Escrever para viver!

Tudo que der na telha e que eu achar que vale a pena

30

de
setembro

“A vida nunca é fácil para aqueles que sonham.” ( Robert James Waller )

Finalmente fui ver o filme A Origem (Inception - http://www.imdb.com/title/tt1375666/) (dic. Random House - Syn. 1. origin, outset, source, root, conception) com o Di Caprio.

Gosto muito do Leonardo Di Caprio. Não porque ele seja uma figura bonita (é mesmo), mas porque o acho corajoso. Da mesma forma que Brad Pitt, Tom Cruise, Johnny Depp, George Clooney, e mais alguns outros bem apessoados que estão por aí.  São atores, bem como há atrizes, que não se contentam com o fácil. Poderiam ser um Hugh Grant na vida, mas não, preferem o desafio, papéis bem complicados, até de pouca empatia com o público, em que o visual deles não importa, quando não desaparece (caso de BPitt e GClooney em vários filmes: eles se enfeiam literalmente).  Desde  de Titanic, O homem da máscara de ferro, etc., gosto muito de ver a atuação do LDC.

O filme que vi antes deste (Shutter Island - http://pt.wikipedia.org/wiki/Shutter_Island) também me impressionou muito, positivamente.  A Origem (lá no final o Di Caprio diz: a origem de tudo… então, tá vendo a lógica do título? Brincadeira, é tradução quase literal desta vez) é mais complexo, menos verossímil, talvez, mas uma grande produção. Aliás, grande de comprida também. Não precisava ter a duração que tem.  Há alguns diálogos tipo “mumbo jumbo” que poderiam ser reduzidos, sem perda de conteúdo ou sentido. De todo jeito, o roteiro é interessante, a fotografia magnífica. Pena que não vi em 3D (passou só em um horário no Imax do Bourbon, mas acho que não era 3D mesmo ou tinha muito pouco), pois algumas cenas seriam fantáticas com o efeito: desintegração de cenários, as cenas na neve, na água, explosões, falta de gravidade, nossa, seria muito legal ver tudo isso no Imax com os devidos efeitos.

É a história de um ladrão de sonhos, i.e., alguém que entra no sonho das pessoas para roubar informações, ou mudar o que a pessoa pensa,  Tudo muito científico, com drogas inteligentes, técnicas de despertar precisas. Um pessoal que ganha a vida assim, desse jeitinho singelo.  Eu aguento?  Bom, a habilidade é usada sobretudo por grandes empresas/conglomerados, espionagem industrial.  E há muito $ em jogo.  Mas tudo toma rumos diferentes quando LDC aceita um trabalho que poderá lhe dar a chance de rever seus filhos e voltar aos EUA. Por que ele tem essas limitações? Só vendo o filme, people, não conto mesmo…

Não só LDC está muito bem, mas Joseph Gordon-Levitt (adoro esse menino!), Ellen Page, Marion Cotillard e  Ken Watanabe estão igualmente muito bem. E Michael Caine tem uma participação pequena, mas notável, as usual.

A trilha é bacana também. Valeu ver.

28

de
setembro

Reflexões de um consumidor

Nem sei por onde começar.   Esse negócio de ficar reflexiva é um tanto confusionista, sobretudo para mim que uso o texto para purgar, fazer aquela terapia baratinha. A gente observa, pensa, processa, e aí tem de pôr no papel para dar aquela descarregada, e nem sempre é fácil, porque se vê tanta coisa, se faz o “reasoning”, o foco fica dividido, e a memória não conserva tudo, por mais que se tente. Consome, viu?! Mas eu adoro!

Vamos lá! Da mesma forma que no blog de 24/9 (http://mskeller.blog.terra.com.br/2010/09/24/reflexoes-de-um-passageiro/), vou itemizar observações recentes, tanto boas quanto ruins, para ficar mais fácil:

  1. tenho recorrido aos sites de desconto, porque representam um bom custo/benefício. Bons restaurantes, sobretudo, a preços bem acessíveis.  Mas bateu um medinho lá atrás: (1) será que o site não vai deixar a gente não mão? Afinal, por menos que seja, a gente paga antecipadamente parte ou o total da despesa, dependendo do caso; (2) por ser um preço bem abaixo do que o estabelecimento pratica habitualmente, será que as restrições, além das regras divulgadas na hora da compra, não serão maiores? Será que não vão tratar a gente muito mal, por estarmos pagando bem menos? Surpresa!!! Imagino que dois fatores tenham trabalhado em favor desse tipo de atividade até o momento: (a) os sites têm seus cuidados ao escolher os negócios que participam das ofertas e devem orientá-los sobre como atender, problemas que não podem ocorrer, etc.; (b) surpreendente entendimento das empresas/negócios (pelo menos onde estive até agora e estive em vários) de quanto esse tipo de divulgação é barato, conveniente, dá retorno real/mensurável,  mas que, se mal trabalhado, pode afastar o cliente de forma incontornável;
  2. prestação de serviços: não tem perdão, gente! A coisa vai de mal a pior. Como sempre digo: tudo é reflexo de uma mão-de-obra sem educação formal, preguiçosa, que, baseando-se em exemplos de cima, acredita que a sorte pode catapultá-la ao Olimpo, sem suor, sem esforço. Uma mão-de-obra que não enxerga a prestação de serviço como algo digno, mas que diminui o indivíduo. Deve ser resquício dos tempos de escravidão, tipo você não é meu dono, eu faço o que quiser, você não manda em mim. Um loucura! Mas só pode ser esse o raciocínio que suporta os comportamentos ou atuações que a gente vê por aí. A pouca eficiência da mão-de-obra também é acachapante: cinco pessoas atrás de um balcão, para servir mal e demoradamente em lugares a que vou para comer amiúde Já mencionei algumas vezes que, nas duas recentes visitas à Europa, fiquei impressionada com fato de uma pessoinha fazer lá o que quatro daqui fazem muito pior. Pois é, temos um problema seríissimo a meu ver, não solucionável a curto ou médio prazo, tal o sucateamento a que chegamos em vários níveis: educação formal, qualidade de vida, valores, postura  quanto a deveres e transparência, e por aí vai;
  3. prestação de serviços estrelada = bancos: aqui também a coisa não é fácil. Como trabalho há décadas com altos executivos, que são clientes mais que top ou prime ou vip, pude observar que nem para essas pessoas a coisa flui bem.  Como sempre digo: para aguentar a “patinação”, falta de comprometimento, a rentabilidade tem de ser cósmica, senão não dá.  E para a gente, então, pobres mortais?  Eu uso banco para pagar continha, deixar um dinheirinho para os gastos, poupancinha (tudo inho e inha, people!).  Mas, recentemente, precisei recorrer ao banco pontualmente e nas duas as informações estavam incorretas (para os executivos com que trabalho/trabalhei isso é recorrente, mas como têm mais cacife o pessoal corre atrás, coisa que não acontece com os simples mortais).  O primeiro caso ocorreu quando tentei pagar uma compra.  Os bancos têm limites para pagamentos cash via cartão de débito, obviamente.  Como pagando cash o desconto era muito significativo, passei o cartão e deu excedente de limite.  Uma vez, duas. Aí liguei para a agência bancária. A mocinha que me atendeu ressaltou a questão do limite e disse: tente de novo, passe x e depois y, que deve dar.  Como assim deve?  Bem, tentei  mas, obviamente, não deu certo.  Aí deixei um cheque para o valor acima do limite, o que acabou resolvendo a questão. Agora pergunto: a mocinha não sabe o limite exato? Isso muda a cada hora?  Foi alterado durante a madrugada secretamente pelo banco?  Tanto não é assim que, ao chegar à empresa, liguei para a agência e falei com a gerente, pois fiquei preocupada. Ela calmamente me disse: Nãããooo, o limite é z.  Eu pergunto: E como sua funcionária informa valores errados e ainda diz para eu tentar que deve dar certo?  Ela: Vou falar com ela. Táá bom…
  • O segundo caso foi a troca do plástico (cartão de débito). Estava descascando bem perto da tarja magnética. Preferi pedir a troca antes que eu ficasse na mão de vez.  Outra mocinha da agência: A senhora tem de ligar para o bankfone, porque se eu pedir a troca aqui, seu cartão atual perde a validade e a senhora fica sem ele durante uns 7 a 10 dias.  E me passou o telefone de contato. Ligo, explico, e o rapaz que me atendeu diz: Como é um cartão múltiplo (débito e crédito), não podemos pedir a troca por aqui, e mesmo que pudéssemos (fosse só de débito), o atual perderia a validade.  Passou outro telefone.  Finalmente consegui pedir a substituição do plástico, sem que o meu perdesse a validade. Três! Três telefonemas para resolver um probleminha besta.  Imaginem os problemões…É de dar medo. Bom, meu novo cartão não chegou. Vamos ver se o negócio funciona de fato, ou terei de partir para o quarto, quinto, sexto telefonema.

