Escrever para viver!

Tudo que der na telha e que eu achar que vale a pena

31

de
outubro

Se não é Dinho Nascimento, sei não

E lá fui eu de novo para o Auditório Ibirapuera! Sou quase sócia! Hoje, para um espetáculo muito diferente, pelo menos para mim. Orquestra de Berimbaus do Morro do Querosene.  Você sabia que podia haver uma orquestra de berimbaus? Ou melhor, que berimbau dá orquestra?  Sabia que tem berimbau médio, guinga, viola, rabeca, berimbum? Então…foi ótimo!  Aprendi e vi coisas inéditas! Não sou boa de ouvido, ie., sou péssima, mesmo tendo estudado violão por 6 anos (solo), então não consigo distinguir muito o que é um ou outro, mas o conjunto é bonito.  Além disso, o criador da orquestra e seu líder: Dinho Nascimento, é muito articulado, simpático, sabe levar a plateia.  E tem uma voz linda, linda.

Além da orquestra, estavam lá Nasi (http://pt.wikipedia.org/wiki/Nasi), isso mesmo, aquele do Ira! Participou de dois números. Também Tião Carvalho, um negro de voz lindíssima! E Quarteto Pererê (viola, violão de 7 cordas, gaita, violino). E last, but no least: Orquestra de Tambores de Aço: um som muuuitooo diferente! Nunca tinha visto.  E uma gente simpática e bonita de todos os lados. Muitos negros com seus dreadlocks, tocando, jogando capoeira, vestidos de branco, o que contrasta lindamente com sua pele, porte maravilhoso!  Assim, negros que não inventam, só são, respeitam suas origens, sua cultura, valorizam seu legado, e isso os torna especialíssimos, elegantes, refinados. E DNascimento conduz com rigor, como qualquer maestro, sua linda orquestra. E tocam, e cantam, e dançam.

Ao final, um samba de roda apoteótico. Bem, do jeito que estou escrevendo vocês poderão pensar que sou fã de carteirinha da modalidade. Longe disso! Mas um bom espetáculo é um bom espetáculo, e comove, e entusiasma, não importa o gosto pessoal de quem está na plateia. Aproveitando o gancho: hoje foi dia de eleição pelo Brasil, meu candidato não ganhou, mas isso faz parte da democracia, tanto de um lado quanto de o outro.  Apreciar um espetáculo que não esteja no quadradinho em que a gente vive, também é um exercício de democracia no fundo.

O Auditório estava bem cheio e com muita gente da comunidade do Morro do Querosene, e muita gente que conhece o trabalho do grupo. Muitos cantando as músicas entusiasticamente. E eu que nem sabia deles…tsc, tsc, tsc…mas, felizmente, saí do meu quadradinho hoje.

Ah, e qual foi a grande revelação de Dinho Nascimento? O cd que estavam lançando hoje (Sinfonia do Arame) tem suas informações em braile, para que deficientes visuais possam saber o que está no cd. Não vi a qualidade, ou se as informações estão completas, mas alguém aí já teve essa ideia?  Você já pensou na dificuldade de um cego, ou deficiente extensivo visual, para saber o que está/há num determinado cd?  Você viu em alguma Fnac, Livraria Cultura da vida, empresas que respeito muito,  alguma prateleira, ou plaqueta, ou adesivo em braile para que o deficiente possa escolher seu cd?  Vou até procurar, mas acho que não tem, não.  Mesmo que um funcionário conduza o cego até o que ela está procurando, como ele vai saber o que é o cd de fato?  E cegos viajam sozinhos, andam de metrô, de ônibus, pelas ruas, hoje têm bastante independência. Alguns até vivem praticamente sozinhos, mas não podem fazer uma escolha tão simples!

As gravadoras, emissoras de cd, colocando as informações em braile no próprio cd já facilitariam muito a vida dos deficientes. ISSO é que é inclusão de verdade!  Grande, Sr. Dinho Nascimento! Só esse insight valeu a ida ao Auditório.

30

de
outubro

Gershwin ganhou o que merecia

Adoro os Gershwins (George fazia a melodia, e Ira muitas letras) (http://www.gershwin.com/).

Hoje a Jazz Sinfônica (http://www.apaacultural.org.br/jazzsinfonica/) tocou extratos de Porgy and Bess (http://en.wikipedia.org/wiki/Porgy_and_Bess), ópera de G. Gershwin, como parte de uma homenagem aos compositores.  Uma apresentação primorosa que contou com uma soprano, uma mezzo-soprano (Edna D’Oliveira, Edinéia de Oliveira), um tenor e um barítono (Gilson dos Santos e Sebastião Teixera). Todos os solistas estavam fantásticos em suas performances.

Como sempre, casa cheia. O público ficou muito satisfeito com a apresentação, como normalmente acontece com a JS.

Foi um espetáculo delicioso, com músicas fantásticas. Não tinha como não gostar.

O maestro (Carlos Prazeres) não é o que normalmente rege os espetáculos, pelo menos aos que tenho assistido. Muito simpático, teve uma interação diferente com a orquestra e com o público.  Aliás, a linha da JS é peculiar e dá muito certo.  Tem clientela cativa, acho que por isso mesmo.

