Escrever para viver!

Tudo que der na telha e que eu achar que vale a pena

17

de
julho

O mundo mágico dos cupons

Pois é, ao preço que estão os restaurantes por aqui, só assim para poder comer algo diferente, experimentar novos lugares, voltar aos que se gosta.

1) Restaurante Tanger (http://www.restaurantetanger.com.br/)

Fui lá com duas amigas.  O que oferecem pelo cupom adquirido a uns R$ 25,00 é um menu fechado, mas bastante bom: mezzes + couscous.  Sobremessa e bebidas à parte.  Imagine que só as mezzes + couscous ficariam em R$ 67,00!  Mesmo sem precisar pagar esses pratos, ainda ficou por R$ 18/pessoa, devido à sobremesa, café, serviço, refris.  É proibitivo ou não é? E vamos e venhamos, o tal couscous (todas pedimos o de frango), mesmo sendo bem servido e gostoso, não é prato para R$ 60, nem aqui nem no Marrocos.

A casa está num novo lugar, mais bonito, acho. Antes ficava na Fradique Coutinha, numa casa grande, mas um tanto baixa, fechada, etoufante.   O atendimento é médio em termos de eficiência e pouco cortês.  Mas a gente já está acostumado com isso, certo?

Fomos para o almoço, o dia estava bonito, deu para ficar na área externa que é bem agradável.

2) Grão Cereja (http://www.graocereja.com.br/restaurante.html)

Fazia um tempão que não ia a esse simpático restaurante/café.  Anos, acho. Pelo cupom que compramos, tivemos direito a dois crepes, cada um acompanhado de uma saladinha da casa.  Preço muito bom, atendimento cortês e eficientíssimo (affeee!), casa gostosa, comida muito saborosa. Tomamos um suco de limão com amora, bem refrescante. Minha amiga pediu um crepe de mix de cogumelos e eu pedi um de frango tai. Ambos muito bem servidos.  Dividimos um crepe doce (nutella e sorvete). Tudo muito bom mesmo.  Considerando café, serviço, bebidas e sobremesa, deu R$ 22,50 para cada.  Uma casa que vale visitar e dá para pagar sem muito sacrifício.  Só não abre domingo, nos outros dias tem funcionamento extensivo (confira com eles).

Foi ótimo retornar e vou voltar, com certeza.

3) Le Jazz Brasserie (http://www.lejazz.com.br/Le_Jazz/Brasserie_Le_Jazz.html)

Este restaurante já tem um tempinho. Não entendo por que não têm um site completo, caprichado. Tudo bem que está sempre cheio, tem movimento de sobra, mas não custa, é um carinho para o cliente obter informações. Bom, o que importa é que o lugar continua bacaninha, a comida é muito boa, os preços ainda não são escorchantes. Agora o atendimento continua pavoroso. Estive lá em final de abril e continua tudo igual (http://mskeller.blog.terra.com.br/2011/04/29/matando-vontades/). Desta vez comi o entrecôte com as famosas batatas. Estava muito bom. Arrematei com musse de queijo+goiabada e café. A brincadeira ficou em R$ 65, mas valeu. Este é um restô a que gosto de voltar sempre que posso.

17

de
julho

Incursões histórica, biológica,gastronômica e religiosa

É, foi uma viagem mesmo. E tudo ali no Ipiranga, tudo pertinho, fácil.

1) Aquário de São Paulo (http://www.aquariodesaopaulo.com.br/index2.html)

Aproveite a estadia de minha amiga dos EUA e fui com ela e o filho ver o aquário. Havia estado lá há um ano e meio (http://mskeller.blog.terra.com.br/2009/12/23/tempos-de-festa-4/). Ele continua bonito, o projeto é impressionante: tanques bem profundos (onde está o peixe-boi, por exemplo, o telhado de vidro por onde passam tubarões, arraias), o cenário, a gama de peixes de regiões do mundo todo, de água doce e salgada.  Até sexta (15/7) a entrada única era R$ 15.  Agora deve voltar ao preço original: R$ 30/inteira e R$ 15/meia - estudantes e seniores.  Vejam que em dezembro de 2009 paguei R$ 20/inteira. Como se justifica um aumento de 50% em menos dois anos? M-i-s-t-é-r-i-o…

Se ainda estivesse muito melhor, mas não.  De novo a palavrinha que me vem à cabeça é aquela que meus pais utilizavam para exigir da gente empenho, boa performance, comprometimento: capricho. Eu não sabia ou entendia plenamente o que queriam dizer com ela. Afinal, a gente tinha de dar (e eu dava mesmo, por perfil, por jeito de ser) o máximo, então capricho era default. Mas agora reconheço o que é de fato, sobretudo pela ausência em quase tudo na terra brasilis. Seguramente isso não faz parte do dna nacional, senão como explicar que, com um preço desses (paguei mais barato no aquário de Dallas), a falta total de monitores, iluminação deficiente, efeitos de iluminação e sonoros que existiam num corredor que imita um submarino desaparecidos, banheiros mais que subdimensionados e de higiene deplorável, falta de informação na maioria dos compartimentos, todas, todas mesmo, as telas de informação/interativas desligadas e pelo jeito há bastante tempo? Em vez de melhorar deixam deteriorar dessa maneira!  E mapa do aquário? Resposta da bilheteria: devido aos feriados e férias acabou.  Claroooo…feriados e férias são uma surpresa, pegam qualquer um desprevenido.  Ninguém controla o estoque dos impressos? Compreensível, é uma atividade rocket science.  Enfim, depois de um ano e meio, com preço inflacionadíssimo, um lugar muito pior em termos de estrutura e manutenção.  Se não houver uma administração competente, de mínima visão, e menos greedy, tenho certeza de que, se voltar lá daqui a uns anos, vou encontrar o negócio em frangalhos, se ainda estiver de portas abertas.

Ah, e não falta público. Lotação enorme.  Muitas famílias, muita criança.  E como o povo da terra gosta de falar alto, gritar, mexer onde não pode, tirar foto com flash quando pedem para não fazer isso, e atropelar, acotovelar.  Acho que a civilidade dessa gente foi dada de comer aos tubarões, às piranhas.  Inenarrável o que presenciei. Houve momentos em que achei que a turba ali presente era mais perigosa que os tubarões e piranhas que desfilavam pelos tanques.

Lembrando daquelas pessoas, vem-me à mente um trechinho de um texto de Lya Luft para a Veja desta semana. “Havia muito eu andava perplexa; agora, começo a sentir aquele profundo desalento do qual falou um político horando, antes de se recolher à vida particular, para pouco depois subitamente morrer.”  O texto refere-se a outro tipo de problema, mas meu desalento sobre no que se transformou o país, sua população, o retrocesso da educação, dos “modos”, da consciência cidadã, é de mesma intensidade. Tenho pena do Brasil de amanhã. O pior é que a recuperação pode demorar séculos, se vier.

Ah, é preciso dizer que o acesso à área onde estão o Museu Paulista, Aquário, etc., é bem fácil. Do metrô Alto do Ipiranga há muitos ônibus (4113) que vão por ali.  Depois é andar pela região, bastante plana, cheia de árvores, com muitas casinhas antigas - a área resiste à aparição de arranha-céus, felizmente.  Um lugar bem gostoso mesmo.

