A Bienal do Livro é sempre uma festa. Aliás, pensando bem, festa demais, organização e competência de menos.
Fui ontem à 21a. Bienal do Livro (http://www.bienaldolivrosp.com.br/).  Realmente é entusiasmante ver o número de pessoas que comparecem a um evento como esse. Eu vou à Bienal desde os tempos do Ibirapuera. Quando foi lá para a Imigrantes, não fui, não. Voltei na edição passada, no Anhembi.  Independente do valor que tenha um evento como esse para suscitar vontade de ler, de ganhar cultura, amor aos livros, e apesar de ser uma festa de fato, quem organiza um evento assim não deveria se deixar levar por esses aspectos, e deveria manter os pés no chão. (http://picasaweb.google.com.br/miriamkeller/21aBienaldoLivro2010?feat=directlink).
Vamos por partes. Primeiro as más notÃcias que é para ir lavando a alma:
1) como o estacionamento do Anhembi, descoberto, apinhado, sem nenhum suporte, a não ser um monte de gente apitando irritantemente para você ir em frente, ou seja, sem supervisão de onde há vagas para que as pessoas não fiquem entrando pelas alamedas, que NÃO têm saÃda pelos dois lados, e tendo de retornar, causando movimento e riscos desnessários, pode custar $ 25,00?  Mais, por que se passa por uma catraca, pega-se um tÃquete, e depois se vai para um caixa pagar a conta?  Por que a operação não é uma só, tipo pedágio em rodovia?  Duas interrupções, são piores que uma com certeza!
2) por que não se vende o ingresso + estacionamento pela internet, gerando um “sem parar” que aliviaria muito o problema?  Claro, poderão dizer, mas e se todo mundo que comprar os ingressos quiser ir no mesmo horário?  Então…por que não se vende um determinado número de ingressos para dia/hora definido. Por exemplo: eu compro ingresso + estacionamento para 14/8 - 15h. - eu posso chegar até 16h, depois disso ingresso+entrada do estacionamento perderiam validade.  Confusão? PossÃvel.  Mas valeria tentar já que se chegou a um ponto caótico, a um gargalo sem possibilidade de solução.  Poderiam ser vendidos 100 por hora, ou algo que a experiência mostre que não criaria problemas, e pronto. Eu seria a primeirinha da fila para comprar. Claro que para esse pessoal que já pagou, é organizado, haveria uma entrada separada, mas já pensou o que é tirar 100 carros da catraca e 100 pessoas dos guichês de ingresso por hora? Parece pouco, mas não é.  E esse número poderia perfeitamente ser ampliado com segurança. No mÃnimo as entradas deveriam ser vendidas com antecipação no mesmo esquema;
3) por que não se entrega, na bilheteria, o mapa do evento de uma vez? Por que temos de passar pelas catracas e ir até um balcão de informações para pegar o mapa e obter informações formais? Poderia mesmo haver pilhas logo após as catracas de entrada. Tão simples…
4) quando passei pelo rapaz da catraca, perguntei onde distribuÃam os mapas. Resposta: ACHO, que é ali, no balcão de informações. ACHO! Com  a Bienal correndo já há 3 dias…com todo aquele mundo de gente passando por ali desde o dia 12, e a resposta é ACHO!  Não treinam exaustivamente essas pessoas que prestam serviços por ali?
5) apesar de haver sinalização, ela poderia ser bem melhor. Pensar um pouco no assunto não faria mal a ninguém. Tudo muito alto e muito pequeno ou pouco chamativo para a magnitude do lugar e do número de visitantes. Hoje há tantos recursos modernos para isso;
6) como, para um evento dessa monta, há apenas aquela meia dúzia de locais para se comer?  E mais, fora a Casa do Pão de Queijo, e mais um outro mais conhecido, é tudo bodeguinha.  Como assim? Vai me dizer que um um Rei do Mate, um MacDonalds, até um Bravo,  ou sei lá o quê nessa linha não teria interesse em estar ali, com aquele fluxo de pessoas? Aaaah, tááá… Que se dê oportunidade para estabelecimentos menores, evidente, mas com exigência de qualidade, atendimento, preço. O que se viu foi estabelecimentos sem produtos, com atendimento lento, higiene duvidosa, preços absurdos;
7) a entrada custa $10. Meia só para estudantes e seniores (acima de 60 mulheres, 65 homens), e imagino que professores, mas isto eu não perguntei.  Como um evento dessa magnitude, em que 99% dos expositores lidam com papel, há ainda sacolas de plástico? Não importa se são recicladas e recicláveis, por que não se aproveita uma oportunidade como essa para dar a cada pagante de entrada uma sacola de papel tamanho médio (de boa qualidade, óbvio) para que o visitante carregue suas comprar ou brindes.  Por que o “use sua própria sacola”, “prefira o papel reciclado”, “abandone o a sacolinha plástica aqui e em qualquer lugar” não está por toda parte?  Eu levei minhas próprias sacolas e não me custou nada. Por que não dar um abatimento na entrada ($1 que seja) para estimular as pessoas a levarem suas sacolas?  E como não se exige de TODOS os expositores que só trabalhem com sacolas de papel reciclado/reciclável?  Jogou-se fora uma oportunidade preciosa e pragmática de incutir isso nos cidadãos que não se tem todo dia;
banheiros: um horror! Como não se garante uma equipe de tamanho adequado e treinada devidamente para manter um ambiente em que circulam tantas pessoas?  Cultura e higiene andam juntas, sim senhor!
Bom, acho que chega, mas se eu pensar mais um pouquinho…
Agora o que teve de bom: a Bienal em si (publicações), todinha ela! Muita coisa interessante, muita criança que quer pegar em livros, quer ouvir histórias, que começa a entender que é por ali o caminho.  Muitos adultos, muitos jovens. Tinha, claro, muita gente que para mim não tinha cara de quem é muito amante das Letras, mas tudo bem, de repente pega isso pelo ar!  Apesar de os problemas se repetirem (na anterior lembro-de das mesmas coisas), vale a pena ir, vale olhar para as editoras (eu mesma, na edição passada, tomei contato com várias novas e pequenas editoras, muito interessantes).
Há também vários eventos durante o dia (infelizmente não deu para ver nenhum, apesar de ficar por ali umas 3,5 horas. Mas era andar pelos stands ou assistir aos eventos. Pena!), muita promoção, brinde, para atrair o leitor, para convidar as pessoas a se ilustrar, conhecer, divirtir-se mesmo.  É programa para muito mais tempo (quando eu me aposentar…), um dia para ver tudo com calma, descansar, voltar a flanar, ver as palestras, eventos.
Ah, e tinha umas filas quilométricas (acho que para autógrafo, lançamento, contação de histórias), mas não deu para eu entrar em nenhuminha para tentar ver o que era senão não conseguiria nas 3,5horas ver o que vi.
Bom, agora é só esperar pela 22a.!