Para os que não se lembram bem da grandeza dos Gershwins, duas músicas com Kiri Te Kanawa (de quem eu também gosto demais!). Enjoy!

http://www.youtube.com/watch?v=jcy6OR1sahI

http://www.youtube.com/watch?v=fpV4kmMlSzw

30

de
outubro

Pontos de partida iguais, para chegadas bem diferentes

Já estava ficando bem preocupada: tempo, disposição, e nada de ver os filmes da Mostra?  Só havia visto um na semana passada (http://mskeller.blog.terra.com.br/2010/10/22/comecou/), muito bom aliás, mas unzinho só!  Verdade que como mencionei é um pouco loteria, mas para minha sorte os 3 filmes que vi até o momento justificaram a aposta.

Ontem fui ver Vidas Paralelas, produção Noruega+Armênia (http://en.wikipedia.org/wiki/Bonded_Parallels).  Aliás o filme se passa basicamente na Armênia. É o encontro do passado com o presente: uma norueguesa que perde o marido durante a guerra, une-se a um armênio e dele tem um filho. Aí a história vai por décadas e mãe e filho encontram-se no final, em planos diferentes.  Uma história bonita, com atores interessantes, música e fotografia bonitas, mas faltou um pouco de liga. Sem dúvida o fato que nós, na grande maioria, desconhecemos os meandros da história dos dois países (Noruega e Armênia), exige uma atenção redobrada para os detalhes, mas o empecilho maior foi mesmo a linha condutora da história que foi perdida em alguns momentos. De qualquer forma o filme é bem bonito, mostra pessoas angustiadas, pessoas que olham para a vida sem entendê-la muito bem, e são levadas pelas necessidades, desejos, instinto.  De qualquer forma, o encontro póstumo entre mãe e filho é bem interessante.  Foi um filme mediano.

Agora o segundo, Balibo (http://www.balibo.com/), que conta a história do Timor Leste (http://pt.wikipedia.org/wiki/Timor-Leste) de 1975 até 1999, sua independência de Portugal, a invasão pela Indonésia, tudo visto pelo olho de um jornalista australiano, magistralmente representado por Anthony Lapaglia (o Jack de Without a trace- série americana), é um arraso.  Daqueles filmes em que, se você não tinha entendido ainda, você passa a entender o que o ser humano, o que é o mundo, como funcionam as nações, e que você não é nada neste complexo de bilhões de almas.  Aliás, centenas de milhares de pessoas podem ser nada dependendo de interesses econômicos, políticos, estratégicos, etc.

Pois é os dois filmes, na verdade, têm a mesma perspectiva: passado + presente apresentados em flashbacks, imagens de uma e outra época, que vão se juntando ali adiante. É preciso contar a história, é preciso saber sua/nossa história.

O filme trata da recuperação, por meio de entrevistas, do que aconteceu durante o período da ocupação indonésia, já que o país quase que “sumiu do mapa” em termos de interesse, acesso, etc.  Várias pessoas são entrevistadas para dizer o que viram. Para algumas uma chaga aberta por mais de duas décadas.  Um filme emocionante, denso, chocante em alguns momentos pela violência. Obviamente o que se vê ali é o que aconteceu em tantos outros países: genocídio, ocupação cruel, ignorância, destruição deixada como herança.  Quantos eu não vi pela havida nas manchetes com esse histórico!  A Humanidade é pendular. A gente aprende pouco, os erros são repetidos em todos os níveis. Uma pena!

28

de
outubro

Aleluia!

Utilizo, em várias ocasiões, expressões, interjeições próprias de quem teve uma formação católica. Meus pais eram, eu estudei muitos anos em colégios de freiras, ia à missa semanalmente com minha avó, enfim, a herança católica ficou muito arraigada. Então, em momentos muito críticos, em momentos de quase perda de fé, de esperança, de grandes desapontamentos, de grandes surpresas, só mesmo um Ave Maria!, Graças a Deus!, Amém!, Se Deus quiser! e por aí vai.  Já mencionei em outro post (http://mskeller.blog.terra.com.br/2010/09/20/e-preciso-evoluir-sempre/) que prefiro acreditar numa entidade superior, perfeita, poderosa, mas não sou religiosa de fato hoje em dia. O que estiver aí para fazer o bem, trazer o bem, ajudar, que seja abraçado por quem achar que deve.

Dito isto, esta semana merecia no mínimo um Aleluia! (http://pt.wikipedia.org/wiki/Aleluia).

Bem, tudo começou…no sábado passado com o ensaio do Coro Luther King e sua apresentação no domingo (http://mskeller.blog.terra.com.br/2010/10/25/in-paradisum-deducant-angeli-requiem-de-faure/).