2) Memorial de Santa Paulina (http://www2.ciic.org.br/index.php?option=com_content&task=view&id=16&Itemid=33)

Saindo do aquário, fomos em direção à Nazaré, região do Museu Paulista.  Estávamos procurando um restaurante por ali para comer. Já estávamos azuis de fome.

Quase chegando a um restaurante, passamos em frente de uns jardins lindos, uma edificação muito bonita, bem cuidada, que tinha uma capela de porte.  Como nunca vou para aqueles lados, estávamos por ali mesmo, decidimos ver o que era. Era a capela e memorial de Santa Paulina. isso, a primeira santa brasileira. E eu que nem imaginava!

Uma capela bonita, erigida onde Irmã Paulina estabeleceu-se inicialmente por aqui. Se vocês vissem a estrutura do lugar, a organização! E como fomos bem recebidos! Santa Paulina criou a Congregação das Irmãzinhas da Imaculada Conceição. Estão presentes em 11 países e cuidam de hospitais, abrigos, lar para crianças. Tudo de forma independente e bastante eficiente pelo jeito.  Na parte superior de um dos edifícios há um memorial em que objetos, roupas, documentos contam a história da Santa. De Trento na Itália, a Nova Trento, em SC, e S. Paulo, e depois pelo mundo. A canonização deu-se em 2002.  Um lugar muito interessante, cheio de CAPRICHO, que conta uma linda história de fé, dedicação, luta.  E eu que nem sabia que tínhamos uma santa desde 2002!

A obra de Santa Paulina continua a crescer, a prosperar, pelo bem dos outros.  Isso, sim, é um milagre.

3) Feijão de Corda (http://feijaodecordaipiranga.com.br/)

Bem, depois de duas horas flanando pelo aquário, e quase uma hora pelo memorial, fomos almoçar no restaurante Feijão de Corda, ali na Av. Nazaré. Um lugar grande, quase vazio lá pelas 15h30. Cardápio variado, com pratos menores e maiores (estes servem 3 a 4 pessoas), ótimos preços.  Atendimento simpático, meio perdido como em todo o território nacional, ótima comida. Comemos uma picanha com arroz, feijão de corda, couve, linguiça bem sequinha.   Muito saboroso, uma delícia mesmo. Com couvert, cerveja, água, suco, serviço, café (pulamos a sobremesa, não dava…): R$ 40/pessoa. Não é barato, evidentemente, mas considerando o cenário de custos atual foi um ótimo preço. E olhem que sobrou muito arroz e algum feijão.

4) Museu Paulista (http://www.mp.usp.br/index.html)

Também estive lá há um ano e meio (http://mskeller.blog.terra.com.br/2009/12/23/tempos-de-festa-4/). Continuam valendo todas as observações que fiz à época.  Engraçado o imobilismo que temos por aqui.  É caso de estudo, com certeza. Neste caso pelo menos não piorou.

Deu para visitar 80% do museu, pois chegamos perto de 16h (fecha às 17h) e o espaço é bem grande. Deu para ver muita coisa interessante, importante para nossa história. Aliás, esperava, considerando minha experiência no aquário, encontrar algo mais depauperado que há ano e meio, mas felizmente o lugar estava limpo, ordenado. Ainda sem nada interativo, verdade, sem monitores. Para agendar visitas, só para escolas, e tem de ser feito na primeira semana do mês anterior em que se pretende a visita. É brinca, ou quer mais? É precisão suíça, praticamente!

Ali também grassa a praga nacional: seguranças para todos os lados. O custo disso daria para colocar telas touch para os visitantes de monte. E, seguramente, um sistema de câmera bem projetado resolveria as necessidades do local.

Não chegamos a circular pelos jardins, que são bonitos e estão bem mantidos. No entanto, vê-se de longe mesmo que há muita sujeira. As fontes não estavam funcionando e percebia-se muita sujeira nos tanques de água. Um negócio nojento mesmo. Acho que a saúde pública deveria verificar aquilo, pois deve representar até risco para a população.  Francamente, dá a impressão de que as fontes não funcionam mesmo. Uma pena, diante do que se gastou na reforma do museu, dos jardins, e tudo por falta de CAPRICHO.

Houve até um evento hilariante: eu estava mascando um chiclete, pós-almoço. Em dado momento queria desfazer-me dele. Peguei um lenço de papel e o depositei ali.  Andei 40 minutos com aquilo na mão. Não havia um único, isso, NENHUM, lixo, dispenser.  Provavelmente há nos banheiros, que ficam no subsolo, mas não entrei ali.  Só vi um cestinho de lixo junto a um balcãozinho de informações no térreo ( vi na saída, pois não fica junto à entrada, mas no caminho para o subsolo), e do lado de fora na saída.  Devo ter batido algum recorde mundial…40 minutos rodando por três andares de um prédio público e não havia um cestinho de lixo!  Como é que se quer que a população aprenda sobre onde jogar o lixo, não descartar detritos indevidamente, manter o bem público, se quem deveria ensiná-la não o faz?

Saímos na hora do fechamento mesmo e demos uma voltinha pelo parque que fica atrás do prédio do museu. Bem agradável.

O dia esteve lindo, ensolarado, calorzinho bom.  Ajudou muito no passeio, que foi muito bom.

16

de
julho

É preciso mudar conceitos

Começando do começo: ontem fui a meu primeiro espetáculo no Municipal depois da reforma, reabertura, e depois de minha recente visita (http://mskeller.blog.terra.com.br/2011/07/07/ruim-x-bom-o-duelo-final-ou-quase/).

O tearo quase lotou. O pessoal tirou o longo, longuete, terno e por aí vai para prestigiar a casa.  Montes de gente tirando fotos de tudo (vejam o final do post acima, referente a este tópico). Imagino que, se eu contra-argumentar com o Municipal, a resposta que receberei será: se alguém usar as imagens, e isso for detectado, terá de pagar os direitos que constam da lei.  Eeeeee? Bom, com a sanha arrecadatória da Prefeitura, não duvido que identifiquem todos os usuários…Também experimentei a cafeteria. Atendimento cortês, rapidinho apesar do tanto de gente, e carinho, mas não mais que em outros lugares.  Só achei a coisa um pouco confusa: há um balcão para água, café, etc.  Ali se pede, ali se paga (qualquer atendente recebe e faz troco). Quer um salgado, um docinho? Tem de fazer o mesmo (pedir/pagar) em outro balcão próximo.  Bem, se funciona tudo bem, mas é no mínimo um tanto desconfortável para o cliente ter dois processos de pedido, dois de pagamento.  Mas como diria minha mãe: isso não aleija ninguém.

O espetáculo começou no horário (coisa difícil no horrível Teatro Bradesco e nos ótimos Sescs da vida e Auditório Ibirapuera).  Lá dentro não se pode tirar fotos (um gajo tirou com flash, inclusive), e pedem para desligar celular, bips, etc. E não é que um ser atrás de mim “esqueceu” de desligar e a coisa tocou?   É brinca ou quer mais? Ah, e houve um momento de desconforto: quando o espetáculo está para começar, apagam-se todas as luzes, breu total. E não é que uns tipos pensaram em fazer graça (assovio, “uh,uh”, etc.)?  Mas o público que realmente importa para os espetáculos de hoje e de sempre segurou a onde deles: sssssssssssssshhhhhhhhhhhhhhhhhhhh!

