Escrever para viver!

Tudo que der na telha e que eu achar que vale a pena

28

de
fevereiro

Depois da tempestade…

vem mais chuva, pelo que temos visto em S. Paulo. Ontem foi um dia muito esquisito. Sol pela manhã, nublado e chuviscos no início da tarde, depois um temporal de fazer inveja a qualquer São Pedro. Maaassss…como somos bravos, fortes, filhos do Norte…a gente não se intimida.

Na verdade meu périplo de final de semana começou no sábado, que teve chuva também…

Fui ver a Cia. Truks (http://www.truks.com.br/) no SESC Pompéia. Fizeram uma mostra de repertório durante fevereiro naquela unidade. Como terminava neste final de semana, gosto muito dos trabalhos da companhia, não dava para perder. Fazia muito tempo que não via a Truks. Como já escrevi várias vezes, gosto muito de teatro infantil e tenho visto ótimos espetáculos.  Ver a Truks de novo foi muito bom, mas o que foi fantásitco lá atrás, por vários motivos, hoje é bastante bom e só. Ótimo isso, pois quer dizer que o teatro infantil tem evoluído.

Vi a reencenação de Vovô.  É a história de um imigrante judeu que foge da guerra, e vem parar no Brasil. A narrativa é feita (voz) pela neta mais velha de Vovô,  e com a ajuda do próprio ela conta sua história desde o nascimento, brincadeiras infantis, namoro, casamento, filho, viagem ao Brasil. Na Truks, vemos os manipuladores, todos de negro. Fazem os movimentos, as vozes, interagem entre si e com a plateia.  Valeu rever de todo jeito.

Antes da peça fui tomar um lanche no Rei do Mate do Shopping Bourbon. Como aquela loja é ruuuiiim. Já reclamei com a franquia, mas aparentemente eles não precisam dar atenção ao cliente. Os funcionários são ruins, lentos, descorteses. Trazem os lanches ou bebida e a gente tem de ficar pedido guardanapo, canudo, etc. Não oferecem adoçante/açúcar - eu não uso, mas isso não importa, deveria ser um procedimento default. Tudo bem que não usem isso em casa, limpem a boca na manga da camisa ou toalha da mesa (se houver), mas não dá para treinar esse pessoal? Além disso, desde a primeira vez acho que têm um aspecto sujo. Quando me sentei, a mesa que ocupei estava cheia de farelos. Não dá para passar um pano rapidinho? Ontem, pela primeira vez, vi alguém no caixa que não parecia funcionário - dono ou gerente, sei lá. Não adiantou muito. Dali dá para ver por que a coisa não funciona.

Depois da peça, um sorvete na Stuzzi, ali na Vila Madalena. Gosto muito do sorvete de lá, mas o atendimento também é bem meia-boca (estou contando alguma novidade?). Demorado, com algumas caras de má vontade. Depois da projeção na mídia, essa loja especificamente ficou pequena. Mereceria um repensar, ou uma ampliação, para dar mais conforto aos clientes. Há momentos em que fila de sorvete, de balcão e de caixa dão um nó, fora a falta de lugares para se poder degustar o sorvete ali mesmo, confortavelmente sentado.

À noite fui ver 39 Degraus (http://vejasp.abril.com.br/teatro/os-39-degraus-teatro) no Teatro Frei Caneca. $90 a inteira! É mole? A peça de Patrick Barlow baseia-se em obra homônima de Alfred Hitchcock (http://www.imdb.com/title/tt0026029/).  É uma comédia.  Os atores está muito bem azeitados, parecem divertir-se em cena, o que transmite uma sensação bem agradável. Além de Dan Stulbach, Danton Mello, que estão muito bem, Henrique Stroeter está ótimo. Uma amiga matou a charada: ele não fazia o Castelo Ra-tim-bum? Fazia, e era o Petrônio como ela percebeu.

A peça é bem ligeira - um inglês acolhe uma mulher que acaba sendo assassinada em seu apartamento. A partir daí é um tal de fugir da polícia, encontrar-se com bandidos, espiões, tentar escapar, cenas românticas, improváveis, no limiar do pastelão.  O cenário é minimalista, mas serve ao objetivo do espetáculo. Há trocas de roupas, por conta de inúmeras trocas de personagens. Somente a personagem de Stulbach segue intacta do começo ao fim. Há momentos em que essa troca de personagens/roupas lembra Irma Vap (http://pt.wikipedia.org/wiki/O_Mist%C3%A9rio_de_Irma_Vap), que eu assisti duas vezes por aqui com Nanini e Latorraca, mas só lembra e gera um bom efeito cômico e de tensão. No todo, a peça diverte, mas que essa entrada a $90 é cara, oooh, se é!

Aí fomos jantar: Paris 6, lotado. Então vamos de Margherita (http://www.margherita.com.br/). Fazia muuiitoo tempo que não ai ali. Um pouco de espera, mas atendimento cortês, rápido, pizza gostosa, preço até razoável (R$ 29/pessoa - pizza, refris, água, chope, entradinha). Valeu voltar.

Domingo foi dia de mais atividades: primeiramente ver um espetáculo do Kyôgen (http://en.wikipedia.org/wiki/Ky%C5%8Dgen), teatro tradicional cômico do Japão (data do século XIV), naturalmente falado em japonês, que eu NÃO domino, claaarooo.  Uma amiga avisou-me do espetáculo que seria às 11h, no Teatro Gazeta (Av. Paulista).  Gratuito, tinha de chegar uma hora antes para pegar os ingressos.  Cheguei umas 9h30, fila de umas 70/80 pessoas. Montes de orientais, muitos de certa idade, com quem a gente não cruza normalmente em outros espetáculos, cinemas, até pela rua, a não ser na Liberdade, por exemplo.  O Teatro Gazeta está bem decadente, derrubado, é desconfortável (fiquei na fila R, meus pés não chegavam ao chão - imagine a cena -, o assento da cadeira (de todas dessa fila) não levanta, então para as pessoas passarem a gente tinha de fazer contorcionismo. Fiquei até contente, pois meu nível de elasticidade está em uns 7 (top 10). Bom, né? Avaliação gratuita…

O teatro é grande, sei lá, uns 700 lugares, e estava lotado. Primeiramente, o ator Kaoru Matsumoto, interpretado para o português por Alice, deu uma aula bem interessante (um pouco longa, verdade) sobre o teatro Kyôgen. Fizemos até uns exercícios. Bem legal! Aí vieram as peças que são bem curtas. Uns 20 a 25 minutos cada. Parecem sketches, digamos assim. Relatam fatos de empregados e patrões, de espertezas “puras”, malandragens inofensivas.  Um dos atores, Shigeru Shigeyama, é a 13a. geração de uma das famílias que iniciou esse tipo de arte.  Interessante a impostação de voz, a postura no palco, as roupas. O cenário é sempre o mesmo, em todas as peças, em qualquer lugar, a qualquer tempo: um pinheiro ao fundo (uma tela, um paneau, etc.) e uma espécie de balaustrada. O importante é a atuação mesmo, a empatia dos atores, a modulação de voz, o gestual.  Antes de cada peça, a intérprete explicava um pouco do que ia acontecer. Claro que não entender japonês fez falta, mas não impossibilitou a apreciação, nem deixar de rir com a performance Kyôgen. Aliás, interessante, pois a plateia era 90% de orientais, mas acho que não mais de 30% conseguiam entender bem o que se passava no palco, justamente por falta de domínio do japonês.

