Escrever para viver!

Tudo que der na telha e que eu achar que vale a pena

22

de
julho

Eu quero morar no Olimpo

Mas não dá…muito longe! O mais próximo que temos é Olímpia (http://www.olimpia.sp.gov.br/), no interior de SP.  A cidade pode até ser boa, tem as Thermas dos Laranjais, mas não…eu queria mesmo é morar no Olimpo (http://pt.wikipedia.org/wiki/Olimpo) dos deuses! Isso, aquela de Zeus, Hera, Posídon, Atena, Ares, Deméter, Apolo, Ártemis, Hefesto, Afrodite, Hermes e Dioniso! Por quê? Ué, diante de qualquer problema, de qualquer inconveniente, eu sacaria meus raios e os arremessaria contra meu inimigo, acabando com ele for good! Bom, né? Facinho!

Explico: nunca tive sonhos megalômaníacos.  Gosto de viver bem, com dignidade, ter os prazeres que me são permitidos em minha condição. Para isso trabalhei bastante, privei-me de muitas coisas, fiz as escolhas necessárias, nada veio de graça. E antes de mim, meus avós, meus pais também tiveram sua dose de sacrifício. E tudo resultou em uma vida que julgo, na medida do que preciso e quero, seguramente mais satisfatória do que a de 90% da Humanidade (http://mskeller.blog.terra.com.br/2010/06/29/uma-experiencia-do-alem/ ).

Vou dar uma parada (talvez vitalícia), após 36 anos de trabalho ininterruptos, com faltas que dão nos dedos das duas mãos, por motivos mais que justificados. A parada veio de forma um tanto impositiva, mas felizmente resultou num alívio federal, numa tomada de consciência de que era hora de repensar, de rever, de replanejar, de me poupar, parar de ir na onda ou de seguir a corrente. Só que com esse cenário quase poético, perfeitinho, vêm os ônus de deixar uma estrutura mastodôntica, com processos para tudo, suporte daqui e de lá (mesmo que não sejam aquela maravilha, aliás muito longe disso). E, logo ao atravessar o portal da empresa, para nunca mais, há uma faixa bem grandona: Bem-vinda ao mundo real!  Boa sorte!

Pois é, e é preciso sorte mesmo, ou poder de um deus. Quando a gente cai no redemoinho das instituições, dos prestadores de serviço, dos fornecedores sem  o respaldo de uma organização, nem que seja uma micro-organização, a coisa muda.

No entanto, para minha surpresa, e põe surpresa nisso!, o baque não foi o que eu esperava.  Um exemplo é minha relação com a Vivo.

Passei de uma linha corporativa para uma linha pessoa física.  Tive uns 4 contatos com a Vivo para fixar meu novo plano, mesmo que em bases temporárias, tirar dúvidas, tentar (atenção para o verbo usado:tentar) resolver alguns problemas.O primeiro contato foi em 9/7, feriado em SPaulo.  Infelizmente não tive a esperteza de entrar no site e ver o que a Vivo oferece para os clientes e fui direto para o atendimento telefônico. A moça que me atendeu foi gentil, mas logo percebi ansiedade de sobra e um problema de verbalização ou clareza na comunicação de informações.  De todo jeito, fiz lá meu plano e perguntei tudo o que podia. O atendimento demorou um pouco porque o “sistema estava lento”.Aliás, em geral, quando você precisa, o sistema está sempre lento. Por que será que ele não fica lento no site da Amazon, por exemplo, que é gigante do mundo, ou no Google (acho que aconteceu pouquíssimas vezes por causa de rackers, e.g.), que está por todo o planeta e é um mamute em termos de estrutura e prestação de serviços? Mamute no bom sentido…  Mas na Vivo é assim…

Passado o primeiro momento, vi que o pacote de dados não me atendia, mas para uma avaliação inicial já estava bom. Isso vejo depois, com calma e paciência (muuuitaa).

Então, liguei uma segunda vez para checar minhas opções, se poderia incluir mais um serviço, e aí quis saber como poderia gerenciar minha conta. A moça que me atendeu (esta melhor em exposição de ideias do que a primeira, i.e., mais articulada), passou minha posição de uso, e me disse que eu poderia obter os mesmos dados pelo *8012 ou pela internet.

Ótimo!  Dias depois fiz o teste. O *8012 me dava a mensagem: “Este serviço é somente para celulares pós-pagos. Contate *8486 para informações”. Ué,ué,ué…mas eu sou pós-pago! Não avisaram o moço da gravação?  Bom, vai ver que o sistema estava tentando me assimilar, me digerir. Vamos dar uns dias e tento de novo.  Dias depois, a mesma mensagem.

Como não queria ficar tentando, tentando, tentando, e ainda não era o caso de enviar aos meios de comunicação, como faço quando julgo que o problema é sério e está havendo má vontade ou má-fé e merece “boca no trombone”, mandei reclamação via site da Vivo. Resposta: sua mensagem será respondida em até 3 dias úteis. Vá ser lento assim ali adiante… Enfim, e veio uma resposta mal redigida, que não esclareceu muito, não deu as informações que eu havia solicitado.  Essa resposta também dizia que o problema de acesso ao *8012 havia sido encaminhado ao departamento responsável e me contatariam posteriormente. Aí tremi!  Departamento responsável ou departamento técnico é sinal de desastre, de consequências inomináveis, sobretudo para o cidadão comum.

