4
de
março
Ondas
A vida é assim, feita de ondas. Como cantou Lulu: http://www.youtube.com/watch?v=KiU6B4rEVhs. Pois é, não adianta fugir, nem fingir, tudo muda a cada minuto. O engano é pensar que não mudamos, que outros, que sentimentos e percepções não mudam a cada minuto. A cada minuto!  E quando a gente se dá conta, lááá na frente, está olhando para estranhos: no espelho ou a seu lado, não entende o mundo, e por aà vai. Claro que perceber e entender não muda o rumo da história, mas ajuda a minimizar ou eliminar a decepção, a não se ferir, a não ser apanhado no contrapé. É extremamente difÃcil aceitar mudanças sem se alterar, sem se perturbar, sem aquele olhar de “como assim”? Tem gente que consegue, mas esses são pouquÃssimos e até acho que, como diz o samba (afinal é Carnaval!): bom sujeito não é.
Como mencionei em outro post (http://mskeller.blog.terra.com.br/2011/01/22/meu-lugar-e-aqui/), às vezes a gente faz diariamente o mesmo caminho, realiza as mesmas ações e não se dá conta de coisas, coisinhas ou coisonas importantes. Quando se dá conta, é um susto.
Agora que tenho mais tempo, fiz uma limpa em casa, vi que tinha vários itens encostados. Já dei, e continuo dando ou doando várias coisas, até de valor razoável, mas com a aposentadoria, a realidade $ é outra. Tinha um e-book da Positivo (não comprem, tá? É muito inferior ao Kindle, por exemplo) que comprei porque achei que seria melhor para baixar livros em português. Hein?  Há montes na Amazon para o Kindle, vários no Ipad de graça, e caros e poucos por aqui para baixar para um e-reader. E pasmem! O produto nacional saiu mais caro que o Kindle.  Negocião, né?  Que fazer com aquilo? E com um porta-retratos digital fechado na caixa, da Samsung?  E com vários dvds de filmes e séries? E um cd que detestei do Guns n’ roses?  Às vezes nem querendo dar/doar as pessoas querem. Se você dá para uma instituição - se alguma aceita - o negócio pode ficar jogado num canto, não servir para uma boa causa, perder-se simplesmente. E eis que…descubro o Mercado Livre (http://www.mercadolivre.com.br/)!  Tantas propagandas na TV, eu mesma comprei dois dvds pelo e-bay, e nem tinha pensado no ML.
Já fiz 4 vendas (e-reader, porta-retratos digital, dvd temporada Big Bang Theory, o tal cd do Guns) e tenho outros produtos anunciados. Custa muito pouco, é tudo bem tranquilo. Pedi o pagamento dos itens mais caros pelo Mercado Pago. Assim que confirmam que está tudo em ordem, despacho a mercadoria.  O frete é algo a combinar com o comprador e em geral é por conta dele. Ou seja, o sistema é todo eletrônico, a gente não pode divulgar nenhum dado pessoal, tem pagamento seguro. So far, so good. Funcionou tudo bem direitinho.
Mas o que mais me chamou a atenção é que as 4 vendas foram feitas para lugares far away: Cel. Fabriciano em SP - onde?; Belém; Paulista em PE (onde, onde?) e Divinópolis.  Se a gente pensar bem, o sistema atende muito bem cidades que não sejam grandes centros. Claro que as pessoas dessas cidades poderiam comprar da Americanas.com, Submarino, etc., mas aà pagariam um preço bem mais alto por itens idênticos, fora o frete que é sempre de matar nesses sites de vendas. Claro que tudo depende de confiança, e até pode dar errado. Mas tanta gente tem problemas com esses sites instituÃdos, e problemações. Então…
Quando comecei não tinha nenhuma avaliação, agora tenho 4 positivas. Isso vale muito para os compradores.  Enfim, foi um canal interessante a explorar. Nada será como antes…O que isso tem a ver com ondas da vida? Sei lá!!!
Ah, sim,sim,sim,sim, já entendi de onde veio tudo: vi hoje A Onda (http://www.imdb.com/title/tt1063669/). Ooooh, cabeça!!! Um filmaço!  Muito pedagógico!
Um professor é designado para ensinar o que é autocracia a seus alunos, num projeto de uma semana - uma semaninha apenas. Acaba exagerando na dose e perdendo controle sobre si, i.e., suas crenças e objetivos são pervertidos, e sobre a classe. O filme mostra que para se chegar a movimentos ditatoriais, movimentos autocráticos, é preciso que a coisa flua bem de cima para baixo,  e igualmente debaixo para cima. IncrÃvel, mas é uma comunhão.  O processo de manipulação fica muito claro no filme, mas também fica claro que o material a ser manipulado precisa ser fértil. E como é!
Todos nós temos o que colocar para fora e não temos coragem para tanto. Basta que venha alguém e diga que aquilo que achamos tão feio, tão baixo, mesquinho não é assim tãããooo feio, baixo. É importante também encontrar ou se sentir entre iguais. Interessante, pois teoricamente e cristãmente todos somos iguais, então por que não percebemos os outros assim? Precisamos de reforços, demonstrações, quase uma parada musical a la WalkÃrias para ir longe sem sair do mesmo lugar.  É preciso que alguém nos diga o que está lá mas não enxergamos.  Assim funcionam os carismáticos, os lÃderes, os ditadores e as massas (nós).  Claro que as situações comuns, do dia-a-dia, não são extremas em sua maioria como mostra o filme ou como a história humana já testemunhou, mas o caminho é sempre o mesmo.
O esprit de corps é fortÃssimo, os que não fazem parte são segregados, agredidos, uma miragem cega a todos, e o despertar exige muito ranger de dentes. O espectador acompanha o processo, o caminho para o desastre passo a passo, sabe que a coisa não vai dar certo.  Vê gente informada, inteligente, jovem sendo arrastada irremediavelmente para o cataclismo. E percebe - oooh, dureza! - que poderia ser qualquer um de nós, que nós poderÃamos ser personagem de algo bem parecido. Como não ser também um cordeiro a ser imolado?
Vale refletir sobre nossas vidas, nossas opiniões, nossas ações. Será que não estamos mais próximos daquilo que está no filme do que imaginamos?
O final do filme é dramático, muito interessante, didático, tocante. Dá pena das personagens, pena de nós.
Tanto o ator que faz o professor - Jürgen Vogel, quanto vários atores jovens que fazem os alunos, sobretudo Frederich Klau, estão excelentes.
Será que a gente aprende um dia?


