Escrever para viver!

Tudo que der na telha e que eu achar que vale a pena

21

de
agosto

A gente não pode elogiar (o retorno)

Ontem fui, pela terceira vez, à Sample Central, ali na Augusta. No meu post de 24/7 (http://mskeller.blog.terra.com.br/2010/07/24/a-gente-nao-pode-elogiar/), fiz um comparativo entre a primeira visita (bem próxima da abertura do lugar) e a segunda, quase um mês depois.  Pois é, e a coisa não se alterou, acho até que piorou. Menos produtos ainda, vários que eu já havia experimentado quando da segunda visita.

Interessante que há muita gente que vai lá direto.  Muita gente adora aquilo ali. Francamente não consigo entender.  Ontem havia uns barris da Heineken de 5 litros, e percebi que muitos visitantes foram lá para pegar esse produto. Tudo bem, é Heineken, é cerveja, mas o negócio é conhecer produtos novos, poder opinar, poder até interferir no produto. Pelo menos essa é a grande coisa da empreitada para mim.

Da primeira vez era difícil escolher que produto levar dada a variedade e quanto alguns eram interessantes e novidade para mim.  Ontem foi talvez mais difícil de tão pouca opção que havia.  Enfim, ainda assim consegui meus 5 produtos.

Uma pena que algo que parecia tão promissor, tão inovador localmente, tenha perdido o gás tão rapidinho.  Não tenho dúvida de que tem gente que vai lá para encher a despensa, mais que tudo, mas não me parece que esse seja o conceito e objetivo do negócio, o que interessa aos expositores, e nem à maioria dos frequentadores.

Acho que não volto tão cedo…

21

de
agosto

Continuação…

Ai, não sei como pude, mas esqueci de mencionar um tópico:

8. Tudo pelo social: naturalmente, não há dúvida de que num país miserável ou carente, como queiram, como o nosso deve-se prover acesso gratuito a muitas coisas para que todos tenham a chance de conhecer, divertir, alargar horizontes, etc.  Mas não precisa nivelar tudo por baixo.  Como já mencionei em post anterior (http://mskeller.blog.terra.com.br/2010/08/06/foi-assim-tipo-uma-maratona/), por que, se se quer estender um benefício a muitos, não reservar 2/3, 3/4, sei lá, de um espaço para acesso gratuito e outro 1/3 ou 1/4 para quem quiser pagar ou dispuser de meios para comprar sua entrada com conforto, programar-se melhor.  Mas nãããõoo, vamos fazer o tudo pelo social sem critério.  Todo mundo espera, todo mundo perde tempo, todo mundo pega fila, e não há entrada de numerário, e isso para lazer, hein!  Então, ontem fui comprar ingresso para o festival de curtas que está acontecendo em vários espaços em SP.  Fui ao Cinesesc, já que estava nas proximidades, para comprar para domingo, 19h. Surpreeesaaaa! É gratuito. Eeeee??? Os ingressos só são distribuídos uma hora antes da sessão.  Então eu vou ter de chegar 18h,ou antes, pois obviamente ninguém sabe qual será a procura, eventualmente ficar em filas por uma hora ou mais, para poder ver os curtas.  Por que não me dão a opção de comprar com antecedência, pagar, isso mesmo, pagar?  Quem quiser de graça faz o sacrifício,oras!  E as pessoas de mais idade (eu, por exemplo)?  E os handicapped?   E olhem que o SESC, para seus associados, tem preços superacessíveis, mas a coisa é rasa, é do jeito mais fácil. Então que seja…

20

de
agosto

Eu odeio muito isso! (unabridged version)

(unabridged = entire, complete, uncut, uncondensed (dic. Random House)).

Odiar é um tantinho forte, mas usei para dar dramaticidade mesmo, mas que me irrita, aaah, me irrita!

Nestas duas semanas, coincidentemente, o Luciano Pires (http://achou.com/o-antidoto.html) escreveu textos sobre como empresas que acham que o cliente é bobinho, empresas que não são fairs, ou seja, que fazem de conta que vendem um bom produto, por preço justo ou prestam bons serviços, e só querem, na verdade, levar vantagem em cima da gente, transformam cidadãos tranquilos, docinhos, em verdadeiros monstros barraqueiros.  Então…eu não sou docinho, mas não necessariamente sou barraqueira.  No entanto, há tantas falhas, pequenas e grandes, tanta falta de competência, tanta má vontade por aí, que é inevitável a gente ser crica, questionar, exigir, e, eventualmente, dar murro na mesa, dar uns gritos. Isso porque a coisa passa de simples incompetência a malandragem pura. Aí não dá, né?  A gente é bonzinho, mas bobinho, não!

E para desopilar, elenco um monte de coisas que um dia me levarão à fúria assassina, estou certa.  Não tenho dúvida de que muitos concordarão com vários problemas que nos são impingidos e estão abaixo, mas não com os caminhos que eu vejo como redentores. De todo jeito, não há como se melhorar processos a não ser pensando e repensando, e comunicando.  Há algum tempo, li uma coluna numa revista americana ou inglesa em que diziam mais ou menos isto: se você pensa que cliente bom é o que não reclama, está enganado, pois esse, na maioria das vezes,  se algo está errado não volta e você persiste no erro. Bom é o cliente que informa, comunica, e volta. Mas, claro, isso só vale para negócio e negociante sério.