Aí, ontem, tive o prazer de assistir aos Meninos Cantores de St. Thomas (http://schemainternational.wordpress.com/category/st-thomas-boys-choir/) e Orquestra Bach da Gewandhaus de Leipzig acompanhados de 4 solistas (soprano, contralto, tenor, baixo).  Interpretaram a Missa em si menor de Bach.  Duas horas, sem intervalo, de pura beleza. Os meninos são sopranos (isso mesmo! Aliás, o soprano principal é um molequinho de uns 12 anos. Incrível!), contraltos, tenores e baixos.  As vozes são fantásticas!  E a concentração!  Vejam que a grande parte dos membros do coro deve ter entre 9 e 12 ou 13 anos.  Tem uns maiorzinhos (acho que vão até uns 16/17 anos), mas a maioria é composta de muitos catatauzinhos que cantam divinamente!.  Acompanham a partitura, as ordens do maestro, como gente de altíssima estatura. Foi um grande privilégio vê-los em ação. Nem preciso dizer que a Sala S. Paulo estava lotada, com pouquíssimos locais vazios.  O espetáculo começou às 21h e terminou às 22h55. Claro que várias pessoas saíram durante a apresentação. As pessoas às vezes não se sentem bem, têm de ir ao banheiro, mas quem saia não podia voltar. Regras da Sala.  Mesmo assim o público, em sua maioria, ficou firme até o fim. A orquestra que acompanha os cantores esteve ótima! Todos foram muito aplaudidos ao final, e os meninos ovacionados com muita justiça.

Não bastasse tudo isso, hoje foi dia do prêmio musical anual, pelo menos para mim. Pude assistir ao ensaio da OSESP (http://www.osesp.art.br/home.aspx) com Antonio Meneses (http://www.antoniomeneses.com/), nosso maior cellista.  Gosto demais desse músico. Quando ouço seu cd, quase fura, tal a beleza que ele consegue produzir com aquele instrumento musical. As peças ensaiadas foram Concerto para violoncelo em mi menor (Shostakovich), Concerto no. 1 para violoncelo em mi bemol maior (Elgar), estas duas com a participação brilhante de AMeneses, e Lo Schiavo/Alvorada (Carlos Gomes) e Choros No. 6 (Villa-Lobos).  Já mencionei uma certa reserva quanto a M. Tortelier (http://mskeller.blog.terra.com.br/2009/11/06/que-saudade-da-osesp/), o maestro atual da OSESP.  Talvez porque gostasse ou admirasse, melhor, muito o redentor da OSESP, Maestro Neschling, ou porque o estilo do outro me agradava mais, pelo menos na condução do ensaio final.  De qualquer forma, o que vale é o maestro atual e, aparentemente, ele é muito bem considerado tecnicamente. Mas o nível de interrupções, mise-en-scènes, explicações aos músicos durante o ensaio continuaram. Sei não se os componentes da orquestra não se cansam em um dado momento. Verdade que M. Tortelier mostrou ter razão no que exigia. Os músicos tocavam, ele interrompia, explicava como deveria ser, os músicos faziam, e a obra se modificava, para melhor bem entendido. O efeito era imediato e muito audível. No entanto, o estilo cansa (pelo menos cansa a gente que está assistindo) pelos inúmeros cortes. Enfim, ele está lá para isso, para tirar do grupo uma performance próxima da perfeita, e se é assim que ele consegue fazer isso, azar da gente, oras! O ensaio foi das 10h às 13h.

Observei algumas coisinhas: (1) não me lembro de ter visto antes músicos negros na orquestra. Havia dois desta vez; (2) os de descendência oriental continuam a ser poucos, porém mais do que antes; (3) o número de mulheres parece-me ter sofrido pequena redução; (4) uma violinista chegou atrasada ao ensaio. Pode? Acho que sim, pois não houve nenhuma menção por parte do maestro ou dos colegas sobre o episódio; (5) entre as peças, vários músicos saíram, outros tomaram seus lugares.  Nunca tinha percebido essa troca. Redução do grupo para uma determinada obra, com volta do grupo completo posteriormente, sim, mas troca pura, nunca tinha percebido pelo menos; (6) M. Tortelier, apesar de ser exigente, persistente, é um gentleman!

É preciso mencionar que hoje havia um grupo de estudantes (uns 600 pelo menos) que participavam do programa educacional da Osesp, para 6a. a 9a. série do ensino básico. Da mesma forma que cada um deles, também recebi uma publicação, muito bem elaborada por sinal, com dados sobre orquestra, música clássica, a sala, comportamento, etc.  Claro que receberam e não leram, e a custo os facilitadores da Sala conseguiram manter a turba ignara sob controle. Mas poderia ter sido muito pior.

O fato é que Antonio Meneses é tão fantástico que, ao final da peça de Elgar, os jovens aplaudiram-no espontânea e entusiasticamente (nos ensaios, em geral, a gente não aplaude). Ele conseguiu carregar a plateia, hipnotizá-la, entusiasmá-la.  E a peça era dificílima! Enfim, um momento mágico e alentador. Ainda há salvação para aquelas 600 almas.  E por falar em alma, tomara que quando eu subir aos céus (sim, porque vou, viu, gente!) angelicalmente (isso mesmo, feito anjinho, que eu mereço!) espero que um cello esteja lá no portão para me receber.  É tudo de que eu preciso.

Não bastasse isso…termino o dia assistindo a minha amiga Eunice interpretando Schumann, linda e corajosamente. Minha amiga tem se dedicado nos últimos anos a adquirir técnica, a tornar-se uma pianista de qualidade. Sua dedicação é exemplar e comovente.  As peças interpretadas hoje demonstram que está no caminho certo. O fato é que para tocar como um membro da OSESP, ou como um Antonio Meneses, é preciso suar muito, dedicar-se, ter dor, e aguentar, e acreditar que tudo aquilo vale a pena. Uns têm um dom nato, outros, se não têm o talento, têm uma facilidade maior, outros menor. O fato é que uns ou outros precisam, sim, de muita dedicação para obter sucesso na área da interpretação musical.  As colegas de Eunice que se apresentaram na Companhia da Música, ali em Santana, também se saíram muito bem. Parabéns a todos!

