Escrever para viver!

Tudo que der na telha e que eu achar que vale a pena

20

de
junho

Um pé de quê? Maravilha, oras!

Hoje foi dia de visitar o SESC Pompéia. Os SESCs normalmente montam espetáculos e exposições primorosos (e.g. http://mskeller.blog.terra.com.br/2010/02/20/parece-que-foi-ontem/).  Tudo é muito moderno, interativo, completo, bem pensado, plástico. E o que vi hoje não foi diferente.

Primeiramente a peça infantil No meio da noite escura tem um pé de maravilha (http://www.sescsp.org.br/sesc/programa_new/mostra_detalhe.cfm?programacao_id=171500) (http://vejasp.abril.com.br/revista/edicao-2170/no-meio-da-noite-escura-tem-um-pe-de-maravilha-infantil-teatro-sesc), com o Grupo Pé de Maravilha. Com um nome desses só podia ter muita boniteza…

O grupo é formado por uma moça e 4 rapazes, sendo 3 basicamente instrumentistas, mas todos participam mais extensivamente em algum momento da peça.  São contos, histórias, charadas, tudo muito divertido, muito inteligente. E como os pequenos participam! Aliás, hoje especificamente tinha um menininho (4-5 anos máximo) que ajudou muito.  Os próprios atores divertiram-se com as intervenções do molequinho esperto.  Mas a verdade é que os adultos também aproveitaram, e muito. Analisando bem, acho que foi a peça mais divertida a que assisti nos últimos meses. Divertida, leve, sem apelações, inteligente, simpática.  O espetáculo dura uma hora, mas se fossem duas não seria nada mau.

Fica em cartaz até 4 de julho (sábados - 13h e domingos - 12h). Vale muitíssimo a pena.

E já que estava naquela unidade do SESC, fui ver Shoá, reflexões por um mundo mais tolerante (http://www.mostrashoa.com.br/) (http://www.sescsp.org.br/sesc/revistas/subindex.cfm?Paramend=1&IDCategoria=6559). Igualmente, uma exposição completa, com informações transmitidas das formas mais variadas e atraentes.  Há também vários vídeos por todos os lados, fotos, cartazes, objetos, etc.

Como estive na Alemanha e na Holanda recentemente, revi vários locais e exposições dedicadas ao “pogrom” dos judeus. Isso existe por lá de várias formas e em vários lugares (http://alemanhaholanda2010.blogspot.com/?zx=bb5243b9c35a911c), então a mostra de hoje não seria grande novidade No entanto, considerando a qualidade das informações e da forma de apresentá-las, foi, sim, uma boa surpresa. E muito emocionante! Há muitos judeus que passaram pelas agruras da perseguição, do extermínio (quase), que vivem aqui e contam tudo em português, i.e., na minha língua. Isso dá um peso diferente ao assunto.

Interessante e pedagógico. Vai até 4 de julho e é gratuito.  Se puder, vá ver, e leve um lencinho.

Ah, e como na maioria dos casos-SESC, tem folder/folheto/programa para tudo.

15

de
junho

Um livro muito especial

Adoro Mário Quintana (http://pt.wikipedia.org/wiki/Mário_Quintana)! Gosto dos textos sempre leves, do sentimento profundo, do humor inquestionável. E tem também sensualidade em muitos textos, e como tem.

Já li vários livros do autor e ganhei recentemente O Livro de Haicais (http://www.livrariacultura.com.br/scripts/cultura/resenha/resenha.asp?nitem=2968573). Uma delícia de livro, até porque a fórmula do Haicai (http://pt.wikipedia.org/wiki/Haikai) é assim: econômica, leve, profunda, pungente.  E esse livro, especificamente, tem ilustrações maravilhosas de Roberto Negreiros.  A gente lê o poema e vê a ilustração. Vê a ilustração e lê o poema, e fica sem saber o que é mais bonito.

Aí vai um como exemplo. Um haicai lindíssimo:

Hoje é outro dia

Quando abro cada manhã a janela do meu quarto

É como se abrisse o mesmo livro

Numa página nova…

Oooooh, vida boa, se a gente consegue viver assim.

