Escrever para viver!

Tudo que der na telha e que eu achar que vale a pena

29

de
maio

Nem tudo são dores

Depois de tanto nhenhenhém, algumas coisas que valem a pena. Já que estou por aqui mesmo, melhor aproveitar e decantar o que há de bom.

Já fiz muita coisa nesta semaninha de volta a Sampa. Os próximos posts serão dedicados à dança e ao cinema.

Começando:

1) Espectros (http://vejasp.abril.com.br/teatro/espectros)

Vi no SESC Consolação. Como já mencionei, o SESC e o SESI são os salvadores do teatro e outras atividades culturais por aqui. Investimento, patrocínio pesado. Além de teatros de ótima qualidade, espaços para exposição de primeira, e tudo a ótimo preço ou gratuito.

O texto, de 1881, é de Ibsen, adaptado por Ingmar Bergman. Sim, ele mesmo.

Os atores estão muito bem, sobretudo Clara Carvalho e Patrícia Castilho.

Cinco personagens que se digladiam, entre si e consigo, com suas meias verdades, com suas realidades fantasiosas. Uma mãe que vê o filho à morte, uma empregada que é mais do que isso, um pastor/cunhado de rigidez quase irracível, e um trabalhador esperto, que procura tirar vantagem de tudo e de todos.

Teatrão de ótima qualidade.”Os demônios estão dentro de nós”. Não é texto fácil, levinho, mas vale muito ver.

2) A arte na mecânica do movimento (http://www.sesisp.org.br/home/2006/centrocultural/Prog_expo.asp)

Está no SESI da Paulista. Mostra fantástica, gratuita.  ”A mostra, com curadoria compartilhada pela Municipalidade de Sainte-Croix (Suíça) e pelo historiador Lucas Bittencourt, apresentará ao público a vocação da cidade para a mecânica de precisão, bem como a passagem do trabalho artesanal para o trabalho industrial, materializados nas caixas de música e nos autômatos.” (página do Centro Cultural Fiesp).

Aconselho a visitar a mostra com um monitor, pois há muitos equipamentos que somente eles podem acionar. Há caixas de música maravilhosas (do século XIX, XX e XX!). Eu não imaginava como essa indústria ainda é pujante.  As caixas fabricadas pela empresa Reuge são maravilhosas. É preciso olhar uma vez, duas, três.  Há fonógrafos, gramofones, vitrolas, autômatos. Alguns destes são fantásticos em termos de plasticidade, movimentação, humor, tamanho. Uma mostra que não dá para perder.

3) Música em cena (http://www.sesisp.org.br/home/2006/centrocultural/Prog_Music.asp)

Também no SESI da Paulista. Espetáculo gratuito às quartas-feiras, 12h.  Tive a sorte de poder assitir à apresentação da Banda Sinfônica do Estado de S. Paulo. O grupo apresenta-se sempre na última quarta-feira do mês.

Em maio o programa tratou da música francesa (Saint-Säens, Massenet, Debussy e Ravel), além de apresentar peças de um compositor nacional atual (Sr. Koval).  Aprendi que a flauta pequenininha não se chama flautinha, mas pico,. O clarinete pequeno não é clarinetinho, mas requinta.  Uma apresentação linda, liderada pelo maestro Marcos Shirakawa (simpático, articulado).  Houve também participação de músicos amadores. Para quem vive, trabalha ou circula na/pela região é um presente. Um break no dia como poucos. Se tiver oportunidade, vão ver. Cadastrem-se no site do SESI para receber a programação semanal. Há também apresentações às quartas à noite, com preços mais que camaradas (e.g., http://mskeller.blog.terra.com.br/2010/07/23/baixou-um-adoniran-na-maria-alcina/).

E last but not least:

4) Jardim Botânico (http://www.ibot.sp.gov.br/jardim/index.php)

Fiz um curso de orquídeas por lá há um tempão, acho que mais de 10 anos.  Voltei para acompanhar um amigo que foi fotografar a flora.  Foi uma ótima oportunidade de voltar ao local, com conforto e em boa companhia.

A entrada do parque surpreendeu-me. Não me lembrava dela tão bonita. É que realmente houve uma reforma ou revitalização em algumas partes do Jardim, inclusive ali. Gramado bem cortado, tudo limpinho, passeios em bom estado. Mas é só isso…adentrando o Jardim há áreas completamente abandonadas, águas sujas, plantas destratadas, fezes de animas espalhadas por vários corredores/caminhos, buracos enormes (vejam fotos/link) por esses corredores, proteções de passagens quebradas e não substituídas (pelo jeito a coisa está assim há tempos), poucos banheiros.  Uma pena, pois o Jardim começou no final do século XIX, foi bem planejado, a Natureza coopera muito, mas a administração pública não cuida desse patrimônio como deveria.  Os funcionários são de baixo nível, há (oooh, praga!) montes de seguranças pelo parque (gente, vê-se, sem nível para dar uma mísera informação), até um guarda armado eu vi intimidando moleques pobres que queriam entrar no parque.  Imaginem só, 4 moleques e foi preciso de um guarda armado para controlar os meninos!

O dia estava bem bonito, deu para andar por todo o Jardim, tirar muitas fotos (abaixo o link das minhas e das de meu amigo), mas como eu gostaria de ver esse lugar como o Arboretum lá de Dallas! Limpo, bem mantido em toda a sua área, com estrutura (banheiros, bebedouros, informações impressas,monitores) para atender bem os usuários.  Ah e há um museu que está exatamente como o vi há mais de 10 anos. Ou seja, parado no tempo! Uma vergonha!

A lojinha é pobrezinha, mas até tem algumas coisas interessantes, de bom gosto com a marca do Jardim Botânico. Quando o povo da terra entenderá que esse tipo de negócio traz divisas, ajuda a manter, só pode ajudar o lugar visitado?

Apesar da beleza da Natureza, que deu tudo aquilo de graça, e de uma estrutura que está longe do que deveria ser, valeu encher o olhar com tudo aquilo de novo.

Mau link:

https://picasaweb.google.com/miriamkeller/JBotanico29052011?feat=directlink

Link de Fabrício (está no Facebook):

http://www.facebook.com/media/set/?set=a.10150272648494553.367161.557869552

29

de
maio

Texto by Elessandra Paula

Transgressor de sentimentos. Quase assim um fora da lei.

Era assim que ele se sentia. O anjo que sempre escorregava das nuvens e caía aqui na terra em meio a nós, mundanos, e que sempre parava para bater um papo antes de voltar a ter com seus afazeres lá no céu, pois de nós gostava muito – dizia, não sem antes limpar a boca suja de café na manga da angelical batina branca.

Voltando ao seu posto, pensava:

Talvez eu sorria hoje, mas somente depois de secar estas lágrimas aqui, ó. Estas que não param de cair e encharcar os meus amigos lá embaixo. O pior é que toda vez que sorrio por muito tempo, reclamam com meu chefe querendo que eu chore de novo. Vai entender, né?

