Escrever para viver!

Tudo que der na telha e que eu achar que vale a pena

18

de
junho

De pecinhas

Quase isso.

1) Sem Pensar (http://www.teatrotuca.com.br/sem_pensar.html)

Fui ver a peça na sexta retrasada.   Está no teatro TUCA, que é bem graaandee.  O preço é bom (R$ 40/inteira). Mas só isso não basta.

Depois de ver Sem Pensar, lembrei-me imediatamente de Mambo Italiano (http://mskeller.blog.terra.com.br/2011/06/06/um-certo-desconforto/).  Primeiramente porque o texto é quase de mesmo nível, com humor mais contido, mas mais ácido. Saí cansada do teatro, pois é uma agressão de começo a fim.  O casal Vicky/Nick se ataca a cada minuto. Não há um minuto de folga. Aliás, há uns momentos em que declaram seu amor (difícil acreditar diante de tanta raiva), mas mesmo assim a paz não reina totalmente, pois aí passam a atacar a filha.

Verdade que a plateia ri muito, as usual. No meu caso, ri, sim, algumas vezes pelo absurdo, pelo exagero da situação, mas foi um riso difícil, angustiado, menos espontâneo que no Mambo. Lembrou-me Albee, Pinter, e outras na linha, mas bem piorados.

Já vi outras peças com a Denise Fraga e embora goste da atriz, ache-a simpática, nunca a achei uma superatriz no teatro.  Vai ver que é implicância de minha parte. Vale dizer que nesta peça, como acontece no Mambo com a personagem de Jussara Freire, tudo está calcado sobre uma personagem, a dela. As outras agregam, mas nem de longe são vitais. Os atores estão bem azeitados, têm timing, até porque é altercação que não acaba mais e se se perde o ritmo o negócio deve degringolar.

O cenário é interessante. Tipo Dogville (http://www.imdb.com/title/tt0276919/), mas vertical. Vê-se tudo que é feito em cena, nos vários cômodos da casa. É possível ver duas, três ações ocorrendo ao mesmo tempo.

A peça foi escrita por uma moça de 17 anos. De repente para ela a crueza do que se vê no palco seja muito divertido, para mim não.

É outra peça para ir se não tiver coisa melhor para fazer, mas bastante dispensável.

2) Otro (http://www.sescsp.org.br/sesc/programa_new/mostra_detalhe.cfm?programacao_id=195424)

Transcrevo o que consta do site do SESC Pompeia, onde a peça está em cartaz:

Otro (ou weknowitsallornothing) é uma investigação sobre identidade e alteridade (a capacidade de nos colocarmos no lugar do outro em uma relação) e sobre como esses dois conceitos são inseparáveis. Uma experiência coletiva sobre estar vivo hoje, convivência, diferença, afeto e limites entre o eu e o que não é “eu”. O espetáculo é composto por cenas fragmentadas, que misturam relatos, vídeos, música em cena, atores, cenas cotidianas.

Eu traduziria o que está escrito acima e o que vi como “exercício”.  Atores bastante seguros, versáteis, num exercício: a entrevistada e a entrevistadora; o expatriado; a coach, a mulher que conta sua história, etc.

A trilha sonora é bem interessante. As roupas são bem simples, confortáveis, imagino.  Ha um momento de nudez totalmente desnessário. Tão forçado que nem chega a chocar ou provocar outro sentimento, além de tédio. E no mais é um exercício interessante.

Como a estrutura do espetáculo é bem diferente do que se está acostumado a ver por aí, acho que vale assistir. Fica até 26/6 lá no SESC.

Ah, e o Enrique Diaz está na novela Cordel Encantado (Globo - 18h). É o pai adotivo da filha do rei.

3) A mulher que ri (http://guia.folha.com.br/teatro/ult10053u927845.shtml)

O espetáculo estava em cartaz há uns 3 anos, por várias praças, vários teatros. Para as três últimas encenações, segundo anunciado ao final da peça pela atriz principal, foram acolhidos pelo Espaço dos Fofos (http://www.osfofosencenam.com.br/).

A peça, baseada em conto do húngaro Zsigmond Móricz, narra a história de um homem (Fernando Alves Pinto) passando pela infância, adolescência, até se separar dos país para estudar distante de sua casa.  Eloísa Elena está ótima como a mãe/mulher que ri. Plínio Soares também convence como o pai, operário e tosco.

A peça é bem curtinha (70 minutos). Acho que poderia desenvolver um pouquinho mais o tema. De todo jeito é bem bonita, as soluções de cenário, adereços, guarda-roupa são muito interessantes. Os atores estão muito azeitados e emocionam. Pena que foram só três apresentações, então quem viu, viu, quem não viu, não vai ver mais.  Mas quem sabe um dia voltam com a peça.

E como sempre, após uma peça no espaço, o pessoal d’Os Fofos serviram um prato especial: sopa de lentinha com linguiça. Estava fantástica!

Eu já vi todos os espetáculos dos Fofos, um deles inclusive três vezes. Vão voltar com seu repertório em julho e, se der, vejo de novo. São ótimos! Não vejo a hora de o grupo voltar a atuar por ali. Quem puder, vá ver.

18

de
junho

De comidinhas

Ontem foi dia de experimentar dois lugares.

1) Restaurante Halim (http://www.halim.com.br/)

Fui almoçar pelos lados do Paraíso com um amigo (valeu, Edu!).  Na região próxima à Praça Osvaldo Cruz, como ao longo de toda a Paulista, há muitas opções interessantes.  Fomos a um árabe ali na Rafael de Barros.  Chegamos lá umas 13h15 e a casa estava lotada. Filinha de uns 15 minutos. Mas como eu não tinha pressa, estava colocando a conversa em dia, nenhum problema.

O lugar é bem amplo e começou a esvaziar só lá pelas 14h.

Fomos muito bem atendidos desde o início. Além do cardápio normal, têm um menu degustação. Mais econômico (R$ 22) e pode-se escolher 3 pastas (homus, coalhada seca, quibe cru, etc.), mais 2 quentes (charutinho de folha de uva, kafta, etc.), e um arroz (marroquino ou outro).  Muito bem servido, dá para satisfazer mesmo. O garçom que nos atendeu foi muito ágil e atencioso.

Valeu conhecer o lugar.

