Escrever para viver!

Tudo que der na telha e que eu achar que vale a pena

16

de
janeiro

Esperando Beckett

Nossa, fazia muito tempo que não via nada de Beckett (http://pt.wikipedia.org/wiki/Samuel_Beckett). Ages, na verdade.  E só vendo Resta pouco a dizer, dos irmãos Guimarães, baseada em 4 peças do autor irlandês, é que me dei conta que tenho um caminho a percorrer. Engraçado, sempre li sobre o autor, sabia de sua história, de sua importância, desde o tempo da universidade, mas conheço tão pouco de sua obra de fato.  Como é possível? Correção de rota djá!!! Amazon, me aguarde!

Bem, li muitas vezes e vi no teatro Esperando Godot, enquadrada por muitos como alavanca do Teatro do Absurdo.  Vi a peça com Eva Wilma, Lélia Abramo e Lilian Lemmertz, por volta de 1976. Direção: Antunes Filho. Maravilha! Então, eu já ia ao teatro nessa época…Curiosidade: Cacilda Becker sentiu-se mal durante uma apresentação dessa peça, derrame cerebral, morreu logo depois.

A montagem dos irmãos Guimarães, com textos traduzidos por Bárbara Heliodora, baseia-se em 4 peças: Catástrofe, Ato sem Palavras, Jogo e Respiração. De alguma maneira, conseguiram estabelecer uma linha harmoniosa entre os 4 episódios.  O espetáculo começa fora do teatro, criativamente com Respiração Embolada. Boa surpresa para o público.  Minha preferência, pela ordem: Jogo, Catástrofe, Ato sem Palavras, Respiração.  O atores (uns 12 ou 15 em cena, não todos de uma vez) têm uma performance primorosa.  Muito preparo físico, muita potência aeróbica, não por fazerem malabarismos, mas sobretudo para entregarem o texto.  Jogo é de arrepiar!  Os textos são interessantes, mas o que importa mesmo é o todo, já que há performances em total ou  quase total silêncio e que não deixam o espectador em dúvida: está tudo ali no gestual, nos cenários (todos minimalistas, mas cumpridores de seu dever), no guarda-roupa, na expressão facial, na iluminação que precisa ser e é quase científica em alguns momentos, pois dela depende o sucesso de episódios inteiros.

Não é um espetáculo fácil. Inquieta em alguns momentos, a gente se diverte muito em outros, vale a mensagem que o espectador captar, o que calar lá dentro. Textos atemporais e universais.

Fica só até a semana que vem no SESC Consolação. Acho que vale ver, sim.

15

de
janeiro

Envelhecer é uma questão de tempo

Antes de mais nada, efeméride referente ao assunto táxi: após muitos anos, subiu o valor da bandeirada e do quilômetro rodado na capital. Aumento médio: aprox. 20%. Então prepare o bolso para pagar mais por um serviço mais que meia boca. E pode esperar, passado o primeiro momento de míngua de passageiros, quando os táxis estarão um pouco mais presentes, o sumiço será pior ainda do que já estava.  Isso é que é administração pública e sindicato competentes e responsáveis: sempre contra o cidadão, o cliente.

Ao que interessa: nos últimos tempos, tenho visto cantores em cena dos quais nunca tinha  ido aum show. Nem cd tinha de alguns.  Lembro que vi Maria Alcina (http://mskeller.blog.terra.com.br/2010/07/23/baixou-um-adoniran-na-maria-alcina/), Simone (http://mskeller.blog.terra.com.br/2010/12/14/ai-que-raiva/) = ótimas, além de Ney Matogrosso (http://mskeller.blog.terra.com.br/2010/11/15/musica-musica-musica/). Agora foi a vez de Fafá de Belém (http://www.fafadebelem.com.br/) lá no Auditório Ibirapuera. Show ontem, hoje e amanhã.

Nunca tive um disco/cd da cantora, na verdade acho que nunca fui fã.  Gostava de ver suas apresentações na tv: voz bonita, boa interpretação, simpatia, risada cativante, mas não poderia dizer que gosava muito dela. Assim mesmo, resolvi apostar no show.

