Escrever para viver!

Tudo que der na telha e que eu achar que vale a pena

15

de
novembro

Música, música, música

No susto, pois não estava programado, fui ver o espetáculo Florilégio (http://catracalivre.folha.uol.com.br/2010/09/mira-haar-e-carlos-moreno-no-espetaculo-florilegio/) no Museu da Casa Brasileira (http://www.mcb.sp.gov.br/). Uma pessoa que encontrei na entrada do Pororoca é que me indicou o espetáculo. Seria a última apresentação ontem, domingo.  Como sempre acontece no MCB, o show seria gratuito.  Cheguei por volta de 15h15 (começava às 15h).  Já estava bem cheio. Até o início do espetáculo lotou. Mundos de pessoas, sobretudo senhorinhas.  O show é composto de um rol bem variado de músicas. Tanto Mira Haar (era a mãe da família de No Mundo da Lua - TV Cultura) quanto Carlos Moreno (garoto Bombril) soltam a voz, e que voz! Um vozeirão. Põem muito humor, fazem um teatro básico.Tudo muito divertido, simpático, animado. Além de músicas consagradas e lindas, a performance dos dois faz do espetáculo um momento bem agradável.  Pelo que informaram, voltam em março próximo. Fique de olho. É de graça, num espaço lindíssimo, e o show diverte.

Dali fui rapidinho para outro momento musical: Ney Matogrosso no Sesc Pinheiros.  A história para este show começou lá atrás. Há umas 2 semanas fui comprar os ingressos. Começaram a vender numa 4a., às 14h. Cheguei ao CINESESC para comprar às 14h15. Às 15h não havia mais ingressos. Verdade que todos os SESCs estavam vendendo ao mesmo tempo, mas haveria 6 shows em Pinheiros (o teatro é grande lá, gente!) e outro ou outros em outro SESC. Resumo: venderam tudo em um hora máximo! Incrível!  Tive sorte. Consegui comprar para o balcão no dia 14, domingo. O lugar não é ruim. Um pouco longe, mas para isso está aí meu superbinóculo. Deu para assistir perfeitamente. O artista continua ótimo, voz linda, presença de palco fantástica, domínio de público inequívoco. Foi basicamente o show que vi no Bourbon há um ano exatamente (http://mskeller.blog.terra.com.br/2009/11/14/irretocavel/)!!! Que coisa!  Só que neste o bis foi fantástico. O cantor foi generoso com a plateia e deu muita canja. Os músicos que acompanhavam NM estavam ótimos também.

Valeu “lutar” pelo ingresso.

15

de
novembro

Ei-la finalmente, a Pororoca

Pois é, não precisou de magia, mas quase. A peça Pororoca, que pensei em ver em 7 de novembro, ficou para este final de semana mesmo.  Dia 7 vi a ótima Quem tem medo do Curupira? (http://mskeller.blog.terra.com.br/2010/11/07/e-nao-e-que-o-curupira-quase-encontra-a-pororoca/) apenas, pois os ingressos para Pororoca esgotam-se rapidamente. Mas como sou cabocla tinhosa…12h15, poucos minutos após a abertura das bilheterias, lá estava eu para tentar um dos 50 ingressos da noite. Cheguei e já tinha uma filona…Afe! Felizmente deu tudo certo. É que o SESI é pródigo e naquele dia havia 3 espetáculos sendo vendidos: Pororoca, Quem tem medo do Curupira? e Hell. Como dão dois ingressos por pessoa para as peças gratuitas, fiz uma matemática rápida e vi que, mesmo se TODOS estivessem lá ver Pororoca, ainda daria para pegar ingresso, mesmo computando gente que poderia ter pegado os ingressos e partido (aí já foi um pouco de adivinhação mesmo).

Como a peça só começava às 20h30, fazer uma hora, aliás uma horona (nossa, filona, horona, hoje estou exuberando).  E o que melhor? Hein, hein, hein?! C I N E M A! Lá fui eu para o Reserva.

Primeiramente quis ver Contos da Era Dourada (http://translate.google.com.br/translate?hl=pt-BR&langpair=en|pt&u=http://www.imdb.com/title/tt1422122/) em que estava de olho há um tempo. Não tinha dado para ver pois o filme é bem longo (umas 2 horas e meia) e batia com sessões de outros filmes em que tinha interesse. O filme narra lendas urbanas, que, francamente, não sei se são tão lendas mesmo, durante a ditadura (final do processo) de Ceaucescu (http://pt.wikipedia.org/wiki/Nicolae_Ceau%C5%9Fescu) na Romênia (http://pt.wikipedia.org/wiki/Rom%C3%A9nia). O ditador foi deposto no final dos anos 80 e executado. Foi o final de ditadura mais violento entre os vários países da cortina. A fotografia do filme tem momentos bem bonitos, mas o que mais se vê são cidades depauperadas, largadas, com muito mato, muita coisa abandonada. O movimento de carros é muito interessante: um a cada meia hora. Tudo resultado de um país não-produtivo, de desestímulo de competição, de investimento, de desmandos sociais, etc.  Interessante também que a Romênia, apesar do duro regime e de ter passado pelo perrengue de muitos países comunistas, i.e., ter parado no tempo em relação aos países do Ocidente, já é membro da UE. Antes mesmo de países que tiveram um regime comunista mais brando e uma saída mais amena do processo de desmantelamento da URSS, exemplo a Croácia, que tem há muitos anos um parque industrial florescente, pujante e ainda está na lista para a UE.

Além de o filme ser bem interessante, uma visão bem equilibrada dos tempos de chumbo, tive a oportunidade de ouvir a língua romena.  Nunca tinha ouvido o idioma, acho, menos ainda por mais de duas horas. Como é uma língua de raíz românica, diferente de outras línguas da Europa Oriental que são eslavas, ela é muito gostosa de ouvir. Há momentos em que estão ali francês, italiano, espanhol, e até português. É possível compreender frases inteiras sem recorrer às legendas. Muito interessante.

