Escrever para viver!

Tudo que der na telha e que eu achar que vale a pena

30

de
abril

Tô indo…

Estou em férias (começa na segunda, mas já estou me considerando em férias por conta).  Como viajo amanhã e vou ter tempo basicamente  para escrever o blog da viagem, talvez este fique em compasso de espera, ou com muito menos postagens do que o normal. Vamos ver como flui a coisa.

De todo jeito, para a volta já há muitas coisas engatilhadas. Então, aguardem que, em breve, tudo volta ao normal.

Beijos a todos e até a volta.

30

de
abril

Um japonês do tempo das cavernas!

Nossa, vi no blog Comidinhas (http://colunistas.ig.com.br/comidinhas/2010/04/07/um-japones-e-um-nordestino-em-sao-paulo/) um artigo sobre o restaurante Yashiro (http://www.yashiro.com.br/buffetalmoco.htm). Foi meio que um susto, afinal é um restaurante muito antigo em Pinheiros, tradicional, a que eu ia quando estava no colégio (faz muiiiiitooooo tempo!).  Bem simples mesmo, mas bom e de bom preço.

Como o prato da foto me pareceu muito apetitoso, pensei em combinar com alguns amigos e ir até lá para rever o restaurante e provar o tal prato. Marcamos e reservamos.

O restaurante tem dois andares. Reservaram no andar de baixo, pois em cima tinham reserva para um grupo grande.  O restaurante está meio que a mesma coisa: não tem um ar condicionado apropriado (a sorte é que estava meio friozinho), fica um cheiro impregnante de shoyu, fritura; o mobiliário é confortável, bem simples, mas na medida; o jardinzinho da frente é o mesmo; tem estacionamento ao lado do restaurante, o que é um conforto.  A Fernão Dias é uma rua meio degradada, sobretudo pela proximidade com o Largo de Pinheiros, Largo da Batata, pontos finais de ônibus que vêm de Cotia e região, mas só ali no começo. Depois ela fica melhor: ainda tem muitas casas e à medida que vai se distanciando dos Largos fica menos feia, menos suja, menos invadida e acaba ali na Pedroso de Morais.  Aqueles últimos quarteirões ainda lembram a rua que conheci na infância, e pela circulei por décadas. Uma rua típica de bairro, mesmo considerando sua localização privilegiada e trânsito que suporta hoje.

Bem, independentemente da carinha old-fashioned, o serviço foi muito simpático e efetivo, totalmente gaijin.  O pessoal atrás do balcão (sushi-men) era todo ninhonjin.  Ou seja, cada um fazendo a sua parte, independentemente de suas origens.  Um lugar globalizado!

Apesar do cheirinho meio enjoativo, como mencionei acima, a comida não deixou dúvida: muito, muito boa!  Nada sofisticado, mas de excelente qualidade, muito saborosa, farta e barata.  Só têm self-service ou rodízio no almoço e durante a semana. Mesmo sendo à la carte o preço é muito bom.  Experimentamos vários pratos, e eu consegui comer meu prato fotográfico.  Uma delícia e superconveniente para a noite, ie, apetitoso, mas levíssimo. Na medida! Os outros comensais pediram pratos diferentes do meu e me pareceu que todos ficaram muito satisfeitos com o sabor e com o que foi cobrado.

Foi muito interessante voltar a um lugar a que não ia há vários anos (a última vez fui lá com amigos do tempo do Fernão Dias e da USP, deve fazer uns 10 anos mais ou menos, acho) e me sentir em casa, e degustar coisas tão gostosas.

Vale a visita, mesmo sendo um lugar simples e que não está na moda. Talvez até por isso mesmo.

29

de
abril

Antes tarde do que nunca!

Deixei de relatar minha visia ao último dia da exposição Expedição Langsdorff (http://www.estadao.com.br/noticias/arteelazer,expedicao-langsdorff-mostra-o-brasil-do-seculo-19,513140,0.htm no CCBB em S. Paulo.