E tem muito mais. Recomendadíssimo!

14

de
junho

Adendo (blog de 13/6)

Esqueci de mencionar ( http://mskeller.blog.terra.com.br/2010/06/13/phillip-morris-i-love-you-too/) que, coincidentemente, vi, em curto tempo, outro filme focando no sistema prisional de um país estrangeiro.

Em O Golpista do Ano, mostram o sistema carcerário do Texas. Quequiéaquilo! Da mesma forma que em O Profeta (http://mskeller.blog.terra.com.br/2010/06/11/mundo-cao-para-ninguem-botar-defeito/), tudo tem preço, tudo tem quem manda, os prisioneiros enfrentam os guardiães, fugas incríveis, violência, etc., etc., etc.  Igualzinho ao que vi no filme francês, só que com a limpeza típica das prisões americanas modernas.  Como o filme retrata anos 80, 90, pode ser que hoje as coisas estejam melhores por lá, mais moralizadas. Sei não, já não estou acreditando muito. Parece que tudo é igual, menos o cenário (limpeza, instalações, serviços ao preso/biblioteca, e por aí vai).


E, por cúmulo das coincidências, ontem, ao chegar em casa, pós-filme, vi uma matéria sobre uma prisão brasileira, creio que no Espírito Santo.  Um horror. Muito mais crueldade, porque também os presos são muito mais ignorantes, a supervisão é mais frouxa e corrupta, e aqui a vida vale nada para o pessoal do crime. É crueldade pela crueldade, muitas vezes sem nenhum ganho material.  É o homem muito perto do bicho, mas bicho enlouquecido, que animal não mata por matar.  E tudo num ambiente nojento. Não tem como recuperar desse jeito.

E mais uma observação que faltou: assisti ao filme O Golpista no Belas Artes (ex-HSBC e outros). Como é que um lugar daqueles chega ao ponto de quase fechar portas?  Filas para ver os filmes, salas bastante cheias, só que atendimento de bilheteria desorganizado, lento. O café então, com mais de 5 pessoas já vira um tumulto, uma gritaria de próximo, de cada pedido que sai (pipoca pequena, café tal, água tal…). Uma coisa! A única coisa que se salvou foi o banheiro (pelo menos o feminino). É relativamente pequeno (o que usei, mas há vários), mas limpo, uma pessoa sempre ali recolhendo lixo, dando um jeito.

Fato folclórico: meu filme era na sala 1. Formou-se uma fila. De repente um amigo resolve perguntar se aquela era a fila certa, e não era. Era para a sala 2, contígua. Pelamor, não têm nem capacidade para separar filas?  Assim não dá mesmo!

13

de
junho

Phillip Morris, I love you, too!

Pois é, embora tenha visto umas duas vezes o trailer de O Golpista do Ano (ai, essa criatividade me mata…) (http://vejasp.abril.com.br/cinema/o-golpista-do-ano), em inglês: I love you, Phillip Morris (http://www.imdb.com/title/tt1045772/), não sabia bem o que esperar do filme.

Jim Carrey está longe de ser meu ator predileto. O Máscara foi o máximo, mas a partir daí pareceu-me que o ator só interpretava a si mesmo, i.e., sempre as mesmas caretas, o mesmo gestual, não importando sobre o que era o filme, qual a personagem, qual o texto.  Mas acho que no meio do caminho houve uma ou outra coisa diferente, interessante (http://mskeller.blog.terra.com.br/2009/11/20/dickens-e-que-era-o-cara/) (http://mskeller.blog.terra.com.br/2009/02/01/um-bau-de-historias/). Não assisti a tudo que o ator fez, mas não devo estar tão fora da realidade, pois nunca encontrei alguém que dissesse sobre o ator: esse é o cara!

De qualquer forma, já de vê-lo em um filme que pode macular a carreira de um ator para sempre, já que representa um homossexual abertamente, achei que valeria ver .  Quanto ao Ewan McGregor, que tem feito um filme atrás do outro (e.g. http://mskeller.blog.terra.com.br/2010/04/04/isso-e-que-e-voar/) - aliás ainda não vi Ghost Writer e não vejo a hora…-, parece que aprendeu a fórmula. Dos tempos de droga, bebida, e sei lá mais ou que, parece não ter ficado nada.  É o queridinho de muitos diretores e desempenha bem seus papéis, mas que não é uma Brastemp, não é mesmo.