Fui ver  a companhia de Philippe Genty (http://www.midiorama.com.br/works/news/5357/compagnie-philippe-genty-apresenta-o-viajante-imovel/), com seu Viajantes Imóveis. Não sou de balé moderno, faço algumas concessões, e nunca me arrependi delas.  Hoje foi assim.  Da mesma forma que no caso de outras companhias (Momix, Pilobolus - http://mskeller.blog.terra.com.br/2011/06/01/dancando-conforme-a-musica/ ) e até do Cirque de Soleil (por que não?) é aquela coisa: novidades, plasticidade, boas ideias, criatividade, mas já entendi, então não preciso ver de novo.  Sei que é uma postura bem rasa, mas para mim é assim.  Com a companhia de PGenty foi isso:

A companhia tem três décadas, é multidisplinar (canto, dança, atuação). Além do cenário muito interessante (o efeito do mar, de águas lembrou-me um espetáculo de Béjart que vi no mesmo Municipal), plástico e pragmático, do figurino, da trilha sonora, tem marionetes fantásticas. Mary Underwood, responsável por elas, é parceira constante de PGenty.  No início do espetáculo alguns sketches que conquistam a plateia (como sempre digo, o povo ri mesmo), diminuem a distância entre palco e público.  Depois a mensagem fica mais elaborada e mais difícil. Conflitos, racional x irracional, o bonito e o feio do Homem, fantasia.  Há momentos de grande poesia, lindos!  Outros nem tanto, e cansam.  Na média um espetáculo muito bom.

Mesmerizante ver as morionetes (principalmente no final) em ação. E bailarinos envoltos em um papel pardo recriando uma tempestade de areia. Ali, diante de nossos olhos, sem recursos gráficos, eletrônicos, só com o movimento e uma grande folha de papel pardo. Genial!

Obviamente, valeu conhecer.  Vi menos dança do que esperava, mas tudo recheado de muita criatividade. Os 7 intérpretes da companhia (assim são chamados, não bailarinos) foram brilhantes em cena. No entanto, preciso rever muito meus conceitos para ver outro espetáculo do grupo.

15

de
julho

Hora de elogiar

Nem tudo é ruim ou desastre nesta nossa cidade no que depende da administração pública.  Mesmo considerando o que relatei em post anterior (http://mskeller.blog.terra.com.br/2011/02/23/retorno-ao-front/), é preciso parabenizar a Biblioteca Mário de Andrade por sua programação cultural.  Não fui a nenhum evento, então não posso dizer qual a qualidade do que é oferecido. No entanto, o importante, a meu ver, é que tenham pensado, considerando e ofereçam essas atividades à população. Se um dia for a algum, comento, por enquanto segue a programação (bem eclética e interessante aparentemente) para aqueles que não a conhecem e queiram ir a alguma sessão.  Para receber a programação, basta cadastra-se na biblioteca ou via internet.

SMC - BMA - Circulante circbma@prefeitura.sp.gov.br para mim
mostrar detalhes 17:00 (1 hora atrás)

BIBLIOTECA MÁRIO DE ANDRADE

PROGRAMAÇÃO

JULHO 2011

Ciclo Literatura, Vestibular e algo mais

Em seu terceiro mês, o ciclo “Literatura, vestibular e algo mais” tem como objetivo principal  estimular a frequência à Biblioteca Mário de Andrade e o gosto pela leitura a partir da discussão de obras indicadas para os exames vestibulares e outros títulos relevantes de autores brasileiros e portugueses. O Ciclo consiste em encontros semanais com palestras e intervenções artísticas, em que serão apresentados não só os conteúdos de cada obra como também a relação dos diferentes textos literários com aspectos históricos e socioculturais de nossa realidade.

Sábados - 15h às 17h30

local: Auditório da Biblioteca Mário de Andrade

entrada gratuita - 175 lugares

(retirar senha meia hora antes do início de cada encontro)

16 jul

Brás, Bexiga e Barra Funda - Antônio Alcântara Machado

Palestra de Bruno Zeni

Jornalista, escritor, mestre em Teoria Literária e doutorando em Letras na USP.  Atua como redator, preparador de textos e revisor. É, também, editor-executivo da Revista da Biblioteca Mário de Andrade, número 66. Como escritor, publicou “Corpo a corpo com o concreto” (Azougue Editorial, 2009), “O fluxo silencioso das máquinas” (Ateliê Editorial, 2002) e “Sobrevivente André du Rap” (Labortexto Editorial, 2002) em parceria com José André de Araújo.

Intervenção artística: Cia da Fulô

23 jul

O livro do desassossego - Fernando Pessoa

Palestra de Alexandre Oliveira de Souza

Graduado em Ciências Sociais na Universidade Estadual Paulista (UNESP) e mestre em Literatura Portuguesa pela Universidade de São Paulo (USP), vem desenvolvendo estudos sobre Fernando Pessoa e o filosofo Martin Heidegger. É autor de artigos sobre poesia e filosofia contemporânea, no Brasil e em Portugal.

Intervenção artística: Cia da Fulô

30 jul

Macunaíma - Mário de Andrade

Palestra de Pedro Coelho Fragelli

Bacharel em Direito e doutor em Literatura Brasileira pela USP, defendeu tese de doutorado sobre a obra de Mário de Andrade e dissertação de mestrado sobre Machado de Assis, autor sobre o qual publicou os seguintes artigos: “O Memorial de Aires e a Abolição” (Novos Estudos CEBRAP/2007) e “As formas e os dias” (Revista Literatura e Sociedade/2011).

Intervenção artística: Cia da Fulô

A São Paulo do século XVIII: de vila a cidade

Em comemoração ao 3º centenário da elevação da vila de São Paulo a cidade por Dom João V, Rei de Portugal, a Biblioteca Mário de Andrade promove, durante o mês de julho, às terças-feiras, um ciclo de conferências. Destacados historiadores, sociólogos, arquitetos e musicólogos discutirão as transformações sociais e políticas da recém criada cidade de São Paulo, do século XVIII.

Terças-feiras, 19h às 21h

local: Auditório da Biblioteca Mário de Andrade

entrada gratuita - 175 lugares

Programação

19 jul| ter| 19h às 21h

Cotidiano e transição histórica

A São Paulo do século XVIII no imaginário fotográfico do início do século XX

conferência de Fraya Frehse

Metamorfoses da São Paulo do setecentos: ser cidade no Trópico de Capricórnio

conferência de José de Souza Martins

26 jul| ter | 19h às 21h

Música e Leitura

Nos desvãos das livrarias religiosas: livros e censura na São Paulo setecentista

conferência de Marisa Midori Deaecto

Música na São Paulo colonial

conferência de Regis Duprat

Leitores e Leituras

Saraus na Circulante

13 e 27 jul

quartas-feiras, 17h30 às 19h30

Com o propósito de compartilhar experiências de leitura, a Biblioteca Mário de Andrade promove, na sala de convivência da Coleção Circulante, encontros de leitores, quinzenalmente, às quartas-feiras.