Quanto às lendas, propriamente, não sei se o são. Minha avó e meu pai nasceram na antiga Iugoslávia. Minha avó voltou ao país (região da atual Croácia) algumas vezes, ainda durante o governo de Tito (http://pt.wikipedia.org/wiki/Josip_Broz_Tito#Avenida_Marechal_Tito), e o que ela contava na volta era de arrepiar. Fora as perseguições, o medo anestesiante, a situação do cidadão era mais ou menos o que se vê no filme. E olha que o Tito era soft perto do Ceaucescu.  Muito escambo, dinheiro quase nada, tudo na base da troca, de aproveitar tudo que fosse possível, etc. Vendo as tais lendas, nada me pareceu muito “realismo mágico” não. Pelo que me lembre das histórias, acho que era bem isso mesmo.  Só que tudo com uma ponta de humor, de folclórico, revestindo uma crítica abrangente e equilibrada.  Não há discurso ideológico, as imagens falam por sí.

Depois Minha Terra África (http://www.imdb.com/title/tt1135952/). Pesaaaadoooo! Mas interessante. Para mim sempre foi muito difícil entender completamente por que uma pessoa deixa tudo para trás, vai tentar vida nova, fortuna, e mesmo se a coisa amarga ela não volta, tenta, muda, tenta de novo, se perde pelo mundo. Não tenho esse espírito andarilho, desbravador, imagino.  A situação da personagem de Isabelle Huppert é assim. De uma teimosia, ou de um apego irracional.  O filme, que tem lindas imagens em vários momentos, mostra a situação de vários países africanos: batalhas internas, cidadão contra cidadão, tomada e derrubada de poder, a vida valendo centavo, crianças com arma na mão praticando toda a sua crueldade (crianças são crueis, vide Lord of the Flies (livro e filme), que apesar de focar em regimes de governo totalitários sobretudo, mostra que na infância todos podemos ser atrozes, implacáveis, cruentos). Gosto muito da IHuppert e ela segura o filme magnificamente. E quem diria? Chirstopher Lambert, que eu não via há década pelo menos, está muito bem também.

Muita crueza, muito sentimento contido que explode em raiva, ódio, desprezo. Muita morte tola, muita agressão, desprezo ao outro porque se despreza a si mesmo. Não diria que é um filme imperdível, mas por mostrar algo tão distante de nós, pelo oho de quem só quer trabalhar, viver em paz, e que é colhido por um vendaval incontrolável e vai agindo ao sabor da situação, vale ver.

E por fim, ela, a Pororoca! (http://www.sesisp.org.br/home/2006/centrocultural/Prog_teatro_pororoca.asp) Esta peça é encenada no mezanino do SESI da Av. Paulista. O espaço é como um corredor com cenário e atores de um lado e público sentado em arquibancada do outro. Apenas 50 lugares. A peça leva aproximadamente 90 minutos. Lembrou-me muitíssimo peça e espaço de Os fofos (http://www.osfofosencenam.com.br/). Assombrações do Recife Velho acontece em um corredor, só que com o público dos dois lados e os atores encenando no meio, nas pontas, e saindo detrás dos espectadores.  Um espaço mais elaborado ou sofisticado, eu diria. De qualquer forma, Pororoca tem texto fantástico, os flashbacks acontecem ali, diante do espectador, com outras cenas de atores congelados ao lado, i.e., freeze, flashback ou outro ponto da história, descongela. Muito interessante. A cantoria é ótima, vozes lindas sobretudo das atrizes. O guarda-roupa é bem bonito, marcante; o cenário é minimalista mas cumpre sua tarefa com louvor. Um músico toca violão, contrabaixo, etc., acompanhando as cenas.  Tudo muito próximo, mas não menos mágico. Imagino que para o ator fazer esse tipo de trabalho, com a plateia respirando “no cangote”, não deve ser nada fácil. Se no palco ele pode sentir os fluídos do público, ali então…Todos os atores e atrizes estavam ótimos, destacando Juçara Morais, Rogério Brito, Paula Sassi, Bruno Gonçalves.

Ainda bem que eu estava atenta, e a Pororoca não me levou lá pro fundo do rio…

14

de
novembro

Assuntos (quase) cotidianos

Ter tempo para olhar o mundo, prestar atenção ao que corre aí pela vida, é muito bom! Uma sensação interessante, reconfortante, thrilling!

Primeiramente, brechó. Pois é, há mais de duas décadas, seguramente, fui a um brechó para vender roupas quase novas. Deu um dinheirinho.  Não havia tantos como hoje. Contatei um ali na Pacaembu, se não me engano. Tudo muito chique: hora marcada, em consignação, a dona do brechó era uma socialite, só tinha coisas de primeira.  A partir desse momento, sempre frequentei brechós. Acho a garimpagem um exercício fantástico. Em Pinheiros havia um bem grande (Cristal) que fechou há um ano mais ou menos.   Comprei coisas ótimas lá.  Com a aposentadoria, comecei a dar uma limpada nas gavetas e armários. Nossa, quanta coisa sobrando. Ainda nem comecei direito, mas tirei muitas peças (roupas e acessórios). Dei montes para minha faxineira, como tenho feito há tantos anos (a Terezinha está há 15 anos comigo), mas ainda assim havia muita coisa nova, boa, clássica. Então resolvei procurar os brechós da região, para não precisar me locomover muito. A um deles vou daqui a duas semanas (tem de marcar hora - já fui lá e não achei grande coisa, mas vamos ver), aos outros fui na semana passada. Peguei os telefones na internet e liguei. Todos disseram: é preciso ver se interessa. Então lá fui eu: todos, sem exceção, estão ali na Cardeal Arcoverde. Todos, exceto um deles, têm donos/donas de quem eu não compraria nada, não só pela falta de habilidade para tratar o cliente como pelo próprio aspecto. Enfim, todos, sem exceção, disseram que não comprariam minhas peças pois eram boas, novas, impecáveis, mas muito clássicas (eu sei que são um pouco, mas nem tanto… levei as mais casuais) e só vendem modinha.  Dei uma olhada à volta em todos e, realmente, só tem peças de baixa qualidade, valores bem baixos, algumas até bem deterioradas. Oooh, gente com pouca visão. Afinal, é preciso mudar o paradigma às vezes, só assim se cresce e se conseguem novos clientes.  Como disse, eu não compraria nada em nenhum deles: esses negócios tornaram-se reféns de seu público e não querem investir nem arriscar para mudar (eu visitei 4, são todos de familiares, e a postura é a mesma).  Bom, resumo da ópera: voltei com as coisas para casa. Vamos ver o que acontece no que tive de marcar hora. Se não der negócio, de novo vai tudo para doação. Uma pena, pois foi um investimento razoável, e já doei muito. Vamos ver.

