Escrever para viver!

Tudo que der na telha e que eu achar que vale a pena

31

de
julho

Quem tem amigo…

O ditado certinho seria (acho): quem tem padrinho, não morre pagão, mas resolvi adaptar.  Quem tem amigos consegue ver peça de teatro no Teatro Vivo.  Explico: é longe demais! Pelo menos para mim!  O lugar é bonito (conheci ontem - http://www.vivo.com.br/portal/a-vivo-cultura-espacos-culturais-teatro-vivo.php?WT.ac=avivo.institucional.menulateral.espacoculturalvivosp), mas tem umas falhas absurdas para uma casa aberta no seculo XXI.  Primeiramente os banheiros: por que o povo da terra economiza tanto em banheiros? Inicialmente, poucas cabines (no caso somente 4), locais mais que apertados, desconfortáveis (para dar lugar a um lounge ou hall imenso, sem necessidade?). Cuidado 0: além de poucas cabines, uma ou duas delas estavam entupidas. A moça da limpeza só atrapalhava dividindo o espaço com as usuárias e mostrando-se totalmente inepta e inapta para resolver o problema.

Ao sairmos, escuridão total no hall.  Não dá para manter as luzes acesas até os frequentadores se retirarem? Afinal a Vivo não e deficitária, longe disso, pois EU garanto seu lucro, como tantos milhões de usuários. Mesmo que  o espaço cultural seja deficitário, a companhia não perde nada, deno pelo contrário, investindo nessa área.

Agora o caos mesmo é o estacionamento. A empresa (é terceirizada, mas não vi o nome) não organiza a retirada dos veículos, fica todo mundo num bolo só aguardando os carros. Um desconforto feroz, sobretudo em dia de chuva/chuvisco como ontem. Não dá para pensar um pouquinho e melhorar isso?  Eu frequento muito estacionamento de teatro, não porque tenha carro, mas pelas caronas dos amigos, e o sistema de valet do espaço VIVO é o pior que já vi.E olha que cobram R$ 15! Ah, sim, além disso os frequentadores ficam reféns do valet dali, pois a região é escura, perigosa, não estacionamentos abertos na proximidade, ou seja, não há opção.

A sala de teatro é bem interessante.  Bonita, arejada, bem ventilada (ar-condicionado), poltronas confortáveis.  Não é das maiores na praça.

Bem, ao que interessa: meu amigo comprou o ingresso e me deu carona, senão não teria mesmo visto Deus da Carnificina (http://vejasp.abril.com.br/teatro/deus-da-carnificina) que está ali há um bom tempo. Quem viu, gostou. As críticas eram boas, mas e a coragem para me locomover até lá ou encarar uma corrida de táxi ida/volta ao preço que está esse transporte hoje em dia em SP?

A peça é de Yasmin Reza (http://en.wikipedia.org/wiki/Yasmina_Reza), autora francesa bem conhecida. Dela vi há uns 3/4 anos, no Renaissance, O homem inesperado (http://vejasp.abril.com.br/teatro/o-homem-inesperado). Um texto tão bom, valorizado por Nicette Bruno e Paulo Goulart e pela direção do mesmo Emílio de Mello, que acabei comprando pela Fnac francesa um compêndio com as peças da autora. Ainda não li, mas foi um investimento para o futuro de qualidade indiscutível.

Segue link do blog de um amigo que transcreveu a crítica de Bárbara Heliodora para a peça, quando encenada no RJ: http://iracenna.blogspot.com/2010/11/deus-da-carnificina-by-barbara.html.

O cenário é muito bacana. A mesa de lego, principal item em cena, é muito interessante. Muito vermelho, muita amplidão. Até as flores de verdade dão um toque bacana. O figurino é normalzinho, afinal são dois casais “normaizinhos” em cena.  Tudo começa com uma agressão entre os filhos dos dois casais. Da civilidade à lavagem de roupa suja entre os quatro - extra-casais, intra-casais, entre gêneros (homens, mulheres)- é um pulinho.  Todos (Deborah Evelyn, Julia Lemmertz, Orã Figueiredo e Paulo Betti) estão muito bem em cena, muito azeitados, mas gostei sobretudo de Paulo Betti, de quem nem gosto tanto assim em tv (não me lembro de tê-lo visto em teatro, só uma ou duas vezes no cinema).

Depois de muita argumentação, que se transforma em bate-boca, depois de muito histrionismo (as pessoas são histriônicas, oras!), não se chega a lugar nenhum, mas o recheio é bem divertido, dinâmico.  Retratos humanos mais claros, didáticos, impossível! A feiúra de todos nós exposta com muito bom humor. Vale ver.

30

de
julho

Não valeu a pena

Pois é, às vezes me deixo levar e tomo na cabeça.  Vi duas reportagens, na mesma semana, no blog Comidinhas. Uma sobre a Tasca da Esquina, restaurante português que abriu uma filial por aqui (http://colunistas.ig.com.br/comidinhas/2011/07/16/a-tasca-da-esquina/), e outra sobre Butcher’s Market no Itaim, outra filial, desta vez do restaurante americano (http://colunistas.ig.com.br/comidinhas/2011/07/22/butcher%C2%B4s-market-para-fanaticos-por-hambuguer/). Este é o site oficial do segundo: http://butchersmarket.com.br/.