Com o passar do tempo (ele tem 40 anos e parece ter seus 40. Sem dúvida seu dna ajudou-o, afinal, depois de tantos excessos, era para ele estar bem ruinzinho) acho que ele melhorou bastante, está mais seguro, um tantinho linear demais, mas ainda assim melhor. Para mim um ator mediano sempre. De novo, dois heteros, oficialmente, em papéis tão claramente gays é, no mínimo, interessante.

No começo, o filme, que se baseia em caso real, fica entre o autobiográfico bem-humorado e o caricatural. Depois ele pega o ritmo, e o ritmo é: gays também são gente. Brincadeira. Na verdade, o filme poderia ser uma piada de mau gosto, algo raso mesmo, mas não.  Há humor, como há humor na vida de todos nós, mas não o escárnio.  E o roteiro entre os dois namorados ou “maridos” poderiam ser aquelas entre homem e mulher, pais e filhos, primos, irmãos. São apenas seres humanos, com mais ou menos defeitos, que gostam de outros seres humanos.  Lembrou-me de Brokeback Mountain. Mais que um filme que retrata o envolvimento sexual e sentimental entre dois homens, é um filme de amor, de amizade, de carinho.  E foi assim que eu assiti a O golpista.  Há momentos de grande ternura, há sexo, mas nada que a gente não tenha visto por aí. Ou seja, uma discussão aberta, sem vieses, sem exageros de uma relação entre iguais.

Francamente, acho que deveria ser o filme de treinamento para os homófobos. Não que eles viessem a gostar de gays só de ver o filme, mas veriam em cenas, diálogos claros, que as diferenças entre todos são poucas. Claro que homens são seres copulantes, promíscuos, se comparados às mulheres, mas o filme diz que é possível, sim, para homens estabelecerem também relações, com outros homens, mais estáveis, menos sexuais, menos rasas. Seria bom homófobos entenderem a diversidade, até porque os homossexuais estão aí, são milhões, minoria, mas de milhões, então melhor não ignorar e conhecer o “inimigo”.

O filme narra a história de um grande golpista (e que criatividade tinha ele!) que se descobriu gay um dia. Na verdade, depois da descoberta é que aflora o golpista. E são esquemas de todo jeito: inteligentes, bobos, bem sucedidos, mal, muitos. E quantos homens ou mulheres heteros não praticam essas malandragens por aí? Mas voltando: o filme se passa entre 1980 e 2009, então a AIDS está lá.  Mesmo se considerarmos que tanto homens quanto mulheres passaram a se prevenir melhor, e que a AIDS tem hoje um perfil bem mais complexo do que na época da “praga Gay”, o lembrete sobre a AIDS não deixa de ser importantíssimo. Afinal o gênero masculino não está livre de voltar a pensar com o pênis e/ou ânus, pois isso está no dna, mesmo com tanta história e procura da civilidade pelo caminho.

É preciso ressaltar também que Rodrigo Santoro faz um papel secundário, mas está muito bem. Não compromete, agrega, tem um inglês muito bom (isso eu já tinho visto em Lost), e faz de seu micropersonagem uma figura simpática, interessante, sútil.

Está longe de ser um filmaço, mas é uma boa leitura de muitos aspectos humanos, sociais, sentimentais. Pedagógico, eu diria.

Ah, e mais uma observação: gostei muito de O Direito de Amar (http://mskeller.blog.terra.com.br/2010/05/20/mais-um-da-lista-eliminado/), que trata também do amor entre dois homens. Uma poesia. Pois é, aí está a diferença: para uma discussão sobre o assunto esse filme seria um ensaio, lindo, mas um ensaio. O Golpista seria a encenação propriamente, pois escancara, sem meias-palavras, a realidade da convivência homossexual, sem apologia e sem arrogância. Afinal, como tantas coisas na vida é isso, e ponto.

