Escrever para viver!

Tudo que der na telha e que eu achar que vale a pena

29

de
novembro

Por quê? Por quê? Por quê?

É o que me pergunto quando faço coisas como assistir a Muita Calma nessa Hora (http://www.muitacalmanessahora.com.br/).  Li/ouvi que algumas pessoas viram e gostaram.  Outras pessoas, pelo que amigos/conhecidos haviam relatado, queriam ver.  Eu tinha duas opções: HPotter ou MCNH.  Como este é mais curtinho, eu não estava a fim de muito movimento, optei pelo filme nacional. Muita gente bonita, rasinhas, mas bonitas; visual bacana, afinal se retrata Búzios; uma trilha sonora um tanto quanto desagradável; humor rasteiro; sexualidade de monte. Enfim, a turma do Frankie Avalon (quemmm???? http://www.imdb.com/name/nm0000811/) que fez zilhões de filmes praianos americanos (eu adorava. Tinha muita música e dança e essas traminhas típicas de meninada), apesar do “túnel do tempo”, daria de 10 a 0 na produção nacional.

Sempre que posso, e acho que vale a pena, tento ver filmes locais. Várias vezes me dou mal, afinal a produção nacional ainda é muito irregular, mas procuro prestigiar sempre.  E foi o que fiz hoje.

As meninas estão melhor que os rapagões. Na verdade, só dois deles têm um papel mais destacado. O Juca / Dudu Azevedo faz o papel (será só papel, mesmo?) de um menino bonito por fora, mas apagadinho, chocho mesmo, mesmo assim objeto do desejo da meninada. Aliás, quanta gente de verdade não é exatamente assim? Chama a atenção, até excita, mas não dá para segurar esse tipo de interesse, a não ser que se padeça de algum mal psicossexual ou de desespero mesmo. Como relação amical até vai, mas mais que isso…sem chance. Melhor: cada um cada um e tem gosto para tudo, pronto, preferível não radicalizar.

No final, quem brilha um pouco: Gianne Albertoni, Nelson Freitas, Andréia Horta,Fernanda Souza e Luis Miranda. No mais, há algumas participações interessantes (Louise Cardoso, Laura Cardoso), mas não dá para o gasto. Nem precisa prestar atenção no resto.

Tá com preguiça? Não quer um filme muito longo? Está com tempo? Quer dar umas poucas risadas? Então pode ir ver.

28

de
novembro

Se tudo mais falhar

Pois é, viro monja, mas beneditina.  Depois de visitar o Mosteiro de S. Bento (http://www.mosteiro.org.br/) hoje, com o Irmão João Batista, é o que me apetece. Mas tem de ser beneditina mesmo, pois as regras de S. Bento são mais de meu jeitinho. Visitei o Convento de São Francisco no ano passado (http://mskeller.blog.terra.com.br/2009/12/18/tempos-de-festa-e-sacrificios-tambem-2/) e a coisa foi bem decepcionante Entendo que os ditames de S.Francisco e de S. Bento e, consequentemente, de suas Ordens sejam bem diferentes: da concepção da ordem em si, visão do mundo, das pessoas, então não dá para deixar de escolher um lado: sou beneditina desde criancinha (brinca…).

Vamos do começo para entender esse mumbo jumbo. Vi há algum tempo a notícia de que começaram a ser servidos brunches mensais no Mosteiro de S. Bento (http://vejasp.abril.com.br/revista/edicao-2180/mosteiro-sao-bento-brunch-passeio). O Mosteiro já é conhecido pelos pães, bolos que produz. Venda ao lado da própria igreja e tem agora uma loja nos Jardins.São produtos bem caros, a meu ver, mas têm clientela fiel. Não encalham. Afinal contam com proteção divina.

Tentei ir no final de outubro, mas já em meados do mês estava lotado. São umas 120/130 pessoas a R$ 100/cabeça, e estava lotado!  É o que digo, nada como ter boas relações com o manda-chuva. Como o brunch acontece no último domingo do mês só me restou esperar pelo de novembro. Deixei meu nome na lista, e fiz o pagamento no início  deste mês. E lá fui eu hoje.