De modo espontâneo e livre, qualquer interessado tem a oportunidade de dividir com os participantes impressões, trechos e informações relacionadas à leitura do momento.

local: Sala de Convivência da Biblioteca Mário de Andrade

entrada gratuita - 80 lugares

Visite o nosso site e conheça mais sobre o nosso acervo, serviços e a programação cultural: www.bma.sp.gov.br

Biblioteca Mário de Andrade

Rua da Consolação, 94 - Próximo às estações Anhangabaú e República

Tel. 3256-5270 - bma@prefeitura.sp.gov.br - www.bma.sp.gov.br

11

de
julho

Dois nuncas em um mesmo dia

Tenho acompanhado o blog 365 Nuncas (http://365nuncas.wordpress.com/).  Cada coisa que essas meninas escrevem ou fazem…Verdade que os 365 nuncas delas são de propósito, mas todo mundo, pensando bem, tem seu nunca algum dia na vida e nem se dá conta.  Os meus nuncas aconteceram no sábado, i.e., pelo menos os mais recentes: visitar o Museu da TAM em S. Carlos e assistir a uma peça na ECA/USP.

1) Museu TAM (http://www.museutam.com.br/home.php)

Um amigo estava querendo visitar este museu há um tempinho. Como sou difícil, no que ele convidou, eu fui.  O museu fica a uns 15 minutos do centro de S. Carlos que, por sua vez, fica a umas 3 horas de S. Paulo.

A estrada ou estradas para S. Carlos são ótimas (Anhanguera ou Bandeirantes e depois Washington Luis): um tapete, bem sinalizadas, mantidas, com telefones para socorro. Tem um monte de pedágio (a viagem saiu por R$ 70), mas acho que não tem muito jeito de ter estradas de primeiro mundo se não for assim.

Fomos tranquilamente, demos uma parada no meio do percurso, tanto na ida quanto na volta. Como não dirijo há mais de década, para meu bem e o da humanidade, a carga das seis horas de volante ficou para meu amigo que, obviamente, ficou um tanto quanto cansadinho…e com dores nas costas…(poor thing!).

Com mapas, gps, chegamos direitinho.  O museu é bem organizado, tem estacionamento, lanchonete. A entrada inteira custa R$ 25 (o pessoal que tem cartão vermelho, verde, azul da TAM não dá desconto…tsc, tsc, tsc).  A entrada do museu é bem bacana, um túnel bacana, parece que a gente está entrando em uma pista de aeroporto.  Sons, luzes, depois vem a história da aviação muito bem documentada (fotos, vídeos bacanas, maquetes, textos, trilha sonora).

Depois de tudo isso, ei-los: os aviões. Há de tudo.  A maioria dos aviões (e são aviões mesmo, inteirinhos, com seus motores mantidos e prontos para voar - a maioria pelo menos). Não tenho grande interesse pelo tema, mas bacana ver aqueles aviões antiquésimos, mais ainda pensar na coragem dos construtores e, sobretudo, de quem voou naquelas coisas. Eu não teria arriscado nunquinha…Os aviões têm toda a parte técnica (ano de fabricação, fabricante do avião, do motor, onde o aquele espécime foi utilizado e por aí vai) muito bem documentada.  Valeu, bacana mesmo!

Depois da visita, que leva bem umas 2,5/3 horas, fomos almoçar no Frei Damião (quilo no centro - acho que era o centro - de S. Carlos).  Bem gostoso, barato, ótimo atendimento.

Passando pela cidade, deu para ver que há muitas coisas para visitar (http://www.visitesaocarlos.com.br/). Deu para ver que ela é bem espalhada, alguns prédios, mas muitas casas ou edifícios baixos.

Nunca havia ido a S. Carlos, ou seja, foram dois nuncas em um…quem sabe um dia volto para ver a cidade mesmo.

2) ECA - Lavoura Arcaica (http://www3.eca.usp.br/ /  http://pt.wikipedia.org/wiki/Lavoura_Arcaica)

Um amigo queria ver Lavoura Arcaica encenada por alunos da EAD (uma amiga dele faz parte do grupo). Peguntou: vamos? E eu, difícil como eu só, disse: vamos, oras!

Faz tempo que não entro lá pela USP. Estudei lá, fui uma vez para uma formatura, alguma outra vez para não sei o quê, e nunca mais. É de dar medo à noite: deserto, nem um carro, nem uma pessoinha, nem um policialzinho…Tudo bem que era sábado, mais de 20h, mas um espaço como aquele tão subutilizado, que não rende atividade social, cultural, ou o que for para a população de uma cidade tão populosa e carente de espaços como aquele é terrível ou não é?  Enfim…e depois da violência ocorrida por ali (morte de um aluno), a coisa ficou folclórica: põem um cone enorme na entrada da cidade, onde há uma guarita com seguranças. A gente chega, diz aonde vai, e eles deixam passar.  Dá uma segurançaaaa…É brinca?

E lá fomos nós para a ECA. E olha que tinha bastante gente para assistir à peça. O ingresso é free e há um programa bem bacana - feita pelo próprio grupo, a R$ 1,00.

O filme de uns anos e a peça são baseados no livro de Raduan Nassar.   Texto forte, bonito. O cenário ou ambientação começava já fora da sala de teatro. Bacana!  O cenário estendia-se pelo palco e pela plateia. Muito interessante.

Gostei muito da peça, o grupo estava azeitadíssimo, o figurino era bacana, a iluminação idem.  Valeu ver. Lembrete: o espetáculo vai até 17/7 - todos os dias (2a. a sábado - 21h. e domingo - 18h). Tem de chegar uma hora antes de o espetáculo começar para garantir um ingresso.

Pois é, outro nunca: assistir a uma peça dentro da USP, à noite, num sábado.

10

de
julho

Detesto férias

Mas as dos outros…Nada… não gosto das férias escolares no cinema. Para todo o resto até que são positivas: menos gente na cidade, menos trânsito, alguns lugares ficam bem mais tranquilos e por aí vai. Mas para o cinema é um desastre! Entram aqueles filmes que eu não gosto/gostaria de ver. Podem ser muito bons, mas não são a minha. Há Xuxas, Didis - estou um tanto desatualizada nesta área, então não sei o que de fato está rolando por aí-, e brasileiros para adultos (alguns são bons, já comentei vários, mas neste período optam por lançamentos que faturem, ou seja, de qualidade bem duvidosa). Há também os estrangeiros para a garotada (de crianças a pós-adolescentes), mas com a moda da dublagem, que ainda traz resultados bem oscilantes, mesmo um bom filme ou animação estrangeira podem acabar mostrando-se insuportáveis.

Diante deste quadro e do frio, o negócio foi desenterrar meus dvds (fui comprando vários ao longo do tempo, mas não assisti). Também acabo vendo um outro filme no cinema, mas não tantos quanto gostaria, pois a safra é ruim.  No entanto, tenho fé, sobreviverei!

