Bom, perto dos Dzi Croquettes (que eu insisto em chamar de Dzi Crocket - com perfeito acento anglo-saxônico), por mais dizzy (Random House: 2. bewildered; confused) que eu fique, esteja, não chego nem aos pés da “porralouquice” daquele pessoal.
Os Dzi Croquettes são do meu tempo, mas nunca fui assisti-los. Acho que não era a minha, eu não estava aberta, preparada para o que eles propunham.  Isso ficou evidente para mim depois de ver Dzi Croquettes http://www.dzicroquettes.com/), feito pela filha do cenógrafo dos DC.
Na verdade, sempre gostei muito do Lennie Dale (http://pt.wikipedia.org/wiki/Lennie_Dale). Ele estava sempre nos programas de tv. Ele trabalhou muito com a Elis Regina, tinha acesso à Globo, Record.  Mesmo com aquele jeito andrógino, mais para o afeminado no gestual, nas expressões, mesmo sendo uma pessoa instável, até pelo uso de drogas, era muito bem quisto, admirado. E ele era mesmo brilhante.  Saiu da Broadway como “naughty boy” e veio para cá aprender e ensinar. Ele trouxe técnica, tecnologia, uma visão show business para o palco nacional. Captou nossa alma musical perfeitamente, e contribuiu muito para enriquecer o cenário local. Quanto ao grupo, DC, formado pelo próprio LD, Claudio Tovar, Paulette (que eu vi se apresentar também várias vezes e era ótimo bailarino), além de outra dezena de bailarinos (o idealizador foi Wagner Ribeiro), não resta dúvida de que foram  no mÃnimo corajosos, pelo over na maquiagem, o mÃnimo de roupas, homens vestidos de mulher, mostrando quem eram de verdade: homossexuais, o que era algo inédito em tempos de ditadura, de um Brasil provinciano - aliás, de um mundo provinciano.
O documentário sobre o grupo e seus componentes, com declarações de várias personalidades que participaram de suas atividades, ou tiveram contato com eles pelos motivos mais diversos (MarÃlia Pera, As Frenéticas - surgiram com base em As Dzi Croquettas-, Miele (ele continua ótimo!), Elke Maravilha, etc.), revelou-me diversas coisas: criaram linguagem: Tá boa, Santa?, Meu amorrrr, e várias outras que a gente acha que nasceram lá no Láscio; estiveram onde ninguém nunca esteve, ie., abriram passagem para o besteirol (que não é invenção brasileira, como dá a entender o documentário, mas aqui ganhou cores e motivações muito fortes, até pelo “jeito brasileiro” de ser); mostraram que o travestir-se não é ofensivo, pode ser lúdico e plástico, além de inteligente, ou seja, botaram o bloco dos homos no palco sem pudor; brilharam no exterior por vários anos; arrebanharam seguidores em parte da Europa; que mesmo sendo tão paz e amor, e tão brilhantes, e tão alegres, e tão criativos, os egos também eram colossais, como o de grande parte de artistas/talentos, o que desintegrou o grupo em um dado momento por motivo mais que irrelevante. Ou seja, romperam muitas fronteiras.
Agora, como quer fazer crer o documentário, que eles estavam numa cruzada pró-gays, que estavam aà para fazer frente à ditadura? Acho que não.  Aliás, a censura demorou a chegar para eles porque eles eram inovadores, irreverentes, surpreendentes, irônicos, descarados, mas não panfletários, ou ameaçadores.  E estamos falando dos anos de chumbo mesmo.  Claro que mudaram a cena nacional, claro que trouxeram o novo, claro que significam um rompimento ou no mÃnimo abalo do status artÃstico nacional, e tudo isso foi importantÃssimo! Catapultaram o palco nacional a anos-luz. Mas mártires, não, né?
