Utilizo, em várias ocasiões, expressões, interjeições próprias de quem teve uma formação católica. Meus pais eram, eu estudei muitos anos em colégios de freiras, ia à missa semanalmente com minha avó, enfim, a herança católica ficou muito arraigada. Então, em momentos muito crÃticos, em momentos de quase perda de fé, de esperança, de grandes desapontamentos, de grandes surpresas, só mesmo um Ave Maria!, Graças a Deus!, Amém!, Se Deus quiser! e por aà vai.  Já mencionei em outro post (http://mskeller.blog.terra.com.br/2010/09/20/e-preciso-evoluir-sempre/) que prefiro acreditar numa entidade superior, perfeita, poderosa, mas não sou religiosa de fato hoje em dia. O que estiver aà para fazer o bem, trazer o bem, ajudar, que seja abraçado por quem achar que deve.
Dito isto, esta semana merecia no mÃnimo um Aleluia! (http://pt.wikipedia.org/wiki/Aleluia).
Bem, tudo começou…no sábado passado com o ensaio do Coro Luther King e sua apresentação no domingo (http://mskeller.blog.terra.com.br/2010/10/25/in-paradisum-deducant-angeli-requiem-de-faure/).
AÃ, ontem, tive o prazer de assistir aos Meninos Cantores de St. Thomas (http://schemainternational.wordpress.com/category/st-thomas-boys-choir/) e Orquestra Bach da Gewandhaus de Leipzig acompanhados de 4 solistas (soprano, contralto, tenor, baixo).  Interpretaram a Missa em si menor de Bach.  Duas horas, sem intervalo, de pura beleza. Os meninos são sopranos (isso mesmo! Aliás, o soprano principal é um molequinho de uns 12 anos. IncrÃvel!), contraltos, tenores e baixos.  As vozes são fantásticas!  E a concentração!  Vejam que a grande parte dos membros do coro deve ter entre 9 e 12 ou 13 anos.  Tem uns maiorzinhos (acho que vão até uns 16/17 anos), mas a maioria é composta de muitos catatauzinhos que cantam divinamente!.  Acompanham a partitura, as ordens do maestro, como gente de altÃssima estatura. Foi um grande privilégio vê-los em ação. Nem preciso dizer que a Sala S. Paulo estava lotada, com pouquÃssimos locais vazios.  O espetáculo começou à s 21h e terminou à s 22h55. Claro que várias pessoas saÃram durante a apresentação. As pessoas à s vezes não se sentem bem, têm de ir ao banheiro, mas quem saia não podia voltar. Regras da Sala.  Mesmo assim o público, em sua maioria, ficou firme até o fim. A orquestra que acompanha os cantores esteve ótima! Todos foram muito aplaudidos ao final, e os meninos ovacionados com muita justiça.
Não bastasse tudo isso, hoje foi dia do prêmio musical anual, pelo menos para mim. Pude assistir ao ensaio da OSESP (http://www.osesp.art.br/home.aspx) com Antonio Meneses (http://www.antoniomeneses.com/), nosso maior cellista.  Gosto demais desse músico. Quando ouço seu cd, quase fura, tal a beleza que ele consegue produzir com aquele instrumento musical. As peças ensaiadas foram Concerto para violoncelo em mi menor (Shostakovich), Concerto no. 1 para violoncelo em mi bemol maior (Elgar), estas duas com a participação brilhante de AMeneses, e Lo Schiavo/Alvorada (Carlos Gomes) e Choros No. 6 (Villa-Lobos).  Já mencionei uma certa reserva quanto a M. Tortelier (http://mskeller.blog.terra.com.br/2009/11/06/que-saudade-da-osesp/), o maestro atual da OSESP.  Talvez porque gostasse ou admirasse, melhor, muito o redentor da OSESP, Maestro Neschling, ou porque o estilo do outro me agradava mais, pelo menos na condução do ensaio final.  De qualquer forma, o que vale é o maestro atual e, aparentemente, ele é muito bem considerado tecnicamente. Mas o nÃvel de interrupções, mise-en-scènes, explicações aos músicos durante o ensaio continuaram. Sei não se os componentes da orquestra não se cansam em um dado momento. Verdade que M. Tortelier mostrou ter razão no que exigia. Os músicos tocavam, ele interrompia, explicava como deveria ser, os músicos faziam, e a obra se modificava, para melhor bem entendido. O efeito era imediato e muito audÃvel. No entanto, o estilo cansa (pelo menos cansa a gente que está assistindo) pelos inúmeros cortes. Enfim, ele está lá para isso, para tirar do grupo uma performance próxima da perfeita, e se é assim que ele consegue fazer isso, azar da gente, oras! O ensaio foi das 10h à s 13h.