Não sei como ainda caio nessa. Em 80% das vezes que segui conselhos desse site e do Comes e bebes do Marcelo Katsuki não saí satisfeita. Obviamente, os dois colunistas não me obrigam a ir a lugar nenhum e se o resultado não foi bom tantas vezes, vá ser teimosa assim ali adiante, certo?  É que as fotos e a curiosidade acabam me “forçando” a tentar.

Prefiro acreditar que não exista dinheiro envolvido nas divulgações, mas outra coisa. Essa outra coisa seria: (1) essas pessoas ou seus enviados estão fazendo um trabalho, então o espírito é outro. Nas duas colunas nunca vi nada negativo, só elogioso. De novo, esse é o espírito da coisa.  Além disso, (2) mesmo que paguem suas contas, na verdade não devem ser eles a pagar. Afinal é trabalho para um jornal, então de fato nada ou quase nada sai do bolso deles.  Mesmo que saia, são pagos para isso de alguma forma.

E com os dois restaurantes que resolvi experimentar, baseada em textos e fotos, o resultado não foi dos melhores.

1) Tasca da Esquina

O atendimento telefônico e pessoal é muito bom (milagre!).  A casa é bonita, bem montada.  No entanto, lá pelas tantas um cheiro de gordura se espalha por todo o restaurante. Isso não se justifica num lugar em que cobram o que cobram.  Como entrada peguei o que estava na coluna.  Não oferecem um couvert fechado, digamos.  Pasmem, cada coisa tem o preço em separado, e bem caro: azeitonas, bolinhos de bacalhau, queijo português.  Acho que só os pães vêm com valor razoável. Também…

Escolhemos uma degustação por R$ 92,00. São quatro pratos.  Sopa, camarões (no lugar de uma salada), peixe e frango. Tudo em porções mínimas e, francamente, sem um sabor maravilhoso.  São gostosos, mas por esse preço?   Depois dividimos uma sobremesa.  Também tomamos um espumante português (R$ 26/taça), água e café.  Uma conta astronômica (R$ 180/pessoa) pelo que consumimos. Não temos muito do que reclamar, no sentido de que pedimos os itens e sabíamos o preço. O problema é que o resultado não esteve de acordo com o que recebemos: nem em sabor, nem em apresentação, nem em quantidade.  Como disse minha amiga, melhor ir ao Antiquarius, como já o fiz, que tem um almoço executivo a bom preço e com a qualidade mais que comprovada.

Ah, e não dividem a conta pelos cpfs também.

2) Butcher’s Market

Fui com outras duas amigas.  Não fazem reserva e a casa não é muito grande, mas fomos prudentes: chegamos às 20h, bem cedo para um sábado. Isso porque o restaurante havia saído em toda a mídia.  Obviamente, nenhum estabelecimento está preparado para o “efeito Vejinha” ou “efeito Paladar”.  De qualquer forma, a recepção e o garçom que atendeu a mesa foram muito bem, na medida do possível, o que já é um grande achievement.  Este é o cardápio (com preços! o que é uma raridade por aqui): http://butchersmarket.com.br/menus.html.  Pedimos o Market Original, de entrada o Pork Bun, tomamos duas cervejas claras e uma escura (essa a inacreditáveis R$ 17/pint), pegamos uma sobremesa de cada (só há duas oferecidas), café, água, serviço: R$ 82,00 para comer um hambúrguer! Tudo bem que estava tudo gostoso, mas nada excepcional. A casa é barulhenta demais e não das mais confortáveis.

Pelo menos esforçam-se para dividir a conta pelos cpfs. Uma bagunça, mas tentam.  Sabe que não consigo entender: se vou a restaurantes que não questionam isso, emitem a nota dividida sem nenhum problema, por que tantos optam por um sistema burro, que não atende bem o cliente?  Se vários fazem, por que não todos podem fazer?  Esse pessoal é míope demais! Ah, e acomodado, pois olham para você como se a solicitação de dividir a conta pelos cpfs fosse coisa de E.T. e não obrigatória e exigida por lei, i.e., se o sistema deles não atende têm de dar um jeito e cumprir a lei e ponto. De todo jeito, no Butcher’s esforçaram-se para conseguir dar conta disso.

Bem, duas experiências para não repetir.  Vamos ver se um dia aprendo…

28

de
julho

O Anima anima mesmo

Ai, não consegui segurar esse trocadilho infame. Sorry!  Ano passado, lá estava eu no mesmo bat-período (http://mskeller.blog.terra.com.br/2010/08/06/foi-assim-tipo-uma-maratona/) vendo a mostra Anima Mundi.  Neste ano, 19a. edição: http://www.animamundi.com.br/, fui e vou de novo.

Termina dia 31/8, aqui em SP (http://www.animamundi.com.br/pt/festival/programacao/grade-de-sessoes-sao-paulo:584.html). Tudo vale a pena? Não, claro que não. Basta ler o post sobre 2010.  Dá para escolher? Dá.  Mas, francamente, não tenho paciência. Portanto, em 2011, foquei no local de exibição.  Até 2010 só havia sessões no Memorial da América Latina e no Centro Cultural Banco do Brasil.  Agora há no Cine Livraria Cultura (Conj. Nacional, ex-Bombril) e no Unibanco da Augusta. Ótimo, porque não há sessões gratuitas, então não tem aquele estresse de retirar horas antes o ingresso, ficar esperando, entrar em lista de espera.  Pelo menos no Livraria Cultura é assim. Comprei para a sessão de hoje na terça, e para amanhã hoje. Pago meia, portanto R$ 4,00.  Esse valor compensa a tranquilidade, conforto.