13

de
junho

Quanta coisa bonita! Assim não aguento!

Outro lugar que prima pela qualidade do que apresenta é o Auditório Ibirapuera (post mais recente:http://mskeller.blog.terra.com.br/2010/05/22/agora-foi-a-vez-do-bandolim/. Acho que nem sempre é tão bem divulgado quanto deveria (espaço excelente, equipe do teatro de primeira, preço muito bom).

E ontem foi dia de dobradinha: às 18h, no foyer, como no show anterior, só que com mais cadeiras para conforto do público, Coro Luther King (http://www.lutherking.art.br/lutherking/) (http://mskeller.blog.terra.com.br/2010/04/10/se-e-de-graca/).  Gostei muito do programa.O coro é fantástico, seu regente seguro, articulado, os arranjos são de primeira.  Ontem sobretudo MPB das décadas de 70/80 máximo.  Lindo, lindo, lindo!  Além do coro, os instrumentistas que participam de algumas peças também agregam muita beleza à apresentação. Deste espetáculo participou também um coral de crianças (Coral Aquarela Biasi).  Apesar do frio, estava bem cheio, acho que tinha mais gente do que a apresentação a que assisti em abril.

A próxima será em 31/7. Como o Coro está comemorando seus 40 anos, será uma apresentação especialíssima, com obra de Vivaldi.  Vai valer muito a pena, com certeza.

Depois, às 21h, foi a vez do Mawaca (http://www.mawaca.com.br/mawaca/index.html). Conheci o grupo em uma apresentação no Centro de Cultura Judaica há uns 3 ou 4 anos.  Ontem o grupo fez uma retrospectiva de seus 15 anos. Outra comemoração!  O show também aconteceu para marcar o lançamento do DVD Rupestres Sonoros.

Não sei se foi impressão, mas imagino que seja até um caminho natural, pois achei o grupo mais seguro, dono do palco, firme mesmo!  As vozes, a performance, a mistura baseada em muita pesquisa, o guarda-roupa, tudo muito, mas muito bonito mesmo!  Teve de tudo:músicas de Portugal, Brasil, Espanha, Albânia (!), Macedônia (!). O Mawaca é assim: totalmente alternativo, diferente, independente, tudo muito harmonioso, inteligente, inédito.  Uma delícia de show! E lendo a história do grupo é que a gente se dá conta de quanto já andaram pelo mundo, pelos quatro cantos, cantando de tudo para todo mundo.

Seguem links de números do grupo para que tenham ideia do trabalho que fazem.

http://www.youtube.com/watch?v=m_e0uXiFIpQ

http://www.youtube.com/watch?v=vSLGm8fUbws

http://www.youtube.com/watch?v=Q1FmD3qsNZQ&feature=related

E tem muito mais!

12

de
junho

Visionaire, um arraso!

Gente, como o Inst. Tomie Ohtake (http://www.institutotomieohtake.org.br/inicio/teinicio.htm) leva exposições de um jeito primoroso, encantador, visionário! E tudo de graça, num horário mais que conveniente para uma cidade como S. Paulo (terça a domingo das 11 às 20h). E não faltam folders! E tem uma livraria ótima lá dentro e uma “lodjinha” embasbacante!  Enfim, gosto demais de visitar o ITO.

E hoje não foi diferente.A exposição Visionaire fica até amanhã e não dava para perder.  Só que minha expectativa foi mais que preenchida.  A exposição é muito interessante. Aliás, nunca tinha ouvido falar na publicação (Visionaire) e nem poderia imaginar algo tão “visionário” (desculpem-me o trocadilho e a ignorância).  Deem uma olhada no site. Desde a apresentação, até os textos, as imagens, a música, tudo muito bonito, de uma plasticidade comovente: http://www.visionaireworld.com/index.php.

Lendo um pouco a história da revista deu para entender que atiraram no que viram quando começaram e acertaram no que não viram.  Claro que como tantas publicações glamourosas é algo que demanda dinheiro, colaboradores estrelados, contatos mil em todos os tempos, mas nada disso explica a inventividade, as soluções, os formatos de cada edição.  A revista tem 20 anos aproximadamente e só é publicada umas poucas vezes ao ano. Cada edição tem um conceito único.