Repito-me: exposições no CCBB, Sesi, Tomie Ohtake, Sesc, Pinacoteca, Oca, são sucesso garantido. A maioria é gratuita. Normalmente são muito bem montadas, usam tecnologia, acervo de informações e documental para enriquecer e encantar os visitantes. E não foi diferente com esta exposição.  Fui procrastinando, procrastinando, mas, felizmente, criei vergolha e fui até o centro da cidade para vê-la. E como teria perdido se não a visse!

Primeiramente, a história de Langsdorff é incrível. Uma alemão, naturalizado russo, que, sabe-se lá bem por quê o Brasil - a gente sabe, eles dizem ,mas mesmo assim é um tanto difícil de assimilar-, vem ao brasil com artistas, botânicos, naturalistas e cientistas. Imaginem, Rugendas (http://pt.wikipedia.org/wiki/Johann_Moritz_Rugendas) estava com ele (adoro Rugendas!), Taunay, Hercules Florence!

Depois de conseguir montar sua expedição na primeira metada do século XIX, expedição que durou dois anos, de São Paulo ao Pará, pelo meio do país, por águas, mato, relevos desafiadores, sem lugar para reabastecer os víveres, sem médico ou ciência para curar os males da época, intoxicações, infecções.  Lendo o que ele planejou e o que fez não há como não se assombrar, e se maravilhar, e admirar. Agora o fantástico mesmo é o cuidado na documentação: pinturas, mapas, diários de bordo ou diários da expedição.  Impressionante!  O que foi exposto é do acervo da Academia de Ciências de São Petersburgo e do Arquivo Naval Russo, também de São Petersburgo.  E como tudo está conservado, bem cuidado! É de tirar o fôlego!

Olhando para os equipamentos que utilizaram (cronômetro de marinha, sextante, câmara escura), fica mais difícil ainda de entender o grande sucesso da expedição e sua qualidade, ie, como assim? Sem GPS, sem celular, sem satélite?

Agora o mais incrivel é a precisão dos mapas feitos pelo russo Néster G. Rubtsov. Se pensam que estou exagerando, não estou, não!  A organização da exposição projetou os mapas atuais do percurso no Google Maps sobre os desenhados pelo russo.  Bate tudo! Curva por curva, muito do que está à volta (vegetação, relevo) também.  De tirar o fôlego!

Outra coisa interessantíssima é um vídeo feito pela tataraneta de H.Florence (Adriana Florence / http://www.adrianaflorence.com.br/), em que ela faz o mesmo percurso do antepassado, só que com GPS, celular, rádio, barcos com motor, leves, e por aí vai.

Em vez de 24 meses levaram 30 dias: o barco furou e teve de consertar; tinham onde reabastecer, os barcos eram levíssimos então onde não dava para navegar, e havia vários pontos em que isso acontecia, podiam carregar os barcos, por serem pequenos, leves, aerodinâmicos.  As aquarelas pintadas pela artista durante a viagem são lindíssimas, dignas do trabalho de seu tataravô.  Um vídeo interessantíssimo!

Bom, foi um prazer ver tudo aquilo, aprender, e entender que nós só estamos fazendo o upgrade do que gente de verdadeiro engenho, coragem e persistência fez muito antes de nós. Temos valor? Claro que sim!  Mas esses bravos tinham demais!

29

de
abril

E o dia não tinha acabado!

Depois do Le Jazz, um docinho sempre é bom. Aliás, pretendo voltar ao Le Jazz para experimentar as sobremesas (aí tem de comer menos para dar para chegar ao final).

Mas decidimos ir a um lugar que eu não conhecia: Patisserie Le Fournil (http://www.gastronomiasofitel.com.br/fournil.aspx?ling=pt-br), ali no Sofitel da Sena Madureira.  Aparentemente essa doceria é famosa pelo mil folhas.  Bom, o acesso é muito fácil, a gente pode estacionar no térreo, fora da patisserie, ie, não precisa de manobrista, pagar estacionamento, etc.  Além disso, apesar de ficar à beira da S.Madureira, 23 de Maio, as mesinhas externas da doceria (umas 3 ou 4, bem bonitinhas), ficam  separadas de todo o fuzuê por uma “parede” de plantas.  Além de isolar o ruído, dá a impressão que a gente está em um jardinzinho. Tem borboletas, passarinho, flores…eu diria que é, no mínimo, inesperado algo assim naquele lugar.  O movimento estava bem tranquilo. Chegamos umas 13h30 e saímos ums 15h30.  Tinha muita conversa para colocar em dia, afinal!