Para a sessão de hoje, 19h, com produções de Carlos Sandanha (Era do Gelo, Rio) e David Daniels (veja páginas 27, 28, 29, 30 e 31 do catálogo:http://www.animamundi.com.br/pt/festival/informacoes/catalogo-virtual:578.html) havia umas 50 pessoas (bem pouquinho).   Do Saldanha foram 4 animações bem bacanas.  Levou uns 15 minutos. Os outros 45 minutos foram preenchidos com as obras de Daniels. O homem é um lisérgico, um lunático…muita cor, muito movimento, muitas imagens desestruturadas.  Cansa, porque no final fica parecendo tudo mais ou menos a mesma coisa. Agora, as trilhas sonoras são excelentes.  Ele também tem montes de comerciais (M&M, Coca-cola, Kellog’s, etc.). São bacanas mesmo, divertidos, mais que criativos, alguns nessa linha “enlouquecida”, e como são curtinhos não cansam, encantam (noossaaa! de onde tirei isso?).  De todo jeito, as sessões são de 60 minutas, então por piores que sejam as peças apresentadas, não enfadam demais.  Eu daria nota 6 para o que vi hoje.

Amanhã vou ver duas sessões, uma delas infantil (delííííciaa!).  Não tenho dúvida de que vou gostar de muita coisa.  Não sei se conseguirei ver mais filmes no final de semana, que já tem muita programação, mas se der, vejo.

Deem uma olhada na programação e, para aqueles que não fazem questão absoluta das sessões gratuitas, as dos Cine Livraria Cultura e Unibanco Augusta são ótima opção.  E quem estiver pelo centro, poderá ver também no CCBB.

Ah, entre as sessões do AM de amanhã, vou ver a 12a. edição da File que está no SESI da Paulista. Sempre dou uma olhadinha. Acho que não vou comentar, só se for superhipermegablaster, mas duvido, não é muito a minha, nunca foi.  No entanto, como tudo o que o SESI monta é interessante, vale apostar: http://www.sesisp.org.br/home/2006/centrocultural/Prog_expo.asp.

27

de
julho

Uma linda surpresa

Gosto, mas estou longe de ser fã de Phillip Seymour Hoffman. O último filme que vi com o ator não me convenceu (http://mskeller.blog.terra.com.br/2009/04/18/868/). Acho que só gostei mesmo de um filme até hoje, talvez dois: Flawless (1999) e Capote.  Nos outros filmes que vi com ele, tudo me parecia muito igual, aquela coisa de ator de um tipo só.

Jack goes boating (http://www.imdb.com/title/tt1278379/), que ninguém nem neste mundo, nem em outro, pode dizer por que virou Vejo você no próximo verão, foi a redenção de Hoffman para mim. Além de levar muito bem o papel principal, sua direção é soberba.  Além dele, o Clyde de John Ortiz é fantástico. E a trilha sonora então? Maravilhosa!

O elenco é enxuto, mas muito efetivo.  Conta-se a história de um homem que vive em NY. Solitário, aprende a nadar com a ajuda do amigo Clyde, aprende a cozinhar e tenta mudar de trabalho (de chofer de limusine para algo no metrô da cidade).  E tudo por uma mulher, por um amor.  A beleza, a sutileza de Jack (Hoffman) são comoventes.  Mesmo a amizade inconteste, generosa de Clyde (Ortiz) intriga.  Com tantas implicações sexuais por aí, quase uma constante, ouvi de Clyde para Jack o “eu te amo” mais bonito em mais de década. Um “eu te amo” fraterno, de pura amizade, de carinho. Nada, nem mesmo de leve, sexual, longíssimo de qualquer implicação homossexual.  Solidariedade e bem-querer puros, sem desvios.  Impressionante como ver essa declaração da forma que foi dita foi importante. Com toda a invasão massacrante do politicamente correto, da apologia ou merchandise de um foco tirano em termos de relações humanas, tinha quase apagado da memória a possibilidade de um “eu te amo” dito entre pessoas do mesmo sexo ser possível entre aqueles que só se amam, só se querem bem, sem outras implicações. Tanto é a tirania do social sobre o indivíduo que, ao ouvir a frase, vários espectadores soltaram um “xiii!”; “huuumm!”. Ou seja, vamos ver um Brokeback Mountain.  Nada disso. Aí fiquei pensando: quantas pessoas conheço que dizem isso a amigos (não a familiares - isso também não é tão comum, mas pelo está menos sujeito a pré-conceitos) sem pejo, com prazer?  Dá para contar nos dedos de uma das mãos. Pois é…nunca fui uma huggger, ou kisser, ou “love saying”, mas mesmo assim percebi quanto todos estamos perdendo com imposições que deveriam liberar e acabaram aprisionando ainda mais todos nós. Um caso claríssimo de: a intenção é boa, mas o resultado não.

Bonito e singelo o “I did it for you” que Jack diz a sua amada Connie (Amy Ryan), quando finalmente vão passear de barco no verão. Sua vida ficou muito melhor, por ela.  Melhor dizendo, por ele mesmo.

Hoffman está magnifico, uma personagem cheia de filigranas, riquíssima e adorável. Vai ver que era disso que ele precisava: dirigir a si mesmo. Ele se entende.

