Escrever para viver!

Tudo que der na telha e que eu achar que vale a pena

30

de
março

Assim não dá…

Dois filmes-cabeça na mesma semana, em intervalo tão curto, eu não aguento.  Primeiro Cópia Fiel (http://mskeller.blog.terra.com.br/2011/03/27/por-falta-de-um-foram-dois/), no domingo, e, hoje, Feliz que minha mãe está viva (http://www.imdb.com/title/tt1406161/combined).  Na verdade Je suis heureux que ma mère soit vivante nem é tão cabeça assim, mas como vai fundo nas contradições, mágoas, dores de um menino um tanto maltratado pela vida, tem uma hora que dá um certo nó no espectador.

Primeiramente, as sequências sem cortes definidos. Passa-se da adolescência à infância, da idade adulta à infância, da adolescência à infância sem muito aviso. Nas primeiras idas e vindas a gente tem de prestar atenção e se pergunta: mas é ele mesmo? É outra história?  A sutileza do vaivém ajuda a criar uma sensação de desatino, de: hein?, do que se passa com a personagem principal na verdade: confusão.

Os atores-mirins são ótimos (Gabin Lefebvre, e.g.) e gracinhas. O menino Thomas aos 12 (Maxime Renard) já tem um olhar duro, gelado, uma tez pálida (tipo vampiro), tudo coroado com Vincent Rottiers, o Thomas adulto.

Difícil seguir os avanços e tropeços do jovem Thomas. Ele e o irmão são adotados, por opção da mãe.  E nunca mais ela o procura. A dor transforma-se em revolta contra os pais adotivos, mascarando apenas a dor maior do abandono pela mãe biológica, por opção dela, mas não real necessidade.  O irmão (Patrick) leva bem o assunto, mas para Thomas a coisa fica difícil, torturante.  Ele avança na relação com a mãe até um clímax inesperado, mesmo considerando os sentimentos fortes e contraditórios do rapaz.

É um filme bem inquietante para dizer o mínimo. As atuações são muito boas.  A gente vê também um pouco da estrutura social, legal, educacional da França (Paris). E dá uma angústia ver a distância a que estamos de tudo aquilo. Enfim, não é filme sessão da tarde; só veja se estiver in the mood para pensar, contrair-se,  surpreender-se, nem sempre positivamente.

Fui ver o filme no Unibanco da Augusta (hoje é dia de entrada com desconto). Foi na sala 1: grande, terrível de inclinação, i.e., se estiver cheia, dependendo de quem sentar a sua frente perde-se muito da tela.  Mas só hoje notei como as cadeiras estão ruças.  Além disso, os funcionários também não são dos mais corteses e de boa vontade.  Aquilo não é de banco?  Não é de cunho cultural, para bater no peito e dizer: nós nos incomodamos com a cultura dos cidadãos?  Então por que não vão mexendo nas salas aos poucos para revitalizá-las, nos banheiros - sofríveis,  e não dão um treinamento para os funcionários emburrados?  Dinheiro não falta, o cinema seguramente dá lucro, então…

Bom, até o final da semana só coisinha água com açúcar senão não dá.

Nota: vejam esta matéria na Veja sobre o assunto. Ajuda a entender o filme: http://vejasp.abril.com.br/cinema/feliz-que-minha-mae-esteja-viva

27

de
março

Restaurant Week - Relatório do front - I

E começou a Restaurant Week! Desta vez vai de 21/3 a 3/4.  Minha lógica agora é a seguinte: voltar com bons preços a lugares de que gosto de fato e conhecer outros com o mínimo de investimento (em alguns casos, mínimo de prejuízo).

Além do Casinha de Monet (http://mskeller.blog.terra.com.br/2011/03/23/onus-e-bonus/), fui a estes restaurantes durante a semana passada:

1) Vinheria Percussi: dos meus preferidos!

(http://www.restaurantweek.com.br/default.asp?id=24#[ajax]rest.asp?Cod=585&;pagina=1)

Já fui várias vezes à Percussi. Sempre, sempre, sempre: excelente atendimento, comida gostosa, ambiente simpático. Fora das promoções (RWeek, WeGo!), o preço sempre foi alto, e continua seguindo a tendência do momento na cidade: “enfia a faca no cliente”. Mesmo assim, um dos melhores custo x benefício considerando os preços praticados por aqui. A reserva por telefone foi muito tranquila.  Fui jantar na 5a. passada e pedi: taça de vinho, terrina di caprino in agridolce, straccotto con polenta, panna cotta al gianduia , café, água. Com serviço e estacionamento = R$ 77.  Acho que uns 30% menos do que se fosse em tempos fora de promoção. Eu voltaria sempre.

2) Duí (segunda visita: http://mskeller.blog.terra.com.br/2011/01/29/longa-vida-aos-clubes-de-desconto/)

(http://www.restaurantweek.com.br/default.asp?id=24#[ajax]rest.asp?Cod=1242&;pagina=1)

Lugar bonito, com ótimo atendimento. Nesta casa não estavam fazendo reserva. Sendo assim, cheguei quase na abertura (12h15) e não tive problema para conseguir uma mesa. A casa já estava bem cheia, com poucas mesas disponíveis. Desde a recepção até o final dos serviços foi tudo muito gentil, competente.  Fiquei contente em ver a casa bombando. Vida longa ao Dui.

Lá comi um creme de beterraba frio (ótimo! vou tentar fazer em casa), fraldinha grelhada com risoto de abóbora e favas, tartare de manga com manjericão e espuma de côco. Teve água e cafézinho. Com serviço: R$ 41/pessoa.  Outro lugar para voltar.

3) Ça Va

(http://www.restaurantweek.com.br/default.asp?id=41#[ajax]rest.asp?Cod=259&;pagina=1)

O mais fraco de todos no cardápio, atendimento, conforto da casa.