À tarde, depois de ser resgatada da chuva (não sei se vão conseguir abrir, mas eis uma amostra do que I faced: http://www.facebook.com/video/video.php?v=1751192693506) por um amigo, literalmente: não foi montar no cavalo branco, mas foi entrar voando na vuc preta, ou me afogar…, fui ver Cotidiani Clown (http://www.guiasp.com.br/sao-paulo/teatro/cotidiani-clown), lááá num teatro do Tatuapé. Meu amigo é mais animado que eu, porque com aquela chuva…nossa!

Depois de passar por muitos alagamentos, chegamos sem susto, e na horinha. O Teatro Silvio Romero, que fica em um centro comercial, é bastante bom. Confortável, com ar-condicionado, relativamente novo aparentemente, ou muito bem mantido. Era o último dia de apresentação e a sala estava bem cheia. Mais crianças e pré-adolescentes. Percebia-se que muita gente era da região. Que bom terem esse acesso à diversão e cultura.

Fiquei pensando que gostaria de ser um clown.  Quem participou ou viu as performances de Miriana e depois Miriansa deve ter percebido que eu tenho algum jeito para a coisa. Bom, quem sabe um dia…

Pelo que entendi, o grupo que se apresentou era formado basicamente por diletantes, amadores  -não sei se seria o termo correto-, que estavam muito bem no palco.  Um é dentista, outra professora de culinária, outro policial…acho que do palco mesmo poucos, além do diretor-ator.  O espetáculo era para um público mais infanto-juvenil, mas me diverti com alguns sketches.  O guarda-roupa e a maquiagem eram bacanas; estavam todos comprometidos em cena, a música ao vivo era uma personagem importante. Apesar de algumas encenações terem temas conhecidos, houve momentos bem hilariantes. No mínimo conseguiram a atenção da plateia por todo o espetáculo.

Dali, diretamente para o SESC Pompéia…dia trepidante, hein!

Fui ver Lixo e Purpurina (http://www.sescsp.org.br/sesc/programa_new/mostra_detalhe.cfm?programacao_id=187441), peça baseada em textos de Caio Fernando Abreu.

Já havia visto uma peça baseada em texto desse autor (http://mskeller.blog.terra.com.br/2008/11/09/um-domingo-pra-ninguem-botar-defeito/). Foi em 2008 lá no saudoso SESC da Paulista (tomara que reabra em breve).  Gostei bastante da encenação, do texto.

A peça provou o que eu já sabia: o autor era poético, escreveu textos lindos, mas há muita dor, solidão, tentativa de se encontrar, se amar. Não chegaria a dizer que era uma alma torturada, mas não era, seguramente, uma personalidade linear, conformada, satisfeita. Apesar de tudo no espetáculo ser cool, blasé em muitos momentos, cinza, há muita sofreguidão por trás.

O cenário também é bem singelo, mas cumpre perfeitamente seu papel. A iluminação e a trilha sonora são ótimas.  O ator é que deixou a desejar. Talvez não por falta de talento ou competência, mas de vivência, de vida mesmo.  Claro que há atores, mesmo jovens, que prescindem disso (vivência pessoal e de palco), mas não creio que seja o caso de Davi Kinski.  Deu-me a impressão de uma coisa meio limbo, nem lá, nem cá. Talvez fosse a intenção da direção. Meu amigo que entende tudo de teatro disse que não. Então, não.

De qualquer jeito, apesar da densidade do texto não foi um sacrifício a hora e meia de espetáculo. Esta peça, bem como 39 Degraus, ainda fica em cartaz por mais algum tempo. Consulte os links acima para ver horários e até quando.

27

de
fevereiro

Gritos e sussurros

Tive um final de semana movimentadíssimo. Vou comentar tudo o que vi (uma peça infantil, uma mais ou menos, uma comédia, e um monólogo) em breve.  Antes de tudo isso, veio-me um tema à cabeça que não sei por que não comentei até agora.

Barulho! Isso! Não o dos bares, restaurantes, buzinas, mas o de pessoas.

Moro em uma avenida até que bem movimentada, mas com vários períodos de quase silêncio total.  Mesmo nos horários de rush, creio que devido às árvores que existem aqui no meu quarteirão, muito do ruído é absorvido ou minimizado.  Já morei em lugar supersilencioso, lá no Alto de Pinheiros. Era bom, mas gosto de ouvir um ruído ou outro, uma buzina, o rolar de pneus no asfalto molhado - adoro esse som!, vozes logo pela manhã. Principalmente agora que fico mais em casa, tenho menos contatos “humanos” - no escritório, querendo ou não, sempre havia muito movimento vocal e auditivo -, esses sons são muito confortantes, amigáveis, pelo menos para mim o são.

Em tardes quentes, tranquilas, sento-me na varanda, com meu vinho, meus acepipes e fico olhando o movimento (mais pesado devido ao horário), e a revoada de pássaros (grandes árvores próximas são verdadeiros ninhais), lendo alguma coisa, ou ouvindo meu Ipod.  Agora que cozinho mais para mim, ouço por longos períodos bem-te-vis e outros pássaros que minha ignorância ornitológica não deixa reconhecer.  E tudo isso me faz um bem enorme.

Só que tem gente notionless, que fugiu da escola nas aulas de física, e desconhece leis acústicas. Ou não se importa com os outros mesmo.