Eu não sou muito de doces. Gosto, mas não troco um salgado por um doce. Mesmo assim, os doces são tão bonitos, parecem tão apetitosos, o lugar é tão charmosinho, que dá vontade de comer de tudo.  No entanto, como o tamanho é generoso, a gente de optar mesmo ou vai ter um pico diabético ali mesmo.  Bom, optamos pelo mil folhas e por uma tortinha de nozes. Além de lindos, como mencionei, os doces estavam deliciosos!  Acompanhamos com um expresso muito bem tirado e água.  O serviço é muito solicito e rápido (milagreeee!).  Não é barato. Ficou em $28/pessoa (dois doces, duas águas, dois cafés, um pacotinho de trufas), mas vale muito a pena.

Acho que vou quebrar um paradigma, e me dedicar mais aos doces daqui para a frente. Bom, com paradigma ou sem, vou lá de novo com certeza!

E para terminar um dia glorioso, o espetáculo Tamo Jundo com Marco Luque (/www.teatroshoppingfreicaneca.com.br/), no teatro do Shopping Frei Caneca.

Gosto muito do Marco Luque, desde os tempos de Terças Insanas, depois CQC (TV Bandeirantes), e nas várias apresentações em programas de tv, youtube.  Acho o ator simpático, carismático, versátil. Atualmente, ele está fazendo o Tamo Junto às quartas, 21h30.  No ano passado ele fez o mesmo espetáculo no TUCA, mas não deu para eu ir.

Um amigo comprou os ingressos, na semana passada, e só conseguiu lugares separados. Então imagino que a lotação já era grande.  Ontem o teatro estava bem cheio!  E, como lamentavelmente acontece por aqui, o show  que estava marcado para 21h30 começou 21h50.  Como diz uma amiga dramaticamente: por quê? por quê? por quê? por quê?

De todo jeito, valeu muito! Foi divertido do começo ao fim.  O MLuque tem várias personagens, mas este espetáculo é uma stand-up comedy, então sem personificação, sem caracterização um tipo específico.  E o show foi muito bom!  Claro que é difícil agradar a todo mundo o tempo todo, principalmente em comédia; também tem gente que ri de tudo, o que dá um nerrrrvoosooo; mas deu para rir muito boa parte do espetáculo.  Terminou perto de 23h, e não cansou.  O timing foi excelente, o MLuque tem ótimo domínio de palco/plateia; é realmente simpático;  tem um humor que abrange vários níveis de público; tem um ou outro palavrão, mas não baixa o nível; o texto do espetáculo é bem dinâmico, tem vários momentos inesperados, de brilho.

Além desse show, o MLuque também faz outro com outros dois atores às quintas, no mesmo teatro.  Vou tentar ver.

Bom, resumindo: almoço bastante bom no Le Jazz, doces e café excelentes na Le Fournil, filme novo do Woody Allen, show do Marco Luque, e com pessoas queridas, que é o mais importante de tudo.  Nossa, que dia!  Dá para repetir?

29

de
abril

Como explicar?

Finalmente voltei ao Le Jazz Brasserie (http://mskeller.blog.terra.com.br/2010/01/27/valeu-o-esforco/). Há algumas semanas estava querendo ir novamente ao restaurante. Afinal, minha visita de janeiro foi muito positiva.  E hoje tive a oportunidade de retornar.

Como a casa é bem pequena (perto de 40 lugares), mesmo sendo apenas duas pessoas, fiz reserva, cheguei pontualmente às 12h. Já havia duas mesas ocupadas.  Lá pelas 12h30 já a casa estava praticamente lotada. Saímos às 13h15/13h30 e havia espera.