Com mais tempo durante a semana, também tenho ido ao cinema em dias e horários que não eram usuais para mim. Cruzo com muitos idosos, aliás idosas sobretudo (90%).  Adoro conversar com pessoas “mayores”, como se diz em espanhol, mas às vezes elas me dão medo. Falam alto (acho que deve ser problema de audição), são aflitas (têm pressa para tudo, sei lá eu por quê), e algumas vezes são bastante inconvenientes.  Mas a maioria ainda dá aula de vida, de experiência.  Outro público com que tenho cruzado bastante: montes de pessoas de terno e gravata e pastinha na mão. Como assim? Não tinham de estar trabalhando? Bom, deixa para lá, cada um sabe de si. Agora o máximo são as pessoas que comem, comem e comem nas salas de cinema. O barulho da mastigação é-me imposta continuamente. Não é pipoca só, tem de tudo:amendoim, balas duras, pedregulho pelo ruído que fazem. E se eu olho feio ou solto um “psssss”, o digno mastigador reforça o ruído. Gente inteligente (um dia quebra um  dente e depois vai reclamar) e civilizada, não é? E vejam que não estou falando de educação, que vem depois da civilidade. Esta sim nos separa dos irracionais. E os celulares tocando (na última sessão a que fui, ontem no Reserva Cultural, foram uns cinco durante a sessão). Oooh, gente, não dá para desligar, colocar no vibra, esquecer em casa? Pelamor!

Aliás, na Veja desta semana, há um artigo excelente, que cobre várias atitudes que nos põem a tarja de “subdesenvolvidos” na testa, escrito por Claudio de Moura Castro - Cortina de Burrice (pg. 24).  Transrevo a parte que mais interessa aqui:

quote

  • Respeito pelo próximo, no trânsito, no silêncio e em tudo o mais

unquote

Parece fácil, certo, líquido, mas não é. Mais que respeito, falta bom senso e neurônios em funcionamento. Pobre país!

E por último: umbanda branca.  Pois é, apesar de ter ouvido, lido bem superficialmente durante toda a vida sobre o sincretismo por aqui, nunca atentei para detalhes ou me interessei de fato. Mal e mal sei do catolicismo em que fui criada, imagine então sobre crenças alheias. Mais recentemente, devido ao filme Nosso Lar e amigos espiritualistas, acabei comprando o audiobook do Evangelho segundo Alan Kardec. Não ouvi ainda, mas vou.  Agora foi a vez de visitar um centro de umbanda branca. Fui lá acompanhar uma pessoa que está procurando caminhos para a cura de um parente. A ciência, aparentemente, pode pouco para curar a pessoa, então a busca por caminhos alternativos já começou.   Como mencionei em posts anteriores, eu escolhi acreditar em um Deus, sinto-me bem numa igreja (não pelo catolicismo em si, mas pelo que ficou gravado em mim como lugar de paz, oração, do bem), e ponto. Não quero e não vou racionalizar, apenas fiz uma escolha que me serve bem.  Por isso mesmo, não tenho nenhum preconceito quanto a outras religiões, crenças, ou o que for, desde que elas não se prestem a fazer o mal, espiritualmente/psicologicamente ou materialmente. Com o espiritualismo e outras práticas é assim, então, quando fui perguntada se eu poderia acompanhar minha amiga, eu fui.  E foi muito interessante, pois, como mencionei, nunca me aprofundei no assunto, nunca peguei um livro para ler. Só mesmo o que chegava pela tv, cinema, algum artigo mais ligeiro de publicações. Durante minha visita soube das diferenças entre espiritismo, umbanda branca, candomblé. Presenciei ritos de incorporação. Antes havia conversado com um ou outro médium, quando ainda eram “pessoas comuns”. Todas educadas, simpáticas, algumas muito doces. A casa é mantida por um advogado oriental, mentor do lugar e médium-mor.  A família toda acompanha o que acontece e colabora. E como tinha orientais (japoneses, nisseis, sanseis, etc.), além de pessoas bastante bem postas! Gente que, provavelmente, vai à missa aos domingos, é cumpridora de suas obrigações, bons pais, boas mães, bons irmãos, bons patrões, bons empregados. Um ambiente muito tranquilo, de bondade, de bem. Ali rezam, recomendam a leitura de publicações que espíritas leem em geral, invocam figuras do catolicismo (Jesus, Nossa Senhora) e Deus está na boca de todos. A casa é muito bem estruturada, ou seja, respeita quem vai ali (e eram mais de 200 pessoas) em busca de ajuda.  Há os que passam por um trabalho mais demorado e mais profundo, os que têm problemas graves de saúde.  A grande maioria vai para tomar um passe, eliminar um inquietação, conversar com um incorporado, alguém que lhes dê atenção. Enfim, foi um momento de aprendizado, de conhecimento.  Antes assim pois, como sempre digo, não se teme o que se conhece.

