Escrever para viver!

Tudo que der na telha e que eu achar que vale a pena

16

de
setembro

Para uma quarta foi de bom tamanho

Começando pelo começo:  Amor à distância (http://www.imdb.com/title/tt1322312/)/Going the distance (o título em português ficou muito bom desta vez).

Um filme levinho, água com açúcar, que trata das dificuldades de um relacionamento à distância. Aliás, dificuldades não, mas que, dependendo de como o assunto é levado, pode dar certo ou não.  Pode até ser o jeito ideal de se relacionar.

Os atores, Drew Barrymore e Justin Long, estão bastante bem.  Na verdade, nunca gostei muito da DB. Acho que ela é sempre a mesma coisa. Única exceção, quando fez As Panteras.  Enfim…o JL é bom, só que fico incomodada de vê-lo, pois me lembra o tempo todo o Keanu Reeves (que eu adoro). Sabe aquela coisa de pessoa fora de lugar?  De todo jeito, gosto bastante dele.  Não acho que seja um atorzaço, como o KR tambén não o é, mas é simpático, carismático, bonito (o KR é mais).

O filme trata de um casal que se conhece por acaso, começa um relacionamento sem compromisso, mas aí se dão bem, passam a gostar um do outro. Senãozinho: o rapaz mora em NY e a moça em S. Francisco.  Além da distância colossal, tem o fuso horário também. Bom, entre idas e vindas dá tudo certo (desculpem-me mas acho que vocês sabiam disso mesmo antes de eu dizer; eu sabia desde o começo do filme, então…).  Tem aquelas coisas de um se sacrificando pelo outro, abrindo mão de sua carreira pelo outro, e por aí vai.  No final é isso mesmo: relações próximas, ie., de todos os níveis sob o mesmo teto, pressupõem emudecer, aceitar, doar, conformar-se, surpreender-se (nem sempre positivamente), descobrir, etc., etc., etc..  E nem preciso dizer que quando há dois envolvidos sentimentalmente sempre um gosta mais do outro do que o outro do um, portanto acomodações e sacrifícios são imprescindíveis para a coisa fluir ou sobreviver. Alguém sempre perde alguma coisa.

Bom, e não pude evitar de rir com uma cena prosaica, comuníssima: o JL correndo para falar com a DB antes de ela embarcar para casa.  Você já viu alguém correndo pelo aeroporto para fazer isso?   Acho que se a gente vir alguém correndo desatinadamente pelo aeroporto vai começar a correr também (é assalto, terrorista, algum lunático…).   Não viajo tanto assim, mas tenho amigos que viajam muito.  Vou perguntar para eles, depois conto.  Não estava na hora de as comédias românticas arrumarem outro tipo de sequência?  Bom, de todo jeito ainda funciona. A gente até torce um pouquinho para o encontro vingar.

Filminho despretencioso. Se não tiver a fim de pensar, só de rir, ver gente bonita, pode ir tranquilo. Ah, e a trilha sonora é bem legal também!

Depois fui conhecer A Chapa (http://www.achapa.com.br/site/default_noite.asp). Nominho danado de esquisito. Parece que a gente vai comer em uma daquelas peruinhas de cachorro-quente, ou alguma barraquinha na rua, mas não. Pelo menos a casa da Melo Alves (olha o ponto, gente!) é grande, tipo diner americano, com sofazinhos e tudo, só que mais limpinho e clarinho que os de lá. Pedi um sanduichão (garden monsterburguer ou algo assim).  Estava muito bom!   Deem uma olhada no site (link acima). Bacana!

Eles têm um cardápio superextenso; é até difícil de escolher e parece que tem muita coisa gostosa.  As fritas que acompanharam meu sanduíche eram fantásticas.  A única coisa (as usual…) é o serviço. Embora educadinhos, não ilustram a gente sobre os pratos (acabamos pedindo uma batata individual a mais, quando não seria necessário. O garçom poderia ter dito que o que vinha com o prato era mais que suficiente). Além disso, todos estavam bem amarfanhados. Parecia que estavam com aquela roupinha havia muito tempo. Sabe aquela coisa de gente cansada, com caras cansadas, triiisteees…ainda bem que a comida é boa, senão acaba desanimando a gente.  Como mencionei, fazem o que têm de fazer, mas dá a impressão de que estão em sofrimento, in agony (acho esta expressão em inglês linda demais!). Talvez com o sapato apertado, ou a unha encravada, ou …De todo jeito, vale visitar. Ontem, talvez por ser quarta, estava bem vazio lá pelas 20h30. E para arrematar e alegrar (aquela tristeza do pessoal da chapa me abalou…), um sorvetinho do Häagen-Dazs (http://haagen-dazs.com.br/) da OFreite. Muito bom!

15

de
setembro

Enfim!