O core da casa, ou seja, a comida, continua fantástica. Alguns pratos são generosos, então dá para dividir e,sem vinho, a conta bate nos $45/$50 máximo, o que é justo pela qualidade do que é servido e elaboração dos pratos. Hoje optamos por dividir um camembert empanado com mel, pedimos duas saladas verdes pequenas, e dividimos o pato com molho de ameixa e purê.  Tudo fantástico, muito gostoso, bem servido.  Não pedimos sobremesa, pois optamos por terminar a refeição (sobremesa+café) em outro lugar (próximo post). Ficamos satisfeitas com o que escolhemos: sabor + quantidade.

Senão: encontrei um serviço mal-humorado, desatento, demorado, bem diferente da primeira vez. Como explicar essa alteração para pior, considerando que a casa deveria estar mais azeitada, pois já tem meses na praça?  Ninguém para ver a atuação capenga do pessoal do salão?

Uma pena, pois a casa merece uma mão-de-obra bem melhor pelos clientes que recebe, e pela qualidade da comida que oferece. Quero voltar lá e tirar a prova. Depois conto.

29

de
abril

Um legítimo Woody Allen!

Com muito prazer vi o filme Tudo pode dar certo (http://www.imdb.com/title/tt1178663/) (http://blogs.abril.com.br/asetimaarte/2009/06/novidades-sobre-tudo-pode-dar-certo-mais-recente-trabalaho-woody-allen.html) / Whatever works. De novo, o título original diz: o que funcionar, ou até o que der certo, o que é um tanto diferente de “tudo pode dar certo”. Mas vamos em frente, que atrás vem gente!

Woody Allen (http://www.imdb.com/name/nm0000095/) (http://pt.wikipedia.org/wiki/Woody_Allen), com seus quase 75 anos, numa vitalidade intrigante, instigante, mesmerizante.  É Larry David na tela, mas a gente enxerga Allen em tantos de seus personagens feiosos, cientes de suas limitações, agitados, esquisitos, neuróticos, falantes, questionadores.  Uma transmutação eu diria, da melhor qualidade.

Evan Rachel Wood, como Melody, além de uma gracinha de garota, atua maravilhosamente. E tem Patricia Clarkson também, maravilhosa! Aliás, o time todo é muito bom.

E a trilha sonora, como sempre, de extremo bom gosto, linda!

É a história de um homem de seus sessenta anos, mas que, com certeza, nasceu velho e rabugento. Acho que no berço já era essa criatura chata, descrente, soberba, presunçosa…afffeee, haja adjetivo negativo!  Mesmo assim, consegue o carinho de uma mulher bem mais jovem.  E tudo vai bem, até que ela cansa de tanta ranzinzice e encontra mais vida, mais sexo, um futuro.  Divertidíssima a postura “reclamante 24 por 7″ de Boris (personagem principal), como ele consegue cavar o pior em tudo, cuspindo seus conceitos feito uma metralhadora.  Chega uma hora em que a gente começa até a concordar com algumas coisas. Eu, hein?! Parece que ele está num cabo-de-guerra com ele mesmo, com o mundo, com a possibilidade de viver bem.

Resumo da ópera: o negócio é aceitar fatos e pessoas como são (dificílimo! take my word!) e lidar com tudo isso da melhor forma possível, mas sem amargar, i.e., “dos limões fazer uma limonada”.

Woody Allen concebeu este filme há mais de 30 anos. Mexeu, ajeitou, burilou, e agora saiu. Ótimo! Não é facinho, tem de pensar, traz reflexão, apesar das personagens caricatas (Boris e Melody). Todo o texto é permeado de um vocabulário muito elaborado, sofisticado, eu diria (no original, pelo menos).

Um Allen legítimo!

Posts de outros filmes de WAllen (acho que um dos cineastas a que mais assisti e de que gosto muito):

http://mskeller.blog.terra.com.br/2009/10/17/dorminhoco-ou-sonhador/

http://mskeller.blog.terra.com.br/2009/09/15/mais-um-woody-allen/

http://mskeller.blog.terra.com.br/2008/11/23/pronto-ja-estou-de-castigo/

25

de
abril

Que palpite feliz!

