Escrever para viver!

Tudo que der na telha e que eu achar que vale a pena

14

de
fevereiro

Bandidos e mocinhos para ninguém botar defeito

Nossa, fazia algum tempo que não via um filme de far west tão bom! Vários têm aparecido por aí, muito bons aliás: Os Indomáveis, Appaloosa, O Assassinato de Jesse James. Outros não são exatamente filmes de bangue-bangue, mas tratam dos que desbravaram o oeste americano. Gente que deu sangue, suor e lágrimas, além da vida em muitos casos.

Esta refilmagem de True Grit/Bravura Indômita (http://www.imdb.com/title/tt1403865/), pelos irmãos Coens (meus queridinhos: http://mskeller.blog.terra.com.br/2010/11/19/i-am-so-normal/) com produção Spielberg, está demais.  A versão anterior, de 1969, também fez história (http://www.imdb.com/title/tt0065126/).  Francamente, não me lembro de ter visto a produção com John Wayne e olha que eu gostava do gênero. Na minha pré-adolescência e começo da dita eu não perdia filme de bandido e mocinho. Adorava Mickey Rooney, Allan Lad, Randolph Scott, e o próprio John Wayne, além de uma pá de atores e atrizes que fizeram filmes ótimos na linha faroeste.  Depois de um tempo, mudei o foco, e hoje só vejo quando parece que a coisa é muito boa.

Na versão atual, Jeff Bridges está fantástico! Aliás ele é o tipo de ator que melhora com a idade, tipo Travolta, Freeman, Connery, Newman, Hanks, e tantos outros e outras também, claro!  Além dele, Matt Damon  (http://mskeller.blog.terra.com.br/2011/01/10/voltando-a-ativa/) também está ótimo! Agora, bacana é a menina: Hailee Steinfield, que parece ter feito só tv antes.  As personagens, a história são fantásticas. Outdated? Pode ser, mas mesmo assim muito ricas, muito interessantes. Sabe que a gente acaba torcendo pelos mocinhos mesmo, não tem jeito.

A trilha é muito boa e a fotografia, linda.  E estão lá características dos Coens, de que tanto gosto: tomadas mais dark, timing perfeito no humor, e a ratificação da  riqueza de um país que não é feito de gente urbanizada apenas, aliás muito pelo contrário, o americano médio, lá dos cantões distantes, é que importa e encanta de fato.

Agora está difícil, hein!  Além de O Discruso do Rei (http://mskeller.blog.terra.com.br/2011/02/12/long-live-the-king/), Bravura Indômita merece muitos aplausos e prêmios.  Vamos ver como fica…

14

de
fevereiro

Vergonha pela pessoa alheia

Foi quase isso, mas felizmente não chegou a tanto.

Comprei uma promoção  pela We Go! para o show Cinema segundo a Cia. Filarmônica. Para quem gosta de cinema, das trilhas que fizeram sucesso, sempre é muito bom ver um show baseado nisso.  Já assisti a outros muito bons (http://mskeller.blog.terra.com.br/2009/01/29/eletromovie-o-retorno/), então…vamos lá.

Achei o ingresso bem caro. Preço cheio = R$ 60, pela We Go! R$ 24.  Considerando que vou bastante a teatro, sei que R$ 60,00 ou pouco mais significa vários atores em cena, alguns estrelados, iluminação, trilha sonora, um espaço razoável.  Até musicais tipo Broadway e espetáculos bons nem chegam a isso,portanto para um show dominical, de um grupo não conhecido, pareceu-me carinho.

Não conhecia o Teatro Juca Chaves (http://jucachaves.uol.com.br/teatro/). Fica dentro da área do Extra ali na esquina da João Cachoeira com a Juscelino.  Sempre vejo várias peças anunciadas, sobretudo infantis, que parecem boas, mas nunca fui a nenhuma, pois me parecia que o teatro fosse muito fora de mão para mim, mas não é, não.  O teatro é relativamente pequeno, talvez uns 200 lugares, não sei.  Vê-se que o teatro precisa de um tapa. Tem cheiro esquisito, pois fica  num lugar com pouca ventilação natural, no fundão de um nicho do prédio onde está o supermercado.  As cadeiras parecem gastas. Quem senta bem na frente tem má visão da cena, perde bastante.  Lembrou-me teatros decadentes como o Gazeta, por exemplo.  E é uma pena, pois o acesso é bom, tem estacionamento no prédio do supermercado, i.e., segurança, o espaço é interessante.

O problema, no entanto, nem são as instalações um tanto depauperadas, mas o som.  Ir a  um espetáculo basicamente musical e ter uma caixa de som zunindo o tempo todo no ouvido, um desequilíbrio total entre instrumentos e vozes, ou seja, uns matando a outra, numa altura de estourar tímpano, é uma tortura. E foi! Imagino que o problema não seja somente o equipamento de som, o técnico de som, se é que há um, também é bem ruinzinho.

A Cia. Filarmônica (http://www.ciafilarmonica.com.br/site/index2.html) até que é bem boa. Fizeram uma boa escolha de músicas, havia projeções para os filmes retratados, boa interação com a plateia. Aliás, alguns números até me lembraram os bons tempos de Miriana e Miriansa. Não pela voz, claro, que eles cantam de fato, mas pelas ideias inusitadas, até corajosas, que acabaram divertindo, surpreendendo e aliciando a plateia.   Os músicos são muito bons, as vozes nem tanto, mas não comprometem. Ou não comprometeriam, já que o sistema de som deficiente prejudicou muitíssimo a apresentação.

Desfilaram por ali só músicas bem emblemáticas, boas de ouvir sempre. O show foi suportável pelo repertório, qualidade dos músicos e performances bem sacadas, mas que o teatro jogou contra, ah, isso jogou.  Francamente, se eu fosse a Cia. Filarmônica, pensaria duas vezes em fazer um show num local como aquele. Depõe contra.   No início a gente até achou que o cantor fosse ruim, mas não, a estrutura de som dali é que é capaz de destruir até um Pavarotti.

O grupo está apresentando outro espetáculo às 20h. com músicas dos Beatles. Eu gosto muito dos Beatles, acho até que os músicos devem fazer um bom espetáculo, mas naquele lugar, nem pensar.

13

de
fevereiro

Não sei se rio, ou choro

Pois é, deixei para escrever sobre minha atividade de ontem pela manhã para processar um pouco o impacto do que senti.

Já escrevi sobre alguns passeios que tenho feito com a Arq!Bacana (http://www.arqbacana.com.br/), em geral passeios bem interessantes, para lugares inéditos muitas vezes ((http://mskeller.blog.terra.com.br/2010/08/22/quase-deprimi/)).  Muitos participantes dos tours são arquitetos ou ligados à área, já que o foco dos eventos Arq!tour tem a ver sempre, de alguma forma, com arquitetura.