Sabem que eu nunca tinha pensado na implicação positiva da palavra dita assim?  Que coisa!  Vou usar mais. Repitam comigo: enfim!  enfim!  enfim!  Dá uma alegria, uma paz, uma sensação de “achievement”. Dá para suspirar…

Enfim! Enfim! Enfim! Enfim!  Ai, que delícia…


Pois é, só percebi o positivo da expressão lendo o título e assistindo ao filme Enfin veuve! (
http://www.interfilmes.com/filme_20864_Enfim.Viuva-(Enfin.veuve).html) (milagre: tradução literal! Viram como é fácil?).

É a história de uma mulher que por um golpe de sorte, digamos assim, torna-se viúva e tenta viver a vida como acha que tem de ser. Claro que não é tudo uma maravilha. Surpresas de monte pelo meio do caminho, e o fato acachapante de que a vida é mais forte do que a gente, ou as circunstâncias, ou as situações, ou as pressões sociais/ institucionais/familiares.

Hay que tener! para escapar das imposições comuns, diárias, que sacrificam, escravizam, deixam as pessoas infelizes.  Mas como a humanidade só está aí  vivinha porque é facinha, adapta-se, o que quer dizer que se acomoda de alguma maneira, muitos aceitam, engolem, criam calos, e continuam sem viver a vida como creem que deveriam, poderiam, mereceriam.  Pena, porque o Shangri-lá (http://pt.wikipedia.org/wiki/Shangri-La), que é bem tangível, factível,  está na ponta de nossos dedos.


Voltando: é um divertido filme francês. Fotografia linda, atores (Michèle Laroque, Jacques Gamblin e Tom Morton) em grande forma, música boa (filme francês geralmente tem boa trilha - um pouquinho do filme aqui:
http://www.youtube.com/watch?v=eZf3d_bj7MI). Roteiro inteligente, leve, sem ser piegas. Aliás, a discussão do “ai, se eu tivesse”/”ai, se eu pudesse” não é exatamente original, mas bem interessante e contundente.

Risadas com conteúdo. Um filme para ver a qualquer hora.

Aleatória:  vi o filme no Belas Artes.  Vazio, claro, afinal 3a. feira, 18h30 não dá para ser diferente.  Sala 1. Mal deu tempo de o pessoal da sessão anterior sair, limparam rapidinho (até aí tudo bem, devem ter saído umas 10 pessoas) e a minha sessão entrou. Terminou o filme a que eu assistia, imediatamente, mesmo antes de acenderem as luzes, um funcionário se posta embaixo da tela, encarando a plateia. Por quê, por quê, por quê?  Eu adoro ler os títulos, ver as músicas, etc., etc.  Isso é parte do filme, da sessão. Tem gente que gosta de ver essa parte, sabiam? Eu, por exemplo.  Mas com o funcionário encarando a gente, batendo o pé, fica difícil…Não custava as companhias de cinema se programarem melhor, deixarem a sanha pelo ganho de lado, e ensinar aos funcionários o que é cinema de fato, o respeito ao que está na tela e sentado nas poltronas, porque, obviamente, eles nem imaginam.
Depois os cinemas fecham, têm problemas, etc., e não sabem por quê.

12

de
setembro

Pra quê? Tudo passa

Fui ver Corpo Vivo (http://www.estadao.com.br/noticias/arteelazer,corpo-vivo-o-novo-espetaculo-de-ivaldo-bertazzo,607478,0.htm) (http://www.sescsp.org.br/sesc/programa_new/mostra_detalhe.cfm?programacao_id=178462) de Ivaldo Bertazzo (http://www.ivaldobertazzo.com.br/escola/tecnicas2.html) no SESC Pinheiros.  Fantástico! Criativo, plástico, divertido, inteligente, surpreendente em muitos momentos. Quase duas horas passam voando!

O espetáculo é resultado de uma vida de pesquisas sobre o corpo, movimentos, olhar sobre os animais, sobre o desenvolvimento de homens e animais, sobre o envelhecimento.  Pois é, tudo passa mesmo.

Rubens Caribé está ótimo e tem a mezzo soprano Regina Mesquita, que está maravilhosa.  São 17 bailarinos (8 moças e 9 rapazes) que têm uma grande oportunidade: a oportunidade de aprender com IB e de mostrar seu talento para muita gente/muitas audiências.  O espetáculo é uma sucessão de plasticidade, de criatividade. Beleza e surpresas sem parar.  Músicas de Dvorák, Paulinho Nogueira, Piazzolla, entre outros, tudo com roupagem de Rubem Feffer, que assina várias músicas também.  Super!

