
É, foi uma viagem mesmo. E tudo ali no Ipiranga, tudo pertinho, fácil.
1) Aquário de São Paulo (http://www.aquariodesaopaulo.com.br/index2.html)
Aproveite a estadia de minha amiga dos EUA e fui com ela e o filho ver o aquário. Havia estado lá há um ano e meio (http://mskeller.blog.terra.com.br/2009/12/23/tempos-de-festa-4/). Ele continua bonito, o projeto é impressionante: tanques bem profundos (onde está o peixe-boi, por exemplo, o telhado de vidro por onde passam tubarões, arraias), o cenário, a gama de peixes de regiões do mundo todo, de água doce e salgada.  Até sexta (15/7) a entrada única era R$ 15.  Agora deve voltar ao preço original: R$ 30/inteira e R$ 15/meia - estudantes e seniores.  Vejam que em dezembro de 2009 paguei R$ 20/inteira. Como se justifica um aumento de 50% em menos dois anos? M-i-s-t-é-r-i-o…
Se ainda estivesse muito melhor, mas não.  De novo a palavrinha que me vem à cabeça é aquela que meus pais utilizavam para exigir da gente empenho, boa performance, comprometimento: capricho. Eu não sabia ou entendia plenamente o que queriam dizer com ela. Afinal, a gente tinha de dar (e eu dava mesmo, por perfil, por jeito de ser) o máximo, então capricho era default. Mas agora reconheço o que é de fato, sobretudo pela ausência em quase tudo na terra brasilis. Seguramente isso não faz parte do dna nacional, senão como explicar que, com um preço desses (paguei mais barato no aquário de Dallas), a falta total de monitores, iluminação deficiente, efeitos de iluminação e sonoros que existiam num corredor que imita um submarino desaparecidos, banheiros mais que subdimensionados e de higiene deplorável, falta de informação na maioria dos compartimentos, todas, todas mesmo, as telas de informação/interativas desligadas e pelo jeito há bastante tempo? Em vez de melhorar deixam deteriorar dessa maneira!  E mapa do aquário? Resposta da bilheteria: devido aos feriados e férias acabou.  Claroooo…feriados e férias são uma surpresa, pegam qualquer um desprevenido.  Ninguém controla o estoque dos impressos? CompreensÃvel, é uma atividade rocket science.  Enfim, depois de um ano e meio, com preço inflacionadÃssimo, um lugar muito pior em termos de estrutura e manutenção.  Se não houver uma administração competente, de mÃnima visão, e menos greedy, tenho certeza de que, se voltar lá daqui a uns anos, vou encontrar o negócio em frangalhos, se ainda estiver de portas abertas.
Ah, e não falta público. Lotação enorme.  Muitas famÃlias, muita criança.  E como o povo da terra gosta de falar alto, gritar, mexer onde não pode, tirar foto com flash quando pedem para não fazer isso, e atropelar, acotovelar.  Acho que a civilidade dessa gente foi dada de comer aos tubarões, à s piranhas.  Inenarrável o que presenciei. Houve momentos em que achei que a turba ali presente era mais perigosa que os tubarões e piranhas que desfilavam pelos tanques.
Lembrando daquelas pessoas, vem-me à mente um trechinho de um texto de Lya Luft para a Veja desta semana. “Havia muito eu andava perplexa; agora, começo a sentir aquele profundo desalento do qual falou um polÃtico horando, antes de se recolher à vida particular, para pouco depois subitamente morrer.”  O texto refere-se a outro tipo de problema, mas meu desalento sobre no que se transformou o paÃs, sua população, o retrocesso da educação, dos “modos”, da consciência cidadã, é de mesma intensidade. Tenho pena do Brasil de amanhã. O pior é que a recuperação pode demorar séculos, se vier.
Ah, é preciso dizer que o acesso à área onde estão o Museu Paulista, Aquário, etc., é bem fácil. Do metrô Alto do Ipiranga há muitos ônibus (4113) que vão por ali.  Depois é andar pela região, bastante plana, cheia de árvores, com muitas casinhas antigas - a área resiste à aparição de arranha-céus, felizmente.  Um lugar bem gostoso mesmo.
2) Memorial de Santa Paulina (http://www2.ciic.org.br/index.php?option=com_content&task=view&id=16&Itemid=33)
Saindo do aquário, fomos em direção à Nazaré, região do Museu Paulista.  Estávamos procurando um restaurante por ali para comer. Já estávamos azuis de fome.
Quase chegando a um restaurante, passamos em frente de uns jardins lindos, uma edificação muito bonita, bem cuidada, que tinha uma capela de porte.  Como nunca vou para aqueles lados, estávamos por ali mesmo, decidimos ver o que era. Era a capela e memorial de Santa Paulina. isso, a primeira santa brasileira. E eu que nem imaginava!
