Escrever para viver!

Tudo que der na telha e que eu achar que vale a pena

18

de
maio

Um filmão e um filminho

E a coisa aconteceu exatamente nessa ordem. Fui ver Os homens que não amavam as mulheres (Millenium 1) (http://www.imdb.com/title/tt1639008/) (http://cinema.uol.com.br/ultnot/reuters/2010/05/13/estreia-os-homens-que-nao-amavam-as-mulheres-e-instigante.jhtm), baseado em filme homônimo de Stieg Larsson.  Eu não li o/os livros então não dá para saber se é fiel, se muita coisa foi alterada, mas não importa, é uma trama bem complicada para se colocar em filme.

Bem o filme é sueco. Para mim é meio estranho ou incômodo, já que em geral dá para ver o filme com pouca recorrência às legendas (inglês, espanhol, italiano, francês), mas com sueco a coisa é diferente. De todo jeito, a legendagem pareceu-me ok, não percebi nenhum “non sense”, i.e., legenda para um lado e filme para o outro. O filme é um thriller só do começo ao fim. Bem denso, cenas bem pesadas mas bem colocadas. Não tem apelação, o que está ali tem razão de ser. O suspense vai crescendo, crescendo, crescendo…até que vem um desfecho meio “Lost”: um negócio que poderia ter outra justificativa, motivo, alguma coisa mais plausível, menos “psicopática”…enfim, ia indo tudo tão bem, e de repente…  Mas vá lá, o filme é 95% muito bom, então 5% podem ser mais ou menos.

É a história de um jornalista que se envolve num imbroglio com um tycoon sueco, sendo condenado por isso. Mas só na Suécia mesmo…ele foi condenado, mas cumprirá a pena só dali a uns meses (tá bom que a pessoinha, aqui, ia ficar lá, paradinha, tranquilinha, uns meses esperando ser chamada a ir para o xadrez…), e nesse ínterim recebe a oferta de um potentado para investigar o sumiço, ou suposto assassinato, da sobrinha predileta do ricaço.  Aí a coisa vai por caminhos inesperados: fanáticos nazistas, comportamentos doentios, muita tecnologia para desencavar dados, cenas fortes de estupro, agressões, observação que leva a descobertas interessantes, etc., etc.,etc.

Os atores (Naomi Rapace e Michael Nyqvist), de quem nunca vi nada, acho, estão muito bem.  Mesmo os atores secundários dão o recado.  A trilha sonora ajuda muito. E a fotografia é linda; mas como faz frio na Suécia, hein?! Ainda bem que eles estão lá e nós, cá.  Senti até um certo frio no cinema…

O filme foi uma grata surpresa, sobretudo porque não estou acostumada a ver filmes suecos, então a gente fica meio sem saber o que vem por aí. Só um alerta: o filme é longo, a sessão leva 2h40.

Agora, duro é a gente ir à sessão das 14h, com umas 10 pessoas no cinema, e ter a “sorte” de ficar próxima de uma senhorinha que fica fazendo comentários em tom bem audível (ainda bem que foram poucos, mas acaba atrapalhando de todo jeito), e de uma moça que não deu descanso aos maxilares durante todo o filme: primeiramente, ruído de pipoca, saco de pipoca, mais adiante plástico da sacolinha onde estava o restante dos comes, e depois o barulho das balas ou doces sendo desembrulhados - acho que foram uns 50…Valha-me! O pessoal não tem desconfiômetro, ou melhor, civilidade e respeito mesmo!  E, vejam, apesar de ser um shopping (Frei Caneca) em que o público é diferente de outros (não gosto desse shopping, mas não há como  negar que o público ali, em geral, é melhorzinho), a gente ainda topa com esse tipo de coisas.

Depois foi a vez do filminho: Rita Cadillac, a lady do povo (http://www.cinepop.com.br/filmes/ritacadillacladydopovo.htm).  O interessante é que o filme é “inho” pelo diretor, pela produção paupérrima, e não pela personalidade tratada, ou seja, a RC.  Uma direção mais competente, uma produção mais cuidada poderiam fazer dele um filme bem melhor.  Com tema similar “Alô, alô, Terezinha” (http://mskeller.blog.terra.com.br/2009/11/07/uma-homenagem-interessante/) teve um resultado bem melhor.  Por incrível que possa parecer, a Rita Cadillac não só tem uma vida bastante interessante, como é uma pessoa com conteúdo.  Aliás, o filme serviu para demolir alguns pré-conceitos que eu tinha sobre ela.  No entanto, apesar de ser uma pessoa/personagem com certa riqueza, o assunto foi tratado de um jeito bem medíocre, bem pobrinho, bem pouco criativo.

De todo jeito, foi interessante descobrir facetas que eu não conhecia da artista, apesar de tê-la visto tantas vezes na mídia.  Uma vida bem fora do padrão, eu diria mesmo desestruturada, desde a infância. Muitas decepções pelo caminho, muita luta, muita coragem, comportamentos bastante racionais, e, até onde dá para perceber, uma pessoa que se manteve íntegra apesar de tudo.

Vi este filme no Unibanco da Augusta, na sala 5, a menor de todas. É a segunda vez que o cheiro de banheiro e de mofo da sala me incomoda.  Já está mais do que na hora de darem um trato no local.

Apesar de ter achado o filme relativamente interessante, não recomendo a não ser que você não tenha nada melhor para ver.

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