Foi minha primeira vez nesse auditório do SESC. Bem grande, deve dar uns 800 lugares ou algo assim. Palco privilegiado, cadeiras confortáveis, som/acústica ótimos.  Uma casa digna de receber um espetáculo tão bonito.  Nunca tinha visto um espetáculo do IB. Os anteriores, apesar de me parecerem muito interessantes, sempre aconteceram ou em lugares que me desestimularam, pela distância/acesso, ou aconteceram em períodos em que não deu para eu ir.  De agora para a frente acho que vai ser difícil perder em paz.

Não acompanho espetáculos de dança, mesmo se viajo, então não tenho referência quanto ao que é novo de fato no que IB faz. Só tenho a referência por tudo que já vi durante minha longa vida. E digo que vale muito a pena. O trabalho do bailarino/coreógrafo é grandioso técnica e socialmente.

Alguns comentários aleatórios: antes do início do show, enquanto lia o programa, ouvia conversas à volta e olhava um pouco o público. O público na maioria desses espetáculos é composto, normalmente, de mulheres (80%) e crianças/jovens (10% máximo).  Homens, pouquíssimos. Mais de 50% está acima dos 40 seguramente.  E sobretudo as mulheres é que vão a tudo (teatro, debates, palestras…). Como dizia meu pai: são sempre os mesmos, o que é uma pena, pois o acesso aumentou, as oportunidades de ver coisas tão fantásticas (o SESC é um forte promotor de acesso cultural), mas a recorrência de jovens ou de pessoas de níveis diferentes, que normalmente não vão a esse tipo de espetáculo, não cresceu na mesma medida. Vamos continuar sendo sempre os mesmos, parece-me.

Outro aspecto interessante: os bailarinos foram se posicionando no palco, na verdade iniciaram o espetáculo antes dos 3 toques.  A maioria do público já estava no teatro, mas muitos nem notaram aquele monte de bailarinos se movimentando ali na frente. Um barulho, um ruído! Como ouvi uma vez: essa gente não fala, grita. Impressionante!  E vejam que é um público relativamente seleto.

O SESC fica perto de casa, dá para ir andando. 10 minutos de caminhada tranquila. Mas, ooooh, caminho feio. Um dos mais feios que se pode imaginar.  Fizeram o novo metrô Pinheiros no meio do caminho, mas é só concreto. Dá a impressão de que se está em um deserto. A administração míope não plantou uma florzinha, um arbusto, um verdinho! Só concreto. Será que depois vão quebrar aquelas plataformas para plantar? O lugar era feio e continua feio. Só está um pouco mais limpinho. Pena mesmo.

Bem, se puderem vão ver Corpo Vivo. Imperdível!

11

de
setembro

Momentum II

Como mencionei no post de 29/8 (http://mskeller.blog.terra.com.br/2010/08/29/mirei-em-um-e-acertei-em-dois/), pensei em ver a exposição de Magnelli hoje (termina amanhã, se não me engano). Mas de novo: preguiça absurda! Fui mais cedo ao Parque do Ibirapuera  (logo depois do cinema), mas e quem diz que eu tenho forças de ir até o MAC, ali mesmo, pertinho?

Como sempre digo: somos as escolhas que fazemos e não dá para ganhar todas/ter tudo. Enfim, preferi tomar um café, comer um bolinho, sentada no restaurante do MAM, olhando para o parque, num dia lindíssimo.Ver um molequinho lidar com seu microcão, que deve ter ganhado faz pouco. Quase meia hora admirando as peripécias, brincadeiras dos dois. Que delícia!

Magnelli terá de ficar para uma próxima, infelizmente.

Aí fui ver o Coro Luther King. Hoje tinham vários convidados: Davide Rocca, barítono de Milão; Roberto Mingarini, pianista de Gênova, e um tenor iniciante, Jean William, que, segundo o maestro Martinho Lutero Galati - diretor do coro, é uma promessa de tenor nacional, de grande valor. Tomara!

Hoje o coro participou pouco, em 3 números apenas, mas com o brilho de sempre. Impecável! Foram sobretudo partes de óperas conhecidas de Mozart, Donizetti, Verdi, e obras de Debussy, Chopin, Schumann ao piano.  Um espetáculo maravilhoso! Incrível como o coro, sua direção, consegue apresentar espetáculos maravilhosos, com uma postura descomplicada, respeitando a plateia desde o horário de início (pontual), até obras e  convidados escolhidos.  Os espetáculos, em geral, são de uma hora e quinze minutos, ie, não cansam e maravilham igualmente.

Próximo espetáculo: 23 de outubro. Se puderem, não percam!

