Escrever para viver!

Tudo que der na telha e que eu achar que vale a pena

15

de
novembro

Música, música, música

No susto, pois não estava programado, fui ver o espetáculo Florilégio (http://catracalivre.folha.uol.com.br/2010/09/mira-haar-e-carlos-moreno-no-espetaculo-florilegio/) no Museu da Casa Brasileira (http://www.mcb.sp.gov.br/). Uma pessoa que encontrei na entrada do Pororoca é que me indicou o espetáculo. Seria a última apresentação ontem, domingo.  Como sempre acontece no MCB, o show seria gratuito.  Cheguei por volta de 15h15 (começava às 15h).  Já estava bem cheio. Até o início do espetáculo lotou. Mundos de pessoas, sobretudo senhorinhas.  O show é composto de um rol bem variado de músicas. Tanto Mira Haar (era a mãe da família de No Mundo da Lua - TV Cultura) quanto Carlos Moreno (garoto Bombril) soltam a voz, e que voz! Um vozeirão. Põem muito humor, fazem um teatro básico.Tudo muito divertido, simpático, animado. Além de músicas consagradas e lindas, a performance dos dois faz do espetáculo um momento bem agradável.  Pelo que informaram, voltam em março próximo. Fique de olho. É de graça, num espaço lindíssimo, e o show diverte.

Dali fui rapidinho para outro momento musical: Ney Matogrosso no Sesc Pinheiros.  A história para este show começou lá atrás. Há umas 2 semanas fui comprar os ingressos. Começaram a vender numa 4a., às 14h. Cheguei ao CINESESC para comprar às 14h15. Às 15h não havia mais ingressos. Verdade que todos os SESCs estavam vendendo ao mesmo tempo, mas haveria 6 shows em Pinheiros (o teatro é grande lá, gente!) e outro ou outros em outro SESC. Resumo: venderam tudo em um hora máximo! Incrível!  Tive sorte. Consegui comprar para o balcão no dia 14, domingo. O lugar não é ruim. Um pouco longe, mas para isso está aí meu superbinóculo. Deu para assistir perfeitamente. O artista continua ótimo, voz linda, presença de palco fantástica, domínio de público inequívoco. Foi basicamente o show que vi no Bourbon há um ano exatamente (http://mskeller.blog.terra.com.br/2009/11/14/irretocavel/)!!! Que coisa!  Só que neste o bis foi fantástico. O cantor foi generoso com a plateia e deu muita canja. Os músicos que acompanhavam NM estavam ótimos também.

Valeu “lutar” pelo ingresso.

15

de
novembro

Ei-la finalmente, a Pororoca

Pois é, não precisou de magia, mas quase. A peça Pororoca, que pensei em ver em 7 de novembro, ficou para este final de semana mesmo.  Dia 7 vi a ótima Quem tem medo do Curupira? (http://mskeller.blog.terra.com.br/2010/11/07/e-nao-e-que-o-curupira-quase-encontra-a-pororoca/) apenas, pois os ingressos para Pororoca esgotam-se rapidamente. Mas como sou cabocla tinhosa…12h15, poucos minutos após a abertura das bilheterias, lá estava eu para tentar um dos 50 ingressos da noite. Cheguei e já tinha uma filona…Afe! Felizmente deu tudo certo. É que o SESI é pródigo e naquele dia havia 3 espetáculos sendo vendidos: Pororoca, Quem tem medo do Curupira? e Hell. Como dão dois ingressos por pessoa para as peças gratuitas, fiz uma matemática rápida e vi que, mesmo se TODOS estivessem lá ver Pororoca, ainda daria para pegar ingresso, mesmo computando gente que poderia ter pegado os ingressos e partido (aí já foi um pouco de adivinhação mesmo).

Como a peça só começava às 20h30, fazer uma hora, aliás uma horona (nossa, filona, horona, hoje estou exuberando).  E o que melhor? Hein, hein, hein?! C I N E M A! Lá fui eu para o Reserva.

Primeiramente quis ver Contos da Era Dourada (http://translate.google.com.br/translate?hl=pt-BR&langpair=en|pt&u=http://www.imdb.com/title/tt1422122/) em que estava de olho há um tempo. Não tinha dado para ver pois o filme é bem longo (umas 2 horas e meia) e batia com sessões de outros filmes em que tinha interesse. O filme narra lendas urbanas, que, francamente, não sei se são tão lendas mesmo, durante a ditadura (final do processo) de Ceaucescu (http://pt.wikipedia.org/wiki/Nicolae_Ceau%C5%9Fescu) na Romênia (http://pt.wikipedia.org/wiki/Rom%C3%A9nia). O ditador foi deposto no final dos anos 80 e executado. Foi o final de ditadura mais violento entre os vários países da cortina. A fotografia do filme tem momentos bem bonitos, mas o que mais se vê são cidades depauperadas, largadas, com muito mato, muita coisa abandonada. O movimento de carros é muito interessante: um a cada meia hora. Tudo resultado de um país não-produtivo, de desestímulo de competição, de investimento, de desmandos sociais, etc.  Interessante também que a Romênia, apesar do duro regime e de ter passado pelo perrengue de muitos países comunistas, i.e., ter parado no tempo em relação aos países do Ocidente, já é membro da UE. Antes mesmo de países que tiveram um regime comunista mais brando e uma saída mais amena do processo de desmantelamento da URSS, exemplo a Croácia, que tem há muitos anos um parque industrial florescente, pujante e ainda está na lista para a UE.