A cantora está com 54 anos e muito bem fisicamente; tem um pique fantástico, é articulada, continua simpática, voz potente.   Foi prazeroso vê-la em cena. A banda que a acompanha, bem como os cantores do Projeto Criança Esperança, também agregam brilho à apresentação. Também participaram a filha de Fafá (Mariana), que tem uma bonita voz, e o violonista Diego Figueiredo (ele participa do show de hoje, mas ontem fez uma aparição relâmpago para nossa sorte).  O show é pensado, respeita o público, tem um palco decorado, as músicas percorrem os 35 anos da carreira da cantora, há conversa com a plateia, exposição de suas ideias para o país, para o mundo. Emocionante: Nuvem de Lágrimas, Foi Assim, Sob Medida, Meu Disfarce, e tantas outras.  A movimentação de Fafá no palco é impressionante, lúdica, vibrante.  Ah, sim, o pessoal do Auditório (som, iluminação), como sempre, muito bom também. Valeu ver o show.

E hoje foi dia de peça infantil. Já mencionei várias vezes quanto gosto de literatura e teatro infantil. Podendo, vejo as peças.  Como fui comprar ingersso para uma peça adulta que vou ver neste domingo no SESC, aproveitei e comprei para A Criança mais Velha do Mundo que está no SESC Consolação, 11h.  Cheguei umas 10h25. O teatro abriu umas 10h30.  Sempre louvo o SESC por aqui, pois as montagens, os espaços, as mostras, em 99% das vezes são outstanding.  Mas quando entra o fator humano puramente, a coisa é triste.  Vejam bem, uma peça infantil, montes de pais, tios e avós e zilhões de crianças de várias idades.   Se o teatro abre às 10h30, banheiros devem estar prontos, limpos, acessíveis. Mas…não! Apenas o banheiro para deficientes estava funcionando. Unzinho.  Os outros estavam sendo limpos…como assim?  Cadê o compromisso?  Se as portas abre às 10h30 é para tudo estar limpo, ajeitado, tinindo às 10h30.  É inacreditável o descompromisso da mão-de-obra nacional e de quem a supervisiona com esse tipo de detalhe, rotina.  Um dia a gente chega lá.

A peça é do grupo BANDAmirim.  Apenas 3 no palco: ator, atriz, cantora. A atriz representa uma menina e uma idosa, o ator o pai da menina e interlocutor da velhinha.  Músicas e letras bacaninhas. O texto podia ser mais dinâmico, afinal falar de velhice para crianças é um tanto complicado.  A peça foi bem sobretudo pela competência da atriz principal (Luciana Paes).  Ela conseguiu transitar muito bem da criança para a idosa. A casa estava lotada, houve momentos de inquietação das crianças pois, em um momento ou outro, era texto demais e ação ou música de menos, mas nada que não voltasse à paz em seguida. Em alguns momentos as crianças participaram muito, o que foi bem divertido.  Tenho certeza de que os pequerruchos tiveram contato ou até assimilaram alguns conceitos de vida bem importantes.  Não diria que a peça é do mesmo padrão que algumas outras que vi, e.g., Pés Descalços (http://mskeller.blog.terra.com.br/2010/08/30/pes-descalcos-e-bom-demais/) - só para citar uma das maravilhosas peças infantis a que assisti-, mas não faz feio; entretem e faz a gente viajar. Fica  pouco tempo em cartaz: http://www.sescsp.org.br/sesc/programa_new/mostra_detalhe.cfm?programacao_id=185018

A propósito, segue link de um texto publicado no site do Luciano Pires, que vem muito a calhar. Vale ler os que estão na “envelhescência” ou não:  http://www.portalcafebrasil.com.br/dlog/envelhescencia

14

de
janeiro

É preciso acreditar em alguma coisa


Céticos, agnósticos, ateus que me desculpem, mas há que se acreditar em alguma coisa.  Até mesmo acreditar que não se acredita em nada, que se duvida. Isso é crucial para todos os momentos da vida.

Ontem fui ver The Tree (http://www.thetreefilm.com.au/), uma produção franco-australiana. As grandes pesonagens, além da árvore obviamente, são a mãe (Charlotte Gainsbourg - apesar do nome é Brit) e a filha muito apegada ao pai (Morgana Davies).  As duas estão muito bem em seus papéis.  A menina, Simone, é um tanto chatinha algumas vezes, aquela coisa de criança-adulta, ou criança esperta demais, mas não chega a perder o realismo.

