Escrever para viver!

Tudo que der na telha e que eu achar que vale a pena

30

de
agosto

De sinfônica, de dança e de fotos

Depois de pegar uns pastéis lá no Pastel da Maria (http://mskeller.blog.terra.com.br/2011/08/27/miscelanea-total-iii-o-fim/), voltei à Casa Portuguesa (http://mskeller.blog.terra.com.br/2011/08/18/outras-coisinhas-ii/). De última hora, marcamos, minha prima, filhas e genro, um almoço nesse restaurante.   Felizmente, o pessoal marcou bem tarde, assim deu para comer meus pastéis lá pelas 11h tranquilamente e deu para gerar um espacinho para o bacalhau lá pelas 14h.  Durante a semana, o cardápio, além dos pratos normais, tem pratos do dia a preços ótimos. Claro que, como mencionei, não são postas de bacalhau, mas mesmo assim tem bastante bacalhau e o custo x benefício é bom.  No sábado, só à la carte. Mesmo assim, o preço é muito bom.  Pode-se optar em alguns pratos entre bacalhau em posta ou desfiado. Mas desfiado é, de fato, com uns pedaços grandinhos. Pedimos dois pratos (para 5 pessoas). Com bebidas, serviço, sobremesa aprox. R$ 45/pessoa. Ainda levei um marmitex para casa e todo mundo comeu muito bem.

À noite, Jazz Sinfônica com Josee Koning (http://www.apaacultural.org.br/jazzsinfonica/programacao_detalhe.php?id_esp=62), no Auditório Ibirapuera. A cantora, holandesa, tem um português quase perfeito. Ela cantou Chico Buarque, sobretudo Calabar. A Jazz é sempre bonita de ver. O maestro, Fábio Prado, muito simpático, deixou a convidada muito à vontade.  Músicas lindas como O meu amor, Gota d’água, Ana de Amsterdam (ótima!), etc.  Josee Koning conversou muito com a plateia num português quase sem sotaque.  É uma apaixonada pela música brasileira, não resta dúvida. Os arranjos, em sua grande maioria feitos pelos próprios músicos da Jazz, ficaram lindos.

Ah, sim, antes de ir para o Auditório, colaborar com o Graac comendo um BigMac. Dia 27 foi dia do tradicional Mac dia feliz. Parte da arrecadação com os BigMacs vendidos vai direto para o Graac. E como tinha gente comendo BigMac!

Mas isso foi sábado, e ainda tinha domingo, claarooo!

E o dia começou cedinho. Participei da Jornada Fotográfica São Paulo nas Alturas (http://www.prefeitura.sp.gov.br/cidade/secretarias/cultura/noticias/?p=9333).  Esse tipo de evento, pelo que eu soube no domingo, já acontece há alguns meses, mas a participação no dia 28 foi recorde.  E como tudo que depende da coisa pública, o pessoal não tem visão mesmo.  Vamos pelo básico: não é porque 400 pessoas querem participar que podem participar. Como seriam visitados prédios como o Palácio Anchieta, Martinelli e Olido, e, obviamente, teríamos de subir ao topo desses edifícios que têm limitação de acesso, elevadores, o negócio teria de ser mais bem organizado: limite de número de participantes, divisão do grupo em grupos menores iguais.  Éramos muitos, e a divisão foi de acordo com a vontade do freguês. Havia 3 guias. Como eu conhecia um deles (o Laércio), preferi segui-lo. Aliás, ele ficou mesmo com o maior grupo.  No Anchieta a coisa não foi terrível, mas no Olido…subimos ao telhado, onde as pessoas tinham de circular por estreitas passarelas entre telhas. Isso, telhas! Os seguranças estavam de cabelo em pé.  O risco foi imenso para as pessoas, não resta dúvida.  Não fui ao Martinelli, já que o visitei duas vezes nos últimos meses (http://mskeller.blog.terra.com.br/2011/08/07/colocando-o-blog-em-dia/).  Valeu ver a cidade de cima, de pontos diferentes.  As fotos que fiz estão no link abaixo. Espero poder participar de outra jornada (elas mudam de local até onde entendi), e espero que da próxima vez a organização seja bem melhor.

Fotos da jornada fotográfica (copiar e colocar para ver): http://goo.gl/Yglt8.

E este é o site do fotógrafo responsável pela parte técnica/fotográfica do passeio: http://andredouek.blogspot.com/.

Final do dia e vamos para o SESC Vila Mariana, para assistir a Limón Dance Company (http://www.limon.org/). Uma companhia americana que completa 65 anos.  Em horário anterior houve um bate-papo da diretora artística,Carla Maxwell, e do bailarino Daniel Soto com o público. Eu fui mesmo para o espetáculo. Três peças: (a) Era uma vez - não gostei muito, apesar da evidente técnica dos bailarinos, plasticidade dos movimentos, das roupas; (b) Crisálida - um balé só de mulheres. Gostei bastante. O balé é de 2010. Mais leve, mais colorido; e, (c) O Imperador Jones, uma coreografia de 1946, baseada na peça de Eugene O’Neill e com música de Heitor Villa-Lobos. Esta peça foi só de homens. Foi a de que mais gostei.  Não sou fissurada em balé moderno, no entanto seguramente vi espetáculos fantásticos pela vida, e se o Limón não esteve nesse patamar também não decepcionou. Valeu conhecer.

E last but not least: lanche com Ana e Elê, que vai embora já,já para os EUA e só volta em 2013…

Lanchonete da Cidade de Moema (http://www.lanchonetedacidade.com.br/).  Eu conheço a da Tietê, mas nunca tinha ido à casa de Moema. Lotadaça às 22h do domingo. E barulhenta…mas tudo bem.  Sanduíche ótimo, atendimento assim-assim, como em todo lugar, preços altos (paguei o mesmo que para comer bacalhau na Casa Portuguesa. Pode?), mas valeu pelas amigas e pela conversa e pela diversão. Ah, sim, e achei as batatas dessa filial melhor que as que como na Tietê.