Ah, e para arrematar: peguei outro taxista, na Paulista (não na Xiririca da Serra), que não sabia onde era a Oca! Tive de dizer para descer a M. da Nóbrega, até o monumento do empurra, e dali explicar o caminho. É mole?? E ouço a presidente da Embratur, em entrevista, dizendo que é preciso fomentar, fazer com que conheçam o país, etc. Como, se na maior cidade do país, do continente, o despreparo grassa, e em outros lugares a coisa é pior ainda, com raríssimas exceções.  O pessoal que supervisiona, ou deveria, atividades essenciais ou não,  é ruim de base, de arregaçar mangas, de pensar e planejar, de exigir e conferir, de processo.  E vai ter Copa em 2014? Tá bom…

11

de
setembro

Momentum I

Como mencionei no post de 8/9 (http://mskeller.blog.terra.com.br/2010/09/08/nostalgia-gastronomica/), estava pensando em ir a alguns restaurantes conhecidos até o final da edição atual da Restaurant Week. Então ontem liguei para o Casinha de Monet e fiz até reserva para hoje, 12h.  Cedo, não acreditava que a casa estivesse cheia nesse horário, mas não gosto desse tipo de surpresa, desorganização, bagunça, ie., perder tempo tolamente, tempo que pode ser empregado em coisas mais interessantes do que amargar fila em qualquer lugar.

Falei com uma funcionária da casa, dei meu nome e celular.  E lá fui eu hoje para o restaurante. Vejam que no arquivo pdf da RW o endereço que consta é o da Francisco Leitão e foi disso que me vali para reservar e ir aos todos os restaurantes (http://www.restaurantweek.com.br/BX_guia-SPrw.pdf).  No entanto, se se entrar na versão on-line o endereço é outro. Como é que pode, gente? Tudo bem que o restaurante pode ter mudado recentemente, então coloquem um gigantesco aviso no site. Além disso, um arquivo pdf se muda em 5 minutos e se pode postar o correto em 2. Claro que o restaurante também não foi muito proativo. Recebendo o livrinho impresso para participar de um evento dessa magnitude,  qual a primeira providência? Checar se os dados estão corretos. Se não estiverem, isso pode prejudicar a participação no evento. Mais, por que não orientar todos os funcionários que atendam o telefone a reforçar que o endereço é outro? Principalmente porque, aparentemente, o telefone é o mesmo do antigo endereço, os livrinhos da RW estavam impressos e distribuídos pela cidade.

Além disso, o site do próprio restaurante (http://www.casinhademonet.com.br/home/) está com o endereço errado/antigo.  Aliás, já me aconteceu algo bem folclórico com esse restaurante: após a versão  do segundo semestre do ano passado, se não me engano, passaram a realizar alguns eventos interessantes (cardápios especiais, com harmonização de bebidas, ou algo do gênero). Eu mesma fui a vários.  Creio que no primeiro, recebi o informativo via e-mail. E toca ligar para o telefone que estava no e-mail de divulgação para fazer reserva. O tal e-mail deve ter sido enviado a sei-lá-eu quantas pessoas e nada de o telefone responder, dava aquela mensagem de não existe.  Cansei, liguei o micro e entrei no site. Adivinhem: o telefone que tinha sido espalhado pelo mundo estava errado.  Como eu tinha o e-mail impresso levei-o comigo e entreguei a um dos responsáveis pela casa. Eles não haviam percebido o equívoco. Como se vê, a coisa é meio endógina por ali.  Mas o restaurante tinha ótimo cardápio, um serviço bem razoável. Imagino que continue assim apesar dos tropeços de ordem operacional.  Um dia desses vou visitar a casa nova, pois ficou até mais perto agora para mim.

Portanto, mudança de planos: fui ao La Marie (http://www.lamarierestaurante.com.br/site/index.asp), pois estava perto dali, e queria mesmo visitá-lo. Sem surpresas desagradáveis, felizmente. Pelo contrário: ambiente tranquilo, bonito, serviço bastante bom, como sempre, pratos ótimos.  Ah, e a quem interessar possa: o La Marie tem um cardápio vegetariano durante a RW (isso já aconteceu na edição passada do evento).  Bem, acho que não vai dar tempo de ir a outro restaurante até amanhã, pois tenho outros planos/compromissos.  Mas valeu pelos que visitei semana passada, sobretudo.

Aí fui ver um filme que estava querendo assistir há um tempinho: Reflexões de um liquidificador (http://www.reflexoesliquidificador.com.br/). Tinha visto o trailer umas duas vezes e achei que seria bem divertido. Além disso, tem a participação do Selton Mello, que eu adoro,  como liquidificador. Isso mesmo!  A Ana Lucia Torre e o Aramis Trindade também estão ótimos! A trilha sonora é uma delícia, com orquestração supimpa. No mais, uma coisa bem rasinha em termos de cenário, fotografia, mas tudo bem, valeu pela trama e pelas performances.  Uma delícia de filme! Lembrou-me um pouquinho de Estômago, pela crueza de umas cenas, mas eu diria que 90% é levinho, divertido, sagaz.