Só vendo mesmo!  Impressionante! Daquelas coisas que a gente vê com um sorriso o tempo todo, porque o inédito é acachapante e lindo!

Só para exemplificar o casamento perfeito entre a revista e a exposição no ITO: uma das edições (Scent / http://www.visionaireworld.com/issues.php?id=42) foi feita em colaboração com a IFF (fabricante de perfumes mundial).  Como o ITO montou esse número especificamente: colocou várias fragrâncias em tótens individuais, com a ficha da frangrância, fotos feitas por estrelados, e um pedestal com um borrifador do perfume exposto (a gente aperta um botão e sente a frangância suavemente).  Uma coisaaaa!!!

Há outra exposição, dando seguimento às anteriores de cartazes já realizadas pelo ITO. Desta vez são cartazes russo.  Bem interessante também.

Semana que vem tem coisa nova, portanto, se puderem, vão ver amanhã (última dia) a mostra Visionaire. Vale muito a pena!

E depois fui conhecer uma padaria/bistrô que abriu pertinho do ITO (e pertinho de casa também. Obaaa!).  É a Le Pain (http://blogs.estadao.com.br/paladar/tag/le-pain/).  Lugar bonito, moderno, atendimento atencioso.  Comi um prato ligeiro que estava razoável.  O grande negócio é ir ali para experimentar os itens de padaria (comprei alguns pra casa e vou comer mais tarde, tá?), que são muitos e parecem muito bons, ou tomar o café-da-manhã (das 7 às 15h. aos sábados, domingos e feriados). Amanhã vou lá. Pelo que vi no bufê é bem interessante. Depois conto.  Preço do bufê de café-da-manhã: R$ 23,00.

Delícia de manhã de sábado. Já ganhei o dia!

11

de
junho

Mundo cão para ninguém botar defeito

De 2 a 10 de junho aconteceu o Festival Varilux de filmes franceses (http://www.festivalcinefrances.com/filmes.php?id=3). Foram 9 filmes, ainda não exibidos por aqui, que passaram em várias cidades do Brasil. Aqui em S. Paulo os filmes foram exibidos no Reserva (meu queridinho) e no Frei Caneca.

Vi dois na semana passada (http://mskeller.blog.terra.com.br/2010/06/05/nao-sei-o-que-foi-melhor/). Ótimos!  E ontem foi a vez de O Profeta (http://www.imdb.com/title/tt1235166/). Não sei por que, mas lendo a sinopse assumi que o filme seria bem diferente.  Mas o filme é bem pesado, tem muita violência, no entanto, é no mínimo pedagógico.

Acho que por ver muito filme americano com prisões controladas, limpinhas, agentes menos corruptos, aqueles gps que controlam a vida do preso, não tinha nenhuma ideia do que seria uma prisão francesa.  E foi uma grande surpresa! Afinal, por pouco, mas bem pouco mesmo, a prisão mostrada no filme (fora de Paris, mas não tão longe assim da capital francesa) não é uma das nossas: celas sujas, deterioradas, grupos de presos que disputam o poder, sob o olhar leniente de guardas ou guardiães.  Criminosos violentos que estendem seu domínio até fora da prisão, de forma forte, com braços longos, matando ou apavorando quem quer que seja, sem que ninguém os detenha de fato.  Uma verdadeira guerra surda e suja.  A corrupção e o poder do dinheiro - muuuitooo dinheiro - também são os mesmos daqui.  Não imaginava mesmo!

É a história de um rapaz, novato na prisão, que é usado pelo grupo dominante para fazer serviços (desde matar, até cozinhar, limpar, etc.). O rapaz é esperto, apesar de semianalfabeto e, claaroo, descendente de imigrantes (nome= Malik El Djebena).  Aprende observando, pensa, faz o jogo dos mais fortes para fortalecer a si mesmo.  No final…bom, não conto, não. De repente o filme passa no circuito comercial e você deixa de ver porque contei o final.  Nananinanão!