E agora se acabou…

27

de
agosto

Miscelânea total (III) - o fim

Agora chegou!  Estou até ouvindo mentalmente Carmina Burana de fundo… Apoteose a caminho, ou quase…

5) Irmãos - o Xingu dos Villas-Bôas ((http://www.sescsp.org.br/sesc/programa_new/mostra_detalhe.cfm?programacao_id=197948))

Depois de ver Lamartine Babo (http://mskeller.blog.terra.com.br/2011/08/26/miscelanea-total-ii/) no SESC Pompéia, aproveite para ver a exposição, ali mesmo.

Como todas as exposições do SESC, esta também estava primorosamente montada. Desde a entrada (um”túnel” de cordas, e peças indígenas,pedras, cacos) até as fotos, os painéis explicativos, a utilização dos laguinhos do SESC para projeção, e canoas indígenas para a criançada entrar e se sentir rio abaixo, rio acima, tudo fantástico. Até um helicóptero que os irmãos usavam para se locomover pelas áreas que visitavam está lá para a gente ver e entrar.

Mesmo sem conhecer direito a história dos irmãos (http://pt.wikipedia.org/wiki/Irm%C3%A3os_Villas-B%C3%B4as), sempre me passaram confiança, integridade, verdade de propósitos.  Lendo os painéis sobre sua vida e trabalho, deu para entender que toda a garra, vontade de conhecer, integrar e proteger veio de casa. O pai já era um defensor da causa indígena.

Tudo começou com o Marechal Rondon, que teve muitas de suas ideias seguidas e ampliadas pelos Villas-Bôas. Não resta dúvida de que, desde o começo, os propósitos eram verdadeiros, corajosos, cidadãos. Se a coisa não deu certo pelo que vemos hoje, e.g., a atuação pavorosa da Funai, não foi culpa do ideário e ações de Rondon ou dos Villas-Bôas, mas do desprezo pelo tema de governo, após governo, e da falta de interesse em formar gente capacitada para o trabalho, o transformou a Funai num cabidário de empregos para atender a demandas e conchavos políticos

Uma exposição importante, informativa e lúdica. Vai até início de setembro e é de graça.

6) Ensaio Geral Aberto da OSESP (http://www.osesp.art.br/portal/concertoseingressos/concerto.aspx?c=2002)

Pois é, a OSESP/Sala S. Paulo tem disso. Há uma programação de concertos abertos, em geral em quintas-feiras, às 10h. Claro que não dá para todo mundo ir, mas quem pode é um felizardo.  Pode-se comprar o ingresso pela internet e o custo é de $10 ou $5, mais taxa. No meu caso foram $5,75.

O espaço reservado para o público pagante é em geral o Coro. Nas frisas laterais, ficam aqueles que contribuem para a Fundação e podem assistir ao concerto de graça (são convidados). A OSESP tem um importante programa para levar a escola à sala de concerto. Em vários desses ensaios há a presença de centenas de estudantes. Eles lotam a plateia central.  Relatei, em outubro passado (http://mskeller.blog.terra.com.br/2010/10/28/aleluia/), o ensaio a que assisti de Antonio Meneses.  Os estudantes daquela data fizeram muita algazarra, barulho, deram trabalho aos monitores.  Os desta semana foram muito mais comportados, civilizados.

Quis ir ao ensaio para ver a nova maestrina em ação. A Sra. Marin Alsop é grandiossa: firme, porém gentil, educada.  Não sou entendida para julgá-la tecnicamente, mas algumas intervenções dela durante o ensaio fizeram muita diferença até para meu ouvido pouco sensível.

Além disso, uma grata surpresa: havia um violinista francês convidado (Renaud Capuçon) que interpretou Erich Wolfgang KORNGOLD, Concerto Para Violino em Ré Maior, Op.35. Eu não tinha ideia do que seria, mas foi lindíssimo.  A ida já valeu pela primeira parte do ensaio.  A segunda parte, muito forte, Sergei PROKOFIEV,Sinfonia nº 5 em Si Bemol Maior, Op.100. Não aprecio muito, mas gostei mesmo assim.

Depois aproveitei para conhecer o restaurante da sala que abriu há um ano ou pouco mais talvez. O lugar é bonito, o atendimento bom, mas o bufê é bem fraquinho. A comida é gostosa, mas as opções são poucas e pouco criativas. E caro para o que oferece: R$ 31,00 incluindo uma água e o serviço, sem sobremesa.

Depois café na Dulca e um docinho e passagem pela “lodjinha” mantida pela Zona D.

Gosto demais da Sala S. Paulo e da OSESP. O fato de trazerem maestros internacionais para reger a orquestra, num sistema de rodízio, só pode agregar. Percebi também, de onde estava assistindo ao concerto, que a orquestra mudou:menos mulheres do que antes e muito mais músicos de mais idade. Talvez seja um sinal de que  a orquestra deixou de ser um “trampolim” para músicos internacionais e nacionais mais jovens, i.e., apenas para constar de currículo, e está se transformando no objetivo de músicos experientes daqui e de fora. Tomara que seja isso.

7) Pastel da Maria (http://www.pasteldamaria.net.br/)

Pois é, a Maria ganhou de novo como o melhor pastel de SP.  A final foi na segunda-feira passada, na Praça Charles Müller.  A intenção era ir lá, mas estava frio demais e começou a chover. Aí não deu. Mas como moro no melhor bairro de SP, do Brasil e do mundo, o que é que tem aqui? Uma loja do Pastel da Maria.  É um lugar amplo, arejado, limpo, com bom atendimento. O pastel sai um pouco mais caro que na feira, mas a comodidade  justifica.