É a história de uma mulher que dá queixa do sumiço do marido e começa a ser investigada como principal suspeita. Muitas surpresas pela frente…E o liquidificador é um fofo!

Antes do longa, foi exibido o curta Saliva (http://filmescopio.amplarede.com.br/2010/04/saliva-2007-de-esmir-filho/). Bem legalzinho, simpático, retratando a ansiedade, as dúvidas referentes ao primeiro beijo para uma menina. Bem bacana! Mas o que achei interessante foi que, nos créditos finais, a lista de motoristas é maior que a de atores!  Quando passaram os créditos finais de Reflexões prestei atenção de novo. Como tem motorista nas produções nacionais, comparativamente a atores, técnicos,  e outras categorias envolvidas! Vou começar a prestar atenção nas produções estrangeiras para ver se é proporcionalmente a coisa se repete.  Cada uma!

10

de
setembro

Guerreiros também precisam descansar

E havia chegado a hora. Ela veio bem tranquilamente, muito mais do que Uma poderia imaginar.  Num primeiro momento,  aparar o golpe, depois assimilar o golpe e por último digeri-lo completamente. Não foi tão difícil, quem diria?  O tempo ajudou. O processo foi bem mais longo do que o esperado, isso fez muita diferença.  O que era incerteza e, claro, um pouco de ansiedade no princípio passou a acomodação, ou conformismo.  E não foi negativo, não.

Como muitos, Uma não enxergou inicialmente que o tempo tinha chegado. Tempo de repousar, de baixar expectativas, de se acomodar mesmo.  Acomodar é tão feio…não! Tempo de cuidar de sua vida com calma. Isso! Melhor!  Porque era isso que estava pensando em fazer.  Tantas décadas (décadas mesmo) de esforço, de finais de semana trabalhados, de foco no trabalho, no outro, no compromisso.  Tantos carnavais no batente (nos últimos 17 anos tinham sido pelo menos 9), de férias quebradas, mais curtas do que gostaria e seria aconselhável (várias vendidas, pois não daria mesmo para gozá-las), montes de feriados e pontes (previamente compensadas) foram para o limbo.  Só com algum tempo para refletir é que percebeu a matemática.  Estava na hora, e seria muito bem-vindo o momento de depor as armas. Claro! A vida é uma luta, gente!

Sua vida tinha sido pautada por ritos de passagem. Pautada = enriquecida + alterada. Desde criança: comunhão; um castigo paterno mais severo; sofrimento da mãe pela morte da avó; desentendimento com colegas de escola; aprovação na faculdade; primeiro emprego; descobertas sentimentais, sexuais; novos empregos; morte da mãe; mais brigas; travar conhecimento com amigos para a vida; reencontrar amigos de uma vida. Esta era só mais uma ruptura ou mudança no curso da vida.

Outros aspectos pessoais foram se modificando, pouco a pouco. Engraçado que ela percebia.  Muitas vezes a gente muda e nem percebe.  Entra num turbilhão, numa espiral, e perde a visão de si mesmo, ou de si em relação ao mundo.  Mas com Uma tinha sido diferente. Nem melhor, nem pior, só diferente.  E até que estava gostando das novidades. Olhar o mundo com mais calma; dar de ombros para pessoas e situações, o que era impensável antes; não se preocupar em responder de imediato a anseios, consultas, solicitações alheias, como faz 99% da população mundial.  Que progresso!

O comprometimento já não era tão pesado. Já não se importava se alguém combinava e descombinava, dizia e desdizia, tinha arroubos e depois arrefecia, atitudes impensadas, vazias. Passou a olhar o mundo sem as  exigências que dedicara a ele por toda a vida, porque também passou a se importar menos com ele.  First things first! Sua energia tinha de durar para o resto da vida.

E repassava pessoas a sua volta sabendo que, no momento em que cruzasse o portal da empresa pela última vez, muitos desapareceriam de sua memória para sempre (felizmente!), outros continuariam gravados no coração, e outros nem fu, nem fá.  A vida é um tsunami de vez em quando.

Naquele dia, aguardando Outra, Um e Outro para um lanchinho e uma conversa, quase uma comemoração pela aposentadoria, lembrou-se de um filme de que gostara muito: Peter’s Friends (Para o resto de nossas vidas) http://www.imdb.com/title/tt0105130/ dirigido por Kenneth Brannagh, com Stephen Fry, Emma Thompson, Hugh Laurie, e com uma trilha sonora ótima!  Um homem que reúne os amigos de colégio para contar-lhes que está com Aids e vai morrer. E como aquelas pessoas todas mudaram em alguns anos! Eram quase estranhos! Mas ainda assim a reunião valeu por alguns que estavam presentes.  Pois é, nossa liga da vida ou pela vida acontece com pouquíssimas pessoas. Isso é inexorável.  Com essa coisa de networking perde-se facilmente isso de vista, e há quem carregue esse equívoco pela vida com escolhas equivocadas. Quando se percebe, lááá na frente, é muito tarde.