Tenho um vizinho que, em determinados períodos, exagera na bebida e chega em casa de madrugada alterado. Tem uma companheira que desanca com palavrões. Já chegou a deixar a mulher do lado de fora. Se é a mesma sempre, ela merece no meu modo de ver, pois aguentar essa humilhação amiúde  não tem justificativa. Enfim, o homem grita, berra, xinga, fala aos berros ao telefone. Moro no primeiro andar, que na verdade é segundo, e ruídos normalmente não me atrapalham. Tenho um sono bem pesado, mas na calada da noite, no silêncio da madrugada cada decibel vira 10.  Felizmente esses episódios não acontecem diariamente. Aliás, às vezes, a coisa não acontece por longos intervalos. Em outros momentos, acontecem duas ou três vezes numa mesma semana. Como disse, acordo, ouço, e volto a dormir imediatamente. Mas que é desagradável, até pela agressividade do texto, aaah, isso é.  Infelizmente, ninguém pode fazer nada, afinal gritar na rua, dizer palavrões ao léu não é crime, nem passível de reprimenda pelo condomínio ou por mim.

À parte este cidadão, há pessoas que passam pela rua à noite, de madrugada, e falam alto. Como se pelo silêncio e escuridão da noite, o que elas dizem não fosse ouvido por todos nos prédios, nas casas, na rua.  Fugiram da aula de física/acústica mesmo.  Tem gente que conversa sobre intimidades, revela detalhes pessoais que, se soubessem  que estamos todos ouvindo, engoliriam tudo rapidinho.

Quando ouço o silêncio, sempre tomo cuidado com o tom de voz. Não só para que o que digo não seja ouvido por terceiros ou por quem não quero, como para não incomodar as pessoas.  Mas esse não é um procedimento-padrão. Mais: hoje, não sei porquê, pessoas falam mais alto, gritam, excedem-se no volume, e nem ficam vermelhas ou constrangidas.  Sinal de tempos incivilizados.

Tem também aquela pessoa que gastou zilhões no som do carro e quer que o mundo, literalmente o MUNDO, saiba disso.  E de dia, de noite, de madrugada, sai por aí, com o som estourando. O pior é que, em geral, o gosto musical é duvidoso.

De todo jeito, é bom ouvir logo cedinho o pessoal que passa pelo prédio e dá bom-dia ao meu zelador e ele respondendo com cortesia e alegria.   O pessoal do hotel ao lado louco por um táxi, pessoas conversando ao ir para o trabalho.  Pássaros, muitos pásssaros ajudando-me a despertar.

Ouvir o silêncio é muito bom, mas ouvir a vida também é.

24

de
fevereiro

Isso é que é amigo-urso

Preguiça!  Nossa já estava achando que eu não era normal.  Após 4 meses de aposentadoria não conseguia sentir preguiça. Aquela preguiça sem culpa, assim, de decidir ficar em casa por ficar, porque está calor, porque vai chover, porque eu quero. Mas ontem foi meu début. Calor demais, vontade de não fazer nada. E não fiz. Hoje já teve feira, almoço com amigas, mesmo assim um dia tranquilo.

Aproveitei para ver um filme que estava em casa há anos: Grizzly Man (http://www.imdb.com/title/tt0427312/). Na época em que comprei o filme achei que o tema era interessante. Lembrou-me a história da cientista que viveu entre os gorilas e que rendeu o filme  Nas montanhas dos gorilas (http://www.imdb.com/title/tt0095243/), bem como Into the Wild (http://www.imdb.com/title/tt0758758/).

O filme dirigido e com roteiro de Werner Herzog, pasmem!, trata da vida de um americano que se dedicou, por mais de uma década, a proteger os ursos cinzentos (acho que é essa a tradução aproximada). Na verdade, algumas pessoas que participam do filme (técnicos) não veem a atuação de Timothy Treadwell (http://pt.wikipedia.org/wiki/Timothy_Treadwell) tão positivamente, aliás, bem ao contrário.  Há momentos em que o próprio Herzog se emociona (quando ouve os momentos finais de Treadwell), mas o que se vê por todo o filme é uma pessoa desequilibrada, que transitou por bebidas e drogas pesadas, perdida no mundo e que, para sua sorte, encontrou um ambiente em que se sente bem, em que se acha acolhido. Tudo isso tem um fim nefasto. Acho que os ursos não confundiram nada, pelo que se vê, mas o Treadwell viajou na maionese mesmo. Uma pena!  Foram 13 anos de viagens ao Katmai National Park, Península do Alasca.  Ele tinha patrocínio, claro, mas aparentemente nada que o deixasse rico; tentou entender o microcosmo em que estava, mas não tinha a mesma formação, por exemplo, de Dian Fossey que viveu com os gorilas.  Seu amor pelos ursos, pela região, eram mais que verdadeiros. Ele foi bastante corajoso, ou não?, para ficar meses sozinho, na maioria dos períodos, into the wild e no meio dos ursões. Agora, aquele negócio de ficar dizendo “I love you” para ursos, raposas, e ficar conversando com eles, como se fossem seus iguais, revelava um certo desequilíbrio ou, no mínimo, um certo distanciamento da realidade.  Ele só sofreu o que sofreu porque ultrapassou limites, o que é um tanto surpreendente, uma vez que ele era o único “racional” no pedaço.

Também fica um pouco nebuloso como ele atuou de fato em favor dos ursos. Verdade que se transformou em personalidade nacional, mas o que exatamente e pragmaticamente isso fez pelos ursos ditos em risco?  Mesmo em 2003, última jornada à região, não dá para entender o que seu movimento/exposição conseguiram em termos de maior proteção aos ursos.

De qualquer forma, é um filme interessante. Incomoda tanto quanto Into the Wild, só que no caso de Grizzly Man é a própria vítima que está  ali, diante da gente, durante todo o filme.  Dá uma certa tristeza.

Fotografia muito bonita, música bem bacana também.

23

de
fevereiro

Retorno ao front

Há uns 10 dias visitei a Biblioteca Municipal Mário de Andrade (http://mskeller.blog.terra.com.br/2011/02/13/nao-sei-se-rio-ou-choro/).  Fiquei um tanto inconformada com o fato de ela ter sido reinaugurada após 3 anos de fechamento e ainda faltar tanto por fazer. Basicamente, devido ao pouco investimento que o alcaide e sua turma destinam à área. Afinal, quem vai ler, né? Para que essa gente da cidade precisa de uma biblioteca completa, bem montada, com internet, acervo digitalizado?

Como mencionei no post de 13/2/2011, o restauro, considerando tudo o que foi feito, foi mais que a bom preço. As empresas que cuidaram dos trabalhos foram conscientes e comprometidas com o bem público.  Justamente por isso esperar-se-ia um pouco mais de generosidade da administração municipal nos complementos necessários, i.e., digitalização rápida do acervo, número de funcionários suficiente, instalação de ar-condicionado para os usuários, etc.