Ah, e têm doces fantásticos. Acabei não comendo porque o prato já foi mais que suficiente. Comprei uns biscoitos de gergelim com damasco que estão olhando para mim insistentemente, mas ainda não provei. Pela cara parecem ótmos.

2) Vicolo Nostro (http://www.vicolonostro.com.br/)

À noite foi a vez de uma viagem interplanetária, ou quase. Peguei o 856R - Lapa/Socorro para encontrar-me com amigas neste restaurante.  E a Nasa acha que suas naves percorrem longas distâncias…tsc, tsc, tsc, é porque não conhecem o 856R.  Enfim, com o trânsito caótico das 19h30 levou perto de uma hora para chegar ao restaurante, lááááá no Brooklin, bem longe para mim.  Mas foi até rápido, considerando a distância, pois o ônibus pega o corredor da Santo Amaro, então quando ele entra ali a coisa flui muito bem.

O restaurante é muito bonito, muito bem montado. E mesmo àquela hora (20h30) já estava cheio. Reservas só até 20h30.

O atendimento para reserva foi um tanto confuso: primeiramente chamava e ninguém atendia, aí atendeu um rapaz que passou para uma moça, que não foi das mais receptivas. De todo jeito não foi muito pior do que o que existe na praça.  O atendimento no restaurante já foi diferente: muito organizado, atencioso, profissional.  Os garçons foram impecáveis.

Entre couvert, prato principal, sobremesa, café, vinho, refris = R$ 123/pessoa.  Considerando a excelência do lugar e o pandemônio de preços de SP é razoável.

Ah, sim, comi uma polenta mole com rúcula e brie que estava fantástica. Fazia tempo que não comia uma polenta mole/de colher e tão boa.  A sobremesa, um semifreddo al caffe, estava muito bom também.  As porções de tudo (do couvert aos acompanhamento do café) são muito generosas.

Um amigo havia recomendado o lugar há muito tempo, mas por ser fora de mão nunca tinha tido ganas de conhecer. Que bom que minhas amigas (Ana - boa viagem, boas férias e Elê - que sua estadia profissional pelos EUA seja de muito sucesso) escolheram o local. Tão bom que nem parece que é tão longe assim.

15

de
junho

Quem sabe, sabe mesmo…

Antes de comprovar minha teoria (http://mskeller.blog.terra.com.br/2011/06/08/quem-sabe-sabe/), vamos a dois filmes distantes em tempo, mas muito próximos em tema e mensagem.

1) Butterfield 8 (http://www.imdb.com/title/tt0053622/)

Um filme de 50 anos atrás, com a lindíssima Elizabeth Taylor e o guapo Lawrence Harvey. Um filme mediano para os dias de hoje, eu diria, mas um furacão para a época. Afinal trata abertamente de traições, moça de vida quase fácil por opção, casamento por interesse, e tudo de uma maneira bem crua.

A personagem de Harvey é um mulherengo, beberrão, que está claramente num processo de autodestruição. Ele usa um serviço de garotas ao qual ETaylor pertence, mas não são garotas de programa, são mulheres que querem aventuras, divertir-se em troca de um jantar, de um drink, ou seja, com as despesas pagas. A personagem de ETaylor é uma modelo de alguma projeção e ganha seu dinheiro desse jeito. Como tantas mulheres, foi molestada na infância e resolveu se vingar do universo masculino. Bonita como ela só, escolhe seus parceiros, seduz e depois os deixa a ver navios.  Com Harvey é bem diferente e o final…não conto, não conto, não conto.

Os diálogos são uma contraposição ao puritanismo da sociedade à época. Há alguns, principalmente as conversas dos dois amantes no momento da sedução, que são uma coisa!

Foi o primeiro Oscar de Elizabeth Taylor. Vale dar uma espiada.

2) Namorados para Sempre (http://www.imdb.com/title/tt1120985/)/ Blue Valentine

Ryan Gosling e Michelle Williams estão ótimos! A menininha que faz a filha deles, Faith Wladika, também é uma graça!

Novamente conflitos sentimentais. Dois tempos: começo da relação e tempo presente. Os atores desdobram-se e estão perfeitos nas duas caracterizações (ontem e hoje, uma diferença de uns 10 anos aproximadamente). Verdade que o Gosling usa uma peruqueta quando a personagem é jovem, mas tudo bem.   A MWilliams trafega de menina a adulta com uma maestria impressionante.

O filme é pesado, eu diria. Tenta-se explicar, ou analisar, como um encontro iluminado, pleno de entendimento, cumplicidade, alegria, transformou-se numa montanha de acusações, desprezo, crueldades, desentendimentos, agressões e muita tristeza. Ao sair do cinema, a gente tem um monte de palpites, intui, mas não tem certeza de nada.

Minha mãe dizia sabiamente que para uma relação durar “um tem de gostar mais do outro, que o outro do um”.  Imagino que se esse desbalanceamento não existe, só resta apatia, conformismo, ou separação.  E algumas separações são mais leves. No caso de Blue Valentine a situação é bem complexa, tocante, angustiante.

Enfim, é uma história como a de um parente, de um amigo, de um vizinho. A história de qualquer um. Mas contada com muito sentimento. Difícil tomar partido. A gente acaba torcendo por um happy ending.

A trilha sonora é bem bacana!

3) O homem do lado (http://www.imdb.com/title/tt1529252/) (http://www.c7nema.net/index.php?option=com_content&view=article&id=4077%3Ael-hombre-de-al-lado-por-jorge-pereira)

Pois é, eu gosto mesmo do cinema argentino. Em duas semanas, dois bons filmes.  Estava até argumentando com uma pessoa que não tem como comparar: se vivo aqui, sou brasileira, como é que vejo mais filmes argentinos bons do que os produzidos por aqui? Isso é matemático, infelizmente.

O filme conta a bizarra história de uma janela que é o estopim de um conflito, de desentendimentos matrimoniais,  de “entendimentos”, e de….não vou contar, pois o final é bem interessante e inesperado. Eu, pelo menos, não antevia o final dado de jeito nenhum.

Um famoso arquiteto/designer, que mora numa casa projetada por Le Corbusier (a única na América Latina - http://www.galinsky.com/buildings/curutchet/index.htm), começa a ser incomodado por um vizinho que insiste em ter acesso à luz, aos raios de sol. E como? Abrindo uma janela que dá para a casa do tal arquiteto (Rafael Spregelburd). O vizinho (Daniel Aráoz) é de dar medo: um homem estranho, que encucou com a janela.  Apesar de o arquiteto e Victor, o vizinho, viverem lado a lado por muito tempo, a janela da discórdia é que os apresenta.