Contrariamente a Noel, o palpite foi mais que feliz: vamos ver Fabiana Cozza (http://www.fabianacozza.com.br/) e a Jazz Sinfônica (http://www.apaacultural.org.br/jazzsinfonica/) no Auditório Ibirapuera (http://www.apaacultural.org.br/jazzsinfonica/).

E deu no que deu: milhar na cabeça…ôpa, já tô falando como malandro carioca. Assimilei totalmente o espírito da coisa!

Bem, Auditório Ibirapuera + Jazz Sinfônica já é sinônimo de bom espetáculo, música bonita, belos e criativos arranjos, clima simpaticíssimo, acústica ótima.  Agora, homenageando o centenário de Noel Rosa (http://pt.wikipedia.org/wiki/Noel_Rosa), que em sua curtíssima vida (26 anos) criou mais de 300 composições, das quais muitas se tornaram clássicos e são cantadas até hoje e conhecidíssimas do público, e Adoniran Barbosa (http://pt.wikipedia.org/wiki/Adoniran_Barbosa), compositor que é a cara de SP, criativo, irreverente, aí já é covardia!

Quem conhece a Jazz Sinfônica sabe que ela é primorosa, não deixa por menos na escolha do repertório, nos arranjos (a maioria feitos por seus componentes).  Ouvimos de Noel: Com que roupa?, Três apitos, Palpite infeliz, um pout-pourry de marchinhas, e de Adoniran: Iracema, Vila Esperança, e um medley com Saudosa Maloca, Tiro ao Álvaro (divertidíssima) e Trem das Onze).  Tudo na voz linda e com a simpatia de Fabiana Cozza.

Um espetáculo impecável, temperado pelos “causos” contados pelo maestro Fábio Prado.  Uma delícia de noite!

Depois, nada melhor que conhecer um restaurante. E lá fomos para o Friccó (http://www.fricco.com.br/).  Uma casa gostosa, bonita, com atendimento excelente (milagre de novo!), com pratos muito interessantes. Comi um ravioloni fantástico e dividi uma sobremesa inacreditável (bruschetta embebida em amaretto, com sorvete de laranja, bananas cozidas e calda de chocolate. Dá para acreditar? Uma delícia!).  Não é barato (Sai uns $ 80/pessoa, sem vinho, dividindo a a sobremesa - aliás dá para dividir perfeitamente!, com serviço e estacionamento incluído) e não aceitam cartões (só cheque ou dinheiro). Mesmo assim, fechou a noite com perfeição.  O restaurante fica ali no Paraíso, e minha amiga disse-me que sempre variam o menu para aproveitar o melhor da estação.  No mínimo interessante para o cliente.

E agora, curta um pouco de Noel e Adoniran:

http://www.youtube.com/watch?v=rETSGoLBjjk&a=haU00SxXnjg&playnext_from=ML

http://www.youtube.com/watch?v=sWCPoL_DJEo.

http://www.youtube.com/watch?v=Ea5nMXIRxQM

24

de
abril

Agora complicou!

Em vários textos/posts manifestei minha opinião sobre amigos, conhecidos, relações humanas (e.g. http://mskeller.blog.terra.com.br/2010/04/05/2261/).  Eu sou exigente na questão, por que faço, então a expectativa de retorno é inerente, não dá para dizer que o tal “dar sem esperar receber” esteja impregnado em mim.  E eu não dissimulo.

Mas a vida tem sido pedagógica.  Mesmo quando a gente não recebe de quem acha ou imagina que deveria, o retorno vem de outro lado e, algumas vezes, com grande qualidade.  Eu tenho tido algumas surpresas do gênero recentemente: pessoas que a vida toda achei que não dessem a mínima para minhas contribuições (eu faço isso meio que por inércia, para qualquer pessoa. Acho que é algum tipo de compulsão, mas à esta altura não vale pagar terapia só para isso), de repente mostram-se atenciosas, responsivas.  Um susto! Muito bom, mas um susto!  Ao mesmo tempo, algumas pessoas para quem julgo ter me dedicado bastante, nada, ou um retorno rasinho, meio de má vontade, sem muito esforço. Aí é repensar e redirecionar.