Fazia tempo que não ia por ali. Aproveitei para experimentar o pastel campeão e um de palmito. O de carne é muito bom (não como de carne normalmente, pois acho sempre o gosto meio estranho) mesmo, mas o de palmito nem tanto quanto o das senhorinhas japa de minha feira (Antonio Bicudo - quintas-feiras). Comprei um doce também, mas só vou comer mais tarde. Parece delicioso. A massa é muito gostosa, bem crocante e sequinha.

Parabéns para a Maria e seu pessoal. Ser pasteleiro não é fácil, não.

Depois de comer meu pastel, veio à memória que lá atrás, quado eu era adolescente, havia várias pastelarias em Pinheiros. Todas de chineses. De repente foram sumindo e agora só mesmo a da Maria. Essas mudanças vão acontecendo e a gente nem se dá conta. Quando vê, já está tudo lá no passado.

26

de
agosto

Miscelânea total (II)

E vamos que vamos…continuando (http://mskeller.blog.terra.com.br/2011/08/24/miscelanea-total-i/)

3) O Casamento Suspeitoso (http://www.sesisp.org.br/home/2006/centrocultural/Prog_teatro_o_casamento_suspeitoso.asp)

Estreou no Sesi da Paulista. Texto de Suassuna, o que, a meu ver, é certeza de bom espetáculo, seja peça, seja filme.  Direção de Sérgio Ferrara, o mesmo diretor de Pororoca (http://mskeller.blog.terra.com.br/2010/11/15/ei-la-finalmente-a-pororoca/).  Todo o elenco, que conta com Suzana Alves (ex-Tiazinha); Rogério Brito (ótimo, também esteve em Pororoca); Nani de Oliveira (divertidíssima); Joaz Campos (que esteve também em Noel Rosa - http://mskeller.blog.terra.com.br/2011/05/04/uma-semana-light/); Bete Dorgam, Marco Antônio Pâmio, Abraão Farc (quanto tempo!), Nicolas Trevijano, está excelente.  José Rosa, que engana todo mundo como Madrinha, e Sonia Maria, Voinha, também estão muito bem. E os músicos em cena também agregaram demais.

Texto bacana, atuações fantásticas, cenário de Serroni, tudo certinho, harmonioso, superdivertido, e aos preços camaradas do Sesi.  Fica até 4/12, de quinta a domingo às 20h.  Não deixem de ver. É certeza de ótima diversão.

4) Lamartine Babo (http://www.sescsp.org.br/sesc/programa_new/mostra_detalhe.cfm?programacao_id=200618)

Lá no Sesc Pompéia, para a terceira idade, às terças, 15h30. E lá fui eu, pagando R$ 2,50.   Isso é um sonho ou não é?

Eu havia tentado assistir ao musical lá atrás, no SESC Consolação, mas estava totalmente esgotado. Por sorte, o espetáculo voltou.  Depois de ver espetáculos com canções de Noel, Adoniran, e agora Lamartine, lembrando tantas músicas que conhecia desde minha infância, mas que não apreciava como deveria, começa a busca pela discografia desses autores.  Cada letra bacana, cada melodia encantadora.  Agora me dou conta. Ainda bem…

O musical é curtinho - 60 minutos, a sala (Espaço Cênico) não é das mais confortáveis. Aliás, o que faz uma tremenda coluna lá no meio, tapando a visão de quem se senta à esquerda da sala, sobretudo nas filas mais altas?  E aquela gente do SESC que fica falando, falando, falando e não se dá conta de que está incomodando todo mundo com sua tagarelice em alto volume?  Essa gente não tem noção, aliás não tem cérebro mesmo.

As músicas que desfilaram eram lindas.  Os atores/cantores estão muito bem.  O grupo está azeitado.  O texto de Antunes Filho é bem interessante. Eu só não contava com a revelação final. Mas Valeu ver o espetáculo de todo jeito. E numa terça, 15h30?  Não tem preço!

E a Miscelânea não acabou. Eu caprichei…

24

de
agosto

Miscelânea total (I)

TMI, como dizem americanos (too much information). Então, vamos devagar.

Começando do começo:

1) Memória da Cana (http://www.osfofosencenam.com.br/)

Esta é mais uma peça da companhia Os Fofos. Acho que vi todo o repertório (A Mulher do Trem, Deus sabia de tudo, Ferro em Brasa, Assombrações do Recife Antigo - esta 3 vezes!), faltava apenas Memória da Cana. Para minha sorte, após longo tempo fora da cidade, voltaram ao espaço da companhia lá na Rua Adoniran Barbosa, travessinha da Av. Brigadeiro Luiz Antonio. O espaço em si já é um deleite. Sempre com uma decoração/ambientação pertinente. A venda dos ingressos é como na maioria dos teatros alternativos: feita pelos artistas, ou alguém ligado à companhia. R$ 30 e R$ 15.  Além da peça, do ar despachado e sem-cerimônia do espaço, têm uma cantina trabalhada pelos próprios artistas. Já comi coisas ótimas lá e a preço muito bom.

Memória da Cana baseia-se na obra Álbum de Família de Nelson Rodrigues. Pessoalmente, de NR gosto mesmo é das crônicas. Essas eu li bastante. Romances, li uns dois ou três, mas seguramente não Álbum de Família. Quero ler para comparar, mas o que estava em cena pareceu-me bem rodriguiano.