Recentemente, como muitos sabem, foi reaberta a Biblioteca Municipal Mário de Andrade (http://www.prefeitura.sp.gov.br/cidade/secretarias/cultura/bma/noticias/?p=8699) (http://www.sampa.art.br/cidade/bibliotecamandrade/), a segunda maior do Brasil. Poxa, pensei, gosto tanto de leitura, livros, lembrei-me de meus tempos de estudante quando frequentava a biblioteca (no meu tempo a gente tinha de buscar por cruzamento, por remissivo, por intuição muitas vezes, por associação, e ler muito, muito, muito para poder fazer os trabalhos solicitados, instruir-se, desenvolver-se): quero visitá-la.  Tinha a memória do grande salão em que a gente sentava, esperava trazerem os livros solicitados. Tudo muito pesadão: madeira nas estantes, nos móveis, silêncio, austeridade, formalidade.  Quando soube da reabertura pensei em passar por lá para ver como ficou. Afinal, SP, terra rica, grande polo cultural da América do Sul, segunda maior biblioteca do país, só poderia estar um arraso após 3 anos de fechamento.

Coincidentemente, recebi o mail da Arq!Tour sobre uma visita guiada, em 12/2, comandada pela Arquiteta Renata, sócia-fundadora do escritório Piratininga que havia gerido a reforma ou recuperação da biblioteca. O valor era razoável, dia ok, horário também, então vamos lá. A Renata mostrou tudo o que fizeram na biblioteca, que não via uma manutenção de fato desde que foi inaugurada.  Houve alguma intervenção, há quaase 20 anos, mas para adequação da segurança.  Ou seja, como tudo por aqui, acham, sobretudo no terreno público, que as coisas vão durar para sempre, que se manterão pela força do pensamento.

O trabalho foi de peso, muito interessante. Conseguiram manter o orçamento inicial, com um desvio mínimo devido a problemas que apareceram durante a obra. Sabem quanto? R$ 16 milhões.  Para a biblioteca de uma cidade como S. Paulo?  Pouquíssimo, essa é a verdade. Por isso mesmo, os arquitetos, construtores envolvidos tiveram de usar de criatividade e comprometimento total.  Reaproveitaram o que puderam do que havia na biblioteca: móveis, instalações. Claro, que tudo foi avaliado, reavaliado, burilado, melhorado, mas muito foi reaproveitado com evidente economia ou otimização de fundos.  Até foi criado um corredor envidraçado, externo à biblioteca, para que se possa acessar a Circulante e o prédio principal sem passar pelas instalações internas, sem precisar sair do prédio. Tudo muito pragmático.

A sala que eu utilizava lá nas minhas pesquisas, ficou mais clara, ganhou ar, leveza. Essa parte está um tanto informatizada - o acervo está na internet (basta acessar o link que está na página que coloquei acima). Ou seja, a Circulante foi trazida ao presente, mas não a Mário de Andrade propriamente, aonde vão pesquisadores, estudiosos, ou pessoas em busca de publicações mais específicas, técnicas.  Vejam no link abaixo fotos e filmes. Estão nos tempos jurássicos ainda. Fichinhas datilografadas para escolher a obra. Um verdadeiro horror.

Um aproveitamento importante foi o do mobiliário, desenhado por Jacques Pilon, que projetou o prédio. Segundo a Renata, o prédio apresentou muitas surpresas positivas, pois Pilon previu em seu projeto usos alternativos, ampliações e por aí vai. Os móveis que estão na biblioteca hoje são os originais de 1940/50.  As mesas têm estrutura em x, o que permite que o usuário, não importa em que lado/ponta esteja sentado, não tenha suas pernas incomodadas.  Numa sala no térreo, estão montando uma mesa circular, também desenhada por Pilon e que tem a inclinação ideal para o leitor. Além disso, o material que cobre a fachada é uma mistura de dois componentes que se atraem, i.e., magnéticos. Atribuem o fato de a fachada ter resistido até hoje a ventos, chuvas, trepidação, poluição à natureza do material. Essa descoberta foi uma surpresa, i.e., era um fato desconhecido pelos técnicos que participaram da reforma.  Ponto para Pilon!

Nunca achei o prédio da biblioteca bonito, e continuo não achando. Mas é amplo, permite muita integração com o entorno, é claro, de fácil circulação.

O trabalho do Piratininga foi grande, responsável, comprometido pelo que deu para ver.  Poderiam ter feito mais e melhor, mas o município não quis soltar verba para isso. Para quê, não é? Afinal somos um país culto, todo mundo lê, tem sua bibliotecazinha em casa, portanto a biblioteca da maior e mais rica cidade do Brasil não precisa de investimento nessa área. Vamos gastar em outra coisa qualquer.

Agora vou mencionar o que achei muito interessante e também aspectos lamentáveis associados.  Como escrevi em outro post, eu achava que estávamos um pouco atrás em algumas áreas, mas não, estamo muito, mas muito atrás do razoável para tirar o país da lama em termos culturais, por exemplo.

