Escrever para viver!

Tudo que der na telha e que eu achar que vale a pena

19

de
maio

Rapidinhas

Voltei sexta-feira a São Paulo e ao Brasil. Como já tive muito movimento (entregar algumas encomendas;visitar os meus queridos Silvia, Fer e Antonio; fazer compras para a casa, sapateiro, lavanderia; ir ao banco, etc. etc.), já circulei por SP.  E como é fácil esquecer do que é ruim ou, no mínimo, não é o melhor…

Algumas coisas me bateram forte:

1) chegando ao aeroporto Intl. de Guarulhos, além da falta de infra como mencionei no blog da minha viagem, outra coisa me incomodou: o som dos anúncios. Em todos os aeroportos por que passei é um som excelente, audível e inteligível em todos os pontos, apesar de o menor ser pelo menos umas 3vezes maior que Cumbica. Além disso, os anúncios são feitos por vozes tranquilas, em 3 línguas no mínimo, em pronúncia perfeita (eu sei porque até em português eu ouvi anúncios).  Por que aqui é feito pela mocinha ou mocinho de plantão, aos gritos, num microfone chiante, com um inglês ruim demais?  Alguém que não entenda muito inglês (sim, gente, lá fora também tem gente que não fala inglês), pode até entrar em pânico tal o tom de urgência, a gritaria, o tom esganiçado dos anúncios. Não dá para melhorar?  Saudades do tempo em que, lá em Congonhas, tudo era gravado com a voz de uma locutora, voz suave, agradável, convidativa, perfeitamente inteligível;

2) o mesmo serve para o metrô de SP. Tomei trens de monte na Alemanha e Holanda e sempre os anúncios, mesmo dentro das cidades (trens urbanos), eram claros, precisos, vários em duas línguas (quando se tratava de pontos turísticos). Por que não pode ser assim aqui?

3) lá fora estava meio frio, então os trens são aquecidos. Oooh, delícia! Aqui não precisamos disso, pelo contrário. Não dá para colocar uma ventilação mais eficiente, ou menos acionar um ar-condicionado? Verdade que os trens novos que, aparentemente, só estão circulando pela linha verde, têm esse conforto, mas é impossível que não se possa ajeitar isso para os trens já em uso e que, seguramente, ainda continuarão em uso por bom tempo.

Tudo fácil, só dependendo de vontade e engenho, porque dinheiro tem, gente, claro que tem, então por que não é feito?  Mistériooossss.

18

de
maio

Um filmão e um filminho

E a coisa aconteceu exatamente nessa ordem. Fui ver Os homens que não amavam as mulheres (Millenium 1) (http://www.imdb.com/title/tt1639008/) (http://cinema.uol.com.br/ultnot/reuters/2010/05/13/estreia-os-homens-que-nao-amavam-as-mulheres-e-instigante.jhtm), baseado em filme homônimo de Stieg Larsson.  Eu não li o/os livros então não dá para saber se é fiel, se muita coisa foi alterada, mas não importa, é uma trama bem complicada para se colocar em filme.

Bem o filme é sueco. Para mim é meio estranho ou incômodo, já que em geral dá para ver o filme com pouca recorrência às legendas (inglês, espanhol, italiano, francês), mas com sueco a coisa é diferente. De todo jeito, a legendagem pareceu-me ok, não percebi nenhum “non sense”, i.e., legenda para um lado e filme para o outro. O filme é um thriller só do começo ao fim. Bem denso, cenas bem pesadas mas bem colocadas. Não tem apelação, o que está ali tem razão de ser. O suspense vai crescendo, crescendo, crescendo…até que vem um desfecho meio “Lost”: um negócio que poderia ter outra justificativa, motivo, alguma coisa mais plausível, menos “psicopática”…enfim, ia indo tudo tão bem, e de repente…  Mas vá lá, o filme é 95% muito bom, então 5% podem ser mais ou menos.