Observações aleatórias: (a) no caminho de Pinheiros a Santana percebi como se espalha pela cidade a praga lançada por Kassab e sua malta: ruas escuríssimas, muitas lâmpadas inoperantes ou queimadas, ou iluminando mal; muitas, mas muitas placas de ruas faltando ou em estado deplorável; calçadas largadas, quebradas, perigosas; circuito de coletivo impensável para uma cidade como S. Paulo, ou seja, o cabidário que é a SP Trans junto com a incompetência da CET não pensam a cidade, quando muito apagam incêndios.  Um horror! (b) como voltei quase 14h para casa, passei na feira da R. Antonio Bicudo e estavam quase encerrando atividades. Poucas barracas de pé. Comprei rapidamente apenas uma dúzia de banana prata a R$ 1,00! E estão ótimas!  Alguém pode me explicar por que a empresa que atende a firma em que eu trabalhava cobra R$ 0,40/banana, sendo que é uma empresa grande e naturalmente não faz suas compras nas feiras, mas em atacadistas? E mesmo que fosse na feira, como R$ 0,09 tornam-se R$ 0,40 por estar a banana envolta em um plástico e dita “higienizada”?  Daí a gente pula para restaurantes, bares, etc. Há algo de muito errado na matemática da comida por aqui. E a gente é que paga a conta!

27

de
outubro

Reflexões de uma aposentada, o retorno

Bom, segundo e úlimo post sobre o assunto, pelo menos a médio prazo.  No blog de 20/10 (http://mskeller.blog.terra.com.br/2010/10/20/reflexoes-de-uma-aposentada/) relatei meus primeiros dias na nova condição.  E agora, há 10 do corte, continua indo tudo bem. Bem demais,talvez??? Aaaah, para com isso!

Bom, ainda não deu para descansar muito, não.  Tenho encontrado e reencontrado amigos que não via havia tempos. Muitas atividades que eu havia programado enquanto na ativa para quando parasse. A saber: fui almoçar lá perto da 25 de Março com um casal de amigos queridíssimo!  Fazia tempo que não ia por ali. Foi ótimo!  Comprei tecidos para fazer umas calças (8 pelo preço de 2 no meu bairro), olhei para a muvuca, para a barulheira,vi muitas coisas interessantes.  Meus amigos meio que me guiaram nesse passeio de estreia, ou reestreia.  Pretendo ir por lá em uma ou duas semanas, bem tranquilinha para almoçar no Mercadão e flanar um pouco mais pela 25. Nada específico.  Já na primeira visita fiquei impressionada com os vendedores da loja de tecidos. Um milhão de rolos, e eles sabem onde está tudo, muito preço de cabeça. Pelo que vejo por aí, achei que já não existia gente com essa competência ou capacidade. Vi um casal de cegos atravessar a rua sem ajuda, na faixa, numa esquina. Que coragem! E eles ainda iam conversando, trocando uma ideia. E comprei doces árabes fantásticos, e comprei meias-calças baratíssimas.  Uma delícia!

Ontem foi dia de almoçar com uma amiga querida e sua mãe de perto de 90 anos. Bom demais! Essa senhora, que eu conheço há umas 4 décadas, aparenta 20 anos menos, com certeza. E por quê? Porque tem humor, não se deixa abater, mesmo com o ônus e as limitações da idade sabre apreciar um bife ancho!  Fui ao Red Angus com um cupom de site de desconto. O atendimento foi excelente e a comida estava maravilhosa!  Depois outra massagem ayuvérdica!  Sei que estão com pena de mim, pelo sacrifício, mas quê fazer?  Cada um com seu quinhão!

E hoje foi dia de almoçar com três queridos amigos, ex-colegas, lá no Shopping V. Olímpia. Uma delícia por revê-los.  E aí, tchan, tchan, tchan, tchan, uma atividade depois de várias décadas:ter a sobrancelha feita por uma designer de sobrancelhas. Eu já havia ouvido falar desse profissional, mas nem em salão de bairro eu pedia para fazerem a minha. Nunca dei muita atenção ao assunto, apesar de reconhecer em outras pessoas a beleza de uma sobrancelha bem feita. Fui sem expectativas, mas a Andréa, profissional que me atendeu, fez um milagre!  Nossa, para mim, que vejo minha cara no espelho todo dia, fez uma bruta diferença! Incrível!  Virei fã!  E olha que a última vez que pedi para alguém tirar minha sobrancelhas foi há uns 40 anos, hein!

Ah, e de manhã, fui cuidar das mãos no salão de beleza que frequentei até uns 9 anos atrás, aqui pertinho de casa.  Está todo mundo lá!  E não mudaram nada!  Do dono às cabeleireiras, ajudantes, manicures, copeira!  Foi um túnel do tempo comme il faut!  Muita recordação, troca de informações.  E como me receberam bem! Até me emocionei!