Como a biblioteca oferece visitas monitoradas às 3as. e 5as., 11h e 15h., gratuitas, resolvi voltar ao local. Apesar de no site da biblioteca (http://www.prefeitura.sp.gov.br/cidade/secretarias/cultura/bma/noticias/?p=8699) haver um telefone de contato para agendar a visita, ao ligar para o número indicado, pediram-me para ligar para outro (32565270). Ali obtive informação sobre a visita e que, para agendar de fato, deveria enviar e-mail para circbma@prefeitura.sip.gov.br, e foi o que fiz. Cheguei antes para poder me cadastrar na Circulante. Foi um processo fácil, apesar de ser manual ainda. Por que não fazer cartões magnéticos? Assim quando alguém retira ou devolve um livro, tudo fica registrado automaticamente, os funcionários ficam liberados para um atendimento mais amplo aos usuários ou até para trabalhos relativos às obras. O pessoal dali atende bem, está sempre atento às necessidades dos usuários, atualmente uns 800 por dia, segundo me confirmaram.  Tive de deixar minha bolsa no guarda-volumes. Um processo estranho, pois dão um crachá com o número do armário para o visitante, mas não a chave, e há um aviso que “não se responsabilizam pelo conteúdo do que é deixado ali”!  Não entendi?  Então dê a chave para o usuário, oras! Cruzei com a mesma funcionária do dia da visita com os arquitetos. Não sei se a expectativa já era baixa, ou se já sabia mais ou menos o que poderia encontrar, pois até interagi bem com a funcionária, que até pareceu-me simpática. Mas o ritmo era o mesmo do outro dia: um tantinho lento. De novo, talvez o problema não seja ela, mas da falta de infra mesmo.

A Circulante (http://www.prefeitura.sp.gov.br/cidade/secretarias/cultura/bma/acervos/index.php?p=7961) é bem bacana. Uma delícia estar por ali, flanar pelas estantes, procurar no sistema (há uns dois ou três terminais para pesquisa da obra que a gente quer), e, independentemente, ir até a prateleira e achar os livros. As obras de referência e uma parte da biblioteca devotada a S. Paulo não podem sair dali, mas há muita coisa à disposição. Obras até bem recentes.  No mezanino da Circulante, há uma bancada para estudos, bem agradável, silenciosa. Muito bom. Tudo é bem claro, mas nada de refrigeração. Há meia dúzia de ventiladores, daqueles de pedestal, tentando afastar o calor nestes dias tórridos, claro que de forma pouco efetiva e , provavelmente, gastando uma energia louca.  Uma pena que o usuário tenha sido tão relegado neste aspecto. E há que se lembrar que o ambiente é insalubre também para os funcionários, que passam ali muitas horas.

O café do espaço de convivência continua fechado. Imaginem quanto por dia a biblioteca ou o cidade perde por aquilo não estar alugado, cedido, ou o que for, e funcionando. Eu queria tomar um café e água, tive de ir até o bar da esquina. E quanta gente não faz o mesmo? Pessoas que passam horas, estudantes reunidos para ler ou fazer algum trabalho. Ooooh, falta de visão e proatividade!

A Mario de Andrade agora tem uma marca bonita. Perguntem se alguém pensou ou pensará em deselvolver itens para venda: camisetas, canetas, lápis, chaveiro…dinheiro não dá doença, só ajuda, sobretudo a coisa pública sempre necessitada de fundos.

Ontem havia um grupo fazendo estudos referente à viabilização de wi-fi para uma sala de leitura, exterior à Circulante. Acho que com reza brava vai.

A visita começou um pouco atrasada (15h15), mas isso não foi tão rui, pois pude observar a recepcionista (falha minha, não perguntei o nome) em ação. Muita paciência, informações claras, boa disposição para atender o público. E olha que ela respondeu umas dezenas de vezes às mesmas perguntas, sempre com calma, com cortesia. Parabéns!

Minha visita (only me!) foi conduzida pela Aline da Sala de Artes.  Eles têm uma apresentação já montada que é exibida no teatro (primeiro andar). Boa apresentação! Também dei sorte, a Aline é muito simpática, articulada, interessada e conhece bem a biblioteca.  Não tive acesso à torre, como no outro sábado (quem viu, viu, gente…), mas pude ver a Sala de Obras Raras e um mapa de S.Paulo de 1922, na Sala  de Mapas.  Vi o exemplar no. 1 da primeira edição de Macuinaíma, ofertada pelo próprio M. de Andrade à biblioteca.  É preciso agendar pesquisa/uso tanto na Sala de Mapas quanto na Sala de Obras Raras.

Os fichários continuam ativos. Uma parte, bem pequena, já foi digitalizada, mas a pesquisa ainda, em sua maior parte, é na base da fichinha mesmo.

Voltei a visitar a sala de leitura no térreo, para onde seguirão jornais, revistas, etc. Sala de leitura tão-somente mesmo. A mesa desmontada continuava lá, e a sala vazia.

Percebe-se um vácuo em termos de funcionários também. É como digo, infelizmente a administração pública não dá valor a um espaço tão vital à educação e cultura como esse.

Na Sala de Obras Raras fui atendida pela Joana que, vê-se, gosta muito do que faz. Neste link dá para ver as obras digitalizadas (muitas fotos, muitas gravuras, mapas), uma coleção fantástica:http://docvirt.no-ip.com/demo/bma/bma.htm.

Resumo da ópera: gostei muito de ter voltado à Circulante, fez-me recordar meus tempos de estudante. Até peguei dois livros de Beckett que queria ler.  Se alguêm tiver interesse no acervo, veja este link:http://bibliotecacircula.prefeitura.sp.gov.br/pesquisa/.  O cadastro é bem simples e rápido: rg, comprovante de endereço e vontade de ler.

Ah, sim, antes de ir para a biblioteca, fui almoçar no Paribar (http://vejasp.abril.com.br/revista/edicao-2165/paribar-inauguracao-centro), restaurante/bar quase centenário.  Fechou, reabriu, e está bem bonito. A comida é bem saborosa, os preços são os que estão por aí, infelizmente.  Comi um paillard com salada, um creme de limão siciliano (a base é o do de papaia, mas com o limão o sabor é bem refrescante. Estava muito bom), um café, água, serviço: R$ 52. Atendimento simpático, mas patinante como na maioria dos lugares. Curiosidade: fui chamada de madame um monte de vezes…Assim até volto para um happy hour comigo mesma.