Pois é, melhor parar porque os exemplos são inesgotáveis: mau atendimento por todos os lados, ignorância absurda, falta de raciocínio, arrogância baseada na ignorância, valores irreais para pouco resultado/entrega, falta de comprometimento, de visão, de postura profissional (tanto de comandantes como comandados), transferência do que é ruim na base, na origem, para o ambiente e não o movimento contrário.  Enfim, ser consumidor por aqui é padecer no paraíso…Nossa! Agora viiajei!

26

de
setembro

Entre um Chanel e um ravioli, salvaram-se todos

Um dia cinzento e chuvoso, ou choroso. Tem razão de ser: o cine Gemini, ali na Paulista, fecha suas portas (http://blogs.estadao.com.br/jt-cidades/a-ultima-sessao-do-cine-gemini/). Uma tristeza, apesar da opinião de um crítico de cinema.  O Gemini, como tantos outros, faz, ou fez, parte de minha vida.

O Fiametta (assistia a filmes ali quando criança), hoje é o Cine Sabesp (já foi Sala UOL, Cine IG, Cine da Vila), mas está de pé! Ainda bem!  O HSBC, apesar do mau gerenciamento, está de pé. O CineArte, virou Cine Bombril, melhorou muito, hoje é Cine Livraria Cultura.  O Reserva reinventou o espaço que era do Gazeta, Gazetinha. Lota, apresenta programação ótima.  As salas do Unibanco atraem montes de frenquentadores. São todos cines de rua, ou seja, não precisa ser um cine de shopping para dar bons resultados.  Eu, particularmente, prefiro os de rua aos de shopping. Há lugar para esses cinemas, sim. Muito mais charmosos, mais acessíveis, mais cômodos que os de shopping.

De qualquer forma, quem viu, viu, quem não viu, não verá mais. O cinema é uma manifestação interessante de decoração. E a trilha musical? E os docinhos distribuídos a partir de 2005 a cada entrada comprada? Só lá! Maravilhosa! Enfim, saudade Gemini, saudade desde já!

Bom, o jeito foi ir a outro cinema de que gosto imensamente, o Reserva, para ver Coco e Stravinsky (http://www.imdb.com/title/tt1023441/).  Um filme muito melhor do que eu esperava.  Começa pela trilha: Stravinsky. Não gosto tanto assim (sou meio quadrada para música clássica), mas o filme acabou me dando outra visão do músico/maestro/compositor. Guarda-roupa fantástico, afinal é Chanel. Fotografia também. E atores ótimos: Anna Mouglalis como Chanel e Mads Mikkelsen como Stravinsky estão ótimos.  Yelena Morozova, como mulher de Stravinsky, também está muito bem.  A história do affair entre a dama da moda e o grande compositor é tratada de forma bem poética, forte, mas poética. Bem bonito.  Interessante ver a personalidade fortíssima de Chanel (por isso ela foi/é o que foi/é, com certeza), e o gênio criativo de Stravinsky, um operário das pautas…

Vale muito ver. Só está no Reserva e em outra sala menorzinha (não me lembro qual).  Se puder, não perca.

Depois foi a vez de usar mais um voucher dos sites de desconto no Quattrino (http://www.quattrino.com.br/).  Acho que nunca havia estado lá. Conhecia o restaurante de passar em frente, mas nunca comi lá.  Aproveitei o bom desconto para conhecer a casa.  Comi um ravioli com molho de tomate fresco e manjericão. Bem gostosinho. Comi o couverzinho e tomei uma taça de vinho rosé, ambos bem razoáveis.  O atendimento foi muito cortês, rápido, eficiente.  O restaurante é bonitinho, claro, bem agradável mesmo e fica ali na Oscar Freite, ou seja, num ponto ótimo. Não comi sobremesa lá, fui à Stuzzi (http://mskeller.blog.terra.com.br/2010/03/21/dia-de-conhecer-lugares-novos/) para um legítimo sorvete italiano. Delícia! E um café, que ninguém é de ferro.

Apesar do domingo cinzento, com chuva no final do dia, foi uma delícia de domingo.

26

de
setembro

Emoções um tantinho caras

Fui ver o revival do Emoções Baratas, espetáculo de José Possi Neto do final da década de 80 (http://www.estadao.com.br/noticias/arteelazer,jose-possi-neto-estreia-emocoes-baratas,587808,0.htm), ali no Studio Emme (http://www.obaoba.com.br/sao-paulo/balada/pinheiros/estudio-emme).  O show não tem um história propriamente, mas tem um roteiro permeado por músicas, sobretudo de Duke Ellington.