Ah, e vi o filme no Reserva. Os banheiros continuam um horror: portas sem molas de fechamento reguladas, que batem com grande ruído; falta de trincos nas portas. Pelo menos estava limpo na hora em que usei. Será que é tão difícil assim fazer uma boa manutenção num banheiro?

26

de
julho

Acho que já vai tarde

Não é o que parece: adoro Harry Potter (http://pt.wikipedia.org/wiki/Harry_Potter_(s%C3%A9rie)). Li todos os livros, menos o último. Comprei no lançamento (a Amazon faz um preço bem melhor para compras antecipadas), mas não sei por que acabei não lendo este. Tanto entusiasmo, e depois…

Sou fã da saga. Li todos os livros (menos o último), vi todos os filmes. E agora se acabou. Francamente?  Acho que chegou mesmo a hora.

Nos livros a coisa é diferente, mas lá atrás no primeiro, segundo filmes, o Radcliffe/Potter ainda era necessário, até porque ele encarnava à perfeição o herói presente nas ilustrações dos livros. Era um amálgama perfeito. Ele era bonitinho, simpatiquinho, mas com o tempo perdeu lugar para os malvados (Snapes, o ótimo Alan Rickman; Voldemort, a redenção de Fienes) e bonzinhos: Dumbledore, primeiramente Richard Harris, substituído pós-mortem por Michael Gambon; Ron, Rupert Grint; Hermione, Emma Watson. E ainda: Luna, Draco, Malcoy pai, Bellatrix, os gringotts, a cobra master, e demais seres imaginários.   O fato é que The Harry Potter tornou-se menor nos filmes.  Mesmo se ele não estivesse por ali, tudo bem.  Acho que isso aconteceu porque “congelaram” a personagem cinematográfica no tempo. Os outros cresceram, mudaram, apaixonaram-se, brigaram, e o bruxinho continuou o bruxinho com alterações mínimas.  Ele “envelheceu”, os outros foram se renovando e ganhando força pelo caminho. Isso pode ter acontecido nos livros, mas é praticamente imperceptível.

O último filme, que é o oitavo e segundo referente ao livro no. 7, é muito bom e do mesmo diretor, David Yates, que dirigiu os três filmes anteriores. A fita é bem bacana!  Longuinha como as anteriores, mas para quem gosta de HP consegue manter o interesse até o final.

Claro que tem umas coisinhas over: como um monte de bruxos poderosos (lá de Hogwarts), não andam sempre com a varinha na mão para fazer face a qualquer ocorrência, ainda mais com os malvados de plantão?  Como a escola fica no chão?  Com tanta gente versada em mágica? Tão esperta? Bem, mas também querer veracidade numa história de bruxos modernos é um pouco demais…Só que mesmo considerando a fantasia da coisa, acho que o que é demais é demais. Afinal, grande parte do público que gosta desse tipo de literatura, de cinematografia, está acostumado com o tema, já viu montes de coisas a respeito, de várias origens, sob vários pontos de vista. Nos livros que li (6) achei que estava tudo na medida. Não sei se no 7o. a autora (e produtora do filme) perdeu a mão. Só vou saber quando o ler.  Ou será que é o enfoque do diretor? Afinal os últimos 4 livros da saga têm o tamanho de uma bíblia, então fica difícil roteirizar o negócio.

E por que mesmo “19 anos depois”?  E não 15, não 20? Como só aparece a legenda, não dá para saber se há alguma explicação para o numero cabalístico. Ééééé…tenho mesmo de ler o livro o quanto antes.

De todo jeito, gostei bastante e dei adeus a todos, principalmente a Snapes e Voldemort, com um misto de tristeza e alívio. Acho que já deu mesmo o que tinha de dar.

Espero que todos que atuaram nos filmes da série tenham ganhado muito dinheiro para garantir o futuro próximo (ai,  não acredito que escrevi isso. Eu, aposentada, no Brasil…só rindo), pois vai ser difícil se livrarem das marcas das personagens de Harry Potter, não importa se Rickman, Gambon, Maggie Smith, Fienes, Grint, Radcliffe, Emma Watson. Acho que vai ser difícil descolar suas imagens das personagens mais marcantes por um bom tempo, sobretudo para os jovens.  Tomara que consigam pelo talento que todos têm.

25

de
julho

É preciso pedir


Quem tem boca vai a Roma, ou tem de pedir para conseguir. Por isso sempre procuro ir ao Festival Tanabata Matsuri (http://www.tanabata.com.br/conteudo/festival.php), lá na Liberdade. Neste ano foi nos dias 23 e 24/7 (sempre acontece num sábado+domingo). Uma amiga disse-me que a data mesmo é 7 de julho, mas imagino que adaptem os dias da festa por alguma razão. Só espero que com essa mudança dos dias meus pedidos cheguem às duas estrelas direitinho.

A lenda é esta (segundo o site acima):

Uma antiga lenda, criada há quatro mil anos e inspirada nas estrelas Vega e Altair, conta a estória de uma certa Princesa Orihime e seu amado Kengyu.

A Princesa Orihime era uma excelente tecelã e confeccionava a mais perfeita seda de que se tinha notícia. Preocupado com sua excessiva dedicação, o rei ordenou que ela se distraísse, dando passeios diários pelo reino. Em uma dessas ocasiões, Orihime conheceu o pastor Kengyu e os dois se apaixonaram.