Os dois atores estão ótimos.  Muitas idas e vindas, conflitos, pacificações e a janela é eliminada. Mas isso não resolve a trama, tem muito mais. A trilha sonora também é interessante.

Se puder vá ver, pois a qualidade do filme é inquestionável.

15

de
junho

Insights de um cidadão - IV

Hoje voltei a utilizar o metrô na linha Amarela.  Já havia relatado minha experiência e temores no post http://mskeller.blog.terra.com.br/2011/04/06/feliz-do-homem-que-nao-espera-nada-pois-nunca-tera-desilusoes-alexander-pope/. Depois disto, utilizei outras vezes, inclusive pós-inauguração da estação Butantã.

E não deu outra: inaugurada a estação Butantã, os trens ficaram mais cheios; aí foi inaugurada a Pinheiros e os trens estão mais cheios ainda.   Faltam ainda 3 estações, se não me engano, para inaugurar, mas nenhuma delas é muito populosa. As maiores seguramente são Pinheiros e Faria Lima, talvez Butantã quase empatando.

Tomei o metrô no sentido estação Paulista às 8h. As escadas de acesso estavam abarrotadas. Filas e filas para entrar nos carros.  Já, já vão ter de colocar aqueles curraizinhos, já que os corredores não são tão largos como em outras estações (refiro-me aqui à da Faria Lima).  Além disso, as portas dos carros novos demoram a abrir. O pessoal fica superimpaciente.  Na volta (estação Paulista / Faria Lima), por volta de 10h20, o movimento era menor, mas mesmo assim os carros estavam cheios com algumas pessoas de pé.

Mas o pior são os acessos nas estações. I.e., quando se desembarca na estação Paulista há um acesso interno à estação Consolação (visando linhas Azul e Verde).  Pasmem, as escadas ficam abarrotadas, os corredores andam a uma velocidade de tartaruga. E o negócio foi tão bem dimensionado e desenhado que há necessidade de um monte de meganhas (seguranças) orientando a massa: Acesso à Consolação, permaneçam à direita! Isso, aos berros, repetindo o bordão centenas de vezes.  Se alguém sair da “fila” gera um caos absurdo. Como é que pode? E se há uma emergência? E a linha Amarela nem está em plena operação!  Não dá para formatar vias de acesso, corredores, de forma inteligente, com sinalização de qualidade, clara, segura?

Impressionante para dizer o mínimo.  E essa situação (acessos abarrotados, gritaria, etc.) ocorreu tanto às 8h quanto às 10h.  Ou seja, não é produto de minha imaginação, a linha já nasceu totalmente saturada mesmo.

De qualquer forma, como também mencionei no post de abril, da estação Faria Lima à estação Paulista são apenas 3 minutos (de minha casa até a estação Faria Lima dá uns 5 minutinhos corridinhos ou uns 10 bem tranquilamente), então ainda vale mais que esperar ônibus no trânsito caótica da cidade. Mas que é uma confissão de falta de planejamento, de visão, a custos seguramente altíssimos, ah, isso é.

Uma pena, a cidade e seus moradores não mereciam isso.

14

de
junho

Mais um texto de Elessandra Paula


Sou escritor de histórias

Sou escritor de memórias

Sou escritor de passagens

Sou escritor de vantagens

Mas não falo de mim

Falo dos outros

Vivo daqueles que tem mais do que eu

Viram mais do que eu

Eu vivo pelos olhos dos outros

Falo pela boca dos outros

Respiro o ar dos outros

Sou eu pelo eu dos outros

Não sou eu, enfim

Sou o mundo

14

de
junho

Faz parte

Já escrevi alguns posts sobre perdas. Perdas de pessoas, por falta de manutenção de carinho, falta das duas mãos necessárias para se manter qualquer relação, mas o pior é escrever sobre perda de vida mesmo. Os que partem e não tem volta de jeito nenhum.

Domingo morreu o marido de minha prima.  Nem sei há quantos anos conhecia o Antonio. Décadas! Nossa relação não era diária, então não o conheci naquela frequência que enfeia qualquer um, em que as pequenas coisas, os pequenos atos, as manias desgastam a visão do ser purinho como ele é. Pessoas com mais convivência poderão discordar do que escrevo, mas de meu ponto de observação ele foi uma das melhores pessoas que conheci na vida.

O Antonio era tranquilo, meio calado, um profissional de grande valor, um pai dedicado, e gostava muito de minha prima. Eu gostava de conversar com ele. Como era bem informado, inteligente, era possível conversar sobre tudo. Ele tinha opiniões férreas muitas vezes, mas nunca chegava ao ponto da descortesia, da agressividade. Apenas defendia suas crenças com determinação.

Nos últimos anos colaborava com o jornal da igreja do bairro e, mais recentemente, passou a publicar este blog: http://www.ecoesegurancadotrabalho.com.br/.

Ele foi vítima de uma doença que ainda é apenas folclórica: ELA (http://www.tudosobreela.com.br/oqueeela/oqueeela.shtml?sessao=oqueeela). Isso, ELA! E folclórica porque eu mesma sempre me pegava dizendo: é a aquela doença do Sephen Hawking (http://en.wikipedia.org/wiki/Stephen_Hawking), sabe? Como se fosse assunto de alguma revista de celebridades.

Pois é, pouco conhecida e a referência é uma celebridade. Não há cura conhecida, e o tratamento em termos de efetividade funciona ou não dependendo da pessoa. Hoje são apenas experiências, pesquisas, tentativas. Além disso, há pouquíssimos especialistas por aí (no Brasil parece que são 3 apenas).  E procurar no Google não adianta muito, pois as referências são poucas: http://en.wikipedia.org/wiki/Elastasehttp://radiologie-uni-frankfurt.de/content/e4864/e27/e9981/e2776/e2874/index_eng.htmlhttp://www.ela-asso.com/?q=node/1885&lang=en.