Como disse, ainda não senti o peso ou efeitos da parada.  Eu já imaginava que por um mês, pelo menos, seria isso: aproveitar o que eu já havia planejado enquanto estava na ativa, ver e rever amigos, pessoas queridas que não via havia tempos.  Imagino que lá para meados de novembro tudo tenha se acalmado, que aí sim, possa baixar a adrenalina de fato.  Os armários, as gavetas continuam por aqui, esperando para serem arrumados.  A coisa está caminhando, mas bem devagariiinhooo. Pra que pressa?  Não vão fugir, como diriam os antigos.Não ataquei nem meus livros que me chamam não muito vigorosamente, no momento, nem meus cds e dvds acumulados.  Mas isso vai mudar, e ainda bem que vai mudar…tudo em seu tempo certo.

25

de
outubro

In paradisum deducant angeli / Requiem de Fauré

Ou seja, que os anjos acompanhem-no no paraíso.

Como mencionei nos posts de 24/10 (http://mskeller.blog.terra.com.br/2010/10/24/silencio/) (http://mskeller.blog.terra.com.br/2010/10/24/o-reserva-e-um-dos-meus-queridinhos-mesmo/), no sábado vi também o ensaio do Coro Luther King (http://www.lutherking.art.br/lutherking/).  Já mencionei várias vezes os espetáculos do Coro, sua qualidade, a beleza do repertório.  Desta vez foi dose dupla: no sábado, ensaio no Auditório Ibirapuera já com a participação da soprano paraguaia convidada (Cristina Vera-Diaz) e do tenor Jonas Mendes.  O ensaio foi descontraído, com o Maestro M.Lutero contando histórias, inserindo comentários, esclarecimentos.  Para o público foi muito bom! Não vimos ou ouvimos a obra completa, mas partes dela. Além do Requiem, a soprano e a harpista deram uma “canja”.  Ótimo! Mas o espetáculo mesmo seria no domingo, na capela do Colégio Sion.  Então…vamos lá!

Não conhecia a capela do colégio. Além de bonita, a acústica é muito boa e o órgão é impressionante. Além da participação dos solistas (soprano e tenor), textos sobre jornalistas mortos (o espetáculo foi uma homenagem a eles) em ação ou por motivos políticos foram lidos pelo Heródoto Barbeiro.  A apresentação começou com um atraso, por volta de 18h15, e foi até umas 19h30/19h40.  Com a competência do grupo coral, do maestro e da Camerata Jardim Harmônico que acompanhou o Coro, o espetáculo foi grandioso, emocionante. Não conhecia a obra, que é bem mais leve que alguns outros requiens (http://en.wikipedia.org/wiki/Requiem) que já ouvi. Um alívio, porque são sempre pesados, dramáticos, afinal o tema é a morte. O solo da soprano foi fantástico, hipnotizante. Maravilhoso!

Valeu ver o Coro duas vezes (sempre vale) e conhecer a obra de Fauré.  Enfim, um sacrossanto domingo abençoando minha semana!

24

de
outubro

O Reserva é um dos meus queridinhos mesmo

Antes de falar do Coro Luther King, atividades domingueiras.  Hoje foi dia de voltar ao Ciné-Club (http://www.reservacultural.com.br/noticia.asp?id_noticia=16) do Reserva.  O Reserva passou por alguns ajustes, reformas.  Parece que está mais equipado. O restaurante também mudou, mas ainda não experimentei. Como sempre acontece nessas sessões mensais, com filmes escolhidos pela Aliança Francesa, antes temos um café composto de suco, brioche e pain au chocolat, além de café/leite.  Vou ao CC amiúde e sempre tenho a esperança de que esteja mais calminho, com menos gente, mas não. Sempre cheio. Agora o pessoal adotou a estratégia de guardar mesas até pegar bandejas com os pães, suco, café. Conclusão: a não ser que se esteja acompanhado ou se encontre alguém por ali, a gente fica sem mesa.  Podiam aumentar um pouquinho o número de mesas. Jeito sempre tem. Enfim…Havia combinado com uma amiga de assistir ao filme. Tomamos nosso café razoavelmente instaladas nos sofás do lounge.  Tudo bem, da próxima vez recruto uns sem-teto pelo caminho para segurarem a mesa para mim.

O café mais o filme saem por R$ 5.  Há sempre duas salas de exibição mas, até onde eu saiba, só o pessoal que compra entradas rapidamente tem o café (limitado à primeira sala), já que não têm estrutura para servir tanta gente ao mesmo tempo. Pode ser até que o esquema tenha se alterado. Não perguntei.

Como mencionei, todo mês, há bem mais de um ano, acontece esse evento.  E não é que hoje não tinha leite, que demorou bastante para chegar à mesa de serviço?  E aí puseram uma dezena de copinhos descartáveis que, obviamente, se esgotaram rapidamente. A coisa é amadora mesmo. Se alguém de cérebro não fica em cima do pessoal braçal é o desastre. Falta bom senso, vontade, raciocínio, ou sei lá eu o quê.

Mas afinal, a gente foi lá para ver o filme ou comer? Os dois, mas o que importa de fato é que o filme seja bom. E era!  Aliás, esse é um mérito dos Ciné-Clubs.  Acho que só vi uns dois filmes, no máximo, que não corresponderam à expectativa de algo novo, criativo, informativo, etc.