1) Moça com brinco de pérola (http://www.imdb.com/title/tt0335119/)

Gosto da Scarlett Johansson.  Neste filme, de 2003, ela tinha seus 20 aninhos.  Está linda como sempre e está muito bem em seu papel. O filme todo é sobre sedução, envolvimento não-explicito, sugestões. Uma pintura, se assim posso dizer.  Seu partner é Vermeer (gosto demais dos pintores holandeses. Os da época, além de Vermeer, Post e Echkout são fantásticos. Estes dois pintaram o Brasil como poucos), encarnado por Colin Firth. CFirth é O ator para mim. Ele dá jeito em qualquer coisa, ou seja, mesmo se o papel for um tanto prosaico, confuso, ele transforma aquilo em joia. E não é diferente neste filme. Ele nos passa toda a fraqueza, a indecisão de Vermeer, e seus anelos nunca realizados/atingidos.  Essie Davis, no papel de esposa de Vermeer, também está fantástica, igualmente Judy Parfitt e Tom wilkinson.

O retrato da sociedade holandesa, da cidade de Delft, seu funcionamento (relações, costumes) é primoroso. Trilha sonora bacana.

Interessante ver a história de Vermeer no mercado das artes (http://pt.wikipedia.org/wiki/Johannes_Vermeer). Olhando para suas produções, quase impossível pensar que o reconhecimento tardou tanto: http://www.google.com.br/search?q=vermeer&hl=pt-BR&prmd=ivns&tbm=isch&tbo=u&source=univ&sa=X&ei=07oZTsUBhfPSAeXIzJcF&ved=0CCwQsAQ&biw=1366&bih=659.

O filme é muito bonito. Mesmo se a história do quadro não for nem de longe aquela contada ali, não importa. Vale ver.

2) A missão do gerente de RH (http://www.imdb.com/title/tt1311075/)

Assisti ao trailer deste filme e a impressão que havia me deixado foi totalmente equivocada. Não sei por que (talvez eu tenha captado a mensagem de um jeito errado) me deu a impressão de que se tratava de uma comédia, meio pastelão. Nada a ver.

Apesar de a situação retratada (devolução do corpo de uma imigrante que morreu em Israel para sua família, na Romênia) ser bem inusitada e até sugerir muito riso, não funciona bem assim. A produção é franco-germano-israelense (Afffee! Será que isto aqui está certo? Muito estranho…). Boa parte do filme passa-se em israel, mas a maior parte retrata os meandros da sociedade, burocracia, economia romenas. Até me deu um consolo, vendo o que acontece pela Romênia: há países mais complicados, burocráticos, tão cheios de corrupção como o meu.

Bem, nem preciso dizer que não conheço nenhum ator/atriz do filme. Já devo ter visto algum filme israelense, mas não me lembro.  O filme mistura os dramas pessoais do gerente de RH, os dramas da família da imigrante morta, e bastante da vida romena. Aliás, eu nem poderia imaginar que o país fosse do jeito que é retratado no filme, uma representação bem atual até onde dá para entender.

Interessante é ver a persistência do gerente de RH. A devolução do corpo torna-se uma questão de hora. Eu já teria parado lá no meio, após os n percalços que foram surgindo. Aliás, acho que a questão nem era mesmo devolver o corpo, mas deixá-lo onde ele deveria estar, onde a falecida gostaria de descansar. Enfim, é um vai-vem, um imbroglio para ninguém boata defeito. Não diria que é um filmaço, mas considerando o ineditismo de um filme israelense no circuito comercial local e a profundidade dos conflitos tratados, acho que vale ver.

A trilha com músicas dos dois países é bem bonita.

7

de
julho

Ruim x bom, o duelo final (ou quase)

Continuando…

3) Theatro Municipal (http://www.prefeitura.sp.gov.br/cidade/secretarias/cultura/theatromunicipal/)

Pois é, tive de me munir de forças para relatar minha visita ao Teatro Municipal de S. Paulo, pós-reforma.

Tudo começa com um processo que nem Ionesco imaginaria.  Para agendar a visita é preciso entrar no site acima, baixar um formulário, preenchê-lo, encaminhá-lo via e-mail para o endereço indicado, aguardar 72 horas (isso, 72!).  No meu caso, pedi a visita para 1/7.  Não havia disponibilidade. Antes de vencidas as 72 horas, recebi a informação de que havia disponibilidade em 3/7 - 14h. Não basta responder ao e-mail recebido com um “ok, aceito, obrigada”. Não, tem de fazer tudo de novo e se a tal disponibilidade terminar no meio do caminho, azar seu.  Imaginem turistas de fora querendo visitar o teatro. Se ficarem na cidade dois ou três dias têm de começar o processo lá atrás. Ah, e claro o formulário de agendamento não é bilingue. Pra quê?

No meu caso, reenviei o formulário na 2a., por volta de 9h. Como até 4a., 12h, não tinha recebido resposta, liguei para o setor encarregado. O atendimento foi muito cortês, mas eu teria de esperar as 72h que venceriam na 5a. pela manhã.

Entenderam agora porque a gente precisa de muita energia e calma para comentar este assunto?  É um atentado ao turismo, ao cidadão, ao nível mínimo de inteligência num procedimento, enfim…um horror!

Bem, recebida a graça de poder visitar o teatro, apresentei-me às 13h30.  Vai saber o que pode acontecer…Pasmem, um prédio público e não há banheiros no saguão que os visitantes possam utilizar. Tem de esperar o horário da visita para ir ao banheiro. Já desacorçoei: neste paíZ não se pensa no conforto do cidadão, do indivíduo, nem por decreto.É uma coisa tão rasa, sobretudo porque há tantos exemplos lá fora, que não precisa elucubrar, gastar os neurônios, é só copiar. Ah, sim, e claro que não havia bancos no saguão, nem sequer para pessoas de mais idade.  Durante o tempo que esperei o início da visita, vi várias pessoas dizendo que queriam visitar o teatro e serem informadas pelo segurança - sim, não há um balcão de informações para atendimento ao público, num domingo! - do processo. Até que o rapaz sabia alguma coisa, mas obviamente que não detalhes, então a pessoa saia com meia informação. Felizmente, há um folder até que bem feito, mas duvido que alguém que tenha feito visitas pelo mundo, ou até a algumas entidades culturais de SP mesmo, possa imaginar, acho que crer seria melhor, que o processo é do jeito que descrevi acima.

14h, dois grupos, dois monitores por grupo.  Antes algumas considerações: o teatro daqui vale pela idade, por ter sido obra do grande Ramos de Azevedo (ainda bem que ele esteve por aqui e foi tão profícuo), e por ser a casa por excelência de óperas e balé da cidade (instrumental é a OSESP/Sala SP e não tem para mais ninguém evidentemente).  Fora isso, o valor artístico do que está dentro do teatro, exceto por uma ou outra escultura ou pintura, não merece ponderação. É um amontoado de estilos, há muitas coisas de que não se conhece o autor, e por aí vai.  Ou seja, não estamos falando de obras de arte, mas de um prédio público, bonito, recuperado, que acolhe espetáculos musicais.