A grande maioria dos comensais, obviamente católicos, vai para a missa das 10h, que é um happening por causa do canto gregoriano, e fica para o almoço. Cheguei umas 11h40 e o salão já estava praticamente lotado e havia um fila enorme para que as pessoas se servissem no bufê. Cabe salientar que o atendimento desde o primeiro contato, o mail de confirmação de inscrição, a organização local, tudo é bastante bem feito.  Mas como em tudo pela terra brasilis, sempre acho que tem gente demais para resultado de menos. E ali não foi diferente: sei lá, uns 10 recepcionistas, quando uns 5 bem bons dariam conta do recado. Para sorte dos comilões havia um gerente de salão, se posso chamar assim, pois os sei-lá-eu quantos garçons perambulavam com as bandejas de bebidas (incluídas no preço: água, refris, sucos) com aquele olhar no horizonte, característico de profissionais da área nos dias de hoje. Pode acenar, chamar, gritar, que a pessoinha não se dá por achada. Aí vinha o tal supervisor em socorro da gente. As mesas são para 10 pessoas, com lugar marcado. Como tenho papo até com poste, não tive problemas em me integrar com minha mesa e pessoas na fila do bufê. Ao meu lado um casal de franceses residentes por aqui; pais e um filho trintão, mais dois outros casais que estavam na ponta oposta da mesa. Música sacra, claaarooo, no salão.

O bufê, preparado por uma empresa terceirizada, estava muito bom. Uma dezena de opções salgadas, bem elaboradas, saborosas, e vários doces bem interessantes.  As moças que nos serviam eram bem simpáticas, ofereciam os pratos, cuidavam de sua reposição. A fila era bem demorada. Só começou a amainar perto de 13h.  Houve dois momentos de falta de pratos, xícaras que presenciei, com a correspondente correria e apelo por reposição urgente. Experimentei um pouco de quase todos os pratos salgados (tudo que provei estava muito bom) e 3 doces (musse de coco, musse de chocolate com brulé de ovomaltine, enroladinho de maracujá e chocolate). O suco de melancia que tomei também estava ótimo.

No pacote do brunch vem uma visitação pelas dependências do Mosteiro. O Irmão João Batista, ao final da visita que ele conduziu brilhantemente, disse que ela era um presente para os participantes do brunch. Na verdade, acho que o brunch é que é o plus, pois a visita já vale a ida até lá, i.e., é o core. Vimos dependências utilizadas em atividades diárias dos monges, galerias de fotos, livros raríssimos (uma Bíblia que passou pelas mãos de Gutemberg!), tudo ali, ao vivo, e bem explicadinho. Vimos a biblioteca aberta ao público (a dos monges, da clausura, só com autorização e em casos especialíssimos. Tem milhares de obras lá), a capela na torre do Mosteiro - a vista dali é interessante, visitamos a igreja, uma capela lateral (N. Senhora das Dores) que só é aberta duas vezes por ano. Alerta: tem muita escada para subir e descer. Pessoas com algum problema de locomoção ou mais idade, infelizmente, só conseguem participar do início da visita. Tudo muito interessante, bonito, feito pelas mãos dos monges que vieram da Alemanha no início do século XX para repovoar (só havia sobrado um monge no mosteiro) e recuperar o mosteiro e a Ordem no Brasil. Leiam um pouco da história no link acima. Vale a pena.

O Irmão João Batista cuida de eventos. É um marketeiro de primeira. Culto, falante, dinâmico, simpático, mas bem disciplinado/disciplinador.  Não perguntei a formação dele - não tenho intimidade ainda, quem sabe numa segunda visita. Interessante que o “capo” do Mosteiro tem apenas 47 anos é engenheiro pelo ITA e piloto de aviões. Então, por que uma secretária trilingue aposentada não pode cair nessa vida? A gente não sabe o dia de amanhã, oras! Além disso, muito diferente do Convento de S. Francisco: muita ordem, muita limpeza, muita austeridade.  O silêncio ali é mais silêncio, a introspecção mais introspecção, com certeza.

Bem, mais dois livros para a lista: Regras da Ordem de S. Bento e Regras da Ordem de S.Francisco. Os dois, seguramente, terão muito a me ensinar. Ah, sim, o livro O Monge e o Executivo (li há um tempão, lembro-me vagamente) é um retrato das regras de S. Bento, segundo o Irmão.