Mas talvez amanhã chova. Faça aquele arco-íris bonito. O céu estrelado e a lua tímida por detrás das nuvens, mas deixando aparente seu sorriso amarelo.

Amarelo de estrelas. De coisas que não entendemos.

Dormirei feliz assim. Deixarei meu turno com tudo na mais perfeita ordem para o próximo.

E aquele que chegue que faça cumprir os seus deveres.

Que deixe a casa em ordem.

Que faça do céu azul. Claro pela manhã e escuro à noite.

Que permeie o dia com o humor dos deuses e dos humanos.

Que permita ao sol que clareie o dia e que traga a noite. Que faça do dia o prolongamento da noite e da noite o sossego do dia.

Pois amanhã estarei aqui novamente, depois da minha folga.

Pois sou empregado dos deuses. Sou destinatário e mensageiro dos humanos. Sou mero componente da natureza.

E sou só partícula ínfima do universo.

28

de
maio

Minha resiliência foi para o espaço

Acabo de voltar de mais uma viagem.  Normalmente, quando viajo a lugares que acho que têm algo melhor do que temos no Brasil, além de reexaminar nossas deficiências, penso como gostaria que aquilo que é bom lá fora estivesse a nosso alcance. Sou do tempo em que se dizia: o que é bom para os EUA, não necessariamente é bom para o Brasil Verdade verdadeiríssima! No passado…Como nossa produtividade, qualidade de ensino, civilidade, apego a valores humanos universais tem decrescido assutadoramente, ie., o fundo do poço não chega nunca para nós aparentemente, cada vez mais as diferenças acentuam-se e não há como negar nosso subdesenvolvimento, nossa preguiça, nossa incompetência, nossa falta de visão. Ou seja, nunca chegaremos lá, e ponto.

Acabo de voltar de Dallas (pois é, quem já foi a Dallas para turismo?), uma cidade que, teoricamente, não tem atrativos, não é turística (não é em alguns aspectos, realmente), de gente capiau, onde mataram JFK.  Mas não é nada disso. Se lerem meu blog (link do post anterior) verão como essa imagem é equivocada.

O que diferenciou esta viagem de outras, é que perdi, não sei como nem onde, a esperança. Eu nunca quis sair daqui, sempre achei que teríamos jeito, mas não mais.  Hoje, embora o timing esteja bem errado, eu iria embora sem dor.  O que fizeram com meu país? Quem é essa gente ignorante e sem valores humanos que perambula pelas ruas? Que não sabe falar, só grita, que não diz por favor ou obrigado, que dá trancos nos outros em vez de desviar, que xinga (motoristas são selvagens por aqui), que não respeita o direito alheio? E toda essa violência (caixas automáticos explodidos, pessoas mortas com surras ou tiros, por motivo fútil a todo momento, falta de punição total). Não fui eu que criei ou ajudei a criar esses monstros. Cansei!

Eu via esperança, possibilidades, mesmo em pequenos sinais, mas hoje não mais.

Apenas um dos lados da história: lá nos EUA não paguei nenhuma refeição, feita em restaurante bacanas, com atendimento muito bom, comida superboa, mais do que o equivalente a R$ 40,00. Lá também, o atraso na entrega de uma entrada, ou o equívoco em um prato, é compensado com 0 cost. Simplesmente não cobram. E não precisa chamar o gerente, a polícia. O garçom resolve o assunto, oferece sem mesmo a gente pedir.

Vou então relatar o que me aconteceu em 5 restaurantes por aqui, para que tenham ideia da enormidade da distância que nos separa de um mundo civilizado, produtivo, empreendedor. São tantos os problemas, erros, abusos, que não canso de dizer: nós temos um problema sério e ele nos levará à estagnação como nação, sobretudo porque a administração pública é inepta e inapta. Só importando gente de outros lugares, que sabem fazer, para dar um  jeito. Mas aí como fica a mamata, a roubalheira, a cara-de-pau, a empáfia. O pessoal se ofence, viu!

Ah, sim, antes quero dizer que na gringolândia:

-andei de monte e as calçadas são perfeitas;

-várias manutenções em andamento: ruas, rodovias, jardins,etc., i.e, sempre cuindando;

-o pedestre é respeitado (aqui até as faixas de travessia, por falta de manutenção, estão quase que totalmente apagadas. Isso diz muito do respeito ao cidadão);

-diz-se “com licença”, “por favor” e “obrigado” para tudo;

-as pessoas dão passagem umas às outras;

-motoristas não se estranham. Há uma regra clara e estabelecida e ela é cumprida;

-para o mesmo tamanho de negócio ou de público que temos por aqui há 1/5 de mão-de-obra. Ou seja, são produtivos. E isso não causa maior desemprego do que temos por estas bandas, aliás está longe disso;

-a tecnologia é de ponta e para o bem do cidadão. Aqui achamos que temos tecnologia…tá bom! Me engana que eu gosto! Continuamos 50 anos atrás dos americanos. De outros (japoneses, chineses),nem quero pensar. Claro que há uma ou outra coisa em que nos destacamos, mas é tãããõoo pouco…

Pois é, já sinto saudade da civilidade de Dallas.

Agora, ao panorama local, uma verdadeira tragicomédia:

1) América (http://www.americaburger.com.br/)

Fui ao Bourbon almoçar com uns amigos, bem no dia de minha viagem. O restaurante tem um sistema para dividir a conta. Dão um número para cada comensal e cada item é lançado individualmente. Isso facilitarIA (IA) muito se funcionasse.

Éramos umas 8 pessoas. Cada um com seu número. Primeiramente, os pratos não vieram juntos! Alguns acabando de comer enquanto outros pratos não chegavam.  Os garçons perguntaram pelo menos umas 100 vezes de quem era “x” prato. Nenhuma das vezes era para nossa mesa.  O último prato a chegar (um peixe - normalmente peixes são rapidíssimos de se fazer, eu sei porque cozinho) estava literalmente crú.  Final da história: todo mundo atrasado, mal atendido, estressando com o “ataque” dos garçons perguntando de quem eram os pratos, maitres completamente desorientados, sem saber o que fazer.  E para coroar: tudo caríssimo, como na maioria dos restaurantes por aqui. Ou seja, um tributo à incompetência, à falta de produtividade. Isso tem um custo, e somos nós, consumidores, que pagamos. Por quê? Porque o empresariado nacional, sobretudo o médio, é néscio. Ele não faz nenhum esforço para melhorar o negócio, otimizar, cobrar preço justo pelo que oferece. Ele tem certeza de que alguém pagará a conta (isso se ele não fechar as portas antes, claro).  Então, nós merecemos…

2) Galeto’s (http://www.galetos.com.br/web/)

Fui almoçar no Galeto’s da Al. Santos com Augusta. Não porque fosse minha primeira opção, mas os restaurantes daquela região da Paulista estavam todos lotados. E nós vamos ter Copa por aqui? E nós queremos turismo por aqui? Aaah, táaáá. Nem estrutura básica temos!