  1. O acervo da biblioteca, em torno de 300 e tantos mil publicações atualmente, fica num prédio de 23 andares.  Esse prédio faz parte do projeto inicial, sempre esteve ali.  Pudemos entrar num dos andares (lembra um pouco Eu quero ser John Malkovich (http://pt.wikipedia.org/wiki/Being_John_Malkovich) pelo apertado das instalações, pé-direito baixo (não deve ter mais de 1,90m). Normalmente o acesso a essas dependências é só para os funcionários. Os livros ficam em estantes, dessas bem normaisinhas, o aproveitamento do espaço é bom.  Mas pasmem, somente agora, durante a reforma, foi instalado um sistema de ar-condicionado para os 23 andares. E pasmem mais ainda: como ainda não há técnicos 24 horas, o ar é desligado nos finais de semana (pelo que entendi, à noite também, mas posso ter entendido mal).  Perguntei ao representante da biblioteca se isso não era ruim para os livros (pergunta um tanto idiota, pois se até agora não tinham ar nenhum…). Ele disse que a oscilação de temperatura é que, na verdade, faz mal às publicações. O fato de ficar sem ar por períodos curtos não altera muito.  Outro detalhe, o corredor principal do andar que visitamos estava atulhado de caixas. Caixas com livros aparentemente. Aliás tem muito disso por vários espaços. Livros em caixas. Não deveriam estar nas estantes?  O que mais ouvi por ali foi: será, vai ser daqui a não sei quanto tempo, em tal prazo vai estar ok.  Ué, mas a biblioteca ficou fechada por 3 anos! Três longos anos!  Inauguraram sem a casa estar em ordem?  Por que exatamente?  E olha que já faz 20 dias que foi reaberta e falta um monte de coisas, algumas não resolviveis a curto prazo com certeza. Acho que por isso somos e continuaremos a ser o país do futuro, não é, não?
  2. Foram criadas 16 salas para pesquisadores.  Antes o número era menor, as salas bem maiores. Foram propostas e feitas 16 salas de 2,5m2.  Tem uma no link.  Claro que não estão funcionando, nem móveis têm. As fechadas estão ou vazias ou cheias de caixas (com livros, claaroo). Por que não estão funcionando? Porque é preciso instalar câmeras, pois por essas salas passarão obras de valor. Táááá, 3 anos e não deu tempo de comprar e instalar as câmeras?  Não vi mobiliário nenhum para as salas também.  Bom, considerando que os relógios de rua de S. Paulo, que só rendem dinheiro para o município e ajudam os munícipes, estão parados e se deteriorando (não passe perto de nenhum, ele pode cair em sua cabeça) por má gerência e ingerência, além de seguramente atos poucos transparentes (ninguém consegue explicar, justificar. Esse negócio de falta de peças não cola nem para criancinha de colo) de nosso alcaide e sua malta, há mais de um ano, imaginem colocar câmeras, comprar móveis para algo tão pouco importante como salas de pesquisa na biblioteca municipal.   Pode esquecer.
  3. Ah, sim, voltando ao ar-condicionado. Como o pessoal da administração pública é muito cioso de nosso dinheiro, só havia verba para ar parcial.  Então o ar ficou com os livros.  Os usuários que levem seu próprio ventilador, ar condicionado. Imaginem a situação com as temperaturas atuais. A Renata explicou que os livros ficaram com o ar e o usuário com a ventilação, portanto fizeram ginástica para eliminar incidência direta de sol, mantendo a iluminação,  e gerar um ambiente arejado.  Vou à biblioteca em breve para testar a Circulante, vamos ver como está a coisa.  Tomara que os arquitetos tenham conseguido driblar os possíveis problemas nessa área.
  4. O acervo da biblioteca mesmo (não da Circulante) ainda não está digitalizado. Três anos fechada e não está digitalizado! Segundo disseram, há pessoas dedicadas trabalhando incessantemente para isso. Ai, me engana que eu gosto. Se tivessem contratado uns bons digitadores, treinando-os, tudo já estaria pronto de longa data. E não me venham dizer que é um trabalho específico, complicado. Não existe isso. Existe preguiça, má vontade, incompetência, falta de planejamento.
  5. A Piratininga aproveitou uma escada externa, baixa, que não era utilizada acho que desde que a biblioteca foi inaugurada. Colocou uma prancha de aço, gerando assim uma área muito interessante externamente. Dá para usá-la para várias coisas.  Uma participante do tour perguntou por que não tinham colocado uma prancha de vidro, assim a escada poderia ser vista, o efeito seria interessante. Resposta: não havia dinheiro, afinal vidro especial para esse tipo de coisa custa caro.
  6. A biblioteca dá para a Praça Dom José Gaspar, nos fundos.  Está prevista uma comunicação ou entrada por ali.  Afinal a praça é do povo, a biblioteca idem, então por que não vinculá-la a um espaço cheio de árvores, que é palco muitas vezes de manifestações artísticas? Agora tem até o Paribar (http://vejasp.abril.com.br/bares/paribar), bar/restaurante quase centenário que foi reformado e reabriu há alguns meses.  Mas a administração pública achou que uma coisa é uma coisa, outra coisa é outra coisa…
  7. Para se entrar na Circulante, tem-se de deixar bolsas/mochilas em um guarda-volumes. Aliás as regras de uso estão bem explicadinhas no link acima.  Ontem havia uma funcionária, daquelas bem lentas, para guardar bolsas e volumes.  O sistema não é informatizado (vocês já viram algum sistema de guarda-volumes informatizado?), mas precisaria ser, pois ela tem uma lista, creio que com o número de cada nicho ou armário, ali ela anota nome do usuário e no. do documento (exatamente para quê?). Isso leva um tempo…havia duas moças na minha frente, e a coisa não fluia.  Acabei desistindo, mas já vi que é preciso paciência para o processo.  Imaginem no tempo de aulas, com filas de pessoas querendo ter acesso à Circulante.
  8. Foi criado um espaço de convivência. Tem umas mesinhas, uma mesa com uma funcionária, uma estante com jornais e revistas - poucos (as funcionárias estão ali para controlar empréstimo e devolução disso, imagino), um balcão enorme que supostamente é um café (pelo jeitão até imagino a gama de coisas que ofereçam. Deve ser como no Auditório Ibirapuera: café, água, refrigerante, amendoim, uns chocolatinhos e só), que estava fechado ontem.  Atrás do balcão caixas e mais caixas. Essas não devem ser de livros, pelamor!  Um espaço enorme, mais que mal aproveitado (tem até um segundo andar).
  9. Outra desilusão: achei que veria um micro ou estação em cada esquina.  Nada! O que há é de uso dos funcionários da Circulante ou, no salão, para que você ache a publicação que lhe interessa. Para uso público, navegação? Nem pensar! Wifi?  Um momento que vou me levantar, caí de tanto rir.
  10. Outro dado interessante: a Mário de Andrade tem 3 milhões de itens (330.000 publicações aproximadamente, uns 11mil periódicos/revistas, que somam 3 milhões de itens, e.g., uma enciclopédia tem 20 volumes, são 20 itens, apesar de ser uma publicação só - deve ser essa a conta). A Biblioteca Nacional tem 11 milhões (tenho de ir, pois me dizem que é muito bonita e vale a visita).  A biblioteca de NY tem 10 milhões de itens (biblioteca municipal). A biblioteca do Congresso americano tem 100 milhões. Deu para entender onde está Wally?  Muito lááá atrás com certeza. Bom, quem sabe depois de desencaixotarem os livros que estão por todos os lados e ordená-los, cadastrá-los até haja um salto no número, mas não será significante com certeza.
    No link comento alguns aspectos da visita que talvez não tenha mencionado acima. Leiam as legendas das fotos, pois acho que pode ser interessante.
    Pois é, alegria por ver um patrimônio cultural tão querido devolvido à cidade, após um trabalho bastante competente, cidadão eu diria, das empresas que se dedicaram ao trabalho, mas tristeza imensa por ver o desmazelo com que a cultura é tratada na cidade mais rica do Brasil e da América do Sul.  Pena que não estamos na Inquisição, senão mandava toda essa turba ignara para a fogueira, que é o que merecem pela falta de visão, de apreço pelo patrimônio público, pelo povo da cidade que fica privado de acesso a cultura, educação, e até lazer.  Run Forrest Kassab, run, e não volte nunca mais.
    Link para fotos/vídeos da visita à Biblioteca Municipal Mário de Andrade:
    https://picasaweb.google.com/miriamkeller/BibliotecaMAndradeCEF13022011?feat=directlink

    12

    de
    fevereiro

    Começando pelo fim

    Que marravilha!!! Como diria o premiado chefe francês.  Assim foi o dia. Relato as atividades do período da tarde primeiramente.