Bem, um dia depois, liga alguém da Vivo no celular.  A moça gentil tenta entender meu problema. Francamente, eu esperava um técnico mesmo me contatando, mas pareceu-me uma atendente exatamente como as outras com que eu já havia conversado. Ela entendeu o problema, mas aí ouvi as coisas mais exdrúxulas que poderia ouvir.

Sobre o não acesso ao *8012: vou verificar se esse número não foi desativado (como assim??). Ah, talvez a senhora não consiga o acesso porque esse número é para corporativo. Como assim??, o retorno: não é o que diz a gravação.  E esta atendente e a que me indicou o número para poder obter informações de minha conta não trabalham na mesma empresa ou para a mesma empresa?  Ou será que são de concorrentes e eu não estou sabendo? Como as informações podem ser tão díspares?

Aí veio o melhor! De novo, a atendente teve a maior boa vontade durante todo o atendimento, mas só isso não basta. Aproveitei a conversa para dizer que não estava conseguindo acesso ao status da minha conta, a seu gerenciamento, pelo site. A moça tentou, tentou, tentou e nada acontecia. Aí ela pergunta: a senhora está diante do micro? A senhora consegue abrir sua página pessoal dentro da página da Vivo? E eu: sim, está aberta. Ela: dá para a senhora olhar x, y, z? É que eu não consigo abrir a página por aqui. O sistema está instável.  Como assim???? Alguém da Vivo não consegue abrir a página da Vivo, nem a minha, e eu, que não sou da Vivo, aliás já virei meio que inimiga da empresa, consigo?

Outra coisa interessante: a cada chamada, a cada clique na minha página pessoal no site da Vivo é gerado um protocolo diferente. Uma loucuuuraaa!! Nestes 3 dias devo ter recebido uns 20 torpedos da Vivo com números de protocolo. Só que os tais torpedos demoram às vezes 12 horas para chegar (isso porque a operadora é que dispara isso), então já nem sei mais do que se trata. Inacreditável a inoperância!

Bom, depois de muito vai-vem, pedi à garota que tentasse ver se conseguia sanar o problema da página. Claro que não acreditei nem naquele momento, nem acredito hoje que isso ocorreu/ocorreria/ocorrerá. Nem tentei ver se o serviços está ativo, para dizer a verdade. Mas aí descobri que posso viver sem isso e, quando estiver de folga, se for o caso, vou numa Vivo, ligo de novo, escrevo de novo, enfim, pode esperar…Que coisa! Nunca me imaginei reagindo assim, quase que docemente diante de situação tão ignóbil. Bom, melhor assim, pois o futuro se apresenta meio nublado no capítulo esperar eficiência, honestidade, transparência de prestadores de serviços, fornecedores e afins.

Agora o triste é saber que há um cabide de empregos, chamado Anatel, que não tem controle nenhum sobre as teles, permite que façam o que querem, do jeito que querem, cobrando o querem do cidadão-cliente. Já estava no tempo de terem domínio da situação e não permitirem serviço tão porco por parte das detentoras de licença para operar na área.

Quanto ao despreparo do pessoal da operadora, que deve ser o mesmo em qualquer uma delas, imagino que isso ocorra por alguns motivos: (a) o que eles pagam só dá para contratar o que eles têm; (b) o que eles têm não tem educação formal de qualidade, não foi apresentado a conceitos básicos de civilidade, cidadania, respeito ao cidadão-cliente;. Muito provavelmente nem alimentação adequada tiveram na infância, o que prejudica a vida, em muitos casos; (c) alguns devem ter até problemas de má formação, mas as teles não estão nem aí para isso. Afinal, o que elas dão está bom para quem é. Esclarecendo: esse quem é, somos nós! (d) as empresas recrutam essas pessoas, dão um treinamento meia boca, os treinados acenam com a cabeça para informar que entenderam tudo, quando não entenderam nada, e partem para a ação; (e) como não entenderam muito do que lhes foi passado, não entendem também o que o cliente quer, então, como podem buscar a solução para os problemas apresentados.

Para mim, a coisa é assim: a empresa faz de conta que respeita o cliente; contrata mão-de-obra que faz de conta que é apropriada; faz de conta que treina esse pessoal e os supervisiona; o pessoal faz de conta que entendeu para o que está ali sendo mal pago; o cliente faz de conta que acredita que esse serviço vai ajudá-lo; o atendente faz de conta que entendeu o problema do cliente e que vai ajudá-lo; a empresa faz de conta que tudo isso está funcionando direitinho e que não há insatisfação.

Pois é, viver num mundo de faz-de-conta é muito cruel! Sete Anões, Cinderela, Peter Pan, onde estão vocês? Venham me salvar!!! Não vejo a hora de acordar desse mundo encantado!

18

de
julho

Os ciclos do Reserva estão de volta

Eu havia comentado que o Reserva continuaria neste ano com ciclos especiais de filmes (http://mskeller.blog.terra.com.br/2009/11/29/tout-le-monde-a-un-choix-entao-nao-tem-desculpa/). Uma vez por mês, por $5, você vê o filme e antes tem um café da manhã bem interessante (café com leite, suco, croissant amanteigado, pain au chocolat).  Vale também pelo burburinho, pelo ambiente. No ano passado, por conta do Ano da França no Brasil, durante três meses, uma vez por mês, exibiam-se filmes sobre um determinado assunto.  Neste ano estão repetindo a dose, e com o mesmo sucesso.

