31
de
julho
Quem tem amigo…
O ditado certinho seria (acho): quem tem padrinho, não morre pagão, mas resolvi adaptar.  Quem tem amigos consegue ver peça de teatro no Teatro Vivo.  Explico: é longe demais! Pelo menos para mim!  O lugar é bonito (conheci ontem - http://www.vivo.com.br/portal/a-vivo-cultura-espacos-culturais-teatro-vivo.php?WT.ac=avivo.institucional.menulateral.espacoculturalvivosp), mas tem umas falhas absurdas para uma casa aberta no seculo XXI.  Primeiramente os banheiros: por que o povo da terra economiza tanto em banheiros? Inicialmente, poucas cabines (no caso somente 4), locais mais que apertados, desconfortáveis (para dar lugar a um lounge ou hall imenso, sem necessidade?). Cuidado 0: além de poucas cabines, uma ou duas delas estavam entupidas. A moça da limpeza só atrapalhava dividindo o espaço com as usuárias e mostrando-se totalmente inepta e inapta para resolver o problema.
Ao sairmos, escuridão total no hall.  Não dá para manter as luzes acesas até os frequentadores se retirarem? Afinal a Vivo não e deficitária, longe disso, pois EU garanto seu lucro, como tantos milhões de usuários. Mesmo que  o espaço cultural seja deficitário, a companhia não perde nada, deno pelo contrário, investindo nessa área.
Agora o caos mesmo é o estacionamento. A empresa (é terceirizada, mas não vi o nome) não organiza a retirada dos veÃculos, fica todo mundo num bolo só aguardando os carros. Um desconforto feroz, sobretudo em dia de chuva/chuvisco como ontem. Não dá para pensar um pouquinho e melhorar isso?  Eu frequento muito estacionamento de teatro, não porque tenha carro, mas pelas caronas dos amigos, e o sistema de valet do espaço VIVO é o pior que já vi.E olha que cobram R$ 15! Ah, sim, além disso os frequentadores ficam reféns do valet dali, pois a região é escura, perigosa, não estacionamentos abertos na proximidade, ou seja, não há opção.
A sala de teatro é bem interessante.  Bonita, arejada, bem ventilada (ar-condicionado), poltronas confortáveis.  Não é das maiores na praça.
Bem, ao que interessa: meu amigo comprou o ingresso e me deu carona, senão não teria mesmo visto Deus da Carnificina (http://vejasp.abril.com.br/teatro/deus-da-carnificina) que está ali há um bom tempo. Quem viu, gostou. As crÃticas eram boas, mas e a coragem para me locomover até lá ou encarar uma corrida de táxi ida/volta ao preço que está esse transporte hoje em dia em SP?
A peça é de Yasmin Reza (http://en.wikipedia.org/wiki/Yasmina_Reza), autora francesa bem conhecida. Dela vi há uns 3/4 anos, no Renaissance, O homem inesperado (http://vejasp.abril.com.br/teatro/o-homem-inesperado). Um texto tão bom, valorizado por Nicette Bruno e Paulo Goulart e pela direção do mesmo EmÃlio de Mello, que acabei comprando pela Fnac francesa um compêndio com as peças da autora. Ainda não li, mas foi um investimento para o futuro de qualidade indiscutÃvel.
Segue link do blog de um amigo que transcreveu a crÃtica de Bárbara Heliodora para a peça, quando encenada no RJ: http://iracenna.blogspot.com/2010/11/deus-da-carnificina-by-barbara.html.
O cenário é muito bacana. A mesa de lego, principal item em cena, é muito interessante. Muito vermelho, muita amplidão. Até as flores de verdade dão um toque bacana. O figurino é normalzinho, afinal são dois casais “normaizinhos” em cena.  Tudo começa com uma agressão entre os filhos dos dois casais. Da civilidade à lavagem de roupa suja entre os quatro - extra-casais, intra-casais, entre gêneros (homens, mulheres)- é um pulinho.  Todos (Deborah Evelyn, Julia Lemmertz, Orã Figueiredo e Paulo Betti) estão muito bem em cena, muito azeitados, mas gostei sobretudo de Paulo Betti, de quem nem gosto tanto assim em tv (não me lembro de tê-lo visto em teatro, só uma ou duas vezes no cinema).
Depois de muita argumentação, que se transforma em bate-boca, depois de muito histrionismo (as pessoas são histriônicas, oras!), não se chega a lugar nenhum, mas o recheio é bem divertido, dinâmico.  Retratos humanos mais claros, didáticos, impossÃvel! A feiúra de todos nós exposta com muito bom humor. Vale ver.
