    Como fiz um programa no centrão pela manhã (próximo post), resolvi aproveitar a proximidade e visitar o Centro Cultural Banco do Brasl e a CEF Cultural da Sé.  Já escrevi várias vezes sobre esses dois espaços. Visitei inúmeras exposições por lá. Sempre são interessantes e bem montadas, sobretudo no CCBB.

    Mas first things first.  Quase 13h, então almoço no restaurante do Pátio do Colégio. Fazia tempo que não ia por ali.  Para minha surpresa estava relativamente vazio.  Ao fazer meu pedido, fui informada pela garçonete que a casa tinha mudado de donos ou comando.  De qualquer forma, o cardápio pareceu-me com o de outrora, os preços também.  Pedi um nhoque de abóbora ao sugo, que estava bem bonzinho; uma sobremesa de goiabada cascão com musse de queijo, ótima; um café, água.  Continha básica: $43,56.  É mole?  A garçonete não me avisou no início, mas não estavam passando cartão. Estavam com problema nas máquinas. Isso já me aconteceu lá numa outra vez. Acho que a coisa é endógena, e o pessoal nem aí.  Afinal, ali NÃO é local turístico, NINGUÉm paga com cartão, TODO MUNDO anda com grana no bolso…O amadorismo do povo é fogo, torcida brasileira!

    Fui para a CEF da Sé.  Estão no ar 3 mostras e uma instalação (http://www.caixacultural.com.br/html/main.html). A instalação Lágrimas de São Pedro, de Vinícius S.A., é muito bonita! Vai do último andar até o térreo.  Geraldo de Barros e suas fotos: uma mostra dirigida ao público infanto-juvenil, mas que não tem idade que não a aprecie. Obras selecionadas do acervo da CEF: o acervo foi exposto no final do ano passado, em vários lotes por várias capitais,  e o público foi convidado a votar em 3 obras, se não me engano, que gostaria de ver expostas novamente.  A CEF apurou os votos e compôs vários conjuntos com as obras escolhidas para percorrer capitais.  Na seleção de S. Paulo tem Di Cavalcante, Poteiro, Tarsila, Djanira e muitos outros. E last but not least: 60 anos de tv no Brasil. De novo, quem é do meu tempo (se não é, azar seu!) vai se deliciar com muitas fotos, equipamentos da época do início da tv no Brasil, histórias de como tudo começou, compilações de vários comerciais que marcaram época. Só acho que deveria ter uns dois ou três vídeos mais cobrindo os primórdios da tv.  Nossa, gente de quem eu nem me lembrava mais, mas que fez parte de boa parte da minha vida. É o tal negócio, c.q.d.: longe dos olhos, longe do coração.  Walter Forster, que meu grupo do Fernão entrevistou para um trabalho; Ayres Campos, o Capitão 7; Márcia Maria (queeemmm??? Google, pls); Vida Alves, até hoje fantástica!; Kalil Filho, do Repórter Esso, e muitos, muitos mais.  E teve um momento de pura emoção: veja abaixo a foto de um quiz show de que participei (sim, já estive algumas vezes em frente às câmeras!) na TV Cultura, conduzido pelo guapíssimo Blota Junior: De Olho na Notícia. Na verdade, a foto é o Blota segurando o cartão com as perguntas do programa. Coincidência grande, já que o Blota Junior participou de milhões de programas, sobretudo na Record, e a foto dele poderia ser de um monte de outras ocasiões.  Emocionei!

    Miracolo! Mas hoje consegui pegar folder de toda as exposições.  Aliás, muito bacanas. Ah, e tem até uma maquineta meio escondida para você deixar sua avaliação da exposição de viva-voz.

    E agora, a caminho do CCBB. Lá está a exposição Islã, Arte e Civilização (http://www.bb.com.br/portalbb/page511,128,10164,1,0,1,1.bb?dtInicio=1/2011&codigoEvento=3897). Tem de tudo: de publicações (Alcorão), a roupas, utensílios domésticos, escrita, jóias, armas, tapetes.  Um belo retrato da cultura árabe, da produção artística e científica.  Impressionante a habilidade, a beleza, o conceito de itens produzidos no século X, XI. Muito interessante uma sala quase que dedicada unicamente à caligrafia. Não imaginava que essa prática fosse tão importante para a cultura árabe. Na verdade ocupa um lugar muito maior do que o desenho de kandjis (sorry, não me lembro do termo agora. Alguém ajuda?) para o japonês. As filigranas são fantásticas. As incrustações, as gravações em metal, os tapetes…por isso adoro os meus. Sou fã dos tapetes tipo persa, produzidos lá pelo Irã sobretudo.  Nunca me canso de olhar os meus, tal a complexidade do trabalho, os motivos, os desenhos, as cores. Os que estão expostos no CCBB são de babar. Aliás, leve um babador, pois várias vezes me peguei boquiaberta, quase babando mesmo. Impressionante o que produziram há mais de milênio.

    Por isso tudo, fica ainda mais difícil de entender como tantos países do bloco árabe ou muçulmano estão na situação em que se encontram.  Na exposição há uma frase atribuída a Maomé que diz mais ou menos assim: Search for knowledge even in China.  Parece que seus descendentes não entenderam o recado. Senão como é possível que se tenham erguido muros tão resistentes e abrangentes de intolerância, violência, desmandos, ignorância, discriminação?  Uma pena!  A todo momento veem-se trabalhos colocando Deus no meio, louvando-o, louvando sua sabedoria, justiça, bondade. O mesmo com Maomé. Como é possível? A cultura, o grupo humano que produziu o que está exposto ali merecia destino melhor, descendência melhor.

    Não deixe de ver de jeito nenhum.

    E para terminar, café na Cafezal (http://vejasp.abril.com.br/comidinhas/cafeteria-cafezal), cafeteria do CCBB. Já mencionei que o lugar melhorou muito de uns tempos para cá. Deu para dar uma descansadinha, depois de 4 horas de andanças vespertinas.