O palco da casa serviu bem ao musical.  Há duas mesas-palco, como nomearam os lugares. As pessoas sentam-se ali e os dançarinos fazem performances sobre as mesas. Bem emocionante, já que há movimentos bem arrojados, de risco eu diria, até saltos sobre a cabeça do público.  A casa foi repaginada, tem menos mesas (eram muitas e ficavam uma em cima da outra quando era o Avenida Clube), os camarotes (ocupamos um) foram totalmente refeitos (uma vez sentei em um deles, quase saí sem condições de caminhar e sentar por um bom tempo tal o desconforto, o desgaste dos sofás/cadeiras).  Deram um bom tapa, não que tenha ficado maravilhoso, mas deu uma melhorada. Faltou um pouco de capricho nos acabamentos, mas ainda assim está melhor.

Diferentemente do título do espetáculo (Emoções Baratas), o preço do espetáculo é bem salgado: $80/sábado.  Verdade que os figurinos são muito bonitos, tem uma banda completa (os Heartbreakers do simpático G. Stroeter), uns 10 bailarinos, duas cantoras, todos ótimos, azeitados, precisos, mas $80 é um tanto caro para a casa e para o show em si.

O show começou meio lento, o ritmo era irritantemente lento, mas depois de uns 10 minutos o espetáculo fluiu melhor. Lá pelo meio, ralenta de novo, perde o pique. Mas no geral é um bom espetáculo: boa trilha, boas performances tanto dos bailarinos quanto das cantoras, e dos músicos.  São aproximadamente 90 minutos, com mais altos que baixos.

É um espetáculo de performances, ou “construção de imagens”, como definiu seu criador (JPossi Neto).  Não vá esperando uma história quadradinha, um roteiro mais tradicional.  A história, ou melhor a relação entre as personagens é contada pelos movimentos, pelas expressões faciais, pelas músicas.

Se não se incomodar com o preço, vá ver. É bem interessante.

Depois foi a vez de jantar de novo no Gardênia (http://mskeller.blog.terra.com.br/2010/09/08/nostalgia-gastronomica/), ali do ladinho. De novo comida gostosa, atendimento bonzinho. Deu para terminar a noite de forma bem gostosa.

25

de
setembro

Brahms+Mozart+Beethoven. Tá bom pra você?

Hoje voltei à Sala S. Paulo em grande estilo.  Fazia tempo que não assistia a um concerto propriamente. Como contribuinte da Fundação OSESP tenho tido a oportunidade de ver ensaios (http://mskeller.blog.terra.com.br/2010/05/28/bravo/), que na verdade trazem a orquestra pronta, só burilando algumas coisinhas.

Fui assinante da OSESP durante vários anos (uns 4 ou 5). Cheguei a assinar duas séries no mesmo ano, mas de repente cansei. Afinal, era quase um compromisso. Perder o ingresso ou colocá-lo à disposição da sala para repasse por preço mais barato começou a se repetir muito, então melhor parar um pouco e reavaliar.  Nos últimos dois anos tenho ido a concertos avulsos e, sobretudo, aos ensaios (gratuitos para os colaboradores). Talvez tente uma assinatura em 2011. Vamos ver.

Hoje, depois de muitos meses, fui ver a OSESP regida por David Atherton (http://en.wikipedia.org/wiki/David_Atherton) e com apresentação de Paul Lewis (http://en.wikipedia.org/wiki/Paul_Lewis_(pianist)), pianista.  Tanto o maestro, quanto o pianista foram brilhantes. Aliás, brilhante era a roupa do maestro. Bem modernosa, de gosto um tantinho discutível, mas muito simpática. E o que interessa é o brilho do artista.  As peças escolhidas também foram muito felizes (JOHANNES BRAHMS/Serenata nº 1 em Ré maior, Op.11;WOLFGANG AMADEUS MOZARTO/ Empresário, KV 486: Abertura;LUDWIG VAN BEETHOVEN/Concerto nº 5 para Piano em Mi b maior, Op.73 - Imperador). Uma tarde gloriosa. Casa cheíssima!  Muita gente de idade (é o grande público da sala), muitos estrangeiros (que vivem aqui ou estão de passagem), uns tantos jovens.

Mas o público brasileiro ainda não está preparado para as salas de concerto. Explico: pedem, re-pedem para que se desliguem os celulares, que não se pode tirar fotos. E o que temos:

  1. um senhora, lá em cima no coro, de frente para umas 1.300 pessoas insistia em tirar fotos sem flash. A máquina dela emitia uma luz vermelha. Ela quase cegou a plateia do lado de cá. Não sei como o maestro não parou (ela estava bem de frente para ele) e mandou que ela desligasse aquilo. A segurança demorou uns 3 minutos para identificar a pessoa e fazê-la parar, mas foi o suficiente para irritar o mundo;
  2. ia começar a apresentação do pianista, toca um bip de mensagem de celular. Estão executando o segundo movimento de Beethoven, se ouve aquele barulho quando se liga ou desliga o aparelho - o meu já está no silencioso desde o princípio dos tempos, mas tem gente que gosta de deixar aquele sonzinho. Mas o máximo foi um som tipo campainha de bicicleta tocando quando estavam para fechar o concerto de Beethoven.  Inquietação geral.  O pianista é aplaudido de pé, dá o bis.  Adivinhem…um solo do pianista e o “fom, fom” ou “plim, plim” toca. É pra matar ou não é?
  3. tosse: tudo bem, gente. Não vai sufocar, ficar roxo, desmaiar porque não dá para tossir, mas se você tem um acesso de tosse num evento como esse, saia correndo, sem perturbar vizinhos, sem fazer barulho, na ponta dos pés e vá curar essa tosse em outra freguesia. E olhem que a sala provê balas antes do início dos concertos e durante o intervalo, indica que um lenço na boca pode ajudar, etc., etc., etc., mas não adianta.
Pois é, já não tivessem inventado o “bom (?) selvagem”, era só baixar nas nossas salas de espetáculos, onde se pagam entradas tão caras, o pessoal vai todo emperiquitado, usa todos os seus vidros de perfume de uma vez, põe panca, consome no café, na lojinha.  Mas cadê civilidade? Deixaram em casa. Bom senso então, afeee!
Quanto à sala propriamente, notei várias melhorias: o restaurante estava funcionando. Não sei se é bom, mas parece. Puseram mais sofás no hall o que ajuda a dar conforto aos que aguardam pelo início do espetáculo, sobretudo pessoas de idade. Os facilitadores da sala continuam sendo muito bem treinados, as cadeiras estão em ordem (a sinalização parece que ficou melhor, maior).  Deixam programas do dia espalhados pelos halls para que se possa pegar sem problema.  Pareceu-me que os cafés, as lojas estão mais ativas. Não sei se foi impressão. De qualquer forma, repensaram a sala para benefício dos frequentadores. Parabéns!
Único senão da sala: é confortável, bem mantida, bem gerenciada, mas a platéia central, onde os assentos são dos mais caros é terrível em termos de visão.  O palco fica acima da platéia, então a gente não tem visão da orquestra toda. Quanto mais perto do palco, pior. Além disso, a partir da 8a., 9a. fileira, se tiver uma cabeçona na sua frente (e olha que a pessoa não precisa ser muito alta, não), pronto, bloqueia a sua visão. Foi o meu caso ontem. Uma ginástica para escapar da cabeça da pessoa à minha frente.  Um horror! Não há nenhuma inclinação nessa parte da plateia, nem as cadeiras foram fixadas intercadalas (em x).  Uma pena, porque no mais é tudo de primeiro mundo mesmo.
Como anunciam: pode aplaudir que a orquestra é sua!  E á assim que eu vejo a OSESP. Tenho muito orgulho dela. Pois é, assim é que paulistanos, paulistas, brasileiros deveriam olhar para tudo o que é público, o que é de todos: com zelo, com carinho, com respeito, prezando, protegendo. Isso é obrigação de todos, não só de governos. Um dia a gente chega lá.
E para terminar: peguei um táxi por volta das 18h45 para ir para casa. Normalmente tomo ônibus ou metrô, mas tinha outro compromisso.  Passando pela rua do Triunfo, um monte, uma centena, creio, de pessoas consumindo drogas. Ali, à vista, todos pelas calçadas, pelo chão, para quem quisesse ou não ver. Às 18h45!! Pergunta do milhão: se a ordem pública não está ali para coibir, vigiar, dar segurança ao cidadão/contribuinte, onde será que ela está?