É a história de um jornalista que se envolve num imbroglio com um tycoon sueco, sendo condenado por isso. Mas só na Suécia mesmo…ele foi condenado, mas cumprirá a pena só dali a uns meses (tá bom que a pessoinha, aqui, ia ficar lá, paradinha, tranquilinha, uns meses esperando ser chamada a ir para o xadrez…), e nesse ínterim recebe a oferta de um potentado para investigar o sumiço, ou suposto assassinato, da sobrinha predileta do ricaço.  Aí a coisa vai por caminhos inesperados: fanáticos nazistas, comportamentos doentios, muita tecnologia para desencavar dados, cenas fortes de estupro, agressões, observação que leva a descobertas interessantes, etc., etc.,etc.

Os atores (Naomi Rapace e Michael Nyqvist), de quem nunca vi nada, acho, estão muito bem.  Mesmo os atores secundários dão o recado.  A trilha sonora ajuda muito. E a fotografia é linda; mas como faz frio na Suécia, hein?! Ainda bem que eles estão lá e nós, cá.  Senti até um certo frio no cinema…

O filme foi uma grata surpresa, sobretudo porque não estou acostumada a ver filmes suecos, então a gente fica meio sem saber o que vem por aí. Só um alerta: o filme é longo, a sessão leva 2h40.

Agora, duro é a gente ir à sessão das 14h, com umas 10 pessoas no cinema, e ter a “sorte” de ficar próxima de uma senhorinha que fica fazendo comentários em tom bem audível (ainda bem que foram poucos, mas acaba atrapalhando de todo jeito), e de uma moça que não deu descanso aos maxilares durante todo o filme: primeiramente, ruído de pipoca, saco de pipoca, mais adiante plástico da sacolinha onde estava o restante dos comes, e depois o barulho das balas ou doces sendo desembrulhados - acho que foram uns 50…Valha-me! O pessoal não tem desconfiômetro, ou melhor, civilidade e respeito mesmo!  E, vejam, apesar de ser um shopping (Frei Caneca) em que o público é diferente de outros (não gosto desse shopping, mas não há como  negar que o público ali, em geral, é melhorzinho), a gente ainda topa com esse tipo de coisas.

Depois foi a vez do filminho: Rita Cadillac, a lady do povo (http://www.cinepop.com.br/filmes/ritacadillacladydopovo.htm).  O interessante é que o filme é “inho” pelo diretor, pela produção paupérrima, e não pela personalidade tratada, ou seja, a RC.  Uma direção mais competente, uma produção mais cuidada poderiam fazer dele um filme bem melhor.  Com tema similar “Alô, alô, Terezinha” (http://mskeller.blog.terra.com.br/2009/11/07/uma-homenagem-interessante/) teve um resultado bem melhor.  Por incrível que possa parecer, a Rita Cadillac não só tem uma vida bastante interessante, como é uma pessoa com conteúdo.  Aliás, o filme serviu para demolir alguns pré-conceitos que eu tinha sobre ela.  No entanto, apesar de ser uma pessoa/personagem com certa riqueza, o assunto foi tratado de um jeito bem medíocre, bem pobrinho, bem pouco criativo.

De todo jeito, foi interessante descobrir facetas que eu não conhecia da artista, apesar de tê-la visto tantas vezes na mídia.  Uma vida bem fora do padrão, eu diria mesmo desestruturada, desde a infância. Muitas decepções pelo caminho, muita luta, muita coragem, comportamentos bastante racionais, e, até onde dá para perceber, uma pessoa que se manteve íntegra apesar de tudo.

Vi este filme no Unibanco da Augusta, na sala 5, a menor de todas. É a segunda vez que o cheiro de banheiro e de mofo da sala me incomoda.  Já está mais do que na hora de darem um trato no local.

Apesar de ter achado o filme relativamente interessante, não recomendo a não ser que você não tenha nada melhor para ver.

17

de
maio

Chloe virou O preço da traição. Por quê, por quê, por quê?

Difícil de entender.  Afinal o filme é muito maior que a questão da traição.  O filme é um thriller de primeira com muito drama, ou um drama com muito thriller.  Enfim, a coisa não é rasa como faz crer o título em português - O preço da traição (http://vejasp.abril.com.br/cinema/o-preco-da-traicao). Os protagonistas de Chloe (http://www.imdb.com/title/tt1352824/): Julianne Moore, Liam Neeson, Amanda Seyfried estão ótimos. Todos no mesmo nível.