Ah, o ritmo que empregam na cerimônia de preparação à incorporação, quase duas horas de cânticos e tambores, tem dois lados: (1) deve facilitar o trabalho dos que incorporam, mas (2) também pode abalar os que não têm tanto equilíbrio, aquela coisa de histeria coletiva. Eu mesma, que não toco nem campainha no ritmo, após um tempinho estava ali batucando perfeitamente…mais umas idas e me torno exímia ritmista ou percussionista. Brincadeira! O fato é que é algo muito forte e pode afetar negativamente algumas pessoas.

Ah, e minha acompanhante saiu com um consolo, com fé numa possível melhora. Nada prático, nada cabal, nada científico, mas isso só pode ajudar.

E, por último, a pobreza das redes wifis. A gente vê empresas modernas (Livraria cultura, cinemas, teatros, Sescs, Sesi, museus, restaurantes em geral) e acha que como são bastiões de cultura, de modernidade, de informação, vai ter wifi zone, liberadinha. Que nada! Uma pobreza imensa. A gente encontra isso no America, no Starbucks, e um ou outro lugar. Muito pouco para o número de telefones e outros equipamentos que andam por aí habilitados para dados ou e-mails. Vai demorar, viu gente, para a gente ainda ficar longe de Europa e Eua. Pena!

14

de
novembro

Só queria acrescentar umas coisinhas

Fui ver Minhas Mães e Meu Pai (The kids are all right - http://www.imdb.com/title/tt0842926/).  De novo (http://mskeller.blog.terra.com.br/2010/11/10/para-que-querer-inventar-a-roda/) vou recorrer ao Iracenna.  No blog já consta uma análise ótima do filme (http://bit.ly/aLerkv), mas eu gostaria de acrescentar algumas coisinhas. Cosméticas, apenas.

Em primeiro lugar, fui ver o filme no Cine Livraria Cultura, ali no Conj. Nacional (antigo Cine Bombril). Felizmente a sala estava bem vazia (pelo horário), pois a cadeira em que sentei (os assentos são marcados) rangia só de eu respirar. Mudei para a do lado, que rangia também mas bem menos. Mandei e-mail pra a LC para que peçam ao administrador do cinema uma revisão. É um procedimento simples, obrigatório, e importante, pois os ruídos chegam a um patamar insuportável. Foi o caso de meu assento (G05). Vamos ver se dão a devida atenção ao assunto.

Quanto ao filme, gostei muito da atuação das duas atrizes principais.  O Mark Ruffalo também está muito bem. No entanto, o que mais me surpreendeu foi a atuação de Mia Wasikowska (http://mskeller.blog.terra.com.br/2010/04/24/voce-esta-atrasado-voce-esta-atrasado/).  A atuação atual está muito melhor, bem diferente mesmo, do que vi em Alice. Ou a menina melhorou muito, ou ela não havia gostado do outro papel. Enfim, a diferença é marcante: a atriz está segura, convincente até a medula.

O filme fez-me perceber que, por mais que a gente goste da mãe da gente, se dê bem com ela, a Natureza é sábia: duas mães é demais!  Melhor mesmo que isso seja apenas uma situação “incomum”. Seria dose uma célula familiar totalmente matriarcal, por assim dizer.

Também foi interessante perceber a consciência que o doador de esperma atinge no filme.   Não que esteja certo ou errado ter ou não ter uma família, viver sem vínculos ou não. O fato é que a personagem de Ruffalo mostra de forma clara que sua hora chegou, hora de mudar, hora de estabelecer laços ou vínculos fortes, que é possível alterar a rota de uma vida se se quer de fato. Há momentos em parece que a personagem não se reconhece, “se estranha”. Seu caminho é muito interessante e até tocante.

Um bom filme para pensar, já que ali está o retrato de qualquer relação humana (pais/filhos; marido/mulher; amigos; companheiros; profissionais). O dominante, o dominado, as críticas mudas que acabam vindo à tona nos momentos de crise e machucam, as concessões que custam a alma e, muitas vezes, a longevidade ou qualidade de uma convivência.  E nunca se deve esquecer que as pessoas mudam, e muito, com o tempo, senão é bem possível que dois iguais se transformem em dois estranhos ou até inimigos.

O filme é muito maior que a temática de uma família gay. É um filme de relações humanas universais.

12

de
novembro

Foi um parto mesmo

Pois é, isso que dá querer aproveitar o tempo, fazer uma viagem só. Como ontem tinha ingresso para o Balé Nacional da China (http://www.jornalstylo.com.br/noticia.php?l=4a61e0fc6aef15237364e2f28eac0cf8), lá no Teatro Bradesco do Shopping Bourbon (aliás: (1) por que não dão os toques de retorno do intervalo dentro da sala também? De repente a luz começa a apagar, aquele burburinho, etc. Custa?; (2) por que o shopping não trabalha para que melhorem o ponto de táxis que serve o local? Quase 100 pessoas na fila e um rapaz caçando táxi na rua, os que passassem às 23h! Não dá para coordenar com pontos próximos (há inclusive uns 24h) para reforçarem o ponto ali quando há espetáculos? Custa?) resolvi ir antes e ver um filminho.