24

de
setembro

Reflexões de um passageiro

Faz quase 15 anos que desisti de dirigir. Na verdade, desde que tirei carta, nunca gostei.   Aliás, mesmo para minha época (era cenozóica - Google, pls!), tirei carta tarde, com mais de 20, e só depois de muita insistência de meus pais. Ganhei meu Fusca; felizmente nunca tive um grande acidente (uma vez uma ambulância passou por cima de meu carro num cruzamento da Paulista, mas foi só dano material, nada mais), sempre fiz as manutenções direitinho, era boa de baliza, nunca atropelei ninguém. Enfim, minha relação com o mundo automobilístico nunca rendeu nenhum trauma. Mesmo assim, eu não gostava da atividade. Admirava gente que parecia ter nascido dentro de um carro. Para tudo se servia do carro, é como se fosse uma segunda pele.  Demorou para eu me aventurar por estradas, mas também nunca tive maiores problemas ou estresses.

Considerando que nos últimos 25 anos moro numa região de fácil acesso para toda a cidade, bem servida de transporte público (sim, pasmem…), aderi às compras delivery já em seu alvorecer (quando não havia internet, e as listas eram enviadas via fax ou ditadas por telefone), sempre tirei o máximo das grandes invenções (telefone, fax,e hoje micro/internet) para facilitar minha vida, o carro nunca me fez falta.  Claro que sempre há as pessoas generosas que nos dão uma carona sem pestanejar, outras pestanejando muito, mas dão. No entanto, no caso de necessidade, saídas noturnas solo (e eu tenho várias), os táxis são importantes aliados em cidades 24 horas como S. Paulo. No entanto, de uns anos para cá até esse serviço tem se mostrado bem ruim, sofreu um downgrade expressivo.

Tenho sorte em morar em um lugar em que há 2 pontos de táxi distantes 300 metros um do outro, dois quarteirões acima há outro, mais dois acima outro (este 24 horas, pois fica em frente a um Pão de Açucar 24 horas). Mesmo assim, há dias, horários em que não encontro um táxi sequer nos vários pontos à volta de casa (além desses 4 há pelo menos mais uns 3  pontos dos quais tenho o telefone).  Há uns dois anos, conheci um táxista, totalmente por acaso, que só trabalha à noite (das 16/17h até umas 5/6h) e é a quem recorro sempre que tenho algum compromisso noturno, até mesmo em datas festivas como Natal e Ano Novo. Acho que só uma vez, nesse tempo todo, ele não estava trabalhando quando precisei dele.  Pura sorte, senão estaria na rua da amargura, literalmente.

O que vejo pelas ruas hoje em dia, já que estou usando mais táxis do que habitualmente, é gente parada nos pontos esperando que algum táxi chegue, gente que dá sinal para um, dois, três (todos ocupados), horas sem nenhum táxi por perto. E não precisa ser em dias de chuva destruidora, de alguma hecatombe urbana.  Dias normais, noites normais, horários não de rush.

Fica evidente que a cidade precisa de mais táxis, precisa rever a política de pontos de táxi, disseminá-los. Estamos virando uma NY em termos de falta de táxi (lá há um zilhão, mas na hora do rush, esqueça!), sem as demais benesses da metrópole americana.  A administração da cidade, sobretudo a atual, é míope e canhestra em tantos outros pontos da gerência da cidade (iluminação, limpeza, calçadas, calçamento, segurança, transporte público de qualidade) que imagine se vão pensar em rever e adequar o serviço de táxis da cidade.

Aí vocês poderão dizer: mas e os rádio-táxis? Eu sou do tempo em que só havia o Vermelho e Branco, do tempo em que muitos migraram para Cumbica (Guarucoop) e só. Do tempo em que pipocavam as frotas de táxi pela cidade e os motoristas eram os antecessores dos motoboys de hoje. Eram loucos, pois tinham de trabalhar sei-lá-eu quantas horas para pagar aluguel do carro, combustível, tirar o seu. Hoje há centenas de companhias de rádio-táxi comum, as especiais de sempre e os taxistas privados em sua maioria.  As frotas ou cooperativas são menos numerosas. Como disse, sou de um tempo em que o VB era caro mas confiável, o que não acontece atualmente.  Além de precisar trabalhar muito com essa empresa , já fiz muito uso dela para compromissos profissionais e pessoais.  E me aconteceu, não uma mas várias vezes, de eu pedir o carro com antecedência para um horário marcado, o que gera uma taxa extra expressiva na hora de pagar a conta, e o táxi simplesmente não aparecer e nem a empresa dar um telefonema avisando. A última vez em que fiz uso dos serviços deles para temas particulares, liguei à tarde para pedir um táxi por volta de 1h (madrugada).  Tudo anotado, taxa adicional informada.  1h e nada. Ligo (nessas horas deve ter 1/2 funcionário trabalhando então é dificílimo conseguir falar com a empresa) e sou informada: “lamento, senhora, mas não há táxi disponível para o serviço”. Como, se eu agendei com antecedência? “Sim, mas nós não conseguimos nenhum carro para o serviço”. Ponto, e você que perca seu compromisso, seu sono, sua paciência, vá a pé pela madrugada.

