Continuando…
3) Theatro Municipal (http://www.prefeitura.sp.gov.br/cidade/secretarias/cultura/theatromunicipal/)
Pois é, tive de me munir de forças para relatar minha visita ao Teatro Municipal de S. Paulo, pós-reforma.
Tudo começa com um processo que nem Ionesco imaginaria. Para agendar a visita é preciso entrar no site acima, baixar um formulário, preenchê-lo, encaminhá-lo via e-mail para o endereço indicado, aguardar 72 horas (isso, 72!). No meu caso, pedi a visita para 1/7. Não havia disponibilidade. Antes de vencidas as 72 horas, recebi a informação de que havia disponibilidade em 3/7 - 14h. Não basta responder ao e-mail recebido com um “ok, aceito, obrigada”. Não, tem de fazer tudo de novo e se a tal disponibilidade terminar no meio do caminho, azar seu. Imaginem turistas de fora querendo visitar o teatro. Se ficarem na cidade dois ou três dias têm de começar o processo lá atrás. Ah, e claro o formulário de agendamento não é bilingue. Pra quê?
No meu caso, reenviei o formulário na 2a., por volta de 9h. Como até 4a., 12h, não tinha recebido resposta, liguei para o setor encarregado. O atendimento foi muito cortês, mas eu teria de esperar as 72h que venceriam na 5a. pela manhã.
Entenderam agora porque a gente precisa de muita energia e calma para comentar este assunto? É um atentado ao turismo, ao cidadão, ao nível mínimo de inteligência num procedimento, enfim…um horror!
Bem, recebida a graça de poder visitar o teatro, apresentei-me às 13h30. Vai saber o que pode acontecer…Pasmem, um prédio público e não há banheiros no saguão que os visitantes possam utilizar. Tem de esperar o horário da visita para ir ao banheiro. Já desacorçoei: neste paíZ não se pensa no conforto do cidadão, do indivíduo, nem por decreto.É uma coisa tão rasa, sobretudo porque há tantos exemplos lá fora, que não precisa elucubrar, gastar os neurônios, é só copiar. Ah, sim, e claro que não havia bancos no saguão, nem sequer para pessoas de mais idade. Durante o tempo que esperei o início da visita, vi várias pessoas dizendo que queriam visitar o teatro e serem informadas pelo segurança - sim, não há um balcão de informações para atendimento ao público, num domingo! - do processo. Até que o rapaz sabia alguma coisa, mas obviamente que não detalhes, então a pessoa saia com meia informação. Felizmente, há um folder até que bem feito, mas duvido que alguém que tenha feito visitas pelo mundo, ou até a algumas entidades culturais de SP mesmo, possa imaginar, acho que crer seria melhor, que o processo é do jeito que descrevi acima.
14h, dois grupos, dois monitores por grupo. Antes algumas considerações: o teatro daqui vale pela idade, por ter sido obra do grande Ramos de Azevedo (ainda bem que ele esteve por aqui e foi tão profícuo), e por ser a casa por excelência de óperas e balé da cidade (instrumental é a OSESP/Sala SP e não tem para mais ninguém evidentemente). Fora isso, o valor artístico do que está dentro do teatro, exceto por uma ou outra escultura ou pintura, não merece ponderação. É um amontoado de estilos, há muitas coisas de que não se conhece o autor, e por aí vai. Ou seja, não estamos falando de obras de arte, mas de um prédio público, bonito, recuperado, que acolhe espetáculos musicais.
Considerando meu arrazoado, não há justificativa para que não se possa tirar fotos sem flash, por exemplo. Ou filmar. Aliás, isso é endógeno nos da terra: não se pode em vários museus por aqui. Lá fora é possível fazê-lo em muitos lugares, e olhem que os acervos de lá são muito melhores que os daqui! Mais: quando não se pode fotografar lá fora, há muito material para o visitante: cartões, fotos, publicações, catálogos, o que nem pensam em fazer por aqui. Menciono isto, pois algumas pessoas estavam no balcão (área externa, portanto) e queriam tirar uma foto da fachada do museu e dali para o entorno (Anhangabaú). Foram impedidas! Foi uma das coisas mais ridículas que já vi na minha longa vida de andanças pelo mundo. Diante disto, escrevi ao teatro, questionando algumas coisas (meu e-mail está ao final). Perguntem se sequer agradeceram o contato ou se um dia vão pensar no assunto.
Mas o mistério está desfeito: vejam neste link quanto a Prefeitura cobra por imagens do teatro. É um acinte ou não é? http://www.prefeitura.sp.gov.br/cidade/secretarias/cultura/teatromunicipal/locacao/index.php?p=1058
E lá se foram 3 anos de reforma, de teatro fechado, de custos para os cofres públicos, e o que temos hoje (ao menos em 3/7): 1) os arcos, que foram recuperados há mais de década, creio, ainda estão em reforma, portanto não podem ser visitados; 2) os camarins estão ainda em reforma - pelo que a monitora informou, apenas metade deles está available; 3) o piso do salão nobre, no primeiro andar, ainda tem problemas não resolvidos, portanto não se pode caminhar por toda a área, somente sobre tapetes e em área limitada. Como assim? 3 anos são 1.068 dias e mesmo assim não deu para terminar? Não deu para fazer direito? Bem, dizer que isso foi uma grande surpresa, não posso. Afinal, acontece ou aconteceu o mesmo com a Biblioteca Municipal (http://mskeller.blog.terra.com.br/2011/02/13/nao-sei-se-rio-ou-choro/) que, também após anos de reforma, foi entregue pela metade. Insisto, somos mesmo o país do futuro, mas do futuro que nunca se concretizará: tudo está sendo analisado, estudado, pensado, orçado, mas fazer que é bom, realizar de fato como se deve, nada. Eita, preguiça, falta de vontade, falta de competência deste nosso poder público.