Além dos ciclos, já tivemos o Festival Varilux (http://mskeller.blog.terra.com.br/2010/06/05/nao-sei-o-que-foi-melhor/) e outros momentos especiais (festival do terror, ao qual não deu para eu ir).

Somente hoje deu para ir.  Vi Khamsa (http://www.imdb.com/title/tt1280566/).  Faz parte do tema imigração/aculturação/exclusão.  Bem interessante. O diretor, Karim Dridi, começou com a ideia de fazer um filme sobre uma prisão para jovens que a França estava por construir e terminou por envolver-se com um acampamento de ciganos em Marsellha.  Os atores são todos amadores, membros da comunidade, que o diretor preparou para o filme. E sairam-se muito bem! O tema ainda é sobre os jovens, a falta de inserção, a falta de horizonte, a violência, a solidão.  A personagem principal é um menino de 12 anos que, sem mãe, com um pai distante, chega ao ponto de ter de buscar abrigo/moradia na casa de outros membros da comunidade, e acaba por passar a viver sozinho mesmo. Pequenos golpes, furtos, gente que vive só de esquemas duvidosos. Incrível como pessoas vivem nessa condição, em moradias precárias, não são assimiladas pela sociedade local, e ainda assim conseguem levar vidas dignas, manter famílias, manter tradições, respeitar outros.  Uma situação caótica, pelo menos a meu ver.  Ainda não entendi bem se é preciso ter uma estrutura fortíssima para poder passar por isso, suportar isso e não se degradar, ou se o negócio é não ter estrutura nenhuma e deixar a coisa correr.

Enfim, um filme denso, com um retrato interessante das comunidades cigana e árabe da cidade de Marselha. Trilha sonora muito interessante também.

Ah, e khamsa ou hamsa é isto aqui: http://en.wikipedia.org/wiki/Hamsa. E se isso é sorte, nem quero ver como é o azar…

Mês que vem, outro filme que termina o ciclo: Duas senhoras (http://mskeller.blog.terra.com.br/2010/01/31/esta-foi-facilima/

17

de
julho

Descobri hoje: meu negócio é uma batera

Quem lê pensa que eu sou íntima do assunto, uma verdadeira drummer! Nananinanão…É entusiasmo recente. É que hoje, por acidente mesmo, fui ver o Batuka!Brasil - International Drum Fest (http://www.batukabrasil.com/), no Auditório Ibirapuera. Imaginem que está na 12a. edição, e eu nem sabia de nada…

O festival é de 16 a 18 de julho (acaba amanhã). Tem workshow, performance, show, e bateristas convidados: John Riley (EUA) (eu o vi hoje, muito bacana); Dom Famularo (EUA), Joshua Dekaney (EUA).  O final vai ser bacana: jam session comandada por Dom Famularo.

Bom, nunca me interessei por bateria, devo confessar. Aliás, apesar de gostar do som, admirar os solos que vejo de vez em quando, não é um instrumento do qual eu sentiria falta se todas as baterias do mundo desaparecessem. Pelo menos, acho que não. Mas, para minha surpresa, gostei demais da apresentação de hoje. Vi o workshow do JRiley e a performance do menino Fernando Amaro.

Aprendi um pouco do jargão da bateria (frase, voacabulário, os termos em inglês), bem interessante. A maioria do público era, seguramente, de músicos, bateristas. Várias perguntas para o americano, que se mostrou tranquilo, pedagógico, muito simpático.  E tocou maravilhosamente.  O FAmaro também executou algumas músicas de maneira bem vigorosa. A última, Sing, sing, sing (http://www.youtube.com/watch?v=j9J5Zt2Obko), executada por Gene Krupa, originalmente (Benny Goodman), e performada pelo FAmaro foi fantástica!

E não é que acabei achando que o instrumento de minha vida poderia ser uma bateria! Quem sabe…vou começar pelas vassourinhas (brushes) (http://www.mvhp.com.br/bateria1.htm), acho menos perigoso para a Humanidade.

16

de
julho

Não foi assim um sacrifício

Depois de ver Toy Story 3 (http://mskeller.blog.terra.com.br/2010/06/25/to-infinity-and-beyond/), tentei me lembrar dos dois filmes anteriores, respectivamente de 1995 (1) (http://www.imdb.com/title/tt0114709/) e 1999 (2) (http://en.wikipedia.org/wiki/Toy_Story_2),  Engraçado que me lembrava até bastante bem do primeiro, mas não do segundo, então quis rever para refrescar a memória e ter uma referência.

Uma amiga emprestou-me os dois dvds antigos e lá fui eu para o sacrifício, afinal telinha não é a minha, eu gosto é da telona mesmo; mas considerando a qualidade dos desenhos (atual e lembrança dos anteriores) achei que valia a pena.

Vi o primeiro desenho (imaginem, de 15 anos atrás!) na semana passada. Achei uma delícia. Incrível como a qualidade do desenho, as vozes/dubladores, o roteiro, a trilha sonora já eram visionários! E nada de babaquice.  Muitos conceitos (éticos, filosóficos, sociais, etc.) colocados de maneira divertida, inteligente, mas incisiva, assertiva.  Foi ótimo rever o primeiro desenho.