É a história de um casal que vivia muito bem com seus 4 filhos em uma casa bem afastada da cidade. O marido/pai morre prematura e repentinamente.  Choque total. A mulher deprime, as crianças têm de se virar sozinhas por um tempo, até que a cena doméstica acaba se recompondo.  Tudo ia bem, até que a menina passa a crer que o pai é a árvore, a árvore é o pai, e a mãe ganha um namorado.  A mãe, em algum momento, também passa pelo apego à árvore. No entanto, o filme não trata de incorporação ou manifestação espiritual categoricamente, mas, sim, deixa aberto para o espectador: realmente o pai estava por ali espiritualmente, ou foi uma bengala para continuar a viver que as duas acabaram adotando?

No meu tempo de escola, um autor bastante lido  era o José Mauro de Vasconcelos (http://pt.wikipedia.org/wiki/Jos%C3%A9_Mauro_de_Vasconcelos). Seu grande best-seller foi Meu Pé de Laranja Lima (http://pt.wikipedia.org/wiki/Meu_P%C3%A9_de_Laranja_Lima), que virou até novela com Eva Wilma e Carlos Zara. Esse livro trata de um menino que encontra em um pé de laranja lima seu alterego: o pé de laranja lima era seu amigo, confidente.  Menciono isto, pois vi o apego da menina à árvore da mesma forma: um apoio, um amigo, afirmação, auto-estima, enfim, um monte de coisas do gênero.  Ou seja, para mim foi muito mais a opção de acreditar, mas, como mencionei, o filme deixa totalmente aberto ao espectador o sentido da ação das personagens.

O filme é bem leeentoooo, fotografia e trilha sonora ótimas.  Mesmo lento, não é chato, a gente só tem de se acostumar com o tempo da narrativa e viajar com as personagens.  Há cenas bem palpitantes: tempestade, tornado, árvore fazendo das suas, mas no geral é um filme de personagem e não de ação.  Só para situar melhor: é o exato oposto de De Pernas pro Ar (http://mskeller.blog.terra.com.br/2011/01/12/desenferrujando/). É preciso estar in the mood de prestar atenção, pensar o filme, conceituá-lo e destruir esse conceito eventualmente em seguida.

Bonito, tocante.

E para recuperar as energias, Famigli Grandi Osteria (http://www.famigliagrandi.com.br/) ali na Cunha Gago, em Pinheiros. Mais uma compra via site de desconto: R$ 19,90 para consumir R$ 70.  Pedi um risoto de frutos de mar que estava bastante bom, só um pouco salgado para meu gosto.  Infelizmente não têm vinho em taça (essa viagem a BUE me deixou mal acostumada…), então foi água mesmo.  Não pedi sobremesa, e o final ficou em R$ 12,50 (serviço + bebida + café), o que não é absolutamente barato, mas vá lá.  A casa é simpática, bonitinha, cantina mesmo, os pratos são fartos, o atendimento foi muito bom.  Não tem valet, usa-se o da casa ao lado (um bar, boate, ou assemelhado). Vale uma visita.

13

de
janeiro

De volta a minha querida cidade

Apenas algumas observações ligeiras:

  1. quando cheguei de minha viagem de final de ano, no sábado 8/1, estranhei que as decorações de Natal ainda estivessem por aí. No domingo, no Shopping V. Olímpia, ainda estava tudo lá; na 3a., no Bourbon, pouco havia sido retirado. Não é no dia 6 que os enfeites que lembram o Natal devem ser retirados ou me equivoquei pela vida toda?  Claro que não é nada científico, imutável, só parte das tradições, dos costumes, mas não é (ou era) assim?
  2. tive um baque psicológico: como era bom estar na Argentina, olhar para um preço, uma conta, e dividir pela metade para calcular o valor em reais e perceber como eu estava pagando tudo muito mais barato que aqui. De volta à terrinha, olho para as cifras e não posso dividir pela metade.  Quase deprimi!
  3. Finalmente fui tomar minha vacinha antitetânica (http://mskeller.blog.terra.com.br/2010/12/21/sol-e-chuva-casamento-de-viuva/) + (http://miriamk-buenosaires2010.blogspot.com/2010/12/filas-filas-filas-filas.html).  Fui muito mais bem atendida no Pasteur ontem, equipe muito melhor, e pude tomar minha vacina sem nenhum problema. Totalmente imunizada agora;
  4. como a recorrência tem sido grande e parece-me que não vai arrefecer tão cedo, prometo ser meu último comentário sobre o tema (http://mskeller.blog.terra.com.br/2010/09/24/reflexoes-de-um-passageiro/). Só volto a ele se acontecer algo trepidante:

