Pois é, viro monja, mas beneditina.  Depois de visitar o Mosteiro de S. Bento (http://www.mosteiro.org.br/) hoje, com o Irmão João Batista, é o que me apetece. Mas tem de ser beneditina mesmo, pois as regras de S. Bento são mais de meu jeitinho. Visitei o Convento de São Francisco no ano passado (http://mskeller.blog.terra.com.br/2009/12/18/tempos-de-festa-e-sacrificios-tambem-2/) e a coisa foi bem decepcionante Entendo que os ditames de S.Francisco e de S. Bento e, consequentemente, de suas Ordens sejam bem diferentes: da concepção da ordem em si, visão do mundo, das pessoas, então não dá para deixar de escolher um lado: sou beneditina desde criancinha (brinca…).
Vamos do começo para entender esse mumbo jumbo. Vi há algum tempo a notÃcia de que começaram a ser servidos brunches mensais no Mosteiro de S. Bento (http://vejasp.abril.com.br/revista/edicao-2180/mosteiro-sao-bento-brunch-passeio). O Mosteiro já é conhecido pelos pães, bolos que produz. Venda ao lado da própria igreja e tem agora uma loja nos Jardins.São produtos bem caros, a meu ver, mas têm clientela fiel. Não encalham. Afinal contam com proteção divina.
Tentei ir no final de outubro, mas já em meados do mês estava lotado. São umas 120/130 pessoas a R$ 100/cabeça, e estava lotado!  É o que digo, nada como ter boas relações com o manda-chuva. Como o brunch acontece no último domingo do mês só me restou esperar pelo de novembro. Deixei meu nome na lista, e fiz o pagamento no inÃcio  deste mês. E lá fui eu hoje.
A grande maioria dos comensais, obviamente católicos, vai para a missa das 10h, que é um happening por causa do canto gregoriano, e fica para o almoço. Cheguei umas 11h40 e o salão já estava praticamente lotado e havia um fila enorme para que as pessoas se servissem no bufê. Cabe salientar que o atendimento desde o primeiro contato, o mail de confirmação de inscrição, a organização local, tudo é bastante bem feito.  Mas como em tudo pela terra brasilis, sempre acho que tem gente demais para resultado de menos. E ali não foi diferente: sei lá, uns 10 recepcionistas, quando uns 5 bem bons dariam conta do recado. Para sorte dos comilões havia um gerente de salão, se posso chamar assim, pois os sei-lá-eu quantos garçons perambulavam com as bandejas de bebidas (incluÃdas no preço: água, refris, sucos) com aquele olhar no horizonte, caracterÃstico de profissionais da área nos dias de hoje. Pode acenar, chamar, gritar, que a pessoinha não se dá por achada. Aà vinha o tal supervisor em socorro da gente. As mesas são para 10 pessoas, com lugar marcado. Como tenho papo até com poste, não tive problemas em me integrar com minha mesa e pessoas na fila do bufê. Ao meu lado um casal de franceses residentes por aqui; pais e um filho trintão, mais dois outros casais que estavam na ponta oposta da mesa. Música sacra, claaarooo, no salão.
O bufê, preparado por uma empresa terceirizada, estava muito bom. Uma dezena de opções salgadas, bem elaboradas, saborosas, e vários doces bem interessantes.  As moças que nos serviam eram bem simpáticas, ofereciam os pratos, cuidavam de sua reposição. A fila era bem demorada. Só começou a amainar perto de 13h.  Houve dois momentos de falta de pratos, xÃcaras que presenciei, com a correspondente correria e apelo por reposição urgente. Experimentei um pouco de quase todos os pratos salgados (tudo que provei estava muito bom) e 3 doces (musse de coco, musse de chocolate com brulé de ovomaltine, enroladinho de maracujá e chocolate). O suco de melancia que tomei também estava ótimo.
No pacote do brunch vem uma visitação pelas dependências do Mosteiro. O Irmão João Batista, ao final da visita que ele conduziu brilhantemente, disse que ela era um presente para os participantes do brunch. Na verdade, acho que o brunch é que é o plus, pois a visita já vale a ida até lá, i.e., é o core. Vimos dependências utilizadas em atividades diárias dos monges, galerias de fotos, livros rarÃssimos (uma BÃblia que passou pelas mãos de Gutemberg!), tudo ali, ao vivo, e bem explicadinho. Vimos a biblioteca aberta ao público (a dos monges, da clausura, só com autorização e em casos especialÃssimos. Tem milhares de obras lá), a capela na torre do Mosteiro - a vista dali é interessante, visitamos a igreja, uma capela lateral (N. Senhora das Dores) que só é aberta duas vezes por ano. Alerta: tem muita escada para subir e descer. Pessoas com algum problema de locomoção ou mais idade, infelizmente, só conseguem participar do inÃcio da visita. Tudo muito interessante, bonito, feito pelas mãos dos monges que vieram da Alemanha no inÃcio do século XX para repovoar (só havia sobrado um monge no mosteiro) e recuperar o mosteiro e a Ordem no Brasil. Leiam um pouco da história no link acima. Vale a pena.
O Irmão João Batista cuida de eventos. É um marketeiro de primeira. Culto, falante, dinâmico, simpático, mas bem disciplinado/disciplinador.  Não perguntei a formação dele - não tenho intimidade ainda, quem sabe numa segunda visita. Interessante que o “capo” do Mosteiro tem apenas 47 anos é engenheiro pelo ITA e piloto de aviões. Então, por que uma secretária trilingue aposentada não pode cair nessa vida? A gente não sabe o dia de amanhã, oras! Além disso, muito diferente do Convento de S. Francisco: muita ordem, muita limpeza, muita austeridade.  O silêncio ali é mais silêncio, a introspecção mais introspecção, com certeza.
Bem, mais dois livros para a lista: Regras da Ordem de S. Bento e Regras da Ordem de S.Francisco. Os dois, seguramente, terão muito a me ensinar. Ah, sim, o livro O Monge e o Executivo (li há um tempão, lembro-me vagamente) é um retrato das regras de S. Bento, segundo o Irmão.
Tenho algumas observações sobre a organização do todo:
- os brunches já acontecem há alguns meses. Por que não dividir as mesas do bufê para evitar as filas demoradas? Afinal, há muitas, mas muitas mesmo, pessoas de idade. Para que sacrificar o cliente?  Tenho certeza de que pensando um pouquinho dá para fazer a coisa de forma mais racional e cômoda para os presentes
- Na visita à igreja (central) as luzes estavam apagadas (haveria um segundo grupo à s 14h). Por que não acendê-las para as pessoas poderem apreciar melhor tudo o que está pelo altar, nos balcões, no teto? Afinal, não ia ser uma loucura de consumo por um perÃodo tão curto e em um só dia do mês.
- O preço do brunch vai para R$ 110 a partir de janeiro. Exatamente por quê? R$ 100 já é muito, mesmo considerando a qualidade do que é servido (acho que muito do valor é para pagar aquela tropa de gente que não precisaria estar por ali). Ooooh, gente de pouca fé! Não estão acreditando que a presidente vai manter a inflação sob controle?  O que pode justificar em algo pago antecipadamente, em que se sabe, pela experiência, que quantidades produzir para não haver perda, um aumento em tão pouco tempo de 10%? Será que os monges aumentaram o aluguel do espaço esse tanto? Assim vai todo mundo para o purgatório…
- Não dá para dizer para os serviçais que prato, copo, xÃcara lavados é p, c ,x repostos?  Como é que pode se esperar acabar louças para repor?
No mais, fiquei fã de Irmão João Batista e de S. Bento.