Agora a surpresa mesmo foi quando vi o segundo (ontem).  Ri demais, achei ainda melhor! Depois que a animação começou, aí sim me lembrei do enredo.  Criativo, igualmente esperto, mesmerizante. Foi uma delícia rever este também!

Percebi que essas obras não cansam jamais, pelo menos não a mim.  Mais 3 que farão parte da dvdteca, para curtir no futuro.  Os 15 anos que separam a primeira produção da mais recente/última não fizeram diferença, não porque não tenha havido evolução, mas porque Toy Story estava pronto desde sempre, brilhantemente concebido e realizado. Impecável! Um caso raro!

14

de
julho

A gente descobre cada coisa!

Acabei de ler o livro “O que a vida me ensinou” de Mario Sergio Cortella, Ed. Saraiva/Versar.

Já havia lido alguns artigos do Prof. Cortella, vstoi alguns vídeos de sua participação em seminários, eventos (http://www.youtube.com/watch?v=kk1oKxzLzXI), e tanto textos quanto performances pareceram-me interessantes.  E agora tive a oportunidade de ler esse livro.

São lições apreendidas pela vida que o autor coloca em termos muito interessantes. O discurso é fluido, há boas ideias, a ótica é perspicaz.  Há alguns enfoques que abriram minha percepção. Por exemplo: “A anulação do outro é o ápice do confronto e o contronto deve ser evitado a todo custo.”  (pg 33). Sei não, eu sou muito competitiva e belicosa, portanto o confronto para mim é combustível em muitas ocasiões. Segundo o Prof. Cortella, o conflito ou discordância são saudáveis e necessários, mas não o confronto. Vou ter de repensar um pouco.

Outros conceitos interessantes: “Para mim, equilíbrio não é um ponto estático entre dois opostos, não é estar no meio. É ir aos extremos e não se perder, seja na ciência, na religião, na política, nos experimentos, no erótico. É ser capaz de vivenciar os múltiplos territórios da vida sem neles se ancorar.” (pg. 42). Pedagógico, esclarecedor!

E há ainda alguns com que não concordo, pela minha experiência de vida. E.g.: “só a carência permite momentos felizes. E esse é o nosso grande desafio aos deuses: não só o desejo de sermos felizes, como a possibilidade efetiva de sermos - ao contrário dos deuses, que em todas as mitologias são representados como entidades atormentadas.
Felizes são os humanos, pois não são felizes sempre - mas, quando são, podem fruir a felicidade com grande intensidade.” (pg. 102). Primeiramente, felicidade é para mim um conceito etéreo, amplo demais e, francamente, algo que me parece inatingível, aquela coisa da “cenourinha” balançando lá na frente.  O que há é bem-estar, é paz, é completude, satisfação,saúde. O mix disso tudo  talvez seja o que nomeiam felicidade, mas se tivermos uns dois ou três desses componentes conjuntamente ou alternadamente, já é o suficiente com certeza para uma ótima vida. Digo isso porque, no meu modo de ver, experimento várias dessas  condições alternadamente, muitas vezes ao dia, na semana, no mês, no ano, pela vida.  E não almejo ou preciso de mais nada, podem acreditar.  Então essa coisa de perder para ter, ou a falta é que faz o ser humano entender o valor de algo, apesar de razoável e bem comum, não é regra, aliás não pode ser.  Olhando para trás, não me lembro de, diante de qualquer momento de minha vida, mesmo dos mais críticos, poder dizer: Ah, se eu tivesse…Ah, se eu fosse…. Ou seja, ses não fazem parte de minha vida a não ser como futuro, alternativas, insights, não como forma de arrependimento.  Minha memória seletiva funciona a mil e assim me poupa de constatações desagradáveis. Ainda bem!

Mais um conceito interessante: “É preciso lembrar que só os humanos são mortais, pois só os humanos sabem que vão morrer - os demais animais não lidam com o conceito de finitude e,portanto, não são mortais.” (pg. 104). Óbivo, não é?  Nessas horas é que eu queria ser um gato/a, cachorro, ou outro dito irracional.

Agora a grande surpresa foi a frase:”Ninguém, em sã consciência, faz um diário para si mesmo - isso seria um exercício psicopata.” (pg. 61). Isto é dito no texto “A sociedade da exposição”, em que se discutem blogs, redes sociais (Orkut, Twitter, Face, etc.).   Levei um susto, porque, afinal, o ato de escrever é que é importante para mim, não a exposição.  Eu diria que ajudar o outro, informar também é importante, mas menos do que o ato de colocar coisas no papel, na tela, na rede.  Antes eu punha em cadernos, que nem eu mesma relia/reli, e passei a usar a rede porque acho que pode ajudar, agregar, alegrar outras vidas.

Bom, sempre achei que eu tinha uns vieses, mas psicopata? Ai,ai,ai,ai,ai…

Claro que sempre fico contente quando alguém usa algo que escrevi, da mesma forma que estou “usando” o livro do Prof. Cortella para olhar a vida, repensar, acordar para coisas novas.  Mas escrever é que é o must.  Eu imprimo meus posts porque amanhã a memória não será a mesma, vai haver momentos em que vou querer me lembrar de um filme, um livro, uma exposição e se não tiver documentado, nada feito. Angústia total! Portanto, escrevo, sobretudo, para mim. Eventualmente para reler no futuro.