Vamos, então, àquele momento irracionalidades mil pelo Brasil, il,il, il:

  1. TAM - estou tentando há umas 3 semanas me cadastrar no programa de pontos.  Obviamente, tentei pelo site, que se funcionasse seria uma maravilha.  Cadastrei-me em exatos 3 minutos na Azul e outros tantos na Gol (nesta foi interessante: resgataram meu número Smiles de 1997!), portanto, o problema não sou eu, meu micro, meus softwares. O problema é a TAM. Aí você liga para o SAC, lojas, e as informações são as mais desencontradas: (1) ir até um aeroporto pegar um formulário (hein???); (2) fazer na hora do embarque; (3) só dá para fazer pelo site (esta me parece a mais verdadeira/correta), que não funciona.  Ou seja, parece que se está falando com empresas concorrentes, e não pessoas que prestam serviço para o mesmo patrão. Aí mando um e-mail para o “fale conosco”, e nada.  Como uma companhia aérea consegue ser tão inoperante em algo tão simples. Melhor nem pensar nos quesitos core…E o pior, como é assunto menor, que não diz respeito à segurança, perda financeira, etc., a gente não tem a quem recorrer.  Alguém tem um número fidelidade para vender?
  2. VIVO - (a) depois que passei a cuidar de meu número (http://mskeller.blog.terra.com.br/2010/07/22/eu-quero-morar-no-olimpo/), já entrei várias vezes em contato com a operadora.  Como mencionei, até me surpreendi, pois esperava coisa bem pior. O pessoal é pouco articulado e racional, mas pelo menos são pacientes, tentam ajudar.  Não é o ideal, mas é o que tem. Bom, primeiramente me cortaram os serviços porque definiram um limite de crédito para mim, out of the blue já que não sabem se ganho $1, $1mi, $1milhão (nunca passei esse tipo de informação), e foi assim: tá cortado, ponto!  A sorte é que eu tinha pago minha fatura antecipadamente e quando caiu o crédito os serviços voltaram. Pode?  Depois quis trocar meu iphone. Escrevi para o site (atualmente faço tudo pelo site: fica documentado, perco menos tempo, e ruim, por ruim, é mais prático) para saber onde tinham o aparelho, pois não queria ficar indo de loja em loja. A inforamação veio rapidamente, mas incorreta. Justamente no mall mais próximo disseram que não havia disponibilidade. Mas como minha expeirência diz que 90% das informações recebidas de qualquer empresa atualmente estão incompletas ou são incorretas, passei pela loja do shopping e perguntei. Adivinhem: tinham, sim, todos os modelos de iphones disponíveis! Ai (suspiro), antes assim, né?  (b) Como mencionei, paguei minha conta antecipadamente, aliás duas contas: uma pelos serviços do mês fechado, e outra proporcional. Isso! Quando bate em 60% do tal limite que dão para a gente emitem uma fatura proporcional. Bem, paguei as duas, uma atrás da outra pelo internet banking.  Surpresa! Quando fecham a fatura do mês corrente (aquele do qual eu paguei uma fatura parcial), valor cheio. Nem sinal do valor que eu tinha pago como parcial. Lá vou eu para o site, e nada. Só, consta o que paguei na fatura fechada para o mês anterior. E tome e-mail. Aí veio a resposta de que identificaram o pagamento (e como não, se tudo foi feito em cima do código de barras que a própria Vivo me encaminhou?), e que eu poderia pagar descontando o valor “sumido”. Outro código de barras.  Entro no site e, finalmente, aparece tudo quitado.  Pois é, criam um sistema de cobrança, de códigos de barra, emissão de faturas, eletrônico, que não funciona. Vamos ver se nos próximos meses vai ser igual.  Espero que não, mas a fé é pouca.
  3. Restaurantes em geral: por quê, por quê, por quê eu peço uma água sem gás, e me trazem 60% das vezes (é estatístico!) uma água com gás?  O/a atendente pergunta, eu digo “sem gás”, a pessoa anota, muitas vezes repete, e vem o contrário. Isso também acontece quando peço com gás…Já formulei as mais mirabolantes teorias, mas cheguei à conclusão de que como o pessoal não sabe ler direito, não sabe onde procurar a informação direito, e as garrafas trazem o natural ou gaseificada muito pequeno, no meio de um rótulo mais que poluído visualmente, e como essa mão-de-obra não tem memória (e isto não é preconceito. Em raríssimos casos se nota a memória funcionando) e tem déficit de atenção, não enxergam ou guardam o que é uma o que é outra (com gás, sem gás). Às vezes a diferença está mesmo é numa diferença de cor sútil no rótulo, então já viu, né?  Já desisti de devolver o pedido errado…
  4. Sacolinhas plásticas: como uma Bienal do Livro não distribui apenas sacolas de papel (http://mskeller.blog.terra.com.br/2010/08/15/nao-basta-ser-uma-bienal/), como uma Livraria Cultura (que eu adoro, acho outstanding como conceito e atendimento) também não o faz?  Não adianta me dizer que o saquinho é reciclado e reciclável.  Perdem-se oportunidades grandiosas de educar a população se essas ações não são adotadas na hora certa e, sobretudo, no lugar certo.
  5. Saída de shoppings em horários tardios: é sábido que os shoppings, pelo menos aqui em SP, fecham às 22h.de 2a. a sábado, e às 20h. no domingo, só que muitos têm cinemas que encerram seu funcionamento mais tarde, bem como teatros.  E aí o consumidor/espectador/cidadão vai sair às 23h, à 0h, e tem um monte de saídas fechadas, é obrigado a fazer caminhos longos, a descer escadas quando poderia caminhar por rampas, etc., porque a miopia e economia porca dos shoppings o obrigam (http://mskeller.blog.terra.com.br/2010/08/18/ceu-x-inferno/). Não dá para manter o conforto e segurança dos clientes com todas as saídas desimpedidas? Não fique aberto, perca dinheiro!  Tenho certeza de que o público vai se acostumar ou vai encontrar outros jeitos de se divertir e consumir, e os shoppings vão perder. Que tal?
  6. Telefones de contato: você vê um produto interessante, um restaurante interessante, entra no site ou pega o telefone que foi divulgado na imprensa e dá-lhe que não atende, dá mensagem de inexistência, ou ainda pior: quem atende e responde por ou representa o estabelecimento não sabe de nada, não tem informações básicas e óbvias, ou ainda chuta com as duas pernas.  Isso tem acontecido constantemente. Será que o dono do negócio (e muitas vezes não são negócios pequenos) ou sua gerência não se dão conta da importância desse contato telefônico?  Com ele você pode derrubar um trabalho de divulgação. E, de novo, esse cliente não vai reclamar, não voltará, e você não tem nem como saber quem era, quantos eram, qual o problema, etc.  Querem tirar a prova? Aguardem a próxima Restaurant Week que começa já, já.  Tenho ido a vários restaurantes nas últimas 4 edições e toda vez é isso, um show de horror. É fato que há estabelecimentos que aprendem, melhoram; há outros que já nasceram prontos,e  há outros que nunca chegarão lá (arrisco que é a maioria). Pura falta de bom senso, tão-somente, afinal, como sempre digo, quando se passa para trás do balcão não se pode esquecer o que se espera como consumidor/cliente, que todos somos de um jeito ou outro.
  7. Por que S. Paulo está tão maltratadinha? Hoje fui  à Oscar Freire pegar uma encomenda. Montes de sem-teto se instalando pela Rua Augusta e O.Freire por volta de 18h30. Montes de sujeira. Muita água suja empoçada por todos os lados. Uma Rua Augusta escura, como está a maioria das ruas da cidade. Sujeira, escuridão, buracos por todo lado…que horror! Abandono total!