Bem, já passavam 10 minutos do horário combinado. Já tinha tomado um drink e comido uma coisinha para acompanhar. Deu uma olhada no celular.  Uma mensagem de voz, dois torpedos.  Todo mundo atrasado, todo mundo dizendo que chegaria, todo mundo frenético. E frenesi, principalmente o alheio, consome muita energia.

Olhou para os lados, chamou o garçom, pediu a conta, pagou, e saiu.  Sem recado, sem justificativa, sem culpa. Em paz!

8

de
setembro

Nostalgia gastronômica

Noossaaa, esse título ficou demais! (oooh, modéstia…)

Bem, como escrevi no post de 2/9/2010, nesta Restaurant Week estava com vontade de revisitar lugares que já conhecia, que estavam no evento, e aos quais não ia há bastante tempo.

E é o que tenho feito (tenho, porque ainda não terminou e quero ver se dá para ir ainda ao La Marie, Emprestado e ao Casinha de Monet, dos quais também gosto bastante).

Até agora fui duas vezes ao Café Gardênia (http://www.gardeniaresto.com.br/).  Esta foi a primeira vez: http://mskeller.blog.terra.com.br/2010/09/02/tem-quarta-que-mais-parece-sexta-ou-sabado/. A segunda foi durante o feriado. Muita gente, horário de almoço.  Provei o que não tinha experimentado no jantar: entrada -bolinho crocante de arroz com queijo (igual o da minha mãe), arroz de cordeiro com castanhas e hortelã e sobremesa: semiffredo de café - um pouco durinho demais, mas bem saboroso. Tudo muito gostoso.  O atendimento é muito simpático, atencioso, mesmo com a casa lotada.  O sabor dos pratos estava ótimo.  Pedi também uma caipirinha de lima/limão com saquê, pois estava friozinho. Estava igualmente boa.

Depois foi a vez de voltar ao Le Petit Trou (http://mskeller.blog.terra.com.br/2010/09/04/o-bom-filho-a-casa-torna-2/) para almoço.  Pedi ratattouile, sobrecoxa desossada ao vinho (saborosíssima!), torta quente de manga com ganache e calda de maracujá, e, claaarooo, uma caneca se sidra nacional.  Também voltei para o almoço.  O restaurante abria às 13h, quando cheguei (13h10) já estava lotadaço.  O pessoal estava um tanto perdido, o serviço caótico, tive de cobrar as entradas da minha mesa, mas depois a coisa azeitou.  Não comi o cocq à la cidre, não. Deixei para fazê-lo em outra oportunidade, mais tranquila.  Mas foi muito bom ter retornado ao lugar.

E por fim, Vinheria Percussi (http://www.percussi.com.br/). Fui no jantar. Para mim, a Vinheria em RW ou fora dela é outstanding em muitos aspectos. O cardápio é cuidadíssimo, o ambiente é bonito, agradável, acolhedor, a brigada da casa é bem treinada, sabe fazer seu trabalho.  Fiquei com a torta de tomatinhos e com salada, massa fresca recheada de abóbora na sálvia e manteiga, e torta e ovos e amêndoas. E uma tacinha de vinho que ninguém é de ferro.

Vejam que mesmo sendo RW, nenhuma conta fica por menos de $60 ou 70/pessoa (incluídos: água, refrigerante, serviço, taça de vinho/caipinha/cidra,café).  S. Paulo está caríssima para se comer.  De qualquer forma, valeu muito ter voltado em todos esses restaurantes.  Se fosse com os preços normais, não teria ficado por menos de $90 ou 100, ou até mais, dependendo dos pratos escolhidos.

Vamos ver se dá para para ir a mais algum/alguns.

Até o momento, tem sido uma edição nostálgica da RW, com lugares conhecidos, reconhecidamente bons, então não teve erro. Deu tudo certo até agora.

7

de
setembro

Lindo, mas leeentooo

Um filme lindo. Esse menininho aí da foto (Bora Altas) de seis anos é inacreditável. Bem, o diretor (Semih Kaplanoglu) também é admirável, afinal foi ele que tirou tudo o que menino podia dar.  O filme Bal (http://www.imdb.com/title/tt1571724/) (http://mubi.com/films/23961), por aqui Um doce olhar (http://www.redebrasilatual.com.br/temas/entretenimento/um-doce-olhar-retrata-a-perda-da-inocencia), tem uma fotografia linda, mas não tem uma musiquinha, nem o som de uma corda de violão estourada.  É bem escuro em muitas partes, aproxima-se, num certo sentido, de um filme mudo, mas não falta sentimento,não falta dramaticidade, não falta profundidade.