Tenho algumas observações sobre a organização do todo:

  1. os brunches já acontecem há alguns meses. Por que não dividir as mesas do bufê para evitar as filas demoradas? Afinal, há muitas, mas muitas mesmo, pessoas de idade. Para que sacrificar o cliente?  Tenho certeza de que pensando um pouquinho dá para fazer a coisa de forma mais racional e cômoda para os presentes
  2. Na visita à igreja (central) as luzes estavam apagadas (haveria um segundo grupo às 14h). Por que não acendê-las para as pessoas poderem apreciar melhor tudo o que está pelo altar, nos balcões, no teto? Afinal, não ia ser uma loucura de consumo por um período tão curto e em um só dia do mês.
  3. O preço do brunch vai para R$ 110 a partir de janeiro. Exatamente por quê? R$ 100 já é muito, mesmo considerando a qualidade do que é servido (acho que muito do valor é para pagar aquela tropa de gente que não precisaria estar por ali). Ooooh, gente de pouca fé! Não estão acreditando que a presidente vai manter a inflação sob controle?  O que pode justificar em algo pago antecipadamente, em que se sabe, pela experiência, que quantidades produzir para não haver perda, um aumento em tão pouco tempo de 10%? Será que os monges aumentaram o aluguel do espaço esse tanto? Assim vai todo mundo para o purgatório…
  4. Não dá para dizer para os serviçais que prato, copo, xícara lavados é p, c ,x repostos?  Como é que pode se esperar acabar louças para repor?
No mais, fiquei fã de Irmão João Batista e de S. Bento.

27

de
novembro

Nossa, faz tempo!

Pois é, faz tempo mesmo! Explico: vi Mamma Mia nos EUA em 2007, depois o filme em 2008 (http://www.imdb.com/title/tt0795421/), mas parece que foi ontem! Depois vi um show de um cover do Abba no Via Funchal, assisti a um documentário sobre o Abba, vi um dvd de clipes do grupo…enfim, como o Abba faz parte de meu dia-a-dia (oooooh, exagero!) nem me dei conta de que já fazia tanto tempo que assistira ao musical e ao longa.

Ontem fui ver o musical (http://www.musicalmammamia.com.br/?gclid=CPCnmNOAwKUCFRhg2godlBHrYA) no Teatro Abril (http://vejasp.abril.com.br/teatro/mamma-mia). O espetáculo passou primeiramente pelo RJ, com bastante sucesso. Aqui também não é/será diferente. Ontem, por exemplo. o teatro estava lotadésimo! Montes de ônibus desembarcando pessoas que vêm de outras cidades, ou até mesmo de lugares mais distantes da capital. A chancela de Cláudio Botelho (desta vez sólo, sem Möeller) é garantia de sucesso: bons atores-cantores, boa dança, cenários plásticos e inteligentes, detalhes cuidados (guarda-roupa, iluminação, versão das músicas).

Eu diria que, considerando que já vi o musical lá fora e vi o filme, o musical foi bom, mas não ótimo. Não pelo déjà vu, que Abba não cansa nunca (eu acho), mas porque os atores-cantores foram bem, mas não brilhantes ou surpreendentes; coro e orquestra abafaram algumas vezes as vozes dos cantores em cena; teve gente que esganiçou um pouco; um ator-cantor de papel bem importante é bem fraquinho, enfim, faltou. O quê, não sei, mas faltou.  Divertiu, as letras estão bem traduzidas (há um cd da Perla só com Abba que não vou ouvir para verificar qual a melhor versão das músicas. Por favor, não me peçam isso - e, sim, até gosto da Perla), mas faltou.

Enfim, se não viram o musical lá fora e viram o filme, vale ir. Se viram o musical e o filme como eu, dá para ver, mas vá com expectativas controladas. Se não viu nem um, nem outro, não perca. É bom produto nacional, que firma essa modalidade, que estava tão enterradinha por aqui. Dá trabalho para quilos de gente, proporciona opção ao público que gosta de teatro, música.

Pena que minhas duas últimas experiências (http://mskeller.blog.terra.com.br/2010/08/08/se-eu-tivesse-consultado-a-cigana/) com musicais não foram das melhores. Tudo bem, é fase. Vale apostar.