Este é um vídeo muito elucidativos (atenção: só para pessoas não-impressionáveis mesmo. É forte):http://www.youtube.com/watch?v=m-zuoFtQzfw.  O paciente do vídeo diz: é uma  das piores doenças do mundo. É como estar em uma prisão que encolhe dia-a-dia. Aliás, este depoimento é fantástico.

Ficou com medo? Pode ficar. Eu também fiquei.  E o negócio é que é mais uma das tais mutações celulares (como no caso do câncer). Dizem que pode estar no dna, há estudos até sobre uma possível bactéria que dispara o processo, ou seja, ninguém sabe coisa nenhuma. Os remédios existentes são para tentar brecar ou retardar a doença. Não há dor, o cérebro funciona a mil, mas o físico não responde.

Interessante que depois de saber da doença do Antonio, comecei a ouvir de outras pessoas que conheciam alguém que tem a ELA. Não tantas pessoas assim, é fato. Mais um mal dos tempos?  Tanto o cientista britânico, quanto outras pessoas de que tive notícia, e que ainda têm uma sobrevida razoável, tiveram a doença mais cedo. Meu parente teve após os 60 e ela é considerada uma doença pós-60 anos mais comummente. No caso do Antonio, a doença progrediu da tomada de consciência até a morte em 8 meses. Um lapso temporal curtíssimo.

O fato é que há mais uma doença avançando, pouquíssimo se sabe sobre. The good news: os pesquisadores estão debruçados sobre possíveis saídas, os laboratórios também. Quem sabe daqui a uma década haja mais esperança para o portador de ELA.

De momento, o que o doente precisa e tem de ter para esticar a tal sobrevida é grande assistência familiar, hospitalar, técnica.

Outro ponto que a proximidade da doença me mostrou é a má qualidade, o amadorismo dos serviços de enfermagem por aqui.  O Antonio precisou de home-care. Além de a família ter de se digladiar com o convênio até obter o que era necessário e de direito, o rol de profissionais (todos técnicos) que passaram pela casa nos 3 meses em que ele teve os serviços é dar tanto medo quanto a ELA.  Descuidados, descompromissados, ignorantes muitas vezes: um o deixou cair da cadeira de rodas (de cara no chão), outro derrubou remédio e/ou comida sobre ele, outro não observava medidas de segurança para transferi-lo da cama para a cadeira ou outro espaço, e por aí vai.  Foram inúmeros e nenhum com um grau mínimo de competência. Melhor, apenas o cuidador que minha prima contratou diretamente para ficar à noite, desde o início do agravamento da doença, cumpriu seu papel muito bem, mas foi o único. E ele era apenas um cuidador, mas muito mais atento, esperto, atencioso que qualquer outro com formação técnica que tenha passado pela casa.

O sofrimento final, conforme relatado serenamente no vídeo, é esse mesmo.  Horrível.

Uma pena que o Antonio tenha sido o escolhido dentre os bilhões de viventes. Seguramente, o mundo contabiliza uma excelente pessoa a menos.

11

de
junho

Insights de um cidadão - III

Sempre ouço dizer que nosso Código do Consumidor é um dos mais avançados do planeta. Não posso avaliar, não sou técnica, SÓ consumidora.   O fato é que não adianta ter discurso se não há ação condizente. Se temos um código, um conjunto de regras, tão elaborado por que o consumidor ainda é tão destratado por aqui? Por que serviços tão ruins, preços abusivos, malandros por todos os lados? Primeiramente, parece-me óbvio, os órgãos fiscalizadores não funcionam. Senão como explicar acontecimentos como aqueles ocorridos recentemente: a maior cidade da América do Sul, SP, teve muitos de seus moradores submetidos a mais de 24 horas de falta de energia por conta de uma chuva e um vendaval mais fortes.  24 horas! Alguns setores da cidade penaram mais de 36 horas! Alimentos deteriorados/perdidos, pessoas idosas, doentes sem elevador, penando para se locomover, remédios que precisam estar em refrigeração estragadoss!  Não há Aneel, não há governo no estado, não há prefeito, o cidadão que se vire. Somente o Procon teve ação mais assertiva, embora a meu ver inócua considerando a magnitude do desastre. E os prejudicados, se tiverem forças, que vão atrás de algum ressarcimento.

A administração pública, os órgãos reguladores e fiscalizadores, que deveriam estar ali pelo cidadão, são fracos, incompetentes, às vezes coniventes. Mas isso é uns 60% da questão. Os outros 40% são o próprio cidadão/consumidor. Ele não faz sua parte. Se ele não briga por si, espera que outros o façam com perfeição e de maneira abrangente.  Tá, conhece aquela do Coelhinho da Páscoa?  Então, tudo igual.  Como escrevi no post anterior sobre o tema, os números levantados pelo IDEC indicam claramente de onde vem nossa indigência:http://mskeller.blog.terra.com.br/2011/05/08/insights-de-um-cidadao-ii/.

Nesta semana tive algumas demonstrações de como a coisa NÃO funciona.

1) Julice Boulangère (http://www.julice.com.br/)

Estive lá na quarta-feira passada, pós-cinema. O lugar é bem bonitinho, agradável mesmo. A tarde estava com temperaturas amenas, mas ensolarada. Nada melhor que esse clima para um lugar como aquele. Os produtos de lá são de primeira linha, deliciosos e não são caros considerando o que se vê pela cidade.

No entanto, na primeira visita, desconforto: serviço confuso, falho. Pedi uma média, um croissant simples e um croissant de amêndoas com chocolate. Acho que nem precisaria ter pedido, mas tive de: dá para aquecer um pouco os pães? Estava friozinho, então isso deveria ser default. Meu pedido foi atendido. Estava tudo delicioso.

Vi que havia kits de café-da-manhã. A própria garçonete disse que não estavam servindo mais àquela hora. Perguntei até que horas serviam. A moça, embora gentil, não sabia. Teve de perguntar! Eram 16h. e o serviço é oferecido até 13h. (pelo jeito vale muito a pena. Vou semana que vem experimentar). Agora, num lugar pequeno, em que aquilo está no cardápio impresso e plastificado, como é que uma funcionária não sabe de informação tão básica?  Enfim, adorei as guloseimas e comprei vários produtos. Fantásticos!

Hoje voltei para tomar um café com um amigo. Os donos estavam por lá. Que diferença! A casa estava mais cheia, o atendimento foi excelente, não houve senão. Aliás, os croissants já estavam em vitrine aquecida para ser servidos aos clientes sem demora. Por quê? Porque a temperatura estava relativamente baixa, igualzinha ao outro dia. Que coisa!