- ontem, tomei um táxi do ponto em frente de casa (Pedroso de Morais, Pinheiros) para ir ao Ibirapuera.  Entramos na r. Pinheiros, disse ao motorista: Acho que é melhor ir pela Groenlândia. Motorista: Tanto faz, Brasil ou Groenlândia. Eu: Não, o senhor vai pela Groenlândia. Explico: qualquer pessoa que passe algumas vezes, e não precisar ser taxista, pela região sabe que a Groenlândia flui muito melhor que a Brasil. Tanto isso é fato que cheguei em 10 minutos no Ibirapuera e paguei R$ 14.  Se tivesse ido pela Brasil, demoraria muito mais e teria pago pelo menos R$ 20 e tantos. Mas, como já mencionei, tudo bem, sou eu que pago mesmo, e vai me dizer que alguém que está no trânsito todos os dias, só faz isso na vida, não sabe que a fluidez de uma via é 99% melhor que de outra?  O tal taxista parece que não, e nem fica vermelho;

- peguei um táxi dentro do Ibirapuera para ir para a Paulista. Eu: Por favor, para a Paulista, pela Manoel da Nóbrega, para o Instituto Pasteur. Ele: O quê? Eu: Instituto Pasteur, onde dão vacinas. Ele: Não conheço. Digo e repito: o que faz o sindicato dessa categoria que não obriga essa gente a se informar, fazer curso; tem de passar por prova sim.  Se não souber pelo menos 70 ou 80% dos marcos importantes das principais vias públicas e regiões de SP não dirige táxi. Vai fazer outra coisa na vida. Mas não, preferem fazer jogo de pressão, de mafiosos contra a cidade e usuários.  Lamentável!

13

de
janeiro

De quem é a culpa?

Essa é a grande questão do momento: de quem é a culpa pelas inundações, pelas mortes, pelas perdas patrimoniais?  Ora, a chuva, claaarooo!  Traiçoeira, inesperada, malvada…

Há alguns anos, vi pela tv, momentos incríveis durante chuvas inesperadas e muito fortes nos EUA. Vi a água invadindo túneis, levando carros.  Agora mesmo estamos vendo o que está acontecendo na Austrália, país de primeiro mundo.  A chuva pode ser maior do que o homem se pensa? Pode ser mais poderosa do que o homem se acha? Sem dúvida.  A Natureza é soberana, mas a Humanidade ainda não entendeu isso.  Da admiração, medo, passou ao desafio, e depois à ideia de domínio. Faça-me o favor!

As chuvas decontroladas, imensuráveis, destruídoras são resultado de nossa ação: poluição, dejetos, descuidos, ignorância, e por aí vai.  Minha mãe tinha uma frase: a Natureza só devolve o que não é dela.  Não foi comprovada cientificamente, mas pragmaticamente é isso sempre. Tem outra também: sujeira atrai sujeira, limpeza atrai limpeza.  Alguém duvida que seja assim?  Principalmente localmente, devido à ignorância vigente, o cidadão que mora na Zona Sul, joga um papel, uma garrafa na Zona Norte e, pela falta de cidadania agregada (também resultado da ignorância e de quem da os exemplos no poder), pensa: não é meu quintal, não é minha casa, não é meu, então…que se dane.  Na verdade, qualquer espaço público é de todos, e a geografia, que cidadão desconhece, é que o vai fazer com que esse cidadão recebe em sua porta, aliás dentro de casa como se tem visto, o papel, a garrafa que ele descartou indevidamente lá atrás.  Agora, vai explicar e fazer entender isso. O referido cidadão tem outro problema: não tem memória.

O cidadão tem, sim, responsabilidade cabal sobre o que está acontecendo hoje em todas as cidades atingidas pelas chuvas e consequentes desastres, fez escolhas, equivocadas, mas ele é que as fez, não pensou em corrigir a rota, em tentar minimizar o erro.  Agora, esse cidadão, e muitos que inocentemente estão sofrendo a consequência de atos incivilizados, não-cidadãos, chora, desespera-se, perde.