Seguramente tem muito mais, mas não dá para gastar posts e posts com lamúrias. O importante, eu acho, é não deixar passar, mas não com atitude destrutiva, e sim colaborativa, afinal todos ganham com isso. Como sabemos, não se pode evitar, mudar,  o que não se conhece, então melhor comunicar. Se as pessoas adivinhassem a coisa seria diferente, mas não é assim. Pode ser que a manifestação não seja bem-vinda, sobretudo se for umazinha. Então, lembrando: uma andorinha só não faz verão. A força está na consciência, na coragem, na integridade, na fidelidade aos valores-cidadãos, na comunicação.

Mas verdade que um Lexotan ou similar na carteira é sempre útil!

19

de
agosto

Cinema + pizza = delícia! Esta equação não tem erro

Ontem fui ver Quando me apaixono (ai, minha santa, por quê, por quê, por quê esse título em português para um filme que no original é When she found me?  Tem a ver com encontro de mãe e filha e nada com romance…Marketing, certo, mas tão ruinzinho…explico: justamente pelo título, antes de ler a sinopse, eu nem pensaria em ir a um filme com esse título…enfim…) (http://www.imdb.com/title/tt0455805/) (http://www.estadao.com.br/noticias/arteelazer,quando-me-apaixono-traz-belo-duelo-de-atrizes,590919,0.htm).

Bom, o que vale é que o filme é muito bonito, bem sensível, de novo um filme muito feminino.  Nos últimos tempos tenho visto vários (e.g., http://mskeller.blog.terra.com.br/2010/07/04/cade-meu-lorenzo/) com temática que julgo bem feminina e alguns que enfocam judeus americanos (e.g. http://mskeller.blog.terra.com.br/2010/04/29/um-legitimo-woody-allen/). Todos muito bons, mas se já está dando na vista é que talvez estejam se aproximando da overdose. Melhor mudar o disco, quem sabe. Enfim, o filme é bonito, a temática é interessante, o enredo é bom, a Helen Hunt, que eu não via há um tempão, está ótima, maravilhosa eu diria quanto a atuação e direção (participou do roteiro também), mas a achei tão envelhecida! Tudo bem que de repente o foco da vida dela é outro, mas ela chega a passar até uma imagem pouco saudável: macérrima, rugas incríveis para a idade dela. Eu normalmente não faço absolutamente  questão disso e nem noto muitas vezes, mas é que a figura dela realmente está  meio chocante e me chamou a atenção. Mas o que importa é a competência dela em atuar e dirigir.  Também Bette Middler retorna às telas em grande estilo. Gosto dela, embora ache que ela se repete, ou tem se repetido, nos papeis mais recentes. No entanto, um prazer revê-la.  E tem Colin Firth, maravilhosésimo!!! (http://mskeller.blog.terra.com.br/2010/05/20/mais-um-da-lista-eliminado/)  Também acho que os papeis dele sofrem da repetição do “ator britânico explorado como tal pelo cinema americano”.  Explico: a postura, o tipo de tiradas/humor, o quadro geral que pedem dele tem sido muito parecido, mas ele consegue colocar seu brilho em detalhes que fazem toda a diferença.  Matthew Broderick faz o que se espera dele (eu espero): secundário com louvor.

A história passa-se em NY e trata da vontade de uma mulher de quase 40 ter um filho. Ela vai pelas vias normais: casamento, que não dá certo; inseminação, que não dá certo; até encontrar um companheiro e um pai para seu filho…surpresa…E no meio de tudo isso, encontra sua mãe biológica. Um imbroglio só!

Uma historinha da tradição judaica é contada no começo, no meio  e no final do filme. Preste atenção para entender o que a história quer dizer de fato, qual a “moral”, por assim dizer.

A trilha sonora é bem bacana também, combina com a leveza dramática, com a suavidade com que um tema tão sensível foi trabalhado pela HHunt.  Ela é boa mesmo!  E engraçado que me lembra muito a Jodie Foster, i.e. pouco fisicamente, mas muito em competência, coragem, como atriz e diretora.

Depois do cinema, fui aproveitar uma oferta que comprei pela We Go! Fui ao Pizza e Vinho (http://www.pizzaevinho.com.br/) , pertinho de casa, na esquina da Cardeal Arcoverde com a Dep. Lacerda Franco. Ali já foi de tudo:boteco, pastelaria, boteco, boteco, e coisa que nem me lembro mais.  Arrumaram o lugar, ficou bem bacana. Se não tivesse o barulhão da Cardeal (ônibus a todo segundo até um determinado horário), a gente poderia achar que está em um canto americano ou europeu, pequeno, cozy, só olhando o movimento pelas paredes envidraçadas…  Mas,  vamos acordando, gente!! Caindo na real!  O lugar é bonitinho, simpático, mas na beira de uma das ruas mais movimentadas e barulhentas de SP.  Ainda assim, vale ir.  A pizza é gostosa, o atendimento é bom, a trilha sonora “vareia”.