O restaurante estava cheio, mas não lotado (13h).  Fui bem atendida pela recepcionista.  Tive de fazer cara feia para alguém vir tirar meu pedido. Vejam bem, ali há umas 20 mesas talvez, o espaço é pequeno, não requer binóculos, e havia (eu contei) 8 funcionários de branco (aqueles que entregam pratos, recolhem, servem bebidas, etc., e 4 (sim, 4) homens de terno escuro (um seguramente o gerente do salão e os outros tomadores de pedido, submaitres, ou o que for).  12 funcionários! Quantas pessoas cabem naquele salão? 192 pessoas, segundo o site do restaurante. Ou seja: para cada funcionário 16 clientes!  Em outras terras, 1/3 disso daria conta com garbo. Por isso, o tal meio galeto desossado com salada de batata, que é um pratinho sem-vergonha, pequeno, que não custa mais que $ 8 se feito em casa, só pode custar os quase $ 40 (incluído serviço) que paguei.  O custo da inoperância, incompetência, ignorância está todinho aí. E eu pago por ele, naturalmente. O atendimento foi ruim, arrogante, descoordenado (acho que o melhor termo seria desesperado, tanto gritavam, chocavam-se, corriam de um lado para outro).  De novo, mais fácil para o dono do negócio lançar a conta para alguém do que procurar otimizar o negócio, reduzir o custo a patamares menos escorchantes.

Será que o tal Sindicato de Bares, Restaurantes e afins não fica envergonhado com essa situação? Se ficasse poderia muito bem tomar providências e botar toda essa gente na linha, com certeza.

3) Outback (http://www.outback.com.br/)

Fui jantar com uma amiga pré-show no Teatro Bradesco. Este restaurante faz a seguinte promoção: de segunda a quarta, jantar para duas pessoas, incluindo cardápio meio que pré-fixado: salada, prato principal = R$ 50.  Já ajuda, pois incluindo serviço, refrigerante/suco, acabou saindo R$ 39/pessoa. É o milagre da multiplicação!

Neste caso pelo menos o atendimento de mesa foi bom e a comida estava bastante boa.

4) Braz (http://www.casabraz.com.br/index_braz.html)

O menos ruim de todos. Serviço ok, estava lotado (R. Graúna) mesmo numa quinta-feira.  Pizza boa, chope ok. Tivemos de lutar pela atenção dos garçons em alguns momentos.  No entanto, a parte que me coube neste latifúndio , e a cada uma de minhas outras 3 amigas: R$ 55 (comi uma entradinha, 2 (sim, dois) pedaços de pizza, dois chopes, uma água sem gás, pudim de leite, serviço). R$ 55!!!!!

5) Café Viena - Conjunto Nacional (http://www.viena.com.br/#/home)

Neste aqui passei para tomar um cafézinho, pós-trauma no Galeto’s.  Além de caro, o café demora. Por quê? Ora, ora, ora…são APENAS 5 funcionárias atrás do balcão. E sabem quantos clientes havia em torno dele? 20, eu incluída.  Ou seja, 4 clientes por funcionária e elas não conseguiam dar conta! Eu teria vergonha de encabeçar um negócio assim.

Pois é, eu que sempre prezei os representantes da gastronomia em SP, meu pai foi do negócio muito tempo, hoje tenho pavor só de pensar em ir a algum desses estabelecimento. A certeza é quase absoluta de exploração, mau atendimento, comida quem sabe, preços escorchantes. Como é que chegamos a isso?

Bem, o retorno foi traumático. Já não me ufano de jeito nenhum. Se pudesse faria as malas e diria adeus ao solo que tanto amei durante minha vida.  Mas infelizmente, perdi o timing.  Então vou continuar amargando.

Sabe, acho que matei muito passarinho ou vaga-lume nesta e em outras vidas. Agora tenho que purgar meus pecados. Só pode ser isso…

11

de
maio

E lá vou eu de novo!

Pois é! Mais uma viagem. E esta, seguramente será a última por algum tempo. Mas a oportunidade surgiu, vou rever uma amiga que não vejo há mais de década, tenho boa companhia para viajar, então vamos lá!

Agora para onde vou? Dallas! Isso, aquela cidade onde mataram o J.F. Kennedy, a cidade do J.R., do seriado Dallas (dãããã!).

Alguém conhece alguém tenha ido passear em Dallas? Então, vou começar a vender autógrafos, assim consigo pagar parte da viagem…

Bem, como em outras viagens, farei meu tradicional blog.  Espero ter muitas coisas para contar.

Até a volta!

http://jraivoueu.blogspot.com/

11

de
maio

Safra boa

Nesta semana tive a sorte de ver dois bons filmes.

1) Reencontrando a felicidade (http://www.imdb.com/title/tt0935075/)

Gosto muito da Nicole Kidman e sempre que ela atua procuro assistir o filme. Apesar de tão bonita, da mesma forma que o ex-marido e vários atores/atrizes que poderiam viver da beleza, parece-me que ela tem procurado desafios nos últimos anos.  As horas, Dogville são alguns exemplos, mas há outros.

Além de NK, Aaron Eckhart e Miles Teller estão ótimos. Trata-se da história de um casal que perde o filho. Obviamente já se imagina o quadro: casal desestrutura-se, o casamento é quase destruído, cada um acha um jeito ou tem uma visão diferente de como resolver o assunto, visões conflitantes, evidentemente. MTeller é o “motorista assassino”. Muito delicada e interessante a relação dele com a mãe do menino morto (NK).  O filme é muito bonito, emocionante.

Os aspectos mais marcantes para mim foram:

a) o causador da morte: muito raramente pensamos nessa pessoa, mesmo que o acidente tenha sido provocado pelo acidentado.  Normalmente a dor dos que perderam alguém é que domina a cena. Mas e o que causou o mal, a morte, a deficiência? Afinal, nem todos o fazem por irresponsabilidade, desatenção. Muitas vezes o acidentado é que foi irresponsável e desatento e não deu chance de o outro reagir e evitar o dano.  Interessantíssima a maneira como esse aspecto é tratado;

b) fiz a mesma coisa que os pais do menino quando minha mãe morreu. Num closet, deixei roupas, malas lotadas de coisas por mais de ano. O sentimento era o mesmo: quem sabe um dia ela volta. Da mesma forma que para a personagem de NK, uma hora aquilo me exauriu, foi um alívio incrível quando comecei a me desfazer de tudo. Doei montes de coisas, descartei quase tudo (mantive só uma outra coisa mais significativa). Ou seja, entendi perfeitamente o que o casal pensava, esperava, sentia. E descobri que mais gente faz o que fiz.