Esquecendo-se completamente de suas obrigações, a princesa tecelã e o pastor dedicaram todo o tempo a esta paixão e por este motivo foram castigados, sendo transformados em estrelas e separados pela via láctea. Comovido com a tristeza do casal, o Senhor Celestial permite um único encontro anual entre os dois, num dia de julho.

Em agradecimento à dádiva recebida, o casal atende aos pedidos feitos em papéis coloridos (irogami) e pendurados em bambus (sassadake).

Portanto, lá fui eu. Só que deveria ter ido no sábado que é bem mais tranquilo.  Bobeei e não posso esquecer disso para o futuro.

Cheguei por volta de 11h20. Tanto o metrô, quanto os arredores da feira, que acontece todos os domingos, ainda estavam “andáveis”.  Foi o tempo de colocar meus pedidos em  uma das árvores de bambu (elas são queimadas com orações posteriormente e a fumaça leva os pedidos às estrelas), dar um giro, fazer massagem, comer algo e aí ficou “inandável”.

Antes de almoçar, fiz uma quick massagem na tenda da Oniki (http://www.oniki.com.br/), que está pela praça todos os sábados e domingos. São deficientes visuais comandados pela Inês, que organiza tudo de forma supereficiente.  Quinze minutinhos de aperta aqui, amassa ali, e parti em busca do alimento.  A ruazinha onde ficam as barraquinhas de comida estava lotadésima. Agora, o que um gajo com uma bicicleta faz no meio daquela muvuca? E não é exagero, muita, muita, muita gente, andar de cágado, difícil se mexer, e aquela criatura com sua bicicleta no meio da multidão… E os pais com um carrinho de bebê?  É simples: não dá para ir na festa, não vá! Para que atrapalhar o mundo, e até gerar risco para si e para os outros?

Enfim consegui comer um udon com tempura.  E como o pessoal atende bem, trabalha bem, rápido, serve bem.  O pessoal que abre restaurante por aí, mesmo os pseurrefinados e pseudossabidos, devia ir lá tomar uma aulinha com ex-dekaseguis ou nisseis, ou sanseis para ver como se faz. E vocês acham que eles não ganham vendendo um udon a R$ 13?  Ganham, sim.  É uma operação de relógio que não pode falhar. Estratégica. E a gente come superbem, gostoso.

Depois de alimentada, mais uma voltinha pelas barraquinhas (encontrei dois assentos para minhas cadeiras a R$ 10/cada, bem bacaninhas, o que estava procurando), e fui ver o show.  Muita garatoda, mas muito olhinho puxado de cabelos brancos prestigiando.  Até onde fiquei, grupos de rock, cosplay (http://pt.wikipedia.org/wiki/Cosplay), muito simpáticos, cantando tudo em japonês (claarooo!). Bem divertido. E o pessosal mais aged acompanhando, vibrando.  Muito legal!

Como tinha compromisso mais tarde (http://mskeller.blog.terra.com.br/2011/07/24/eu-sabia/), saí umas 14h30.  Sorte, porque naquela hora o metrô despejava hordas de visitantes. Imagino que a partir daquele horário a coisa ficaria caótica, de tanta gente.  Na contramão, o metrô estava bem tranquilo. Desembarco na estação Clínicas. Eu e a torcida do Corinthians. E isto não é figura de linguagem. Vejam a foto.

Tinha jogo do Corinthians (com quem, no idea…) no Pacaembu.  E o pessoal chegando aos montes via metrô, sobretudo.

Dá para ver pelas fotos que o dia estava bonito, ensolarado, bem gostoso. Acho que as estrelinhas já estavam olhando por nós.

24

de
julho

Eu sabia

Nunca tinha visto (até onde me lembre) um espetáculo dirigido por Gerald Thomas (http://pt.wikipedia.org/wiki/Gerald_Thomas_(diretor_de_teatro)). O SESC Vila Mariana (bacanésimo!) proporcionou-me essa possibilidade.

Tendo lido tanto sobre o diretor, listo e visto várias entrevistas de GThomas, e não gostado, esperava o pior.

O programa da peça é muito bonito, graficamente.  Lendo-o imaginei o pior: o próprio diretor usa duas páginas inteiras para falar sobre a peça. Melhor, explicá-la. Se é assim, tem problema… Mesmo que a gente seja apenas aficionado, não tenha cultura, não tenha experiência “mundana”, se só a sensibilidade, a vontade de ver, de conhecer não alcança o que a obra  pretende, tanto faz de que natureza: literária, teatral, cinematográfica, etc., quer dizer, é de fato, o problema não é o espectador, leitor, mas a obra em si.

Meu conhecimento teatral é de aficionado mesmo. Eu gosto, procuro ver o que puder, tento não pré-julgar, e acho que consigo ver o “bright side” de tudo, mesmo que seja um “dim bright side”. E foi o que aconteceu hoje.

Fui sem reservas, mas apesar de nunca ter visto uma peça dirigida por Thomas, sua presença na mídia deve ter me contaminado.  Eu sabia, ou talvez intuía, o que ia encontrar. Gargólios ()http://geraldthomasblog.wordpress.com/2011/07/09/estado-de-sao-paulo-gargolios-we-open-today/) não me chocou, não me surpreendeu.