E os outros 50%?  O poder público diz que ajuda, mas não ajuda. O dinheiro dotado no ano passado pela Presidência, da mesma forma que acaba de fazer a Presidente Dilma, chegou minimamente ao destino. Espero que a Sra. Roussef não deixe que se repita esse descalabro.  Ademais, chove em S. Paulo, talvez menos, desde 1554, então surpresa e inesperado não é.  Temos galerias pluviais do século XIX. A chuva não se antecipa, nem se atrasa. Então falta competência, trabalho, vontade política, amor à cidade e a seu povo. Todos os anos a mesma coisa: um prefeito de olhos pungentes, dizendo o que vai fazer, o que fez (e, claro, não foi suficiente).  Onde estão as obras necessárias e decantadas, onde está o trabalho preventivo (limpeza de calha de rios, de córregos, de bueiros - faz uns 15 anos que não vejo isto por S. Paulo em tempo nenhum)?  Só ações megalômanas. Piscinões são importantes?  Acho que sim, mas não são a única ação possível. Século XXI: não é possível que não se possa ter uma Defesa Civil melhor, mais aparelhada, com mais gente, na maior cidade da América do Sul. Não é possível que para a limpeza das águas (córregos, rios) não haja equipamentos, treinamento, materiais, química mais efetivos do que utilizamos. O fato é que dominar a chuva, controlá-la não se pode, mas minorar seus efeitos sem dúvida!

A administração pública também não faz seu dever quanto a educar, supervisionar e punir quem suja a cidade.  As campanhas são brandas, não são contínuas, não são efetivas nas mensagens.  Isso tem de ser batido todos os dias, várias vezes por dia, na escola, no rádio, na tv, na rua.  Mais, não há supervisão sobre as áreas de risco onde as pessoas vão se instalando sem parar.  Tem de tirar, tire. Ponto. São essas mesmas pessoas que ficarão desabrigadas, vão morrer. O menos mal sempre será tirá-las das áreas de risco.

Outra frase paterna: o papel aceita tudo. Assisto a um frenesi de governantes canetando papéis que dizem salvarão a pátria. Montantes inimagináveis para ajudar cidades, cidadãos. Verdade? Quem garante que tudo aquilo vai chegar à ponta de destino e que será bem empregado?  Parece que aqueles papeís é que resolverão todos os problemas e não, como mencionei, competência, vontade, atenção à população e à cidade ou ao estado.

Tenho 5 décadas de vida e não me lembro de não ter visto momentos similares em todos estes anos, sempre nesta época do ano, em toda minha vida.  Não sou cética, não tenho tendência para isso, senão, já teria abraçado esse caminho.

Ah, e não vou dar pitaco no quintal dos outros, mas como se explica que o governador do RJ esteja fora do país nesta época?  Nem que Obama chamasse, nem que o Papa chamasse. Todos os anos há problemas nas serras fluminenses (lembram-se do horror do ano passado)?  Como um administrador público se ausente nesta época do ano de seu estado, de sua cidade (Da. Marta fez isso conosco também).  Ooooh, vergonha. Pega o avião djá e volta!  Não deveria nem ter saído.  O número de mortes no RJ, infelizmente, deve chegar a quase 500 segundo previsões da própria administração pública.  Tem guerra, conflito armado, que não matou tanta gente num período tão curto.  Tristeza, tristeza, tristeza!

12

de
janeiro

Desenferrujando

Já estou na lida…hoje fui assistir a De Pernas pro Ar (http://www.depernasproarofilme.com.br/). Tinha visto o trailer algumas vezes, pareceu-me divertido, então…e, realmente, foi o que eu esperava. Uma comédia ligeira, com momentos bem divertidos, outros nem tanto. Histórinha razoável: mulher que trabalha muito e deixa marido e filho de lado. Marido se cansa, sai de casa, ela não vai tão bem profissionalmente, dá uma guinada.  Quase dá tudo certo. Quase.

Nunca tinha visto a Ingrid Guimarães no cinema, só na tv num programa semanal da Globo.  Gostei da atuação dela.  O Bruno Garcia e a Maria Paula também estão bastante bem.