É a história de uma garota de programa que acaba se envolvendo ou sendo envolvida com um casal. A mulher, médica bem-sucedida, desconfia do marido, professor universitário. Todo mundo bonito, chique, rico, mas nem assim a coisa vai bem.  Coisas da vida, dos degastes de relações, tão comum e tão acobertado ou silenciado.  Um imbroglio imenso. A gente até imagina algumas idas e vindas que acontecem no meio da história, mas tem momentos inesperados.  Um filme que prende o espectador até o fim.  Dramas humanos bem explorados. Personagens bem estruturadas, verossímeis.  Tudo coroado por ótimas atuações. A trilha sonora também é muito interessante.

Mas de novo: por que, por que, por que Chloe virou O preço da traição que limita imensamente o escopo da produção. E se Chloe vendeu o filme lá fora, por que não venderia localmente?  Bem, com um título ou com outro, o filme vale o ingresso.

16

de
maio

Desculpe qualquer coisa…

Na onda das stand-up comedies, fui ver também o show do Oscar Filho (http://www.oscarfilho.com.br/). Como o Marco Luque (http://mskeller.blog.terra.com.br/2010/04/29/e-o-dia-nao-tinha-acabado/), o Oscar Filho também está no Teatro Frei Caneca, só que aos sábados, 23h59.  Então, com muita coragem, lá fomos nós nesse horário inédito, ver o espetáculo.

O teatro estava praticamente lotado.  Claro que o o fato de o Oscar Filho estar na mídia há algum tempo, via CQC, ajuda muito, bem como o fato de ser um espetáculo semanal. Além disso, o comediante tem valor, é bem divertido, tem timing, o texto tem momentos bem criativos.

Entre o show do Marco Luque e o do Oscar Filho, gostei mais do primeiro, mas valeu ter ido ao segundo também. Deu para rir bastante, com um humor que trabalha com situações cotidianas, bem prosaicas, mas com um olhar inusitado.

Depois de ter visto o espetáculo, quando eu ouvir novamente “desculpe qualquer coisa” vai ser difícil segurar o riso.  Não entendeu? Então vá conferir o espetáculo. Bom divertimento.

E hoje foi dia de dar uma espiada na Virada Cultural de S. Paulo.  Fui em 2008, mas não em 2009. Hoje deu para voltar.  Fui ali perto da Pinacoteca, onde se apresentou a OSESP.  Um espetáculo bem bonito, com público bem amplo.

A Virada tem ficado cada vez melhor em termos de leque de opções e organização, mas ainda tem um bom caminho para chegar ao ótimo. E.g.: telões em cada palco, para quem está mais longe/afastado do palco poder apreciar os artistas, sobretudo no caso de dança e orquestra. Isso faria grande diferença.  Ainda: letreiros eletrônicos mostrando periodicamente, em texto, as atrações daquele palco especificamente; mais cadeiras, sobretudo para idosos.

É preciso ressaltar que o som estava ótimo, pelo menos nos palcos por que passei: Abba - Sala S. Paulo; OSESP - Pinacoteca.  O público também está aprendendo a apreciar os espetáculos de música clássica, sobretudo, o que é um grande avanço.

O transporte público atendeu bem - o metrô estava um pouco apinhado, mas era de se esperar, pois os números referentes ao público presente devem ter sido expressivos (vamos aguardar o balanço final); os ônibus circularam um tantinho mais cheios que em domingos normais, mas sem grandes problemas.  As interdições também não trouxeram caos (ou mais caos) ao trânsito da cidade.  Enfim, um evento que a cidade merece, que seus moradores merecem, e que deve ser melhorado cada vez mais. Afinal, SP não pode parar, nem sua Virada Cultural.

15

de
maio

Tô voltando pra casa!!!