Agora, não faça o que eu fiz: almoço com amigas, dormir um tiquinho, acordar para ir ao supermercado e ter a brilhante ideia de conhecer o Cine Sabesp (ex-Uol, ex-IG, ex-da Vila), que fica ao lado do supermercado, e ver o filme.  É que num dia frio, chuvoso, meio sonolento, ver um filme tão lento, tão silencioso, tão profundo pode ser um desastre.  No meu caso só não foi porque eu adoro cinema e sou teimosa demais.

Bom, primeiro a sala reformada, e com novo patrocínio.  Está muito bem. Parece que reformaram as poltronas, deram uma pintura, ajeitaram algumas coisas no hall, nos banheiros. A tela da sala sempre foi boa.  A bilheteria, o café, parece que estão iguais.  O importante é ter essa sala tão perto de casa e que me traz tantas recordações (http://mskeller.blog.terra.com.br/2010/08/14/malvada-sou-eu/).

Agora o filme: silencioso, escuro, leeentooo.  Mas não menos bonito e comovente. Um menino de 6 anos, que vive com os pais no interior da Turquia.  Vive modestamente, mas bem: casa boa, comida na mesa, roupinha bem cuidada, educação/escola com uniforme, material e tudo.  Mesmo com pouca comunicação vê-se o amor dos pais, a paciência com o menino.

O menino (ator) é uma coisa! Olhos que dizem tudo! Eloquente, sem dizer palavra.  O pai vive de colher e vender mel, têm uma propriedade que cultivam (a mulher), o menino é só, solitário, fala baixinho, mas olha de um jeito incisivo.  Impressionante o que o menino dá em emoção, i.e., o que o diretor conseguiu tirar dele. O molequinho tem problemas de integração com os amigos, tem dificuldades na escola, mas faz seu dever de casa, obedece os pais, aliás idolatra o pai, com quem ele tem o único e verdadeiro diálogo.   Como mencionei, a fotografia é linda, mas não tem uma musiquinha para dar um clima.  Um poema, só que longo e leeentooo.  Ainda bem que o vi, mas recomendo para poucos.

7

de
setembro

Que venha a chuva

Fazia muito tempo que não chovia por aqui (S. Paulo).  O ar seco, olhos irritados, gargantas em fogo, quem tem problema alérgico sofre. Mas, finalmente, veio a chuva como devia. Choveu de madrugada, choveu durante o dia, parou, choveu de novo.  Dá para sentir o ar mais leve, mais puro.  A temperatura também baixou bem, mas que seja, não dá para se ter tudo e a volta de qualidade do ar, nem que limitada, é mais importante para todos.  O interessante é que não choveu tanto assim e apareceram vários pontos de alagamento.  Que coisa…já vão vendo como será a época das chuvas de verdade.  A administração pública não muda, não consegue fazer nada a respeito com competência, não consegue se antecipar.

Bom, aproveitando esses dias frios, feios, a chuva de hoje, fiz um programa light (cinema, claaaroo - próximo blog), dvd em casa (Anima Mundi 6 -http://www.2001video.com.br/detalhes_produto_extra_dvd.asp?produto=17253 ) e exposições no Tomie Ohtake (http://www.institutotomieohtake.org.br/inicio/teinicio.htm).

Começando pelo dvd do Anima Mundi.  Vol. 6.  Procurei outros, mas só este está disponível na praça parece-me. Lá no começo de agosto (http://www.2001video.com.br/detalhes_produto_extra_dvd.asp?produto=17253) fui ao festival. Muito bom, vi 3 sessões lá no CCBB.  Vi lá dvds do festival, mas na hora resolvi não comprar.  Tooontaaa!  Depois de um tempo procurei algum dvd e achei (aliás a Cultura achou para mim) o que acabo de assistir. Uma delícia! Duas produções nacionai, sendo uma (Vida Maria) ótima. Esta produção inclusive, consideradas as devidas proporções, é como Napoli Napoli Napoli (http://mskeller.blog.terra.com.br/2010/09/06/ui-que-susto/). Mostra um círculo vicioso, quase eterno, do qual não se sai sem ajuda, sem atenção estatal pesada. Uma produção russa que é uma pintura, literalmente! É como se um impressionista estivesse fazendo a animação quadro a quadro. Há uma argentina bem curtinha, mas muito interessante; uma americana divertida; uma francesa bem arguta, divertida. Enfim, valeu muito ter assistido ao dvd.  E vale rever.