É a história de um senhor de engenho, casado, com quatro filhos. Ditadura total: os filhos são problemáticos, submissos, covardes, eu diria. A mulher é usada e abusada e faz o mesmo.  As relações são doentias. O homem encomenda meninas virgens para fazer sexo. Enfim, muito do que ainda deve haver pelo Brasil e a gente não vê.

A cenografia é primorosa, o guarda-roupa também. A iluminação e sonoplastia também são fantásticas. Tudo feito por eles, pelos atores mesmo.

Como em todas as outras peças a que assisti, sobretudo Assombrações, a disposição do cenário, da plateia já intrigam e encantam.  Interessantíssimo como itens do cenário, bem importantes, são descartados lá pelo meio da peça.

O texto é muito forte. Os atores estão muito bem, superazeitados.  E apesar de minhas expectativas estarem lááá em cima pelo que já havia visto com a companhia, elas foram plenamente satisfeitas.

Se puder, vá ver. E tome o caldinho de feijão depois da peça.

2) Preferiria não? (http://www.sescsp.org.br/sesc/programa_new/mostra_detalhe.cfm?programacao_id=200774)

A peça dirigida e encenada por Denise Stoklos (http://denisestoklos.uol.com.br/), baseia-se em um livro de Herman Melville, Bartleby o Escrivão (http://pt.wikipedia.org/wiki/Bartleby,_o_Escriv%C3%A3o). Melville é o mesmo de Moby Dick.

E, acreditem ou não, eu li esse livro. Nem adianta me perguntar por quê, mas eu li, e gostei muito. É um livro pungente, sensível, bonito mesmo. E com o livro na cabeça fui assistir à peça.

Fazia mais de década que não via DStoklos atuar. Falta de oportunidade talvez.  Verdade que, apesar da admiração que nutro por ela - ouçam como ela define sua arte no site acima; tocante!, para mim sempre uma atriz de vanguarda, combativa, esclarecida, destemida, não é das minhas favoritas.

Achei-a muito bem na peça: dinâmica, com muito fôlego, divertida, mas não gostei da peça em si. Não porque ela não seja boa, longe disso. Mas fugiu muito ao que estava cristalizado em minha mente. O fato de ter lido o livro anteriormente foi uma espécie de bloqueador. A peça tem cenário minimalista, a atriz veste-se totalmente de negro. A iluminação é bacana. Mas infelizmente, para mim, a beleza, a poesia do texto perdeu-se nos muitos cacos, piadas contemporâneas e por aí vai. Talvez quem não conheça a obra aproveite mais a peça. Eu estava contaminada por um pré-juízo, então não deu para apreciar como eu gostaria.

Obviamente, valeu ver DStoklos em cena depois de tantos anos, em plena forma.  A peça fica até 18/09 no SESC Consolação. Principalmente se não leram a obra de Melville, acho que vale ver o espetáculo.

20

de
agosto

Gol de placa

Não se animem! Não gosto de futebol. Já gostei um dia, mas faz muito tempo. Depois que o esporte tornou-se essa coisa mercenária, com um monte de gente tresloucada virando ídolo, influenciando (mal muitas vezes) massas, e ganhando zilhões injustificadamente, pendurei as chuteiras.

Maaas…mesmo não tendo mais apreço pelo futebol, não dá para não gostar do Museu do Futebol de S. Paulo, ali no Pacaembu.  Havia visitado o local faz um tempinho (http://www.museudofutebol.org.br/historia/). Gostei muito já daquela vez.  O conceito é ótimo, as informações são passadas de forma amigável (e são muitas!), bem organizadas, a apresentação é bonita, lúdica, eu diria. A interatividade é fantástica!  O museu é bem orientado, i.e., a gente não deixa de visitar nada. É bem mantido, tudo funciona, o que é um milagre por aqui.  O ingresso também é bem razoável: R$ 6 e R$ 3.  A pena é que o acesso não é dos mais fáceis para quem depende de transporte público.  É um museu nota dez, aliás outros museus deveriam tê-lo como modelo.

Um único senão, aliás dois, não, três (eu sou chatinha mesmo): (a) a lojinha tem coisas muito caras (camisas, bolas, chuteiras).  Poderia ter mais itens exclusivos do Museu, com a marca de lá, e de preço mais modesto.  Só tem lápis, caneta, uns chaveiros, estes nem tão baratos assim; (b) o restaurante ocupa uma área privilegiada. Em dia de sol, uma delícia ficar por ali: grande, arejado, iluminado. Só que o local não prima muito pela limpeza. Há um certo desmazelo.  Há pratos e lanches de preço razoável, mas muitos pratos têm o preço de restaurantes muito mais bem montados. O serviço foi bem simpático. Mas o lugar merecia um ambiente mais bem cuidado; (c) na sala em que estão informações, fotos, vídeos de todas as copas (sala ótima, fantástica mesmo!) falta a de 2010 (http://pt.wikipedia.org/wiki/Copa_do_Mundo_FIFA_de_2010). Estamos em meados de 2011!  Não deu para atualizar as informações?

O pessoal do museu também é muito simpático e prestativo.

Ah, e estão com uma exposição temporária: Olhar com outro olhar.  Se o visitante quiser (eu fiz isso e recomendo), ele é vendado e com a ajuda de um monitor faz um percurso com informações em braile, depois uma maquete que a gente tateia é descrita por um narrador para que a gente tente criar a imagem mentalmente (tato + informações orais), e só depois tira a venda. Aí se vai para uma sala escura em que é projetado um filme do futebol de cinco (http://www.cpb.org.br/esportes/modalidades/futebol-de-cinco). O que a gente vê é fantástico!  Só o goleiro enxerga e os jogadores são guiados por uma pessoa atrás do gol adversário, pela bola com guizos, e.g.: para a direita, em frente, junta mais…e por aí vai.  E não é que eles fazem lindos gols?  Olha aí Mano Menezes, quem sabe esse pessoal do futebol de cinco não vai melhor que os “craques” que ganham seu peso em ouro para vestir a camisa da seleção?