Havia feito reserva para 20h30. Acabei chegando  bem antes (20h). A casa ainda não estava lotada. Entrei e ninguém para vir me atender. E olha que o lugar é bem pequeno.  Tive de me dirigir a um garçom e uma moça e perguntar quem estava cuidando das reservas.  Colocaram-me em uma mesa colada ao balcão onde ficava o caixa, telefone, etc.  Um horror!  Tive de pedir para afastar um pouco a mesa do balcão, pois estava incomodando bastante.  A casa foi enchendo e por volta de 21h30 já havia espera. O problema é que se o restaurante tem lugar para 40, puseram mesas para 50. Tive de pedir para uma pessoa levantar-se para eu conseguir ir ao banheiro. Não havia como cirular. Na volta, outro incômodo para a mesma pessoa. Um absurdo!  Se não cabe, não cabe, e ponto.

Pedi um vinho branco (um italiano, pinot grigio fraquinho), couvert para esperar meu acompanhante, minicrêpe de palmito com finas ervas, legumes, acompanhado de folhas verdes, fricassée de frango (isso eu como em casa e o meu é mais gostoso, garanto!), dame banche (enformado de sorvete com frutas vermelhas e calda). Com café, água =R$ 77. Mas pasmem, cobraram duas taças de vinho em vez de uma e o sistema de cobrança é terrível: juntam a comanda em uma tira de máquina de calcular! Como assim? Por que não dão uma comanda/conta com descrição do prato/bebida e valor?  Desconfiei do erro pelo total além do esperado, mas para descobrir o que era foi difícil até para o representante da casa. Outro problema: quando o restaurante enche, fica barulhento demais.

Lá não volto, não.

4) Le Petit Trou

(http://www.restaurantweek.com.br/default.asp?id=41#[ajax]rest.asp?Cod=888&;pagina=1)

Outro a que já fui várias vezes. Desde sua inauguração, aliás. Um lugar bacana, pequenino, aconchegante, com bom atendimento e comida gostosa. E a sidra? Esse foi um dos atrativos iniciais da casa. Desenvolveram uma sidra própria e têm a importada também. A deles é muito boa, em minha opinião. Nunca pensei que gostaria de tomar sidra (não me lembro nem de tomar em casa, quando criança), mas a deles tomo com prazer.

Desta vez um problema com a reserva. A funcionária que me atendeu ao telefone disse-me que a casa abria às 12h30 no sábado para almoço. Marquei 12h30, sábado. Chego, tudo escuro, porta fechada.  Já eram 12h35. Um funcionário da cozinha me diz que a casa abre às 13h. Cadê o gerente disto aqui?

Aparece uma moça, que eu lembrava da outra edição da Restaurant Week.Explico o que houve, e dou a bronca. Como uma funcionária atende ao telefone e dá uma informação tão errada? Já ia marchando para outro lugar, mas a gerente insistiu que eu ficasse, entrasse, etc. Resolvi ficar, mas do lado de fora. Disse que esperaria abrir.  Umas 12h45 volta a funcionária e insiste para que eu entre, pois o restaurante já estava pronto para funcionar. Entrei, fui muito bem atendida por um garçom (mesmo antes do horário normal de abertura).  Pedi: duo de sopas frias, ravióli de ricota com molho provençal, musse de chocolate, além da sidra, claaaroo. Com café, serviço, água, couvert = R$ 99 (esclareço que comprei a garrafa de sidra - bebi uns dois copinhos pequenos, ou seja, ainda havia 3/4 da bebida na garrafa - e a levei para casa).

Agora o máximo foi aparecer uma sócia do restaurante por causa do problema ocorrido. Ela se deslocou de onde estava para ver o que havia ocorrido e se desculpar. Felizmente, a gerente da casa resolveu muito bem a questão. O meu problema estava solucionado. Eles continuavam com um, lamentavelmente (corrigir a rota do atendimento ao telefone).

Continuo gostando e recomendando o restaurante. Os pratos são ótimos, o local é superagradável, e há alguma dúvida sobre a qualidade do atendimento?

5) Antonietta

(http://www.restaurantweek.com.br/default.asp?id=41#[ajax]rest.asp?Cod=1193&;pagina=1)

Depois do teatro no sábado, fui com amigas ali pela rua Maranhão, onde há alguns restaurantes participando da RWeek. O 388 estava lotadíssimo. Optamos então pelo Antonietta.  Casa simpática, não estava cheia, atendimento atencioso, mas precisa melhorar muito.  Falta treinamento, traquejo mesmo.

Pedi: salada verde (folhas verdes, azeite de oliva, limão, pimenta do reino, sal com ervas e queijo parmesão), gnocchi de abóbora aos molhos de tomate e de creme de leite com camarão, pudim de pão.  Com vinho, serviço = R$ 71,50.

Um local que pode valer uma segunda visita.

E vamos ver o que esta semana me reserva. Depois conto.

27

de
março

Por falta de um, foram dois

Hoje foi dia de mais um Ciné Club Aliança Francesa no Reserva Cultural (http://www.reservacultural.com.br/). Esse evento acontece quase todos os meses, no último domingo do mês, há quase dois anos (http://mskeller.blog.terra.com.br/2010/10/24/o-reserva-e-um-dos-meus-queridinhos-mesmo/).  É uma delícia: filme, mais café, suco, croissant, pain chocolat a R$ 5,00, pela manhã de domingo, com o burburinho de gente interessada no cinema francês, sobretudo. Um programinha bem legal.

Na maioria das vezes, o filme é excelente. Umas poucas decepciona. Hoje, o filme estava na primeira categoria: Délice Paloma (http://www.imdb.com/title/tt0825247/), filme algeriano (graças à programação da Aliança, principalmente, pode-se conhecer alguma coisa da produção das ex-colônias francesas, ou cineastasimigrantes que veem o mundo e a França de forma muito original).  A atriz principal, uma mulher já de seus 60 anos, Biyouna, parece mesmo saída de um filme de Almodóvar, como disse na preleção a representante da Aliança.

Poderia ser um filme russo, chinês, brasileiro: pessoas que ganham a vida, e muito bem, facilitando a vida dos outros, rompendo com muitos cifrões a burocracia criada propositadamente (só pode: criar dificuldades para vender facilidades).  Uma mulher madura, que criou seu filho, mantém a irmã, e alguns agregados, vivendo muito bem, ou seja, melhor que a grande maioria dos algerianos e que se diz: bienfaitrice du monde.