Qual terá sido o problema? Falta de treinamento? Falta de cérebro da funcionária da quarta?  A questão é que alguém tem de ver que isso não ocorra.  Entendo que proprietários não podem ficar à frente de seus negócios 24 x7, mas algum jeito têm de dar. Foi apenas um escorregão, mas melhor evitar.

2) Tenho mencionado cansativamente os preços pela hora da morte em SP. O salto dos preços de alimentação é obsceno. Aí li na Você S.A. de junho o seguinte: “O tíquete encolheu - Almoçar fora ficou mais caro. O preço da refeição completa teve aumento três (3) vezes superior ao índice da inflação nos últimos 12 meses.”

Ou seja, o problema não é alta de preços de matéria-prima, de mão-de-obra, de aluguel, é problema gerencial. Ninguém quer fazer a lição de casa. Perdas, falta de produtividade são cobertas por aumentos, pagos pelo cliente. Se tem quem paga, para que ter trabalho?

3) O outro lado: uma empresa americana colocou para fora do recinto um consumidor e disso fez propaganda. Ah, e não querem que a pessoa volte mais. Americano é o rei do marketing mesmo!  Leiam/ouçam sobre o imbroglio neste link: http://youtu.be/1L3eeC2lJZs

“We do not tolerate people that talk or text in the theater. In fact, before every film, we have several warnings on screen to prevent such happenings. Occasionally, someone doesn’t follow the rules, and we do, in fact, kick their asses out of our theater. This video is an actual voicemail from a woman that was kicked out of one of our Austin theaters. Thanks, anonymous woman, for being awesome.”

Pois é, tem consumidor/cliente notionless também.  Tem gente que, numa sala cheia, só porque está no escura, saca o bendito cell, “mensageia”, ou até atende o telefone falando “bem baixinho”, e acha que aquela lanterna no meio da sala escura, ou sua voz sussurante não vai atrapalhar os outros. Quantas vezes já testemunhei isso…Na verdade, o reasoning é o seguinte: se atrapalhar, que se dane… Well done, Alamo Drafthouse!

4) Para coroar: Blú Bistrô (http://www.blubistro.com.br/)

Eu já havia ido umas poucas vezes a esse restaurante e tinha gostado bastante (http://mskeller.blog.terra.com.br/2009/09/14/e-terminou-a-restaurant-week/). Como ia ver uma peça com amigas no TUCA e antes jantaríamos, sugeri esse restaurante por ser perto e pela boa impressão que havia me causado.

Reservei já que o lugar não é tão grande e por estar perto da universidade tem clientela cativa.  O atendimento telefônico foi muito gentil e efetivo.

A casa é bonitinha, tem música ao vivo de qualidade. Já a comida não estava 100%. Pedi um raviolone de alcachofra que veio nadando literalmente no azeite.  Tive também de pedir que verificassem o que estava havendo, pois, embora fôssemos somente 3 pessoas, os pratos estavam demorando muito e tínhamos de ir para o teatro. Com entrada, refris, um bloody Mary (meu), café, serviço, R$ 62 para cada, aproximadamente.   O serviço também é confuso, percebe-se. Agora o máximo é o tal problema em emitir nota fiscal paulista para cada um dos cpfs.  Tenho aturado isso de vários estabelecimentos, but no more! Alguns, com bom senso e querendo atender bem o cliente, lançam mesas que não solicitam nota nos outros cpfs da mesa que solicitou nota fiscal rateada.  Não é o certo? Seguro que não! Mas é um jeito de os estabelecimentos não terem trabalho para resolver a questão e não deixarem o cliente no prejuizo, afinal os créditos da nf paulista voltam “cash” para o consumidor. Mas essa não é a postura do Blú Bistrô. O garçom disse que só poderia tirar a nota em um cpf, ao que eu disse que então lançassem outra mesa no cpf não contemplado (eu não pedi no meu cpf, era para minhas duas amigas). O garçom, com uma prontidão absurda para o nível de serviço prestado no local, disse: isso não fazemos aqui - dito com tom de: bandidagem, não! Ao que eu prontamente disse, então se o negócio é fazer o certo que a Sec. da Fazenda orienta que os estabelecimentos têm, sim, de dar notas com cpfs individuais e ponto. Não houve: desculpe-me, eu não sabia, ou vou chamar o gerente, ou vou verificar. Bom, azar do local que tem gente assim por lá: já foi registro para o site da Secretária da Fazenda, para o Jornal da Tarde e para a Rádio Bandeirantes. Empresário obtuso ou descuidado, que não respeita o cliente e acha que tudo bem, só aprende assim, infelizmente.  Não é o empresário, é o funcionário? Corrija a rota, para isso ganham bem com o negócio de alimentos se bem administrado. E, atenção: não falo teoricamente. Meu pai foi da área, minha mãe também.  Não enriqueceram, mas ganharam, sim, para ter uma vida digna, confortável.  Então, dá. É só saber e/ou querer trabalhar e não querer passar a fatura para o cliente.

E de agora em diante é assim que vai ser: que reclamação para o garçom, para o gerente, para o dono…mídia ou fiscalização neles, e ponto. Terei menos trabalho e mais retorno, com certeza.

5) Cânter Bar (http://www.canterbar.com.br/)

Comprei um voucher para feijoada neste estabelecimento. Ele fica dentro do Jockey Clube. Localização privilegiadíssima, sem dúvida.

Primeiro problema: o Groupon definiu que a reserva deveria ser feita por e-mail, das 10 às 17h., de segunda a sexta.  A reserva seria confirmada na data do mail. Reservas solicitadas após esse horário seriam confirmadas somente no dia seguinte. Fiz isso, e esperei. Nada. Reenviei o mail, e nada. Reclamei com o Groupon que me deu uma resposta engraçadíssima. Reclamei da não-resposta de acordo com as regras que constavam do voucher emitido por eles. Resposta: não podemos interferir na agenda dos parceiros. Como assim? Não era uma questão de interferir na agenda, era uma questão de não ter resposta do tal parceiro conforme as empresas haviam acordado e estava escrito no voucher. Regras deles mesmos, não minhas. Bem, depois da segunda reclamação, milagre! Recebi a confirmação da reserva.