Estive há uns meses na Europa e lá não tem erro: marcou táxi, ele está lá, não importa a que horas. Mais, em Hamburgo, a qualquer hora tem um táxi para atender a gente. Claro, a cidade é menor, menos gente, mas tudo é uma questão de planejamento, dimensionamento para amenizar eventuais problemas nos serviços urbanos, não tenho dúvida.  Pensar, gente! Ter vontade, comprometimento, integridade…essas cositas.

Entendo perfeitamente que os taxistas tenham fugido das ruas à noite, afinal as autoridades não garantem a segurança dos profissionais, mas algo tem de ser feito ou nunca se conseguirá convencer a população a recorrer a outros tipos de transporte, deixando o carro em casa. E mais, cada dia cresce o número de pessoas “sem-carro” por opção como eu. Esse é um aspecto importante e gerenciável da questão. Basta competência, aquela que não tem existido na administração pública paulistana mais recentemente.  Porém há um outro aspecto, igualmente grave, e de solução bem mais complexa, parece-me: o despreparo e desqualificação da mão-de-obra da categoria.

É um show de horror!  Claro que o taxista, o pedreiro, o médico, o advogado, o professor, são tão-somente reflexo de uma educação formal sucateada, quase que inexistente, de pobreza, de falta de escrúpulos, de falta de critérios, bom senso, valores, supervisão, vigilância do Estado, e por aí vai.  Agora, ter de recorrer diariamente à categoria por trás do volante é de matar!.  Para ser mais objetiva, vou elencar algumas coisas que tenho observado nestes meses em que tenho recorrido aos serviços:

  • Você chega ao ponto de táxis, normalmente são homens (coincidência: no ponto em frente de casa há 3 taxistas femininas). Estão ali, naquela rodinha, conversando. Ninguém nos carros, pronto para sair em disparada. Sempre conversando, lendo seu jornal no máximo, ou seja, flanando…e você pensa que vendo o cliente se aproximar ficam de prontidão e são proativos? Nãããõoo. Você tem de dizer: quem é o primeiro, quem está livre? Justifica-se: afinal, uma pessoa caminha em direção a um ponto de táxis, aproxima-se para quê?  Para travar amizade com  desconhecidos, claarooo! Porque não tem nada de melhor para fazer na vida? Faça-me o favor, vá ser desprovido de vontade, profissionalismo ali adiante!
  • -Os pontos não garantem profissionais o tempo todo. A impressão que tenho é de que não há absolutamente nenhuma obrigatoriedade ou regra de fazerem x horas por dia (mínimo, pelo menos). Parece que vão quando querem, na hora que querem, no dia que querem.  Então, na hora do rush,pasmem, muitos optam por não trabalhar.  Preferem ir mais tarde, sair mais cedo, e entre esses extremos ficar lá horas esperando um passageiro, mas não trabalhar. E uma das justificativas para pontos vazios é que os taxistas saem e não voltam por causa do trânsito, ie., demoram a voltar. Momento-reflexão: por essa lógica, ônibus não teriam horários, os passageiros do real transporte público poderiam ficar horas e horas (alguns até ficam, mas aí é cambacho mesmo, falta de competência das autoridades competentes) esperando por ônibus, dias quem sabe. Os ônibus deixam seus pontos finais, enfrentam o mesmo trânsito que os taxistas, param em inúmeros pontos e ainda assim cumprem horário. Então…há algo de podre no reino!
  • Táxis sujos, mal mantidos e, por vezes, com problemas mecânicos evidentes.  Já me aconteceu de pegar o mesmo profissional três dias seguidos. Já no primeiro, o carro morria a cada parada num farol, num cruzamento. No segundo dia aquilo continou. No terceiro, nem preciso dizer, fiquei a pé.  Ora, por mais apertado que o taxista esteja aquilo é o ganha-pão dele. Dê um jeito. Dê um pré-datado, sei lá!  Não só ele agrava o problema como deixa o passageiro na mão.
  • Desconhecimento da cidade e caminhos: felizmente, muitos taxistas caíram em si e estão adotando o gps. Infelizmente, a grande maioria conhece pouco ou muito mal a cidade e seus caminhos.  Quando comecei a tomar táxi mais amiúde dava o ponto de destino e mencionava (vejam bem, mencionava) as possibilidades de rota. Hoje eu digo: o senhor/a senhora vai por ali. Se estiver congestionado, saia por ali, ou por ali…e assim vai. Eu não dirijo, eu ando de ônibus e metrô, sobretudo, mas eu raciocino. Que coisa, né? Quantas vezes não pegam o pior caminho, a pior faixa. Recentemente me peguei dizendo: o senhor não está vendo que está tudo parado nesta faixa, por que o senhor não muda? Pegue a paralela. Parecem bois bravos, não olham adiante, não raciocinam. Terrível ter de dar esse chacoalhar cerebral.
  • Também comentei aqui (http://mskeller.blog.terra.com.br/2010/09/11/momentum-ii/) que peguei um motorista (aliás foram dois em dois meses aproximadamente) na Paulista que não sabia o que era a Oca, mesmo eu dizendo que ia para o Ibirapuera.  No início desta semana, peguei um táxi ali na rua Tupi, em Higienópolis, pertinho do elevado, e queria voltar para a Francisco Matarazzo. A pé deve dar uns 30 minutos, só para terem ideia da proximidade. O motorista não sabia do que eu estava falando! Olhei bem para ele para ver se não era um E.T. recém-chegado, se eu não havia embarcado em um OVNI por engano…
  • E falta de troco? Bom, isso acontece em muitos comércios também, como se a obrigação de ter troco não fosse do comerciante, do profissional.
  • Déficit de atenção: eu entro no táxi e digo destino, por onde.  Quantas vezes aquela criatura que está ali só para receber essas informações, atender meu pedido, olhar para a frente, engatar marcha, brecar, acelerar, prestar atenção ao que está à volta para não se envolver em um acidente, e faz isso todos os dias, só isso, a vida inteira, não registra a informação e fica perguntando para onde, por onde, etc.
  • Quem está passeando? Às vezes tenho a impressão de que é isso que o táxista faz. Ele está ali, passeando, calmamente…tudo bem, não tem de dirigir feito louco, pondo em riso a vida e o patrimônio de muitos, mas não precisa exagerar.  Como eu sempre faço o mesmo caminho, e são vias relativamente livres, os ônibus que eu tomo/tomava todos os dias têm um percurso bem ligeiro, mesmo parando nos pontos para pegar ou descer passageiros.  Algumas vezes percebo que o ônibus se não vai mais rápido está ali cabeça a cabeça com o táxi em que estou.  Não dá, né?
  • E a má aparência de alguns? E a má disposição em atender? O ponto de táxis que fica na rua de trás da empresa em que trabalho é formado 99% por homens mal educados, grosseiros, mau motoristas, descuidados com os carros. E acho que são quase uma centena. Como conseguiram juntar tanta gente esquisita num lugar só é um mistério para mim até hoje.  Não uso os serviços ali a não ser em último, último caso. Dou-me ao trabalho de atravessar a rua para pegar táxi em outro ponto (um pouquiiiinhooo melhor).