Um castelo de cartas, na verdade, pois qualquer escorregão e lá se vai uma vida pelo ralo.  Aldjeria (Biyouna) tem uma relação boa mas complexa com o filho, que teima em procurar o pai que não conheceu. Ela também tem um sonho: reabrir e gerir umas termas, em sua cidade natal, em que sua mãe trabalhava. Sonho de criança, obsessão de adulto.  Apesar dos ups and downs, Aldjeria, ou Zineb, sobrevive. Mulher forte que, mesmo diante do cenário de destruição que lhe sobrou, seguramente conseguirá colocar de novo a roda para girar.

O filme tem música bonita, fotografia nem tanto (tudo se passa em Alger e vilas do país, tudo muito precário, sujo, caótico).  O guarda-roupa é bacana.  Mostra-se também como os com dinheiro têm acesso a tudo, mesmo num país com tantas restrições morais e sociais, i.e.: roupas caras, grifes, cigarro, muita bebida, etc.

Sem dúvida um filme interessantíssimo, que vale pela grande performance de Biyouna.

E depois do almoço…volta ao Reserva. Desta vez para ver mais um diretor “agregado”: Kiarostami e seu Cópia Fiel (http://www.imdb.pt/title/tt1020773/ - Copie Conforme).  Tem Binoche, que está muito bem, e William Shimell, idem.  Aliás o filme é basicamente com os dois, o resto é figuração mesmo.

Filme complicado pra danar. Leeeentooo.  Trata de relações humanas: nada é original, tudo é cópia fiel.  Muito do que se vê no filme está em Pterodátilos (http://mskeller.blog.terra.com.br/2011/03/27/todos-somos-sos/) de certa forma..

Vou contar a história como a vi, já que o diretor (Kiarostami) diz que “ cada um deve interpretar a obra como quiser”.  Um autor é convidado a falar sobre seu livro na Itália, onde vivem Binoche e seu filho.  Ela marca um encontro com o autor e a partir daí a coisa fica bem “etérea”.  Tudo leva a crer que entram num jogo, quando passam por um “portal” - uma pequena cidade que vão visitar, e se transformam num casal de relações desgastadas. Combatem, acusam-se, amam e desamam, odeiam-se, reconhecem-se estranhos, mais ou menos como a grande maioria dos casais que estão pelo planeta (alguns rompem o contrato, outros arrastam o assunto pelo resto da vida por comodidade, por medo ou fraqueza).  Então, Elle (Binoche) e James Miller são a cópia fiel.

Se Kiarostami deixa que eu interprete de meu jeito…são um casal de verdade.  Lá atrás se cruzaram, lá atrás se amaram, mas a vida não foi feita para que os dois a levassem juntos. Interesses pessoais, cada um para seu lado, um acordo. E um dia o reencontro de duas pessoas que combatem, acusam-se, amam e desamam, odeiam-se, reconhecem-se estranhos, mais ou menos como a grande maioria dos casais que estão pelo planeta  Eles são o original, e não a cópia fiel.

Li várias críticas sobre o filme e me dá a impressão que, de fato, ninguém sabe muito bem o que pretende o diretor. O visível é o que está acima, e a montanha-russa criada pelos diálogos está impregnada de símbolos que podem ser ou não o que se imagina.  Tão simples quanto!

Adendo (28/3) - um amigo lembrou bem das várias cenas de casamentos, festas, noivos e noivas travestidos para o grande dia. Mais uma cópia fiel de algum original, ad infinitum.

27

de
março

Todos somos sós

Ontem fui ver Pterodátilos no teatro FAAP (http://www.faap.br/teatro/index.htm).  A peça, encenada por Marco Nanini (ótimo), Mariana Lima (excelente), Álamo Facó e Felipe Abib (http://www.pterodatilos.com.br/) trata da vida conturbada (será?) de uma família.

Estranhos convivendo sob o mesmo teto. O pai que trabalha muito para manter o padrão da família e quando perde o emprego vira quase um zumbi. A mãe perua e infeliz, ninfomaníaca, que detesta a fllha. O filho que some e volta aidético para casa. A filha que, depois de muito bullying com certeza, arruma um noivo e pretende se casar em tempo recorde. E o noivo…Nossa, muita informação?  Pois é, mas seguramente no palco não mais que o reflexo de muitas relações familiares, de muitos amores e desamores, de ódio contido, de muita fachada mantida com grandes perdas que as pessoas insistem em não ver.  Há momentos em que os diálogos parecem aqueles de surdo-mudo: um diz A, o outro entende B, e responde C, e por aí vai. Tudo sob a aura do compromisso com o que é definido pelo grupo, pelo social, pelas regras da boa convivência, i.e., pelos outros na verdade. Resumindo: uma família bem normalzinha…E como sabiamente dizia minha mãe: nascemos, vivemos e morremos sós, mas isso não é uma herança maldita, absolutamente, essa solidão é tão somente a fidelidade a nós mesmos que devemos manter pela vida afora, até para poder viver bem consigo e com os outros.

O cenário é interessante. Apenas 3 sofás/poltronas, sobre uma plataforma que se move. Um painel metálico de fundo.  Tudo serve à construção da trama, até mesmo a destruição do cenário. Música minimalista, iluminação bacana. Guarda-roupa interessante.

Um texto denso, com o qual se pode dar boas risadas, até mais do que em textos pretensamente còmicos (http://mskeller.blog.terra.com.br/2011/02/28/depois-da-tempestade/). O timing, a quebra do superdramático com tiradas certeiras faz a gente rir bem gostoso em alguns momentos, mesmo o tema sendo tão contundente.

E os pterodátilos? Bom, só vendo a peça para entender. Recomendo!

Antes da peça, aproveitei e vi a exposição Expressionismo (http://www.faap.br/hotsites/hotsite_marcas_expressionismo/) no museu Faap.  As exposições ali, apesar do pouco espaço, são sempre muito bem montadas e satisfazem o visitante. Esta está linda: revi obras de Flávio de Carvalho (http://mskeller.blog.terra.com.br/2010/05/20/para-que-a-humanidade-progrida-e-preciso-que-o-homem-mude/), que vi no MAM no ano passado, além de Kühn, Goeldi, Malfati.  Lindamente montada, aproveitei a tranquilidade (poucos visitantes), e pedi a uma monitora que me desse uma guiada.  Foi excelente! Depois um segundo recorrido mais detalhado. Gratuita, e vale muito ver.