Fui e vi o que estava passando, que dava no horário. Acabei vendo Um parto de viagem (Due date - http://www.imdb.com/title/tt1231583/). Já mencionei várias vezes que não gosto do Robert Downey Jr.  (http://mskeller.blog.terra.com.br/2010/01/20/nossa-que-movimento-de-novo-domingo-final-de-tarde-e-noitee-se-acabou/).  No último ano acho que vi uns 3 filmes com ele (contando com este); para mim, ele faz sempre a mesma personagem. Nem no caso do S. Holmes ele conseguiu se desgrudar de si mesmo.  De toda forma, a sinopse pareceu interessante, então vamos lá.  Foi um parto!  O filme tem muitos, mas muitos mesmo, altos e baixos. O roteiro é interessante, mas déjà vu ( tenho clara lembrança de ter visto algo muito parecido há mais de década - dois homens querendo ir para casa, acho que no final de ano/Natal e, devido ao mau tempo/neve, têm de ir de carro, juntos. Dois estranhos que passam a conviver intimamente por capricho do destino. Aí a coisa azeda); a fotografia é ótima; a trilha super (tem Lou Reed, Neil Young, e mais um monte de músicas e intérpretes legais); mas os atores não fazem a delivery.  Começando pelo meu anti-ídolo, Downey Jr. O segundo ator, Zach Galifianakis que, até onde eu saiba, vi como secundário em vários outros filmes - nada marcante-,  faz um papel de psicodepressivoenrustidobobão, mas também é só patético muitas vezes. Jamie Foxx, que trabalhou com RDJr em O Solista (http://mskeller.blog.terra.com.br/2009/11/10/requiem-de-ferias/), faz um papelucho, mas não compromete.  Enfim, um filminho mesmo.

Ainda bem que os “ling-lings” compensaram esse fiasco.  O Balé Nacional da China (http://www.teatrobradesco.com.br/_programacao.php?id=139&atracao=Bal%C3%A9%20Nacional%20da%20China) extrapolou minhas expectativas. Eu achava que sabia o que esperar. Afinal, tanto filme chinês por aí, e a referência direta ao filme Lanternas Vermelhas (http://www.mestreka.com/o-reino/trabalhos/236-lanternas-vermelhas-analise-e-analogias), indicaram-me o que poderia vir ali adiante.

Mas quê! Um balê moderno, arrojado, com música instigante, guarda-roupa de primeira, cenários interessantes.  Aliás, cenários trabalhosos, pois a certa altura várias partes são destruídas (é tudo de papel). Já pensou refazer um monte de coisas a cada apresentação?  Os bailarinos são fantásticos. Não que eu seja versada no assunto, mas se conseguiram manter a gente de olhos grudados no palco, com uma temática tão distante de nós, é porque são bons demais. E a coisa é chinesa mesmo: perto de uma centena de pessoas indo e vindo pelo palco. Os protagonistas (duas moças e um rapaz) foram ovacionadíssimos. Não poderia ser diferente.  Ah, a maquiagem foi um quesito à parte:dramática!

E depois de terminado o show, a gente esperando o táxi lá na calçada, quem aparece? A trupe toda! Simples, proletários do balé…imagino que esperando o transporte. Ou será que como na terra-mãe iam de ônibus ou a pé?

Um superespetáculo. Lindo mesmo. Até de onde eu estava (frisa do segundo andar), com a ajuda de meu superbinóculo, consegui ver tudo direitinho. Melhor, perdi um pedaço do palco, pelo ângulo daquela frisa, mas deu para apreciar efeitos (um tecido vermelho imenso lançado sobre todo o palco; iluminação que imitava a prisão) perfeitamente; seguramente melhor do que quem estava mais abaixo ou na plateia central.  Oooh, teatrinho ruim esse do Bradesco!

Apesar do quase parto de fórceps no filme, o balé valeu pela semana.

E na saída (além da fila dos táxis que não existiam ou demoravam), panfletagem contra a venda de órgãos na/pela China, suas atrocidades, etc. E o mundo não sabe? E o mundo faz o quê? Perguntem ao G20 se vão impor alguma sanção ao cruel país do Oriente.  Tááá bom! Cada um quer é saber do seu. Terrível? Sem dúvida! Mas o Balé Nacional da China não tem nada a ver com isso. Ele é pura beleza!

11

de
novembro

Um pouco mais de tudo

Apesar do dia feioso de ontem, em que fui colhida por várias pancadas de chuviscos, deu para ver um monte de coisas.

Havia tempo, eu estava querendo ver Mulheres que Bebem Vodka (http://www.estadao.com.br/noticias/arteelazer,ligia-cortez-estreia-mulheres-que-bebem-vodka-em-sp,603574,0.htm), lá no Centro Cultural Banco do Brasil. Entra semana, sai semana, e nada. O horário alternativo é excelente: 3a. a 5a., às 19h30. Para quem tem acesso à região por metrô, ônibus, trabalha por ali, é ótimo. O teatro do CCBB é bem pequenino. Talvez uns 100 lugares, máximo, máximo. Mas bem confortável, palco bom, som, luz, projeções. Tudo do melhor.  Como a temporada da peça termina hoje, era ontem ou ontem, já que hoje tenho outro compromisso. E lá fui eu.

Em geral, os ingressos para os espetáculos no CCBB são bem em conta (média de $15/inteira). Cheguei um pouco mais cedo e consegui meu lugarzinho. É preciso dizer que o teatro estava lotado.

A peça é de um autor mexicano (Victor Hugo Rascón Banda) e foi dirigida por Ligia Cortez. O tema é o encontro de 5 mulheres: duas têm um passado em comum, as outras três não se conhecem.  Todas imigrantes: 4 polonesas e uma guatemalteca.  O assunto é a inclusão, o ser reconhecido como indivíduo, não ser discriminado. O problema do imigrante para ser visto como um igual, o que está mais difícil a cada dia (vide ideias do Tea Party (http://en.wikipedia.org/wiki/Tea_Party_movement) nos EUA, por exemplo). O encontro dá-se devido a um teste de atrizes para uma peça.  As duas postulantes ao papel principal (Martha Nowill e Maria Manoella), além da empregada (Regina França) estão impagáveis. As duas atrizes mais maduras também estão ótimas  A grande surpresa para mim foi Selma Egrei (Evva).  Vi-a em algumas produções na tv, mas nem gostava tanto dela. Achava que tinha um rosto marcante, diferente, mas se me perguntarem onde a via, fazendo o quê, não tenho a menor lembrança de detalhes.  Na peça, ela está fantástica! Segura, bonita, convincente, para mim a personagem mais bem construída. Iluminação, música, gadgets (projeção, vídeos), cenário foram bons coadjuvantes. O texto tem boas tiradas, mistura bem humor e drama. Ainda bem que deu para assistir. Valeu a pena.