Uma extensão desse tema: coincidentemente, estou lendo e destruindo meus diários. Desde 1999! Já mencionei no Face e para algumas pessoas: quem é aquela que escreveu aquilo? Uma sensação interessante. E para quê exatamente eu guardei tudo aquilo?  Uma vez, disse a minha prima, quando ela passava por um grave problema, que ela deveria escrever. Ela me disse: mas se eu ler depois posso ficar com vergonha de mim. Eu respondi que o objetivo era a catarse, a limpeza, não ler/reler.  Sempre pensei isso mesmo, mas não conseguia me livrar dos vários cadernos. E isso começou a pesar. Resolvi então ler meus escritos e destruí-los. Estou firme no propósito. Mas que é interessante ver quem/como eu era, pensava há 12 anos (não são 120, só 12!) é muito interessante.

Continuando…o filme é muito bom, delicado, profundo, mexe com sentimentos, dores, lembranças.

A trilha é bacana, a fotografia idem (aquele bairro de cidade americana bem cuidado, limpo, com casas fantásticas).

Última observação: o título em inglês é Rabbit Hole (nome da peça base do filme). Lá pelo meio ou mais do filme, o título é explicado. Para que traduzir por Reencontrando a felicidade? Se o americano aguenta Rabbit Hole, porque a gente não aguenta Toca do Coelho ou algo parecido?  Com essa tradução, o foco é totalmente desviado de um aspecto bem importante do filme, além de cantar a bola antes de a gente entrar no cinema de como tudo vai terminar. Não fica nem uma réstia de dúvida.  Impressionante! Acho que o pessoal que faz esse trabalho julga mesmo que os espectadores daqui são zumbis, desprovidos de qualquer inteligência, sensibilidade.

2) Como arrasar um coração (http://www.imdb.com/title/tt1465487/)

O título original é L’Arnacoeur…pois é, de novo a turma dos títulos entra em ação. Tudo bem que esse é mais difícil, mas não é tudo isso.

Um filme excelente! Muito humor, música bonita, atuações ótimas, história sabida, mas o recheio faz toda a diferença: refinado, hilariante, sem obviedades.

O Romain Duris está ótimo! Ele me parece um faz-tudo do cinema francês. Já vi alguns filmes com o ator em personagens (Exil, Paris, etc.) sem nada em comum. A personagem não gruda nele. Neste filme ele está hilariante. O mais interessante é que, a meu ver, ele está longe de ser bonito: é magricelo, meio franzino para homem, sempre com barba por fazer, mas tem cara de quem resolve, malandra.  Realmente está encantador nesse filme. Julie Ferrier e François Damiens, seus comparsas, estão ótimos também.

O filme é uma fábula rematada: um grupo que ganha a vida fazendo, por encomenda, mulheres desistirem de casar. Mulheres que são infelizes, não sabem disso, mas alguém olha por elas. Bobagem? Ooooh, se é! Mas mesmo assim o filme é esperto e muito divertido. Há várias surpresas, sobretudo com o casal Ferrier/Damiens.  Como diria meu pai: se usassem a inteligência para coisas boas…A dupla que acompanha Duris entende tudo de disfarces, línguas estrangeiras (Ferrier fala até chinês), de tecnologia e por aí vai. São multimídia, multitarefa, multimalandragem, multi tudo.

Uma boa comédia romântica, para ver a qualquer hora.

9

de
maio

Que semaninha!

Não, a semana não foi ruim, foi é curta mesmo.  So little time and so much to do…

Começando do começo:

1) New York, New York

(http://www.teatrobradesco.com.br/_programacao.php?id=192&atracao=New%20York,%20New%20York%20-%20O%20Musical&gclid=CKye3P6×26gCFYje4AodfTbpyg)

Algumas pessoas já tinham visto e gostaram. O musical dirigido por José Possi Neto baseia-se no filme de Scorsese, com Liza Minelli e Robert De Niro, de 1977 que, pasmem!, eu vi no cinema, e se não me engano no Belas Artes. Enfim…

Apesar de grande expectativa, sobretudo porque as músicas não foram traduzidas, foi uma rematada decepção.

Qquando fui comprar os ingressos, no teatro Bradesco (detesto esse teatro), optei pela frisa do 1o. andar por não ser tão caro, pela visão privilegiada.  E, aparentemente, havia disponibilidade limitada. Chegamos e soubemos que as fileiras de r a z estavam liberadas, pois, pasmem de novo!, o teatro estava bem vazio. De fato, se havia 2/3 de público era muito. Optamos por ficar na frisa mesmo. Já que estava tudo vazio, ficou mais confortável, mais tranquilo.

Não sei o que houve, mas parece-me que distribuíram entradas na Fundação Casa (ex Febem). Pelo menos o público que ocupava a parte superior do teatro (balcão) era composto de verdadeiros selvagens. Pessoas jovens, via-se, que lotavam o espaço. Falavam alto, inclusive durante o espetáculo, assoviavam quando havia uma cena mais romântica, faziam piadas, riam alto, quase cegaram os atores com flashes (apesar da proibição informada no início quanto a fotos). Impressionante! Agora, o mais impressionante é a trupe do teatro não tomar providência, não ir lá e, se necessário, colocar para fora. É isso que fazem facilitadores de outros teatros, e.g., Auditório Ibirapuera, Sala S. Paulo. Francamente, nunca estive em um teatro em que presenciasse esse tipo de comportamento. Há sempre o idiota que não desliga o celular, o que FALA no celular, o que mastiga de boca aberta, o que amassa o saquinho/papel de bala fazendo um barulhão, o que comenta a peça, mas assim, em bloco, nunca tinha visto.  O pessoal do Bradesco precisa ser mais comprometido, afinal pelo que cobram (os ingressos para esse musical chegam a R$ 170), não tem desculpa.

Bem, além desse show de horror, o espetáculo foi muito ruim. Alguma coisa deu muito errado.  A orquestra e os atores-cantores bateram-se durante todo o espetáculo. Era uma gritaria generalizada! Houve um momento em que meus ouvidos já não estavam mais aguentando. Vejam bem, não sou técnica, só espectadora, nem posso dizer se/que desafinaram, não dava. Parecia um concurso orquestra x vozes. Uma coisa desagradabilíssima!

O cenário é interessante, pragmático, ajuda. O guarda-roupa é bacana. A iluminação falhou algumas vezes. O cantor estava lá no meio do palco e por um segundo cadê a luz? Mas o terror mesmo foi a falta de alma. A Alessandra Maestrini é que segurou o espetáculo (voz boa, carismática). Quanto ao Juan Alba…nunca gostei muito dele: figura bonita, boa voz, e só. Sabe aquela pessoa até bem bonita mas que não tem estofo, então ela é dull, o que podia ser plus vira minus?  A gente conhece tantos assim…pois é. Talvez com Tumura, ou um Boaventura tornasse a coisa mais palatável.  Foram duas horas e meia (por que tão longo assim???) de tortura. Houve momentos de sonolência. E não pensem que estou sendo exagerada: vários números em que os cantores saíram do palco (o mais constrangedor foi um da Bibba Chuqui, em que ela saiu e ficou um silêncio só. E ela é bem boa. Já  a vi em outros espetáculos), nenhuma manifestação do público. Sabem como é: no final do número do musical, o negócio chega lá em cima, o público cai de aplauso. Pois é, somente umas duas ou três vezes isso aconteceu. Em várias ocasiões, os aplausos foram fraquiiinhoos, noutras vezes no máximo medianos, indecisos.