Vivendo e aprendendo sempre!

Aí, um dia, não sei por quê (e não sei mesmo, podem acreditar), comprei um livrinho, lá em Campos, no Mosteiro das Beneditinas (http://www.mosteirosaojoao.cjb.net/), chamado: Sozinho, mas não solitário - Wunibald Müller, Ed. Vozes. Vai ver que foi a atmosfera santificada, sei lá! E como o livro é fininho, o assunto para mim é importante, já que minha opção foi/é viver sozinha, resolvi lê-lo, ou seja, furou a fila e passou à frente de outros.

E aí a coisa complicou. Nãããooo, bobagem, deu até uma clareada.  O livro tem um viés religioso, já que o autor é psicoterapeuta e teólogo, com vivência com religiosos por parte da vida, e é permeado de conceitos que ou conhecemos, ou intuimos, e que, muitas vezes, negamos.

Mesmo que se queira negar, a vida moderna, com tanta luz, câmera, ação, informação, necessidades criadas ou impostas, e agregações artificiais, acaba fazendo com que a gente não se olhe, que a gente se perca do nosso “self” (conceito discutido no livro), i.e., sem o externo a gente acaba achando que não existe o interno, e por aí vai. Cotando: “Do cômico e ator popular Karl Valentin cita-se a seguinte fala: “Hoje eu vou me visitar. Espero que esteja em casa”. O cultivo do contato comigo mesmo, de fato, não é menos importante do que o contato com as outras pessoas. Nas palavras de Valentin é formulado um elemento central do estar só em sentido positivo: somente quando estou em casa comigo; quando encontrei uma relação comigo mesmo é que estou em condições de me sentir em casa junto a outras pessoas.” (pg. 46)

Ainda: “Permitir a experiência da solidão pode nos ajudar a nos concentrarmos em nós mesmos. Pode nos tornar conscientes do quanto nos deixamos defnir por coisas externas e pelas relações e, com isso, perdermos o olhar para nós mesmos. Assim, nós somos confrontados com aspectos em nós de que não gostamos, que gostaríamos de dissimular, mas que de agora em diante não podemos mais ignorar. Precisamos encarar a nossa própria verdade.” (pgs. 114 e 115).

Alguns conceitos são os que tenho repetido, repetido, repetido.  Coto aqui: “A intimidade é vivenciada em diferentes intensidades. Existe, por exemplo, o conhecido, que me á familiar, que eu encontro esporadicamente, com o qual eu troco um e outro problema ou preocupação relevante para mim. Já uma relação íntima pode se dar com os e as colegas de profissão que estão interligados por sentimentos de lealdade e de apoio recíprocos, pelos mesmo pontos de vista e por uma grande abertura entre si no espaço comum do seu trabaho. Índima também pode ser a relação com os integrantes de um círculo familiar ou de um grupo de supervisão. Há também o parceiro ou o melhor amigo, aquela pessoa que me conhece melhor e que eu também conheço melhor. ele pode ser aquela pessoa para mim com a qual eu vivencio uma intimidade maior. Além disso, há a intimidade na família ou em uma comunhão monacal.” (pg. 84)

E uma última cotação: “Tornar-se apto e finalmente ser capaz de viver sozinho, de aguentar a solidão e de valorizá-la e, inclusive curtí-la, é um processo que dura a vida inteira. Também ocorrerá que em diversas situações, fases de nossa vida conseguiremos lidar mais ou menos bem com isso….Pior ainda é viver com alguém e continuar tendo a impressão de estar sozinho, já que, neste caso, a ilusão de poder superar meu estar só vivendo junto de alguém é levada ao absurdo. Isso em distinção à experiência de que, mesmo convivendo com alguém posso estar sozinho comigo mesmo, ou àquela de não ser alguém e, ainda assim, ter a mim, de estar aí com meu próprio self. Essa experiência ninguém pode me subtrair; nem mesmo quando alguém que amo me abandonar.”