Isso é tão verdadeiro que vou me estender e contar uma historinha: quando minha mãe morreu, tive de arrumar um jeito de continuar vivendo e bem.  O peso da perda foi imenso. Como trabalhar isso? Já mencionei em algum post que nunca fiz terapia, porque não achei que isse seria o melhor para mim tão simplesmente. Enão o quê?  Escrever, claaarooo!  E foi isso que fiz. Quase um diário, que eu escrevia diligentemente, com caneta boa, nada de BIC (adoro BICs, mas meu diário merecia mais). E foi um caderno, dois, três…até que os “posts” começaram a ser mensais, a cada dois meses, três, até não haver periodicidade rígida. Coisas bem pessoais.  Neste caso específico, o diário não era para ser lido, só para depositar pensamentos, sentimentos nem sempre nobres, opiniões ferozes muitas vezes.  E me perguntem se eu algum dia reli o que escrevi? Não. Mas vou fazer isso agora que terei mais tempo, tão-somente para depois destruí-lo, jogar fora, poupar espaço. E, tenho certeza, vou me surpreender com o que está nos cadernos: com o estilo, com o tema, com a abordagem, com a pessoa que escreveu tudo aquilo. Eu, por acaso.  Também vou me envergonhar, e/ou me orgulhar, e vou me estranhar, podem ter certeza.

Portanto, eu sou aquela que escreveu para não ler, apenas para se “purificar”, e foi um santo remédio, na hora em que eu mais precisei, e do melhor jeito que deu.  Com o blog é mais ou menos a mesma coisa, um exercício de purificação, de catarse.

É interessante que mais ou menos isso que fiz, o Prof. Cortella aplicou para seus filhos. Texto “Escrever, para apaziguar…”(pg. 13). A função e a mecânica eram outras para as crianças, mas mesmo assim a catarse, purificação são evidentes.

Resumindo: gostei muito do livro do Prof. Cortella (não sei se ele gosta de ser chamado assim, mas ele é um mestre mesmo, então só posso chamá-lo dessa forma respeitosa). Em um dado momento, ele conta sobre sua formação, o que o levou a ser o que é, sua carreira, sua vida familiar. Uma pessoa muito interessante, muito clara, franca aparentemente, de raciocínio objetivo mas criativo, perspicaz, cultura inquestionável e amplíssima.  Vou ver se leio outro em breve.

E para terminar, um texto que julgo muito bonito: ” Viver em paz para morrer em paz! Viver em paz não é viver sem problemas, sem atribulações, sem tormentas. vier em paz é viver com a clareza de estar fazendo o que precisa ser feito, ou seja, não apequenar a própria vida e nem a de outra pessoa, ou qualquer outra vida. viver em paz é repartir amizade, lealdade, fraternidade, solidariedade, vitalidade.
Morrer em paz é poder ter-se livrado das tentações da futilidade de muitos propósitos, recusado a atração pela vacuidade de inteções e afastado a indecência de uma vida apequenada, infértil e desértica.
Continua valendo a pergunta, para você, e para mim: se você não existise (se eu não existisse), que falta faria?” (pg. 109).

Obrigada, Prof. Cortella. Valeu!

12

de
julho

501 posts

Adoro isto!  Uma benção! Não sei o que dizer…só posso agradecer às forças do Universo que me permitem continuar por esse caminho, escrevendo.

Arquivado em: Humanidades I Comentários (2)

12

de
julho

Não era bem isso que eu esperava

Pois é, mostras no SESC são ótimas em geral, como tenho comentado inúmeras vezes (http://mskeller.blog.terra.com.br/2010/01/10/o-sesc-nao-decepciona-ja-o-masp/).  E desta vez a expectativa era enorme. Afinal National Geographic…uau!!! E lá fui eu para o SESC Pinheiros ver Fora da ordem, fotografias da NG (http://www.sescsp.org.br/sesc/programa_new/mostra_detalhe.cfm?programacao_id=175573). Além desta unidade do SESC ser muito moderna, enorme, etc., NG é um brand inigualável e indiscutível.  Só que a coisa não funcionou bem assim.   Primeiramente o atendimento no SESC mostrou-se desatento, descortês, bem diferente do que estou acostumada a ver em outras unidades.  A exposição está no 3. andar e térreo. Exatamente por quê?  Se ela é relativamente pequena, apenas de fotos?  Por que fazer a coisa difícil para o público quando há tanto espaço por lá que poderia acolher toda a exposição num só andar?  O tema é o do momento: ambiente, clima, devastação, a Natureza nos dando uma lição.  Há fotos primorosas, mas muitas nem tanto. Óbvio que a gente não quer ver desastre, pelo contrário, mas há fotos bem insossinhas. E sabendo do que o pessoal da NG é capaz de fazer, foi um tantinho decepcionante.  Havia também um filme, mas não deu para assistir, já que levava um tempão e eu tinha outro compromisso depois.