E lá fui eu com um amigo para a tal feijoada. Originalmente o preço seria R$ 55, sem bebidas ou serviço. Pagamos R$ 16,50/cada. Pela feijoada apresentada, mais que justo. Não estava ruim, mas que não valia os tais R$ 55, não valia mesmo. Entre suco, águas, gorjeta mais R$ 22,00.  Um suco de melancia ali custa inexplicáveis R$ 8 e uma água de 330ml, R$ 4.

O local como um todo (Jockey, restaurante) está derrubado. Falta de manutenção evidente. Além disso, como disse meu amigo: muda a grama, o pessoal não come e morre de fome. Explico. Na minha frente, chegou um senhor, sozinho. A recepcionista disse que não poderia atendê-lo pois para portadores de voucher somente com reserva. O senhor perguntou se não poderia esperar, já que havia pago o estacionamento de R$ 15, e não queria ter de voltar. Vejam, bem, eram umas 13h, o salão bem grande estava praticamente vazio. Quanto tempo aquela pessoa levaria para comer? 30 minutos, 40? Uma hora? Duvido. Então porque todo aquele problema? Por que não atender a pessoa de uma vez, um a menos para reservar, um voucher a mais contabilizado, um cliente satisfeito? É dureza ou não é? E mais! Estavam duas recepcionistas e o maitre na entrada do restaurante, além de um segurança. Meu amigo e eu presenciamos toda a discussão. A segunda recepcionista não poderia ter-nos atendido e evitar o desagradável da coisa? Mas não… Aí dei meu nome. E não achavam! Claro que eu estava documentadíssima, mas não foi necessário sacar a papelada.  Por que será que com programas tão bons e simples (Word, Excel) não produzem uma listinha em ordem alfabética? Não é a primeira vez que vejo isso acontecer.

Bem, eu nunca tinha ido ao restaurante. Parece que à noite há música, algo como uma balada. Para o público que frequenta esse tipo de evento quem sabe até seja muito bom, mas para almoçar é menos que razoável. O que vale é o lugar em que está inserido, lindo mesmo. De quebra deu para ver uns cavalos garbosos sendo levados de lá para cá.

Ah, tem o Q Bazar lá também (nas dependências do Jockey), mas nem fui ver.  Pode ser que valha a pena.

Mas que o lugar como um todo está um tanto derrubado, ah, está. Li recentemente notícias sobre a fragilidade da situação do Jockey. Pena mesmo que um patrimônio tão bonito, em área nobre da cidade esteja em situação tão difícil.

8

de
junho

Quem sabe, sabe

1)  El Aura (http://www.imdb.com/title/tt0420509/)

Já mencionei algumas vezes quanto gosto dos filmes argentinos. Bem bolados, bons roteiros, ótimos atores, trilhas sonoras legais, produção contida (devem ser baratinhos), e um resultado ótimo!  Sorry people que não suporta los hermanos, mas filme eles sabem fazer, e muito bem.

Com essa expectativa assisti a El Aura, dvd que comprei em minha passagem por BUE no início do ano. Meu DVD tem legendas em espanhol e inglês, tão-somente.

O filme é com o maravilhoso Ricardo Darín.  O diretor é o mesmo do ótimo “Nueve Reinas”, que também passou por aqui há muitos anos.  O El Aura é de 2005. De novo: tudo sencillo: guarda-roupa, locações/cenários, e, fora Darín que é mais reconhecido, só atores que devem fazer furor na Argentina, mas que são um tanto desconhecidos por aqui.

Trata-se de um imbroglio federal: Darín, um taxidermista mais que macambúzio, com uma vida doméstica em ruínas, resolve fazer uma viagem de caça com um conhecido. No meio do caminho, sabemos que ele é epilético (daí o “el aura”: o que é aura epiléptica? São sensações que alguns pacientes sentem antes de a crise ocorrer. Ex. Um cheiro forte, visões de luzes prateadas ou coloridas, escutar sons, outras sensações que o paciente não consegue descrever , mas ele sabe que em seguida poderá sentir uma crise convulsiva (fonte: http://www.drashirleydecampos.com.br/noticias/10799)), tem memória fotográfica e de detalhe.  No mais, os fatos levam-no a um caminho não-planejado e violento. Vemos um cidadão comuníssimo num torvelinho, deixando-se levar, sendo o que ele talvez queria mas não tinha coragem de ser. O filme prende a atenção, suspense até o fim, e surpresas para ninguém botar defeito.

Não achei a trilha bacana, pois é tão macambúzia quanto a personagem principal, for um trecho erudito.  O roteiro é ótimo! E não tem drogas, nem mulher pelada, nem cena de sexo. Como será que conseguem?

Acho que será difícil encontrar em locadoras, mas se der sorte, vale ver.

2) Um novo despertar (http://www.imdb.com/title/tt1321860/)

Por quê, por quê, por quê The Beaver virou Um novo despertar? Mistérios…se o beaver não é óbvio para americanos, por que não manter o original? Melhor ser dramático: Um novo despertar! E meio óbvio - já contou praticamente o desenlace ou o caminho do filme? Enfim…

O filme com direção e atuação de Jodie Foster, que eu admiro e de quem gosto muito, conta a história de uma família praticamente destruída pela depressão do marido e como um boneco de pelúcia (the beaver) salvou-o, ou quase.  Um filme bem interessante para quem nunca conviveu com um deprimido, e para quem convive. Sempre bom ver a perspectiva do outro lado do balcão.  A história é um tanto angustiante, evidentemente, e deve causar a mesma reação ou sentimentos que Rain Man, I am Sam e vários outros, mas tem seu ineditismo assim mesmo.

Embora a intenção de  JFoster fosse ajudar o amigo Mel Gibson, que tem se metido em poucas e boas (até agressão física contra sua mulher rolou), o esforço não deu o resultado esperado, em minha opinião. Gibson está muito bem como beaver, mas não tão bem como Walter Black. Patético demais. Olhar de cachorrinho perdido para dar e vender. Tudo bem que seus olhos azuis são fantásticos, mas só isso não basta. E olha que vi coisas de monte com o ator e gostei. Parei de acompanhá-lo desde os tempos de A Paixão de Cristo.  No filme atual, está enrugadinho, mas com aqueles dentes (sorriso) e olhos azuis tá tudo zerado. Mas eu sou malvada mesmo: sabem quem ele me lembrou em alguns momentos (dependendo da expressão e do ângulo filmado)? Renato Aragão…prestem atenção e depois me digam.

