30
de
junho
Insights de um cidadão - VI
A gente ouve, lê, vê nos meios de comunicação várias referências a problemas de segurança, à atuação da polícia, própria ou imprópria. Nós lamentamos, fazemos cara feia, enrugamos a testa, discutimos com a família, amigos, mas estamos muito longe daquilo em geral. Felizmente!
Acontece que numa cidade como S. Paulo, fica cada dia mais difícil encontrar alguém que não tenha cruzado com bandido ou polícia, para o bem ou para o mal. E foi o que aconteceu comigo na terça passada.
Verdade que já tive carteira batida em ônibus (faz mais de 30 anos); sofri uma tentativa de assalto a mão armada (há uns 30 anos); tive um carro roubado (idem), mas acho que foi só. Pouco para uma longa vida andando por aí, de manhã, de tarde, de noite. Meus 5 anjinhos têm estado sempre alerta para minha sorte.
Mas na terça passada, vi-me numa situação inédita, apavorante num certo sentido, e que comprova que nossa polícia não está preparada nem para prevenir, nem para coibir, nem para assistir, como eu intuía.
Um amigo e eu voltávamos de um jantar lá pelas 23h30. Estávamos ali na Teodoro Sampaio, a uns quarteirões de minha casa. Meu amigo dirige sempre com cuidado, estávamos em baixa velocidade. De repente ele diz: Ué, tem um carro de polícia dando luz para mim! Será? Ele ainda duvidou, pois estava dirigindo tranquilamente, mas acabou encostando à direita. Abriu a janela e quando olhou para trás já havia um policial de pé, fora da viatura. Aos gritos de “sai, sai”, exigiu que meu amigo saísse do carro. E o policial continuava gritando: Mão na cabeça! Tem mais alguém no carro? Meu amigo: Sim, uma amiga! Não ouvi o que o policial disse, mas meu amigo disse-me que o tal queria que eu saísse também. Saí. O policial vendo minha carinha, meu jeitinho de pessoa de bem, disse para eu me afastar do carro já num tom mais ameno. Perguntou de novo: tem alguém no carro? E eu respondi à meia voz, pois não vou sair gritando por aí só porque um descerebrado quer: não tem ninguém.
O policial aproximou-se olhou para dentro do carro e aí relaxou. É preciso dizer que:
1) quando saí do carro, vi que ele tinha uma bazuca na mão. Ou seja, se meu amigo ou eu tivéssemos uma reação qualquer, por susto, medo, pânico, sei lá, poderia estar psicografando isto aqui;
2) os vidros do carro são bem escuros, como os de tantos carros, e o policial não abriu a porta traseira para ver se realmente não havia outra pessoa lá dentro. Pasmem! Ele acreditou na minha palavra!
Todo esse furdunço porque receberam pelo rádio a informação de que um carro preto havia sido roubado. Como quem presenciou o roubo não viu a placa, o modelo, a marca, estavam parando todos os carros pretos de médio porte.
Esse encontro “folclórico” foi interessante pelo seguinte:
a) entendo que até que se prove o contrário, todo mundo é inocente. Mesmo considerando o que ocorre por aqui em termos de bandidagem, imaginei que policiais tivessem um mínimo de competência para lidar com suspeitos de forma mais profissional, tranquila. Suspeitos, eu disse! Afinal estão em dois no carro em geral, têm armas, colete à prova de bala, etc., etc. Mas francamente, pareceu-me que o policial que nos abordou estava muito mais assustado do que meu amigo e eu, o que representa um perigo imenso para o cidadão. Será por isso tanta gente morta em operações policiais? Gente que não teria morrido, tivesse a força policial mais preparo, mais competência?
b) há um mês, mais ou menos, em Dallas, um amigo e eu fomos abordados por um carro de polícia. Fomos visitar uma amiga. Ela estava na casa dos patrões e não viu o sinal de luz que meu amigo deu. Como ela estava trabalhando, meu amigo não quis tocar a campainha da casa. Eram umas 21h30/22h. O que fez ele? Deu um toque de buzina. Dois minutos depois havia um carro de polícia atrás de nós. Meu amigo saiu do estacionamento da casa e fomos barrados pelo carro de polícia. O policial, sozinho no carro, em voz tranquila conversou com meu amigo: O que o senhor está fazendo aqui? O senhor acha uma boa ideia buzinar a esta hora? Tem gente que quer descansar. Explicações dadas, meu amigo desculpou-se e partimos. Ainda demos uma volta, e o carro de polícia estava por ali. Não houve desrespeito, pressa, estresse. E não tenho dúvida de que o policial estava o tempo todo com a mão em sua arma, pronto para agir se necessário, além de estarmos na mira de câmeras e de outros policiais.
Sentiram a diferença? Se antes eu já não tinha certeza de ser um bom negócio chamar a polícia, agora então…













