Escrever para viver!

Tudo que der na telha e que eu achar que vale a pena

30

de
março

Assim não dá…

Dois filmes-cabeça na mesma semana, em intervalo tão curto, eu não aguento.  Primeiro Cópia Fiel (http://mskeller.blog.terra.com.br/2011/03/27/por-falta-de-um-foram-dois/), no domingo, e, hoje, Feliz que minha mãe está viva (http://www.imdb.com/title/tt1406161/combined).  Na verdade Je suis heureux que ma mère soit vivante nem é tão cabeça assim, mas como vai fundo nas contradições, mágoas, dores de um menino um tanto maltratado pela vida, tem uma hora que dá um certo nó no espectador.

Primeiramente, as sequências sem cortes definidos. Passa-se da adolescência à infância, da idade adulta à infância, da adolescência à infância sem muito aviso. Nas primeiras idas e vindas a gente tem de prestar atenção e se pergunta: mas é ele mesmo? É outra história?  A sutileza do vaivém ajuda a criar uma sensação de desatino, de: hein?, do que se passa com a personagem principal na verdade: confusão.

Os atores-mirins são ótimos (Gabin Lefebvre, e.g.) e gracinhas. O menino Thomas aos 12 (Maxime Renard) já tem um olhar duro, gelado, uma tez pálida (tipo vampiro), tudo coroado com Vincent Rottiers, o Thomas adulto.

Difícil seguir os avanços e tropeços do jovem Thomas. Ele e o irmão são adotados, por opção da mãe.  E nunca mais ela o procura. A dor transforma-se em revolta contra os pais adotivos, mascarando apenas a dor maior do abandono pela mãe biológica, por opção dela, mas não real necessidade.  O irmão (Patrick) leva bem o assunto, mas para Thomas a coisa fica difícil, torturante.  Ele avança na relação com a mãe até um clímax inesperado, mesmo considerando os sentimentos fortes e contraditórios do rapaz.

É um filme bem inquietante para dizer o mínimo. As atuações são muito boas.  A gente vê também um pouco da estrutura social, legal, educacional da França (Paris). E dá uma angústia ver a distância a que estamos de tudo aquilo. Enfim, não é filme sessão da tarde; só veja se estiver in the mood para pensar, contrair-se,  surpreender-se, nem sempre positivamente.

Fui ver o filme no Unibanco da Augusta (hoje é dia de entrada com desconto). Foi na sala 1: grande, terrível de inclinação, i.e., se estiver cheia, dependendo de quem sentar a sua frente perde-se muito da tela.  Mas só hoje notei como as cadeiras estão ruças.  Além disso, os funcionários também não são dos mais corteses e de boa vontade.  Aquilo não é de banco?  Não é de cunho cultural, para bater no peito e dizer: nós nos incomodamos com a cultura dos cidadãos?  Então por que não vão mexendo nas salas aos poucos para revitalizá-las, nos banheiros - sofríveis,  e não dão um treinamento para os funcionários emburrados?  Dinheiro não falta, o cinema seguramente dá lucro, então…

Bom, até o final da semana só coisinha água com açúcar senão não dá.

Nota: vejam esta matéria na Veja sobre o assunto. Ajuda a entender o filme: http://vejasp.abril.com.br/cinema/feliz-que-minha-mae-esteja-viva

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