Aí fui retirar as entradas na bilheteria do teatro. A Faap é um dos poucos lugares em que se pode comprar o ingresso por telefone diretamente, retirar um tempo antes da peça e não pagar taxa.

O teatro estava quase lotado. Um senhor comprando, depois uma senhora na minha frente. Ela queria 4 ingressos e não precisava ser juntos.  O teatro é bem ruim, há visão prejudicada devido à pouca inclinação da plateia, além de a passagem ser super apertada entre as fileiras.  Tentei ajudar a senhora a comprar, mas as opções eram ruins mesmo. Ela acabou perdendo a paciência e desistiu da compra. Pena, porque ela disse que mora fora do país e não teria talvez oportunidade de ver a peça. Mas bem antes disso, quando essa senhora alcançou a janela da bilheteria, chegou uma outra mulher, de uns 50 anos e, sem pedir licença, dirigiu-se ao bilheteiro em voz alta dizendo que estava tentando o telefone mas estava sempre ocupado, que morava perto então tinha ido lá para tentar comprar. Enquanto a outra senhora tentava ver os melhores assentos, essa criatura ficava dizendo ao bilheteiro, por cima de meu ombro - eu estava na frente dela, para ele dar duas entradas para ela, que estava demorando muito, ia perder os lugares (há venda pela internet também), e quase lançou o cartão de crédito para o rapaz da bilheteria. A senhora que estava na minha frente chamou sua atenção: a senhora não pode fazer isso. Há uma fila. A senhora espere. Por que não pensou no assunto antes? Esta senhora (eu) está na sua frente, etc.  A outra não se dava por achada.  Quando a senhora que estava a minha frente desistiu, ela disse à doidivanas: você precisa aprender a ser mais civilizada. Você é muito chata (tudo isso sem gritar, sem alterar o tom de voz, sem piscar).

Bem, peguei meus ingressos (podia ter dado a vez para aquela louca, afinal meus ingressos já estavam garantidos, mas não o fiz pelo desrespeito) e afastei-me. Enquanto verificava os ingressos e arrumava na minha bolsa, ouvi a tal hiperativa dizer ao bilheteiro: nossa, como aquela mulher demorou. Ela não sabe o que quer. Um tempão e a gente esperando…e por aí foi.

Pois é, não adianta ver mil peças, ler mil livros, ver mil filmes, ter mil diplomas, tem seres que nunca chegarão a atingir a civilidade, que é o que basicamente diferencia irracionais de racionais.  Um horror!

26

de
março

Será que somos assim?

De certa maneira, sim.

Não me abandone jamais (http://www.imdb.com/title/tt1334260/) é um filme diferente, denso, inquietante. O enredo parece mais coisa de ficção científica, alta conspiração, ou coisa que o valha. O rocambolesco da história não diminui atuações e profundidade do tema: pessoas que têm sua vida determinada por outros. Verdadeiras armadilhas vitalícias, ou melhor, labirintos vitalícios para os quais não há saída possível. Tenta-se viver bem, com o que se tem, do jeito que é possível.

O filme baseia-se no livro Nascidos para Morrer de Kazuo Ishiguro.  Trata de um grupo de crianças geradas para servir como doadoras de órgãos e nada mais. Ou seja, elas só viviam ou viveriam enquanto pudessem doar órgãos. Uma, duas, três doações e quase todos morriam, até porque não havia interesse em mantê-los vivos. As crianças foram geradas a partir de párias: bêbados, prostitutas, drogados, criminosos, e por aí vai.  Ou seja, lixo humano.

As crianças crescem, tornam-se adolescentes e adultos, sabendo de sua finalidade ou fim.  A relação entre a maioria é rasa, mas alguns envolvem-se mais, casais formam-se e surge uma pequena fagulha de inquietação, de descontentamento, ou de rebelação, mas nada vai muito adiante.

O trio principal, composto pelos ótimos Carey Mulligan (An Education - http://mskeller.blog.terra.com.br/2010/02/20/parece-que-foi-ontem/), Andrew Garfield (Rede Social) e Keira Knightley (Pride and Prejudice, A Duquesa - http://mskeller.blog.terra.com.br/2008/12/27/para-desanuviar-o-final-de-semana/), vive uma relação conturbada: ciúmes, competição, amor, desamor, distanciamento, reaproximação, até que sobra quase nada. Comovente.

Charlotte Rampling também está maravilhosa.

Como escrevi, apesar do enredo um tanto fantasioso (vai saber…), o filme remete a um olhar mais detido sobre nós e os outros.  Quantas vezes não nos enredamos inconscientemente em situações das quais não nos desvinculamos jamais? Ou por falta de vontade, ou por falta de coragem, ou por falta de percebê-la mesmo.  E quantas vezes outros não provocam isso, e pela mesma inanição arrastamos os grilhões pelo resto da vida, com um conformismo absurdo?

Um amigo comentou que o filme fê-lo lembrar de Orwell, 1984: solidão, conformismo, dominação, imobilismo.  Possível. Acho que tenho de reler Orwell.

24

de
março

Ver ≠ Enxergar


Finalmente fui ver Rango (http://www.imdb.com/title/tt1192628/). Finalmente, porque está em poucas salas, a versão legendada parece que sumiu ou está em horários bissextos.  Queria muito ver, pois sou fã do Johnny Depp até em desenho animado, mas acabei ficando com a versão dublada mesmo. Nada mal, mas óbvio que não é a mesma coisa.

De qualquer jeito, o desenho é bem bacana, a trilha sonora é ótima (tem desde Kill Bill, até Guerra nas Estrelas, além de música feita para a animação).  As personagens também são bem diferentes do usual, tanto que havia duas senhoras com uma menininha na sala (Kinoplex do V. Olímpia) que saíram aos 10 minutos do filme. A menina não aguentou, tadinha. Muito bicho feio, gosmento, etc. Realmente não é de jeito nenhum produção para crianças, a não ser para aquelas encapetadas.