Considerando meu arrazoado, não há justificativa para que não se possa tirar fotos sem flash, por exemplo. Ou filmar. Aliás, isso é endógeno nos da terra: não se pode em vários museus por aqui. Lá fora é possível fazê-lo em muitos lugares, e olhem que os acervos de lá são muito melhores que os daqui! Mais: quando não se pode fotografar lá fora, há muito material para o visitante: cartões, fotos, publicações, catálogos, o que nem pensam em fazer por aqui.  Menciono isto, pois algumas pessoas estavam no balcão (área externa, portanto) e queriam tirar uma foto da fachada do museu e dali para o entorno (Anhangabaú). Foram impedidas!  Foi uma das coisas mais ridículas que já vi na minha longa vida de andanças pelo mundo.  Diante disto, escrevi ao teatro, questionando algumas coisas (meu e-mail está ao final). Perguntem se sequer agradeceram o contato ou se um dia vão pensar no assunto.

Mas o mistério está desfeito: vejam neste link quanto a Prefeitura cobra por imagens do teatro. É um acinte ou não é? http://www.prefeitura.sp.gov.br/cidade/secretarias/cultura/teatromunicipal/locacao/index.php?p=1058

E lá se foram 3 anos de reforma, de teatro fechado, de custos para os cofres públicos, e o que temos hoje (ao menos em 3/7): 1) os arcos, que foram recuperados há mais de década, creio, ainda estão em reforma, portanto não podem ser visitados; 2) os camarins estão ainda em reforma - pelo que a monitora informou, apenas metade deles está available; 3) o piso do salão nobre, no primeiro andar, ainda tem problemas não resolvidos, portanto não se pode caminhar por toda a área, somente sobre tapetes e em área limitada.  Como assim? 3 anos são 1.068 dias e mesmo assim não deu para terminar? Não deu para fazer direito?   Bem, dizer que isso foi uma grande surpresa, não posso. Afinal, acontece ou aconteceu o mesmo com a Biblioteca Municipal (http://mskeller.blog.terra.com.br/2011/02/13/nao-sei-se-rio-ou-choro/) que, também após anos de reforma, foi entregue pela metade.  Insisto, somos mesmo o país do futuro, mas do futuro que nunca se concretizará: tudo está sendo analisado, estudado, pensado, orçado, mas fazer que é bom, realizar de fato como se deve, nada.  Eita, preguiça, falta de vontade, falta de competência deste nosso poder público.

A visita foi interessante, pois pude rever o teatro a que já havia ido tantas vezes, mas mais bonito.  A pena é que a visita também não dá informações básicas. Por exemplo: não é de meu interesse, mas um casal de Campinas queria dados sobre o palco (altura, profundidade, etc.). Coisas básicas, certo? Cadê?  Aí a sugestão: mandem e-mail ou deixem e-mail e mandaremos informações. Como assim?  É duro, viu…As monitoras são simpáticas, mas algumas perguntas bem básicas ou não foram respondidas, ou saiu-se com tentativas de explicação escalafobéticas. Tenha dó! É amador ou não é?  De novo, não precisa inventar, basta copiar. Não é possível que pessoas da administração pública, da gerência do próprio teatro não tenham visitado similares em outros países e aprendido um pouco com a experiência. Posso dizer que minha visita ao Colón, B. Aires, há uns tantos anos tinha todas essas informações e muitas outras que nem se vislumbra por aqui.  Tá vendo, pertinho. Los hermanos podem dar a receita.

Lembro-me também de visitas ao Carnegie Hall, Lincoln Center, e não havia lugar onde não pudéssemos entrar ou pelo menos ver - na plateia, no palco, nos acessos. Aqui um monte de espaços fechados, aos quais não se tem acesso. Ah, faça-me o favor! Afinal, não sou eu contribuinte que pago tudo aquilo, inclusive a reforma, os funcionários, etc.?  Como é que não posso ter acesso, ver o que é meu?

Além da visita que fiz, há outra técnica (coxias, cenários, estrutura técnica) que vou tentar. Essa vai ser complicada, viu! Mas sou brava, sou forte, sou filha do Norte, meu canto de morte, Guerreiros, ouvi! né meu santo Gonçalves Dias…então vamos pra luta.

Quote

Prezados senhores:

Estive em visita ao Teatro Municipal e tenho as seguintes dúvidas:

1) Por que não se pode fotografar nem da sacada do Municipal (voltado para a cidade ou voltado para o prédio)?  Por que não se pode fotografar em seu interior sem flash?  Isso é permitido e comum em qualquer parte do mundo. Visitei inúmeros teatros, museus, galerias que não têm qualquer restrição a fotos, desde que sem flash. Ademais, não estamos fotografando obras de arte, mas o interior de uma casa de espetáculos pública, cujo valor artístico é discutível. Vale pela idade e conservação, além de ser o teatro da cidade.  Outro ponto é que, nos casos em que fotos não são permitidas, há vasto material, de excelente qualidade, para substituir a foto (catálogos, cartões, fotos). O próprio estabelecimento/instituição supre os visitantes, claro que cobrando, o que ainda traz a vantagem de reforçar o caixa da instituição;

2) Apesar de as monitoras serem bastante simpáticas, educadas, e terem um bom nível de informação, não têm informações básicas: altura da cena, profundidade, e por aí vai. Dados tão básicos não são absolutamente só para uma visita técnica. São dados básicos, factuais, simples.  Várias perguntas ficaram sem resposta. Não seria o caso de instruir as monitoras para que carreguem consigo um caderninho de anotações para que anotem as dúvidas não respondidas e isso seja incorporado às informações passadas ao público, tornando a visita cada vez mais precisa, completa? Evidentemente, o público poderia enviar e-mail ao Teatro sobre suas dúvidas, porém, como todos sabemos, 99% não o fará pois cairá no esquecimento de imediato, e os dados continuarão a ser perguntados e não informados.

Agradeço a atenção dada a este e-mail, que visa apenas  alçar a qualidade da visita ao patamar de outros locais do gênero pelo mundo.

Atenciosamente.

Unquote

Nota - resposta recebida em 12/7/2011

Prezada Sra. Miriam,

Boa tarde.

Não é possível fotografar o prédio internamente porque há um decreto municipal que regula o funcionamento do teatro e estabelece que R$ 20 mil devam ser recolhidos ao Fepac para cada sessão fotográfica. A senhora está certa sobre as informações que as monitoras precisam dominar. Já havia orientação para que as mesmas, em caso de dúvidas, solicitassem ao visitante o e-mail para que pudéssemos encaminhar as solicitações não atendidas. Agradeço a informação e reforçarei a orientação.

Seguem algumas informações que percebi que foram solicitadas:

Boca de cena: 7m (altura) x 12,50m (largura)

Proscênio: 13,30m (comprimento) x 3,79m (largura)

Fosso da orquestra: 17,57m (comprimento) x 4,83m (largura) x 2,15m (altura).

Coxias: 15m (comprimento) x 4,22m (largura do lado direito)/ 13,75m (comprimento) x 4,22m (largura do lado esquerdo)

Elevadores cênicos: Ponte I sobe a 7m; Ponte II sobe a 3m e desce a 3m abaixo do nível do palco; Ponte III sobe a 3m e desce a 3m abaixo do nível do palco; Ponte IV sobe a 3m e desce a 3m abaixo do nível do palco e Ponte V sobe a 3m e desce a 3m abaixo do nível do palco.

