Escrever para viver!

Tudo que der na telha e que eu achar que vale a pena

9

de
outubro

Vou vomitar ali e já volto…

Desculpem a crueza da frase, mas Tropa de Elite 2 provoca engulhos. Não porque seja ruim, pelo contrário; ou porque seja muito violento, não mais do que vários hollywodianos por aí. A discussão e o retrato dos meandros políticos aliados ao crime que jogam com a vida dos cidadãos é que dão asco. Eu não imaginava? Claro que sim!  Eu não sabia, ou ao menos intuia? Claro que sim! Mas ver ali, na telona, detalhado, com a crueza que a coisa tem, é dose.

Gostei do Tropa 1. Foi uma pintura corajosa do que acontece no RJ. Ufanou o BOPE, sim, mas ufanou com justiça.  No primeiro filme (http://www.tropadeeliteofilme.com.br/), foi mais o combate ao crime, ao tráfico, mostrando o treinamento duro que a instituição tem de dar, como ela exige de seus membros retidão, competência, vigilância, sob pena de pagarem com suas vidas qualquer “vacilo”. São homens especiais, sem dúvida.  E, como em qualquer área profissional, têm seus dramas pessoais, familiares.  Alguns incontornáveis por conta da natureza da atividade.

O TE 2 (http://www.tropa2.com.br/) é mais articulado, mais fundo na discussão dos problemas, mais abrangente eu diria.  Wagner Moura, Seu Jorge, André Ramiro, entre outros, estão ótimos.  Seguros, convencem.  Tem sangue, tem tiro, tem crueza de monte, mas desta vez não é só polícia x ladrão, entram na história com força total os corruptos, os vendidos, os políticos.  Se no primeiro filme, além de uma imagem redentora da corporação, o enforque era: culpado do tráfico não é o traficante, é quem alimenta o tráfico na verdade, agora a visão é mais profunda: além do usuário, comprador, a “roda da fortuna” que, uma vez existente o tráfico, se alimenta dele ou de suas estruturas, i.e., as comunidades, ou morros.  A discussão é bem mais complexa: fica difícil saber se melhor com os traficantes ou sem eles. Eles são visíveis, identificáveis, seu crime é claro, os que vêm no seu rastilho não. Milícias, corruptos, políticos, que ignoram totalmente sua razão original de existir -servir dignamente os cidadãos - é que são os mantenedores de um status quase indestrutível.

Quase porque países próximos, a Colômbia por exemplo, combateram e reduziram a níveis controláveis o tráfico. E olha que Escobar era de lá!  Então  vontade, consciência, coragem, retidão de propósitos, amor à cidade, ao estado, ao país, ao cidadão podem, sim, mudar o quadro catastrófico mostrado no filme.  Tem exagero? Possível, mas não muito. Se não é aquilo, está bem pertinho.

A trilha sonora continua parecida, mas melhorou com releitura do tema e uma ou outra inclusão musical (tem Paralamas - acho que não tinha música deles no 1).

A gente não vê o tempo passar. O filme não se repete, é sequência vibrante e triste, muito, mas muito triste.  Prefiro acreditar que a PM e Polícia Civil daqui não estejam nem perto do que acontece no RJ. O dia que se igualar, só carimbando o passaporte e dando adeus a meu querido país.

Vale muito ver o filme. Tomara que seja premiado como foi o 1 (em Berlim, 2008). O filme não tem fotografia bonita, o som não é bom, apesar do mundo de gente trabalhando entre produção, extras, stunts, etc., não tem nada de glamuroso. Mas é, inegavelmente, um bom filme.

Antes de ver o filme fui a um restaurante perto de casa: Suri - ceviche-bar (http://www.suri.com.br/).  Fica na R.Mateus Grou. Essa rua é um exemplo de como a ação de moradores e comércio local consegue recuperar e manter um espaço. A rua é um “oásis”, se assim posso dizer.  Ao lado do Suri, há outro restaurante (não conheço). Por ali há o Itaú, várias lojas bacanas, inclusive a Desmobilia, da qual sou fanzoca.  O Suri ocupa um espaço que era de um restaurante bem popular, se não me engano. Tipo quilo ou bufê comercial. O espaço está muito bonitinho, bem cuidado. É pequeno (33 lugares), com mesas e balcão. O cardápio não é extenso, mas é bom. Vários ceviches, pratos quentes peruanos, sobremesas interessantes.  Hoje comi o couvert (chips de inhame, mandioca e banana da terra, crocantes e sequinhos, acompanhados de guacamole e molho picante de tomate. Tudo uma delícia); o ceviche tradicional (com corvina), muito, muito bom!; urabá de sobremesa: torta de banana, com sorvete de creme e bananas carameladas, bem bom também. E, claaarooo, um pisco sour que ninguém é de ferro!  Friozinho, chuva vai, chuva vem…tinha de ter um álcoolzinho.

O atendimento é cortês, simpático. Os pratos não demoram. Sábado a casa abre às 13h para almoço. Umas 13h30 já estava bem cheia.

No andar de cima (mezanino) estão os banheiros e uma sala com exposição de pinturas, fotos - Galeria do Mezanino.

Hoje me sentei em uma mesa, mas na próxima visita vou para o balcão. Dali dá para apreciar a montagem dos pratos.

Deem uma olhadinha no site.  Ele é bem feito e bonito.

Valeu conhecer.

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