Esse negócio de “clubes de ofertas” é um achado para o consumidor e para o estabelecimento.  Ontem, comi com meu acompanhante, duas pizzas: uma salgada e outra doce que nos satisfizeram, e pela promoção tomamos com carmenère Mai, bem bonzinho.  Com água+refri ficou por $5,50, fora os $13/pessoa que pagamos pela We Go!  Um preço excelente, considerando que cada pizza custa em média $22, sem o vinho.  Para o negócio também é bom: chegamos por volta de 20h30 e tivemos de esperar, ao sair estava cheio e tinha gente chegando. Numa quarta-feira!!

De qualquer forma, acho que mesmo sem a oferta vale conhecer a casa. Eu voltaria.

18

de
agosto

Céu x Inferno


Pois é, há ocasiões, acontecimentos, momentos na vida que reúnem essas duas facetas. Céu e inferno são um pouco de exagero. Entenda-se então: coisas boas (muito) e coisas ruins (bem).

Ontem fui assistir a A teoria das cordas com o Duo Assad (http://en.wikipedia.org/wiki/Sergio_Assad) e Turtle Island Quartet (http://turtleislandquartet.com/).  O Duo é brasileiro, e o Quartet americano.  Uma combinação lindíssima.  Os dois violões são reputados como dos melhores do mundo. Pode ser…mas já assisti a apresentações de violonisas que me tocaram mais.  Quanto ao Quartet, é realmente muito especial.  Um celo, uma viola (linda, linda, linda), dois violinos, sendo que um deles se alterna com um violino barítono. Dois componentes (David Balakrishnan e Mark Summer) são da composição original, os outros membros do grupo são bem mais novinhos, mas supertalentosos.  Eles tocam como anjos. E isso não é uma metáfora simplesmente. Eles realmente tocam divinamente, dá para fechar os olhos e viajar.  Os dois grupos fizeram números solo, mas a maioria foi em conjunto. Tocaram Piazzolla, composições próprias, Chick Corea, Egberto Gismonti (lindo, lindo, lindo), Jimi Hendrix, McLaughlin, e várias outras peças preciosas.   Mesmo em casos de sons mais intensos, como é o caso de JHendrix, a performance do Quartet foi genial. Era a guitarra solando, mas de uma forma doce, acariciante, sem estridências.  Muito bacana mesmo!

O show está em turnê pelo Brasil e os americanos estão muito entusiasmados com as apresentações por aqui.  Não preciso dizer que foram aplaudidíssimos.  Havia muitos músicos na plateia, inclusive alguns a que assisti recentemente (e.g.Danilo Brito / http://mskeller.blog.terra.com.br/2010/05/22/agora-foi-a-vez-do-bandolim/, com sua elegância discreta, seu terno inequívoco).  Um grupo bem diferente daquele com que cruzo nos espetáculos a que tenho ido. Bem interessante de ver.

O show foi no teatro Bradesco/Shopping Bourbon (http://www.teatrobradesco.com.br/).  Como já mencionei anteriormente (http://mskeller.blog.terra.com.br/2009/11/14/irretocavel/), no quesito tecnológico é um teatro muito bem aparelhado, mas em outros aspectos…

E a parte pragmática é que foi “infernal” (exageeeroooo…). Então vamos lá:

  1. O programa do espetáculo trazia parte das peças.  As que os grupos fizeram solo, não. Why? Pourquoi? Por quê? Mistério…pois obviamente os músicos ensaiaram à exaustão e sabiam perfeitamente o que iriam tocar, oras.  Um dos Assad até disse “bom, vamos tocar várias peças, mas vocês têm o programa, né?”. E a plateia: não, só parcial!  ”Ah, tudo bem, então, a gente anuncia todas as músicas…”  É brinca, ou quer mais?
  2. Por que um espetáculo com 14/15 músicas tem um intervalo de 15 minutos?   Pode até ser exigência dos músicos, não sei, mas não tem muito cabimento. Assisto a espetáculos no Auditório Ibirapuera da Jazz Sinfônica, de outros artistas, que duram muito mais (de hora e meia a duas horas) e não há intervalo.  Na Sala S. Paulo, em que a OSESP apresenta peças pesadíssimas, há um intervalo plenamente justificável pelo esforço/desgaste que essas peças exigem/provocam.  Bem diferente do que vi ontem, i.e., não melhor, não pior, não mais bonito, mas diferente, só isso e bem mais light!
  3. O pessoal do teatro deveria ficar mais atento: deu a hora do intervalo e as luzes não se acendiam. Muita gente não sabia do intervalo e achou que o espetáculo havia terminado!  Outro tropeço foi no final do intervalo. Não ouvi nenhum sinal sonoro avisando do final dele, nem mesmo um piscar de luzes, como fazem alguns teatros. As luzes simplesmente se apagaram com quilos de gente de pé, fora do lugar, entrando ainda na sala.  Quequiéisso?
  4. Como um teatro construído no século XXI, mais exatamente inaugurado há cerca de um ano, não tem banheiros em todos os andares?  Como não tem escadas rolantes, mas só um elevador, além das escadas normais, para que as pessoas locomovam-se entre 3 ou 4 andares?  Francamente!
  5. Como precisava saber da duração do espetáculo para agendar meu taxi, liguei para a administração do teatro para obter essa informação, já que ela não constava do programa, do site…custa colocar ali? Advinhem: Ah, não sei informar…Eu: Ninguém aí sabe?  Eles: Um momentinho.  Felizmente veio a boa nova: 90 minutos com 15 minutos de intervalo incluídos.  Menos mal!
  6. O teatro fica num shopping, que fecha às 22h.  Mas os espetáculos terminam depois disso. Ontem terminou às 22h40.  Aí a gente quer sair, ir embora rapidinho. Várias saídas estão fechadas e nos fazem ir pelo lado mais longo. Só pode ser vingança!!! Não posso crer que o bom senso esteja totalmente ausente das cabeças que gerem aquele empreendimento. Explico: há escadas bem próximas ao teatro, para subir e descer. Somente aquela para subir está liberada, a outra fechada. Então andamos um tantão para descer. Aí se chega ao térreo, bem em frente a uma saída.  Ali há um segurança que não deixa você sair por lá, onde há rampas, e se chega em frente ao ponto de taxi. O “generalzinho” manda você descer por escadas, de degraus mesmo (vejam que atrás da porta que ele bloqueia há rampas!), para sair na garagem, pegar um corredor à direita, e sair basicamente onde você sairia confortavelmente por rampas se o brucutu não estivesse ali guardando a porta e obedecendo a ordens incongruentes. E não adianta apelar: meu taxi está diante desta saída; não posso descer escada…você que se dane, “ordis é ordis”.  E, claaarooo, esse shopping tem o pior ponto de taxi entre os shoppings que conheço.  Bateu um horário um pouco mais tarde, taxi nem com reza brava. Não era para o shopping, visando o conforto de seus frequentadores, exigir do ponto que o mantivesse abastecido até que todos os clientes deixassem teatro, cinemas?  Sobretudo porque há sessões que terminam bem tarde?
  7. E o preço para toda essa comédia de erros e má operação?  O miniminho é $60 ou $80 nos pontos cegos. Siiiim, porque um teatro do século XXI tem pontos cegos ou de visão extremamente prejudicada! E a coisa vai por $120 e $160.  Carinho para tanto senão, né?