Atenciosamente.

AURELI ALVES | TEATRO MUNICIPAL

5

de
julho

Ruim x Bom, o grande duelo

1) MASP (http://masp.art.br/masp2010/)

Como havia mencionado em post anterior (http://mskeller.blog.terra.com.br/2011/06/20/de-mostrinhas/), tencionava voltar para ver com mais calma a exposição 6 Bilhões de Outros.  Aproveitei a gratuidade da terça e lá fui eu.  Acho que por ter entrada gratuita, haver turistas (sim, os há!) pela cidade, a meninada estar em férias, havia um montão de gente quando cheguei e quando saí.

Queria ver com mais calma os vídeos nas tendas armadas no espaço da exposição.  Vi: Felicidade, Perdão, Significado da Vida, Making Of, e um vídeo, nos moldes daqueles feitos pela equipe de Yann Arthus-Bertrand, mas feito por uma equipe brasileira com personagens de S. Paulo.  Realmente é um trabalho interessantíssimo. Os dados do projeto são estes (retirados do site do Masp):

3,5 milhões já viram a exposição desde janeiro de 2009
5.600 entrevistados
78 países visitados
5 anos de filmagem
40 mesmas questões postuladas a cada um dos entrevistados
15 questões suplementares sobre a problemática da mudança climática
50 línguas (sem contar os dialetos)
11 horas de testemunhos no MASP
500 testemunhos no catálogo da exposição
150 programas curtos de televisão, de 2 minutos cada, difundidos em mais de 20 países
13 documentários temáticos em difusão televisiva em uma centena de países.

E se o assunto diz mais para a gente, fica difícil desgrudar o olho, ir para outra tenda.  Hipnotizante.  E há declarações emocionadas, chorosas, corajosas, alegres, notionless, enfim, de tudo!

Ia tudo muito bem quando percebi que duas tendas estavam fechadas, com banquinhos empilhados nas entradas. A do Amor e a dos Eventos Climáticos (ou algo parecido). Para minha sorte, na visita anterior havia ficado mais tempo nessas duas mesmo.

Notinha: os tais bancos são feitos de papelão (creio que reciclado) e são dobraduras na verdade. Eu peso um bocado e eles aguentam tranquilamente. Aliás, aguentaram todo mundo que tem passado por ali, e não deve ter sido pouca gente. Um banco ecologicamente correto de durabilidade inquestionável.  Infelizmente, já há vários sem condições de receber novas nádegas.  Claro que se fosse num país civilizado, em que houvesse gente cuidadosa, comprometida, que se importasse, gostasse de fato do que faz, os mais destruídos já teriam sido retirados, até para evitar acidentes. Mas aqui…como já mencionei, o pessoal envolvido em ações para a população, ações públicas sempre pensa: ah, para quem é tá bom demais…pra que ter trabalho…

Voltando: vendo as duas tendas fechadas e considerando que a exposição só termina no próximo domingo e deverá receber um tantão de gente ainda, perguntei a um meganha se as tendas não seriam reabertas. O dito, sem olhar para mim, caminhando, de costas praticamente disse: É, deu POBREMA. A TV pifou. E, claaarooo, não havia um aviso, uma plaquinha tipo: desculpe pelo transtorno, ou coisa que o valha.  Elucubrando: aposto e ganho que o salário do ciclope que me deu a informação seria suficiente para consertar ou até comprar as duas tvs, telas, o que for, e eu não precisaria ouvir POBREMA dito de boca cheia. Ademais, um museu como esse, com uma exposição tão importante, cobrando a entrada mais cara de S. Paulo, não tem equipamentos de reserva? Não tem um plano B?  Quase uma semana de exposição ainda por vir. Lamentável!

Pelo menos consegui ver boa parte do que pretendia.  Para quem quer saber mais e participar do projeto (sim, é possível!), este é o link. Vale ver: http://www.6milliardsdautres.org/index.php.

2) CEF Cultural - Paulista (http://www.caixacultural.com.br/html/main.html)

Já que estava pela Paulista, aproveitei para ver a nova exposição da CEF Cultural, no Conjunto Nacional. Gratuita, de terça a domingo: O Universo Gráfico de Glauco Rodrigues.

Adorei a exposição de litogravuras, serigrafias, linóleogravuras, desenhos, capas de discos, etc. Um gaúcho de Bagé que produziu muito, virou mundo, e foi morrer no RJ aos 75 anos (2004). Tudo é muito colorido, muito alegre, muito bonito, sedutor, mesmo havendo obras do tempo da ditadura.  Um prazer flanar por ali. Vale ver mais de uma vez. Fica até 21 de agosto, então dá tempo.

Mããããs, como já mencionei, a CEF Cultural, tanto na Paulista, quanto da Sé, sofre da notionlessness de seus funcionários. Lá, como cá, falam alto, gargalham, falam ao celular, discutem vida privada, reclamam do chefe, tudo bem alto, e não se intimidam com os visitantes. Melhor, não respeitam o visitante.  Por bem menos que isso, um visitante seria lançado na rua em instituições em países de primeiro mundo.  Uma pena! Aliás, hoje mesmo, o monitor (um rapazinho) estava conversando tão animadamente com uma moça e o segurança, as risadas eram tantas durante toda a minha visita, que preferi abreviá-la de tanta algazarra que havia por ali. Já reclamei inúmeras vezes, mas aparentemente quem cuida da área não se sensibiliza. Imagino que ache natural que os funcionários reproduzam nos dois espaços seus universos (tipo conversa com a “patroa”, com os amigos de boteco, clima de churrasco com pagode e cerveja, muita risada, gritos, etc.). Assim nunca vamos chegar lá…

E a saga continua…

4

de
julho

Que falta vai fazer!

Eu não tinha me dado conta.  Li uns poucos livros de Scliar (A mulher que escreveu a Bíblia; Nem uma coisa, nem outra; e alguns contos). Depois da morte do escritor gaúcho, em fevereiro passado, veio forte a lembrança do prazer ao ler a prosa de Scliar (http://pt.wikipedia.org/wiki/Moacyr_Scliar) e uma compulsão de ler outras obras. Felizmente ele tem uma produção bem profícua.

Tenho alguns livros do autor em casa, em minha reserva técnica, e resolvi pegar dois livros e lê-los em sequência.  Primeiro Eu vos abraço, milhões e depois o conto Mãe judia, 1964, da coleção Vozes do golpe. Ambos da Companhia das Letras.

Interessante que, nos outros textos que li do autor, não detectei nada parecido, nem perto do tema que está nos dois livros que escolhi.

Tanto no romance, quanto no conto, a grande presença é a adesão ao comunismo da personagem principal daquele, e no conto do filho da mãe judia. Achei interessante mesmo ler dois livros do mesmo autor em sequência, sendo que os dois desenvolvem o mesmo tema de forma tão clara e assertiva, sobretudo porque as obras foram escolhidas aleatoriamente.