Antes de ver a peça, aproveitei para ver tanto a exposição que está no CCBB quanto na CEF da Sé. No CCBB está Laurie Anderson (http://www.bb.com.br/portalbb/page501,128,10164,0,0,1,1.bb?&codigoMenu=9904&codigoMenu=9900), com I in U / Eu em Tu. Tem de tudo: pinturas, desenhos, obras interativas, esculturas (?), instalações, vídeos. Uma artista multi, com certeza. A exposição ocupa os três andares do CCBB e vai até 26/12.  Vale ver. Tem coisas inusitadas, criativas, instigantes. E, claro, as ininteligíveis também, mas estas são poucas. Ah, e não tenho dúvida, a montagem a exposição deve ter deixado gente de cabelo em pé, pois ela é bem complexa e requer bastante conhecimento técnico.

Na CEF da Sé há quatro exposições: Quem é você? de Renata Massetti. Exposição fotográfica montada durante alguns anos (acho que dois) com os mesmos “modelos”. Interessante, mas só. Rubem Grilho: xilogravuras e colagens. Gostei de alguns trabalhos, mas não é a minha. De todo jeito, uma mostra extensiva do trabalho do artista (de 1985 a 2010). Exposição Caixa Brasil: mostra que está presente nas CEFs culturais de todas as capitais. É o acervo da CEF sendo exposto em sua (imagino) quase totalidade. Tem de tudo: Manabu Mabe, Di Cavalcanti, Carybe, Djanira, Antonio Poteiro, Aldemir Martins, e por aí vai. Aqui em SP a exposição está bem interessante. Vale ver. Fica até 28/11.

Agora a mais surpreendente para mim foi a de Gerda Brentani: A graça de um Século Sério (http://www.gerdabrentani.com.br/). Vejam algumas obras no link. Bom demais! Muito interessante mesmo. A gente percebe claramente a evolução que a artista fez desde sua chegada ao Brasil em 1939. Ela é viva, witty, sagaz, e apreendeu nossa alma perfeitamente, afinal ela criou Terra Papagalorum. Além disso as pessoas com que ela trabalhou, ou aprendeu, ou desenvolveu seus projetos é um caleidoscópio de qualidade inquestionável.

A artista morreu em 1998 aos 93 anos. Lá na exposição tem um frase sobre isso da qual não me lembro exatamente, mas dizia mais ou menos isto: morreu velhinha, mas de espírito jovem.  Pelos traços, pela concepção, por seu histórico, não resta dúvida: uma personalidade criativa, inquieta, trepidante. Perceber a artista em cada obra é emocionante. Também até 28/11 na CEF da Sé.

10

de
novembro

Para que querer reinventar a roda?

Eu ia começar a escrever sobre as várias exposições que vi ontem (MASP, Itaú Cultural) quando li o blog Iracenna (http://www.iracenna.blogspot.com/?zx=f1ae1cf473907a89) que acompanho (está há muito tempo entre os links do blog - ali do lado direito da tela).  Seu autor, Fabrício, além de postar coisas bem interessantes, textos informativos, críticos, e até algumas crônicas/contos, fotografa muito bem. As fotos que acompanham os textos são primorosas.

Li os textos sobre Quem tem medo de Curupira?, peça sobre a qual já tinha escrito (http://mskeller.blog.terra.com.br/2010/11/07/e-nao-e-que-o-curupira-quase-encontra-a-pororoca/), sobre algumas exposições que visitei (http://mskeller.blog.terra.com.br/2010/11/08/tudo-do-mesmo-muito-diferente/), além das mencionadas acima, e cheguei à conclusão de que está tudo tão bem escrito, aliás como eu gostaria de ter escrito, que não há função em tentar criar outro texto. Já incluí textos de outros amigos (estão todos no tag ou categoria: generosidade de amigos) aqui no blog, e valem muito a pena conhecer também.

E um dos meus “mottoes” é justamente esse: para quê tentar reinventar a roda? Melhor focar em melhorar, agregar ao que já existe. Leiam os textos do Iracenna. Vocês vão gostar, eu tenho certeza!

Mas tem uma coisa que não está lá no blog do Fabrício. Ah,ah! Minha aula-almoço de ontem.

Então vamos lá:como já mencionei (http://mskeller.blog.terra.com.br/2010/10/17/conto-primeiro-a-parte-boa-ou-a-meio-ruim/), fiz uma espécie de “investimento” nos cupons de desconto que pipocam pela net. Ontem fui aproveitar um cupom que dava direito a uma aula-almoço no Atelier Gourmand (http://www.ateliergourmand.com.br/br/receitas.aspx?ukeyReceita=5286). A empresa em que eu trabalhava havia feito uma atividade lá, mas eu estava em férias e não pude comparecer. Os comentários foram positivos, então resolvi apostar. Realmente têm uma estrutura para cursos bem interessante. Espelho no teto, para não se perder nenhum detalhe do que está sendo feito, vários fogões, fornos, muito instrumento/equipamento, auxiliares de cozinha, espaço amplo, mas muito aconchegante, limpo. Ontem só havia 3 alunas-comensais para a aula, o que foi ótimo pois, além de saborearmos uma refeição muito bem preparada, todas as dúvidas foram sanadas, detalhes puderam ser bem observados.  Foi uma delícia de aula e de almoço. O Marcelo, chef que nos deu a aula, é muito articulado, simpático, e daquelas pessoas que valorizam tudo o que faz mas sem complicar. Ele sabe, então é fácil para ele, e a se a gente se esforçar (muuitooo) e tiver algum talento consegue chegar perto. Mas só perto…

Foi um cardápio bem brasileiro: salada de batatinha e folhas verdes com aioli, picadinho com arroz caipira, ovo frito, banana empanada e farofa crocante. Vinho, água, refri para acompanhar. E finalmente: trio de brigadeiros.  Tudo muito bem explicado, e alguns acompanhamentos bastante fáceis de fazer. Mas não se enganem, pois como dizia minha mãe, que fazia coisas deliciosas, “não pode ter pressa na cozinha”.  O picadinho tem seu tempo, o arroz tem seu tempo, o molho de tomate também, e por aí vai. Foi uma refeição bem gostosa, com a simpatia de nosso professor e de minhas duas acompanhantes.  Relaxante! demais! Além de ótimas dicas para tornar a vida mais fácil e os pratos saborosos e bonitos.

