28
de
fevereiro
Depois da tempestade…
vem mais chuva, pelo que temos visto em S. Paulo. Ontem foi um dia muito esquisito. Sol pela manhã, nublado e chuviscos no inÃcio da tarde, depois um temporal de fazer inveja a qualquer São Pedro. Maaassss…como somos bravos, fortes, filhos do Norte…a gente não se intimida.
Na verdade meu périplo de final de semana começou no sábado, que teve chuva também…
Fui ver a Cia. Truks (http://www.truks.com.br/) no SESC Pompéia. Fizeram uma mostra de repertório durante fevereiro naquela unidade. Como terminava neste final de semana, gosto muito dos trabalhos da companhia, não dava para perder. Fazia muito tempo que não via a Truks. Como já escrevi várias vezes, gosto muito de teatro infantil e tenho visto ótimos espetáculos.  Ver a Truks de novo foi muito bom, mas o que foi fantásitco lá atrás, por vários motivos, hoje é bastante bom e só. Ótimo isso, pois quer dizer que o teatro infantil tem evoluÃdo.
Vi a reencenação de Vovô.  É a história de um imigrante judeu que foge da guerra, e vem parar no Brasil. A narrativa é feita (voz) pela neta mais velha de Vovô,  e com a ajuda do próprio ela conta sua história desde o nascimento, brincadeiras infantis, namoro, casamento, filho, viagem ao Brasil. Na Truks, vemos os manipuladores, todos de negro. Fazem os movimentos, as vozes, interagem entre si e com a plateia.  Valeu rever de todo jeito.
Antes da peça fui tomar um lanche no Rei do Mate do Shopping Bourbon. Como aquela loja é ruuuiiim. Já reclamei com a franquia, mas aparentemente eles não precisam dar atenção ao cliente. Os funcionários são ruins, lentos, descorteses. Trazem os lanches ou bebida e a gente tem de ficar pedido guardanapo, canudo, etc. Não oferecem adoçante/açúcar - eu não uso, mas isso não importa, deveria ser um procedimento default. Tudo bem que não usem isso em casa, limpem a boca na manga da camisa ou toalha da mesa (se houver), mas não dá para treinar esse pessoal? Além disso, desde a primeira vez acho que têm um aspecto sujo. Quando me sentei, a mesa que ocupei estava cheia de farelos. Não dá para passar um pano rapidinho? Ontem, pela primeira vez, vi alguém no caixa que não parecia funcionário - dono ou gerente, sei lá. Não adiantou muito. Dali dá para ver por que a coisa não funciona.
Depois da peça, um sorvete na Stuzzi, ali na Vila Madalena. Gosto muito do sorvete de lá, mas o atendimento também é bem meia-boca (estou contando alguma novidade?). Demorado, com algumas caras de má vontade. Depois da projeção na mÃdia, essa loja especificamente ficou pequena. Mereceria um repensar, ou uma ampliação, para dar mais conforto aos clientes. Há momentos em que fila de sorvete, de balcão e de caixa dão um nó, fora a falta de lugares para se poder degustar o sorvete ali mesmo, confortavelmente sentado.
À noite fui ver 39 Degraus (http://vejasp.abril.com.br/teatro/os-39-degraus-teatro) no Teatro Frei Caneca. $90 a inteira! É mole? A peça de Patrick Barlow baseia-se em obra homônima de Alfred Hitchcock (http://www.imdb.com/title/tt0026029/).  É uma comédia.  Os atores está muito bem azeitados, parecem divertir-se em cena, o que transmite uma sensação bem agradável. Além de Dan Stulbach, Danton Mello, que estão muito bem, Henrique Stroeter está ótimo. Uma amiga matou a charada: ele não fazia o Castelo Ra-tim-bum? Fazia, e era o Petrônio como ela percebeu.
A peça é bem ligeira - um inglês acolhe uma mulher que acaba sendo assassinada em seu apartamento. A partir daà é um tal de fugir da polÃcia, encontrar-se com bandidos, espiões, tentar escapar, cenas românticas, improváveis, no limiar do pastelão.  O cenário é minimalista, mas serve ao objetivo do espetáculo. Há trocas de roupas, por conta de inúmeras trocas de personagens. Somente a personagem de Stulbach segue intacta do começo ao fim. Há momentos em que essa troca de personagens/roupas lembra Irma Vap (http://pt.wikipedia.org/wiki/O_Mist%C3%A9rio_de_Irma_Vap), que eu assisti duas vezes por aqui com Nanini e Latorraca, mas só lembra e gera um bom efeito cômico e de tensão. No todo, a peça diverte, mas que essa entrada a $90 é cara, oooh, se é!
Aà fomos jantar: Paris 6, lotado. Então vamos de Margherita (http://www.margherita.com.br/). Fazia muuiitoo tempo que não ai ali. Um pouco de espera, mas atendimento cortês, rápido, pizza gostosa, preço até razoável (R$ 29/pessoa - pizza, refris, água, chope, entradinha). Valeu voltar.