    (Olha o Blota Junior aí com a ficha do De Olho na Notícia - Programa da TV Cultura, acho que pelo começo da década de 80, ou algo assim. Eu respondia perguntas junto com outros 3 participantes)

    12

    de
    fevereiro

    Long live the king

    Que filmaço!  Há vários filmes em cartaz, bem bons até, mas filmaço mesmo foi este: O discurso do rei (http://www.imdb.com/title/tt1504320/fullcredits#cast), ah, e O concerto (http://mskeller.blog.terra.com.br/2011/01/24/a-vida-e-cheia-de-compensacoes/) também.

    Bem, o Colin Firth é demais! O último filme que vi com ele também valeu muito por sua interpretação, a delicadeza do texto e da direção (http://mskeller.blog.terra.com.br/2010/05/20/mais-um-da-lista-eliminado/).

    O filme trata da sucessão do trono britânico. Após a morte de George V, assumiria o filho mais velho. Aliás, assumiu, mas abdicou. Edward VII preferiu casar-se com uma americana divorciada (Wallis Simpson) e deixou o trono para seu irmão, Albert.  George VI (http://en.wikipedia.org/wiki/George_VI_of_the_United_Kingdom), um monarca a contragosto e num período crítico, i.e., às portas da II Guerra Mundial. Além de ser lançado no redemoinho do poder, tinha um problema que o atormentou desde sempre: a gagueira.   Para sua sorte, apareceu um Winston Churchill (também com problemas de fala - vejam quantos famosos tiverem o problema…e a gente pensando que a vida deles era fácil: http://en.wikipedia.org/wiki/Stuttering / History and cultural aspects) em sua vida, e um “Dr.” Lionel Logue.  Uma convivência turbulenta que, graças ao respeito, entusiasmo, persistência e profissionalismo de Logue, tornou a vida de George VI e de sua família menos angustiante.  Discurso de gago, de um rei gago então, não é fácil. Um negócio meio patético mesmo.

    Além de a história ser bem interessante, o olhar sobre os membros da monarquia ou nobreza ser bem transparente, informativo, a atuação de todos é maravilhosa.  Colin Firth, Helena Carter, Rush (marvellous), Timothy Spall, etc., etc., etc., valem o ingresso.  Fotografia bacana, trilha muito boa, mas nada supera a gagueira do rei e os exercícios trava-língua de Logue.

    No filme vê-se claramente que o pessoal do lado de lá do balcão não é igual ao pessoal de cá.  Em um dado momento, George VI diz ao Sr. Logue que ele era o primeiro common man com quem tivera/tinha algum contato mais próximo.  A gente sabe que, mesmo quem viveu vida comum, se alçado por fama, dinheiro, casamento a outro patamar na cadeia humana, esse distanciamento é bem comum, bem possível. Que dizer então de quem nunca teve um dia de common man.  No mínimo curioso. Mundos muito diferentes mesmo.  Aliás, lembrei-me de ter lido uma vez que o Brejnev (URSS- de 64 a 82) só andava de carro, blindado, com segurança.  Um dia o carro quebrou, ele teve de sair do carro, no meio do planeta Terra dos comuns. Ficou surpreso com o mundo “real”, aquele do qual fizera parte um dia, aquele do proletariado, era colorido, o ar respirável, “what a wonderful world”!  Imagino que isso aconteça com stars, bbb’s, políticos e por aí vai.  Bom, até eu que sou mais boba, né?

    O filme está concorrendo a um monte de Oscars. Tem de ganhar uma porção, senão é marmelada.

    Um filme adorável. Mas não vá penando que já dá para tomar chá com a rainha, que não funciona bem assim, não.

    Tentem ver também:

    The Young Victoria (http://mskeller.blog.terra.com.br/2010/06/20/rei-que-e-rei-nunca-perde-a-majestade-e-rainha-tambem/).  Bem interessante também.

    Ah, outra coisa, o elenco de Harry Potter está em peso no filme. Quico? Não tenho a menor ideia, mas que foi bom vê-los em ação, foi.

    11

    de
    fevereiro

    Isso é que é estilo

    E que estilo! O fino da bossa…

    Por partes: para quem não é de meu tempo (azar seu! bem feito!) e não teve a oportunidade de ver pela tv (em bom branco e preto) ou ao vivo, lá no teatro Paramount (acho que hoje é onde fica o Teatro Abril), havia um programa na Record, durante seu auge, com Elis e Jair Rodrigues chamado O Fino da Bossa (http://www.culturabrasil.com.br/programas/galeria/arquivo-14/o-fino-da-bossa-um-dos-primeiros-capitulos-da-mpb).  Eu não perdia, a família não perdia. Cheguei a ir uma vez ao auditório.  O melhor da MPB, que é muito boa em geral, com músicos excelentes.  E lá estava sempre o Zimbo Trio (http://www.zimbotrio.com.br/home.htm).

    Faz muuuitooo tempo… e eu já havia me esquecido de como eles eram/são bons!  Incrível como qualquer sequência de notas fica estilosa, refinadíssima sob o comando de Amiton Godoy.

    Tentei ver um espetáculo do grupo no Auditório Ibirapuera, cancelado à última hora (http://mskeller.blog.terra.com.br/2010/02/19/eu-sou-dura-na-queda-mas-nem-tanto/). Lamentei bastante, mas agora consegui vê-los em ação novamente. Da formação original AGodoy, Rubinho (o baterista, que está se recuperando de uma cirurgia e participou parcialmente). Os demais componentes: baixo e bateria (no lugar de Rubinho) (sorry, não me lembro dos nomes, não consta do site do grupo e nem do programa distribuído no show), que também foram maravilhosos, são novos.

    Fantástico ouvir Gershwin, Bach, Ary Barroso, Jobim com o grupo acompanhado pela Orquestra Sinfônica Municipal, aquela sem-teto, já que o Teatro Municipal vai ficar pronto um dia e estão sem casa para se apresentar. Pode???  Por que não permitir que se apresentem no Auditório Ibirapuera, sobretudo para os tradicionais concertos de domingo?  Essa administração municipal atual é uma coisa, viu!  Felizmente tem um SESC em nossa vida! O espetáculo foi no SESC Pinheiros (http://www.sescsp.org.br/sesc/busca/index.cfm?unidadesdirector=57), a preços popularíssimos.

    Um espetáculo emocionante!  Lindo!  De qualidade inquestionável!  Longa vida ao Zimbo Trio!