22

de
fevereiro

Isso é que é filme de terror

Você vai para o cinema esperando poder entender melhor o que acontece no mundo a sua volta. Chega lá, compra o ingresso, aboleta-se, e fica em estado de alerta. Documentário que parece interessantíssimo. Crise financeira/imobiliária de 2008. Bastidores.  Meu estado de espírito: será que vão contar tudo mesmo? Já assisti a vários documentários, e.g., Michael Moore (http://www.imdb.com/name/nm0601619/), Morgan Spurlock (http://www.imdb.com/title/tt0390521/), Oceanos (http://mskeller.blog.terra.com.br/2010/06/05/nao-sei-o-que-foi-melhor/), e todos eles me pareceram corajosos, tocando na ferida, sem medo.  Documentários de primeiro mundo, de mundo civilizado, de democracias, que puderam chegar a nós, podem ser vistos e revistos, ganharam prêmios. Trabalho interno (http://www.imdb.com/title/tt1645089/) felizmente pertence a esse grupo.

No entanto, por incrível que pareça, apesar de eu não ter dinheiro no mercado financeiro para me preocupar, estar bem longe dos bônus e ônus que esse mercado pode causar, fiquei inquieta, um tanto desesperançada.

O filme, narrado maravilhosamente por Matt Damon, trata da crise financeira/imobiliária que culminou em 2008 nos EUA e acabou respingando pelo mundo todo.  As personalidades entrevistadas no filme são de primeiro escalão. Os bambambans do FED americano, da SEC, e alguns dos maiores responsáveis pela alimentação e estouro do problema não quiseram dar declarações ao documentário. Outros, sobretudo grande luminares universitários de Economia, professores universitários que, aparentemente, venderam suas almas ao governo americano, a ganhar muito dinheiro dando pareceres comprometidos sobre empresas, a boards de empresas como AIG, Enron, etc., falam de sua experiência.Alguns perdem o rebolado, outros gaguejam, gaguejam, gaguejam (deu até orgulho de Gil, de Dilma em campanha. Os americanos gaguejam muito mais), outros respondem com uma cara-de-pau de fazer inveja a qualquer político brasileiro.

A grande questão é: como o americano médio, que apesar de não ser uma maravilha em termos de conhecimento, educação formal, visão de mundo, mas é bom de trabalho, de nacionalismo, tem acessos que nós, brasileiros médios não temos, vive em uma democracia, que por pior que seja ainda é uma das melhores estruturas do mundo (para ver como nosso mundinho está sofrido…), chegou ao ponto que chegou. Engoliu toda a bobagem que as autoridades econômicas e financeiras americanas expuseram durante quatro ou cinco anos?  Como acreditaram naquele conto de fadas?

O pior é que muitos estudiosos, jornalistas, políticos inclusive de outros países, alertaram continuamente sobre o que viria, mas nem o cidadão, nem os representantes do governo, encastelados em sua arrogância e visando lucros pessoais enormes (há valores que eu nem posso imaginar o que sejam, valores reais, pagos a esses homens e mulheres que quase puseram um pais abaixo) não quiseram ouvir e continuaram em sua cruzada de desregulamentação e bandalheira do sistema financeiro americano.  Deu no que deu: desemprego como nunca se viu por aquelas terras, trilhões de dólares de dinheiro público utilizados para apagar o incêndio, salvar companhias que deveriam ter sido punidas exemplarmente e não o foram.  Aliás dinheiro público que não existe hoje para dar bem-estar ao cidadão americano. O governo atual quer cortar a carne dos americanos, apesar de ter gastado mal tanto dinheiro.  Quer dizer, não vamos lá buscar de quem tirou, dar um jeito de esse dinheiro voltar a quem é dono dele, o americano médio, mas, sim, fazer do jeito mais fácil.

Os EUA sempre foram país de lutadores, trabalhadores, gente comprometida com a nação, economia sólida, grandes cérebros. Só por isso a coisa não foi pior na mão daqueles mercenários que se apoderaram - ou foram colocados lá - dos controles financeiros do país.  Difícil acreditar que depois de ter ficado claro que posicionamentos incorretos ou suspeitos, para dizer o mínimo, é que geraram o desastre, Bush manteve os homenzinhos a sua volta, e, pasmem!, Obama chamou vários deles para seu governo. Como assiiiimmmmmm?Premiar a incompetência já é dose, agora la malhonêteté? Por isso a lua-de-mel com Obama acabou rapidinho, ele está meio perdidão, e a coisa não flui bem.  E haja cortes para reparar o mal feito pela camarilha que estava e continua por lá.   E jornalistas, estudiosos, etc., continuam batendo que está tudo errado, mas parece que o pessoal do governo tem graves problemas de audição.  Até o FMI,que é possuído pelos países ricos, manifestou-se peremptoriamente sobre o tema, e naadaaa…

Apesar do horror que o documentário mostra, ie., se lá é assim,imagina por aqui…lá quem é contrário ao que se faz está no documentário, ganha dinheiro, tem uma vida, é considerado, e está vivo e saudável.  Em poucos países isso seria possível.  Mas que dá medo dá, pois basta projetar: se der a louca em nossas autoridades financeiras, nesta economiazinha nanica que temos, imaginem só o desastre, a falta de controle, as consequências. Penso nisso constantemente, atualmente, pois a inflação está aí de novo, insipiente, mas está, e quem já viveu anos de superinflação sabe o mal que isso causa. É terrível olhar para presidente, ministro, que parecem tão perdidos quanto a gente, sem competência para resolver a questão, apostando, apostando, apostando, a gente pagando a quebra da banca.

E pena que os EUA tenham alcançado o Brasil em um aspecto: nunca a diferença entre os mais ricos e mais pobres esteve tão grande. O 1% mais rico ficou ainda mais rico.  Termos “exportado” esse modelo não me deixa orgulhosa, não.

Quem pensava que o Federal Reserve, a SEC, ah, e as agências como Standard and Poor’s!,  fizessem alguma grande diferença lá pelas terras americanas, pode deixar essa ilusão de lado. Na melhor hipótese apóiam poderosos, visam vantagens pessoais, e fazem propaganda enganosa. No caso das agências de classificação (Standard and Poor’s e as outras duas grandes do mundo), dias antes dos problemas com o Lehman Brothers, AIG, etc., essas agências classificavam todas essas instituições como sólidas e sem risco.  É de ferver o sangue ver os representantes das 3 agências dizendo em juízo que o que eles dizem/divulgam (classificam) é uma opinião e não deve servir de base para decisões, compras, vendas, etc.  Perguntados, ele reiteram: é apenas uma opinião. Tipo: acho que…, deve ser…, talvez…E tem gente que paga zilhões (companhias, países, governos, etc.) para ter a chancela dessas organizações.  Então quando lerem o nome de uma delas em qualquer lugar, podem pular…a opinião deles é tão válida quanto a minha, tá?  Todas têm o rabo preso. É brinca?