Uma capela bonita, erigida onde Irmã Paulina estabeleceu-se inicialmente por aqui. Se vocês vissem a estrutura do lugar, a organização! E como fomos bem recebidos! Santa Paulina criou a Congregação das Irmãzinhas da Imaculada Conceição. Estão presentes em 11 paÃses e cuidam de hospitais, abrigos, lar para crianças. Tudo de forma independente e bastante eficiente pelo jeito.  Na parte superior de um dos edifÃcios há um memorial em que objetos, roupas, documentos contam a história da Santa. De Trento na Itália, a Nova Trento, em SC, e S. Paulo, e depois pelo mundo. A canonização deu-se em 2002.  Um lugar muito interessante, cheio de CAPRICHO, que conta uma linda história de fé, dedicação, luta.  E eu que nem sabia que tÃnhamos uma santa desde 2002!
A obra de Santa Paulina continua a crescer, a prosperar, pelo bem dos outros.  Isso, sim, é um milagre.
3) Feijão de Corda (http://feijaodecordaipiranga.com.br/)
Bem, depois de duas horas flanando pelo aquário, e quase uma hora pelo memorial, fomos almoçar no restaurante Feijão de Corda, ali na Av. Nazaré. Um lugar grande, quase vazio lá pelas 15h30. Cardápio variado, com pratos menores e maiores (estes servem 3 a 4 pessoas), ótimos preços.  Atendimento simpático, meio perdido como em todo o território nacional, ótima comida. Comemos uma picanha com arroz, feijão de corda, couve, linguiça bem sequinha.  Muito saboroso, uma delÃcia mesmo. Com couvert, cerveja, água, suco, serviço, café (pulamos a sobremesa, não dava…): R$ 40/pessoa. Não é barato, evidentemente, mas considerando o cenário de custos atual foi um ótimo preço. E olhem que sobrou muito arroz e algum feijão.
4) Museu Paulista (http://www.mp.usp.br/index.html)
Também estive lá há um ano e meio (http://mskeller.blog.terra.com.br/2009/12/23/tempos-de-festa-4/). Continuam valendo todas as observações que fiz à época.  Engraçado o imobilismo que temos por aqui.  É caso de estudo, com certeza. Neste caso pelo menos não piorou.
Deu para visitar 80% do museu, pois chegamos perto de 16h (fecha à s 17h) e o espaço é bem grande. Deu para ver muita coisa interessante, importante para nossa história. Aliás, esperava, considerando minha experiência no aquário, encontrar algo mais depauperado que há ano e meio, mas felizmente o lugar estava limpo, ordenado. Ainda sem nada interativo, verdade, sem monitores. Para agendar visitas, só para escolas, e tem de ser feito na primeira semana do mês anterior em que se pretende a visita. É brinca, ou quer mais? É precisão suÃça, praticamente!
Ali também grassa a praga nacional: seguranças para todos os lados. O custo disso daria para colocar telas touch para os visitantes de monte. E, seguramente, um sistema de câmera bem projetado resolveria as necessidades do local.
Não chegamos a circular pelos jardins, que são bonitos e estão bem mantidos. No entanto, vê-se de longe mesmo que há muita sujeira. As fontes não estavam funcionando e percebia-se muita sujeira nos tanques de água. Um negócio nojento mesmo. Acho que a saúde pública deveria verificar aquilo, pois deve representar até risco para a população.  Francamente, dá a impressão de que as fontes não funcionam mesmo. Uma pena, diante do que se gastou na reforma do museu, dos jardins, e tudo por falta de CAPRICHO.
Houve até um evento hilariante: eu estava mascando um chiclete, pós-almoço. Em dado momento queria desfazer-me dele. Peguei um lenço de papel e o depositei ali.  Andei 40 minutos com aquilo na mão. Não havia um único, isso, NENHUM, lixo, dispenser.  Provavelmente há nos banheiros, que ficam no subsolo, mas não entrei ali.  Só vi um cestinho de lixo junto a um balcãozinho de informações no térreo ( vi na saÃda, pois não fica junto à entrada, mas no caminho para o subsolo), e do lado de fora na saÃda.  Devo ter batido algum recorde mundial…40 minutos rodando por três andares de um prédio público e não havia um cestinho de lixo!  Como é que se quer que a população aprenda sobre onde jogar o lixo, não descartar detritos indevidamente, manter o bem público, se quem deveria ensiná-la não o faz?
SaÃmos na hora do fechamento mesmo e demos uma voltinha pelo parque que fica atrás do prédio do museu. Bem agradável.
O dia esteve lindo, ensolarado, calorzinho bom. Â Ajudou muito no passeio, que foi muito bom.