Como mencionei, há momentos hilariantes, enquanto outros esbarram no prosaico, sem graça.  Um filme para aquele dia de preguiça de pensar, com vontade de nada.  Cabe um alerta: nada que ver com Se eu fosse você (http://mskeller.blog.terra.com.br/2009/01/01/um-filminho-pra-comecar-bem-o-ano/), nem o um nem o dois.  Muito mais rasinho, despretencioso.

Depois espetáculo do Grupo Tholl no Teatro Bradesco do Shopping Bourbon. No final do ano, o shopping trocou comprovantes de centenas de reais por dois ingressos para esse espetáculo.  São aquelas promoções natalinas.  Um amigo e eu fizemos uma “vaquinha” e conseguimos trocar por 4 ingressos.

Não sabia muito bem como seria o espetáculo, nem quem é o Grupo Tholl (http://www.grupotholl.com/content/index.php). Ou seja, expectativa 0.  E foi uma grata surpresa. Obviamente o grupo espelhou-se no Cirque de Soleil ou algum assemelhado, mas com um conceito próprio, bem criativo.  O guarda-roupa é lindíssimo, bem como as soluções para os números que não exigem nenhuma estrutura mirabolante, tipo Cirque ou Fura (http://mskeller.blog.terra.com.br/2010/12/05/dia-de-fura/).  Como bem disse um amigo, concepção mambembe-chique.  O fato é que com cordas, pernas de pau, malabares, i.e., coisas muito simples, conseguiram um resultado impressionante. Esse mesmo amigo que é do showbiz, conhece, tem olho, não achou muito bom, mas para mim, leiga, foi um deslumbre.  Magia pura. A trilha sonora, muito bem cuidada, também fez sua parte.

Como em qualquer circo, números perigosos, outros nem tantos, palhaços ou assemelhados com grande empatia com a plateia.  E houve alguns momentos mágicos criados pelo requinte do figurino + música + iluminação + efeitos especiais bem achados e bem descomplicados.  Foram quase duas horas de número após número, sem nenhum intervalinho. O espetáculo que levaram foi Imagem e Sonho. Deem uma olhadinha na página do grupo (link acima) para ver a descrição dos espetáculos, fotos, técnicas utilizadas.

Vi dois espetáculos do Cirque por aqui e só iria a outro se pudesse ver Eau ou o dos Beatles. O Cirque é muito espetáculo e menos circo. Uma saída bem achada, inteligente, e que não deve se esgotar em   curto prazo. Claramente, o Tholl se inspirou no Cirque como mencionei, mas tem um mérito: entretem e mesmeriza sem ser ostensivo.  Acho que o Cirque poderia aprender algumas coisas com a trupe de Pelotas.  Eu assistiria ao espetáculo de novo com prazer.  Portanto, se virem esse nome por aí (Grupo Tholl), podem ir pois o divertimento e encatamento devem estar garantidos.

Finalizando, guacamole no Viva Mexico (http://www.vivamexico.com.br/)  (fazia tempo que não ia lá). Atendimento atencioso, comida gostosa e a bom preço.  Mesinha na calçada, temperatura mais que agradável, e companhia de amigos queridos.

Acho que já entrei em forma…

10

de
janeiro

Voltando à ativa

Depois de duas semanas fora, passeando, vendo coisas lindas (http://miriamk-buenosaires2010.blogspot.com/), de volta à cidade. Já estava sentindo um tremor nas mãos, uns suores, vendo flashes. Acho que era a abstinentia telonis ou cinemis.  Duas semanas sem ver um filminho é muito para mim.

Ontem fui ver Hereafter (Além da Vida), dirigido por Clint Eastwood. Gosto muito de CW como diretor e nos filmes em que tem atuado nos últimos anos.  No entanto, este filme é bem diferente do anterior (Invictus - http://mskeller.blog.terra.com.br/2010/02/15/i-am-the-master-of-my-fate-i-am-the-captain-of-my-soul-wernest-henley/), aliás acho que é difícil estabelecer qualquer parâmetro de comparação.

O tema é bastante delicado e entendo que assim foi tratado pelo diretor.  Não é delicado somente porque mexe com a morte, mas com crenças, medos, tristezas, perdas, dúvidas. Matt Damon está muito bem, tanto quanto em Invictus. É o tipo de ator que não precisa estar o tempo todo com a cara na telona para a gente saber da qualidade de seu trabalho.