O objetivo da exposição é mostrar ao visitante vidente o futebol dos cegos e fazê-lo vivenciar as dificuldades de um deficiente visual que visita uma exposição. Com as informações coletadas, pelo que entendi, a ideia é criar um circuito compatível para portadores de deficiência visual.  Bacana ou não é?

O “espírito” do museu é muito interessante: aberto, simpático, inovador.  Não vai me fazer voltar a gostar de futebol, mas com certeza vai me fazer voltar para outras exposições temporárias.

Detalhes para visitação (atenção! Às quintas é gratuito): http://www.museudofutebol.org.br/historia/visitacao/horarios-e-ingressos.html

E minhas fotos feitas por lá. Estão piores que a média, pois fiz com o celular. Na sexta era Dia do Fotógrafo, então excepcionalmente permitiram fotos sem flash. Infelizmente, eu estava sem minha microcâmera, mas acho que mesmo assim dá para ter uma ideia do lugar. E havia nesse dia também a possibilidade de participar de um concurso, com bons prêmios em $ para a melhor foto. Outra iniciativa bacana.

https://picasaweb.google.com/lh/photo/pRec-j8Lz3U-6ayhtAFBTw?feat=directlink/

(copiar e colar este link)

19

de
agosto

Mas era só um planetinha?

Apesar do imbroglio envolvendo Lars von Trier, é inegável seu talento, sua criatividade. Dogville, O Grande Chefe, Dançando no Escuro então?  Gosto demais dessa filmografia. Vi Anticristo (http://mskeller.blog.terra.com.br/2009/09/03/vade-retro-ou-anticristo-para-os-intimos/), com Willem Defoe, gostei, mas menos do que dos outros. Violento, escatológico demais para minha cabeça. De todo jeito, ver Lars von Trier sempre é esperar por inovação, por criatividade em vários níveis, não há padrão de fato. A gente sabe que vem algo muito diferente, não necessariamente bom, nem ruim, só tem certeza de que verá approaches inovadores.

E com Melancolia (http://www.melancholiathemovie.com/) (http://www.imdb.com/title/tt1527186/) não foi diferente.  Dois filmes em um. Há uma ruptura enorme lá pela metade do filme.  Primeiro, a história de Justine: deprimida total, que tem uma festa de casamento de sonho, mas que em dado momento transforma-se num tremendo pesadelo. A gente vai angustiando junto com as personagens e não vê a hora de aquela tortura ter um fim.  Justine é o link entre a “primeira e a segunda parte”. O filme passa a ser um excelente thriller de ficção científica. Ah, sim, aqui é que entra o planetinha…Bem, espero que seja mesmo ficção científica, que não haja a menor possibilidade de acontecer tudo aquilo, para nosso bem. As angústias, a psicologia das personagens são tão claras que a gente tem a impressão de conhecer plenamente Justine, Claire, Leo, John.  Aliás, angústia é o que não falta por todo o filme.

A fotografia é lindíssima!  Desde as primeiras cenas, a gente vê um Dalí em movimento. Aliás, a história toda está resolvida nos primeiros cinco minutos. Preste atenção.

A trilha sonora é m a r a v i l h o s a! Tristão e Isolda de Wagner e outras músicas incidentais. Tudo na hora certinha!

Mais um filme de von Trier de tirar o fôlego. Sobretudo a segunda parte, vai ficar na minha memória por muito tempo.

E ontem à noite, Sesc Pinheiros: Donka - uma carta a Tchekhov (http://www.donkashow.com/donka.html).  Já vou avisando: vai até domingo. Se puder (houver ingressos), não perca.  O espetáculo é uma concepção e performance da Companhia Finzi Pasca em parceria com o Tchekhov International Theatre Festival (sim, isso existe…).

Um espetáculo fantástico! Figurino, iluminação, projeções (Pilobolus melhorado), humor simpático (as crianças presentes divertiram-se muito), poesia, contorcionismo e malabarismo de botar qualquer Cirque de Soleil no chinelo.  Duas horas de espetáculo sem um segundo de marasmo, de ausência de beleza, de ausência de poesia.  E o grupo canta, dança, interpreta, contorce-se, faz malabarismos, acrobacias, tudo com perfeição. E tem sapateado, patinação no gelo literalmente, balé. Enfim, um mundo de arte.

Ah, e no palco perto de 10 artistas de todo o globo: italiano, espanhol, brasileiro e por aí vai.

E eu tive um “plus a mais”. Até começar o espetáculo, diverti-me com quatro mulheres (mãe, duas filhas e uma amiga), todas já entradas em anos, sentadas atrás de mim.  Que grupo divertido, bem humorado, engraçado mesmo.   Amenizaram a espera.

Bom ter apostado no espetáculo. Ganhei a aposta.

18

de
agosto

…outras coisinhas (II)

Continuando…(http://mskeller.blog.terra.com.br/2011/08/16/de-criancas-e-outras-coisinhas-i/)

Faltou energia, então agora vou terminar o post.

Na semana passada, fui almoçar com uma amiga no restaurante Casa Portuguesa (http://www.casaportuguesa.com.br/). Deram uma boa ajeitada na casa, pelo menos acho, pois fazia década que não ia por ali.  O cardápio traz como prato do dia duas opções com bacalhau (claaarooo!).  O preço é bem justo (menos de R$ 20,00 em geral) e o prato, pasmem, tem até bastante bacalhau. Não é uma posta, um pedação, mas o custo x benefício é bem justo. Os pratos com mais bacalhau batem nos R$ 30, mas mesmo assim são baratos considerando o contexto geral. Ah, e dá para beber um vinho português bem gostosinho por $ 9,00.