Pois é, quase desesperancei, mas sou brasuca, sou brava, sou forte, sou filha do Norte…Porém, certamente, minha fé na raça humana, nas ditas democracias, sociedades desenvolvidas caiu um bocadinho.

20

de
fevereiro

Experiências interessantes

Pela primeira vez vi uma peça no teatro do Itaú Cultural. Pequeno, gratuito, mas com inclinação insuficiente, ie., se alguém mais alto sentar na sua frente você perde parte da cena, a não ser que esteja na parte mais elevada/posterior da sala. Por quê, ooooh, por quê, insistem em construir teatros inadequados? E não deve fazer muito tempo que esse foi construído. As cadeiras são intercaladas, mas isso adianta só um pouquinho. E não venha me dizer que é problema de orçamento, afinal tem de banco do meio. Enfim…

Vi uma peça  que ficou pouquinho tempo na sala: O amor das três laranjas ou kd você? (http://vejasp.abril.com.br/teatro/o-amor-das-tres-laranjas-ou-kd-voce)  realizada por três grupos: Cia. Dramática, Absurda Confraria e Grupo Seis com Casca.  Apresentaram uma releitura clown, se posso dizer assim, do conto  de mesmo nome (sem o ou kd você) de Giambattista Basile (1772).

Música ao vivo, guarda-roupa superbonito, efeitos visuais impressionantes, dinãmica muito boa. O texto é bom, fácil de digerir, o timing dos atores é ótimo. Há personagens ótimas, como a Morgana (malvada!!!), e o acompanhante do príncipe.

É a história de um príncipe que tem de quebrar um encanto encontrando as 3 laranjas. E com uma delas se casa e vive feliz para sempre.  Bobinho, né? Mas o texto adaptado rende boas risadas, poesia, encantamento.  Pena que a temporada tenha sido curta. Vi no último dia. Uma filona tentando entrar, a sala é pequena…

Aproveitei que estava por ali e vi a mostra sobre Haroldo de Campos (http://www.itaucultural.org.br/index.cfm?cd_pagina=2688). Bem interessante e bem montada, e gratuita.

Hoje foi dia de outra experiência bem interessante: ver teatro amador realizado por jovens do Jaguaré. Projeto patrocinado pela Roche. Direção: Leandro Oliva. Crescer, cenas de fases da vida da Cia. de Teatro Vizinho Legal (http://ciadeteatrovizinholegal.blogspot.com/).  Uma colcha de retalhos, bem cosida, de vários textos (de autoria do diretor, dos atores, e de autores teatrais). A peça é realizada em uma casa, e os espectadores (apenas uns 15) vão de deslocando conforme vão ocorrendo os “retalhos”.  Dinâmica bem interessante, já aplicada em outras peças por aqui.

Os atores, apesar de jovens e amadores, conseguem dar seu recado. Têm timing, o texto está azeitado.  Claro que há até dicção para se melhorar, mesmo assim são bravos, são fortes!  Há vozes ótimas, há interpretações muito boas (algumas nem tanto), há alegria, há prazer, há comprometimento.  Tomara que possam seguir no exercício do palco, senão para dali tirar sustento, pelo menos para que continuem a evoluir como indivíduos.  Parabéns ao diretor, Leandro, que conseguir lapidar aqueles jovens.

A peça fica em cartaz até o final de março. Vale ver.

18

de
fevereiro

Magicians do not exist, será?

Ontem fui ver O mágico (The illusionist - http://www.imdb.pt/title/tt0775489/), animação de Sylvain Chomet, o mesmo de As bicicletas de Belleville (http://www.imdb.com/title/tt0286244/).  As bicicletas foram um marco para mim em termos de animação. Nenhum texto, só muita música (jazz sobretudo), e muito muttering (resmungos, ou pedaços de palavras), e mesmo assim tudo tão claro, cristalino! Um desenho para guardar na memória. Lindo, lindo, lindo.  E teve muito movimento: rapto, ação para recuperar o refém, etc.

O mágico já é diferente. Muito bonito, tocante, enredo simpático, música bonita também, mas não me encantou tanto quanto As bicicletas. Claro que é uma animação de primeira, sensibilíssima, mas faltou alguma coisa.  Da mesma forma que na produção anterior, não há diálogos, texto, mas sim os mesmos “resmungos”.  A história passa-se na Escócia, em vários lugares. Tem francês (idioma), misturado com inglês e gaélico.  Trata-se de um mágico decadente (o mundo desses artistas depois de David Copperfield (http://pt.wikipedia.org/wiki/David_Copperfield_(ilusionista)), aliás acho que desde Houdini (http://pt.wikipedia.org/wiki/Harry_Houdini) já não é mais o mesmo), que vai apresentando seu espetáculo onde é possível, colhendo poucos aplausos, ganhando o suficiente para pular de galho-em-galho, sobreviver.  Mas com élégance, com aplomb. Le M. Magicien é um verdadeiro cavalheiro! Acolhe uma menina pobre, aparentemente sem eira-nem-beira, alimenta-a e a vê tornar-se adulta, até que percebe que nada mais tem a lhe oferecer. Afinal, o mágico só quer encantar, e muitas vezes o encanto não é percebido por todos, não tem o mesmo efeito.

Acho que não gostei tanto quanto deveria injustamente, pois fui com a expectativa lá em cima, creio que pela lembrança tão vívida de As bicicletas. Não é um Toy Story, mas não fica tão atrás.  É uma animação bem diferente do que estamos acostumados a ver.   Um desenho bem bonito e delicado.

Melhor ver rápido, pois está em pouquíssimas salas.

Ah, o roteiro original foi escrito por Jacques Tati (http://www.tativille.com/).  Esse site sobre Tati é ótimo!  Inclusive em O mágico há até uma pequena projeção de Mon Oncle, um dos hits do artista francês.

17

de
fevereiro

Mudando de assunto

Nossa, faz muito tempo que não falo de livros por aqui. Vou lendo, vou lendo, e até me esqueço de escrever. Cinema, teatro, comida, passeios, tudo muito bom, mais levinho, mais dinâmico, mas e os livros? Vou tentar manter mais regularidade nos posts “literários”. É que nem sempre acho que vale comentar e tem tanta coisa no mercado ou para ser lida…enfim, vou tentar.