A visita foi interessante, pois pude rever o teatro a que já havia ido tantas vezes, mas mais bonito. A pena é que a visita também não dá informações básicas. Por exemplo: não é de meu interesse, mas um casal de Campinas queria dados sobre o palco (altura, profundidade, etc.). Coisas básicas, certo? Cadê? Aí a sugestão: mandem e-mail ou deixem e-mail e mandaremos informações. Como assim? É duro, viu…As monitoras são simpáticas, mas algumas perguntas bem básicas ou não foram respondidas, ou saiu-se com tentativas de explicação escalafobéticas. Tenha dó! É amador ou não é? De novo, não precisa inventar, basta copiar. Não é possível que pessoas da administração pública, da gerência do próprio teatro não tenham visitado similares em outros países e aprendido um pouco com a experiência. Posso dizer que minha visita ao Colón, B. Aires, há uns tantos anos tinha todas essas informações e muitas outras que nem se vislumbra por aqui. Tá vendo, pertinho. Los hermanos podem dar a receita.
Lembro-me também de visitas ao Carnegie Hall, Lincoln Center, e não havia lugar onde não pudéssemos entrar ou pelo menos ver - na plateia, no palco, nos acessos. Aqui um monte de espaços fechados, aos quais não se tem acesso. Ah, faça-me o favor! Afinal, não sou eu contribuinte que pago tudo aquilo, inclusive a reforma, os funcionários, etc.? Como é que não posso ter acesso, ver o que é meu?
Além da visita que fiz, há outra técnica (coxias, cenários, estrutura técnica) que vou tentar. Essa vai ser complicada, viu! Mas sou brava, sou forte, sou filha do Norte, meu canto de morte, Guerreiros, ouvi! né meu santo Gonçalves Dias…então vamos pra luta.
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Prezados senhores:
Estive em visita ao Teatro Municipal e tenho as seguintes dúvidas:
1) Por que não se pode fotografar nem da sacada do Municipal (voltado para a cidade ou voltado para o prédio)? Por que não se pode fotografar em seu interior sem flash? Isso é permitido e comum em qualquer parte do mundo. Visitei inúmeros teatros, museus, galerias que não têm qualquer restrição a fotos, desde que sem flash. Ademais, não estamos fotografando obras de arte, mas o interior de uma casa de espetáculos pública, cujo valor artístico é discutível. Vale pela idade e conservação, além de ser o teatro da cidade. Outro ponto é que, nos casos em que fotos não são permitidas, há vasto material, de excelente qualidade, para substituir a foto (catálogos, cartões, fotos). O próprio estabelecimento/instituição supre os visitantes, claro que cobrando, o que ainda traz a vantagem de reforçar o caixa da instituição;
2) Apesar de as monitoras serem bastante simpáticas, educadas, e terem um bom nível de informação, não têm informações básicas: altura da cena, profundidade, e por aí vai. Dados tão básicos não são absolutamente só para uma visita técnica. São dados básicos, factuais, simples. Várias perguntas ficaram sem resposta. Não seria o caso de instruir as monitoras para que carreguem consigo um caderninho de anotações para que anotem as dúvidas não respondidas e isso seja incorporado às informações passadas ao público, tornando a visita cada vez mais precisa, completa? Evidentemente, o público poderia enviar e-mail ao Teatro sobre suas dúvidas, porém, como todos sabemos, 99% não o fará pois cairá no esquecimento de imediato, e os dados continuarão a ser perguntados e não informados.
Agradeço a atenção dada a este e-mail, que visa apenas alçar a qualidade da visita ao patamar de outros locais do gênero pelo mundo.
Atenciosamente.
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Nota - resposta recebida em 12/7/2011
Prezada Sra. Miriam,
Boa tarde.
Não é possível fotografar o prédio internamente porque há um decreto municipal que regula o funcionamento do teatro e estabelece que R$ 20 mil devam ser recolhidos ao Fepac para cada sessão fotográfica. A senhora está certa sobre as informações que as monitoras precisam dominar. Já havia orientação para que as mesmas, em caso de dúvidas, solicitassem ao visitante o e-mail para que pudéssemos encaminhar as solicitações não atendidas. Agradeço a informação e reforçarei a orientação.
Seguem algumas informações que percebi que foram solicitadas:
Boca de cena: 7m (altura) x 12,50m (largura)
Proscênio: 13,30m (comprimento) x 3,79m (largura)
Fosso da orquestra: 17,57m (comprimento) x 4,83m (largura) x 2,15m (altura).
Coxias: 15m (comprimento) x 4,22m (largura do lado direito)/ 13,75m (comprimento) x 4,22m (largura do lado esquerdo)
Elevadores cênicos: Ponte I sobe a 7m; Ponte II sobe a 3m e desce a 3m abaixo do nível do palco; Ponte III sobe a 3m e desce a 3m abaixo do nível do palco; Ponte IV sobe a 3m e desce a 3m abaixo do nível do palco e Ponte V sobe a 3m e desce a 3m abaixo do nível do palco.
Atenciosamente.
AURELI ALVES | TEATRO MUNICIPAL