Outra coisa que me irrita um pouco nos SESCs, em geral, é a loja. Tem coisas ótimas, excelentes, mas os livros, por exemplo, ficam distribuídos por suportes muito baixos.  A parte mais baixa é de difícil acesso, então a gente acaba não tendo noção exata de tudo que está à venda.  Uma pena, porque há publicações fantásticas.

No domingo, fui ver mais um show de tango do MCB (http://mskeller.blog.terra.com.br/2010/07/07/um-genio-argentino/) e, depois, fui ao Parque da Juventude (http://www.sejel.sp.gov.br/parquedajuventude/).  Um espaço totalmente refeito, adaptado para o uso da comunidade, ali onde era a Penitenciária do Estado - Carandiru. A área é imensa, tem quadras para vários esportes, espaço para piquenique, muitas árvores (poderia ter mais, pois há espaços enormes descampados, que em dias de sol dão uma sensação de deserto, aridez), biblioteca, e espaço para muitas atividades.  Fica relativamente perto do metrô (acho que a estação mais próxima é a Tietê), mas a impressão que me deu é que quem usa mesmo é o pessoal da redondeza basicamente. Forasteiros como eu, não pareciam muitos. Havia ônibus de turismo, mas não me pareceu que fossem para/do grosso do público.

O lugar é realmente amplíssimo.  Tem umas lanchonetes, banheiros (só usei o da biblioteca), bancos, pista de skate.  No entanto, muitas das pistas/alamedas são de terra batida, o que é ruim, pois quando chove, por exemplo, a água acaba  comendo muito das pistas, provocando grandes valas, buracos.  Ou seja, não são devidamente cimentadas, não servem para corrida ou caminhada com segurança, nem para ciclismo ou algo do gênero. Uma pena, porque os espaços são privilegiadíssimos e poderiam atender muitos praticantes de esportes.  Fora o que, como mencionei, quando chove a coisa deve ficar uma meleca só (lama mesmo).

A biblioteca é bem montada: muitas estações de acesso à internet, em termos de publicações pareceu-me um pouco tímida. De qualquer forma, possui títulos de naturezas bem variadas, mesmo que não tantos quanto poderia ou deveria, e o pessoal recorre para empréstimo até que bastante.

Não vi folhetos sobre o local, o pessoal que fica nas portarias ou rodando por lá (seguranças, talvez?) são bem limitadinhos, a gente percebe.  Não sei se têm algum serviço de “tour” interno, monitoria. Não vi nada anunciado e não identifiquei nada com jeito de, mas pode até ser.

O complexo está em uma área carente, que precisa desse tipo de empreendimento estatal. É importante, útil, só precisa caprichar um pouquinho, afinal, se já fizeram tanto, gastaram tanto, por que não fazer direito, até o fim? É a mania nacional e, sobretudo pública, do: ah, tá bom! Para quem é, está ótimo. E o detalhe vai pelo ralo, e a manutenção é pífia. Enfim…vale visitar o lugar de todo jeito.

10

de
julho

Liberdade, Liberdade, abre as asas sobre nós

E hoje foi dia de voltar à “Liberté”.  Um bairro tão particular e tão querido. Uma delícia andar por suas ruas, andar pela feirinha ali na praça próxima ao metrô, vasculhar suas lojas, galerias, comer aquelas comidas deliciosas.  Um mundo de gente, um astral ótimo!

Há um tempão não ia por ali.  Uma delícia ver o trabalho de tantos artesãos. Poder pedir ao sacerdote xintoísta que escreva meu nome junto à palavra prosperidade (em kandi) e reze uma prece por mim e amigos.  Só uma observação: não sei se isso vai funcionar de fato, afinal pedi um descontinho e ele não deu…sei não se essa prosperidade já está rodando…mas vale pela liturgia, sem dúvida. E ainda fazer uma massagem gostosa (o pessoal da Oniki tem uma tendinha ali); sentar num canto da praça para tomar sol, e ver os velhinhos orientais também por ali: descansando, conversando, prestando atenção à vida que gravita por lá; ver o lufa-lufa, o empreendedorismo dos negócios (hoje tem mais coreano que japonês por ali). Um pedacinho mais que vibrante de S. Paulo, que paulistanos e demais brasileiros aprenderam a usufruir.

Foi bom demais!

Ah, e dias 24 e 25/7 tem o Festival Tanabata Matsuri. A gente pendura desejos (saúde, prosperidade, paz, etc.) escritos em tiras numa árvore, que é queimada no final do festival com nossos desejos.  E eles vão lá para o alto, para Matsuri (estrela/s) saber do que precisamos e nos conceder. Também tem muita festa: danças, comidas, artesanato.  Veja os detalhes aqui: http://www.tanabata.com.br/conteudo/festival.php.

Se puder, vá.  Não custa ajudar a sorte, certo?

10

de
julho

Pinacotecas ride again - parte 2

Pois é, esqueci de mencionar duas coisas interessantes quanto às visitas de ontem.

Quando estava saindo da sala da mostra da Mônica Nador (Estação Pinacoteca), que tem pinturas bem elaboradas, quase todas muito filigranadas, um menininho meio franzino, de no máximo uns oito anos, estava sentado diante de uma das pinturas, com bloco de desenho, lápis, superatento e laborioso.  Pensei: nãããooo, ele não está copiando a pintura…afinal, um molequinho, com movimentos tão firmes, olhar ávido…nããããooo.  E para tirar a dúvida, aproximei-me e perguntei: você está copiando? E ele, com olhar bem tranquilo, vozinha fina disse: estou.  Posso ver?  Hum, hum! Gente, era exatamente a parte superior da pintura, com traços superintrincados. Estava tudo ali…Bacana, hein! Parabéns, viu?  E lá fui eu tentando processar o fato.