Hoje foi dia de 10eme. Chambre / Instants d’audience de Raymond Depardon (http://www.imdb.com/title/tt0395421/).  Sempre há uma preleção ótima por um representante da Aliança. Muito ilustrativa, clara, o que ajuda muito a ver o filme com olhar adequado.

Instant d’audience é muito, mas muito interessante mesmo. É um documentário de 2004 sobre sessões de uma corte ocorridas em meados de 2003.  Não há pré-julgamento. Os fatos, as imagens estão ali. Você é que tira suas conclusões a todo momento. Os cortes são magistrais. Mostram o âmago de cada processo julgado.  Interessante ver também juízes, promotores, advogados de defesa, e, sobretudo, os réus em ação.  A gente ri muito com algumas situações e com as observações incisivas da juíza que protagoniza toda a ação.  Interessante ver como a coisa funciona por lá, em Paris, Halles.  Como é simples, rápido, não onera e funciona.  Imagino que nem tudo funcione da mesma maneira, mas na 10a. Seção (não sei exatamente qual seria a tradução correta) é assim.

No filme a gente vê que escroque é escroque e ponto. Desde criancinha, e não mudam, mas sempre juram que aquela foi a última vez. Gente sem noção, que vai dopada à audiência, gente que é inteligente para arguir e tentar se safar até o último instante. Gente que quer simplesmente dar uma de esperto. Enfim, um pouco de tudo.  Há situações chocantes como de uma moça que denuncia o ex-companheiro por violência. O discurso dela é contundente. Há o analfabeto, isso mesmo: na França, em Paris; o analfabeto que só foi à escola por pouco tempo e na infância e diz não saber ler ou escrever. Interessante ver a postura da magistrada, da corte como um todo, dos promotores sobretudo.  80% do pessoal judicial/legal é composto de mulheres. Poucos são os homens: advogados ou magistrados.

Um filme ótimo. E como disse a representante da Aliança, a gente poderia virar fã de Depardon. Acho que virei mesmo!

E last but not least, pour le moment, NaKombi V. Olímpia (http://www.nakombi.com.br/#/volimpia/restaurante/espaco).  Um amigo havia comprado um cupom de desconto há tempos e vencia hoje. Então fomos lá para utilizá-lo.  Não conhecia o lugar. Bem bonito, bem gostoso. O atendimento foi simpático desde a recepção. Veio tudo no tempo certo, sem grandes demoras, apesar de a casa estar bem cheia. Têm vários espaços, inclusive fechados, para grupos.  Além do combinado a que dava direito o cupom de desconto, pedimos guioza de entrada e um tempura misto.  Tudo bem gostoso.  Único senão, como quase em todos os restaurantes de S. Paulo: bem caro!  Nada justifica o que as casas em geral estão cobrando na cidade. Um verdadeiro abuso. E mais, noutro dia ouvi no rádio que vem aí mais aumento, por volta de 10%, pois dizem que os estabelecimentos estão segurando os preços e estão pressionados pelos aumentos dos insumos ou matérias-primas. Gente, não é possível! Tem algo de muito errado por aí.  Mas enquanto houver gente disposta a pagar qualquer preço por qualquer coisa, a situação não mudará mesmo. Sorte dos estabelecimentos, então. Pelo menos por enquanto.

Valeu conhecer, mas é um pouco fora de mão para mim, e tem outros de mesmo padrão (qualidade e preço) mais para o meu lado.

24

de
outubro

Silêncio!

Essa tem sido a grande coisa desta primeira semana de aposentadoria. Silêncio! Sem telefone tocando a toda hora, sem gente falando, sem ser chamada a curtos intervalos, sem ter de falar sem vontade.  Estar consigo é um  prêmio, pelo menos eu acho. Lembro-me perfeitamente da preocupação de meu pai logo após a morte de minha mãe: se eu morrer, você vai ficar com quem? E eu dizia: não se preocupe, eu me dou muito bem comigo mesma.  E sabem que isso é um verdadeiro tesouro!

Mas não vamos exagerar, oras! Não estou no claustro, então claro que tive que cuidar de um monte de coisas que estavam sendo adiadas havia tempos, estive com vários amigos queridos, saí de monte, mas mesmo assim foi diferente, foi redentor!

Os ouvidos agradeceram e os olhos também. Afinal, fui ver o Festival de Jardins do MAM, no Ibirapuera (http://www.mam.org.br/2008/portugues/exposicaoDetalhes.aspx?id=103). Vai até 31/12 e vale ver.  Vejam as fotos no link abaixo.  Há alguns muito bonitos. A única coisa é que a informação é pífia, os tais “jardineiros”  (=facilitadores, monitores) que deveriam ser proativos e abordar visitantes ficam mais conversando e brincando que prestando atenção às necessidades dos visitantes. Os mapas, adivinhem, ontem só tinham em inglês. Para mim tudo bem, mas e para a maioria da gente deste “paiz” que nem português sabe muito bem?  E mais, como os jardins ficam distantes uns dos outros, para não correr o risco de ir por lados indevidos, perguntei a pessoas que estavam pelo parque: agentes da CET (multando feito loucos…), pessoal que trabalha na Bienal, seguranças, e quase todos ignoravam onde os jardins ficavam de fato, mesmo estando a pouquíssima distância deles.  Incrível a falta de preparo, de visão das possíveis necessidades dos visitantes.  O mapinha ajuda, mas a área é grande, então custa sinalizar melhor, exigir que quem trabalha no parque esteja a par do que ocorre por ali? É o amadorismo endógeno. Aaah, tá bom, para quem é deixa assim…