27

de
novembro

Um lexotan só é pouco

Acho que foi meu primeiro filme finlandês. Já vi sueco, norueguês, mas acho que finlandês é a primeira vez. A língua é bem estranha aos ouvidos (muito ôôôô). Antes que me esqueça: a gente pensa que aquele pessoal é supercivilizado, educadinho de tudo, não é? E sabe que no filme a gente vê um deles jogando uma bituca de cigarro por uma janela ou sacada tranquilamente? Tsc, tsc, tsc…

O tema é um tanto quanto pesado: as verdades que não vemos ou não queremos ver (normalmente é isto) e o momento que nos obriga a verbalizá-la ou encará-la.  Momento difícil para quem quer que seja em qualquer altura da vida. Acho que só escampam crianças até uns 2 anos.

Enfim, o filme Kolme viisasta miestä (http://www.imdb.com/title/tt1270769/), que aqui levou o título de Três homens e uma noite fria, mas cuja tradução do título quer dizer de verdade Os três reis magos, é bem interessante, mas deprime. Primeiro toda aquela neve, aquele frio, tudo indoor, meio escuro; depois, basicamente três homens falando por uma hora e meia de seus dilemas de vida. Três amigos que quase se matam, agridem-se, mas no final a gente percebe que são mesmo amigos, que têm cuidado e carinho entre si, e se perdoam:um policial de meia idade que acaba de ganhar uma filhinha de seu segundo casamento; um fotógrafo profissional metido a conquistador e um tanto  promíscuo; um ator que mora na França e que tem uma relação complicada com o filho, já adulto.

Como sabiamente dizia minha mãe: a verdade tem três lados- o meu, o seu, e ela própria. No filme a gente percebe bem como cada membro do trio de amigos vê-se, pensa sua existência e a dos outros, e como as visões de um mesmo fato, ação, pessoa, são diferentes: traição para quem trai é menos do que para quem é traído; ódio explicado que acaba se justificando de certa maneira; sexualidade, etc. Idiossincrasias puras. Mas o ser humano, todos nós somos exatamente isso. Nossas verdades são A verdade, e ponto, mesmo que façamos caras e bocas de “cabeça aberta”, de aceitação, de desencanado, de desapego, no fundo vemos tudo pelo nosso prisma.

Os três atores principais estão muito bem. Levam um tema denso e conseguem manter a atenção do público. Não fosse isso, o negócio seria um tanto quanto insuportável, de cortar os pulsos mesmo. A trilha não me agradou - eles têm cada música e cada letra! Ah, e por que Os três reis magos? Assista e você vai matar a charada na hora. Como é que algo tão evidente virou Três homens e uma noite fria? Assunto para sessão terapêutica, com certeza.

Uma observação extra-filme: vi o filme no Reserva Cultural. Já havia reclamado diretamente com a sala sobre o estado dos banheiros. Pois bem, ontem o acesso aos que estavam fechados estava liberado, só que o estado dos banheiros, se não está pior, está igual. Puseram um papel de parede novo e só. Cabine sem porta, portas com problemas de fechamento, pia entupida, fora a manutenção higiênica pífia. Um horror! Não sei onde foi parar aquele jeito limpinho, próprio do brasileiro. Afinal, descendemos basicamente de quem toma banho todo dia, gosta de água, essas coisas. Infelizmente esse cuidado, tão importante para a saúde pública, está-se perdendo. Além do caso desse cinema, o Center 3 está com banheiros femininos fechados há quase um mês (só os do térreo funcionam, o que é pouco para o número de circulantes); o anexo do Teatro Abril (onde estão as bilheterias, uma cafeteria e uma lojinha) tem uma cabine só para cada sexo, e ontem o feminino estava praticamente entupido.  Lamentável!

25

de
novembro

Mutatis Mutandis


Aproveitei os dias na praia para terminar de ler um livro que havia lido anos atrás (a edição que tenho é de 1998) e do qual gostara bastante.  Língua Viva de Sérgio Nogueira Duarte, pela Rocco.

Na mesma linha de Pasquale Cipro Neto, o Prof. Nogueira dá dicas para facilitar a vida do falante, do estudante, daquele que trabalha com a língua, i.e., tem de escrever relatórios, textos.  Sempre com jeito bem-humorado, ele vai mostrando onde erramos, como seria a forma correta. Tira muitos exemplos do próprio O Globo, ou seja, aponta erros cometidos pelo jornal ao qual dá consultoria.O livro foi ilustrado por Jaguar, o que torna a leitura ainda mais rica.