O serviço não é dos melhores, mas a comida compensa.  Vou tentar voltar mais amiúde.

E agora um pouco sobre minha rentrée no mundo acadêmico (http://mskeller.blog.terra.com.br/2011/07/22/volta-ao-bancos-escolares/).

Comecei meu curso de italiano na USP. Como mencionei no post de julho, fiz a graduação em neolatinas por lá há uns 30 anos. O francês consegui manter, mas o italiano foi para a gaveta.  Resolvi voltar à ativa.

A classe é até bem grande, talvez uns 15/16 alunos. Toda ela, exceto eu e outro aluno, conhece-se há muito tempo. Muitos começaram juntos, lá no primeiro estágio.  Todo mundo tem curso superior, 99% está aposentado, 90% é mulher ( apenas 2 homens) .  A professora pareceu-me boa. Ótimo acento, postura de quem quer ensinar. E precisa, viu, porque a classe “chiacchiera” (http://en.wiktionary.org/wiki/chiacchierare) de monte. Vai precisar de um pouco de pulso. Mas o grupo pareceu-me bem simpático.

Não precisei comprar o livro. A Letras tem uma supergráfica que reproduz o material didático em alguns casos. Ainda bem, pois parece que o livro atual não terá vida longa e vai mudar em breve. A cópia sai beeem mais barato.

A primeira aula foi um conhecer-se mutuamente, mas a profa. já deu um texto bem interessante e de bom nível.  jà separei meus livros para estudar por conta para tentar retornar a um nível legal mais rapidamente.  Considerando o recomeço, acho que não me saí mal.  Prova de que tive ótimos professores, estudei muito, e gostava do que fazia.

Algumas observações: o prédio da Letras (imagino que muitos na USP sejam assim) é conceitualmente defasado. Não há rampas para deficientes de fácil acesso, não vi elevador.  Escada, escada, escada…má manutenção.  Para comer é um sufoco. Parece que tem alguma coisa melhorzinha perto da ECA, mas tem de andar um bocado. Nossa cafeteria é minúscula, bagunçada.  Não dava para colocar algo melhor ali? Afinal, garanto que quem está ali não perde nada, só lucra. E se atendesse melhor, ganharia mais. Mas alguém tem de exigir, ou não? Oooh, mentalidade atrasadinha.

O mobiliário da sala é até ergonômico e relativamente novo, mas a sala é bem meia-boca. Imagino o estresse de quem faz o curso de graduação por ali: a gente participa da aula alheia e vice-versa tal a baixa qualidade de paredes, divisórias, da acústica.  Periga eu sair falando russo também.

E pasmem: um mês de férias e quando tem gente martelando, quebrando, gerando poeira e ruído de montão?  Isso, agorinha.  Eita, planejamento…é, não é o forte de Humanas mesmo. Mas raciocínio e competência não escolhem cadeira, oras!

E dá para ouvir o pessoal do lado de fora do prédio, mesmo estando no segundo andar. Fechar as janelas, nem pensar, pois aquilo é uma verdadeira estufa. Deve ter sido construído para acabar com pensantes humanitários. E eu que achava as colmeias ruins…paga a língua, paga…

De todo jeito, fiquei contente em voltar ao campus e ver como, cada dia mais, ele é a casa de gente aged como eu.

Allora, ci vediamo no próximo post.

16

de
agosto

De crianças e outras coisinhas (I)

Já escrevi zilhões de vezes que gosto de teatro e literatura infantil. E sempre que há uma peça que pareça interessante (a maioria o é, a bem da verdade), lá vou eu. E desta vez enrolei, enrolei, enrolei, mas consegui ver Birili e o Pote Vazio (http://www.bb.com.br/portalbb/page511,128,10162,1,0,1,1.bb?codigoEvento=4210) (http://vejasp.abril.com.br/teatro/biliri-pote-vazio) no penúltimo dia.  A peça foi levada no teatro do Centro Cultural do Banco do Brasil.  Gratuita. Começavam a distribuir os ingressos às 10h para a sessão das 11h e às 14h para a sessão das 15h.  Pelo menos à tarde, tinha de chegar bem antes das 14h para pegar fila e garantir o ingresso.  O teatro tem 130 lugares, se não me engano, então não dá para bobear.

Cheguei 13h20. Primeira! Peguei meu ingresso e fui tomar um café no Cafezal, cafeteria boazinha do CCBB.  Depois subi para outra fila.  Como no hallzinho de entrada do teatro há mesas e cadeiras (ali funciona um restaurante/café), preferi sentar-me, afinal ainda faltava quase uma hora para a peça. Como eu, outras pessoas sentaram por ali.  As mesas são para 4 lugares. Escolhi uma num canto e fiquei lá lendo minha revista. De repente percebo alguém mexendo nas cadeiras da mesa. Obviamente, eu não pretendia monopolizar uma mesa de 4 lugares, mas do jeito que um rapaz (pai) e sua filha (de uns 6 anos) apossaram-se dos lugares foi emblemático: sem cumprimentar, sem pedir licença, sem perguntar. Foram se sentando.  Olhei os dois nos olhos. Nem uma palavra.  O mesmo quando se levantaram para pegar a fila de entrada. Pode?  Por isso essa criançada não tem limites, não tem noção de limites, do que pode, não pode. Com esses modelos…e olha que não parou por aí. Dentro do teatro crianças chutando os assentos da frente, movimentando-se sem parar em suas cadeiras e com isso prejudicando a visão de quem estava atrás. O pior: nem um pio de pais, tios, avós, ou o que for.  Eles olham e permitem que os semideuses mirins façam de tudo.  Será que dói ou dá tanto trabalho passar conceitos básicos de civilidade, respeito às crianças?  Acho que os adultos pensam assim, senão como explicar a situação a que chegamos? E não é implicância minha. Uma das coisas mais mencionadas por visitantes oriundos de países desenvolvidos é a percepção de que aqui não se diz por favor, obrigado, com licença, desculpe. Sobretudo crianças. Outro ponto é a birra da criançada, ou o poder exercido.  O pior é que essas crianças serão os adolescentes, adultos que se apoderarão de lugares vazios sem pedir licença, sem perguntar, sem dizer boa tarde!