Dali fui ver a coleção Nemirovsky, no segundo andar.  Já vi a coleção uma porção de vezes, mas sempre me dá a impressão de ver algo novo, algo inédito, sempre há algo admirável a perceber.  Passei para a segunda sala onde estão Marc Chagal, Lasar Segall, Tarsila do Amaral e tantos outros.  Quando estava terminando a visita, vi duas moças, uma menina, o tal garotinho desenhista.  Ele estava na frente de um Chagal copiando…E parece que o fez bem, pois até os seguranças da sala ficaram impressionados com o menino.

Temos, portanto: (1) um menino com um talento muito especial, tão novinho, e já sabendo que pode e quer fazer arte; (2) um possível grande talento escapando pelos dedos. Explico: esse tipo de fato ocorre em todos os museus do mundo (aqui bem menos obviamente), ie, gente indo a museus para copiar os mestres, mas na idade desse menino é um tantinho raro.  Não era para esse pessoal, que fica pelas salas, ao perceber algo tão incomum, ser orientado a chamar alguém do museu ou indicar um contato ao talento presente? Pois é, mas não é isso que acontece em um país que deveria prezar qualquer descoberta, qualquer possibilidade de brilho nas artes. Pena!Tomara que o tal menininho persista e encontre seu caminho para brilhar de alguma forma.

O segundo fato foi a titulagem -ou sei lá como se chamam os textos que indicam o nome das obras, artista, ano de produção, dão explicações sobre-, da exposição Ouros do Eldorado. Por que, por que, por que se fazem textos brancos sobre etiquetas translúcidas que ficam totalmente brancas devido ao ângulo de iluminação?  Se a gente não se aproxima muito do display/vitrine não consegue ler o texto. E estão praticamente na horizontal e não vertical. O que isso provoca? Impedimento de acesso ao texto por um maior número de pessoas, ou seja, apenas duas ou três pessoas no máximo conseguem estar próximas o suficiente para ler a informação. E mais: como este é um país cada vez mais de iletrados, gente que lê mal, os tempos de leitura são lentos em geral, e ainda há pessoas que se detém em frente às vitrines para trocar impressões, fazer fofoca, conversar sobre veleidades, pouco se importando com os outros que estão aguardando para ter acesso à informação sobre a obra.  Então, a gente tinha ou que esperar, ou pular um e outro, voltar depois, enfim…Por que não colocar os textos a uma altura média para os olhos dos brasileiros (1,50m), em cores mais legíveis (um pretinho ou vermelho básico)?  Ninguém fez o teste para ver de que distância os textos podiam ser lidos?   E o problema se repetia em todas as vitrines, e a exposição já está ocorrendo há um certo tempo. Não dava para corrigir?  Obviamente, quem vai num horário sossegadinho, não vai perceber o problema, mas quando há público, e cá entre nós, imagino que seja isso que todos os museus do mundo almejem, fica bem difícil. E vejam que ontem não havia multidão, até porque muita gente deve ter viajado e eu estive na Pinacoteca perto da hora do almoço.  E mais, o público em geral não gosta de ler as informações, a grande maioria passa batido, e esse tipo de problema só desestimula ainda mais os visitantes a lerem as informações fornecidas. Impressionante e angustiante esse tipo de descuido tão básico.

9

de
julho

Pinacotecas ride again

Eu já disse, redisse, rerredisse…adoro a Pinacoteca! Mesmo com aquela coisa de comumente não ter folder das exposições que dê para todos os visitantes, um sistema ridículo de detecção na entrada do museu, um pessoalzinho mal treinado, seguranças ou supervisores de salas mais preocupados em conversar do que em orientar o público de fato (isso tudo vale para a Estação Pinacoteca também), ainda é meu museu preferido em S. Paulo.

Ah, sim, a cafeteria/restaurante, bem como parte do térreo estão em reforma. Já faz um tempinho. Vamos ver até quando e o que virá daí. Tomara que seja coisa boa.

E hoje foi dia de visitar tanto a Estação (http://www.pinacoteca.org.br/pinacoteca/default.aspx?mn=191&c=336&s=0) quanto a Pinacoteca.

Na Estação estão Renina Katz (aquarelas emocionantes!), Mônica Nador com Pintura de exteriores (muito interessante!), Cassio MIchalany com Pinturas - Permutações de cor (não gostei, sorry!) e Elizabeth Jobim com Em Azul (gostei médio).  Além desses artistas, há uma exposição extensiva e interessantíssima da produção da Imprensa Oficial do Estado de S. Paulo. Pois é, na minha ignorância sempre olhei para a Imprensa Oficial como algo rançoso, cheio de pó, tendencioso.  Acho que devo isso à Moral e Cívica, anos de ditadura, performance pouco capacitada do Estado como um todo.