    Agora um tema a ver mais ou menos…há um tempo houve um imbroglio na OSMSP de dar arrepios. Deem uma olhada neste link: http://www1.folha.uol.com.br/ilustrada/752235-musicos-pedem-saida-do-maestro-da-orquestra-sinfonica-municipal.shtml.  Ontem, fiz uma confusão federal…Então, corrigindo o que disse a uma amiga: o problema ocorreu há uns meses, em 2010, nada a ver com o maestro que estava no palco. O maestro atual é o Alex Klein, que foi para a orquestra depois de findo o tal imbroglio e está à testa do projeto Municipops (http://www.projetomusical.com.br/concertos/index.php?pg=28_01_04), mal divulgado demais, como só a atual administração municipal conseguiria.  A orquestra melhorou bastante depois da passagem de Ira Levin, mas não sei, não, não sou expert, muito longe disso, mas eu a classificaria como boa, e só, muito longe de outras (OSESP, OSB), e isso sendo a orquestra da cidade mais rica do Brasil e talvez da América do Sul.  É triste ou não é?

    O que me levou ao tilt, além de ter lido tudo meio por cima e ter uma memória bem rasa do tema, foi a postura dos músicos quando o maestro falava com a plateia. Na verdade, maestros, por melhores que sejam e com raríssimas exceções, são odiados pelos músicos. É muito ego junto, e um ego maior que todos os outros, que tiraniza e não admite maior brilho que o dele. Bem, imagino que para uma orquestra atingir qualidade inquestionável tem de ser assim. De novo, muito ego junto, e isso não é fácil de gerenciar. Só na chibata mesmo. Bem, confusão desfeita então.

    Então já sabe: viu Zimbo Trio por aí, saia correndo para garantir seu lugar na plateia!

    10

    de
    fevereiro

    Aleatoríssimas

    Algumas considerações mais que extemporâneas:

    1. quando estava assistindo a Cisne Negro (http://mskeller.blog.terra.com.br/2011/02/08/luxo-e-lixo-ou-vice-versa/), desde o início da sessão, um celular tocava insistentemente.  Deve ter tocado umas 100 vezes durante o filme.  As pessoas que estavam sentadas próximas a mim reclamavam, eu reclamava, mas ninguém descobria de onde vinha o som, e o popularíssimo dono do celular (100 chamadas em tão curto tempo é ser popular, hein!) não se dava por achado.  Um rapaz que estava sentado atrás de mim chegou a dizer a uma senhora umas três poltronas à esquerda que o celular dela estava tocando. Ela: Não é meu, não. No entanto, até poderia ser, pois ela levou um lanchinho pelo jeito e fazia tanto barulho com o saco plástico, embrulhando e desembrulhando, o que indicava que ela era meio surdinha ou notionless. Como o celular não tocava alto, o som era até discreto, imagino que a anciã não o ouvisse. Outra teoria conspiratória: uma moça sentada a algumas poltronas disse-me que achava que alguém poderia ter perdido o celular, e talvez estivesse tentando encontrá-lo ligando para ele desesperadamente.  Outra possibilidade. Enfim, foi um Tchaikovsky embalado a Nokia tune;
    2. a Maria Adelaide Amaral estava nessa mesma sessão.  Engraçado como já cruzei com ela umas tantas vezes em cinema e teatro.  Havia uma senhorinha lá na frente, surdinha também, que falava bem alto. A MAdelaide não tinha dúvida: psiu daqui, psiu dali, até que a senhorinha calou-se;
    3. no filme Lixo Extraordinário (http://mskeller.blog.terra.com.br/2011/02/08/luxo-e-lixo-ou-vice-versa/) veem-se catadores lendo correspondência alheia.  Leem, por exemplo, uma carta oferecendo assinatura da revista Playboy para alguém.  Chamou-me atenção esse aspecto, pois retiro e destruo todos os endereçamentos de correspondências para mim, mesmo que o material recebido vá integralmente para descarte posteriormente.  Também destruo, pico, e distribuo por vários sacos de lixo orgânico cartões de crédito vencidos, algum cheque inutilizado, ou documento que contenha dados pessoais.  Como se vê pelo filme, esse é um procedimento bem aconselhável para evitar apropriação de dados pessoais por desconhecidos. Aliás, isso já foi tema de filmes em que o assassino sabia tudo da vítima justamente por vasculhar seu lixo. Num filme, o facínora sabia até quando a moça ficava menstruada ou tinha relações sexuais (pelos absorventes ou suas embalagens descartadas e pelas camisinhas). É mole?
    4. como aposentada, consciente de minhas limitações futuras, fui fazer meu cartão do SUS. Melhor prevenir. Fui ao posto mais próximo de casa (na V. Madalena). Chegando lá, uma filinha, e uma pessoa só para atender a quem chegasse, atender telefone, pegar prontuários, fazer o cartão do SUS. Claro que isso não dá certo, não é mesmo? De todo jeito, a fila era pequena, a funcionária tinha a maior boa vontade e atendeu bem a todos. Feito meu cartão, pergunto: Posso me cadastrar aqui para ter direito a consultas, medicamentos, ou é em outro posto?  Ela saca uma brochura, dessas feitas numa impressora caseira, em que estão endereços, não por cep, mas por blocos, e.g., Av. Pedroso de Morais da Pinheiros a Coropés, Av. Pedroso de Morais da Coropés até…Dependendo de onde se está a agente de saúde passa por lá ou não? Peraí? Que agente de saúde? Para quê? Para fazer o cadastro!  Como assim? Um agente de saúde vai à casa das pessoas para uma ação tão simples e burocrática, quando poderia estar visitando doentes impossibilitados de se locomover, mães com problemas com seus filhos, idosos depauperados? Isso!  E  a agente avisa quando vai? Não, mas se quiser deixar o telefone ele até pode ligar. Óbvio, não é, gente, ninguém está fora de casa em SP, está todo mundo lá esperando a agente de saúde. Evidente!  E para coroar: Esse número do SUS está num sistema nacional, certo? Não, nem de abrangência municipal é. O importante é levar sempre o número com a senhora.  Aaaah, táááá…Bem, vou tentar me cadastrar em um posto maior que tem perto de casa. Assim evito que a agente de saúde tenha o trabalho de me visitar.  Pois é, estamos muito, mas muito mais para trás do que eu imaginava na área. Nossa infra em saúde é do tempo das cavernas.  Único consolo: tanto o atendimento telefônico dos postos para os quais liguei, quanto o atendimento in persona acima foram objetivos, profissionais, corteses. Ainda há uma esperança.

    10

    de
    fevereiro

    A gente se acostuma com tudo mesmo

    E pode ser bom ou ruim, mas a gente se acostuma.  Por isso o homem chegou até aqui, derrotando ou deixando para trás seres como o mamute, o dinossauro, e assemelhados.  Essa característica tem seu lado bom e seu lado ruim, como tudo na vida.

