
Quatro peças de teatro = R$ 23,00. Isso mesmo! E não é liquidação.  Felizmente. para quem vive por aqui, e sobretudo para os aposentados ou de poucos ganhos, SP tem muita coisa barata ou gratuita.  As revistas semanais dos jornais, sites como o Catraca Livre (http://www.catracalivre.com.br/), sempre informam o que há de barato, gratuito pela cidade. Cadastrar-se nos sites do SESI e do SESC também é interessante. As newsletters são enviadas semanalmente e há muito para escolher.  Assim também CEF Cultural, Centro Cultural do Banco do Brasil, Centro de Cultura Judaica. Itaú Cultural.
Claro que nem tudo é para todo mundo. Eu não vou a tudo, e às vezes o que vejo não me agrada de fato. Mas como saber se não experimentar? Ademais, normalmente, as produções dos SESCs, CCBB, SESI são primorosas (tanto as produções para o público adulto, quanto infantil).  Um exemplo recente foi O Idiota (http://mskeller.blog.terra.com.br/2011/04/04/o-idiota-nao-e-bobo-nao/), que vi no SESC Pompéia.  Coisa de primeiro mundo. Performances, beleza, qualidade inquestionáveis.
Às peças:
1) Vamos?
Esta pela esteve em cartaz no Teatro Imprensa. Voltou no Teatro Folha (http://www.conteudoteatral.com.br/teatrofolha/index1.htm).  Aproveitei a promoção do dia da estreia, via um amigo. Na nova montagem, saÃram Dalton Vigh e Tânia Kallil. O DV foi substituÃdo pelo próprio diretor, Otávio Martins.
A peça baseia-se na história de casais, amigos, que começam a caraminholar sobre possÃvel envolvimento sexual. Amigos durante tanto tempo, por que não? A dinâmica no palco é interessante, as personagens vão se alternando num entra-e-sai bem engendrado.  O timing dos atores é bem importante. No inÃcio, o texto é bem rasinho, mas o pessoal morre de rir (isso é comunÃssimo). Mais para o meio da peça o nÃvel melhora um pouco. Na noite de estreia, houve um fato interessante: uma senhora, sentada lá na frente, tinha uma risada tão estranha (nunca tinha ouvido algo parecido) e ria tanto que os atores receberam uma ajudinha extra, pois o restante da plateia não conseguia deixar de rir da risada da tal senhora.
Bem, dá para dar umas risadas, a peça e divertidinha, daquelas coisas para ver e esquecer imediatamente.  De todo jeito, não é totalmente descartável.
O Teatro Folha é um horror! Desde a bilheteria, até as cadeiras (estado delas e distância entre fileiras). Já passou da hora de dar uma melhorada no espaço.
2) Devassa
A peça está no SESC Consolação (http://www.sescsp.org.br/sesc/programa_new/mostra_detalhe.cfm?programacao_id=190285). Como mencionei, a grande maioria do que vi nos SESC vale muito o ingresso, mas não foi o caso de Devassa.
A peça estava bem mal quotada na mÃdia, mas como só leio o que dizem como eventual referência, pois já vi coisas ótimas, em minha opinião, que não tinham nenhuma estrelinha para os crÃticos.
As salas dos SESCs, mesmo as pequenas, em geral são muito boas, melhores do que a grande maioria dos teatros que cobram uma baba por aÃ.  Para o comerciário, o valor do ingresso é praticamente simbólico. Mesmo para aqueles que não são associados, o valor do ingresso é muito razoável, menos que uma entrada de cinema em geral.
A Cia. de Atores, carioca, segundo um amigo é considerada muito boa (esse também um motivo para eu ter pensado em ver a peça).  A peça é uma releitura de A Caixa de Pandora – Lulu’, de Frank Wedekind (o mesmo de O Despertar da Primavera, de que gostei muito -http://mskeller.blog.terra.com.br/2010/04/03/e-chegou-a-primavera/ ), a diretora convidada é uma alemã, Lulu é uma personagem interessante, amoral, como todos serÃamos não tivéssemos os olhos dos outros sobre nós (querem apostar?).  O guarda-roupa é bonito, o cenário minimalista cumpre o papel, mas algo não deu certo.A ideia é interessante, boa mesmo, mas o delivery não aconteceu. Enfim, a quÃmica não bateu para mim. Desta vez teria de concordar com os senhores crÃticos: cansativa, confusa, atuações cheias de altos e baixos (a atriz que abre a peça começa um discurso gritado, e assim vai por várias partes da peça. Os atores masculinos ou são over ou under em vários momentos), até a iluminação deu a impressão de ter falhado em alguns momentos (coisa rarÃssima nos SESCs). Portanto, não perca seu tempo.