É um filme de lances dramáticos (muitos), de violência, dinâmico, muita ação intrincada. Um caleidoscópio que mostra como o mundo gira, dá voltas, mesmo que num microcosmo.

Para mim, o que mais ficou foi a imensa solidão de todos, apesar de terem seus comparsas, seus protetores, a certeza de impunidade, a tal “síndrome de Deus”.  É cada um por si mesmo!

Os atores são muito bons, dão realidade à trama. A trilha sonora é interessante e a fotografia e efeitos (os que representam sonhos, pesadelos, visões) são bem efetivos. Interessante ouvir corsos falando em seu dialeto pela primeira vez na vida.

Para minha sorte, apesar de esperar algo bem diferente, gostei do filme.  Mas aconselho a vê-lo (em circuito ou dvd, se aparecer por aí) com vontade, senão se corre o risco de deixar a sala de cinema no meio da sessão ou não aproveitar o preço do aluguel do filme.

Ah, sim, e novamente o grande “demônio” é o imigrante, sobretudo aquele de origem árabe-muçulmana. Mas imagino que o que se vê ali é o fiel retrato do que é a França hoje, sem panos quente, quando o assunto é crime.

7

de
junho

Quase um conto

Aliás: é um conto! E como eu gosto de contos. Já mencionei isso algumas vezes. Tudo começou com Machado, passou por Maupassant, e Roald Dahl, e Poe, e…

Minha prima já havia mencionado a autora, que eu não conhecia. Aí recebi o link do blog (http://doidivana.wordpress.com/), e o convite para o lançamento do livro Hotel Novo Mundo (http://www.editora34.com.br/detalhe.asp?id=528). Não dava para ir, então pensei: vamos ver como é essa tal Ivana Arruda Leite (http://pt.wikipedia.org/wiki/Ivana_Arruda_Leite).  Comprei o livro e deixei pela casa para ler em algum momento.  Depois de ler vários livros que não agradaram muito, chegou a hora. Não conhecia mesmo, não sabia o que esperar, fininho (120 pgs mais ou menos), então vamos lá!

E foi uma surpresa e tanto: prosa dinâmica, gostosa, nada de peripécias, de invenções, vocabulário mediano, ritmo constante, balanceado. Muito sentimento palpável, possível, e a realidade ali do lado, com ações que poderiam ser as nossas! Um conto-crônica, ou uma crônica-conto. Tanto faz.  Muito bom mesmo!  Bom descobrir esta nova autora tão interessante! Dá vontade de ler outras coisas da Ivana, e vou.

É a história de uma ex-prostituta alçada a uma vida de classe média, provando de amor, de carinho, e de repente redescobrindo-se íntegra, fiel a si, a seus sentimentos, honrada. A partir de uma separação intempestiva conhece gente nova, o Hotel Novo Mundo, um novo amor, um novo jeito de ver a vida. Ótimo ver uma região de S. Paulo descrita de forma tão simples e precisa ao mesmo tempo. A gente, que mora em S. Paulo, participa da trama de pertinho! E torce, e não consegue parar de ler, e entende o que as personagens pensam e sentem. Interatividade total!

Recomendo!

5

de
junho

Não sei o que foi melhor

Começou no meio desta semana (na 4a.) o festival Varilux de filmes franceses. Os filmes estão sendo exibidos no Reserva (http://www.reservacultural.com.br/index.htm) e no Frei Caneca. São 9 filmes, inéditos por aqui, e considerados bons filmes franceses.

Já estava com coceira para ver esses filmes e hoje deu certo. Fui ver Le Petit Nicolas (http://www.petitnicolas.com/#part=home) (http://www.imdb.com/title/tt1264904/) baseado nos quadrinhos de Sempé e Goscinny (ele mesmo, o coautor de Astérix com Uderzo).  Não li os livros, mas não fez falta. O filme fui uma grata surpresa! Fazia muito tempo que não ria de coisas tão inocentes, e tão divertidas por si só. Pureza e ingenuidade de um grupo de moleques de começo a fim.  Claro que tem o nerd, o bullying, um pouco de crueldade infantil, mas tudo muito longe de qualquer coisa que exista atualmente. Muita imaginação, muita ação implausível, com performances maravilhosas da criançada.  Uma delícia de filme! Dá para ver mais de uma vez, porque é muito, muito bom! Tanta trapalhada inocente, esquemas mirabolantes que não dão em nada.