O fato é um só. Com a queda cultural e intelectual da população a situação só tende a pioriar, e muito.  O que vemos hoje é uma categoria desclassificada, que não tem quem exija dela o básico para atender a população, os clientes. Gente preguiçosa que não lê, não se informa sobre a cidade. Nem gosta, aprecia a cidade, na verdade. Muitos poderão dizer: mas eles ficam 12 horas no trânsito de SP. Verdade, pode ser, mas talvez fiquem 12 horas e não ganhem o suficiente para sobreviver porque são tão broncos. Além do mais não é tudo isso, pois sempre vejo taxistas parados, lendo um jornalzinho, olhando para o horizonte, mas sobretudo jogando conversa fora, literalmente.Ou seja, é preciso se reciclar, se organizar. Poucos são os pontos em que os coordenadores (acho que esse é o nome do responsável pelo ponto) prestam atenção ao movimento, tentam coordenar o número de táxis para os vários horários, orientam, exigem.

Aliás, minha impressão é de  que os tais pontos vão sumir em algum momento. Da mesma forma que eu tenho o celular de vários taxistas, muita gente tem. Não é raro estar em um táxi e o motorista atender à chamada de um cliente solicitando serviços.  De repente esse é o caminho, não sei, já que pegar um táxi pela rua é uma aventura em termos de risco de todos os níveis para o passageiro.

Quem sabe para a tal Copa de 2014 (tudo depende desse evento. O Brasil será outro depois de 2014…tudo vai melhorar) a administração pública ponha a cabeça para funcionar e repense a política de transporte quanto aos táxis.  Qualquer coisa, dificuldade por dificuldade, a gente muda para NY…

22

de
setembro

Nosso Lar (http://mskeller.blog.terra.com.br/2010/09/20/e-preciso-evoluir-sempre/)

Não sei se tudo está correto. Publico do jeito que recebi, sem nenhuma edição.

Conheça as curiosidades e o números que justificam o título de superprodução

Uma muralha de 70 metros de comprimento construída em Guaratiba, no Rio de Janeiro, meia tonelada de gelo seco para produzir fumaça e uma pedreira de 10 mil metros quadrados como locação. Estes são alguns dos números e curiosidades das filmagens de “Nosso Lar”, uma superprodução que traz efeitos visuais inéditos no cinema nacional. Abaixo, você pode conhecer outros detalhes que aumentam a curiosidade em torno do longa, baseado na obra psicografada pelo médium Chico Xavier que narra a trajetória do médico André Luiz em uma colônia espiritual após a morte.

Muralha
As filmagens foram realizadas no Rio de Janeiro e em Brasília durante oito semanas. A muralha de “Nosso Lar” foi construída ao ar livre em uma fazenda em Guaratiba, no Rio de Janeiro, tinha cerca de 70 metros de comprimento e sete metros de altura. Sua construção envolveu cerca de 30 profissionais e durou um mês. Encerradas as gravações em Guaratiba, a equipe transportou o portal e 20 metros de muralha para o bairro de São Cristovão, onde foram filmados cenas da entrada e da alameda principal da colônia Nosso Lar.

Efeitos Visuais
A empresa canadense Intelligent Creatures trabalhou durante nove meses para aperfeiçoar visualmente 350 imagens do filme. A equipe chegou a contar com 90 profissionais. Já a equipe brasileira viajou diversas vezes para Toronto e enfrentou temperatura negativa de 33 graus.
Para filmar “Nosso Lar”, foram necessários cerca de 1.000 metros quadrados de chroma key (fundo azul). Em alguns casos, como os das cenas da parte externa da cidade Nosso Lar, rodadas no Monumento aos Pracinhas, no Rio de Janeiro, a equipe precisou produzir um chroma-key de 360 metros quadrados.
Nas cenas da casa de Lísias, foram construídas fachadas de algumas casas e com a ajuda dos painéis de chroma-key, originou-se um efeito de uma rua repleta de casas.

Efeitos Especiais
Os efeitos visuais consumiram mais de 2.000 metros de fios, tubos e cabos nas filmagens. Também foram usadas mais de 50 máquinas e mais de meia tonelada de gelo seco para reprodução dos diferentes tipos de fumaça.

Aeróbus
Com cerca de 14 metros de comprimento e peso de sete toneladas, o aeróbus era tão grande que a equipe não conseguia lugar para guardá-lo. Foi construído em Novo Hamburgo, Rio Grande do Sul, e demorou cinco dias para chegar ao Rio de Janeiro em uma carreta estendida, único meio de transporte capaz de fazer o frete.

Umbral
As cenas do umbral foram realizadas em uma pedreira no bairro de Jacarepaguá, no Rio de Janeiro. O lugar tem 10.000 metros quadrados, duas vezes o tamanho do estádio do Maracanã. Nas filmagens, foram utilizados 8 km de cabo e as luzes tiveram de ser erguidas por dois “carvalhões” (tratores) a mais de 50 metros de altu ra.

Cena da Guerra
A cena foi responsável pelo dia mais longo de filmagem. O ambiente inóspito e a locação longínqua transformaram a gravação em uma verdadeira operação de guerra, que contou com quase todo o elenco, equipe e figurantes, somando cerca de 1.000 pessoas no set.

Figurino
O processo de criação do figurino para os habitantes do umbral baseou-se na ideia de como eram aqueles espíritos enquanto encarnados - estilo de vida, hábitos, roupas. Posteriormente, as cerca de 1.500 peças de figurino foram desgastadas.

22

de
setembro

Vade retro!

Pois é, é o que recomendo se você estiver pensando em ver Bellini e o Demônio (http://www.bellinieodemonio.com.br/).  Nunca li nada do Tony Bellotto então não dá para saber se o livro é que não é aquela coisa, aliás livros, ou se o tema, história, personagem é que foram mal trabalhados.  Não sei por que achei que tinha visto um outro filme baseado em livro do Bellotto há alguns anos, com o Paulo Betti. Mas não, foi Ed Mort, baseado em personagem de Veríssimo que vi há uma década pelo menos.  De todo jeito, como o TB é uma figura simpática, filme nacional, tem o Fábio Assunção, de quem até gosto bastante, vamos lá! Não li sinopse, fui na fé mesmo.  Francamente, fé para assistir a um filme com o título de Bellini e o Demônio? Só podia dar no que deu. Aliás, esta semana está muito esotérica, etérea (http://mskeller.blog.terra.com.br/2010/09/20/e-preciso-evoluir-sempre/).