De qualquer forma, os jardins valem a visita. A grande vedete, o de B. Milhazes, que aparece em todas as fotos da mídia pelo colorido dos girassóis estão feinho, já que as flores feneceram.  Mas dentro de pouco tempo deve estar tudo amarelinho de novo. Planto girassóis na varanda de casa e eles crescem e florescem com muita facilidade, com a mesma que morrem.  Não sei como foi feito o jardim desta artista plástica, mas imagino que seja tudo plantado, até para durar até dezembro.  Há outros bem bonitos e até mais criativos. E é tudo de graça. Depende apenas da disposição do visitante andar um bocadinho pelas áreas do parque.

Aproveitei para ver também as exposições do MAM: Raymundo Colares  e Dengo (http://www.mam.org.br/2008/portugues/exposicaoDetalhes.aspx?id=101) de Ernesto Neto.  Esta última é uma delícia. Interativa até a medula (vejam o vídeo no link abaixo): é possível tocar, balançar, pisar, galgar, sentar, tirar sons de instrumentos. Tudo de um colorido, de uma leveza, de uma plasticidade encantadores.  Gostoso demais!  Crianças enlouquecem por ali. Vale muito ver. Aqui podem ver algumas fotos de outros trabalhos do artista: http://tiny.cc/8i22c.

Depois um café no restaurante do MAM, sempre muito bom, e rumo ao Auditório Ibirapuera para apreciar o ensaio do Coro Luther King, mas isto já é história para outro post.

Link fotos jardins e filme Dengo: http://picasaweb.google.com.br/miriamkeller/FestivaljardinsMAM2010?feat=directlink

22

de
outubro

Começou!

Pois é! Que sorte! Parei de trabalhar na sexta passada e a 34a. Mostra Internacional de Cinema de S. Paulo  (http://www.mostra.org/) começa hoje!  Nunca antes, neste pais…

Vou à Mostra sempre que posso (http://mskeller.blog.terra.com.br/2009/10/29/cooking-with-stella-33a-mostra-internacional-de-cinema/), mas, até agora, sempre com o olho na hora, no limite de tempo.  Em geral um ou dois filmes no final de semana, algum outro à noite, durante a semana, se o cansaço deixasse.  Nunca coincidiu de eu estar em férias no período da MIC, e mesmo que estivesse a questão seria a mesma: so little time and lots to do! Sempre cruzei com cinéfilos renhidos: assistiam a tudo, 5, 6 filmes por dia.  Levavam um mochilão ou sacolona e se alimentavam ali mesmo, nos cinemas (ecaaa!).  Enfim…cada um, cada um.

Hoje fui ver Retornos (http://br.mostra.org/movie/71) no Reserva (meu queridinho).  O cinema estava bem movimentado.  Quando saí a fila estava colossal.  Ouvi senhorinhas dizendo dos planos de ver quilos de filmes, indo de uma sala a outra em vários cinemas. Que delícia!  No meu caso, vou tentar ver pelo menos um por dia, principalmente aqueles que não estão cotados para o circuito comercial e que tenham uma sinopse interessante. Mas é aposta pura, não dá para saber.

Minha sorte foi grande inclusive por ter visto Retornos. Uma produção luso-hispano-argentina. Não conheço (acho) nenhum dos atores, mas todos (protagonistas ou não) estão muito bem.  Começa parecendo um filme de dramas familiares tão-somente.  Um acidente de carro, alguém morre, um homem é olhado com horror por todos, e 10 anos depois…um drama humano que traz em seu bojo mistério, crime, mentiras, revelações até o último minuto. Não é tão bom, mas lembra, um pouco pelas reviravoltas, O Segredo dos seus Olhos (http://mskeller.blog.terra.com.br/2010/03/07/duas-boas-noticias-e-outra-melhor-ainda/).  É lento, mas denso.  Não deu para piscar muito, não.  A história se passa na Galícia (http://en.wikipedia.org/wiki/Galicia_(Spain)). E que delícia ouvir o espanhol falado na região.  Sabia das características, mas nunca tinha ouvido o galego por tanto tempo.  Muito interessante! Os falantes migram do espanhol propriamente para o português num átimo. No começo, dá a impressão de que as pessoas não se decidiram se falam um ou outro idioma.  Muito gostoso de ouvir. Na verdade, acabou me fazendo lembrar um pouco do Javier Bardem, em Comer Rezar Amar (http://mskeller.blog.terra.com.br/2010/10/02/comer-passear-ver-um-filme-papear-tomar-cafe/), que falava um  português folclórico como o brasileiro por quem a autora do livro se apaixonou em Bali. A fotografia é linda!  A música nem tanto, mas não compromete.  Enfim, valeu muito ver o filme. Tomara que os próximas sejam tão bons quanto.