De novo o tema da água, como em Animais Unidos (http://mskeller.blog.terra.com.br/2011/03/21/de-volta-a-ativa/).  Junta isso, com o tsunami que deixou japoneses com desabastecimento de água por alguns dias, e dá uma seeedeee.  De novo, também, os malvados somos nós. Aliás, nós, não, cara-pálida! Vocês, humanos!  Mas fica claro que sempre há os traidores da espécie.  No caso, um político-tartaruga, o prefeito da cidade de Poeira. Surpresaaaa!!!

Rango é muito simpático, apesar de lagarto (apesar, porque afinal quem gosta mesmo de um lagarto como bichinho de estimação?).  Sua transformação em herói do faroeste também é bacana. A ambientação, os detalhes, tudo que remete a um bom bang-bang está lá.

Quanto aos dubladores nacionais (não achei o nome em nenhum lugar, as usual), fizeram seu trabalho direitinho.

Neste link e no que postei acima, vocês poderão ver/ouvir um pouco da produção original. Agora é esperar que o dvd chegue por aqui:http://www1.folha.uol.com.br/multimidia/videocasts/865029-veja-johnny-depp-fazendo-dublagem-de-rango-animacao-estreia-em-abril.shtml. É interessante ver como o diretor construiu a animação.

Ah, e vi o filme no Vila Olímpia, como mencionei.  Só 4 espectadores: as duas senhoras, a menininha e eu.  Como tinha pouca gente, não tinha nem funcionário na porta para controlar a entrada na sala (acho que foi isso, ou o pessoal estava beeem distraído). Então fizemos tudo sózinhos: a gente passa o código de barra numa maquininha e pronto.  Aliás, deveria ser assim em todo lugar, desde que devidamente organizado.

E hoje foi dia de ir ao Centru Cultural Banco do Brasil para uma atividade diferente: visita sensorial. Hein?  Pois é, depois de vários jantares no escuro (http://mskeller.blog.terra.com.br/2010/09/17/babette-passou-pelo-aji/), ainda não tinha matado a vontade de entender o escuro. E ainda não entendi…

Esta visita é oferecida a deficientes ou não (eu, no caso).  Segundo o monitor que me atendeu (Breno, uma graça de menino), mais pessoas sem deficiência fazem a visita do que deficientes visuais.  Além disso, hoje só eu fiz a visita - o que foi um privilégio, mas há grupos maiores de uma vez, e o monitor disse que dá muito certo.  Interessante, no mínimo. É às quintas e domingos, às 13h, e é gratuita. Basta apresentar-se alguns minutos antes na bilheteria e avisar que está ali para a visita sensorial.

Vejam bem, eu vou bastante ao Centro Cultural para ver as exposições dali. A última foi Islã (http://mskeller.blog.terra.com.br/2011/02/12/comecando-pelo-film/), há pouco e que continua em cartaz. Além disso, também tem o teatro (http://mskeller.blog.terra.com.br/2011/03/06/confetes-e-serpentinas/). Ou seja, estou bem acostumada, em geral sou atenta, gosto de apreciar coisas bonitas e bem feitas, mas - surpresa!!! - quanta coisa vejo e não enxergo.

O visitante é vendado no térreo, no início da visita. Fica totalmente dependente do monitor. Ele mostra ou descreve e faz tocar várias partes da estrutura (arquitetura) do prédio - portas, colunas, paredes.  Não precisou de cinco minutos e eu já havia perdido a referência. Depois de circular pelo térreo, tocando e ouvindo explicações que tentam dar a quem não enxerga uma noção do que há ali, além dos sons (fonte, pessoas falando, passando) fomos de elevador para o segundo andar. A foto aqui de cima sou eu, vendada, tocando as grades (tem mais algumas fotos aqui: https://picasaweb.google.com/miriamkeller/CCBB032011?feat=directlink).  Depois vamos para o mezanino: cheiros de especiarias árabes, e algumas nossas também.  Jogo de adivinha, bem divertido.

O monitor tem de ter paciência, ser tranquilo, e passar confiança.  Para os que já não enxergam, talvez a supervisão possa ser mais branda, mas para aqueles como eu o monitor acaba se desgastando mais, acho.

O único senão é que o visitante não pode tocar as obras. O CCBB prepara cuidadosamente uma série de estruturas, texturas, textos em braile, desenhos idem, para tentar dar ao visitante uma ideia do que está por ali, mas tocar algumas obras seria fantástico. Segundo o monitor, há exposições em que é possível fazer isso, mas na do Islã, não. Dá para entender: as obras são valiosíssimas, vieram em caráter inédito para cá, não são para isso, etc., etc. De qualquer maneira, foram 50 minutos de descobertas. Como escrevi, deu para ter noção de quanto vejo e não enxergo, mesmo me achando bem atenta. Muito bacana!

Neste link, a programação do CCBB. Sempre iniciativas ótimas: http://www.bb.com.br/portalbb/home22,128,10161,0,0,1,1.bb?&codigoMenu=9897.

E obrigada ao Breno, que me atendeu tão bem.

23

de
março

Ônus e bônus

Depois de ficar irada com o atendimento da clínica oftalmológica em que fiz minha cirurgia de catarata ( o atendimento é ruim desde o telefone - marcação de consulta, continua com o pessoal de balcão/recepção, e até o técnico, fora o cirurgião, que também fez algo de que não gostei absolutamente, é displicente), um refresco: voltar ao Casinha de Monet ()http://mskeller.blog.terra.com.br/2010/12/12/era-um-sabado-como-outro-qualquer/).