Ai, agora me lembrei de um comentário ouvido a caminho da Bienal. Uma amiga, inconformada com a muvuca de filas, estacionamento, etc., etc., dardejou: E como é que querem fazer Olimpíadas? Copa em 2014?  A gente não sabe fazer nada disso direito. E eu: Não se preocupe!  Ela: olhar interrogativo.  Eu: O mundo  vai acabar antes de 2014.

É, irracionalidades, incompetência pura ou por escolha tiram mesmo a gente do sério!

18

de
agosto

Mora na filosofia (http://www.youtube.com/watch?v=0×2mpUQTCqw)

Gostei muito do primeiro livro que li do Prof. Mario Sergio Cortella (http://mskeller.blog.terra.com.br/2010/07/14/a-gente-descobre-cada-coisa/). Eu sabia que tinha outro em casa. Depois de um exercício de “busca e apreensão”, encontrei Não espere pelo epitáfio - provocações filosóficas (Vozes - 2a. edição).  Na verdade, o primeiro livro que li,O que a vida me ensinou, foi escrito em 2009, e o segundo em 2005.

Acho interessante ler (our reler), ver (ou rever) obras (livros, filmes, pinturas, esculturas, etc.) de um mesmo artista bem em seguida, ou em sequência, como queiram.  Com isso a gente vê claramente a evolução de um trabalho.  E foi assim com os livros do Prof. Cortella. Ele escreveu alguns livros antes e alguns entre este e O que a vida me ensinou.  Lendo os dois, fica clara a evolução positiva do autor, pelo menos de meu ponto de vista.

No livro de 2005, parece que o autor está preocupado não só com discussões filosóficas, mas em embasá-las com muitas citações e recorrências a autores/pensadores consagrados, o que demonstra seu vasto conhecimento e erudição.  Não creio, no entanto, que este último aspecto seja proposital. Pelo contrário, acho que a erudição do professor é que o levou a inserir tantas citações na obra, o que dá a impressão - impressão apenas, porque estou segura de que não é isso - de que o que ele escreve tem subsídio, portanto deve ser considerado, ou seja, não por si, mas pelo que há de concordância de personagens consagradas com o que ele aborda.  Vamos ver se consigo explicar qual a diferença entre os dois livros para mim, claro: no Não espere tem menos Prof. Cortella, no O que a vida me ensionou tem mais Prof. Cortella, e por isso achei melhor.

Gostei muito de Não espere também. Há temas e discussões interessantíssimos.  Algumas menções são lapidares. Alguns exemplos e () meus pitacos:

-pg. 34 (Cautela com a laborlatria…) - Anatole France - …”O trabalho tem mais isso de excelente; distrai nossa vaidade, engana nossa falta de poder e faz-nos sentir a esperança de um bom acontecimento”.  (Depois de 36 anos de labuta diária, isso é reflexo exato do que penso).

-pg. 72 (Panta Rei?) - Luciano de Crescenzo - … “Somos todos anjos de uma asa só; e só podemos voar quando abraçados uns aos outros”. (bacana, né?)

-pg. 95 (Ilusionismos) - Prof. Cortella - “O que não é percebido não existe, ou seja, o que não for notado e distinguido perde efetividade”. (será?)

-pg. 119  (Meandros da Razão) - Blaise Pascal - Existem dois excessos: excluir a razão e admitir apenas a razão; Romain-Roland - “A Razão é um sol impiedoso; ela ilumina, mas cega”. (mas ainda assim, não troco minha Razão por nada)

-pg. 131 (O amor e suas razões) - Erich Fromm - “O amor imaturo diz: - eu te amo porque preciso de ti; o amor maduro diz: - eu preciso de ti porque te amo”. (too much for me!)

-pg. 139 (A liberdade, uma obsessão) - José Julian Martí - “a liberdade é muito cara e é preciso resignarmo-nos a viver sem ela, ou então a pagar-lhe o preço”. (pagar o preço, sempre!)

Como dá para perceber, o professor aborda um pouco de tudo.  Há capítulos primorosíssimos no todo, e.g., Nosotros; O mistério do simples; Inteligência artificial; A morte, uma evidência recusada; Fronteiras, negação da ideia de humanidade.  Aliás muitos o são: p r i m o r o s o s.

De qualquer forma, o estilo do livro (isso é expressão de crítico literário, o que não sou, mas não encontro nada melhor para expressar meu pensamento) parece-me mais amarrado, mais duro, mais impessoal que em  O que a vida me ensinou, mas isso não torna o livro menos rico, “ilustrador”, admirável, interessante.

Para mim, o que fica evidente é que o Prof. Cortella não parou, mas elaborou ideias, experiências pessoais, e a maneira de atingir o leitor, querendo ou não, e foi muito bem-sucedido pelo caminho, que não terminou, evidentemente.

15

de
agosto

Não basta ser uma Bienal

A Bienal do Livro é sempre uma festa. Aliás, pensando bem, festa demais, organização e competência de menos.