Pois é, depois de duas semanas flanando pelo mundo (http://alemanhaholanda2010.blogspot.com/), vendo coisas lindas, interessantes, de volta pra casa.  Como sempre digo: viajar é ótimo, bom demais, mas voltar para o meu canto é melhor ainda…

E eu que sou do tempo da PanAm, da Transbrasil, da Varig, agradeço, a cada minuto dos longos voos, a tecnologia, os tempos modernos.  Só assim para suportar bem 12, 13 14 horas de voo.

E um grande achievement foi o “cinema individual”.  Montes de títulos (até para mim, cinemaníaca, que mesmo não trabalhando com isso, vejo dois ou três filmes por semana, tem coisa que não vi ainda), lançamentos, clássicos, etc. etc.  E tudo a um toque, ou alguns toques.  Claro que é uma telinha de nada, mas a imagem em geral é boa, os filmes não são dublados (o que é ótimo!). Único senão: em companhias estrangeiras as legendas dificilmente são em português, então ou você sabe inglês, espanhol, francês, checo, japonês…, ou não dá para ver o filme.

Aproveitei para ver Tá chovendo hamburguer (http://www.imdb.com/title/tt0844471/), que estava nos cinemas desde 2009 e não tive a oportunidade de ver, na viagem de ida. Na verdade, vi o trailer no cinema mas fui deixando, deixando, e saiu de cartaz.  O desenho é uma graça! A história do menino-gênio, incompreendido, i.e, a pessoa errada no lugar errado. Verdade que para perceber o gênio por trás do garoto precisava de paciência. Muito “acidente” antes da grande sacada.  O pai, de uma paciência pétrea, acaba cansando em dado momento, aliás, não cansando, percebendo que o menino perdeu o controle sobre seu invento e sobre si mesmo.  O tema é bem fantasioso (chover comida=chover maná?), mas os temas discutidos durante a animação são muito bem desenvolvidos. A coisa não fica piegas, mas, sim, muito interessante, divertida.  As vozes também só deixam tudo melhor. Bill Hader, que só tem feito vozes em cinema basicamente (e olha que o menino é bonito demais!), está ótimo. James Campbell também está ótimo como o pai do geninho Flint Lockwood. Ver o desenho tornou o voo melhor.

Na volta vi A ilha do medo (http://www.imdb.com/title/tt1130884/) com Di Caprio.  Outro filme que está ainda por aí, mas não tinha tido a oportunidade de de ver. Estava na lista…

Gosto muito do DiCaprio.  Você dirá: e quem não gosta?  Não, não, não! Não é pelo motivo evidente, a figura do galã, mas sim porque ele é bom mesmo. E, na mesma linha de  Tom Cruise, Brad Pitt, procura filmes, ou melhor, personagens que não facilitem sua vida. Podia ser um Hugh Grant, mas, não, preferiu outro caminho. E Scorcese aposta nele. E eu também, oras! Hoje, um filme com DiCaprio no elenco é quase certeza de qualidade, de bom entretenimento.

Além de DiCaprio, Ben Kingsley e Max von Sydow estão ótimos! Mark Ruffalo também. Até a Patricia Clarkson, de quem não gosto muito, está muito bem.  A trilha sonora ajuda muito, e a fotografia+cenários são uma personagem à parte.

O filme é cheio de idas e voltas. Você acha que sacou, e não sacou. Aí, vem o golpe final: nossaaa, então era isso?  O filme é bem criativo, não no assunto tratado (experiências feitas com a mente humana, sem que o experimentado tenha anuído, com emprego de recursos humanos e materiais de monta - leia um bom livro sobre eugenia, não na Alemanha, mas nos EUA, e você verá que a base do filme é muito real, possível, presente), mas no jeito com que trata o assunto. O olhar que usa para discutir o tema.  Achei o filme muito bom.  O tempo voou (ui, desculpem pelo trocadilho infame).

« Posts mais novos

Report abuse Close
Am I a spambot? yes definately
http://mskeller.blog.terra.com.br
 
 
 
Thank you Close

Sua denúncia foi enviada.

Em breve estaremos processando seu chamado para tomar as providências necessárias. Esperamos que continue aproveitando o serviço e siga participando do Terra Blog.