Mas não é assim, não. Dei-me conta de que a grande maioria das publicações de excelente qualidade da Pinacoteca, por exemplo, são produzidas pela Imprensa Oficial do ESP. Além disso, cuida de manter a memória de muitos ligados à arte que, se bobear, nem no Google a gente acha e que merecem, sim, um lugar de destaque. Atores, diretores, organizações televisivas. Muita história, muita memória. Encantei-me com publicações como um jornal chamado Ex- (http://www.memoriasreveladas.gov.br/cgi/cgilua.exe/sys/start.htm?infoid=239&sid=5) dos idos de 1975.  Inexplicável…

Durante a visita a esta exposição dei-me conta também de que nunca tinha lido um roteiro. Peças, livros de monte sim, vi zilhões de filmes, mas um roteiro de filme? Nunca.  Bem, comprei o roteiro de um filme a que assisti para poder fazer o comparativo, ter uma referência, entender de que se trata de fato.  Depois comento.

Depois foi a hora do mea culpa, em parte: (1) a lojinha da Imprensa Oficial está lá, vendendo publicações com ótimo desconto.  Não sei se está aceitando cartão ((http://mskeller.blog.terra.com.br/2010/05/28/nem-tao-bravo-assim/)), pois desta vez nem perguntei. Desculpem a falha!  Mesmo assim vale visitar, fica até 16/7; (2) e, teimosamente, fui almoçar no restaurante da Estação. Parece-me que houve uma mudança grande. O nome do restaurante agora (não me lembro de ser esse o nome anteriormente) Flor.

Além de haver muitos frequentadores (normalmente vejo aquilo às moscas), o cardápio mudou, o atendimento foi muito melhor.  Pratos interessantes, com bom preço, decoração bonita (uma pintura bem bacana nas paredes), mas o balcão continua no lugar errado. Incrível como vai um, vem outro, e não percebem que tão-somente girar o balcão do caixa, e onde servem pessoas que levam o que compram, resolveria os problemas remanescentes, sem impactar espaço ou o funcionamento do pessoal.  Mas um dia alguém vai sacar isso.

Paguei $37 pelo prato que comi (estava bem gostoso), limonada, água, sobremesa, café e serviço; bem bom, né?

Aí fui para a Pinacoteca (http://www.pinacoteca.org.br/pinacoteca/default.aspx). Deram uma mudada no salão de entrada. E, miracolo! Tinha folder das exposições!

A gente tem de deixar sacolas num guarda-volumes.  Nada demais e natural (no SESI Paulista e Faap a gente tem deixar a bolsa, só leva o que precisar e der na mão, o que também não é o ideal pois posso ter uma Uzi debaixo da camisa, por exemplo. Ou seja, o raio-x é o mais prático e mais seguro). Antes era no balcão de recepção e, que eu me lembre, nunca precisei deixar nada lá. Enfim…onde fica o guarda-volumes agora? Ao lado do balcão de recepção? Atrás? Não lááááá fora…isso: você entra, vai até a passagem de entrada propriamente e aí o segurança diz que você tem de deixar seu pertence no guarda-volumes, que é onde? Lá fora! Dá uma angústia ver essas coisas…

Aí você tem de passar pelo detector de metais. Por que não põem logo um raio-x, como já sugeri para o MASP. Afinal, quem não tem guarda-chuva, celular, moedas, chave?  Tira tudo, guarda tudo…uma imbecilidade total… Enfim, vamos ao que interessa: tanto Ouros do Eldorado, quanto as fotos de José Manuel Ballester (Fervor da Metrópole) são lindas exposições.  Peças maravilhosas, AD e DC, em ouro, sobretudo, com trabalhos inacreditáveis. Alguns itens foram manufaturados sem ferramentas apropriadas, ou até sem ferramenta nenhuma, só na pedra, na madeira, mas a delicadeza, a concepção moderna de tantas são emocionantes. Arte que foi descontinuada após a invasão espanhola. Apenas mais um aspecto de uma cultura pujante que foi sufocado pelos colonizadores. A pena é que foi um embate de culturas, civlizações, que não trouxe ganhos, só grandes perdas.

As fotos de Ballester são muito interessantes, sobretudo para quem vive ou conhece bem S. Paulo. Bem legal!

Algumas observações:

  1. quem visitar tanto a Estação quando a Pinacoteca, paga um e leva dois. É preciso mencionar que está indo de um museu a outro já no primeiro para gozar desse benefício;
  2. quando estava indo da Estação para a Pinacoteca e depois para casa, passei pelo lado externo do Jardim da Luz. Aquilo é lindo! Um museu a céu aberto, até bem mantido (os canteiros estão bem podados), mas com muita prostituta rodando por ali, no meio de famílias, de visitantes estrangeiros, sob o olhar leniente da segurança. Pois é, eu, você, todos nós pagamos para as moças terem seu ganha-pão.  Como é possível que numa cidade como SP isso seja permitido, num local mantido pelo Estado, que só poderia remeter à história, à arte, que poderia atrair muito mais turistas, trazer divisas, servir de cartão postal?  Lamentável a impotência e incapacidade do poder público, além da evidente convivência;
  3. e como a cidade está suja!! Imunda!  O pior é que a população, sobretudo a mais ignorante se acostuma com isso e continua sujando, aumentando o problema.  O bordão é: é assim mesmo? o que eu posso fazer?  Se a Prefeitura fizesse o dever de cada isso não estaria acontecendo, com certeza.
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