Agora, da mesma forma que no ano passado (http://mskeller.blog.terra.com.br/2009/10/25/a-gente-nao-e-serio-mesmo/) e no anterior e no outro, cadê o programa ou catálogo da mostra?  Não tinha! Não tinha!  34a. e não aprenderam a logística!  Não só eu, mas montes de pessoas procurando e não tinha! Segundo a moça do booth da Mostra no Reserva, eles receberiam no final do dia. Pode? Tudo bem, tem o site, mas eu quero o impresso (de papel reciclado, claro!).  Impressionante!  E a coisa pesa, pois pessoas de mais idade que não têm acesso à internet, não compraram os jornais do dia (alguns trazem um caderno com a programação), perguntaram ao rapaz da Mostra que estava controlando a entrada na sala “o que era o filme”. Resposta: sabe que não sei? Vou saber agora.  Não, gente, é preciso ser zen, é preciso conformismo de mártir.  Enfim, vamos que vamos…quem sabe amanhã consigo colocar as mãos em algum impresso.

Quem puder, não deixe de ver. Mesmo com esse tropeço operacional, a Mostra vale pelo core, pelos filmes, pela festa da afluência às salas de cinema.

20

de
outubro

Reflexões de uma aposentada

Ia esperar um pouquinho mais para fazer uma arrazoado de meus primeiros dias de aposentada. Depois de 36 anos de trabalho, dia após dia, felizmente sem nunca ter ficado desempregada, e 17 anos na última empresa, o que poderia vir pela frente?  Mas este Chardonnay maravilhoso, bebericado às 17h, de um dia glorioso, fizeram-me antecipar o texto.

Recebi e-mails de várias pessoas com opiniões a respeito: no começo é estranho, mas você se acostuma; no começo é bom, mas depois dá um vazio grande; curta, descanse, para depois voltar à ativa, e por aí vai.  Sei que tudo veio com uma carga muito positiva, bons fluídos, mas, como tudo na vida, cada um cada um.

Verdade que apenas começou meu “sabático”, e realmente posso achar tudo muito chato e sem propósito daqui a uns meses. Possível, até provável, mas por enquanto vou vivendo meu dia-a-dia sem pressa, como nunca o fiz em minha vida.  Mesmo quando tirava férias e se não viajava, havia tanta coisa para fazer em um tempo curto, limitado, que não dava para curtir de fato.   Agora não, tudo calmamente: arrumar as coisas da casa, um pouco por dia; andar pelo bairro, surpreendendo-me com coisas novas, que eu não sabia que estavam ali; fazer minha própria comida: nunca imaginei que sentiria tanto prazer nisso; ler o investimento de minha vida, centeeenaass de livros que comprei pensando nisso: quando eu parar, quando eu aposentar; replantar minhas plantas; dormir 8 horas por noite sem culpa. Nestes últimos 5 dias tive tantas boas experiências, sensações, sentimentos, que gostaria que esse momento nunca passasse.

Eu mesma acho difícil esse “namoro” perdurar, afinal vida de aposentado é dura, gente! Como é dura! O dinheiro é contado, tem de ter muito controle e cuidado para não ficar desprovido lá na frente.  Por enquanto o impacto nessa área não se mostrou crítico, afinal recebi salário de gente grande até meu último dia de trabalho e já cortei um monte de coisas (dos dias da faxineira, a cartões de crédito, além de assinaturas de publicações que lia por cima, e por aí vai).  Felizmente S. Paulo também oferece muita coisa boa de graça ou a bom preço. E para quem tempo…é uma beleza.

Hoje, por exemplo, pude, após meses da aquisição por meio de um clube de desconto, ter minha primeira massagem ayuvérdica (http://www.lanaai.com.br/clinica.php). Uma coisa louca! Bom demais! Depois, calmamente fui ao Inst. Tomie Ohtake ver a exposição Ponto de Equilíbrio (http://www.institutotomieohtake.org.br/programacao/exposicoes/equilibrio/equilibrio.html): de graça. Meio irregular, mas algumas obras são muito interessantes:Setamancos, Fontana (ótima!), Não há lugar para o tempo, além da Brasília que está à frente do Instituto.  Enfim, valeu ver.  Depois almocei no La Manduca, na Pedroso de Morais mesmo.  Um quilo simpático, agitado, com bom preço e bom atendimento.  Depois café na Fnac, compras para a casa, e home sweet home. Sóóóó…

Amanhã tem mais, e depois, e depois, e depois. Disso depende minha saúde, minha sanidade, meu humor, minha auto-estima, então não dá para descuidar. Claro que haverá dias de ficar em casa, de relaxar, e olhar para mim (e eu me dou muito bem comigo mesma, para minha sorte), ouvir minha musiquinha, ler meus queridos livros.  Coisas que sempre fiz maa com um olho no pouco tempo, no prazo.  Agora é/será diferente.  Que bom!  Foram décadas, muito mais do que os 36 anos de trabalho. Antes disso, mais de uma década de estudo, levantar cedo, fazer cursos diversos, lição de casa, estudar muito, como tantos que me leem.  Felizmente, a matemática ficou clara para mim, então não tenho dúvida, minha hora chegou. Quanto vai durar? Isso não sei. Vou dar tempo ao tempo e ver o que o futuro me oferecerá.

Agora, se alguém cantar esta musiquinha para mim, vai ter morte!!!

http://www.youtube.com/watch?v=kgwAs_oLQdc

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