Eu mesma, apesar de gostar muito de ler, ler muito, gostar da Língua Portuguesa, defendê-la sempre que possível, percebi e pude corrigir alguns vícios adquiridos ao longo da vida.  Tem uma hora que a gente perde a referência e o que é usual passa a ser o “correto”, o que não é verdade.  Pelo livro estão a linguagem do Tarzan (pra mim fazer); discussões sobre o trema, à época da publicação do livro ainda existente/obrigatório (e como eu gostava do trema!);ambiguidades: ele vai devolver seu livro em breve (seu dele ou seu “seu”). Enfim, uma boa gama de temas interessantes, sempre com olhar crítico e divertido.

Além de o livro ser interessante por si (texto), foi ainda melhor relê-lo agora, pós-novidades da Língua: eliminação do trema, de acentos.  O fato é que a língua, qualquer uma, precisa mudar - mudam os falantes, os que verbalizam, os que utilizam a língua como expressão de pensamento, a língua tem de mudar. É  das instituições humanas mais importantes e vitais para as relações humanas, expressão de cultura, de pensamento, de saber.

No caso da Língua Portuguesa, mudou muita coisa, sobretudo para facilitar - a preguiça mental chegou à escrita também-, no entanto, a estrutura, a lógica da Língua permanecem, ou seja, o Língua Viva ainda é um bom livro de referência para quem quer acertar ao se comunicar.  Bom para se ter à mão.  Ah, e que tal acompanhar a coluna do Prof. Nogueira? (http://g1.globo.com/platb/portugues)

24

de
novembro

Aposentada e perigosa. I wish!

Após descanso de alguns dias na praia, sem muito acesso à net, com muita andança para cima e para baixo por Guarujá e Santos, back to reality!  Adoro SP, como já mencionei várias vezes mas, cada vez que viajo, a vida mais tranquila de cidades menores parece-me mais e mais atraente.

Fui ver Red - Aposentados e perigosos (http://www.imdb.com/title/tt1245526/). Agora estou assim: falou em aposentado bate a solidariedade, a cumplicidade, a curiosidade. Vai que dá um insight daqueles. Na verdade, o que me atraiu foi sobretudo o elenco.  Apesar de todos já “entrados em anos”, o gabarito deles: Morgan Freeman, Malkovich, Helen Mirren, Bruce Willis, Richard Dreyfuss, Brian Cox, e mesmo Ernst Borgnine - nossa, vi mais de uma centena de filmes com ele, branco e preto ainda -deixa-os muito distantes de qualquer ideia de aposentadoria.  E, claro, eles sabem disso senão não se arriscariam a fazer esses papeis, i.e., confiam em seu taco. Todos têm uma atuação brilhante.  O filme é movimentado, mas poderia ser mais…De qualquer forma, ver esses craques em ação e as caras e bocas de Bruce Willis já satisfaz.  Um filme bem bolado, em que se destaca muito o não-tão “velhinho” nem tão famoso Karl Urban (ele está muito diferente do que me lembrava de atuações anteriores). Está ótimo e faz praticamente sozinho o contraponto à turma de “grandpas”. A trilha é assim, assim.  As cenas com efeitos, tiros, foguetórios são bacanas. Deu para divertir.

Depois fui queimar um cupom de desconto que vencia hoje lá no Crêpe de Paris - Bistrô (http://www.bistrocrepedeparis.com.br/). Que lugar bacaninha! Ali na Augusta, numa galeria superajeitada, entre Tietê e Lorena (sentido bairro).  Um lugar supercaprichado, bem montado, com atendimento nota mil. Não vi preços, pois meu cupom era para full course, mas pela taça de vinho,água e café que tive de pagar não foge do que está na praça. O lugar é uma delícia. Fica bem no fundo da galeriazinha, com teto de vidro, música francesa de primeira, decoração de bom gosto. Vale voltar e experimentar pratos do cardápio (ouvi outros comensais fazendo seus pedidos e as sugestões do garçom, então deu para ver que têm um menu bem elaborado. No link também dá para ver o menu). O que ofereceram pelo cupom de desconto foi bem honesto. Escolhi: salada caprese, confit de pato com batata sauté e crepe de nutella com morangos. Tudo bem gostoso.