Os atores-mirins são fantásticos. Tem também a Sandrine Kimberlain, que está no filme Mlle. Chambon (http://mskeller.blog.terra.com.br/2010/05/28/o-silencio-fala-alto/), no mesmo papel: professora, e Valérie Remercier e Kad Merad (pais de Nicolas) que também estão 100%.

A sessão das 14h. estava lotada (consegui um dos últimos ingressos). Digamos que 2/3 eram adultos e 1/3 crianças. Não sei se as crianças curtiram, porque apesar de todas terem lido (segundo comentários maternos) os livros do petit héro, como o filme é em francês, legendado, e as crianças eram pequenas (máximo 10 anos), não sei se conseguiram se divertir tanto quanto os adultos.

A trilha sonora é muito boa também, ajuda na diversão.

A sessão seguinte foi de Océans (http://www.imdb.com/title/tt0765128/) (http://oceans-lefilm.com/), produção Disney, dirigida por Jacques PerrinJacques Cluzaud.  Aliás, deem uma olhada no site do filme (aqui atrás). É muito bem feito.

O filme então…uma maravilha! Não sou muito de ver Discovery e coisas do gênero. Mas já vi muitos documentários no cinema (e.g.http://mskeller.blog.terra.com.br/2009/08/10/e-muito-tarde-para-ser-pessimista/ ). Mas as imagens deste são fabulosas! Eles filmaram em todas as partes do mundo: Argentina, Venezuela, Califórnia, Flórida, Austrália, Bahamas, América Central, Ártico, França, Itália, Egito, e mais uma dezena de países pelo menos!

Vi coisas que nunca tinha visto antes: cardumes se organizando, milhares de caranguejos caminhando e se juntando (parece filme de terror, tipo 5a. Dimensão que eu assistia quando adolescente ou um bom Hitchcoch), zilhões de gaivotas fazendo seu voo preciso para capturar alimento, e depois pousando no mar, centenas de golfinhos fazendo manobras quase que militares pelo alimento e pela proteção, baleias de todos os tamanhos, cardumes, cardumes e mais cardumes diferentes, e tudo no momento preciso da ação, i.e, do mergulho, do ataque, do voo, da defesa. E há ainda cenas de uma tempestade marítima que é estonteante! A gente se dá conta que Nature rolls mesmo! E a gente não pode tudo, mesmo com todo conhecimento que a Humanidade angariou pelos séculos.

Fotografia magnífica, nem preciso dizer.  Há cenas nas geleiras da Antártida que são inacreditáveis! Aliás, esse filme deveria ser em 3D. Muitas tomadas seriam fantásticas com essa tecnologia.

A trilha sonora é outra maravilha.

Agora, o mais interessante é que é um filme quase sem texto. As inserções do narrador são mínimas.

Normalmente quando a gente vê documentários do gênero tem bastante discurso, o pessoal explica, explica, explica. Neste não. As imagens falam por si. Aliás, agradeci pelo silêncio, pois é preciso focar todos os sentidos para captar todos os detalhes, toda a beleza do que está na tela.

Outro filme que dá para ver uma, duas, três vezes. Fantático!

Bom, vamos ver se dá para pegar mais algum filme da mostra.  Vou fazer força!

5

de
junho

Eu odeio o MASP!

Não me entendam mal: gosto demais do que levam ali em geral. O acervo também é digno de nota, e, finalmente, está sendo mostrado à população de forma organizada, inteligente.  Mas a administração e o operacional do MASP são de dar engulhos!

Já mencionei várias vezes (http://mskeller.blog.terra.com.br/2010/03/28/um-presente-para-os-olhos/) como atendem mal, não têm folder sobre as exposições, mesmo cobrando aproximadamente Euros 7. E hoje não foi diferente: como mencionei no post anterior, a cidade está vazia - pelo menos na região da Paulista. E a situação não era diferente no MASP. 11h40, nenhuma fila. Duas bilheterias abertas.