Além de o filme ser bem interessante, uma visão bem equilibrada dos tempos de chumbo, tive a oportunidade de ouvir a língua romena.  Nunca tinha ouvido o idioma, acho, menos ainda por mais de duas horas. Como é uma língua de raíz românica, diferente de outras línguas da Europa Oriental que são eslavas, ela é muito gostosa de ouvir. Há momentos em que estão ali francês, italiano, espanhol, e até português. É possível compreender frases inteiras sem recorrer às legendas. Muito interessante.

Quanto às lendas, propriamente, não sei se o são. Minha avó e meu pai nasceram na antiga Iugoslávia. Minha avó voltou ao país (região da atual Croácia) algumas vezes, ainda durante o governo de Tito (http://pt.wikipedia.org/wiki/Josip_Broz_Tito#Avenida_Marechal_Tito), e o que ela contava na volta era de arrepiar. Fora as perseguições, o medo anestesiante, a situação do cidadão era mais ou menos o que se vê no filme. E olha que o Tito era soft perto do Ceaucescu.  Muito escambo, dinheiro quase nada, tudo na base da troca, de aproveitar tudo que fosse possível, etc. Vendo as tais lendas, nada me pareceu muito “realismo mágico” não. Pelo que me lembre das histórias, acho que era bem isso mesmo.  Só que tudo com uma ponta de humor, de folclórico, revestindo uma crítica abrangente e equilibrada.  Não há discurso ideológico, as imagens falam por sí.

Depois Minha Terra África (http://www.imdb.com/title/tt1135952/). Pesaaaadoooo! Mas interessante. Para mim sempre foi muito difícil entender completamente por que uma pessoa deixa tudo para trás, vai tentar vida nova, fortuna, e mesmo se a coisa amarga ela não volta, tenta, muda, tenta de novo, se perde pelo mundo. Não tenho esse espírito andarilho, desbravador, imagino.  A situação da personagem de Isabelle Huppert é assim. De uma teimosia, ou de um apego irracional.  O filme, que tem lindas imagens em vários momentos, mostra a situação de vários países africanos: batalhas internas, cidadão contra cidadão, tomada e derrubada de poder, a vida valendo centavo, crianças com arma na mão praticando toda a sua crueldade (crianças são crueis, vide Lord of the Flies (livro e filme), que apesar de focar em regimes de governo totalitários sobretudo, mostra que na infância todos podemos ser atrozes, implacáveis, cruentos). Gosto muito da IHuppert e ela segura o filme magnificamente. E quem diria? Chirstopher Lambert, que eu não via há década pelo menos, está muito bem também.

Muita crueza, muito sentimento contido que explode em raiva, ódio, desprezo. Muita morte tola, muita agressão, desprezo ao outro porque se despreza a si mesmo. Não diria que é um filme imperdível, mas por mostrar algo tão distante de nós, pelo oho de quem só quer trabalhar, viver em paz, e que é colhido por um vendaval incontrolável e vai agindo ao sabor da situação, vale ver.

E por fim, ela, a Pororoca! (http://www.sesisp.org.br/home/2006/centrocultural/Prog_teatro_pororoca.asp) Esta peça é encenada no mezanino do SESI da Av. Paulista. O espaço é como um corredor com cenário e atores de um lado e público sentado em arquibancada do outro. Apenas 50 lugares. A peça leva aproximadamente 90 minutos. Lembrou-me muitíssimo peça e espaço de Os fofos (http://www.osfofosencenam.com.br/). Assombrações do Recife Velho acontece em um corredor, só que com o público dos dois lados e os atores encenando no meio, nas pontas, e saindo detrás dos espectadores.  Um espaço mais elaborado ou sofisticado, eu diria. De qualquer forma, Pororoca tem texto fantástico, os flashbacks acontecem ali, diante do espectador, com outras cenas de atores congelados ao lado, i.e., freeze, flashback ou outro ponto da história, descongela. Muito interessante. A cantoria é ótima, vozes lindas sobretudo das atrizes. O guarda-roupa é bem bonito, marcante; o cenário é minimalista mas cumpre sua tarefa com louvor. Um músico toca violão, contrabaixo, etc., acompanhando as cenas.  Tudo muito próximo, mas não menos mágico. Imagino que para o ator fazer esse tipo de trabalho, com a plateia respirando “no cangote”, não deve ser nada fácil. Se no palco ele pode sentir os fluídos do público, ali então…Todos os atores e atrizes estavam ótimos, destacando Juçara Morais, Rogério Brito, Paula Sassi, Bruno Gonçalves.

Ainda bem que eu estava atenta, e a Pororoca não me levou lá pro fundo do rio…

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