À peça: ótima! A adaptação, o cenário, o figurino, a iluminação, tudo muito elaborado.  Usaram técnica muito sofisticada, como a que vi no espetáculo do Pilobolus (http://mskeller.blog.terra.com.br/2011/06/01/dancando-conforme-a-musica/). Sombras, imagens, movimentos, diálogos, tudo mágico.  Uma delícia! Pelo menos conseguiram segurar a turba infantil pela hora da peça.  Pena que a temporada terminou. Se voltar, não percam.

É a história de um menino muito jeitoso com plantas, flores. O imperador lança um desafio. Quem fizer florescer, de sementes que ele distribuiria, a flor mais bela seria seu sucessor, já que ele não tinha herdeiros. Todas as crianças ganham sementes. No dia de apresentar o resultado todas as crianças, menos Birili, tinham lindas flores para mostrar.  O menino tentou, tentou, não conseguiu nada, e ficou muito envergonhado. Mesmo assim, foi até o imperador com seu vaso vazio.  Surpresa…todos haviam trapaceado, só ele tinha sido honesto. As sementes não poderiam florescer mesmo. Para um mundo de vale-tudo, uma boa mensagem.

Valeu muito ver.

13

de
agosto

De velhos

Assunto espinhoso a velhice. Mais que isso, d e s a g r a d á v e l.  Se a Humanidade pudesse, empurarria a velhice para debaixo do tapete, mas isso não é possível, ela é inexorável.  Então, melhor aprender a conviver, a aceitar. E é isso que a sociedade moderna se propôs a fazer: fingir que aceita, que respeita, que ama o velho. Até nomes inventaram para não ferir suscetibilidades: terceira idade, idoso (velho é palavrão), melhor idade, e por aí vai. A criatividade e o cinismo humano são inesgotáveis!

Quando eu era criança, há mais de 50 anos, mesmo pelas plagas nacionais, o velho era considerado, respeitado, ouvido. Com o tempo isso mudou, principalmente por aqui: país do futuro, país que privilegia a forma em detrimento do conteúdo, país sem memória.  Em outros continentes o velho perdeu parte de seu status, mas ganhou algumas benesses, sobretudo sobrevida.  Mas, a meu ver, a responsabilidade por esse quadro mundial não é só dos outros, é dos velhos também, que se deixaram dominar, sob o manto do pretenso mimo, e engoliram as balelas impostas goela abaixo. Aí, deu no que deu.

No entanto, a longevidade está instalada. E vejam que coisa interessante: o mundo está cada dia mais velho, ou cheio deles. Isso mudará só diante de uma hecatombe.  E quem ganha com a maior presença do velho por aí? Primeiramente, obviamente, o próprio; depois os filhos que largam seus filhos com os avós; depois os netos que têm contato com uma sabedoria ou vivência “pronta para beber”; depois o mundo, afinal quem errou lá atrás erra menos hoje, pode ensinar alguma coisa, no mínimo pensa mais antes de fazer a bobagem, tem referências, e estas não dá para comprar.

E de velhos vi um filme e uma peça nesta semana.

Primeiramente, Mamute (http://www.imdb.com/title/tt1473074/), com meu adorado Depardieu. Ele é realmente um mágico (my humble opinion). Papéis que seriam patéticos com outros, com ele são salvos, enriquecidos, parecem até admiráveis.  Já vou explicando que o título refere-se à moto que a personagem de Depardieu, Serge, usava e depois encostou por décadas. Por quê? Vocês verão no filme, oras…

A história começa com Serge aposentando-se.  Difícil rito de passagem para 100% das pessoas.  Para umas mais, para outras menos, e para outras beeem menos (eu, por exemplo).  A base do filme é o caminho que Serge faz para se adaptar e para conseguir os documentos necessários para obter a aposentadoria estatal.  Lá como cá, um processo burocrático, que desrespeita o cidadão, que dificulta o quanto pode, que desconsidera o que ele já contribuiu antes mesmo de por a mão no salário, e o estágio em que normalmente está quando chega ao pedido de aposentadoria (idade, cansaço, doença).  E Serge pega sua Mamute e sai pela França, ou parte dela.  Tem sucesso com alguns empregadores, menos com outros. A personagem tem um toque do Germain de Minhas tardes com Margueritte (http://mskeller.blog.terra.com.br/2011/06/08/quem-sabe-sabe/). Meio bobão, meio alienado, um puro, ou quase.  O cabelão de Serge, pelo meio das costas, na cabeça de um homem imenso de largura, simplório, dá o recado: ele é muito diferente, mesmo para a França.  O filme é bonito, mostra a alma, os anelos, as decepções das pessoas sem grandes discursos, só com atitudes pequenas, aparentemente despretensiosas.  Tem também a parte cabeça. Umas personagens “esquisitas”, umas cenas surreais (pelo menos para mim parecem, vai ver que fora da realidade estou eu), mas são suportáveis e até dão uma quebrada no core da história.  Incrível ver a Isabelle Adjani, que eu conheço há décadas, como que congelada no tempo. A personagem remete a isso, mas eu falo do real: ela está igualzinha! Pode ser cirugia, botox, cosmética, dna, mas que é um achievement e tanto, aaah, isso é.