Como é uma releitura do filme, por que não optar por uma trilha mais para brasileiros?  Havia várias músicas de que gosto, mas algumas de que eu nem me lembrava (se é que estão no filme). Além disso, Liza Minelli + De Niro + Scorsese são uma coisa, e nosso pessoal é bem outra, além de teatro ser muito diferente de cinema, evidentemente.  Uma adaptação mais customizada teria melhor sina, com certeza.

Só posso dizer que apesar de todo o grupo no palco ter se esmerado, esforçado, o resultado foi um negócio chato (não me lembro, em minha longa vida, de ter assistido a um musical que achasse chato. Ruinzinho, pode ser, mas chato, sonolento, acho que não).  Pena mesmo para todo mundo, inclusive para mim que deixei meu tempo e $ por lá.

2) Coral Luther King

(http://www.lutherking.art.br/lutherking/)

Mais uma linda apresentação no Auditório Ibirapuera. Trio Ibirá (violões) e música brasileira da melhor qualidade.  Desta vez o maestro Martinho Lutero não estava.  Regeram dois componentes do coro (um deles eu já havia visto em regência).  O espetáculo foi lindíssimo como sempre.

3) Jazz na Fábrica (Dee Dee Bridgewater)

(http://www.sescsp.org.br/sesc/programa_new/busca.cfm?conjunto_id=8494)

Um desfile de grandes nomes (nacionais e internacionais) do jazz no SESC Pompéia. Pude ver Dee Dee Bridgewater (ganhadora de Grammy).  Uma voz e presença maravilhosa! Simpática, linda, forte, segura. Quase duas horas de espetáculo, de pura energia. Os músicos que acompanhavam também são virtuoses na bateria, baixo, piano, sax, flauta e pistão.  Não sou muito de jazz ou blues, mas o espetáculo foi grandioso, uma delícia, e me agradou muito. Tem mais na quinta, sexta…o negócio é conseguir ingressos.  Vai até o final do mês e vale ver.

4) Seis aulas de dança em seis semanas

(http://www.guiaculturalbrasil.com.br/index.php?option=com_content&view=article&id=1857:seis-aulas-de-danca-em-seis-semanas-traz-coreografias-de-carlinhos-de-jesus&catid=86:em-cartaz&Itemid=543)

A peça está no Teatro Renaissance (ótimo teatro, localização). O fato de ter Suely Franco me atraiu, além da temática. A peça é de Richard Alfieri, com direção de E. Piccolo. Uma americana setentona resolve ter aulas de dança para…bom, só assistindo, tá?  Suely Franco, que vi em outra peça há uns 3 meses (http://mskeller.blog.terra.com.br/2011/02/05/tem-tempo/), está grandiosa novamente. Tuca Andrada comunga com ela na alegria, na leveza, no texto bem azeitado. São confidentes como personagens e atores. O humor não é sofisticado, há várias tiradas previsíveis, mas ditas pelos dois, com timing perfeito, a gente só sabe depois. É tudo uma explosão de riso, leveza, surpresa. Uma delícia! Com certeza uma das peças mais prazerosas dos últimos tempos para mim. Sem pretensões, só falando de gente, de um jeito inteligente, sensível, atual. As músicas dançadas pelos dois também encantam. Gostosas de ver e ouvir. O cenário é fixo. Chato? De jeito nenhum! Lindo, isso sim! Tudo por efeito de iluminação e projeções. Um cenário inteligente e belo que só agrega, enriquece a atuação. Guarda-roupa simpático, bacana. Dá o recado comme il faut! É de Claudio Tovar. Coreografia de Carlinhos de Jesus.

Uma dessas peças que eu assistiria uma segunda vez com prazer. Vale ver.

8

de
maio

Insights de um cidadão - II

Lendo a revista do Idec de abril dei-me conta de alguns temas interessantes:

1) Lixo:
Mencionei em post anterior, que fiquei surpresa com o volume de lixo orgânico e reciclável que tenho gerado, sobretudo pós-aposentadoria. No caso dos recicláveis, aumentou apenas um pouco. Eu sempre levava duas a três sacolas grandes ao descarte do Pão de Açúcar a cada duas semanas. Continuo fazendo isso, mas o volume aumentou um pouco. O negócio é o lixo orgânico ou não-reciclável. Antes, tirava uma, no máximo duas sacolinhas por semana com lixo de cozinha, banheiro. Agora, é uma a cada dois dias.  Claro que estou cozinhando em casa, não todos os dias, mas isso faz diferença. Consumo mais verduras, legumes, frutas e isso gera muito mais lixo.  No entanto, o que me impressiona, já que presto mais atenção ao fato, é QUANTO eu gero de lixo, não importa de que categoria. Fico pensando numa família maior, em que um ou outro membro almoce todos os dias em casa, e/ou jante.  Projetem isso para o condomínio, rua, bairro. Realmente é um montão! E o que me deixa muito brava é que uma cidade como S. Paulo não tenha pensado no tema com seriedade. Não só nossos administradores não trabalham por soluções para esse tipo de descarte, como para a limpeza da cidade. A cidade está imunda, não há lixeiras em quantidade, a própria municipalidade não faz a coleta seletiva (se ela ainda existe, é mínima), não investe na educação do cidadão (afinal quem suja?). Hoje dependemos de iniciativas de grandes empresas, de campanhas de entidades como o próprio Idec, por exemplo. Enfim, parece que o problema não é da cidade, que deveria utilizar impostos arrecadados para prover estrutura adequada para reciclagem e destino inteligente de lixo orgânico, de recicláveis, cuidar melhor da limpeza da cidade; parece, sim, que o problema é tão-somente de cada um de nós. Ainda bem que ainda há os de boa vontade, mas isso não é suficiente para uma megalópole como a nossa.

E ainda há montes de pessoas que não fazem a separação do lixo, não levam a locais de coleta (muitas vezes próximos, fáceis de acesso).  Não custa nada, ou custa muito pouco, e é a parte que nos cabe “neste latifúndio”.

Alguns dados da publicação do IDEC:

Cada habitante paulistano gera em média:

-1kg de lixo por dia

-1,4 tonelada de CO2 por ano

-de 1,4 tonelada de Co2 gerado, 330 kg vêm de resíduos.

Artigo do site do Idec que pode ser interessante:

http://www.idec.org.br/emacao.asp?id=2636

2) Consumo responsável

Os parentes e amigos já sabem: reclamo.  Não brigo com o garçom, com o vendedor, com o atendente telefônico, a não ser em casos extremos, de desrespeito. Se algo não vai bem, falo com Deus: escrevo para a empresa e para os meios de comunicação. Primeiramente, porque não tenho tempo a perder com idiotices e gente despreparada, como é grande parte da mã-de-obra de serviços da cidade atualmente; em segundo lugar, não tenho paciência para gastar com isso; em terceiro: as empresas sabem que uma reclamação veiculada em rádio, jornal, mata o investimento milionário que fazem em marketing/propaganda, então procuram resolver o assunto rapidinho, em geral.