Observei algumas coisinhas: (1) não me lembro de ter visto antes músicos negros na orquestra. Havia dois desta vez; (2) os de descendência oriental continuam a ser poucos, porém mais do que antes; (3) o número de mulheres parece-me ter sofrido pequena redução; (4) uma violinista chegou atrasada ao ensaio. Pode? Acho que sim, pois não houve nenhuma menção por parte do maestro ou dos colegas sobre o episódio; (5) entre as peças, vários músicos saÃram, outros tomaram seus lugares.  Nunca tinha percebido essa troca. Redução do grupo para uma determinada obra, com volta do grupo completo posteriormente, sim, mas troca pura, nunca tinha percebido pelo menos; (6) M. Tortelier, apesar de ser exigente, persistente, é um gentleman!
É preciso mencionar que hoje havia um grupo de estudantes (uns 600 pelo menos) que participavam do programa educacional da Osesp, para 6a. a 9a. série do ensino básico. Da mesma forma que cada um deles, também recebi uma publicação, muito bem elaborada por sinal, com dados sobre orquestra, música clássica, a sala, comportamento, etc.  Claro que receberam e não leram, e a custo os facilitadores da Sala conseguiram manter a turba ignara sob controle. Mas poderia ter sido muito pior.
O fato é que Antonio Meneses é tão fantástico que, ao final da peça de Elgar, os jovens aplaudiram-no espontânea e entusiasticamente (nos ensaios, em geral, a gente não aplaude). Ele conseguiu carregar a plateia, hipnotizá-la, entusiasmá-la.  E a peça era dificÃlima! Enfim, um momento mágico e alentador. Ainda há salvação para aquelas 600 almas.  E por falar em alma, tomara que quando eu subir aos céus (sim, porque vou, viu, gente!) angelicalmente (isso mesmo, feito anjinho, que eu mereço!) espero que um cello esteja lá no portão para me receber.  É tudo de que eu preciso.
Não bastasse isso…termino o dia assistindo a minha amiga Eunice interpretando Schumann, linda e corajosamente. Minha amiga tem se dedicado nos últimos anos a adquirir técnica, a tornar-se uma pianista de qualidade. Sua dedicação é exemplar e comovente.  As peças interpretadas hoje demonstram que está no caminho certo. O fato é que para tocar como um membro da OSESP, ou como um Antonio Meneses, é preciso suar muito, dedicar-se, ter dor, e aguentar, e acreditar que tudo aquilo vale a pena. Uns têm um dom nato, outros, se não têm o talento, têm uma facilidade maior, outros menor. O fato é que uns ou outros precisam, sim, de muita dedicação para obter sucesso na área da interpretação musical.  As colegas de Eunice que se apresentaram na Companhia da Música, ali em Santana, também se saÃram muito bem. Parabéns a todos!
Observações aleatórias: (a) no caminho de Pinheiros a Santana percebi como se espalha pela cidade a praga lançada por Kassab e sua malta: ruas escurÃssimas, muitas lâmpadas inoperantes ou queimadas, ou iluminando mal; muitas, mas muitas placas de ruas faltando ou em estado deplorável; calçadas largadas, quebradas, perigosas; circuito de coletivo impensável para uma cidade como S. Paulo, ou seja, o cabidário que é a SP Trans junto com a incompetência da CET não pensam a cidade, quando muito apagam incêndios.  Um horror! (b) como voltei quase 14h para casa, passei na feira da R. Antonio Bicudo e estavam quase encerrando atividades. Poucas barracas de pé. Comprei rapidamente apenas uma dúzia de banana prata a R$ 1,00! E estão ótimas!  Alguém pode me explicar por que a empresa que atende a firma em que eu trabalhava cobra R$ 0,40/banana, sendo que é uma empresa grande e naturalmente não faz suas compras nas feiras, mas em atacadistas? E mesmo que fosse na feira, como R$ 0,09 tornam-se R$ 0,40 por estar a banana envolta em um plástico e dita “higienizada”?  Daà a gente pula para restaurantes, bares, etc. Há algo de muito errado na matemática da comida por aqui. E a gente é que paga a conta!