Recentemente voltei a ler Agatha Christie (http://pt.wikipedia.org/wiki/Agatha_Christie). Com ela e Conan Doyle (http://pt.wikipedia.org/wiki/Arthur_Conan_Doyle) aprendi a gostar de detetives, suspense, policiais, caça ao criminoso.  Cheguei a ler, tanto de um quanto de outro, um livro atrás do outro, sem tomar fôlego. Em português ou inglês, adorava os dois autores.  Aí a febre passou, e passei a ler livros de suspense, investigação, detetitves, policiais de outros autores, mas com menor frequência. É…muita coisa para se ler por aí.

Um dia, dando uma olhada em uma Saraiva (não sei onde), vi uma edição muito interessante: vira-vira, i.e., dois livros em um, só que um fica de ponta-cabeça para o outro, cada um de um lado do livro (frente / verso). Bem bolado, levinho, baratinho, e acaba estimulando a leitura (2 em 1).  Escolhi o Assassinato no campo de golfe, que não lembrava de haver lido anteriormente. E não havia lido mesmo. No outro lado do livro, contos com Poirot (http://pt.wikipedia.org/wiki/Hercule_Poirot).

Lendo os contos, dei-me conta de que eu já havia assistido à grande maioria numa série da tv paga, estrelada por David Shuchet (http://www.imdb.com/title/tt0094525/). Ele é realmente a encarnação do pequeno belga.  Só que imagino que isso tenha custado caro ao próprio Suchet. Desvincular-se de uma personagem tão forte, longeva (vi dezenas de episódios), não deve ser fácil, meio que marca o ator/atriz para o resto da vida.  Já vi uns dois filmes com o Suchet (não me lembro quais), mas a imagem que ficou para mim foi a de Poirot mesmo.

Tanto os contos quanto a narrativa são ótimos.

O interessante é que minha percepção deve ter mudado. Lembro-me de  que ficava com a respiração suspensa em vários trechos dos livros, não via a hora de chegar ao final para saber do desenlace da trama. Nesta leitura, diverti-me muito mais. Dei mais risadas com Poirot e o fiel Hastings, sem deixar de vibrar com os lances investigativos.  Percebo melhor, não só a inteligência da personagem, mas sua ironia, seu timing brincalhão.

A trama é a de sempre, o que não quer dizer que não seja explorada com originalidade pela autora: alguém matou alguém, chamam Poirot, há um monte de suspeitos, todo mundo mente por um motivo ou por outro, muitos imbroglios, e no final, voilà, meu caro Hastings! Neste livro em particular (Assassinato no campo de golfe), Poirot trava uma batalha com um policial moderno. Eu diria que foi um dos precursores do CSI: M.Giraud. Ele fareja, cata, mede, guarda, etc., mas não consegue superar o cérebro do belga. A mensagem é: nem só uma coisa, nem outra. As duas correntes têm de andar juntas para chegar ao sucesso. E é basicamente o que se vê nas séries americanas de CSI.

Bom rever você, Agatha.

Depois de um thriller, nada melhor que um texto que fala à alma, que comove, que emociona. Um texto de García Marquez (http://pt.wikipedia.org/wiki/Gabriel_Garc%C3%ADa_M%C3%A1rquez):  El coronel no tiene quien le escriba (http://es.wikipedia.org/wiki/El_coronel_no_tiene_quien_le_escriba). Na verdade, em todos os lugares a obra é mencionada como novela, mas para mim parece mesmo é um conto. O resumo está no link acima. O enredo é interessante, mas lindo mesmo é como GM constrói o coronel e sua mulher. São de doer de tanta tristeza, angústia. A gente acompanha cada dia, cada passo, cada pensamento com o coração apertado.  Um texto contagiante e emocionante. A obra foi escrita em 1957, e a publicação que li é de 1993, da Alianza Cien da Espanha. Foi uma releitura que valeu muito a pena.

Para terminar, uma frase (há muitas admiráveis) do coronel:

-Así es - suspiró el coronel -, La vida es la cosa mejor que se ha inventado.

Apoiadíssimo!

17

de
fevereiro

A gente pensa cada bobagem

Ouvi e li várias opiniões sobre o filme O turista (http://www.imdb.com/title/tt1243957/). Até a entrevista de Johnny Depp no programa do David Letterman me desanimou um pouco. Tudo dava a impressão de que o filme era da Angelina Jolie e só.  E eu que gosto tanto do Johnny Depp (http://mskeller.blog.terra.com.br/2010/04/24/voce-esta-atrasado-voce-esta-atrasado/)…Pensei, acho que não vou assistir, não. Imagine, ver meu darling Depp subjugado por uma Angelina qualquer…

Mas aí o acaso ajudou-me de novo. Eu tinha de comprar umas entradas no teatro do Shopping Frei Caneca, então aproveitei para ver um filminho por lá.  Afinal, é fora de mão para mim, não gosto daquele pedaço da cidade, não gosto do shopping, então vamos tornar a coisa menos dolorosa, mais proveitosa.

Em S. Paulo, por conta do amadorismo dos que são responsáveis por vários negócios na cidade, recorrer a qualquer serviço (comer, ver um filme, ir ao teatro, tomar um táxi, fazer uma compra) torna-se uma corrida de obstáculos.  E haja preparo físico e emocional.

Chegando ao SFC fui para o andar dos cinemas. Olhei, olhei, olhei e me decidi por O Turista. Havia outros possíveis, mas resolvi arriscar.  Felizmente a sessão seria às 16h. Felizmente porque eram 13h45, só havia um caixa aberto, por ser dia de preços reduzidos, a fila estava enorme, e tinha filme começando às 14h. Um monte de gente bufando, estressada, tinindo. Ooooh, energia ruim… Finalmente às 13h50 abre um segundo caixa.  Incrível!  E sabem quantos filmes teriam inicío às 14h? Cinco, isso, cinco! Cine Unibanco, hellooooo!

Bem, comprei minha entrada e fui comer algo (não havia almoçado) no restaurante New York. Eu gosto do jeitão do lugar, dos pratos, os preços até que não são extorsivos. Gostava…foi difícil achar um lugar que não estivesse rasgado, com um buraco imenso no assento.  Não dá pelo menos para disfarçar com um pano, uma capa?  Um  horror. Sabe aquela coisa molambenta mesmo? Num shopping?  Cadê a administração do shopping que não faz uma vistoria. Afinal, primeiramente os clientes vão ao shopping, depois aos restaurantes, cinemas, etc.  Pelo menos o core (comida) estava bom, preço nem tanto: um filé à cavalo, com arroz, farofa, salada, uma água, serviço = R$ 36,00. Serviço, bonzinho.