Achei a iluminação, o cenário, a trilha sonora, então!, superbacanas.  Ótimas!  O formato da peça, que tem o próprio Thomas tocando uma guitarra durante quase todo o espetáculo (como parte da trilha), interagindo com os atores, foi encantador.  Adorei!   Os atores - atenção, people!, a peça é inglês com legendas projetadas - são muito bons, tecnicamente.  O texto é um grande exercício.  Conta, se assim posso dizer, a história em torno de um cego que procura uma rua em NY.  Tem de tudo, até uma “Liga da Justiça” - achei esta parte mais que lúdica. Acho que só alguém que atingiu a maturidade em vários níveis (pessoal, profissional) pode se dar o direito de apresentar algo como Gargólios. E pronto.

Como já disse sobre outras experiências que tive: vi, já entendi, não preciso ver de novo. Sei que pode parecer pequeno, chão. E é mesmo. Sou só público, espectadora, e tenho o direito de gostar ou não, aliás, de apreciar ou não, e ponto. Não sou do ramo, não tenho pretensões de ser entendidíssima na arte teatral. Ver, conhecer, e formar/ter opinião já é o suficiente para mim.  Se gostar, então, é lucro. Bom, né? Prazer puro, sem cobranças.

A peça terminou temporada hoje em S. Paulo. Nos dias 30 e 31 vai estar no SESC de Santos (olha aí, Michel+Adriana).  Para quem não conhece/ia o trabalho de Thomas como eu, acho que valeu muito a pena.  E ficou claríssimo: Thomas é um agitador, quebra os tais paradigmas, faz pessoas pensarem. Um elemento importante em qualquer área da Humanidade.  Mais que ser um grande diretor, essa sua participação pelo mundo já o torna um ser muito especial e necessário.

Ah, e pós-peça houve ali mesmo, no SESC V. Mariana, o lançamento (com autógrafo - vejam as fotos) do livro Nada prova nada (http://www1.folha.uol.com.br/ilustrada/948688-gerald-thomas-lanca-novo-livro-hoje-no-sesc-vila-mariana.shtml). O diretor pareceu-me ainda mais simpático naquele momento. Vai saber…

23

de
julho

Virei fã

Pela segunda vez, em menos de duas semanas (http://mskeller.blog.terra.com.br/2011/07/11/dois-nuncas-em-um-mesmo-dia/), fui assistir a peças na ECA (http://www3.eca.usp.br/node/2237).

Desta vez foram duas, uma atrás da outra, ou seja, umas quatro horas de teatro in a row, do escocês Anthony Neilson, ambas dirigidas por André Pink que, após mais de uma década, retorna de Londres para os palcos nacionais.

De novo, um grupo de alunos (o de Lavoura Arcaica era do terceiro ano, penúltimo da EAD) - não sei de que ano, apresentando-se em duas montagens consecutivas. Isso, os mesmos atores, dois textos bem diferentes. Há nos dois um link: memórias, ilusões, miragens, exercícios interiores de peso, tudo com muito humor.  Os cenários são bacanésimos (também de APink), a luz ótima, trilha sonora também, figurino interessantíssimo.

Os salas em que as peças foram encenadas são muito boas, com o costumeiro relaxo local, i.e., cadeiras rasgadas, carpete em péssimo estado, mas a disposição das cadeiras permite visão de todos os cantos, a acústica é ótima, e devem dar para mais de 100 pessoas.  Único senão é a distância entre as fileiras, bem estreita.  Considerando que são teatros bem antiguinhos, o pessoal que constrói teatro por aí atualmente deveria ter dado/dar um pulinho lá para ver como se faz, como é fácil, como é simples para quem sabe em pouco espaço bolar uma disposição que premie a plateia com boa visão e um mínimo de conforto.

Da mesma forma que Lavoura Arcaica, as peças foram muito boas. Muito melhores do que muita coisa para que se paga caro para ver por aí.  Os atores, considerando que são alunos a caminho ainda da profissionalização de fato, são excelentes. O timing é muito bom, estão afiados, azeitados, dominam a cena, fazem vários papéis num ritmo quase alucinante, e todos com muita propriedade.  Um prazer ver a qualidade e entusiasmo do grupo.

A primeira peça passa-se no apartamento de um rapaz. A história vai e vem (infância, amores, descobertas, amigos, desilusões, etc.) bem ali, diante da plateia, num cenário fixo, imóvel. Toda a dinâmica é percebida com a alternância de personagens em cena, com o tom do texto, e excelente atuação sobretudo do ator principal. Como o programa não estava pronto (oooh, God! A gente não pode elogiar…), não sei o nome dos atores. O que faz o papel principal dessa peça, Realismo, fica o tempo todo em cena. Que fôlego!  E está mais que à vontade como Tiago Real. Impressiona.

A segunda peça, O Maravilhoso Mundo de Dissocia, é muito lúdica na primeira parte. Pós-intervalo, surpresa!  A solução para o cenário e o figurino, especialmente nesta peça, é brilhante.  Também muito riso, do começo ao fim.

É história de uma moça que perde uma hora numa viagem transcontinental.  No início fica muito perto de Alice no País das Maravilhas, com outro enfoque evidentemente. Na segunda parte, lembrei-me imediatamente de cenas de All that Jazz. Gozado…

As peças ficam até 7/8 (vejam detalhes no link acima), são gratuitas (dá-se na saída o que quiser/puder).