Um negócio escuro, cansativo (corte em cima de corte, sem uma sequência mais longa).  A história não me pareceu ruim, mas foi bem mal trabalhadinha. Hollywood faria miséria com uma base dessas. Fizeram até com Bruxa de Blair. Enfim… um suplício! Ainda bem que foi curtinho: a sessão começou às 18h50 e terminou umas 20h20. Deus existe!

A trilha musical acompanha o trash do filme. Roque pesado, acho, e muito barulho para suprir a falta de ação, de nexo, até de dramaticidade. A escuridão às vezes é total. Não dá para ver nada do rosto dos atores…exatamente por quê?  Dá a impressão de que puseram uns stunts e os atores estão dublando a cena.  Não dá nem para sentir um medinho, já que se vê muito pouco em alguns momentos.  Sei não, acho que o pessoal achou tudo modernoso, pra frentex, avançado. Aaah, faça-me o favor! Chato demais!

Bom, não tinha lido os livros do TB e agora não vou. Vai que é isso mesmo que está na tela.  Certamente haverá quem goste…ou algo que goste…(não sei se estão ouvindo, mas estou dando uma risada diabólica agorinha mesmo! Ouçam: http://www.4shared.com/account/audio/yQHN_Rk_/Vinheta__Risada_Diablica_.html).

A ida ao cinema valeu pela companhia e porque revi uma das boas salas de cinema de SP.  É a 10 do Bourbon (Unibanco). As poltronas chegam perto daquelas do Cine Livraria Cultura: largas, macias, com braços móveis, confotáveis. No fundo da sala tem um sofazão, com almofadas (sentei ali).  Bem diferente! Eu já havia estado na sala uma vez. Noutro dia queria lembrar onde era essa sala e não conseguia.  Agora gravei.

Bom, a noite não foi perdida em termos de prazer sensorial.  Filminho ruim, mas ótimo jantar. Fui ao Wolf’s Garten (http://www.wolfsgarten.com/).  Já tinha estado lá um ano ou pouco mais atrás aproximadamente, durante uma Restaurant Week.  Tinha gostado do que provei. Mas aí, são tantas emoções, digo, opções, que a gente acaba não voltando a alguns lugares, mesmo que os aprecie.

Na semana passada apareceu em uma das páginas de leilão/clube de desconto a possibilidade de pagar $20 e comprar $50 para jantar no restaurante. Comprei para poder voltar e ontem surgiu a oportunidade.  Cheguei lá pelas 21h.  O restaurante estava bem vazio. Também, 3a. feira… De qualquer forma acho que essas promoções são muito mais proveitosas para os estabelecimentos pequenos que um anúncio em qualquer mídia. As pessoas vão de fato, pagam, menos mas pagam, e o estabelecimento tem a oportunidade de se apresentar de fato ao cliente/consumidor e conquistá-lo for real and for good. Parece-me mais vantajoso. Bom, o chef, austríaco, é muito simpático e bolou um cardápio bem interessante para a casa.  Comi um pato fantástico e um ravioli de chocolate de sobremesa que estava muito bom.  O serviço mostrou-se bem atencioso e eficiente.  O lugar é bem bonito, bem cuidado.  Durante minha passagem por ali mais algumas mesas foram ocupadas. Creio que para uma terça foi até satisfatório para a casa.  No total, contando água, café, serviço, saiu por $33,00 no total, considerando com os $20 que paguei pela oferta. Um preço bem bom pela qualidade do que provei ali.  Vejam no site do restaurante (acima) o cardápio e mais detalhes sobre o restaurante. Bem interessante. Recomendo.

Bom, pensando bem, acho que meu anjo da guarda estava comigo ontem.

20

de
setembro

É preciso evoluir sempre

Assisti a Nosso Lar (http://www.nossolarofilme.com.br/), superprodução nacional, com tecnologia estrangeira (canadense), edição de primeira.  A trilha sonora é boa, os efeitos especiais razoáveis.  O grande apelo, sem dúvida alguma, é o tema religioso. Para quem segue a doutrina ou não, meu caso.

Alguns atores já tiveram seus dias de glória (e.g. Othon Bastos, Ana Rosa entre outros); há muitos que não são estrelas, mas desempenham muito bem.

Quem é espiritualista ou espírita, como queiram, diz que é ipsis literis o livro de mesmo nome. Eu não li, não posso opinar. Outros disseram que o filme é bonito, tocante, mas que tem alguns desvios do que é doutrinado.Igualmente, ignoro.

Enfim, como, apesar de ter sido educada no meio católico: indo à missa todos os domingos, com batismo, comunhão, joelho no milho, orações diárias, etc. (estudei primeiramente no Colégio Stella Maris (http://www.nossolarofilme.com.br/) e depois no Notre Dame (http://www.colegionotredame.com.br/), um pouquinho mais liberal que o anterior, antes de ir para a escola pública para o colegial e universidade), em algum momento (acho que foi influência do ceticismo ou materialismo de meu pai, ou talvez fé pragmática de minha mãe) minha visão mudou.  Ou talvez seja o meu perfil: não responsabilizo outros pelo que é de minha alçada: nem Deus, nem santos, nem Igreja, nem párocos.  Livre arbítrio é para acertar ou errar e que cada um seja responsável por isso.  Não preciso dos 10 mandamentos para saber o que é “pecar” contra si, contra o outro ou contra a Humanidade, Natureza. Igualmente, para saber quando estou sendo indigna, mesquinha, cruel, ou o contrário: generosa, compreensiva, etc., etc. Para mim, o que nos acontece é pura ação x reação. Apesar de minha religiosidade light, escolhi acreditar que Deus é justo, Deus é bom, um ser magnânimo que não castiga suas criaturas, mas também não as poupa se é isso que elas plantam. E mesmo que a razão para nossos males não seja tão identificável, há uma razão.  Sempre digo: não adianta vir racionalizando a questão, dando exemplos, tentando provar daqui e dali que minha crença é uma bobagem. Pode ser. Mas ela é minha, eu escolhi assim, e isso vai me acompanhar pelo resto da vida.

Creio mesmo que qualquer religião pode ser boa, confortar, amparar, guiar. Tudo depende de quem a prega,de quem a pratica, do uso que é feito dela. E mais: religiões são instutições humanas, como tantas outras, portanto falíveis. Mesmo quando se diz que a mensagem veio “dos céus” ainda assim é passível de questionamento, afinal é a visão de um ou vários (inconsciente ou histeria coletiva, vai saber) e não de todos, principalmente não é a minha visão ou experiência pessal.  De qualquer forma, vejo o tema com pragmatismo. Mesmo assim idealizo algo etéreo, ou espiritualizado, ou imaterial (vai ver que é influência de filmes de ficção científica tipo Jornada das Estrelas, ou Contatos Imediatos, ou gibis).  Digo isso porque quando vejo algo muito ligado ao que somos conceitualmente, referindo-se ao “day after”, é difícil de assimilar ou aceitar.