Comprei as entradas e voltei para o piso do cinema para tomar um café. O Café Scada, que está em vários shoppings, é bem gostoso no SFC. O atendimento sempre é bem atencioso, tem umas coisinhas gostosas. Deu para esperar o início da sessão em paz.

O filme é um thriller muito bom, de começo a fim.  O cerebelo do espectador fica em moto contínuo. Bastante ação, mas sem efeitos especiais rocambólicos. Johnny Depp garante o humor, o charme.  A Angelina Jolie, lindíssima, faz uma personagem bem aguadinha.  Diferente de tudo que ouvi, ela é que é a escada para o JDepp.  Estão ótimos também Paul Bettani e Timothy Dalton (quanto tempo!).  A trilha é bem bacana, fotografia/locações (Veneza, people) muito bonitas.  Guarda-roupa idem, tanto para Angelina quanto para os demais.

É um filme totalmente globalizado. Além da polícia britânica, Interpol italiana, francesa, gângsters russos, magnatas e escroques americanos, sobrou até menção para um cirurgião brasileiro que teria alterado o rosto do espertalhão Alex Pearce, par romântico de Angelina, nunca encontrado apesar de procurado o tempo todo do filme.

A trama é bem interessante. Principalmente o final foge do esperado, deixa o espectador na dúvida, até que venha o grand finale. A direção foi bem precisa. Podia ser um negócio patético, mas, não: ação, beleza, elegância, um filme interessante (e improvável, será?) até o final.

Da mesma forma que Amor e outras drogas (http://mskeller.blog.terra.com.br/2011/02/16/ni-hao/), um filme para se ver a qualquer hora. Diversão garantida.

Depois deste enlevo…voltar para casa. A cidade estava um caos após uma chuva forte. Novidade, não?  Impressionante! Levei duas horas e meia entre tomar meu ônibus e chegar em casa, coisa que leva normalmente 30 minutos.  Ainda bem que meu fiel Ipod estava comigo. Se não é o produto de São Jobs, sei não…Estresse, buzina, gente com cara conformada dentro dos carros, motorista de ônibus irritado, gente descendo do coletivo para fazer o percurso a pé (se eu tivesse ido a pé teria chegado antes em casa, seguramente, mas não estava com voglia).  Terrível a situação em que a administração pública deixou a cidade. Pior, não tem nem ideia de como resolver o assunto, ou pelo menos começar, minimizar.  Que os céus nos ajudem, mas sem chuva!

16

de
fevereiro

Ni hao!

Assim, sem mais nem menos, fui ver Amor e outras drogas (http://www.imdb.com/title/tt0758752/). Poderia ter sido outro filme (havia mais duas alternativas), mas o destino me levou à sala 10 no Unibanco Shopping Pompeia/Bourbon.  Essa sala é ótima. Cadeiras muito confortáveis, como as do Cine Livraria Cultura (ex-Brombril), lá do Conjunto Nacional.  Além disso, tem um sofá, isso mesmo, sofá, lá no fundão da sala.  Se tiver pouca gente, e if you have the nerve, dá para se recostar e assistir ao filme como se fosse em casa.

Pelo que tinha lido, o filme era mais comédia.  Na verdade, tem um pouco de tudo, até discussão das mais sérias, ou seja: laboratórios+representante farmacêutico+médicos/profissionais da área = primeiros interesses pessoais/individuais + o paciente que se aguente.  Talvez essa equação seja um pouco simplista e dramática, mas no fundo é isso. E se dá nome aos bois: Pfizer e Lilly. Prozac e Zoloft.  Até chegar ao Viagra.  Ah, e tem Parkinson também, e os grupos de ajuda.  Afinal, apesar do romance água com açúcar e muito sexo (fazia tempo que não via tantas cenas e tão tórridas numa comedinha), assuntos muito interessantes. Até o depoimento do marido de uma mulher com Parkinson é impressionante, e muito didático, e so real!  O Gyllenhall, que eu adoro, está ótimo. A Hathaway, se estivesse num frufru, ensaiando un pas-de-deux poderia até estar concorrendo ao Oscar. Ela está ótima.  O filme lembra um pouco Sweet November (http://www.imdb.com/title/tt0230838/).  A postura da mocinha esse filme é a mesma da personagem de Hathaway, a do rapaz é que é um pouco diferente no início. Enfim, uma história bem humana, bem conhecida, bem possível.

A trilha é bacana, a fotografia também. Oliver Platt e Josh Gad também estão muito bem.

Filme bom para qualquer hora. E não precisa levar o lencinho, não é para tanto.

Depois de uma tarde etérea, vamos dominar o mundo. Como? Aprendendo mandarim.

Minha primeira aula! Para quê? Não, não tenho a pretensão de sai por aí falando com todo o pessoal da Liberdade (sim, porque a Liberdade já foi dos japoneses, agora é dos coreanos, mas tem muito chinês por lá) no idioma deles.  O objetivo é espantar o Al(zheimer), pois pelo fato de ser uma língua “pictórica” a gente usa os dois lados do cérebro (supondo que eu tenha cérebro e ele tenha dois lados, claarooo). Além disso, a cultura chinesa parece ser muito interessante. Conheço superficialmente, apenas. Hora de aprofundar. Tudo que a gente vê e lê, traz os chineses como grandes comerciantes, negociadores, inventores, artistas, isso há milênios.  A língua é verbalização de pensamento, então por meio dela é possível entender a lógica,  a visão de mundo do chinês.  Vou tentar.  Além disso, faz tempo que não faço um curso em classe. Voltar à convivência de alunos, professor, ajuda a sair do quadrado.

A primeira aula, com o professor Qin (um chinês que fala cara, mano, não tem sotaque - acho que ele é made in Paraguay, sei não), foi bem gostosa. Como diria minha mãe, tudo no começo é novidade e alegra a alma. Vamos ver como fica lá adiante.  A escola (Chinbra - http://www.chinbra.com.br/) é bem simples, low profile, mas o método parece ter bastante sucesso e a escola é reconhecida. Todos os professores da escola são muito atenciosos e simpáticos. A classe tem 5 alunos apenas, o que dá para todos participarem bastante.

Ah, sim, um terceiro motivo para fazer aula: do jeito que as coisas vão, a China vai estar em todos os lugares e como grande dona, investidora, comandante em pouquíssimo tempo. Então melhor estar preparada…vai saber.

Semana que vem tem mais. Oba!!

A quem me lê xièxie e zài jián (obrigada e até mais).

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