Começou a Restaurant Week (http://www.restaurantweek.com.br/default.asp?id=24&CIDADE=23&cozinha=0&edicaon=24&BAIRROS=0), um amigo ainda não conhecia o restaurante (http://www.casinhademonet.com.br/#/pt - o site está muito bacana), então vamos lá. Escolhemos a brandade de bacalhau, confit de pato ao mel e especiarias e pêra ao zambaione (divina!).  Também provamos o vinho em taça (Sauvignon Blanc, El Descanso), que estava bastante bom.  Atendimento muito cortês, e comida ótima. O lugar também é muito agradável. R$ 54/pessoa, incluindo vinho, água, café, serviço.  Nada é barato em SP, mas o custo x benefício no Casinha é sempre muito bom.

Depois, pernas para que te quero? Primeiramente, a Casa Modernista (http://www.museudacidade.sp.gov.br/casamodernista.php), que foi construída em 1928 e reformada em 1935, quando várias características foram alteradas. Mesmo estando ali na Rua Santa Cruz, ainda há silêncio pelos jardins, ouvem-se os pássaros, as árvores são maravilhosas, mas quanta displicência com o patrimônio histórico. A casa é cuidada (aliás, DEScuidada) pelo patrimõnio histórico municipal. Um espaço fantástico, em que se faziam saraus antigamente, usado para nada. Visitar a casa é um prazer, mas não há uma exposição, uma mostra, o espaço não é utilizado para atividades culturais.E os jardins? Pobres jardins! Não há grama em lugar nenhum, só terra meio barrenta por todo o terreno, forrada de folhas secas que caem das árvores.  Uma coisa triste demais!  Um espaço desses, com essa localização, em qualquer lugar civilizado que respeite sua história estaria borbulhando. Hoje, às 15h30, meu amigo, eu, e um casal que chegou depois. Dois monitores para atender visitantes.  É brinca?

Depois para o Museu Lasar Segall (http://www.museusegall.org.br/index.asp), ali pertinho. Em frente: casas modernistas que, aparentemente, estão sendo ameaçadas pela construção de um prédio nos fundos.  Se for isso mesmo, mais um descuido da municipalidade quanto ao patrimônio histórico.

O museu, construído pelo mesmo Gregori Warchavchik que construiu a casa modernista (concunhado de Oscar Klabin Segall), está em melhores condições. É órgão federal, tem uma associação de amigos, é centro de estudos (biblioteca, cursos, ateliê), tem um pequeno café, e leva exposições temporárias.  O acervo de obras do próprio Segall é grande. Muito interessante ver também as realizações de Jenny Klabin Segall, viúva do artista, que idealizou o museu.  Imaginem que várias obras que li durante os tempos de colégio e faculdade foram traduzidos por ela. Uma mulher muito ativa e determinada, sem dúvida. Seus filhos atenderam os desejos de Jenny após sua morte. E fêz-se o museu.  Jardins agradáveis, várias esculturas de Segall por ali, várias obras sobre o artista à venda.  Um lugar bastante bem organizado, bem mantido, que cumpre seu papel cultural com sua extensa biblioteca, exposições, cinema e cursos.

E last, but not least: Leonilson (http://itaucultural.org.br/leonilson/index.cfm/f/exposicao) no Itaú Cultural (http://itaucultural.org.br/index.cfm?cd_pagina=2688), ali na Paulista.

Leonilson é aquele tipo de artista que não entenderei jamais, mas de quem gosto, com quem me divirto. Muito de sua obra parece-me angustiada, doída. Mas aí vêm as cores, os materiais inusitados, os bordados, e não há como não sorrir e se encantar. Como tantos de sua geração e opção sexual morreu cedo (aos 36 anos).  Outros tempos.  Fez Panamericana, FAAP, e foi espalhar sua arte pelo mundo. Viajou e expôs bastante. Foi muito produtivo.

A montagem da exposição é muito criativa também, valorizando as obras. Vale ver a exposição que ocupa três pisos do prédio.

Essa foi a programação de ontem, mas hoje tem mais.  Depois conto.

21

de
março

De volta à ativa

Depois de um passeio de alguns dias em Foz do Iguaçu (http://muitaguavairolar.blogspot.com/), back to reality. Comecei a colocar empreitadas cinéfilas e teatrais em dia.

Primeiramente fui ver Animais unidos jamais serão vencidos (http://www.imdb.com/title/tt1620449/), uma animação alemã. Normalmente, sempre que possível, prefiro ver o original de animações (inglês/francês), embora as dublagens tenham melhorado muito nos últimos tempos. No entanto, neste caso, como o original é em alemão, fui de dublagem mesmo - não vi anúncio de cópia legendada e também não sei se gostaria muito de ver a versão em alemão.  Neste caso específico, achei a dublagem bem fraquinha. Uma pena!

O filme é bem diferente de similares americanos, da mesma forma que os franceses também o são (http://mskeller.blog.terra.com.br/2011/02/18/magicians-do-not-exist-sera/). Eu diria que o tema é abordado de um jeito bem naive, com falta de refinamento em alguns aspectos.

Trata-se da união de animais de várias partes do mundo para combater a seca provocada por …supense… O homem é o grande vilão, obviamente e, neste ponto, o filme é até desagradável. Apresenta-se o homem como um ser desprezível, cruel, destruidor, etc. Obviamente, há muitas pessoas, governos, organizações assim, mas do jeito que a coisa é colocada parece que não há salvação ou quem valha a pena por aí.  A visão é agressiva demais em minha opinião.

Há, no entanto, aspectos interessantes: a presidente da comunidade, uma elefanta, remete a A. Merkel sem sombra de dúvida. Tem uma girafa meio lentinha, que remete a modelos ou peruas (em português: Gisele!).  Há uma menina que não parece menina. Toque moderno talvez? Uma coisa meio andrógina?  No mais, um leão bonachão demais, um galo francês metido e pouco simpático e pouco crível devido à dublagem titubeante, rinocerontes e búfalos que só reiteram a ideia de que são bichos grandes com pouco cérebro, e por aí vai.  Como os grupos de animais são de várias partes do mundo, fica bem complicado (é uma animação para crianças, lembrem-se) acompanhar a caminhada de cada grupo, e a junção de uns e outros é um tanto forçada.

A trilha musical é simpatiquinha, mas está longe de muitas que ouvi recentemente em outras animações. O fato de ser em 3D aliviou o peso da produção.

