Essa é a grande questão do momento: de quem é a culpa pelas inundações, pelas mortes, pelas perdas patrimoniais?  Ora, a chuva, claaarooo!  Traiçoeira, inesperada, malvada…
Há alguns anos, vi pela tv, momentos incrÃveis durante chuvas inesperadas e muito fortes nos EUA. Vi a água invadindo túneis, levando carros.  Agora mesmo estamos vendo o que está acontecendo na Austrália, paÃs de primeiro mundo.  A chuva pode ser maior do que o homem se pensa? Pode ser mais poderosa do que o homem se acha? Sem dúvida.  A Natureza é soberana, mas a Humanidade ainda não entendeu isso.  Da admiração, medo, passou ao desafio, e depois à ideia de domÃnio. Faça-me o favor!
As chuvas decontroladas, imensuráveis, destruÃdoras são resultado de nossa ação: poluição, dejetos, descuidos, ignorância, e por aà vai.  Minha mãe tinha uma frase: a Natureza só devolve o que não é dela.  Não foi comprovada cientificamente, mas pragmaticamente é isso sempre. Tem outra também: sujeira atrai sujeira, limpeza atrai limpeza.  Alguém duvida que seja assim?  Principalmente localmente, devido à ignorância vigente, o cidadão que mora na Zona Sul, joga um papel, uma garrafa na Zona Norte e, pela falta de cidadania agregada (também resultado da ignorância e de quem da os exemplos no poder), pensa: não é meu quintal, não é minha casa, não é meu, então…que se dane.  Na verdade, qualquer espaço público é de todos, e a geografia, que cidadão desconhece, é que o vai fazer com que esse cidadão recebe em sua porta, aliás dentro de casa como se tem visto, o papel, a garrafa que ele descartou indevidamente lá atrás.  Agora, vai explicar e fazer entender isso. O referido cidadão tem outro problema: não tem memória.
O cidadão tem, sim, responsabilidade cabal sobre o que está acontecendo hoje em todas as cidades atingidas pelas chuvas e consequentes desastres, fez escolhas, equivocadas, mas ele é que as fez, não pensou em corrigir a rota, em tentar minimizar o erro.  Agora, esse cidadão, e muitos que inocentemente estão sofrendo a consequência de atos incivilizados, não-cidadãos, chora, desespera-se, perde.
E os outros 50%?  O poder público diz que ajuda, mas não ajuda. O dinheiro dotado no ano passado pela Presidência, da mesma forma que acaba de fazer a Presidente Dilma, chegou minimamente ao destino. Espero que a Sra. Roussef não deixe que se repita esse descalabro.  Ademais, chove em S. Paulo, talvez menos, desde 1554, então surpresa e inesperado não é.  Temos galerias pluviais do século XIX. A chuva não se antecipa, nem se atrasa. Então falta competência, trabalho, vontade polÃtica, amor à cidade e a seu povo. Todos os anos a mesma coisa: um prefeito de olhos pungentes, dizendo o que vai fazer, o que fez (e, claro, não foi suficiente).  Onde estão as obras necessárias e decantadas, onde está o trabalho preventivo (limpeza de calha de rios, de córregos, de bueiros - faz uns 15 anos que não vejo isto por S. Paulo em tempo nenhum)?  Só ações megalômanas. Piscinões são importantes?  Acho que sim, mas não são a única ação possÃvel. Século XXI: não é possÃvel que não se possa ter uma Defesa Civil melhor, mais aparelhada, com mais gente, na maior cidade da América do Sul. Não é possÃvel que para a limpeza das águas (córregos, rios) não haja equipamentos, treinamento, materiais, quÃmica mais efetivos do que utilizamos. O fato é que dominar a chuva, controlá-la não se pode, mas minorar seus efeitos sem dúvida!
A administração pública também não faz seu dever quanto a educar, supervisionar e punir quem suja a cidade.  As campanhas são brandas, não são contÃnuas, não são efetivas nas mensagens.  Isso tem de ser batido todos os dias, várias vezes por dia, na escola, no rádio, na tv, na rua.  Mais, não há supervisão sobre as áreas de risco onde as pessoas vão se instalando sem parar.  Tem de tirar, tire. Ponto. São essas mesmas pessoas que ficarão desabrigadas, vão morrer. O menos mal sempre será tirá-las das áreas de risco.
Outra frase paterna: o papel aceita tudo. Assisto a um frenesi de governantes canetando papéis que dizem salvarão a pátria. Montantes inimagináveis para ajudar cidades, cidadãos. Verdade? Quem garante que tudo aquilo vai chegar à ponta de destino e que será bem empregado?  Parece que aqueles papeÃs é que resolverão todos os problemas e não, como mencionei, competência, vontade, atenção à população e à cidade ou ao estado.
Tenho 5 décadas de vida e não me lembro de não ter visto momentos similares em todos estes anos, sempre nesta época do ano, em toda minha vida.  Não sou cética, não tenho tendência para isso, senão, já teria abraçado esse caminho.
Ah, e não vou dar pitaco no quintal dos outros, mas como se explica que o governador do RJ esteja fora do paÃs nesta época?  Nem que Obama chamasse, nem que o Papa chamasse. Todos os anos há problemas nas serras fluminenses (lembram-se do horror do ano passado)?  Como um administrador público se ausente nesta época do ano de seu estado, de sua cidade (Da. Marta fez isso conosco também).  Ooooh, vergonha. Pega o avião djá e volta!  Não deveria nem ter saÃdo.  O número de mortes no RJ, infelizmente, deve chegar a quase 500 segundo previsões da própria administração pública.  Tem guerra, conflito armado, que não matou tanta gente num perÃodo tão curto.  Tristeza, tristeza, tristeza!