Para mim, por mais que se faça propaganda ou se use como ameaça, não há inferno. Pode haver um rito de passagem, o rio Aqueronte, atravessado por Caronte, e depois tudo dependerá do que se praticou (o passado é inexorável) e do que se pretenda praticar.  Prefiro (vejam bem o termo: prefiro) acreditar que não termina por aqui. Seria muito chãozinho, muito pequeno, pouco demais para máquinas tão bem boladas quanto somos nós.  Chão, pequeno, pouco, não por nós, mas por qualquer entidade que tenha sido a força ou energia criadora.  Além disso, devemos ser um ponto na imensidão do Universo e sei-lá-eu de quantas dimensões, ie, o agente criador foi brilhante demais para ficar só numa centena de anos quando muito e se acabar.

Depois de ver o filme, resolvi comprar o audiobook do Evangelho Segundo Allan Kardec (http://pt.wikipedia.org/wiki/Allan_Kardec) que, segundo me disseram, é o pilar do espiritismo.  Vou ouvir, depois conto.

Quanto ao filme, não importa qual sua doutrina, vale ver pois a produção é muito bem cuidada. História do médico André Luiz (http://www.institutoandreluiz.org/andreluiz.html), ou melhor, um pouco de sua vida terrestre e muito de sua experiência pós-morte.  Renato Prieto está ótimo como protagonista.  Vê-se o apego à vida por aqui, a revolta, a dificuldade na adaptação, até que AL consegue assimilar os ensinamentos que lhe são passados por seu mentor, ministros, e outros “moradores” de Nosso Lar.

Só não vá lá para dizer que o Nosso Lar parece Brasília (arquitetonicamente), que as roupas são assim e assado, que os comportamentos são isso e aquilo, que o Umbral é dramático e terra a terra demais, que o lugar é meio vazio - afinal morre tanta gente…que se fala  só português, etc. etc. etc. Deixe a ironia em casa. Deleite-se com uma bela produção nacional, que deu emprego para trocentas pessoas, leva gente ao cinema, e transmite sobretudo boas mensagens.  Não duvido de que haverá pessoas que sairão melhores, ou mais espiritualizadas das sessões.

Ah, e me lembrei que uma sensitiva me disse que estou na minha última encarnação. Então, aproveitem: se puder, não volto, não.

17

de
setembro

Babette passou pelo Ají

Ontem foi minha mais recente, e talvez última, experiência de jantar no escuro. Não porque tenha sido ruim. Pelo contrário!  Mas porque não é tão barato assim e vida financeira de aposentada não é fácil…Na verdade não digo dessa água não beberei, mas seguramente beberei menos. O próximo vai exigir planejamento, obviamente.

O jantar foi no Ají (http://vejasp.abril.com.br/restaurantes/aji), um restaurante que eu estava querendo conhecer havia tempo. Estava até na Restaurant Week, mas não deu para ir.  Aproveitei o jantar no escuro e fui conhecê-lo.  O chef (Checho Gonzalez) tem uma figura especial: muita tatuagem, um jeito bem descolado, bem à vontade, bem descomplicado. Só que eu não sei se gostaria de trabalhar com ele. Parece ser uma fera no comando de sua cozinha, equipe, mas acho que se não fosse assim não faria as maravilhas que nos apresentou ontem.

Já discorri algumas vezes sobre o jantar no escuro por aqui (http://mskeller.blog.terra.com.br/2010/08/26/essa-teimosia-ainda-acaba-comigo/), então não vou cansar a beleza de vocês com isto.  Só gostaria de mencionar que o grupo de ontem foi o mais silencioso de toda a série de jantares a que compareci, o que tornou o jantar muito interessante no quesito percepção (minha).  Como fui sozinha e minha companheira de mesa estava ali a trabalho (jornalista escrevendo matéria), digamos assim, ela não disse palavra, o que foi muito bom.  Tiradas as vendas conversamos bastante, verdade.  O local ajudou também. Fui colocada num espaço em que só havia mais uma mesa e os músicos (sim, música ao vivo: o João - violonista (estava com saudade do som dele) e um flautista), então silêncio quase total, sem ruídos de conversas, risadas, gritos, aquela coisa. O restante do grupo estava numa sala contígua.Foi muito bom mesmo! Um momento de foco total para ouvir, sentir, cheirar, degustar.

O cardápio foi magnificamente preparado. Justiça seja feita: o jantar do Consagrado também foi excelente. Saborosíssimo. A chefe foi muito bem. Mas no caso de ontem havia  coisas muito diferentes, cozinha de autor de primeira qualidade. Sabores muito interessantes, delicados, surpreendentes.  E foi um cardápio extenso: antes do jantar guacamole com tortillas (não provei para não diminuir o apetite); drinque, na mesa, de vermute com hortelã, ají/pimenta (http://en.wikipedia.org/wiki/Aj%C3%AD_pepper), uva - que me lembre (achei que era porto com manjericão - o sabor muda mesmo. Vou fazer em casa no verão. É uma delícia!); papillote finíssimo de massa com shitake (parecia berinjela), molho de agrião (que me lembre); empanado de camarão, maçã, com frutas numa calda; atum fresco assado (como aqueles que se come em restaurantes japoneses, com o miolo meio vermelho), com ovas de sagu (isso, sagu), purê com wasabi; cavaquinha (achei que fosse lagostim) com manga cozida, filetes de maçã; gelatina de gordura de frango (não é eca, não. Os antiquíssimos faziam sua gelatina com gordura animal. Esta não tinha nenhum gosto que lembrasse pertencer a algum bichinho), manjar, frutas com calda, bolinhas de chuchu (isso mesmo, chuchu..), coco, limão e uns biscoitinhos típicos (a comida do restaurante é da linha sulamericana).

De algumas coisas não me lembro tão claramente porque a gente fica com a lembrança do que achou que comeu e não do que comeu de fato - interessante! Além disso, os ingredientes, as combinações foram supercriativas. Acompanhei as explicações do chef, mas não dá para lembrar de tudo, pois os pratos eram bem ricos em ingredientes.

Resumindo: uma festa de Babette (http://www.imdb.com/title/tt0092603/) mesmo!  Foi o coroamento de minhas experiências vendadas.

De novo: se você não foi a nenhum jantar no escuro, experimente. Vale a pena. O pessoal do Atelier no Escuro (http://www.noescurogastronomia.com.br/index_.html) está bem azeitado. As meninas evoluíram bastante neste ano e tanto em que as conheço.

Quanto ao Ají, está com um festival da Terra do Fogo e Patagônia até 26 de setembro (http://aventurasgastronomicas.com.br/tag/restaurante-aji). Eu não vou perder. Vou voltar rapidinho.

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