Resumo da ópera, como dizia minha mãe: a gente nasce, vive e morre essencialmente sozinho, por isso é preciso gostar de si, e muito.  Mas o principal, nestes tempos de vida feérica, de muito movimento “externo”, é não se perder de si. Explico: conheço pessoas que aparentemente têm tudo, aquela coisa de família, amigos, companheiro/a, dinheiro, sucesso na profissão e de repente, não mais que de repente, se olham e não veem nada! Estão completamente perdidas, não se reconhecem, olham para suas vidas como se não fossem suas, com se não tivessem vivido. Alguns ainda têm a condição de mudar tudo, de recomeçar, de consertar. Outros não.  Aí é a angústia, o tormento para o resto da vida.

Tudo isso parece conversa-mole, parece bobagem do tipo “isso só acontece para os outros”, se é que acontece. É frescura. É preciso ser muito tonto para deixar isso acontecer, e por aí vai. Mas não é, não.   Nesta minha longa vida tenho visto muito disso, e, francamente, é meu maior medo ao lado de tornar-me dependente de outrém.  Fora isso, não tenho receios quanto ao futuro.

Então, se você se sente incomodado consigo mesmo, não aguenta ficar em sua própria companhia, precisa de barulho, gente, todo o tempo, e acha isso normal, melhor refletir. Dê uma paradinha e se olhe, com coragem.  Ainda deve dar tempo.

24

de
abril

Você está atrasado! Você está atrasado!

Como diz o Coelho Branco, em Alice no País das Maravilhas (http://adisney.go.com/disneypictures/aliceinwonderland/), você está atrasado!  Se não viu, vá correndo ver Alice in Wonderland (http://www.imdb.com/title/tt1014759/fullcredits#cast).

Eu fui ver no Imax, que faz toda a diferença. Se o filme é bom, fica melhor ainda lá.  É caro? Se é! Mas vale muito.

Pelos trailers, pela história, pelo diretor, pelos atores, eu não via a hora de ver o filme.  Aliás, pouco antes me dei conta de ter visto o desenho, algum filme antigo, mas nunca ter lido o livro! Falha imperdoável! Então comprei os dois (Alice no País das Maravilhas e Alice atráves do Espelho). Vamos ver o que tem de diferente, mas acho que vou gostar dos dois livros igualmente.

O filme tem efeitos ótimos e de começo a fim é Tim Burton. A história já tem seus laivos noirs: submundo, bichos mal ajambrados que falam, gente malvada, mas o diretor consegue dar um peso ainda maior a esse lado sombrio.

Tim Burton é o mesmo de A Noiva Cadáver, Charlie and the Chocolate Factory, Planeta dos Macacos (2001).  Já li um livro “infantil” escrito por ele (O Triste Fim do Pequeno Menino Ostra e Outras Histórias) que é de dar pesadelo em qualquer criança!  Very much TBurton!

Enfim, mesmo que ele tenha “viajado” e alterado a trama original (parece que isso aconteceu com alguns personagens), o filme é um thriller, lindo, com efeitos maravilhosos. A trilha sonora é uma personagem a parte, valoriza a dramaticidade de cada sequencia.

Além disso, tem JDepp, maravilhoso!, como o Chapeleiro Maluco.  Helena Carter, Red Queen, está ótima; já não dá para dizer o mesmo de AHathaway.  Faltou alguma coisa nesta aqui.

Agora as vozes de personagens gráficos são tudo de bom: Absolem é Alan Rickman (o Prof. Severus de Harry Potter), Cheshire Cat é Stephen Fry, Chirstopher Lee é o pássaro Jabberwocky.

Na verdade a mais fraquinha, para mim, foi a própria Alice (Mia Wasikowska).  Ela participou de Amelia, num papel bem secundário (na verdade eu nem me lembrava).  Não fosse o filme (Alice) tão bom, de Burton, com personagens tão fortes e atores tão bons, seria o mesmo fiasco de The Golden Compass, em que a personagem principal, uma menininha mais que irritante e blasé, acabou com o filme. Nem Nicole Kidman, nem Christopher Lee, conseguiram segurar a onda.

Enfim, o filme é lindíssimo, os atores e personagens que interessam estão ótimos, a música é boa demais, então não perca de jeito nenhum. Mas veja em 3D porque vale muito a pena.