Fui ontem à 21a. Bienal do Livro (http://www.bienaldolivrosp.com.br/).  Realmente é entusiasmante ver o número de pessoas que comparecem a um evento como esse. Eu vou à Bienal desde os tempos do Ibirapuera. Quando foi lá para a Imigrantes, não fui, não. Voltei na edição passada, no Anhembi.  Independente do valor que tenha um evento como esse para suscitar vontade de ler, de ganhar cultura, amor aos livros, e apesar de ser uma festa de fato, quem organiza um evento assim não deveria se deixar levar por esses aspectos, e deveria manter os pés no chão. (http://picasaweb.google.com.br/miriamkeller/21aBienaldoLivro2010?feat=directlink).

Vamos por partes. Primeiro as más notícias que é para ir lavando a alma:

1) como o estacionamento do Anhembi, descoberto, apinhado, sem nenhum suporte, a não ser um monte de gente apitando irritantemente para você ir em frente, ou seja, sem supervisão de onde há vagas para que as pessoas não fiquem entrando pelas alamedas, que NÃO têm saída pelos dois lados, e tendo de retornar, causando movimento e riscos desnessários, pode custar $ 25,00?  Mais, por que se passa por uma catraca, pega-se um tíquete, e depois se vai para um caixa pagar a conta?  Por que a operação não é uma só, tipo pedágio em rodovia?  Duas interrupções, são piores que uma com certeza!

2) por que não se vende o ingresso + estacionamento pela internet, gerando um “sem parar” que aliviaria muito o problema?  Claro, poderão dizer, mas e se todo mundo que comprar os ingressos quiser ir no mesmo horário?  Então…por que não se vende um determinado número de ingressos para dia/hora definido. Por exemplo: eu compro ingresso + estacionamento para 14/8 - 15h. - eu posso chegar até 16h, depois disso ingresso+entrada do estacionamento perderiam validade.  Confusão? Possível.  Mas valeria tentar já que se chegou a um ponto caótico, a um gargalo sem possibilidade de solução.  Poderiam ser vendidos 100 por hora, ou algo que a experiência mostre que não criaria problemas, e pronto. Eu seria a primeirinha da fila para comprar. Claro que para esse pessoal que já pagou, é organizado, haveria uma entrada separada, mas já pensou o que é tirar 100 carros da catraca e 100 pessoas dos guichês de ingresso por hora? Parece pouco, mas não é.  E esse número poderia perfeitamente ser ampliado com segurança. No mínimo as entradas deveriam ser vendidas com antecipação no mesmo esquema;

3) por que não se entrega, na bilheteria, o mapa do evento de uma vez? Por que temos de passar pelas catracas e ir até um balcão de informações para pegar o mapa e obter informações formais? Poderia mesmo haver pilhas logo após as catracas de entrada. Tão simples…

4) quando passei pelo rapaz da catraca, perguntei onde distribuíam os mapas. Resposta: ACHO, que é ali, no balcão de informações. ACHO! Com  a Bienal correndo já há 3 dias…com todo aquele mundo de gente passando por ali desde o dia 12, e a resposta é ACHO!  Não treinam exaustivamente essas pessoas que prestam serviços por ali?

5) apesar de haver sinalização, ela poderia ser bem melhor. Pensar um pouco no assunto não faria mal a ninguém. Tudo muito alto e muito pequeno ou pouco chamativo para a magnitude do lugar e do número de visitantes. Hoje há tantos recursos modernos para isso;

6) como, para um evento dessa monta, há apenas aquela meia dúzia de locais para se comer?   E mais, fora a Casa do Pão de Queijo, e mais um outro mais conhecido, é tudo bodeguinha.  Como assim? Vai me dizer que um um Rei do Mate, um MacDonalds, até um Bravo,  ou sei lá o quê nessa linha não teria interesse em estar ali, com aquele fluxo de pessoas? Aaaah, tááá… Que se dê oportunidade para estabelecimentos menores, evidente, mas com exigência de qualidade, atendimento, preço. O que se viu foi estabelecimentos sem produtos, com atendimento lento, higiene duvidosa, preços absurdos;

7) a entrada custa $10. Meia só para estudantes e seniores (acima de 60 mulheres, 65 homens), e imagino que professores, mas isto eu não perguntei.  Como um evento dessa magnitude, em que 99% dos expositores lidam com papel, há ainda sacolas de plástico? Não importa se são recicladas e recicláveis, por que não se aproveita uma oportunidade como essa para dar a cada pagante de entrada uma sacola de papel tamanho médio (de boa qualidade, óbvio) para que o visitante carregue suas comprar ou brindes.  Por que o “use sua própria sacola”, “prefira o papel reciclado”, “abandone o a sacolinha plástica aqui e em qualquer lugar” não está por toda parte?  Eu levei minhas próprias sacolas e não me custou nada. Por que não dar um abatimento na entrada ($1 que seja) para estimular as pessoas a levarem suas sacolas?  E como não se exige de TODOS os expositores que só trabalhem com sacolas de papel reciclado/reciclável?  Jogou-se fora uma oportunidade preciosa e pragmática de incutir isso nos cidadãos que não se tem todo dia;

8) banheiros: um horror! Como não se garante uma equipe de tamanho adequado e treinada devidamente para manter um ambiente em que circulam tantas pessoas?  Cultura e higiene andam juntas, sim senhor!

Bom, acho que chega, mas se eu pensar mais um pouquinho…

Agora o que teve de bom: a Bienal em si (publicações), todinha ela! Muita coisa interessante, muita criança que quer pegar em livros, quer ouvir histórias, que começa a entender que é por ali o caminho.  Muitos adultos, muitos jovens. Tinha, claro, muita gente que para mim não tinha cara de quem é muito amante das Letras, mas tudo bem, de repente pega isso pelo ar!  Apesar de os problemas se repetirem (na anterior lembro-de das mesmas coisas), vale a pena ir, vale olhar para as editoras (eu mesma, na edição passada, tomei contato com várias novas e pequenas editoras, muito interessantes).