É um filme para quem gosta muito de Depardieu, como eu, e que gosta também do cinema francês. Senão, procure coisa melhor para ver.

E a peça foi As Três Velhas (http://vejasp.abril.com.br/teatro/as-tres-velhas), de Alejandro Jodorowsky. Queeeem?  Pois é, foi minha dúvida também. Aqui uma wikibiografia: http://pt.wikipedia.org/wiki/Alejandro_Jodorowsky.  A encenação foi no Galpão Folias, local simpaticíssimo que, graças a um amigo, hoje faz parte de minhas andanças teatrais. Como bem observou esse amigo, a plateia ontem tinha muitos jovens sobretudo (uma gente meio esquisita para meu gosto…), o que dá certa esperança: renovação do público de teatro, o que achei que não estava acontecendo como deveria.   A direção é de Maria Alice Vergueiro (a do tapa na pantera - http://youtu.be/6rMloiFmSbw), que também faz uma das 3 velhas. Um dos atores, Danilo Grangheia, vi em outras duas peças: Curupira  (http://mskeller.blog.terra.com.br/2010/11/07/e-nao-e-que-o-curupira-quase-encontra-a-pororoca/) e Palhaços (http://mskeller.blog.terra.com.br/2011/03/13/quase-la/) em menos de um ano. Sabe aquela coisa de saber que viu, mas não sabe onde? Aí meu amigo me ilustrou e fiquei em paz.

O cenário e o figurino são bem bacanas. A maquiagem é excelente, pois remete ao farsesco, ao deboche, e ao dramático, tudo ao mesmo tempo. São carrancas em cena.  O texto é bem pesado em 70% da peça, mas nos outros 30% têm um refresco: escracho puro. O final, que o pessoal não precisava colocar nas sinopses (eita, gente!), se não sabido é bem inesperado. Muito divertido. Apesar dos dramas humanos, das gêmeas destruídas de 80 anos, da empregada torta de 100, o que fica, com o final, é muita festa, alegria, diversão.  Vale ver, mais que pelo texto, por tudo o que está em cena e sobretudo a atuação propriamente dos três atores. Todos premiadíssimos e com justeza.

Fica até 11 de setembro, então dá tempo, e custa R$ 30/inteira+ R$ 15/meia. Como o Folias é daqueles alternativos chiques, cult, ou o que seja, dá para reservar por telefone (http://www.galpaodofolias.com.br/site/category/novidades/) civilizadamente e sem taxas. Pagamento cash.

11

de
agosto

De corpos

Primeiramente, corpos que se deterioram, o adeus sofrido à vida. Assim é A Agonia do Rei (http://www.estadao.com.br/noticias/arteelazer,apos-temporada-no-rio-a-agonia-do-rei-chega-a-sp,754076,0.htm) de Ionesco (http://pt.wikipedia.org/wiki/Eug%C3%A8ne_Ionesco), que foi encenada só por uns dias aqui em SP, no SESC (sempre o SESC…). A temporada no RJ foi bem mais longa.

No elenco o supertarimbado Ednei Giovenazzi.  Os outros atores também estavam bem; gostei sobretudo de Thais Tedesco que fez a empregada Marcelle.

Ionesco não é fácil. Autor das conhecidas peças Rinocerontes, A cantora careca, é dono de um texto duro, que traz para a cena a solidão, a insensatez do homem.

A Agonia do Rei relata o final de um rei de centenas de anos, com um reinado que se funde, ministros que se afogam, edifícios em ruínas, desamado por rainhas, empregados.  E ainda tem um médico que é o carrasco ou vice-versa. Ora, ora, afinal Ionesco é um dos grandes do teatro do absurdo (http://pt.wikipedia.org/wiki/Teatro_do_absurdo).

Há momentos interessantes, divertidos, como a conversa do rei com Marcelle. Momentos até sublimes, se posso dizer assim, quando o rei agoniza.  Mas são poucos, a crueza da vida, das relações é profunda.

E depois, corpos que encantam.

Graças à generosidade de um amigo, fui ver pela primeira vez na vida (pode???) o Grupo Corpo lááá´longe, no Teatro Alfa (http://www.teatroalfa.com.br/?q=content/grupo-corpo).  Saí de lá com um problema: toda vez que o Corpo apresentar-se por aqui vou ter de ir (tomara que seja em teatros mais próximos para eu não precisar passar vontade).

Já tinha ido várias vezes ao Alfa, mas nunca tinha experimentado os lugares no segundo andar. E olha que, se na primeira fila, são bem bons, dá para ver tudinho, e sai bem mais barato.

A primeira parte do espetáculo, um encantamento para mim, foi o balé O Corpo de 2000.  Música de Arnaldo Antunes. Música, música não é, mas cumpre muito bem seu papel. A harmonia entre a música e a coreografia é fantástica. Fica difícil saber se a coreografia foi criada para a música ou o contrário.  Ver pela primeira vez a capacidade aerodinâmica dos bailarinos foi mesmerizante. Os movimentos fortes, o movimento sem interrupção durante uns 30 ou 40 minutos cansam a gente, mas no bom sentido. Sei que não dá e seria muita maldade, mas por mim pediria bis.

Após um intervalo, Sem Mim, que estreia neste ano.  Música linda, coreografia mais suave e igualmente  encantadora, cenário miniminiminimalista mas mais que efetivo. E o figurino? Maravilhoso! A plasticidade é de babar.

Valeu muuuitooo conhecer. Vai até domingo. Se ainda houver ingressos, não perca! Ótimo presente para pais, fllhos, avôs, avós, primos, irmãos, cunhados, vizinhos…

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