A prosa é primorosa, leve, sedutora.  Da mesma forma que nos textos que já havia lido, o humor está sempre presente, mas de um jeito leve, refinado. Não há como não sorrir e rir em vários trechos.

Eu vos abraço é o relato de um simpatizante comunista gaúcho (Valdo). Ele conta sua história desde menino até a velhice a seu neto.  Há história pessoal, há história do Brasil, os embates políticos, ideológicos, até a construção do Cristo Redentor em detalhes.  É um retrato claro do que pode ser a vida de um idealista, de suas contradições, de suas limitações, de suas dúvidas, dos avanços e recuos pela integridade pessoal ou de companheiros. O Valdo é rico, interessante. Mesmo com sua verborragia, discurso doutrinador, gostaria de ter conhecido e conversado com ele.

O conto (Mãe judia, 1964) é uma delícia! Uma mãe que perde o juízo definitivamente, já que tinha indícios de desequilíbrios anteriores, depois do sumiço do filho ativista. No entanto, sua conversa com a Virgem Maria (aí está o humor - uma judia em conversa fervorosa com a Virgem num manicômio) é tão clara, tão lógica, que fica a dúvida: será que ela enloqueceu mesmo? Ou era só uma mãe desesperada pela perda do filho que alguém resolveu colocar num manicômio, i.e., seria na verdade como qualquer mãe na mesma situação?

A mãe judia conta à Virgem sua história: infância, casamento, nascimento do filho, envolvimento deste com a política, morte do marido, conflitos com o filho, seu desaparecimento, e a loucura. Eu diria por seu discurso que ela estava bem sã. E o intrigante é que ela não pede nada, só quer conversar. Não tem pedido, não tem promessa, é só uma longa conversa com alguém que ela julga confiável.

Os dois textos são ótimos, uma delícia. Recomendo!

3

de
julho

E a luta continua

Menos, né?

Ontem foi dia de levar minha amiga à Praça Benedito Calixto (http://www.pracabeneditocalixto.com.br/).  Dia bem levinho…Ela quer comprar umas lembranças para amigos e chefes, então começamos a fazer nossa garimpagem.  Primeiro lá, pois há variedade e preços bons. Obviamente, há itens caríssimos, principalmente aquelas louças, vasos, que a gente cansou de ver na casa dos pais, avós. Na primeira mudança eles ou nós nos desfizemos deles.  Eram itens para os quais, antes da onda de valorização do kitsch, do cult, não dávamos valor. Achávamos feios. Não viámos a hora de dar um sumiço. Hoje, eles estão lá, por bancas da Benedito, do Masp, do Bexiga, e custam uma nota! Mas o estranho é que a gente até os vê com outros olhos, parecem mais bonitos, são desejáveis.  Mistérios de consumo!

Andamos por várias bancas, perguntamos preços. Havia coisas bem interessantes. Obviamente, minha amiga quer levar algo representativo daqui, então olhamos com cuidado para ver coisas que não existem em Dallas.  Próximo passo: minha amiga vai fazer uma listinha, vamos visitar outros lugares e aí ela poderá decidir o que comprar.

Eu não ia contar: acabei comprando duas coisinhas, baratinhas, mas que achei bacanas. Pronto, contei!

Ah, sim, banheiros! Ooooh, coisa difícil. O espaço da associação da praça tem banheiros. Cobram R$ 1,00, há uma pessoa controlando entrada.  Nojentos! Não dá para dar uma reformada, manter alguém limpando? Pelamor…

Outro motivo para termos ido à Benedito: comer uma alheira.  Minha amiga é descendente de portugueses, e gosta do prato.  Imagino até que tenha comido melhores, mas a da Benedito é bem gostosa. Uns bolinhos de bacalhau para iniciar, alheira e pronto!

Enquanto comíamos, aproximou-se um senhor vendendo uma revista ( Ocas). A publicação reverte o que arrecada para resgatar moradores de rua. Incrível, olhando para o Sr. José Enrique, que ele tenha sido morador de rua.  A publicação tem ajuda de uma ONG inglesa, tem código de conduta, informa aos leitores de forma clara como funciona a OCAS, enfim, uma grata surpresa.  E o Sr. José Enrique? Um cavalheiro!  Contou sua história triste, porque perguntamos, mas sem drama, sem lágrimas. Só contou.  Foi o achievement do dia.

Bom, depois de almoçar na barraca da alheira (acho que se chama Barraca Portuguesa, e o atendimento é ótimo), fomos para um café no Fran’s ali da Benedito com a Cardeal.

De vez em quando, há muitos anos, vou ao Fran’s. Como é ruim! Não houve unidade, nestes anos todos em que eu pudesse dizer: ótimo atendimento, preço justo, boa comida.  Mas como era só para um café…

Essa loja tem três níveis, o que já acho uma loucura para poder ter um bom atendimento. Claro que em lugares mais profissionalizados não seria problema, mas aqui com nossos empreendedores, com nossa mão-de-obra, esqueçam! Chegamos, fomos ao caixa. Podemos sentar lá fora? (perguntei, pois há lugares em que, se a casa não está cheia, não deixam o cliente à vontade para se sentar onde quiser). Sim, mas tem de fazer o pedido aqui.

Pedi dois cafés e queriaa um docinho. Sem chance! Só um quindão esquisito, uns brownies, e outras coisas não apetitosas. Então vamos só de café. R$ 3,20/cada! Subimos para a área externa. O tempo estava fechando, mas ainda estava gostoso, “caluroso”. Um minuto, dois minutos, cinco minutos, dez minutos, quinze minutos.  Moça, onde estão nossos cafés?  Já faz quinze minutos que pedimos!E, as usual, nenhum “desculpe!”  Só: Um minuto! Vejam bem, eu estava atrapalhando a paz do lugar, seguramente, então o tom foi um tanto descortês…

Duas observações: a casa estava vazia. Se havia umas 10 pessoas era muito. Mesmo assim a mocinha do caixa estava assoberbada. Tanto que quando fiz meu pedido, perguntei dos doces, e ela mal olhou para mim para responder, minha amiga é que viu onde eles estavam dispostos. A moça estava quase sem respiração de tanto “movimento”, em transe.

Bem, 5 minutos depois dos 15, UM café!  Onde está o outro? E lá vai a garçonete de cara feita buscar o outro.  Quando traz o segundo, a pérola: Desculpe pela demora, mas não é culpa da gente. É do pessoal lá de dentro.  Nossa! Entrei, pedi, paguei, recebi em/de duas empresas diferentes e nem notei?

Tomamos nosso café e ficamos papeando. Nesse meio tempo, várias pessoas sentavam-se às mesas externas. Lá vinha uma mocinha dizer que primeiro tinham de ir até o caixa, no piso inferior interno, para fazer o pedido. Vários foram e não voltaram. Outros foram e acabaram preferindo ficar na parte inferior interna.  Aliás, há um aviso nas mesas dizendo mais ou menos que “visando agilizar o serviço, todos os pedidos deverão ser feitos no caixa diretamente”. Com aquela moça no caixa?  com esse pessoal servindo? Tá brincando… Próxima vez, café num dos botecos da praça mesmo.

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