Domingo foi dia de mais atividades: primeiramente ver um espetáculo do Kyôgen (http://en.wikipedia.org/wiki/Ky%C5%8Dgen), teatro tradicional cômico do Japão (data do século XIV), naturalmente falado em japonês, que eu NÃO domino, claaarooo.  Uma amiga avisou-me do espetáculo que seria à s 11h, no Teatro Gazeta (Av. Paulista).  Gratuito, tinha de chegar uma hora antes para pegar os ingressos.  Cheguei umas 9h30, fila de umas 70/80 pessoas. Montes de orientais, muitos de certa idade, com quem a gente não cruza normalmente em outros espetáculos, cinemas, até pela rua, a não ser na Liberdade, por exemplo.  O Teatro Gazeta está bem decadente, derrubado, é desconfortável (fiquei na fila R, meus pés não chegavam ao chão - imagine a cena -, o assento da cadeira (de todas dessa fila) não levanta, então para as pessoas passarem a gente tinha de fazer contorcionismo. Fiquei até contente, pois meu nÃvel de elasticidade está em uns 7 (top 10). Bom, né? Avaliação gratuita…
O teatro é grande, sei lá, uns 700 lugares, e estava lotado. Primeiramente, o ator Kaoru Matsumoto, interpretado para o português por Alice, deu uma aula bem interessante (um pouco longa, verdade) sobre o teatro Kyôgen. Fizemos até uns exercÃcios. Bem legal! Aà vieram as peças que são bem curtas. Uns 20 a 25 minutos cada. Parecem sketches, digamos assim. Relatam fatos de empregados e patrões, de espertezas “puras”, malandragens inofensivas.  Um dos atores, Shigeru Shigeyama, é a 13a. geração de uma das famÃlias que iniciou esse tipo de arte.  Interessante a impostação de voz, a postura no palco, as roupas. O cenário é sempre o mesmo, em todas as peças, em qualquer lugar, a qualquer tempo: um pinheiro ao fundo (uma tela, um paneau, etc.) e uma espécie de balaustrada. O importante é a atuação mesmo, a empatia dos atores, a modulação de voz, o gestual.  Antes de cada peça, a intérprete explicava um pouco do que ia acontecer. Claro que não entender japonês fez falta, mas não impossibilitou a apreciação, nem deixar de rir com a performance Kyôgen. Aliás, interessante, pois a plateia era 90% de orientais, mas acho que não mais de 30% conseguiam entender bem o que se passava no palco, justamente por falta de domÃnio do japonês.
À tarde, depois de ser resgatada da chuva (não sei se vão conseguir abrir, mas eis uma amostra do que I faced: http://www.facebook.com/video/video.php?v=1751192693506) por um amigo, literalmente: não foi montar no cavalo branco, mas foi entrar voando na vuc preta, ou me afogar…, fui ver Cotidiani Clown (http://www.guiasp.com.br/sao-paulo/teatro/cotidiani-clown), lááá num teatro do Tatuapé. Meu amigo é mais animado que eu, porque com aquela chuva…nossa!
Depois de passar por muitos alagamentos, chegamos sem susto, e na horinha. O Teatro Silvio Romero, que fica em um centro comercial, é bastante bom. Confortável, com ar-condicionado, relativamente novo aparentemente, ou muito bem mantido. Era o último dia de apresentação e a sala estava bem cheia. Mais crianças e pré-adolescentes. Percebia-se que muita gente era da região. Que bom terem esse acesso à diversão e cultura.
Fiquei pensando que gostaria de ser um clown. Â Quem participou ou viu as performances de Miriana e depois Miriansa deve ter percebido que eu tenho algum jeito para a coisa. Bom, quem sabe um dia…
Pelo que entendi, o grupo que se apresentou era formado basicamente por diletantes, amadores  -não sei se seria o termo correto-, que estavam muito bem no palco.  Um é dentista, outra professora de culinária, outro policial…acho que do palco mesmo poucos, além do diretor-ator.  O espetáculo era para um público mais infanto-juvenil, mas me diverti com alguns sketches.  O guarda-roupa e a maquiagem eram bacanas; estavam todos comprometidos em cena, a música ao vivo era uma personagem importante. Apesar de algumas encenações terem temas conhecidos, houve momentos bem hilariantes. No mÃnimo conseguiram a atenção da plateia por todo o espetáculo.
Dali, diretamente para o SESC Pompéia…dia trepidante, hein!
Fui ver Lixo e Purpurina (http://www.sescsp.org.br/sesc/programa_new/mostra_detalhe.cfm?programacao_id=187441), peça baseada em textos de Caio Fernando Abreu.
Já havia visto uma peça baseada em texto desse autor (http://mskeller.blog.terra.com.br/2008/11/09/um-domingo-pra-ninguem-botar-defeito/). Foi em 2008 lá no saudoso SESC da Paulista (tomara que reabra em breve).  Gostei bastante da encenação, do texto.
A peça provou o que eu já sabia: o autor era poético, escreveu textos lindos, mas há muita dor, solidão, tentativa de se encontrar, se amar. Não chegaria a dizer que era uma alma torturada, mas não era, seguramente, uma personalidade linear, conformada, satisfeita. Apesar de tudo no espetáculo ser cool, blasé em muitos momentos, cinza, há muita sofreguidão por trás.
O cenário também é bem singelo, mas cumpre perfeitamente seu papel. A iluminação e a trilha sonora são ótimas.  O ator é que deixou a desejar. Talvez não por falta de talento ou competência, mas de vivência, de vida mesmo.  Claro que há atores, mesmo jovens, que prescindem disso (vivência pessoal e de palco), mas não creio que seja o caso de Davi Kinski.  Deu-me a impressão de uma coisa meio limbo, nem lá, nem cá. Talvez fosse a intenção da direção. Meu amigo que entende tudo de teatro disse que não. Então, não.
De qualquer jeito, apesar da densidade do texto não foi um sacrifÃcio a hora e meia de espetáculo. Esta peça, bem como 39 Degraus, ainda fica em cartaz por mais algum tempo. Consulte os links acima para ver horários e até quando.