Acho mesmo que, nas mãos de outro ator, Mr. Black renderia 100%. Com Gibson rendeu uns 70%, mas está bom, valeu pela atuação de Foster e do menino Anton Yelchin, e pelo tema, pelo roteiro. Pelo menos não me deprimiu…

3) Minhas tardes com Margueritte (http://www.imdb.com/title/tt1455151/) ou La tête en friche

Antes um insight: hoje fui ao Cine Sabesp, pertinho de casa, para ver este filme. Quarta é mais barato, sessão das 14h20. Esperando o cinema abrir, umas 10 senhorinhas. Todas falantes, elegantes, eretinhas, cabelos bem cuidados (melhor que os meus), educadas, bonitas, simpáticas, todas acima de 65 com certeza. Ótimo trocar umas palavrinhas com elas…estavam super thrilled com a perspectiva do bom filme. Lá dentro, devido aos problemas de audição, comuns na idade, uns comentários meio altos, conversas mais sonoras que o desejável. Mas tudo bem…e no meio do filme, a mesma senhora, seguramente, roncando, roncando, roncando. Alguém acordava, dali a pouco, ronco de novo.  Uma delícia!  Foi glorioso! Não sei se um dia chego lá, com toda essa competência e vitalidade.  Adorei essa sessão “viver muito e viver bem”.

Ao filme: uma delícia. Nada de inédito: um rapaz, considerado “atrasado”, mas de lindo coração, de amor transbordante, encontra uma senhorinha, acidentalmente, que desperta seu gosto pela leitura, desperta sua criatividade, mostra que ele frequentou a escola errada, mas que seu potencial é tão bom (até melhor) quanto o dos ditos normais.  Só estava tudo embotado, guardado. Ele se dá bem com flores, com plantas, é handy, e de uma delicadeza invejável.  Agora imagine um gigante como Depardieu (gigante pelo tamanho mesmo, já que ele engordou muito, parece o Obelix encarnado) fazendo esse papel. Nota 10, nota 100. Então, Jodie, no próximo filme chame o Depardieu.

Gosto muito do ator, mas ele me dá um desconforto pelo tamanho da circunferência. É que parece que tem alguma dificuldade em se movimentar, resfolega um pouco. Mas o desempenho do ator compensa tudo.  Uma delícia de personagem e de atuação.  Se eu chegar aos anos de Da. Margueritte (Gisèle Casadesus, que está maravilhosa!), vou torcer para encontrar um Germain Chazes pela frente…senão acho que não vale a pena.

6

de
junho

Um certo desconforto

É isso que estou sentindo ao escrever este post.  Tive de pensar, ruminar, como não é necessário em geral, antes de escrever.

Vamos lá:

1) Mambo Italiano (http://www.conteudoteatral.com.br/teatrofolha/pecas/mambo/index.htm)

Estes são alguns links sobre a peça: http://www.estadao.com.br/noticias/arteelazer,mambo-italiano-comedia-que-inspirou-filme-chega-a-sp,662749,0.htmhttp://vejasp.abril.com.br/teatro/mambo-italiano.

No primeiro, está o argumento da peça, o histórico, etc.(não traz dados sobre a apresentação atual, mas no Frei Caneca). No segundo (Vejinha), há uma sinopse breve e a ficha técnica do espetáculo, com informações atualizadas.

Incrivelmente, no link do Teatro Folha, onde a peça está em cartaz, o nome dos atores está errado. A Vejinha pelo menos atualizou isso. Agora o máximo nas críticas de grandes veículos é o “e outros”. Como assim, cara-pálida? Não dá para elencar todo mundo? Numa peça com 5 ou 6 personagens? Acho até um desrespeito.

Somos amadores mesmo, não tem jeito. O povo acha que porque se está tratando de arte, a informação completa, correta e confiável é desnecessária. Organização, método, correção, pragmatismo, não precisa. É tudo festa…ah, tááá…Por isso lá fora showbusiness é business, e tem a dimensão que tem. Até os alternativos são organizados, documentados, entregam o que vendem, cumprem o que prometem. E ai deles se não fizerem isso..

A peça é divertida, sobretudo pela personagem de Jussara Freire (atenção, pessoal do Folha, da produção da peça, acho que esta é a atriz correta!). É a típica família italiana, dominada pela mamma, com muita comida, gritos, emoção.  Estão todos bastante bem, mas a Da. Maria é a alma da história. As críticas dizem, e.g., “Divertida, algumas vezes profunda e quase nunca moralista, a montagem cumpre o papel de entreter a plateia e levanta o questionamento sobre o peso das tradições na formação de cada um” (Veja SP), mas não achei isso, não.

Coincidentemente acabei de ver uma peça com uma personagem gay (http://mskeller.blog.terra.com.br/2011/05/09/que-semaninha/ / assisti duas vezes), com um texto leve, pungente, digno. O homossexual retratado em Seis aulas de dança, sim, não é moralista e passa longe da superficialidade. Expõe sua realidade de maneira natural, tocante, pragmática. Quem sai desta peça não precisa refletir muito: o professor homossexual é um ser delicado, confiável, corajoso, como poucos heteros seriam. Ponto para a quebra de preconceitos.

Em Mambo Italiano há verdadeiros discursos panfletários. Riso, gritaria, brigas, e de repente um discurso justificando as agruras do rapaz homossexual. Como a vida é cruel para ele! Como a família é injusta e massacrante! Até que no final, quando ele coloca algumas coisas na devida perspectiva, ele volta a conviver com a família, família que nunca fechou as portas para ele.

Talvez há uns 15 anos isso fosse algo efetivo, hoje com esse assunto por todos os lados, até kit antihomofobia existe, discute-se o tema nos meios de comunicação, nas escolas, então duvido que a peça faça alguém pensar no assunto de fato. Ou pelo menos pensar do que jeito que seria interessante.  É só um falatório aborrecido no meio de um texto que deveria apenas fazer rir. Mais, no final, com a mudança de atitude de Nino (personagem de Jarbas Homem de Mello), o que fica para os heteros de plantão será: Mas é safado mesmo… Mais do que entendimento do homossexual, de suas diferenças, reforça-se um estereótipo.