19

de
novembro

I am so normal!

Há controvérsias, é certo, mas assistindo ao filme A vida durante a guerra (Life during wartime - http://www.imdb.com/title/tt0808526/), acho que eu sou supernormal, minha família é normalíssima, acho que a gente é até meio chato…enfim.

Eu havia visto o trailer do filme umas tantas vezes e pareceu-me interessante. E foi!  Não tenho dúvida, inspiração total nos Coens (http://en.wikipedia.org/wiki/Coen_brothers), Não só roteiro, mas atuações, cenários/locais de gravação, tudo é muito Coens. Não é um plágio, porque a história é bem criativa, mas o fato de o centro ser uma família judia, e considerando os questionamentos existencialistas, as posturas pessoais, os desequilíbrios, tudo é muito Coens.  E como eu adoro os Coens (http://mskeller.blog.terra.com.br/2010/02/24/ame-os-ou-deixe-os/), para mim foi bom demais.  A trilha sonora também é ótima (muito Haendel por exemplo).

O filme trata de uma única família. As várias células são dissecadas: a irmã que tem um trabalho diferente (atende detentos em prisões), é casada com um negro, teve um namorado que se matou por ela, e, apesar de um docinho, está bem longe de qualquer padrão de beleza; a outra irmã com 3 filhos, marido “desaparecido”, possibilidade de encontrar um novo companheiro; a terceira irmã que está superbem, trabalha no showbiz e não quer saber da família.  O ator Dylan Riley Snyder, que faz o papel de um menino de 13 anos, está maravilhoso! Dá um banho, mesmo ombreando com atores experientes como Ciarán Hinds, Allison Janney, Michael Lerner, e por aí vai.  Como diz a avó do menino a uma certa altura: ele dá medo. Menino esperto, articulado, talvez um pouquinho demais.

Um filme que vai surpreendendo à medida. Não é fácil: dá para rir um pouco, e faz pensar diante de tantos dramas humanos.  Mas só um pouquinho…é boa diversão.

18

de
novembro

Eu voltei, aqui é meu lugar…nananinanão…

Apesar de não ser da comunidade, e por me estapear cada vez que me vejo enveredando por pré-conceito, e porque acho que todo muito tem seu lugar no mundo, sua função, aliás tem homossexual muito, mas muito melhor mesmo, que muito heterossexual por aí, e por ter amigos queridíssimos na comunidade…voltei ao Festival Mix Brasil (http://www.mixbrasil.org.br/index.php).  Fui em 2008 (http://mskeller.blog.terra.com.br/2008/11/23/pronto-ja-estou-de-castigo/), não voltei em 2009 - estava em férias e viajando (até onde me lembre). Desta vez resolvi ver alguma coisa, e tive bastante sorte. Hoje era o último dia do Festival, e pela programação (http://www.mixbrasil.org.br/programacao2.php?dia=18&tipo=data/local) identifiquei um filme que achei que gostaria de ver, em horário e local (Cinesesc) adequadíssimos. Fui ver Modern Life, um conjunto de curtas sobre gays e família ou família e gays.  Nada erótico, tudo muito discreto, de várias origens: França, Espanha, Brasil, EUA, Bélgica, Suécia e Cingapura. O mix de filmes foi muito bom. Dois filmes (Suécia e EUA) tratam de casamento entre mulheres, sendo que os dois casais têm filhos via inseminação. O americano lembra bem Minhas Mães e Meu Pai (http://mskeller.blog.terra.com.br/2010/11/14/so-queria-acrescentar-uma-coisinha/), i.e., a ideia básica é a mesma, só que resolvida de  outro jeito.  O sueco é mais pesado, mais dramático. Conclusão: homem, mulher, homo, hetero, o ser humano é igual sempre - não diz o que deve, não faz o que deve, engana achando que é nada, revolta-se, é possessivo, vingativo, enfim…