    O positivo é que o ser humano se amolda, faz face às surpresas e sobrevive, e se supera, e se conforma. E o lado negativo é esse também, o conformar-se.  Felizmente para a Humanidade, o balanço entre essas facetas tem sido razoável, i.e., da mesma forma que o homem foi à lua, criou drogas potentes para salvar, aprende a usar células-tronco para o bem dele mesmo e de seus iguais, ficamos passivos diante de matanças indiscriminadas pelo mundo, diante da agressão à Natureza que cremos dominar, achamos normal a ideia imposta de olhar outros como se não fossem nossos iguais.

    E toda essa filosofia de botequim para quê?  Para contar sobre minha cirurgia de catarata.

    Vou itemizar para ficar mais fácil:

    1. operei ontem pela manhã - a cirurgia levou exatos 6 minutos
    2. hoje tirei o tampão e já estou lendo sem óculos (até antes da cirurgia, mesmo com óculos, a coisa estava sofrida, além da fotofobia matadora)
    3. em uns 30 dias já vou estar 100%: vendo de perto, de longe e através (atenção gente: sempre com roupinha de baixo limpinha e em bom estado, senão vou por aqui no blog).

    Só agora percebi quanto deixei de enxergar, ou quanto de acuidade perdi pelos anos da vida. Acho que agora estou zero-bala, i.e., com a visão do bebê antes de qualquer trauma. Impressionante o que a tecnologia fez pela Medicina. Em termos de químicas, equipamentos, pesquisas a superação é diária. Já com o material humano a coisa não funciona assim (http://mskeller.blog.terra.com.br/2011/02/02/de-repente-a-gente-enxerga-tudo/).  De todo jeito, estou muito contente com a escolha do profissional que me operou (http://www.eyecare.com.br/Medicos.aspx), com o conceito da clínica, com sua estrutura, com o olhar para o paciente.

    Mas o tema aqui é o acostumar-se, e só agora percebi como me acostumei a enxergar mal, como me submeti a me cansar para ler, assistir à tv, filmes, etc.  Mesmo com óculos (comecei até a usar tarde, com uns 47 anos), a visão foi ficando limitada, perdi o vivo das cores, fui me conformando.  Para isso contribuíram também os oftalmos que consultei durante anos. Nenhum deles me alertou quanto à catarata que eu desenvolvia, catarata que não surge de um dia para outro obviamente. Ou seja, cheguei a um grau absurdo de desconforto e de perda de acuidade porque quem deveria garantir minha saúde ocular não olhou para meu problema como deveria, com o devido respeito e dando a devida importância. Aliás, minha última consulta regular foi em 28/7/10 e nenhuma palavra me foi dita sobre a catarata, e o médico que me atendeu mencionou orgulhosamente a complexidade dos processos com que ele e sua equipe lidavam. Tááá!  E a minha cataratinha ficou a ver navios, aliás a NÃO ver navios…
    Eu poderia ter resolvido o problema, como fui obrigada a fazè-lo agora, muito antes de chegar ao desconforto que experimentei nos últimos dois meses. Só me dei conta do que era de fato, porque minha mãe também teve catarata uns anos antes de morrer (aos 53 anos) e eu ouvi suas queixas sobre fotofobia, ter de usar lupa para leitura mesmo com os óculos, etc. A partir daí já busquei o especialista certo e não deu outra, meu diagnóstico estava certinho.
    Minha avó e minha mãe sempre diziam que o melhor médico da gente é a gente mesmo. Acho que elas tinham razão parcial pelo menos, pois obviamente os profissionais de saúde são importantíssimos (os bons, pelo menos), as descobertas diárias e a evolução da ciência garantem vida mais longa e de melhor qualidade para a Humanidade, mas nada substitui o conhecer-se e respeitar-se minimamente. Essa não é tarefa de ninguém senão de cada um de nós.
    Com meu novo olho, mesmo precocemente, já vejo cores do jeito que eu havia me esquecido de como eram.  Consigo ler sem óculos, ver detalhes próximos e distantes sem lentes externas. Tenho minha independência de volta, e isto não é piequice, é realidade.
    Diante do resultado mais que positivo, não vejo a hora de operar o olho direito, pois agora vi por mim quão extensa é a catarata nesse olho (dois médicos que consultei disseram que ela era inicial nesse olho, quando na realidade ela é maior que no olho operado só que incomoda menos por ora. Pode?): um véu que torna tudo meio sem cor.
    Então em breve terei o mundo em seu esplendor rosa, amarelo, verde, roxo, vermelho, azul de volta. Outra suprema alegria que vou ganhar pela vida.

    8

    de
    fevereiro

    Luxo e lixo, ou vice-versa

    Aproveitando os estertores do Belas Artes (parece que fecha mesmo no final do mês), e sua segunda-feira com preços reduzidos, vi dois filmes ontem: Black Swan (http://www.imdb.com/title/tt0947798/) e Lixo Extraordinário (http://www.imdb.com/title/tt1268204/).

    Cisne Negro é a história do mundinho do balé, cheio de vaidades, competição mortal e desleal, muita dor, suor e poucas glórias para a grande maioria. Os poderosos ligados à arte do balé são iguaizinhos aos poderosos de outros nichos (business, política, outras artes). Tem gente com cartáter, sem caráter, esforçada, talentosa, enfim, microcosmo humano.  A personagem de Natalie Portman, que pode levar o Oscar tranquilamente, é uma bailarina criada numa redoma que chega ao ápice de sua carreira com muita dedicação. Só que o mundo dela não é o mundo real. Vêm os choques, o despertar, a violação pessoal, a perda de limites.  Uma mente torturada por um sonho ou por um objetivo, com um final bastante inesperado.

    Natalie Portman, Vincent Cassel, Barbara Hershey e até Winona Ryder, que faz uma ponta, estão muito bem.  E Mila Kunis, que eu só conhecia de uma sitcom, está ótima também. Verdade que mantém o toque irresponsável, sensual de sua personagem da série That 70’s Show (a mesma que lançou Ashton Kutcher), só que está muito mais segura, e leva bem uma personagem bem complexa. Na verdade ela é o verdadeiro Cisne branco+negro da peça de Tchaikovsky.

    A personagem principal é uma prima light de Di Caprio em A Ilha do Medo (http://mskeller.blog.terra.com.br/2010/05/15/to-voltando-pra-casa/), que vale pela ótima atuação de NPortman. No mais, o que encanta no filme é a música, a dança, os figurinos e as atuações como um todo. Um bom filme.