O filme tem 3 núcleos: 1) americano; 2) francês - a atriz, Cécile de France está bastante bem também; 3) inglês - os gêmeos McLaren são muito bons. Lááá no final, como era de se esperar, eles acabam se cruzando. E não estou contando nenhum segredo, nem vou estragar a sessão de vocês. Pelo andar da carruagem é o que se espera e é o que acontece.  A forma como o assunto é tratado no decorrer de todo o filme não deixa outro caminho.

Não diria que é um filmaço, mas é comovente, tem boa trilha, os atores convencem. É a história de pessoas que perdem entes queridos ou passam por experiências traumáticas e recorrem a sensitivos para falar com quem morreu, na verdade, para alcançar a paz e continuar com a própria vida. Matt Damon é um dos sensitivos que envereda por um caminho interessante.

Para mim o filme diz muito, pois da mesma forma que um algumas personagens fui atrás do contato com minha mãe. Na verdade, o contato é pouco, na verdade a gente quer é de alguma forma trazer a pessoa de volta. De repente os céus estão distraídos e alguém ressuscita.  Não custa tentar. O caminho é difícil, doloroso. Alguns alcançam o refrigério que buscam, outros, não.  No meu caso, como já mencionei algumas vezes (http://mskeller.blog.terra.com.br/2010/04/09/as-crises-e-que-nos-mostram-quem-somos-de-fato-mas-nao-precisava-exagerar/), eu decidi crer que há algo mais, que não perdi o contato, que alguém olha por mim, não para lançar sobre o impalpável a responsabilidade por minha vida, por meu caminho, mas para sentir-me forte, confiar e esperar. Não é racional? Não é passível de comprovação? Não é mesmo, mas não tem  importância, pelo menos para mim. Foi uma escolha consciente.

Como escrevi, é um tema delicado, tratado com delicadeza. Comparo-o a Um Olhar do Paraíso (http://www.imdb.com/title/tt0380510/) (http://mskeller.blog.terra.com.br/2010/02/20/parece-que-foi-ontem/). Poderia ser um show de pieguice, tanto um quanto outro, mas acho que escaparam dessa pecha.

Outro aspecto interessante é que traz de volta o tsunami de 2004.  Num filme que vi em 2009 (http://www.imdb.com/title/tt1135992/) (http://mskeller.blog.terra.com.br/2008/10/25/cinema-divina-arte-que-eu-adoro/) é que se tem consciência do que representou esse fenômeno por onde passou. Não só a destruição material, a perda de vidas, mas como varreu o futuro das pessoas que viviam nas áreas atingidas.

Além da Vida discute um assunto que não julgo ser da maior importância a não ser para momentos ou vivências específicas, mas mostra aspectos interessantes do tema (charlatanismo, opções dos reais sensitivos, como tudo isso é visto por quem não o é, etc.), e comove com certeza.

Deem uma lida neste texto também relativo ao filme:

http://iracenna.blogspot.com/2011/01/hereafteralem-da-vida.html

Faltou dizer que fui ver o filme na sala Platinum do Kinoplex do Shopping Vila Olímpia. Um preço nas alturas.  Ingresso comprado pela internet. Só tinha fila A, mas tudo bem. Quando fui ao Cine Bradesco lá do Cidade Jardim, mesmo nas primeiras fileiras, a visão era muito boa, então… Mas essa sala foi decepcionante: somente duas cabines no banheiro feminino e sujíssimas; a tal fileira A deveria ser arrancada ou vendida a R$ 5 máximo. Só deveriam vender de onde está a fileira B hoje para trás e olhe lá.  É um verdadeiro crime contra o consumidor vender a fileira A, como está hoje, pelo preço que pedem.  É um horror! Parece que a tela vai cair em cima da gente, e olha que eu até gosto de sentar nas primeiras fileiras em geral.  Desonestidade e desrespeito com o cliente para dizer o mínimo.

E para terminar o domingão: jantar no Spaghetti Notte lá do shopping mesmo. Festival da alcachofra! Delícia de pratos preparados com a planta. O restaurante estava vazio pelo horário, mas de todo jeito o atendimento foi rápido, cortês, atencioso.  Mas não tem jeito, por aqui um jantar sem vinho e sobremesa acaba batendo nos R$ 90.  É acostumar com a realidade local…

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