Esta é a receita do aioli, um molho muito fácil e saboroso. Já havia provado em algum restaurante, mas agora dá para fazer em casa. Adapte a seu gosto. Vale a pena:

3 dentes de alho inteiros / 240ml de leite temp ambiente / 700 ml óleo girassol / 3g de sal

Corte o alho em pedaços pequenos, coloque no liquidificador com o leite / bata bem / junte o óleo em fio com o liquidificador ligado / quando o óleo terminar, fica como uma maionese / tempere com sal. Melhor se feito no dia de servir (acompanha saladas e alimentos mais neutros - na verdade, imagino que fique gostoso com muita coisa. Um exemplo dado pelo chef: cenoura, pepino, erva-doce, etc., cortados em tiras, crus, para servir como entradinha).

Aula e almoço aprovadíssimos!

8

de
novembro

Tudo do mesmo muito diferente

Pois é: fotografia, design, esculturas. Só coisas lindas, e tudo ali, na Paulista.  Ah, e tudo de graça!

Primeiramente a exposição de fotos, em colaboração com o Instituto Moreira Salles: As construções de Brasília (http://www.sesisp.org.br/home/2006/centrocultural/prog_expo2.asp). Fotos interessantes da construção, inauguração e do começo de vida da capital do país.  Vendo algumas delas lembrei-me de umas que meu pai tirou quando foi para lá, quando Brasília estava sendo inaugurada. Ele e meu tio descendo de um avião quadrimotor, em meio a muitos operários, material de construção, ie., uma cidade em formação.  Meu pai e tio foram corajosos…ir para lá para ver, para tentar investir. Eita gente de tutano. Infelizmente não achei as fotos. Depois que terminar minha arrumação de casa (armários, gavetas) tenho certeza de que vou achá-las, por enquanto só a memória mesmo.

Além das fotos, instalações e obras que fazem referência à capital: Jac Leirner, Cildo Meireles, entre outros. Mas o que valeu mesmo, para mim, foram as fotos que mostram o bairro da Sacolândia, e todos aqueles migrantes construindo uma cidade com os punhos, no muque. Formas arquitetônicas que são de dar medo a qualquer ténico, mesmo com as modernidades de hoje. E aquela gente construiu tudo na mão, e está tudo lá, de pé. Se bem mantido, tudo resistirá aos tempos. Tipo pirâmides mesmo.

Depois foi a vez do belo, pragmático e inusitado: Mostra Senai-SP de Design (http://www.sp.senai.br/spdesign/telas/mostra.asp), também ali no SESI da Paulista.  Se tiverem um tempinho, entrem no arquivo pdf do catálogo. Vejam itens de 1920, 1930, 1940, 1950 que parecem ter sido concebidas hoje, em pleno século XXI.  Itens fantásticos como as cadeiras/poltronas de Charles e Ray Eames, de Le Corbusier, a MR Side de 1927, e por aí vai. Itens do dia-a-dia, super bem bolados, de essência perpetuamente moderna (talheres, embalagens, luminárias, etc.). Agora o máximo é o design para 2030.  Uma luminária pública viva, uma célula de sobrevivência, e o capacete Transformers?? O máximo! Agora bacana mesmo é Abaré Ikê – Sistema de Motivação e Comunicação Ativa. Vejam o conceito da coisa:

quote

Motivação: O ser humano, sobretudo quando idoso, necessita de interação social, da proximidade da família (filhos, netos e outros parentes que moram longe), de relacionamentos antigos e de novos amores, de amigos. Novas experiências resgatam o vigor da juventude e rejuvenescem a alma.

Comunicação: Ação, efeito, meio de comunicar, participação, relação Social. Processo pelo qual ideias e sentimentos são transmitidas de um indivíduo para outro, tornando possível a interação social.

Apoiado nesses conceitos, o produto – “abaré”, “amigo”, e “ikê”,“aqui”, remetendo a presença – visa a promover:. experiências emocionais /sensoriais. prazer / entretenimento /interação social. e transmitir voz, imagens, calor,luzes, cores, odores e vibrações /pulsações Além disso, ele pode monitorar/ controlar a saúde da pessoa. Ao passar por regiões específicas do corpo, os sensores biológicos passam informações para estações remotas.

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Fala a verdade, superhipermegablaster!

E last but not least, Vlavianos (http://www.caixacultural.com.br/html/main.html) na CEF da Paulista. Vai até o final de novembro. Muito interessante! Além dos croquis, desenhos, as peças em si, feitas sobretudo de aço inox, são de grande plasticidade, leveza mesmo. O conjunto de peças é muito especial!

Bem, acho que já deu, né? Agora é poupar os olhinhos para o que mais houver de bonito por aí. E como tem!

8

de
novembro

Livro de preguiçoso

Como mencionei no post de 16/10 (http://mskeller.blog.terra.com.br/2010/10/16/foi-bom-mas-nem-tanto/), minha primeira experiência com um audiobook/audiolivro foi bem positiva.