Há também vários eventos durante o dia (infelizmente não deu para ver nenhum, apesar de ficar por ali umas 3,5 horas. Mas era andar pelos stands ou assistir aos eventos. Pena!), muita promoção, brinde, para atrair o leitor, para convidar as pessoas a se ilustrar, conhecer, divirtir-se mesmo.  É programa para muito mais tempo (quando eu me aposentar…), um dia para ver tudo com calma, descansar, voltar a flanar, ver as palestras, eventos.

Ah, e tinha umas filas quilométricas (acho que para autógrafo, lançamento, contação de histórias), mas não deu para eu entrar em nenhuminha para tentar ver o que era senão não conseguiria nas 3,5horas ver o que vi.

Bom, agora é só esperar pela 22a.!

15

de
agosto

Cinema ao luar

São Paulo tem mesmo muita coisa para a gente ver. Coisas diferentes, gratuitas. Algumas são verdadeiros micos (a gente só sabe depois, claro), mas outras são fantásticas!

Na sexta-feira, fui até o Auditório Ibirapuera para uma exibição que fazia parte da IV Jornada Brasileira de Cinema Silencioso (http://www.cinemateca.gov.br/jornada/). Se é a IV, é porque já teve a I, a II e a III.  E eu não sabia de nada!! Bem, antes tarde do que nunca.

A Jornada é promovida pela Cinemateca Brasileira.  Como sexta era 13 de agosto (perceberam???), ou seja, um dia supertrash, supermístico, etc., o filme exibido foi A Feitiçaria através do tempos de Benjamin Christensen (Suécia, 1922).  O espetáculo começou com uma apresentação da Orquestra Brasileira do Auditório (http://www.auditorioibirapuera.com.br/escola_escola.aspx), formada por jovens que fazem bonito.  Alguns solistas são realmente supreendentes. Foram várias peças populares.  Essa parte levou uns 30 minutos.  Ah, sim, os músicos apresentaram-se voltados para o parque, ou seja, o palco foi “invertido”, e a parede posterior do Auditório foi aberta (ela é móvel), para que os músicos se apresentassem dessa maneira.  O público ficou sentado pelo gramado (havia cadeiras também para idosos, gestantes e para quem quisesse sentar por ali).  O espetáculo começou às 20h e a noite estava linda, quente, com um ar delicioso. Um momento mágico para um espetáculo como esse. A gente via aviões passando lááá em cima, carros bem ao longe (avenida e ruas em volta do parque), e muito passarinho cantando! E a lua crescente deu um show no céu limpinho, de azul profundo.

Depois da OBA, o filme. Levaram uns 150 minutos para ajeitar tudo. A projeção foi na parede do Auditório (vejam as imagens: http://picasaweb.google.com.br/miriamkeller/Cinemaaoluaribira13082010?feat=directlink).  Um telão para ninguém botar defeito. Como o filme era mudo, André Abujamra e Mario Nigro fizeram o fundo sonoro/musical.  O Abujamra é reconhecido por sua criatividade e humor.  O filme, um documentário com muito texto, desenhos levantados por meio de pesquisas, e um pouco de ação mesmo, foi “narrado” e “sonorizado” pelos músicos.  Só que eles rechearam com textos, gritos e sussurros, e muito bom humor.  O filme até que é interessante, mas o fato de ser projetado naquele telão, com som mais que diferenciado, e performance divertidíssima dois dois músicos tornou o evento algo muito especial. Eu esperava algo tipo cinema mudo como a gente vê em filmes, i.e., alguém tocando instrumentos para dar suporte apenas ao que vai na tela mas, no caso, os músicos agregaram muito, sobretudo muito humor.  Foi muito bonito, pelo local e clima, e muito gostoso pelo ineditismo da junção de cinema mudo com as inserções criativas dos artistas.

Único senão: como o espetáculo começava às 20h, saí quase uma hora antes de casa e fui de táxi, pois era sexta depois de uma semana de trabalho e eu estava um tanto cansada.  Levei, de Pinheiros até o Parque, 45 minutos. Normalmente não levo 15.  Um trânsito infernal!  (será por causa da sexta, 13 de agosto?? Acho que não…). Na volta, aproximadamente às 22h, de novo! Levei quase 30 minutos para chegar em casa. Realmente o trânsito de SP está um caos. Quem poderá nos salvar?  Acho que só com reza braba ou bruxaria mesmo.

Bem, foi uma delícia de noite, muito peculiar, para dizer o mínimo.

14

de
agosto

Malvada sou eu

Como tem animação ou desenho animado nos últimos tempos!  Eu sou do tempo em que quando a Disney soltava um filme ou um desenho as filas viravam quarteirão.  Claro que havia muito menos salas de cinema do que hoje, e havia menos diversidade ou escolha também, mas havia muito menos gente e , sobretudo, gente com $ para pagar entrada de cinema.  Quando era menina, eu ia ali na Fradique Coutinho, no Cine Jardim para ver Tom e Jerry colorido (uauuuuu!!!). Minha avó me levava aos domingos, de manhã, com minha melhor roupitcha.  Eu ia pelo menos umas duas vezes por mês. Um acontecimento!

Quando a Disney relançou Branca de Neve, A Bela Adormecida e que tais, todos coloridos, lindões, minha mãe levava a gente (meu irmão e eu) lá no antigo Astor (onde fica parte da Livraria Cultura do Conj. Nacional) e a gente amargava horas de espera em fila, e quando abria a porta era uma correira, e olha que o Astor era enorme!

Tudo ficou mais fácil, mais acessível para quem gosta da telona como eu, e as produções multiplicaram-se, ganharam qualidade, e souberam, muitas delas, manter a mágica inerente ao cinema. Mas nem tudo são flores…e foi o que aconteceu com Meu Malvado Favorito (http://www.youtube.com/watch?v=vsm_Ti665J4 / http://despicable.me/ / http://www.imdb.com/title/tt1323594/).  Fui ver em 3D (ainda bem! Senão seria insuportável!) nesta semana.  Infelizmente - não entendo bem por que, qual a lógica da empresa que fez o filme, de quem distribui, de quem exibe-,  não há nenhuma cópia na praça legendada. Pelo menos procurei e não vi sinal de menção a alguma legendada.  Mas como sou pessoa de fé ou teimosa, como queiram, e assisti a várias animações com dublagem de qualidade (verdade que umas nem tanto, mas a média era boa), e o desenho parecia legalzinho, lá fui eu.