Como o trabalho é excelente, o pessoal é bom mesmo, tenho duas observações: (a) por que não cobrar mesmo que uma taxa simbólica pelo ingresso?  R$ 2 ou R 5 ou até R$ 10?  Muito menos do que se paga em qualquer lugar, exceto no SESC para comerciários, e seria uma outra forma de aplaudir as performances; (b) por que a divulgação é tão ruim? Não tivéssemos ido lá para a oura peça e visto o sabido ali dos novos espetáculos e não fosse meu amigo atentíssimo para o tema, teríamos perdido. Acho que até mesmo pessoal USP acaba desconhecendo o vai por ali.

Há outro aspecto, mas para esse não vejo solução: a dificuldade de acesso, sobretudo à noite. A USP é escura, é mal policiada/guardada, é perigosa, o transporte é mais que deficiente. Se não tivesse carona, jamais iria por ali àquela hora.  Quem sabe, considerar horários alternativos (algum dia da semana no meio da tarde, ou mesmo no sábado, até para levar um público mais eclético para lá) poderia diminuir o impacto negativo dessa questão estrutural.

Meu conselho: se puder, não deixe de ver.

22

de
julho

Volta aos bancos escolares

E olha que na minha idade isso é um tantinho traumático.  Mas imagino que com o envelhecimento da população, o público de escolas e universidades também está mudando de cara.  Acho que é bom para todas partes (a jovem e velha guarda, até para os docentes): realidades distintas, pensares bem diferentes que acabam agregando, alargando horizontes. Não é preciso concordar, aceitar, mas é importante ver, ouvir e entender.

Lá em 1973 (acho) prestei vestibular na USP - letras neolatinas. Sempre gostei muito de francês, que aprendi desde pequena no Colégio Notre Dame, onde estudei até os 13 anos.  Quando fui para a USP, podia-se escolher a grade de idiomas principais, e.g., português e: francês e/ou italiano e/ou espanhol, i.e., sendo o máximo de 2 línguas estrangeiras e português obrigatoriamente.  Optei por francês e italiano.  Não sabia uma palavra de italiano, minha família não tem nada ligado à Itália, ao italiano (http://pt.wikipedia.org/wiki/L%C3%ADngua_italiana).  Foi chute mesmo. Poderia ter sido o espanhol, que acabei tendo de estudar, e muito, durante a vida, pois tornou-se importante instrumento de trabalho, ao lado do inglês e do próprio português.

Meu curso de italiano foi muito bom. Os professores à época eram dedicados, vários nativos, exigentes, o chefe da cadeira era dado como um pensador da língua (não me lembro do nome dele), enfim o método era bom, os docentes também.  No entanto, depois de me formar, numa época em que não havia por aqui tantas firmas estrangeiras, sobretudo italianas, usei a língua para ler, ver filmes, entender visitantes, i.e., muito pouco. A leitura, o entendimento continuam afiados, mas o resto se perdeu pelo tempo. Língua é prática e ponto.

Depois de me aposentar estudei um semestre de mandarim (http://mskeller.blog.terra.com.br/2011/02/16/ni-hao/). Interessante, já entendi como é,  e que, como mencionou uma amiga, para saber mesmo só talvez na próxima encarnação. Brinca…é possível, sim, com dedicação aprender a se virar um pouco que seja na língua.  O retorno a uma escola (meus cursos mais recentes foram sempre via internet, ou individuais, para render mais) foi agradável.

Terminado o semestre de mandarim, pensei em algo de que gostasse mais ou que fosse mais pragmático. Minha prima tem feito, há tempos, vários cursos de extensão da USP e isso me veio num insight: por que não voltar à USP?  Peguei os caminhos com ela, fiz fup e o dia chegou: inscrição para teste (http://sce.fflch.usp.br/node/438). De quê? Italiano, oras…

Quando estudei no campus - terminei o curso há uns 32 anos - as aulas da Faculdade de Letras eram ali nas colmeias. Parece que hoje essas células são utilizadas para outras atividades. A FL fica quase ao lado da Geografia, do lado da Ciências Sociais. Bem mais fácil, pois continua na entrada do campus e tem transporte público bem na porta, o que não acontecia com as colmeias. Era preciso andar um bocado para chegar onde passavam os ônibus.

Tenho de confessar que depois de tantos anos guardando na memória como era o “espírito USP” de ser, que nunca foi o meu, esperava encontrar um quadro catastrófico. Felizmente, não foi bem assim. Claro que falta manutenção, falta CAPRICHO, há muito que melhorar sempre, mas mesmo assim encontrei prédios relativamente inteligentes, com boa informação.  Pelo que me informei com uma amiga, faltam lugares decentes para comer, por exemplo; os banheiros da Letras são um tanto outdated, mas bem limpos, pelo menos na Letras.  Enfim, pode-se dizer que fiquei surpresa positivamente.

Bem, fiz meu teste ontem. Achei o teste um tanto cansativo, mas de excelente qualidade para medir o nível dos postulantes.  A matrícula será daqui a uns 10 dias. Os resultados já saíram (fiquei bem contente com minha classificação). Não vejo a hora de as aulas começarem. Vou ter de estudar bastante para recuperar alguma fluência oral e rever gramática, mas estou muito animada. Gosto muito da língua e creio que será um prazer voltar a ter contato com ela. Único senão: vou ter de cuidar muito, estudando, de meu espanhol para não deixar que ele se contamine com o italiano. Isso é sempre um problema em línguas tão próximas. Portanto, é preciso também estudar, ler mais o espanhol. Mantê-lo para não perder a qualidade nessa língua.