    Depois foi a vez de ver o nacional que concorre ao Oscar. Não só por isso, obviamente, que isso não dá camisa a ninguém, ou não garante qualidade, mas porque eu poderia conhecer um pouco mais do artista plástico Vic Muniz (http://www.vikmuniz.net/), o brasileiro mais prestigiado internacionalmente na atualidade, e seu trabalho com catadores.  O filme é interessante,mas não mais do que vários documentários que já vi a respeito feitos aqui ou no exterior. Não vi a função pragmática ou outra qualquer de o VM e outros brasileiros falarem em inglês no filme, sem a menor necessidade, em vários momentos, pois o filme não é todo em inglês, só uma mínima parte. Tudo bem que a produção é binacional (aliás, já escrevi que o Brasil deveria recorrer muito mais a isso para obter resultados melhores em vários níveis: prêmios, arrecadação -http://mskeller.blog.terra.com.br/2009/03/14/por-ordem-alfabetica-cinema-depois-gastronomia/ ), mas não precisava de fato (além dos sotaques macarrônicos).

    O filme trata de obras construídas de lixo reciclável por catadores de Gramacho, no RJ.  Interessante saber do trabalho deles, que não será diferente do de outros catadores; de sua organização - as cooperativas ou associações são importantíssimas para o esforço transformar-se em renda; quem está nos lixões: desde gente que não teve/tem opção, até aqueles que pensaram, avaliaram, e acharam que ali seria um bom lugar para trabalhar e ganhar seu pão, mas sempre com um tanto de vergonha; pessoas bem articuladas no pensar e no falar, melhor do que o universo que encontramos em muitos escritórios por aí. Veem-se as obras em construção e seu resultado final, o que se deve ao comando pelo brilho criativo e talento artístico de Vic Muniz.  Lindas fotos de fato, que acabaram por render reconhecimento, alegrias e, sobretudo, dinheiro ao grupo de catadores.  Durante o filme, fui pensando que a atitude do artista, convocando e envolvendo os catadores, alíás retirando-os de seu habitat para o qual fatalmente voltariam, ou seja, criando expectativas que não se concretizariam de fato, era um tanto irresponsável. No entanto, eu estava errada, pois ao final vê-se que para todos os envolvidos a vida melhorou. Ainda bem! Assumi também, pelo resultado demonstrado, que mesmo aqueles que não participaram do projeto de criação das obras, vendo seus companheiros evoluírem, podem ter ressuscitado suas esperanças de um dia melhor, de condições melhores de trabalho. Tomara!

    Interessante também ver como, por um motivo ou outro, os catadores entendem a importância de seu trabalho para todos - quantos “bacanas” não entedem, ou o menosprezam.

    Um documentário interessante, que vale ser visto.

    E aproveitando o tema reciclagem: agora que estou mais em casa, cozinho para mim, fico impressionada continuamente com o tanto de lixo que gero. Minha casa é micro, mas mesmo assim separo os materiais reciclados e os levo semanalmente ao Pão de Açúcar, onde uma cooperativa se encarrega da separação, embalamento, retirada do material. O que produzo em termos de reciclável e não-reciclável é espantoso! Projeto isso para uma família de 3, 4 pessoas:um mar de lixo. Pena que a grande maioria ache trabalhoso separar os materiais recicláveis e levá-los a um posto de coleta. Pena a Prefeitura não ampliar a coleta seletiva - está estancada há muitos anos.   Mas um dia, quem sabe, isso muda, ou a gente também vai viver no meio do lixo.

    6

    de
    fevereiro

    A vida é uma luta

    E põe luta nisso! De novo (isso está se tornando um vício) meio no susto, fui ver O Vencedor (The Fighter - por que não pode só lutador mesmo?  Se se põe o vencedor, todo mundo sabe ou imagina que o final será happy…ai, que coisa, viu! - http://www.imdb.com/title/tt0964517/).

    Um ótimo filme e boa surpresa para mim que não sou fã de Christian Bale (http://www.imdb.com/name/nm0000288/). O último filme que vi com ele  foi Inimigos Públicos (http://mskeller.blog.terra.com.br/2009/08/07/inimigos-publicossao-tantos-hoje-em-dia/) e até onde me lembre ele teve uma boa atuação, mas com Depp na parada a coisa fica difícil em geral.  Vi um dos Batmans com Bale e não gostei muito - implicância pessoal mesmo, pois a articulação dele (como ele fala) é meio irritante para mim.

    Em O Vencedor ele está demais. Mark Wahlberg (http://www.imdb.com/name/nm0000242/) também está ótimo e é o protagonista (sobre o último filme que vi com ele: Um olhar do paraíso = http://mskeller.blog.terra.com.br/2010/02/20/parece-que-foi-ontem/), mas Bale rouba a cena. Impressionante a vida que ele dá à personagem (no final aparece o Dicky real e aí se ratifica o trabalho maravilhoso de Bale). Também estão muito bem Amy Adams e Melissa Leo.  Há até um ator de ocasião, que está ótimo:  Mickey O’Keefe que fez parte da vida de Dicky e Micky e é mesmo do corpo policial de Lowell, cidade natal dos dois boxeadores.  Como todo filme de lutas de boxe, muito soco, muito sangue voando, muita saliva espirrando, muitas caretas, muito esparadrapo, mas nada que não dê para aguentar.  As cenas dos combates são bem bacanas, mas nada supera a atuação de Bale, sobretudo, e Wahlberg.  As personagens secundárias também estão muito bem representadas.  Trilha boazinha.

    Coincidentemente, outro filme que trata do tecido familiar do americano médio (white trash?). Não é algo tão violento, agressivo, mas é, sim, tão tortuoso quanto Inverno da Alma (http://mskeller.blog.terra.com.br/2011/02/05/tem-tempo/).  Interessante como os feios, sujos e malvados estão presentes nesses dois filmes e a gente percebe que a célula familiar, comunitária americana é isso mesmo. Claro que todo lugar tem essas nuances, muitas vezes em níveis bem mais dramáticos, negativos, ou o que seja,  mas, como mencionei no post de ontem, acho que o efeito Hollywood acaba deixando tudo meio enevoado, disfarçado. Enfim, outro bom retrato socioantropológico do americano médio.

    Trata-se da história de dois irmãos, ambos são boxeadores. O mais velho teve seus momentos, mas não chegou ao topo. O mais jovem vive sempre à mercê da imagem do irmão mais velho, e tem até seu futuro comprometido por causa disso. Aparentemente a mãe, o irmão, demais familiares, não se dão conta do mal que estão fazendo ao rapaz (Micky).  Mas aí …acontecimentos bem marcantes e críticos acabam mudando o rumo da personagem de Wahlberg, aliás de todos. Tensão e emoção são garantidas.

    Um bom filme para qualquer dia.

    Ah, e fui ver no Bradesco do Shopping Cidade Jardim.  É bem bom mesmo, mas R$ 45 a entrada (http://mskeller.blog.terra.com.br/2010/01/20/nossa-que-movimento-de-novo-domingo-final-de-tarde-e-noitee-se-acabou/)??? Eu me odeio, não deveria ter cedido…estou ficando mole.

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