Depois foi a vez de ver Mais Respeito que sou tua Mãe! (http://www.teatroprocopioferreira.com.br/em_cartaz_maisrespeitoquesoutuamae.html), no teatro Procópio Ferreira. Texto de autor argentino (Hernán Casciari), adaptado e dirigido por Miguel Falabella. Bom, desde o fundo musical, até o texto é tudo bem Falabella mesmo.  Claudia Jimenez, que faz uma mãe de família que sobrevive a percalços dos mais diversos com humor, é quem carrega o espetáculo de fato.  Seu timing é bom, mas o texto é bem rasinho, bem déjà vu.  Nem preciso dizer que o teatro estava lotado e que muita gente riu até não mais poder.  De fato, há alguns momentos em que não dá para segurar o riso, mas no geral é aquele humor esperado, sem lances mais criativos, que surpreendam. O histrionismo de Cláudia Jimenez é que acaba dando conta do recado.

Obviamente há autores argentinos de ótima qualidade. O que me vem à memória é Não sou feliz, mas tenho marido (http://mskeller.blog.terra.com.br/2009/05/19/um-pouco-de-tudoo-retorno/), texto de Viviana Gómez Thorpe, interpretado no teatro por Zezé Polessa. Gostei tanto da peça, diverti-me tanto que acabei comprando o livro e me diverti mais ainda.  No caso de Casciari, não saberia dizer se o texto é bom de fato, pois a montagem teatral não deixa entrever a real qualidade do texto.

Outro ponto é o teatro propriamente. O Procópio Ferreira precisa urgente de uma reforma.  Cadeiras em estado precário, desconfortáveis, identificação numérica de má qualidade, corredores com carpete sobre o que deveria ser um outro tipo de piso e que pode gerar riscos durante saída/entrada. E isso já acontece há bastante tempo. E os preços que cobram ali não se justificam, considerando o que oferecem estruturalmente.

Uma observação: enquanto aguardava para entrar, percebi o enorme número de pessoas que compram por telefone ou internet e pagam as taxas abusivas dessas empresas de conveniência.  Impressionante como o brasileiro é mão aberta para certas coisas. Ah, sim, e o público dominante era formado por senhoras acima dos 65 anos.

Sinceramente, não recomendo nem o filme, nem a peça. Há, seguramente, coisa melhor por aí.

13

de
março

Quase lá!

Hoje viajo para Foz do Iguaçu.  O Escrever para viver vai repousar comigo.  Maaassss…quem bloga, bloga mesmo…portanto, já tem link para a viagem:  http://muitaguavairolar.blogspot.com/2011/03/de-novo.html

Mas antes de ir um resumo do dia, que foi agitadinho.

Primeiramente, exposições no Instituo Tomie Ohtake (http://www.institutotomieohtake.org.br/programacao/expocartaz/tecartaz.htm).  Quatro excelentes:

(1)  Vik Muniz, muito melhor do que a que vi no MASP (http://mskeller.blog.terra.com.br/2009/05/24/ser-e-ter-eis-a-questao/). Na verdade, não sei se não foi meu olhar que mudou. Acho o artista criativo, surpreendente em alguns momentos, mas nesta exposição me diverti a valer, achei muita graça no inusitado de algumas obras. Além disso, tem de tudo: escultura, foto, bonsai, instalação.  Um artista multifacetado. Uma festa!

(2) Cartazes de bonde produzidos pelo Atelier Mirga: peguei o fim dos tempos de bondes. Na verdade, andei umas duas vezes só aqui em SPaulo, portanto lembro-me vagamente dos cartazes. Nos bondinhos de Santos (http://mskeller.blog.terra.com.br/2011/01/19/adoro-essa-cidade/) ainda é possível vê-los. Criativos, divertidos, realistas. Em que outra peça publicitária se poderia ler: “lombrigueiro efficaz, usado há 66 annos”? E o famoso e decantado: Veja, ilustre passageiro / O belo tipo faceiro / Que o senhor tem ao seu lado…/ E, no entretanto, acredite, / Quasi morreu de bronquite, / Salvou-o o RHUM CREOSOTADO!?

(3) Miragens:fotos, vídeos, pinturas, instalações de artistas contemporâneos do universo cultural islâmico. É uma exposição paralela, igualmente patrocinada pelo Banco do Brasil, à que está no Centro Cultural do Banco do Brasil (http://mskeller.blog.terra.com.br/2011/02/12/comecando-pelo-film/), no centro da cidade. Muito interessante, imagens instigantes, vídeos desconcertantes.

(4) Rótulos de Cachaça: tão divertida e interessante quanto os cartazes de bonde. Quanta cachaça tem por aí! E que criatividade para nomes e rótulos.  Até formulei uma teoria para o nome da 51.  Se forem à exposição (eu não perderia um conjunto tão bom e diversificado, e de graça!), vejam se conseguem chegar a uma conclusão também.

Depois, direto para o Galpão do Folias (http://www.galpaodofolias.com.br/site/category/novidades/). Nunca tinha ido ao espaço que, pelo que entendi, tem sempre montagens primorosas.  O acesso é muito fácil, e o local, apesar de ficar ali pela S. João, perto de um viaduto, é bastante tranquilo, limpo, ajeitado. A peça baseia-se em A Dócil de Dostoievski. Dois atores em cena (Dagoberto Feliz e Patrícia Gifford). O espaço é bem interessante. O espetáculo começa na rua (quem for baixinho como eu perde “visualmente” os primeiros cinco minutos, mas não tem importância. Relaxe e ouça, porque ver, não vai ver, não), e vai entrando aos poucos pelo teatro.  O espectador arruma sua cadeira - a plateia é bem irregular e os atores movimentam-se (e como!) entre as cadeiras, os espectadores, escadas, itens de cenário. O texto é muito bonito, e os dois atores estão ótimos. Música ao vivo, iluminação primorosa. Guarda-roupa minimalista, mas não presisa mais.  O cenário também está imerso na plateia.  Já vi formatos de encenações similares, mas este surpreende em muitos momentos e cumpre seu papel com louvor. Interessante ver os passantes, pedestres, já que muitas vezes a cena é visível da rua, o ator sai e canta. 99% passa dando uma espiada, mas alguns vão e voltam, e se pudessem, entrariam.  No início, quando ainda estamos na calçada, um rapaz que passou perguntou: é espiritismo? Se puder vá ver, vale muito a pena.