O texto é do início do século XXI. Chegou aqui uns 10 anos depois de ter feito sucesso lá fora (http://www.imdb.com/title/tt0330602/). Explica-se a falta de atualidade.  De todo jeito, funciona muito bem enquanto vista como comédia tão-somente. Dá para rir bastante. E depois é esquecer.

2) Luis Antonio - Gabriela (http://luisantoniogabriela.blogspot.com/)

Pois é, diferente do que está no blog da própria peça, não estão mais no CCSP, mas sim no Folias. Melhor ficar com este link: http://www.galpaodofolias.com.br/site/boletim-do-folias-2/. Que falta de cuidado! Afinal esse tipo de espetáculo precisa de todos os meios de divulgação para atrair público. Custa atualizar?

O tema é a história de Luis Antonio que vira Gabriela. Homossexual desde criancinha - um caso de gene mesmo, aparentemente-, vai buscar seu caminho fora do país, torna-se travesti de algum sucesso, a altíssimo custo. História triste, de autodestruição, que se repete na vida de tantos que seguem o mesmo caminho.

Na semana passada, o Jornal da Record colocou no ar uma reportagem especial (dura a semana toda) sobre o comércio sexual. Foram abordados desde a prostituição infantil até os travestis.  Entre os travestis entrevistados havia aqueles (poucos) que têm uma carreira artística, ou que faturam alto vendendo sexo, que encontraram um homem que os sustente, que casaram, e por isso podem se cuidar: colocam próteses de silicone e não aplicam silicone industrial; fazem cirurgias para modelar o corpo em vez de tomar hormônios indiscriminadamente. Mas a maioria vive a miséria humana de Luis Antonio. Muito triste o estar insatisfeito com o corpo em que se nasceu, a impossibilidade de mudar isso de forma pragmática, racional, pacificamente consigo e com o mundo.

O argumento e a direção da peça são de Nelson Baskerville, irmão de Luis Antonio.  O cenário, superdinâmico, com possibilidades interessantes (letreiros, seringas, mobiliário móvel, projeções, etc.) é personagem, os figurinos agregam muito (não são bonitos, mas leves, mostram os bonecos que somos na mão do destino muitas vezes).

Na Cia. Mungunzá vários fazem várias coisas ao mesmo tempo.  Essa limitação não afeta o resultado da peça. O ambiente é grandioso, o texto é muito bonito, as atuações são fortes, tocantes. Pena que Luis Antonio não pôde ver o que seu trajeto rendeu.

Só o final foi um pouco longo e menos efetivo em minha opinião. Talvez outra música, uma ária curta, leve, não sei.  De todo jeito, recomendo a peça, vale ver. Essa sim, faz pensar e pode romper paradigmas.

3

de
junho

Comidinhas


Comidinhas e preções! Exagero…Mas que está tudo caríssimo, sem nenhuma explicação racional (matéria-prima não pode ser, mão-de-obra muito mais barata que fora daqui). Impostos? Mau gerenciamento?  Incompetência? Baixa produtividade, muita perda, o que acaba impactando o custo e muito? Vai saber…e a gente continua pagando caro por aquilo que custa muito mais barato em US$ ou Euros, e que era um dos grandes atrativos da cidade há uns 4 ou 5 anos: gastronomia de primeira linha, a preços justos.

1) Bendita Hora (http://www.benditahora.com.br/)

Fazia muito tempo que não ia a essa pizzaria. Voltei à unidade de Perdizes. Como com pizzas a R$ 70, R$ 80? Com um cupom de desconto. Só assim…

A pizzaria é bonita, o atendimento um tanto bagunçadinho, mas muito cordial, simpático mesmo. O voucher dava direito à cesta de crostini e a uma pizza grande.  Meu amigo e eu fomos de abobrinha e quatro queijos.  Crocantíssima! Saborosíssima!  Muito melhor do que as que comi no Bráz e na Pizzaria Mancini, ali na Avanhadava. Para duas pessoas deu e sobrou muito. Uma delícia mesmo…

2) Vila das Meninas (http://viladasmeninas.com/)

Vi uma reportagem na Vejinha, há algum tempo, sobre esta casa.  Ela fica na R. Padre Carvalho, onde morou minha prima, onde ficava a costureira a que minha mãe ia. De um lado um monte de prédios, de outro casinhas antigas, simpáticas, ainda resistindo. Felizmente algumas casas estão sendo tomadas por negócios (restaurante, café, etc.).  Até uma vilinha que era totalmente aberta, atravessava da Padre Carvalho para a Fernão Dias, hoje tem portão e está fechada.  Tudo tão descaracterizado…

Este restaurante fica nos fundos de um terreno. Há um corredor estreito de uns 15 metros talvez, e aí se chega a uma casa espaçosa.  Muito bonita, bem recuperada e conservada. Decoração primorosa. Atendimento idem.

A casa oferece um almoço executivo a R$ 36, mas como minha amiga e eu queríamos conhecer um pouco mais, optamos pelo à la carte. Entrada, pastel de angu. Maravilhoso!!! Aí dividimos arroz-de-puta-rica e costeleta de cordeiro com aspargos.  Tudo muito bom!  E um vinhozinho também. Ah, e a água é à vontade. Continha: aproximadamente R$ 65/pessoa.

Um lugar que vale a pena conhecer. Para ficar mais palatável, se for no almoço, peça o executivo do dia.

3) Brigadeiro Doceria (http://www.brigadeirodoceria.com.br/index.php)

Fomos tomar café e comer a sobremesa no vizinho.  Uma casa antiga, onde há almoço, doces, café. E que doces! Claro que o forte são os brigadeiros. Há os de várias coberturas e tipos. R$ 3,30 cada! Eu comi o brigadeiro de colher e tomei um café, minha amiga comeu uma fatia do bolo de milho (parece que estava muito bom) e um café.  Os brigadeiros não são tudo isso (minha mãe, cozinheira de mão-cheia, fazia melhores), mas são caprichosamente preparados, são vendidos em forminhas diferenciadas, bem bonitinhas. As funcionárias também são bem simpáticas.

O lugar estava cheio, mas como o dia estava bonito deu para sentar na varandinha.  Carinho, mas valeu conhecer!

Acho que por esta semana acabou a comilança!

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