Além disso, uma ou outra declaração enaltecendo o grupo, seu percurso, suas contribuições, vá lá, mas é um rosário de gente dizendo: não havia melhor; igual não houve nem haverá; todos eram bonÃssimos, simpaticÃssimos, inteligentÃssimos.  Um ufanismo que, pelo menos para mim, tem o efeito reverso.  Se o tom fosse mais comedido, ou até mais realista - afinal dá a impressão que só eles, sem eles nada vale a pena, possibilidades acabaram-se com eles, etc., mas o mundo não funciona assim -, eu teria visto o filme com mais encantamento, porque minha visão dos DC sempre foi muito positiva, mas com essa postura de “melhor não houve, nem haverá”, a coisa começa a ficar difÃcil de engolir.  Acho que se perdeu a mão no elogioso, sem nenhuma necessidade.
Pessoalmente, eu veria um espetáculo como o dos DC sem pestanejar. Acho que gostaria, não sei. Pode ser até que voltaria, como grande parte do público, inúmeras vezes, não sei também. Talvez me maravilhasse também, não sei.  Quem sabe um dia tenhamos um revival, uma releitura.  Certo que nunca será igual, mas pode ser tão bom quanto. Por quê não?
De qualquer forma, foi bom ter visto novamente Lennie Dale, com sua técnica magistral, domÃnio de corpo, sensibilidade estupenda.  Deu saudade!
Minha preparação para ficar dizzy foi supimpa.  Com mais um cupom de desconto, fui ao Bardo Batata (http://www.bardobatata.com.br/base/).  Algumas pessoas que tinham ido lá gostaram, então fui aproveitar meu cupom antes que vença.  Como demanda o site, liguei para reservar: ah, não precisa. Se vai chegar lá pelas 19h30/20h, não é necessário. Só a partir de 4a. ou 5a. feira e depois das 21h, senão é tranquilo.
Chego e primeira surpresa: o maitre pergunta: veio para o lançamento do livro?  Nope!  E a casa cheÃssima!  Por sorte tinha uma mesa num canto.  Então, como assim?  Como é que uma pessoa atende o telefone, dá uma informação descabida, e o cliente que se dane?  Já escrevi várias vezes: ou se treina o funcionário muito bem para atender o telefone e dar informações corretas, ou nem atende. Deixa tocar. É melhor,podem crer.
O restaurante é muito bem localizado, ali na Bela Cintra. É bem montadinho, mas não diria agradável, aconchegante (não é tão grande; é uma casa adaptada).  Ruidoso por ser meio apertado e cheio de mesas,  mas até aÅnão é lugar para jantares calmos, de horas.
A casa serve as batata suÃça (http://tudogostoso.uol.com.br/receita/10283-batata-suica.html).  Nunca tinha comido. Primeiro pedi uma limonada suÃça. Uns 5 minutos depois vem o garçom dizer que o leite condensado acabou e tinham ido comprar,mas ia demorar um pouco. Vejam bem, 20h!!!  Como assim, acabou o leite condensado?  Não dá para manter um estoque mÃnimo de umas 5 latinhas?  ou 5 caixinhas? ou 10, que seja? Entende-se, é um produto caro e difÃcil mesmo…
Bom, pedi uma  Saci Pererê de carne seca, creme de abóbora e mussarela e com salada da casa.  Meu amigo pediu uma CecÃlia Meireles.  5 minutos depois, o garçom: Infelizmente a cozinha me informou que não tem todos os ingredientes para a CMeireles. Poderia escolher outra?  Coooooomoooooooo  asssssssssssiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiimmmmmmmm????
Diante de prospecto tão tenebroso, pensei: putz, aqui não dá para voltar e vou perder meu outro cupom de desconto! Mas, apesar de demorar um tantão, os pratos vieram certinhos (aleluia!) e estavam muito gostosos. Enormes (já me haviam dito)!  Muito saborosos mesmo!  Sendo assim, acho que vale a segunda tentativa para usar meu segundo cupom.  Tomara que o pessoal de compras melhore substancialmente até lá.