E por último: Palhaços (http://vejasp.abril.com.br/teatro/palhacos) que, segundo meu amigo me disse, está em cartaz contínuo há anos, migrando por teatros. Vi no Imprensa - Sala Vitrine. E, pasmem! O Dagoberto Feliz também é uma das duas personagens.  Chegamos quase juntos! A peça é de Timochenco Wehbi (queeeemmmm? Essa foi minha pergunta). Pois é, com esse nome todo era de Presidente Prudente. Aqui uma biografia interessante: http://www.itaucultural.org.br/aplicexternas/enciclopedia_teatro/index.cfm?fuseaction=personalidades_biografia&cd_verbete=853.  A peça foi encenada inicialmente na década de 70.  Palhaço e espectador/fã discutem com profundidade as escolhas que fazemos pela vida, e das quais nos tornamos prisioneiros muitas vezes. Muita risada, timing ótimo para o cômico, atores a poucos metros da plateia, interação total. Danilo Grangheia está ótimo (ele fez outra peça a que assisti / http://mskeller.blog.terra.com.br/2010/11/10/para-que-querer-inventar-a-roda//, mas não o havia reconhecido). Quanto a Dagoberto Feliz, o Flash do teatro paulistano - de um teatro a outro em segundos!-, está fantástico. Nada da personagem que eu vira havia uma hora colou no ator. Transformação impressionante!  Estava para ver essa peça há um tempo, ensaiando, ensaiando, ensaiando. Que bom que pude vê-la finalmente. Compensou plenamente a espera. Ah, e não percam de jeito nenhum!

E agora vou mesmo…até a volta!

nota: texto bacana sobre as duas peças: http://iracenna.blogspot.com/2011/03/docil-palhacos-2x-dago.html?spref=fb

11

de
março

Sem título

Caiu a ficha! Fui ver a ótima exposição de obras de Dionísio Del Santo (concretismo) (http://www.pitoresco.com.br/brasil/delsanto/delsanto.htm) na CEF da Paulista (http://www.caixacultural.com.br/html/main.html) e percebi que o artista (vários), quando não sabe o que dizer, não põe título nenhum na obra. Claro que algumas que não têm título, a gente consegue captar,mas outras…um título ajudaria muito (lembrem-se, eu sou aficionada, leiga, cidadã comum, então uma ajudinha é bem-vinda de vez em quando).  Obras lindas de Del Santo: xilogravuras, serigrafias, óleos sobre tela; a grande maioria bate tão fundo que não precisa de título, explicação, e muitas são “sem título” mesmo.

Escrever um blog é um prazer, um exercício em vários níveis e de várias naturezas. Normalmente, quando penso no post o título vem imediatamente, às vezes tenho de pensar um pouco mais, dá um trabalho.  De agora para diante: Sem Título, e pronto…brinca, não quero, não, é um desafio interessante e muito prazeroso arrumar um  título novo e interessante a cada post.

Voltando: a exposição é linda, as obras intrigantes. Gratuita, ali no Conjunto Nacional. Não deixe de ver. Dê uma sapeada nos links acima.  Ah, e o catálogo da exposição é mais que primoroso!

Depois fui ver Incêndios (http://www.imdb.com/title/tt1255953/), outro indicado ao Oscar e baseado na peça de Wajdi Mouawad. Ensaiei, ensaiei, não deu certo, mas ontem foi o dia.  Maravilha de filme. Dos atores, só conheço Lubna Azabal que fez Exils de 2004, que vi no Reserva durante o ano da França no Brasil (http://mskeller.blog.terra.com.br/2009/07/26/un-autre-dimanche-particulier/). Não gostei do filme, aliás, em minha opinião, foi o mais fraco de toda a série que passou pelo Reserva em comemoração ao ano.

Incendies (http://www.incendies-thefilm.com/#/synopsis) tem o mesmo formato de outros filmes que vi (não me lembro exatamente quais): cada parte ou personagem tem o nome/título destacado, como se fossem capítulos. Apesar do bom desempenho dos atores, o filme funciona diferente de Em um Mundo melhor (http://mskeller.blog.terra.com.br/2011/03/08/socorro/). Neste filme, além da boa história revisitada com com boa direção e enfoque, a atuação dos atores faz diferença. Em Incêndios acho que poderia ser João, Maria ou José, porque a grande coisa é a história, o roteiro. Hipnotizante! A gente não vá intuindo o que vem pela frente, mas mesmo assim tem ineditismo, surpresa em vários momentos, e um apelo interessante.

O filme trata de uma cristã que se envolve na guerra com muçulmanos, passando para o lado do inimigo. Mãe solteira, é considerada vergonha para a família, para o povoado mesmo décadas depois. Lá na frente é capturada e punida. Mas tem muito mais!

O filme é rodado na Jordânia parcialmente, e se fala em Oriente Médio apenas, mas na verdade trata da guerra do Líbano (http://pt.wikipedia.org/wiki/Guerra_do_L%C3%ADbano_de_1982) - acho!: cristãos x muçulmanos/refugiados. Falanges, várias facções, destruição. Depois disso, o Líbano se reconstruiu - até o embate seguinte.  A história é emocionante e demonstra como heróis surgem sem querer, sem saber, apenas porque querem sobreviver, e as circunstâncias transformam-nas em líderes, personalidades notáveis. Na guerra há máquinas de guerra, gente sem nenhuma noção de civilidade, de solidariedade e o contrário também. Interessante também ver como ainda recentemente a visão extremista, extremada, intolerante grassa pela região.  Um thriller, com grandes toques sociopolíticos e antropológicos. Em resumo: um filmaço!

E para terminar: que o terremoto e tsunami deixem o Japão. Há pouco, ouvi que uma usina nuclear sofreu vazamento. Muito triste! E as ondas em Sendai? Que isso pare já e que o país consiga se recuperar o mais rápido possível. O Japão não merece isso.

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