-tudo, uma boa mensagem.

Valeu muito ver.

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