3) Menina Nina, duas razões para não chorar
Esta peça infantil estava muito bem cotada e, normalmente, as infantis do SESC são no mÃnimo boas produções. Esta estava no SESC Pinheiros (http://www.sescsp.org.br/sesc/programa_new/mostra_detalhe.cfm?programacao_id=189308), na sala grande, o que é raro para montagens infantis.  Ficou pouco tempo, tentei para vários dias, mas estava tudo lotado. Consegui para o último dia da peça;
É uma releitura de obra homônima de Ziraldo.  Pela segunda vez, em pouco tempo, revi Selma Egrei (http://mskeller.blog.terra.com.br/2010/11/11/um-pouco-mais-de-tudo/). E de novo fiquei impressionada com ela, realmente  uma atriz de teatro, e como está bem, envelheceu com dignidade e classe - pelo menos no palco.
É a história de uma perda: a menina Nina, tão ligada a sua avó, tem de lidar com a morte dela.  O conceito é transmitido de forma bem suave para as crianças (apesar disso, montes de adultos debulharam-se em lágrimas e soluços).  Todos os atores estão bem, mas a menina, Pietra Pan (olha que nome bacana para alguém de teatro, parente de Peter Pan…), está ótima. Não é daquelas atrizes-mirins que dançam, cantam, sapateiam com perfeição. É só uma menina atuando. Muito alegre, à vontade, genuÃna em cena.  Carismática demais.  Valeu ver a peça, mas esperava mais.
Ah, sim, acabei tendo um insight: dei-me conta que nunca brinquei ou estive com minhas avós como a menina Nina com a sua. Minha avó materna desquitou-se lá pelo final dos anos 50. Virou outcast, persona non-grata em casa. Meu pai, que se dava bem com ela, passou a execrá-la. Para ver minha avó, só à s escondidas.  Mas eu gostava dela, e das poucas vezes que estive com ela não tenho recordações claras, mas são boas assim mesmo. Quanto à avó paterna, não gostava dela. Acho…No entanto, analisando um pouco, foi ela que me incutiu esse negócio de sair, passear. Lembro-me que me levava ao cinema (o Jardim ou Fiammetta, ali na Fradique), para eu ver Tom e Jerry. Levou-me a outros filmes. Eu ia com ela também todos os domingos à missa (eu estudava em escola de freitas, minha avó era bem católica, então ela me carregava junto). Com ela também andei muito de ônibus, para visitar parentes que moravam lá na Vila Maria, ou lá na Vila Pompéia. Ou seja, tenho uma dÃvida de gratidão com ela, mas nem por isso diria que gosto mais dela. Bem, quando eu for para o céu (eu já disse que VOU), espero que as duas me recebam bem.  Quem sabe a gente não recupera o tempo perdido? Com tudo isso quero dizer que tenho um gap em minha formação pessoal, portanto qualquer ação nebulosa, violenta, mesquinha de minha parte já está explicada e justificada.
4) Menecma
Esta foi no SESI Paulista.  Um amigo comentou sobre a diretora (LaÃs Bodanzky).  Achei o tema interessante, então lá vamos nós. Eu sou fácil mesmo, gente.
A peça (http://www.sesisp.org.br/home/2006/centrocultural/Prog_teatro_menecma.asp) é encenada por 3 atores apenas. Sem sombra de dúvida, Roney Facchini é o que está melhor. Há muitos jogos de palavras, o que torna algumas cenas bem divertidas. O cenário é minimalista, o guarda-roupa é singelo. Há até efeitos especiais (não conto para não estragar a surpresa ou susto).  É muito mais light que Devassa, não resta dúvida, tem um pouco de suspense, de macabro, enfim uma miscelânea interessante. Mas é isso, divertida e interessante a meu ver (meu amigo achou chata), sobretudo pela dinâmica de parte dos diálogos, como escrevi, e só.  Não espere muito, mas acho que vale ver.
E assim se foram R$ 23,00 em 4 peças, que se não foram as melhores que vi, valeram de todo jeito como entretenimento e para conhecer textos, performances.