22

de
abril

No meio do caminho tinha um vulcão…

No meio do caminho tinha um vulcão
tinha um vulcão no meio do caminho
tinha um vulcão
no meio do caminho tinha um vulcão.

(emprestado de Drummond)

Não é complexo de superioridade, não, é o imponderável mesmo.  Bem, analisando a situação, o que houve foi um pouco melhor que tsunami, chuvas (RJ e Salvador), tremores (Chile), furacões, e por aí vai.  É que o tal vulcão islandês (vejam como é o nome correto: http://www.youtube.com/watch?v=9jq-sMZtSww&feature=player_embedded ) podia ter sido mais modesto, ter mais timing.  Tinha de acordar agora, e emporcalhar o mundo de cinzas?  Bem quando eu vou sair de férias e ia chegar até Oslo? First and last time in life, I guess!

Além de imaginar o caos nos aeroportos - i.e., pessoas com viagens familiares, de negócios, turismo, emergenciais-, há todo o prejuízo para companhias aéreas, hotéis, serviços, exportação de produtos perecíveis, etc.  Um prejuízo que só poderá ser calculado depois.  E a vida das pessoas vira de ponta-cabeça.  Mas o que se pode fazer? É a Natureza, é o imponderável.

Minha prima e o marido, após quase três semanas de viagem (férias tão suadas para conseguir e pagar), foram colhidos pelas cinzas em Munique.  Luta para sair dali, ir para Paris, para voltar para casa. Parece coisa de megalômano: Munique, Paris, tudo dito com sofrimento, com um travo, mas não é, não. Não é fácil para um forasteiro que tem que enfrentar todas essas vicissitudes, em lugares dos quais não conhece os costumes, a língua é outra e muito outra. Um estresse impressionante, como foi para aqueles que estavam nos EUA quanto houve o 11 de setembro, por exemplo.  Os da terra têm dificuldade em se entender com as autoridades, com as regras, com as mudanças, que dirá os de fora? Ainda mais que esses de fora têm seu orçamento controlado (salvo pouquíssima gente) para poder viajar, passear, fazer suas compras, portanto não dá para sacar milhares de euros de um dia para outro para pagar hotel, alugar carro, comprar passagens. Na maioria dos casos, uma situação complicadíssima!


Para minha sorte a chuva de cinzas aconteceu duas semanas antes de minha viagem. Ainda estou pensando em ir, isso se o vulcão se comportar bem daqui para a frente, mas já mudei completamente meus planos. Ia visitar quatro países (dois novos: Dinamarca e Noruega), já que estaria lá por cima, mas agora só vou rever a Alemanha, talvez viaje para alguma cidade próxima de Hamburgo que eu não conheça, e vou rever também Amsterdã no mesmo esquema,i.e., ver o que não vi na viagem anterior.   No entanto, se tudo mais falhar, vou pedir o reembolso da passagem aérea, perdendo dinheiro seguramente, e mudar o foco para o Novo Mundo.  Bem, ainda bem que tudo aconteceu com tempo suficiente para eu me reprogramar, ver as alternativas, etc., etc.  Mas e as pessoas que já estavam com o pé na estrada, ou dentro de um avião, ou não têm a possibilidade de reprogramar tudo tão rapidamente? Uma pena, de fato!


A lição que fica: mesmo com toda a tecnologia, com todas as especializações em terra, mar e ar, não podemos nada quando a Natureza dá um espirro, chora, tosse.  Nós também estamos trabalhando fortemente para o “devora-te a ti mesmo”.  Talvez o vulcão tenha despertado e erupcionado sem que tenhamos feito nada para isso, mas vai saber…a gente já bagunçou tanto o cenário (planeta) e continua a fazê-lo que ninguém pode garantir nada.


Tomara que depois de gritar, espernear, a Natureza se aquiete, e deixe que nós, serzinhos impotentes, continuemos a levar nossas vidas frágeis e efêmeras, pelo menos até que Lady Nature se enfureça de novo com nosso pouco caso, destrato, estupidez.


Será que a gente vai aprender algum dia?

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