Escrever para viver!

Tudo que der na telha e que eu achar que vale a pena

8

de
junho

Quem sabe, sabe

1)  El Aura (http://www.imdb.com/title/tt0420509/)

Já mencionei algumas vezes quanto gosto dos filmes argentinos. Bem bolados, bons roteiros, ótimos atores, trilhas sonoras legais, produção contida (devem ser baratinhos), e um resultado ótimo!  Sorry people que não suporta los hermanos, mas filme eles sabem fazer, e muito bem.

Com essa expectativa assisti a El Aura, dvd que comprei em minha passagem por BUE no início do ano. Meu DVD tem legendas em espanhol e inglês, tão-somente.

O filme é com o maravilhoso Ricardo Darín.  O diretor é o mesmo do ótimo “Nueve Reinas”, que também passou por aqui há muitos anos.  O El Aura é de 2005. De novo: tudo sencillo: guarda-roupa, locações/cenários, e, fora Darín que é mais reconhecido, só atores que devem fazer furor na Argentina, mas que são um tanto desconhecidos por aqui.

Trata-se de um imbroglio federal: Darín, um taxidermista mais que macambúzio, com uma vida doméstica em ruínas, resolve fazer uma viagem de caça com um conhecido. No meio do caminho, sabemos que ele é epilético (daí o “el aura”: o que é aura epiléptica? São sensações que alguns pacientes sentem antes de a crise ocorrer. Ex. Um cheiro forte, visões de luzes prateadas ou coloridas, escutar sons, outras sensações que o paciente não consegue descrever , mas ele sabe que em seguida poderá sentir uma crise convulsiva (fonte: http://www.drashirleydecampos.com.br/noticias/10799)), tem memória fotográfica e de detalhe.  No mais, os fatos levam-no a um caminho não-planejado e violento. Vemos um cidadão comuníssimo num torvelinho, deixando-se levar, sendo o que ele talvez queria mas não tinha coragem de ser. O filme prende a atenção, suspense até o fim, e surpresas para ninguém botar defeito.

Não achei a trilha bacana, pois é tão macambúzia quanto a personagem principal, for um trecho erudito.  O roteiro é ótimo! E não tem drogas, nem mulher pelada, nem cena de sexo. Como será que conseguem?

Acho que será difícil encontrar em locadoras, mas se der sorte, vale ver.

2) Um novo despertar (http://www.imdb.com/title/tt1321860/)

Por quê, por quê, por quê The Beaver virou Um novo despertar? Mistérios…se o beaver não é óbvio para americanos, por que não manter o original? Melhor ser dramático: Um novo despertar! E meio óbvio - já contou praticamente o desenlace ou o caminho do filme? Enfim…

O filme com direção e atuação de Jodie Foster, que eu admiro e de quem gosto muito, conta a história de uma família praticamente destruída pela depressão do marido e como um boneco de pelúcia (the beaver) salvou-o, ou quase.  Um filme bem interessante para quem nunca conviveu com um deprimido, e para quem convive. Sempre bom ver a perspectiva do outro lado do balcão.  A história é um tanto angustiante, evidentemente, e deve causar a mesma reação ou sentimentos que Rain Man, I am Sam e vários outros, mas tem seu ineditismo assim mesmo.

Embora a intenção de  JFoster fosse ajudar o amigo Mel Gibson, que tem se metido em poucas e boas (até agressão física contra sua mulher rolou), o esforço não deu o resultado esperado, em minha opinião. Gibson está muito bem como beaver, mas não tão bem como Walter Black. Patético demais. Olhar de cachorrinho perdido para dar e vender. Tudo bem que seus olhos azuis são fantásticos, mas só isso não basta. E olha que vi coisas de monte com o ator e gostei. Parei de acompanhá-lo desde os tempos de A Paixão de Cristo.  No filme atual, está enrugadinho, mas com aqueles dentes (sorriso) e olhos azuis tá tudo zerado. Mas eu sou malvada mesmo: sabem quem ele me lembrou em alguns momentos (dependendo da expressão e do ângulo filmado)? Renato Aragão…prestem atenção e depois me digam.

Acho mesmo que, nas mãos de outro ator, Mr. Black renderia 100%. Com Gibson rendeu uns 70%, mas está bom, valeu pela atuação de Foster e do menino Anton Yelchin, e pelo tema, pelo roteiro. Pelo menos não me deprimiu…

3) Minhas tardes com Margueritte (http://www.imdb.com/title/tt1455151/) ou La tête en friche

Antes um insight: hoje fui ao Cine Sabesp, pertinho de casa, para ver este filme. Quarta é mais barato, sessão das 14h20. Esperando o cinema abrir, umas 10 senhorinhas. Todas falantes, elegantes, eretinhas, cabelos bem cuidados (melhor que os meus), educadas, bonitas, simpáticas, todas acima de 65 com certeza. Ótimo trocar umas palavrinhas com elas…estavam super thrilled com a perspectiva do bom filme. Lá dentro, devido aos problemas de audição, comuns na idade, uns comentários meio altos, conversas mais sonoras que o desejável. Mas tudo bem…e no meio do filme, a mesma senhora, seguramente, roncando, roncando, roncando. Alguém acordava, dali a pouco, ronco de novo.  Uma delícia!  Foi glorioso! Não sei se um dia chego lá, com toda essa competência e vitalidade.  Adorei essa sessão “viver muito e viver bem”.

Ao filme: uma delícia. Nada de inédito: um rapaz, considerado “atrasado”, mas de lindo coração, de amor transbordante, encontra uma senhorinha, acidentalmente, que desperta seu gosto pela leitura, desperta sua criatividade, mostra que ele frequentou a escola errada, mas que seu potencial é tão bom (até melhor) quanto o dos ditos normais.  Só estava tudo embotado, guardado. Ele se dá bem com flores, com plantas, é handy, e de uma delicadeza invejável.  Agora imagine um gigante como Depardieu (gigante pelo tamanho mesmo, já que ele engordou muito, parece o Obelix encarnado) fazendo esse papel. Nota 10, nota 100. Então, Jodie, no próximo filme chame o Depardieu.

Gosto muito do ator, mas ele me dá um desconforto pelo tamanho da circunferência. É que parece que tem alguma dificuldade em se movimentar, resfolega um pouco. Mas o desempenho do ator compensa tudo.  Uma delícia de personagem e de atuação.  Se eu chegar aos anos de Da. Margueritte (Gisèle Casadesus, que está maravilhosa!), vou torcer para encontrar um Germain Chazes pela frente…senão acho que não vale a pena.

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