Ainda acho que não sou uma “uspiana” de fato, mas tenho certeza de que vou suportar bem voltar a ter “coração de estudante”.

19

de
julho

Incursões teatral, cinematográfica e musical

1) A dama oculta (http://www.imdb.com/title/tt0030341/)

Está correndo (até 24/7) a mostra A. Hitchcock.  Esta é a programação: http://cinema.cineclick.uol.com.br/noticia/carregar/titulo/mostra-alfred-hitchcock-traz-a-sao-paulo-classicos-e-raros-do-mestre-do-suspense/id/30816.

Ainda há muita coisa para ver no Centro Cultural Banco do Brasil.  Na semana passada vi A dama oculta, um filme de 1938, em preto e branco.  Gostaria de ver outros filmes, mas não me organizei para isso. Uma pena!  Ainda bem que tenho um box de dvds de filmes deste superdiretor que nunca havia visto, então vou matar a vontade de outro jeito.

A dama oculta é um thriller de primeira. Preto e branco, faz milagres com a pouca tecnologia disponível à época.  Os atores também estão muito bem. Histriônicos demais para nossos tempos, verdade, mas eles tinham de compensar justamente a falta de coadjuvantes: iluminação, efeitos sonoros, intervenções gráficas, etc. É mais ou menos como locutor esportivo, tem de se virar e compensar o que o ouvinte não vê ou ouve. O impressionante é a atriz que faz a Sra. Froy (a dama oculta), Dame Mae Whitty. A filmografia dela é impressionante. Neste filme deve ter uns 70 anos, se não mais, mesmo assim é ágil, atuação impecável, e é quem dá o toque de humor hitchcockiano ao filme.  Tem um doutor malévolo também - Paul Lukas, que parece ter saído de uma história em quadrinhos direto para a tela.

Gosto muito do gênero mistério, policial, detetive, leio e vejo tudo que posso, mas mesmo assim o desenrolar do filme, apesar dele ter perto de 65 anos, conseguiu manter minha atenção e expectativa até o final. Um filmaço!

2) Alguns Blues do Tennessee (http://vejasp.abril.com.br/teatro/alguns-blues-do-tennessee)

O espetáculo terminou sua temporada domingo passado (17). Três peças curtas de T. Williams interpretadas por alunos ou formandos do Grupo Tapa. O quarto escuro, Verão no lago e A dama da loção antipiolho.  Direção de Eduardo Tolentino e Brian Penido Ross, ali no Viga da Capote Valente.

Nunca tinha ido àquele teatro, pelo menos que me lembre. A sala deste espetáculo era a menor, com capacidade para umas 30 pessoas. Há outro espaço maior, no piso superior, onde está o espetáculo Espectros (http://mskeller.blog.terra.com.br/2011/05/29/nem-tudo-sao-dores/), que eu vi no SESC Consolação. É como o Espaço dos Fofos, Folias, tudo muito informal. Ambiente alternativo total.

Gostei bastante dos textos escolhidos e da atuação do grupo. Agora, o engraçado é que a atriz mais competente de longe, com maior tempo de atuação no palco, i.e., presente nas três peças, não aparece neste trecho da Vejinha: Elenco: Conrado Sardinha, Isabella Lemos, Kadi Moreno (destaque do elenco) e outros. Não sei o nome da atriz, a Outros, pois não acho em lugar nenhum informação completa e não havia mais programa da peça. Faça-me o favor…Por isso sempre desconfio das chamadas e críticas dessas revistas. Duvideodó que vejam tudo e, portanto, saibam de fato do que estão falando de fato.

Foi interessante rever a direção de Tolentino (http://mskeller.blog.terra.com.br/2011/02/05/tem-tempo/) e sobretudo o Tapa.  Nossa, acho que faz décadas que vi a companhia em ação lá no Aliança Francesa. Talvez tenha visto alguma coisa pelo meio do caminho, mas não me lembro. O Tapa é quase que garantia de bons espetáculos, bons atores, o que foi confirmado com esta peça.

3) Neymar Dias (http://www.cpcumesdiscos.art.br/catalogo/?discoDet=126)

Exatamente, quem? Foi o que pensei.  Mais um dos espetáculos de música gratuitos do Museu da Casa Brasileira. Sempre aos domingos, 11h. Com um dia bonito, um cenário privilegiado, sempre vale a pena.

Havia marcado com minha amiga dos EUA almoço ali, para que ela conhecesse o espaço.  Fui antes para ficar pelos jardins, ler um pouco, ouvir o tal Neymar. Que sorte! O espetáculo teve viola caipira, baixo, percussão e viola de arco.  A maioria das composições de Neymar.  Até a coisa começar achei que ficaria entretida mesmo com minha revista, iphone. Que nada…uma maravilha os arranjos, a interpretação e as composições do Sr. Neymar.  Tão fantástico que acabei levando um cd para casa. É uma delícia ouvir violas transitando por jazz, música erudita, música popular. Felizmente, minha amiga chegou a tempo de ouvir os últimos números musicais.  Uma beleza! Impossível não ouvir com gosto, com enlevo.

O almoço no Quinta do Museu foi bem agradável, como sempre.

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