Em princípio, não creio que empresas sejam instituições de má fé. Tanto faz se grandes ou pequenas. Para mim tudo é uma questão de má ou boa gerência.  De tino para negócio, como diriam os antigos. Verdade que muitas empresas, as grandes sobretudo, ganham muito, mas muito mesmo, então não se incomodam de fato, a não ser no discurso, em cuidar de seus clientes.  Mas o cliente/consumidor tem de fazer sua parte, “educando” as empresas, mostrando-lhes o certo e errado de que elas se distanciam muitas vezes.

Algumas pessoas dizem, outras só pensam, mas não dizem (vai que eu reclamo delas também…): para quê? Por que perder tanto tempo?

Em primeiro lugar, não perco tanto tempo assim. Tenho facilidade para escrever e verbalizar, portanto o tempo não é tanto. Mesmo que eu tenha sofrido o problema, minha consciência-cidadã não me deixa calar: pode não ter mais solução para mim, mas outro não será prejudicado como eu fui.  Ou: faço por outros o que gostaria que outros fizessem por mim.  Em minha longa experiência na área de “boca no trombone” tive provas de que exigir direitos, exigir respeito funciona.  Se não 100%, 80%, 90%. Melhor que nada, não acham?

Transcrevo texto da revista do IDEC novamente:

CDC

Consumidor conhece seus direitos, mas não reclama

Os consumidores brasileiros estão cada vez mais conscientes de seus direitos, mas não os colocam em prática. É o que mostra pesquisa feita pelo Centro de Justiça e Sociedade da Escola de Direito do Rio de Janeiro da Fundação Getúlio Vargas.

O levantamento aponta que 82% da população têm alguma familiaridade com os direitos consumeristas - destes, 72% declaram conhecer o Código de Defesa do Consumidor (CDC) -, mas 62% nunca ou quase nunca reclamam quando enfrentam problemas de consumo ou não ficam satisfeitos com um produto ou serviço adquirido.

Os principais argumentos apresentados pelos entrevistados para “engolir sapo” é que “não compensa reclamar” (37%) e que “demora muito para o problema ser resolvido” (31%). “Vergonha de reclamar” foi a justificativa dada por 8% dos consumidores consultados.

A pesquisa foi realizada durante o mês de fevereiro com 1.400 pessoas de áreas urbanas de todo o país.

62% ???????? Pois é, haja sapo para engolir…acho que está na hora de o consumidor nacional “desacomodar-se” em benefício de ninguém mais que ele mesmo.

3) Bullying

O negócio é tão sério que até para o Brasil, um país de analfabetos em sua própria língua, a palavra estrangeira já caiu na boca do povo e é utilizada com propriedade. Dá a impressão de que todo mundo sabe falar inglês por aqui.  O tema é tão universal que recentemente, pós-morte Bin Laden, circulou uma piadinha de que ele tinha feito o que fez (tornar-se um terrorista matador) por causa do bullying na infância.

Pois é, a prática tem sido dada como causa para vários desvios de comportamento, desvios psicológicos, desvios de caráter. Escreveu, não leu, bullying nele.  Saiu por aí com uma arma em punho matando pessoas, bullying nele. E por aí vai.  Parece que se esqueceu que há gente desequilibrada por que é, por um problema químico, biológico. Claro que há aqueles que desequilibraram porque a vida foi dura demais e eles não aguentaram, quebraram. Mas essa coisa de: eu destilo a raiva e mando ver porque o mundo foi mau comigo está ficando um pouco over.

Entendo perfeitamente que a sociedade mudou, sobretudo localmente. Com a quebra da educação formal, com os exemplos de nossos governantes, tivemos um retrocesso social em todos os níveis.  Hoje, vendo jovens que estudam numa escola próxima, no horário de entrada e saída, ou esses mesmo jovens tomando sua condução para casa, acho que estamos bem mais próximos de nossos ancestrais símios do que dos ETs.  A falta de compostura, a falta de cultura, a falta de raciocínio, a falta de respeito, e, pior, o orgulho por tudo isso me chocam. Como sempre digo: levamos 10-15 anos para chegar a isso, para sair disso vamos levar 100-150, SE conseguirmos tirar o pé dessa lama.

Enfim, justamente por esse grupo social que está aí, e não só por aqui evidentemente, entendo que as agressões ao indivíduo, sobretudo na escola, que antes ficavam circunscritas aos desasjustados da classe, meninos/meninas-problema, agora são comportamento da maioria. Parece que a maioria perdeu sua autoestima, virou problema, e com as agressões quer se garantir, se firmar., foi o jeito que encontrou de fazer parte. Verdade que é bem mais cômodo do que estudar, trabalhar, seguir valores, ser íntegro…

Acho que até a exposição na mídia reforça o “orgulho” pelos malfeitos. Inversão total de valores!  Antes eram uns poucos contra o gordinho, o magrinho, o feioso, o nerd, mas tudo controlável. Os malvados de plantão eram punidos pela escola e tratados como escória pela maioria. Um dia eles cansavam. Mas hoje…o negócio virou.  Culpa de pais, que educam mal seus filhos, da escola que não sabe mais a que veio e se deixou dominar pela turba, do Estado que, por descuidar da educação formal, abriu o caminho para a generalização de um comportamento selvagem, bárbaro.

Tenho lido/visto que alguns agredidos têm se rebelado de forma violenta (agredindo, matando). Esse não é o caminho, obviamente, mas infelizmente é o que parece que vai continuar acontecendo, já que só há discurso, mas muito pouco é feito pragmaticamente para eliminar essa excrescência.

6

de
maio

De 0 a 10

Vamos começar com o 10. Se começo do 0, vão dizer que reclamo muito, ninguém vai ler até o fim, e vão perder a oportunidade de conhecer algumas coisas interessantes ou rever conceitos through my eyes, ou melhor, through my mouth.

Resumo aqui os vários restaurantes por que passei durante a semana.  Algumas boas surpresas, algumas decepções. Mas a vida é assim mesmo, ou não é?

Valeu rever/conhecer todos de qualquer maneira.