O melhor para mim, até pela estrutura do próprio filme, foi o espanhol (Socorrat). O mais dramático, o francês (Vivre encore un peu…). O brasileiro (A mais forte) é mediano. Aliás o diretor estava lá, conversando bem atrás de mim, e me irritando. O filme é o trabalho final de um curso de 2009 da FAAP. O roteiro é bonzinho, as atrizes estão bem. Mas não é que tem uma falha de continuismo grosseira? Não vou contar, pois de repente vocês conseguem ver o filme e descobrem por si, aliás o diretor viu a falha junto comigo (ele não conseguiu segurar:  ……está do lado errado!). Fora isso, sem grandes sustos ou méritos. Masala Mama (Cingapura) também é mild, mas diverte muito no final. Gayby, o outro americano, é mais ou menos. Assunto batidinho: mulher quer ter um filho e convoca amigo gay para tal.  Eu diria que o conjunto foi muito light. Acho que em termos pornô, Minhas mães tem mais “pimenta”.  Valeu ver.  O cinema estava meio vazio (também, né, alguém tem de trabalhar neste país: quinta-feira - 16h50), mas me pareceu que o pessoal gostou dos curtas. Agora só ano que vem.

Ah, outra coisa: tanto o site (link aqui em cima) quanto a abertura da sessão do festival fazem menção direta ao exército. As vinhetas de abertura (foram duas antes da sessão em que estive) são bem eróticas e não deixam dúvida de que se trata. Menciono isso, porque o festival está correndo há quase uma semana, não ouvi/vi nada sobre crítica ou reação de militares. Interessante, até porque tivemos recentemente, aqui no Brasil mesmo, alguns casos em que militares deixaram seus postos devido à opção sexual, o que demonstra qual a postura das forças armadas quanto ao assunto.

16

de
novembro

A música venceu

Não resta dúvida, venceu mesmo. A prova foi o concerto da Filarmônica Bahiana SESI SP (http://www.sesisp.org.br/home/2006/sociocultural/musica_bachiana.asp) sob regência de João Carlos Martins (http://www.joaocarlosmartins.com.br/) a que assisti hoje no Teatro Bradesco.

Vi o maestro em ação há um ano e meio, lá na Sala S. Paulo. Ele levou um dj para tocar com sua filarmônica (http://mskeller.blog.terra.com.br/2009/05/10/mozart-e-bate-estaca-tambem/). Algo inédito, e muito bom!  E ele inovou outra vez! Além de reger peças lindas com a Bachiana (Abertura de O Guarany, Suite Quebra-Nozes, Jesus Alegria dos Homens,etc.), ele apresentou o solista Jean William. Criado na roça, teve o apoio de uma senhora de Ribeirão Preto, desenvolveu-se e em dezembro embarca para a Itália para estuda no Scala de Milão. O rapaz tem realmente uma voz lindíssima. Tomara que continue a se desenvolver por lá e se consagre. O maestro acredita nele!

Além do repertório primoroso, JCM foi o solista (piano) em Tributo a Nino Rota. Quem conhece o maestro, pelo menos de tv, jornal, revista, sabe das limitações que ele tem nas mãos. Sua história foi bem doída, triste mesmo. Mas aparentemente cada tombo só provocou um levantar ainda mais vigoroso. Não podia tocar, foi reger. E como! Mas ele ainda toca sim, com três ou quatro dedos, não sei bem. E toca muito bem! Nem se eu tivesse 20 não tocaria como ele. Impressionante!

Não sei como ele era antes dos problemas que teve, mas hoje é seguramente uma pessoa generosa.

O final do concerto foi apoteótico. A Vai-Vai vai apresentar o enredo A Música Venceu em 2011. Vão estar na avenida Bach, Mozart, Beethoven, enfim a turma toda.  JCM, corajoso e inovador, juntou vários membros da escola de samba, o puxador, Jean William, e sua Bachiana numa comunhão: clássico-popular, que deu certíssimo. Ineditismo com talento. Um arraso! O pessoal do clássico aprende com o popular e vice-versa não há dúvida. Um momento musical muito interessante e rico.

Lembro que, em outubro passado, o maestro e sua orquestra estiveram no Lincoln Center e foram ovacionados.  Voltam para lá em setembro de 2011.  Garra e gênio é isso. Parabéns ao velho jovem maestro João Carlos Martins!