E hoje fui ao Instituto Tomie Ohtake.  Lá estão Alechinsky (http://pt.wikipedia.org/wiki/Pierre_Alechinsky), gravurista belga que pertenceu ao grupo COBRA (http://pt.wikipedia.org/wiki/COBRA). Interessante. Trabalhos em preto e branco e coloridos. Muita litogravura.  Gostei, sobretudo, da série Le Volturno (um navio).  Depois fui ver Jan Fabre. Eca, eca, eca!  Há até um aviso informando que várias obras não são recomendáveis para crianças. Já viu, né?  Não sou suscetível a esse tipo de coisa, mas é bem disgusting: instalações com animais empalhados, osso, carne, e figuras, quando desenhadas apenas, bem cruas, fortes de mais.  Gostei mesmo foi da série do cérebro (a figura aqui de cima é dessa série). No mínimo divertida.  Leiam este artigo do Estadão (a foto também indica o espírito da coisa): http://www.estadao.com.br/noticias/arteelazer,jan-fabre-a-arte-de-um-belga-fascinado-pelo-grotesco,593709,0.htm.  Eu diria que é modernoso demais para mim, mas tem gente que gosta (o articulista, por exemplo). De todo jeito, valeu ver.

6

de
setembro

Ui, que susto!

Como devem ter lido, o antigo Cine Bombril, ali no Conjunto Nacional, passou a ser patrocinado e a se chamar Cine Livraria Cultura (http://vejasp.abril.com.br/blogs/cinema-filmes/cine-bombril-cine-livraria-cultura/).  Demorou…a Cultura que domina o Conjunto Nacional, no bom sentido, tem uma certa aura, é gostada por paulistanos, paulistas, brasileiros, creio que incondicionalmente, já deveria ter abraçado o cinema vizinho. Até porque ela construiu um teatro dentro do espaço da livraria. Enfim, uma parceria bem-vinda.  Verdade que a Bombril fez uma tremenda reforma no cinema, deixou-o tinindo, com as poltronas mais confortáveis de SP (só não vale comparar com aqueles cines estrelados de shoppings que cobram mais de $50 pela entrada), mas a Cultura foi lá deu uma arrumada, e está tudo no lugar, ou quase.  O cheiro de esgoto às vezes sobe para a área do cinema.  Verdade que as duas salas ficam para baixo do nível da rua. Talvez seja isso, mas não posso crer que nos dias de hoje, com toda tecnologia disponível (lembro que brasileiro já foi ao espaço) não se consigo dar um jeito nisso. Enfim…vamos ver.

Agora o baque foi não encontrar o Sr. Roberto, aquele funcionário de décadas do cinema.  Perdi o chão, meu ponto de referência.  Quase tive uma crise…e olha que eu não tenho crises!  Na verdade, fiz questão de ir ao cinema ali para checar se o funcionário estava lá ainda.  E não estava!  Mas me disseram que ele só estava descansando, que deveria voltar em outra posição. Bom, para garantir, já mandei um e-mail para a Cultura: Queremos Sr. Roberto, queremos Sr. Roberto…Tomara que ele volte mesmo, senão minhas referências vão ficar abaladas.

Bem, acabei vendo Napoli Napoli  Napoli (http://www.imdb.com/title/tt1489223/).  Um filme bem interessante, feito por americano, filho de napolitano, que é uma mistura de documentário e ficção (http://cinema.uol.com.br/ultnot/2010/09/02/em-napoli-napoli-napoli-ferrara-faz-especie-de-geografia-da-violencia.jhtm). No começo é até engraçado: nas primeiras cenas a gente pensa o filme é no Rio. Nada contra a cidade maravilhosa, mas que tem o jeitão tem.  Parecem aquelas favelas/cortiços que a gente vê no noticiário diariamente, além de um mundo de gente com armas, montes de homens crescidos flanando, olheiros, ou o que for.  É interessantíssimo ouvir os depoimentos de moradores, de defensores da cidade, até da Prefeita, bem como de gente da Camorra, de gente na prisão, ver a organização carcerária. E fica a sensação de que também ali se perdeu o controle, talvez para sempre. Terra de ninguém, em que a grande maioria pode tudo: drogas, roubo, violência, estupro, agressão, assassinato, jogatina.  Triste mesmo.  Os da terra gostariam de estar longe, mas muitos não podem. Outros poderiam estar, mas não querem: tentam salvar a cidade em que nasceram.  Um industrial da região diz que “fugir não é a solução. A solução é ficar e lutar”.  Bold, não acham?

Não há fotografia bonita, não há trilha admirável, só muita informação e o filme (ficção) dentro do filme, como tantos que já vi, mas ainda assim muito interessante.

Francamente, fora fotos que a gente vê da cidade, não tinha a menor noção de que a situação era assim. O filme é bem recente e feito por alguém imparcial, teoricamente.  Vale ver e tremer. A gente não chegou lá, e tomara que nunca cheguemos, pois me dá a impressão que é viagem sem volta.

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