Nota 10

  1. Chi Fu (http://pratodaboamesa.blogspot.com/2009/03/restaurante-chi-fu.html) (http://www.estadao.com.br/noticias/suplementos+paladar,o-chi-fu-em-versao-palacete,3020,0.shtm): conheço o restaurante há bastante tempo. Antes ele ficava a uns metros de onde está hoje, num lugar bem mais modesto, sujinho, desestruturado. Apavorante, eu diria. De uns anos para cá (acho que uns 3), está no novo prédio.  Três andares, com elevadores, tudo bem mais moderno, limpo.  Das outras vezes que fui à nova casa, o atendimento era o mesmo do prédio antigo: moças pálidas, quase transparentes, que pouco falavam português, uma dificuldade para pedir os pratos, fazer reserva. Mas a gente se virava. Agora tudo mudou: além de usarem um uniforme bem mais bonito, várias delas (algumas estão lá há bastante tempo) já falam mais português, sorriem e são bem mais atenciosas com os clientes. Uma mudança e tanto, para melhor! Até o cardápio está melhor, mais claro para aqueles que não dominam o mandarim. A comida continua ótima e farta. Os preços subiram um pouco, mas ainda se pode comer muito bem por um preço justo.  Três cuidados: não vá lá para comer frango xadrez ou rolinhos primavera. Mergulhe em pratos menos comuns (comi, por exemplo, uma mostarda chinesa maravilhosa! É, o vegetal mesmo, excelente!); só aceitam cash e na conta não vem serviço, então atenção para não deixar de dar uma gratificação às moças. Continua valendo muito a pena uma visita ao Chi Fu.
  2. Portal da Coréia (http://www.facebook.com/portaldacoreia): não conhecia este restaurante. Há anos fui pela última vez ao Lua Palace, lá na Aclimação. Comi o típico “churrasquinho” coreano. O Lua mudou de dono, parece que deu uma decaída, vários de seus funcionários estão hoje no Portal, que fica na Liberadade. A casa é bem cuidada, bonitinha, limpa (banheiros inclusive). Os funcionários são muito atenciosos, bem treinados. No almoço é bem tranquilo, ficando mais movimentado à noite e uma loucura nos finais de semana, pelo que entendi. Também provei o “churrasquinho” coreano de lá e diversos outros pratos. A comida é saborosa, tende ao apimentado (mas isso é controlável), farta e, de novo, barata.  Além das carnes, pedimos lulas, vieram vários acompanhamentos (arroz, sopinha, algas - uma delícia!, broto de feijão, amendoins adocicados, uma panqueca típica, etc.).  Foi um almoço pantagruélico, delicioso, por R$ 45/pessoa.  Uma pechincha em SP, e preciso confessar que comemos demais e levamos para casa o que sobrou, e não foi pouco. Vale muito a pena.
Nota 9

Consulado da Bahia (http://www.consuladodabahia.com.br/): este restaurante fica em Pinheiros, pertinho de casa. Não me perguntem por que nunca fui lá. Devo ter passado em frente, a pé, uma centena de vezes.  Só fui agora com um voucher de desconto comprado há alguns meses. Estava por vencer, então não tinha jeito.

A casa é arejada, simpática, bem montada. O atendimento foi excelente: rápido, objetivo, eficiente, honesto. O responsável pela casa estava por lá e foi muito simpático com todos.

O cardápio é bem variado. Estranhei os preços. Meu voucher dava direito a R$ 70 de consumo (paguei R$ 25,00), mas os pratos eram bem caros. Apenas um ou outro cabiam nos R$ 70.  Mas quando colocaram a comida na mesa é que entendi: os pratos servem duas pessoas muito bem e até três, dependendo da fome.

Pedi uma carne de sol de picanha que veio acompanhada de arroz, banana, farofa, purê de mandioca. Comi muito bem e ainda trouxe metade para casa. As sobremesas decepcionaram um pouco: havia algumas típicas, mas não eram tantas e tão diferentes quanto eu imaginava.  Como havia comido bem, estava calor, acabei optando por um Sottozero.  Se tivesse de ter pago tudo, ficaria em R$ 90, o que daria R$ 45/pessoa aproximadamente.  Não é caríssimo, mas também não é barato, e eu não pedi os pratos mais caros (camarão, por exemplo).  Até pela característica da comida (mais pesada), não dá para comer todo dia. Os preços também não favorecem uma presença continua, mas vale experimentar e arriscar nos diversos pratos.

Nota 7

Pizzaria Família Mancini (http://www.waltermancini.com.br/): fica ali na Avanhadava, esquina com a Augusta. É uma das casas do complexo Mancini. Já conhecia a casa. O lugar é bonito, bem decorado, um pouco over para meu gosto, mas impressiona. Uma brigada (sim, porque pela terra brasilis o pessoal não economiza em funcionários, são exércitos, brigadas, nem sempre muito eficientes) razoavelmente treinada, atenciosa.  Comemos uma pizza grande (calabreza e napolitana) que para mim estava boa, não fantástica, ou seja, não melhor do que em pizzarias de meu bairro (minha acompanhante não gostou da napolitana, achou meio sem gosto). Não sei quanto saiu, pois fizeram a gentileza de me pagar o jantar, mas barato não é. Ah, sim, e tem couvert artístico, o que ajuda a encarecer ainda mais.

Percebi que deram uma enxugada no cardápio. Pelo que me lembre, havia mais tipos de pizza, talvez um exagero. Posso estar enganada, mas acho que fizeram uma boa limpeza no cardápio.

É uma casa que vale uma visita, conhecer, mas não justifica deixar de frequentar sua pizzaria preferida no bairro.

Nota 6

Josephine (http://www.josephine.com.br/): já conhecia o restaurante, aliás dei-me conta disso quando cheguei lá. Não lembrava…éééé, idade tem dessas coisas, não pela amnésia, mas porque a gente vai a tantos lugares, vê tantas coisas, que algumas acabam sumindo da memória mesmo.

A casa é bonita, bem localizada (Moema). A comida também é excelente! Acho que, considerando o que vivemos hoje em SP, tem um preço justo pelo que serve. Agora o serviço é abaixo de qualquer crítica.

Como em várias casas a que tenho ido, implantaram um sistema de campainha na mesa. Acho isso uma graça. Parece que os garçons + maitre / gerente de salão têm quilômetros a supervisionar. Um pouco de foco, atenção, comprometimento sempre resolveram a questão, mas hoje essa mão-de-obra conversa, bate-papo, resolve a vida no trabalho, e ainda atende um celular de vez em quando. Por isso as campainhas estão se multiplicando. Bem, nessa casa a campainha não adianta muito: em uma das vezes em que precisávamos de atendimento, tocamos exatas 4 vezes e ninguém apareceu. O jeito foi acenar e chamar o garçom, à moda antiga.  Para trazer a conta foi um parto. Para trazer a máquina de cartão outro. O rapaz que me serviu a bebida, serviu-a no copo errado, i.e., lado errado do prato.  Pedimos um vinho: Tem? Teeem! Mas não tinha, soubemos cinco minutos depois. Um verdadeiro horror e olhe que a casa estava relativamente vazia.

O mais engraçado foi quando cheguei: hostess e vários garçons estavam ao fundo, num canto do salão, a uma mesa, conversando. Havia garçons pelo salão, mas ninguém me deu atenção. Depois de eu perambular um pouco e quase perder a paciência, hostess e garçons se desaboletaram e foram me receber.  Lamentável!