16

de
novembro

Dose dupla

Feriado, segundona, dia de quê, de quê?  Cinema, claaroo!  E tinha um Woody Allen na praça, então…

Sempre gostei muito de Woody Allen, desde os primórdios.  Houve um tempo, no meio do caminho, em que me pareceu que ele se perdeu de si (oooh, coisa complicada).  Mas nos filmes mais recentes (http://mskeller.blog.terra.com.br/2010/04/29/um-legitimo-woody-allen/), reencontrei meu cineasta querido.  Ontem foi dia de ver Você vai conhecer o homem de seus sonhos/ You Will Meet a Tall Dark Stranger (http://www.imdb.com/title/tt1182350/) ali no Belas Artes (pré-estreia).

Então…como já escrevi (http://mskeller.blog.terra.com.br/2010/10/12/uma-coisa-e-uma-coisa-outra-coisa-e-outra-coisa/), ontem ficou fácil saber por que o BA está sem patrocínio, reclama da vida, etc.  Comprei o ingresso às 16h e uns quebrados. O cinema não estava bombando como da outra vez, pois ontem os preços eram os usuais (sem desconto), mas tinha muita gente. Aquela cafeteria vendendo adoidada, com aqueles berros de “próximo” a cada momento, com aquele cheiro de manteiga empesteando todo o ambiente (ali não conhecem o advento do exaustor), enjoando a gente.  E às 16h45 ( o filme começava às 17h), mudam a sala. E por quem sabemos disso? Pelos espectadores que assistiriam a Tropa de Elite 2 e começaram a se posicionar ao lado da fila do filme a que eu iria assistir!  Nenhum funcionário para avisar, nenhum funcionário para organizar filas.  Um caos! E tudo isso fez, obviamente, o início do filme sofrer atraso. Foram 10 minutos, mas atrasou. Então, não é difícil imaginar por que aquela sala passa por dificuldades…

Ao filme: é um legítimo WA.  Só que desta vez passa-se em Londres.  Montes de crises familiares, revelando o lado negro das pessoas, as ilusões e grandes desilusões, os erros de leitura (da leitura que fazemos dos outros), enfim, mais raça humana impossível.  O toque de humor fica por conta da protagonista, Gemma Jones. Isso mesmo uma atriz de quase 60, envelhecida ainda mais por maquiagem, roupa, cabelo e sua brilhante atuação. Uma matrona inglesa perfeita. Sua relação com uma vidente é divertida e acaba gerando montes de conflitos.

Anthony Hopkins, Naomi Watts e Josh Brolin, respectivamente pai, filha, genro, também estão ótimos. Personagens que adoram achar “pelo em ovo” e daí surgem suas mazelas. Um setentão que acha que tem de viver a vida como nunca, divorcia-se, casa de novo, envolve-se em atividades não muito adequadas para sua faixa etária; uma garota que faz o casamento que queria e depois não aguenta bem o tranco; um homem que não sabe a que veio ao mundo.  Enfim, gente que pode estar em sua família (na minha, não, epa!), ser seu amigo, trabalhar com você. Mazelas comuns.

O final é bem interessante e não tão esperado.  A trilha sonora, as usual, maravilhosa (http://www.amazon.com/gp/product/B0043JB0I0/ref=pd_lpo_k2_dp_sr_2?pf_rd_p=1278548962&pf_rd_s=lpo-top-stripe-1&pf_rd_t=201&pf_rd_i=B0042X9VCO&pf_rd_m=ATVPDKIKX0DER&pf_rd_r=0BJDXJA93CQR9C3ZFX9K).

Talvez não seja o melhor WAllen, mas vale ver com certeza.

Depois foi a vez de Cyrus (http://www.imdb.com/title/tt1336617/). O assunto é banal: homem divorciado encontra mulher só, com filho dependente e adulto, o qual quer melar o relacionamento da mãe para não perder casa-comida e afeto. No entanto, o ritmo, as personagens criam um filme bem diferente do que se poderia esperar. John C. Reilly e Jonah Hill estão ótimos! Marisa Tomei também está muito bem. Tem também Catherine Keener em um papel-padrão (fora um ou outro filme que vi com ela, parece-me sempre a mesma personagem).

Principalmente a atuação de Hill cria momentos de grande tensão.  Durante boa parte do filme a gente se pergunta: será? Um filme interessante, de personagem, que acaba tendo o final mais previsível possível. Mas até aí…os 80 minutos anteriores valem quanto duram.

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