Comprei meu ingresso e perguntei: não tem folder para as exposições? Vejam bem, o Museu abre às 11h. Pasmem! Somente naquele momento o bilheteiro, que deve ter uma vida trepidante, cheia de tarefas atrás da boqueta da bilheteria, se deu conta.  -Espera aí!  E aí ele fez o favor de colocar dois bolos de folders: um para Max Ernst, exposição principal, e outro para Stockinger. E para Luise Weiss? Nem pensar…Aí a gente passa por aquele controle rídiculo, manual, que só quem está carregando uma metralhadora será brecado e vai para as exposições. Perguntei à mocinha do detector de metais: a exposição principal está em que andar? Não sei, melhor a senhora perguntar no elevador. Afeeee! É preciso paciência!

O que está sendo levado lá: http://www.masp.art.br/masp2010/exposicoes_emcartaz.php.

A exposição de Max Ernst (http://en.wikipedia.org/wiki/Max_Ernst) é muito primorosa. Bem montada, com trabalhos fantásticos. Apresentam La semaine de la bonté. Trabalhos que não são apresentados comumente, devido à delicadeza dos materiais.  Maravilhosos! Se Max Ernst fosse ilustrador/quadrinista eu não perderia uma edição de suas revistas/livros.  Gostei, sobretudo, da última série/Saturday - The Unknown.  Há coisas ótimas em todas (cada série refere-se a um dia da semana e a um elemento diferente: água, fogo, sangue…), mas essa é a melhor para mim. Tem muita fábula, surrealismo, terror, drama em todas. Tudo muito forte. É um trabalho de filigranas.

Não deixe de ver o videozinho logo na entrada. Você vai entender melhor a exposição e o trabalho do artista, que é interessantíssimo. Porque se você pensa que vai conseguir se informar com o folheto do MASP, esqueça!  Acho que só Super-Homem, com visão superpotente, consegue ler aquela impressão cinza claro! Para que fazer isso? Já que fez um foheto, por que não faz direito?  Algo que dê para as pessoas lerem? Enfim, o artista vale a visita mesmo com todo esse imbroglio.

Aí fui ver Stockinger (http://pt.wikipedia.org/wiki/Francisco_Stockinger), no subsolo. Também muito bonito! As obras em bronze, sobretudo, são fantásticas. Um artista brasileiro de origem austríaca, que morreu no ano passado. Esculturas e xilogravuras muito expressivas.

Depois almoço no restaurante do museu, que ninguém é de ferro, e ver as obras de Luise Weiss (http://www.estadao.com.br/noticias/arteelazer,masp-abre-exposicao-com-obras-de-luise-weiss,538170,0.htm). Não conhecia a artista. Gostei bastante dos trabalhos (pinturas, gravuras,colagens).

Aí, passada na sempre inexpressiva lojinha do Museu - muitas publicações, mas pouco que identifique a loja do MASP, i.e., diferente do que acontece com as lojas do MAM, da Pinacoteca, que já adquiriram sua personalidade e com isso vendem de fato, o que interessa e ajuda bastante os museus (quem ouve o tilintar no Metropolitan, no Moma, no Van Gogh, no Rembrandt, etc., etc, sabe do que estou falando). Mas quem se importa?  O atendimento também é displicente ali.

Agora o mais hilário é que há dois totens para que a gente se cadastre para receber newsletters e um poster. Aí você tem de decorar um número (por que não posso pedir pelo meu nome simplesmente?), ou anotá-lo se tiver papel e caneta na mão, ir até um balcão (o lógico seria retirar na lojinha, até para levar as pessoas até ali, para que a conheçam. Quantas pessoas nunca entraram ali?) em que há um funcionário de nível duvidoso para atender a clientela do museu. Aliás, hoje ele estava mais preocupado em explicar endereços a algumas pessoas, sem sequer olhar para mim, que estava aguardando meu poster. Não houve um: pois não? posso ajudar? Se eu não digo o que quero, babau. Teria criado raízes ali.

Como é que, ano após ano, conseguem continuar com um atendimento tão ruim, e cobrando tanto dos visitantes?

Lamentável!

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