Reprovados:

1) Yo-Kota (não achei site): localizado em área nobre (Av. Brig. Faria Lima, em frente ao Museu da Casa Brasileira), tem um salão amplo e mas instalações não muito cuidadas. Felizmente fui com um voucher de desconto. Tinha direito a um rodízio (sushis, sashimis, rolls, guioza, etc.).  Foi bem mais ou menos (o preço normal é mais de R$ 50 e eu paguei R$ 24 - ainda bem!). De novo, outro servicinho sem-vergonha: o garçom perguntou quais itens eu queria. Deixou de trazer o arroz. Claro, arroz é coisa difícil em restaurante japonês, certo? Depois pedi um pouco mais de gengibre e estou esperando até hoje. Foram simpáticos, mas ineficientes. Ah, sim, pedi se tinham chá. Ban-chá, evidentemente, outro item raro em restaurantes japoneses, certo? Pois é, não tinham.

Quando vou a um lugar como esse, que participa dessas promoções, fico me perguntando o que o dono/responsável pensa da vida. Afinal, não só não volto lá como já espalhei meu fel, i.e., já disse a várias pessoas que não vale absolutamente a pena.  Pois é, não consigo entender a lógica desses empresários. E o dono/responsável estava na casa quando jantei lá!

2) Sushi do Bayano (não achei site): esta unidade fica na R. Minerva, travessa da Sumaré. O que eu disse para o Yo-kota vale para este restaurante também.  Comida meia-boca (frequentei muitos anos o Bayano perto do Shopping West Plaza. Era muito bom, o atendimento também era excelente, até que o gerente de anos de casa saiu. Ai degringolou, tanto que fechou), serviço idem (deixaram de cobrar um item, deram uma nota fiscal manual (!), erraram os dados da nota, uma coisa!). E caro, não fosse pelo voucher.

Diante de minhas experiências recentes, tenho as seguintes observações:

  1. o serviço ruim continua, espalha-se e não sei se tem volta;
  2. restaurantes de comida japonesa estão ficando muito ruins e caríssimos;
  3. continuo não entendendo a lógica de quem se joga em uma promoção via site de descontos e não cuida para que tudo esteja impecável em seu estabelecimento;
  4. não é possível que donos de estabelecimentos, como os que mencionei, não tenham tido na vida a experiência de estar do outro lado do balcão e por isso saber+entender o que um cliente espera+quer de um negócio como os seus. Parece que dá um branco, apagam qualquer lembrança do que é ser um cliente da memória e aí dá no que deu.

    4

    de
    maio

    Uma semana light

    Pois é, semana de aniversário, muita festa, muito encontro com vários amigos de várias “tribos”, o que é muito bom, porque tem movimento todo dia.  No final da semana, vou publicar minhas andanças gastronômicas, que foram muitos (ainda vai ter uma amanhã, então por isso a demora). No entanto, como o corpo estava bem cuidado, há que se cuidar da alma também.

    Fui ver Noel Rosa, o poeta da Vila, no Parlapatões (http://vejasp.abril.com.br/teatro/noel-poeta-da-vila-seus-amores). Já havia visto outro espetáculo com músicas do autor, mas de outra natureza (http://mskeller.blog.terra.com.br/2011/04/16/bravo-bravo-bravo/). Noel (http://pt.wikipedia.org/wiki/Noel_Rosa) sempre me pareceu um dos mais criativos e inteligentes compositores nacionais.  Bom vocabulário, texto com certa complexidade, músicas que têm sentido, muitas delas lindas. Viveu pouco, somente 26 anos, mas marcou a MPB para sempre. Seus contemporâneos, alguns muito próximos: Aracy de Almeida, Francisco Alves, Ismael Silva e tantos outros, entre os quais ele era respeitado.

    Fazia anos que não ia ao Parlapatões. Sempre há espetáculos interessantes nos teatros da região, mas é tão ruim o entorno, tão feio, que sempre acabava desistindo. E foi bom voltar por ali. Apesar de o centro da cidade continuar abandonado e castigado pela administração pública, os teatros, alguns bares, restaurantes, estacionamentos matêm a vida da Praça Roosevelt. Até me animei para próximos espetáculos.

    A texto é de Plínio Marcos e a direção de Dagoberto Feliz (http://mskeller.blog.terra.com.br/2011/03/13/quase-la/), um ator-diretor muito profícuo. Em mês e meio é a terceira peça que vejo com ele/dele.  O espetáculo é um retrato não-cronológico da vida de Noel: seus amores, suas composições, suas rixas, sua doença. Evidentemente, ele não foi um mártir.  Por ter optado por uma vida mais que desregrada, acabou cavando a própria sepultura. Apesar da vida curtíssima, o que dá a impressão é que ele se divertiu de montão.  Pelo menos isso.  Mas não deixou de ser uma pena para a MPB, afinal, se em tão pouco tempo ele produziu o que produziu, imaginem se tivesse podido viver mais umas décadas…

    Os atores-cantores são muito bons. O ator (Cristiano Tomiossi) que faz o papel principal é um tanto histriônico demais para o meu gosto, mas é inquestionável sua técnica com a qual consegue pintar Noel com gestual e expressões faciais de um jeito inequívoco.

    O cenário também conta pontos positivos. Um botequim no palco e o público é convidado a dele participar. As músicas inquestionavelmente encantam.

    A peça ficaria em cartaz até 29/4, mas pela procura (só é encenada às 5as. e 6as.) vai ficar até 13/5 (http://www2.uol.com.br/parlapatoes/espaco/home/agenda.html). Vale ver.

    E hoje foi dia de ver Debret - Viagem ao Sul do Brasil, na CEF Paulista. Como poderão ver no site (http://www.caixacultural.com.br/html/main.html), a exposição não está ali.  O site da CEF Cultural não é dos melhores, mas nunca me deparei com tal falta de cuidado. A exposição começou ontem, obviamente levou tempo para ser preparada, e trata-se de Debret (http://pt.wikipedia.org/wiki/Jean-Baptiste_Debret), um artista que entendeu o Brasil como poucos e soube vê-lo, interpretá-lo e retratá-lo com perfeição. Portanto, como é que ainda não está no site da instituição? Mistééériooosss.

    As aquarelas e os bicos-de-pena, em formato de uns 20/25cm por 10/15cm, são de uma precisão, de uma riqueza de detalhes, de uma beleza impactantes.  Tive de percorrer a exposição duas vezes para tentar me satisfazer. Dá vontade de ficar olhando por horas. A perspectiva, a visão de nossa gente, costumes, paisagens são extraordinários. Sempre gostei dos que retrataram nosso passado (franceses, holandeses, alemães), e esta exposição mostra a contribuição desses artistas a nossa memória, com muita beleza, muito refinamento, muita generosidade.

    Como sempre, exposições na CEF Cultural (Paulista ou centro) são gratuitas. Esta vai até 19/6 - sempre de terça a domingo, inclusive feriados (fecha na segunda).  Vá ver, e vá conhecer um pouco mais de nós mesmos pelos olhos de Debret.

    Ah, sim, e vejam a história do artista no link acima. Até um barraco relativo a plágio rolou, e parece que não era mera fofoca. Mesmo assim, tem muita coisa boa a ser considerada.

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