Escrever para viver!

Tudo que der na telha e que eu achar que vale a pena

10

de
janeiro

Voltando à ativa

Depois de duas semanas fora, passeando, vendo coisas lindas (http://miriamk-buenosaires2010.blogspot.com/), de volta à cidade. Já estava sentindo um tremor nas mãos, uns suores, vendo flashes. Acho que era a abstinentia telonis ou cinemis.  Duas semanas sem ver um filminho é muito para mim.

Ontem fui ver Hereafter (Além da Vida), dirigido por Clint Eastwood. Gosto muito de CW como diretor e nos filmes em que tem atuado nos últimos anos.  No entanto, este filme é bem diferente do anterior (Invictus - http://mskeller.blog.terra.com.br/2010/02/15/i-am-the-master-of-my-fate-i-am-the-captain-of-my-soul-wernest-henley/), aliás acho que é difícil estabelecer qualquer parâmetro de comparação.

O tema é bastante delicado e entendo que assim foi tratado pelo diretor.  Não é delicado somente porque mexe com a morte, mas com crenças, medos, tristezas, perdas, dúvidas. Matt Damon está muito bem, tanto quanto em Invictus. É o tipo de ator que não precisa estar o tempo todo com a cara na telona para a gente saber da qualidade de seu trabalho.

O filme tem 3 núcleos: 1) americano; 2) francês - a atriz, Cécile de France está bastante bem também; 3) inglês - os gêmeos McLaren são muito bons. Lááá no final, como era de se esperar, eles acabam se cruzando. E não estou contando nenhum segredo, nem vou estragar a sessão de vocês. Pelo andar da carruagem é o que se espera e é o que acontece.  A forma como o assunto é tratado no decorrer de todo o filme não deixa outro caminho.

Não diria que é um filmaço, mas é comovente, tem boa trilha, os atores convencem. É a história de pessoas que perdem entes queridos ou passam por experiências traumáticas e recorrem a sensitivos para falar com quem morreu, na verdade, para alcançar a paz e continuar com a própria vida. Matt Damon é um dos sensitivos que envereda por um caminho interessante.

Para mim o filme diz muito, pois da mesma forma que um algumas personagens fui atrás do contato com minha mãe. Na verdade, o contato é pouco, na verdade a gente quer é de alguma forma trazer a pessoa de volta. De repente os céus estão distraídos e alguém ressuscita.  Não custa tentar. O caminho é difícil, doloroso. Alguns alcançam o refrigério que buscam, outros, não.  No meu caso, como já mencionei algumas vezes (http://mskeller.blog.terra.com.br/2010/04/09/as-crises-e-que-nos-mostram-quem-somos-de-fato-mas-nao-precisava-exagerar/), eu decidi crer que há algo mais, que não perdi o contato, que alguém olha por mim, não para lançar sobre o impalpável a responsabilidade por minha vida, por meu caminho, mas para sentir-me forte, confiar e esperar. Não é racional? Não é passível de comprovação? Não é mesmo, mas não tem  importância, pelo menos para mim. Foi uma escolha consciente.

Como escrevi, é um tema delicado, tratado com delicadeza. Comparo-o a Um Olhar do Paraíso (http://www.imdb.com/title/tt0380510/) (http://mskeller.blog.terra.com.br/2010/02/20/parece-que-foi-ontem/). Poderia ser um show de pieguice, tanto um quanto outro, mas acho que escaparam dessa pecha.

Outro aspecto interessante é que traz de volta o tsunami de 2004.  Num filme que vi em 2009 (http://www.imdb.com/title/tt1135992/) (http://mskeller.blog.terra.com.br/2008/10/25/cinema-divina-arte-que-eu-adoro/) é que se tem consciência do que representou esse fenômeno por onde passou. Não só a destruição material, a perda de vidas, mas como varreu o futuro das pessoas que viviam nas áreas atingidas.

Além da Vida discute um assunto que não julgo ser da maior importância a não ser para momentos ou vivências específicas, mas mostra aspectos interessantes do tema (charlatanismo, opções dos reais sensitivos, como tudo isso é visto por quem não o é, etc.), e comove com certeza.

Deem uma lida neste texto também relativo ao filme:

http://iracenna.blogspot.com/2011/01/hereafteralem-da-vida.html

Faltou dizer que fui ver o filme na sala Platinum do Kinoplex do Shopping Vila Olímpia. Um preço nas alturas.  Ingresso comprado pela internet. Só tinha fila A, mas tudo bem. Quando fui ao Cine Bradesco lá do Cidade Jardim, mesmo nas primeiras fileiras, a visão era muito boa, então… Mas essa sala foi decepcionante: somente duas cabines no banheiro feminino e sujíssimas; a tal fileira A deveria ser arrancada ou vendida a R$ 5 máximo. Só deveriam vender de onde está a fileira B hoje para trás e olhe lá.  É um verdadeiro crime contra o consumidor vender a fileira A, como está hoje, pelo preço que pedem.  É um horror! Parece que a tela vai cair em cima da gente, e olha que eu até gosto de sentar nas primeiras fileiras em geral.  Desonestidade e desrespeito com o cliente para dizer o mínimo.

E para terminar o domingão: jantar no Spaghetti Notte lá do shopping mesmo. Festival da alcachofra! Delícia de pratos preparados com a planta. O restaurante estava vazio pelo horário, mas de todo jeito o atendimento foi rápido, cortês, atencioso.  Mas não tem jeito, por aqui um jantar sem vinho e sobremesa acaba batendo nos R$ 90.  É acostumar com a realidade local…

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