31
de
outubro
Se não é Dinho Nascimento, sei não
E lá fui eu de novo para o Auditório Ibirapuera! Sou quase sócia! Hoje, para um espetáculo muito diferente, pelo menos para mim. Orquestra de Berimbaus do Morro do Querosene.  Você sabia que podia haver uma orquestra de berimbaus? Ou melhor, que berimbau dá orquestra?  Sabia que tem berimbau médio, guinga, viola, rabeca, berimbum? Então…foi ótimo!  Aprendi e vi coisas inéditas! Não sou boa de ouvido, ie., sou péssima, mesmo tendo estudado violão por 6 anos (solo), então não consigo distinguir muito o que é um ou outro, mas o conjunto é bonito.  Além disso, o criador da orquestra e seu lÃder: Dinho Nascimento, é muito articulado, simpático, sabe levar a plateia.  E tem uma voz linda, linda.
Além da orquestra, estavam lá Nasi (http://pt.wikipedia.org/wiki/Nasi), isso mesmo, aquele do Ira! Participou de dois números. Também Tião Carvalho, um negro de voz lindÃssima! E Quarteto Pererê (viola, violão de 7 cordas, gaita, violino). E last, but no least: Orquestra de Tambores de Aço: um som muuuitooo diferente! Nunca tinha visto.  E uma gente simpática e bonita de todos os lados. Muitos negros com seus dreadlocks, tocando, jogando capoeira, vestidos de branco, o que contrasta lindamente com sua pele, porte maravilhoso!  Assim, negros que não inventam, só são, respeitam suas origens, sua cultura, valorizam seu legado, e isso os torna especialÃssimos, elegantes, refinados. E DNascimento conduz com rigor, como qualquer maestro, sua linda orquestra. E tocam, e cantam, e dançam.
Ao final, um samba de roda apoteótico. Bem, do jeito que estou escrevendo vocês poderão pensar que sou fã de carteirinha da modalidade. Longe disso! Mas um bom espetáculo é um bom espetáculo, e comove, e entusiasma, não importa o gosto pessoal de quem está na plateia. Aproveitando o gancho: hoje foi dia de eleição pelo Brasil, meu candidato não ganhou, mas isso faz parte da democracia, tanto de um lado quanto de o outro.  Apreciar um espetáculo que não esteja no quadradinho em que a gente vive, também é um exercÃcio de democracia no fundo.
O Auditório estava bem cheio e com muita gente da comunidade do Morro do Querosene, e muita gente que conhece o trabalho do grupo. Muitos cantando as músicas entusiasticamente. E eu que nem sabia deles…tsc, tsc, tsc…mas, felizmente, saà do meu quadradinho hoje.
Ah, e qual foi a grande revelação de Dinho Nascimento? O cd que estavam lançando hoje (Sinfonia do Arame) tem suas informações em braile, para que deficientes visuais possam saber o que está no cd. Não vi a qualidade, ou se as informações estão completas, mas alguém aà já teve essa ideia?  Você já pensou na dificuldade de um cego, ou deficiente extensivo visual, para saber o que está/há num determinado cd?  Você viu em alguma Fnac, Livraria Cultura da vida, empresas que respeito muito,  alguma prateleira, ou plaqueta, ou adesivo em braile para que o deficiente possa escolher seu cd?  Vou até procurar, mas acho que não tem, não.  Mesmo que um funcionário conduza o cego até o que ela está procurando, como ele vai saber o que é o cd de fato?  E cegos viajam sozinhos, andam de metrô, de ônibus, pelas ruas, hoje têm bastante independência. Alguns até vivem praticamente sozinhos, mas não podem fazer uma escolha tão simples!
As gravadoras, emissoras de cd, colocando as informações em braile no próprio cd já facilitariam muito a vida dos deficientes. ISSO é que é inclusão de verdade!  Grande, Sr. Dinho Nascimento! Só esse insight valeu a ida ao Auditório.