O roteiro, o desenho propriamente, os efeitos, as personagens são de fato bem divertidos, bonitos, interessantes, mas a dublagem…oquequiéisso??? Um horror, principalmente a da personagem principal.  Enervante! Olha que eu já assisti a muita coisa nesta vida, mas ruim assim, difícil.  As personagens secundárias (3 órfãs) apesar do sotaque carioca (gente, por que não usar o que é considerado língua culta padrão?  por quê? por quê? por quê?) até que passam, mas a personagem principal, justamente o malvado, é uma coisa! Pode até ser que a indefinição entre um sotaque puxando para o italiano, para o malandro, para um jeito “Paulo Maluf” de ser, esteja no original (só vou saber disso e do resultado dessa proposta, se ela existe, quando o dvd chegar - e pretendo, realmente, rever), mas o resultado, no caso nacional, foi péssimo: uma personagem sem personalidade, “patinando” o tempo todo. Uma coisa bem amadora mesmo, para dizer o mínimo.

Como é que a Universal não checa esse tipo de coisa e deixa sair uma coisinha assim?

Ah, não deixem de ver o site original (link aqui em cima).  Os sites dessas produções são simplesmente fantásticos! Às vezes tão bons quanto o filme mesmo.

A história é sobre um “gênio do mal” que acaba sendo desbancado por um nerd (a cara do Bill Gates!). Maldade daqui, maldade de lá, competição, e o malvado mostra que não é tão malvado assim.  E todos viveram felizes para sempre, mas até chegar aí muita aventura passou por baixo da ponte…

A trilha sonora é bem interessante.

Bom, se virem em 3D, como eu fiz, ainda dá para aguentar, senão, a não ser que tenham pimpolhos ávidos para ver o desenho, fujam. Nunca imaginei que um dia diria isto, eu, amante da telona desde priscas eras: espere pelo dvd e assista em casa, legendado, vai ser melhor. Isso é que é malvadeza com o mundo do cinema ou não é?

8

de
agosto

Se eu tivesse consultado a cigana…

Na verdade não precisaria chegar a tanto.  Na semana passada, uma pessoa que viu Gypsy (http://www.gypsymusical.com.br/content.asp?mn=7&cc=24), e que gosta muito de artes em geral, disse-me que gostou do musical, mas faltou alguma coisa.  E foi exatamente isso que achei.

Já cantei e decantei (prometo que, como em outros casos em que tenho me repetido exaustivamente, não o farei mais) (http://mskeller.blog.terra.com.br/2010/04/03/e-chegou-a-primavera/)(http://mskeller.blog.terra.com.br/2009/08/28/avenida-o-que/) minha admiração pela dupla Moeller e Botelho. Eles ressuscitaram os musicais por aqui com muita competência e colocaram sobre o palco muita gente nova para brilhar, gente que já era conhecida na tv ou até mesmo no teatro, mas que a gente não sabia que cantava e dançava tão bem.  Criaram até um musical genuinamente nacional: Seven. Mas alguma coisa não bateu para mim desta vez.

Fui ver Gypsy (http://www.moellerbotelho.com.br/arquivos/tag/gypsy) com a expectativa lá em cima (my fault,sorry!). O guarda-roupa estava bem rico, comparativamente com outros musicais, de bom-gosto; os cenários estavam muito bem também, como sempre pragmáticos, minimalistas, mas lindos e mais ricos que em alguns musicais a que assisti.

O musical baseia-se no livro e filme de 1962 (http://www.imdb.com/title/tt0056048/).  Acho que vi o filme, ages ago, mas não consigo me lembrar claramente, então vamos assumir que não vi o filme, e ponto.  O roteiro é interessante, a orquestra estava muito bem, as músicas e as letras são interessantes, inteligentes, mas alguma coisa não funcionou, pelo menos para mim.

A Totia Meireles, que eu conhecia só de tv e que é a protagonista, é uma operária. Ela se desdobra, solta a voz, diz o texto com segurança, mas ao cantar tem altos e baixos. Dá até umas boas desafinadas. Ela suou, mas não me tocou…

O Eduardo Galvão (http://mskeller.blog.terra.com.br/2009/07/10/if-you-wish-upon-a-star-your-dreams-may-come-true/), que eu já havia visto em outro musical da dupla (A Gloriosa), não compromete. Desempenha seu papel direitinho. E a Adriana Garambone (http://pt.wikipedia.org/wiki/Adriana_Garambone), que eu conhecia de tv, mas que atuou em outros musicais (Chicago e Cole Porter) aos quais não assisti, está fantástica.  Ainda assim faltou alguma coisa…o quê, não tenho ideia. Talvez carisma à protagonista? Não sei.  A plateia, em sua maioria, gostou muito do musical e de Totia, então eu sou minoria…

Alguns pecadilhos: um musical longuíssimo. Mesmo que o original tenha essa duração, dá para aclimatar, né? Outra coisa: Teatro Alfa (http://www.teatroalfa.com.br/default.asp) lááá longeee…Mesmo o teatro sendo bom, confortável, boa cafeteria, verdade que com banheiros femininos de menos, é longe demais para grande parte do público e mesmo que fique próximo o local é terrível, no meio do nada como o é também o Credicard Hall.  E o preço?! Barbaridade! De $80 (láá em cima e com visão prejudicada) até $140 - plateia VIP. Haja…E por que tem-se de recorrer a globais, recordais, etc.?  Estava tudo indo tão bem com gente nova, talentos sendo descobertos, carinhas novinhas em folha…

Ah, e durante boa parte do espetáculo passei incomodada com o estridente do espetáculo. Deu-me a impressão de que havia grito demais, estava tudo muito alto (até a orquestra). Talvez só impressão, mas que me incomodou, incomodou.

Lamentavelmente, desta vez, até pelos pecadilhos, não recomendo.  O custo x benefício não vale a pena.

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