Também escrevi que um amigo havia me emprestado dois deles. Pois bem, acabo de ouvir Contos de Agora (http://www.livrofalante.com.br/ListaContosDeAgora.html). Como adoro contos (já disse várias vezes que é o gênero de que mais gosto em literatura), comecei por aquele audiobook.  Além de os contos serem muito bons, alguns excelentes mesmo: comovem, ou fazem a gente rir gostosamente, a interpretação da atriz (Leona Cavalli) deixou os textos ainda mais atraentes.  Dá vontade de ouvir, ouvir, ouvir sem parar. O segundo audio é Quincas Berro d’Água de Jorge Amado. Vou começar a ouvi-lo agora. Mas já deu para perceber que, primeiramente por gostar do formato, e em segundo lugar por serem mais curtos, o audiolivro presta-se muito a textos mais enxutos: crônicas, contos, etc. Cansa menos, é mais agradável, já que nem todos têm a voz e interpretação competente da LCavalli.  De qualquer forma, continuo achando que, não importa a extensão,  é uma mídia interessante para uma cidade como S. Paulo, em que se despende muito tempo no trânsito (como motorista ou passageiro), ou em filas, ou esperando transporte.  É uma boa forma de ocupar o tempo e agregar conhecimento, beleza, poesia, enfim…

Gostaria de mencionar alguns contos que achei deliciosos:

  • Lágrimas de Prata de Moacyr Godoy Moreira (organizador da produção) - sobre pai e filho envolvidos com o futebol. Comovente e divertido;
  • Carta a meu tio - David Oscar Vaz - um menino contando ao tio distante, por meio de uma carta, as agruras da família, as tragédias;
  • Morte súbita - Charles Kiefer. Surpreendente;
  • Avon - Andréa del Fuelgo. Hilariante!
No link acima há um minutinho de cada conto. Deem uma ouvidinha. Vale a pena.

7

de
novembro

E não é que o Curupira quase encontra a Pororoca?!

Era uma vez uma turma da pesada, liderada pelo Curupira, que quase bateu de frente com a Pororoca.

Epa, que viagem!

Recomeçando: era uma vez…o Centro Cultural do SESI, ali na Av.Paulista.  Um violão e um violino resolveram se juntar para tocar músicas lindas.  E formaram o Duo Leonardo Padovani (violão) e Diogo Carvalho (violino) (http://www.sesisp.org.br/home/2006/centrocultural/Prog_Music_Result3.asp?id=60).  Além de Piazzola, Jobim, Debussy, composições próprias também (muito bonitas!). Uma hora de puro encantamento.  Além disso, teve a simpatia de LPadovani, interagindo com a plateia. E de graça! Muito legal! O SESI da Paulista é assim: sempre tem shows ótimos, gratuitos, domingo às 12h, ou a preços superconvidativos às 4as., 20h. (o próximo é este aqui: http://www.sesisp.org.br/home/2006/centrocultural/Prog_Music_Result.asp?id=30).  O auditório, que é bem grandinho (acho que uns 400 a 500 lugares), estava bem cheio.

Antes de ver o duo, peguei ingressos para Quem tem medo de curupira? (http://www.sesisp.org.br/home/2006/centrocultural/Prog_teatro_curupira.asp), às 16h, no mesmo teatro.  Teoricamente uma peça infantil, mas que, seguramente, agrada a todas as idades. De novo: de graça. Desta vez o teatro estava lotadaço. Apesar de distribuírem os ingressos com lugares marcados, na hora da entrada, ali, na porta da sala, disseram que os assentos eram livres. Bom para quem estava no início da fila (meu caso e de meu acompanhante).  Ainda bem que não deu muita bagunça, mas isso não se faz, e para que fazer isso? Se os ingressos estão com os assentos, por que não deixar a coisa correr assim? Enfim…

A peça é de autoria de Zeca Baleiro (texto e músicas). Gostei de todos os atores, sobretudo de Danilo Grangheia. O enredo é sobre a ida de entidades da floresta (Curupira, Iara, Boitatá, Saci, Caipora e Iara) para a cidade, para descobrir o que as pessoas pensam deles, se ainda se assustam com suas figuras e travessuras. O fato é que as cidades são tão crueis, que as pessoas assustam-se com muito pouca coisa hoje. Mas todo mundo tem um medinho (ou medão) de escuro, de sons estranhos, de um ventinho não-identificado passando pela orelha, ou seja, a passagem deles pela cidade grande foi redentora. Saíram satisfeitos! As músicas são divertidas, as personagens carismáticas, a criançada e a adultada divertem-se muito. Produção elaborada: cenários, luz, som, projeção, guarda-roupa, adereços. Só acho que não é peça para criancinhas. Menos de 7 ou 8 anos pode ficar com medo. No mais, diversão garantidíssima!

E se eu vir alguém jogando sujeira por aí, pelo chão, pelo gramado, no mato, na praia, invoco todos eles, criaturas descoladas, amantes da Natureza, e corajosas..aí vocês vão ver o que é que é medinho ou medão…

E o que tem de ver a Pororoca com o Curupira? Bem, isto é uma outra história que fica para uma outra vez, como diria personagem famosa de escritor famoso (não ouso mencionar os nomes, senão posso até sofrer retaliações), que está sendo caçado (na verdade, quase caSSado mesmo) pelos inquisidores de plantão por obra escrita há exatos 77anos!  Uma caça às bruxas para ninguém botar defeito. Bruxas? Ué, isso não é do folclore ou da cultura nacional! Huuummm, acho que deu curto-circuito na cabeça do pessoal que não tem grande coisa para fazer. Afinal, este é um país que não tem problemas maiores de educação (no sentido formal mesmo, que é o que me interessa, não no sentido dos salamaleques, secundário para mim), em que a grande parte da população que conseguiu ir à escola é analfabeta-funcional, outra grande parcela lê e entende a mensagem a duras penas. Isso dá só uns 80% dos escolarizados…Então, está tudo tinindo no campo da educação formal. Sobra $ e tempo para preocupações deletérias, né, não? E vamos elucubrar, achar, ver fantasmas onde não existem…aaah, bom, melhorou muito, afinal fantasma é coisa da terra…

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